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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Charlie Wilson's War ***

01.02.08, Rita

Realização: Mike Nichols. Elenco: Tom Hanks, Julia Roberts, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Terry Bozeman, Brian Markinson, Jud Tylor, Hilary Angelo, Cyia Batten. Nacionalidade: EUA, 2007.





Mike Nichols consegue revestir de uma superficial camada de brilho as maiores crueldades e manipulações humanas. Fez isso em “Closer - Perto Demais” e volta a fazer isso em “Charlie Wilson's War”. A adaptação de Aaron Sorkin do livro do jornalista George Crile, conta a história improvável de como três pessoas, com uma camuflada operação de bastidores do poder politico, influenciaram de forma decisiva o final da ocupação russa do Afeganistão no final dos anos 80.


Charlie Wilson (Tom Hanks) é um congressista democrata conhecido pela sua vida boémia. Joanne Herring (Julia Roberts), é uma rica herdeira texana determinada a ajudar os afegãos a defenderem.se das invasoras tropas soviéticas. Por razões que se insinuam bastante mais fortes que as humanitárias, Herring incentiva Wilson a agir em prol de um país massacrado com o intuito de terminar com a Guerra Fria. Em conjunto com um negligenciado operacional da CIA, Gust Avrakotos (Philip Seymour Hoffman), os três constroem uma rede de poderosos jogadores de forma a fazer chegar o financiamento e o armamento necessário aos Mujahideen afegãos. Com um acordo sem precedentes entre Israel (detentores de um grande arsenal de armamento soviético), o Paquistão e a Arábia Saudita, Wilson consegue aumentar o financiamento de 5 para 10 milhões de dólares e, posteriormente, para 70, terminando nos mil milhões de dólares. Com o fornecimento de mísseis Stinger os russos acabam por se retirar em 1989, deixando armados aqueles que anos mais tarde seriam considerados os maiores inimigos dos EUA (apesar disso, nunca é feita a ligação directa a Osama Bin Laden ou à Al Qaeda).


Com um ritmo irrepreensível, Mike Nichols evidencia com ironia o absurdo das situações (medidas à necessária escala actual). Consegue uma consistente sátira política, sem nunca negligenciar as personagens, trabalhadas com densidade – Wilson é um homem de vícios, mas é também um homem cuja inteligência e charme podem ser usados para o bem. Tom Hanks e Philip Seymour Hoffman estão ao seu mais alto nível (este último arrebatando cada cena), e a sua química é indiscutível.


“Charlie Wilson's War” termina sem um epílogo, porque à altura dos acontecimentos as consequências daquele acto patriótico não podiam ser avaliadas. Mas, vistos daqui do futuro, eles revestem-se de crueldade, até mais que de crueza. Porque as nossas acções só se medem no futuro, não podemos nunca dizer mais que “We’ll see...”.






CITAÇÕES:


“These things happened. They were glorious and they changed the world... and then we fucked up the endgame.”
TOM HANKS (Charlie Wilson)


















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