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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Redacted *1/2

18.01.08, Nuno

Realização: Briand de Palma. Elenco: Patrick Carroll, Rob Devaney, Izzy Diaz, Mike Figueroa, Ty Jones, Kel O'Neill, Daniel Stewart Sherman. Nacionalidade: EUA / Canadá, 2007.







“Redacted” (“Censurado”) é o mais recente filme de Brian De Palma, que também é o autor do argumento. À partida, logo pelo nome do realizador, havia curiosidade em ver o filme. Mais ainda para apreciar os dotes argumentistas do mesmo, depois de este também ter escrito e realizado filmes como: “Femme Fatale”, “Body Double” e “Dress to Kill”.


A história de “Redacted”é simples e ao mesmo tempo pretende ser complexa: no cenário de guerra no Iraque, um grupo de soldados americanos cede à pressão diária a que estão sujeitos e decidem enveredar por uma vingança pessoal que resulta na violação de uma menor de 14 anos e no assassinato desta e de membros da sua família. Depois vêm as retaliações terroristas, julgamentos militares americanos suspeitos e o sentimento de culpa de quem regressa a casa com os traumas de guerra.


Para não se repetir e refazer o “Casualties of War”, Brian De Palma decide recorrer às novas tecnologias multimédia, adicionando tiques de documentário e reportagem televisiva. O voyeurismo em salvação da verdade, que foi a primeira vítima da guerra. A ideia podia ser boa, mas a concretização deixa muito a desejar.


De Palma é conhecido por ser um dos plagiadores mais profissionais do estilo “hitchcokiano” (elogio!). Agora podemos acrescentar uma nova faceta: criador de powerpoints artísticos.


Filmes do youtube, vídeos digitais caseiros, conversas familiares via messengers de última geração, reportagens televisivas em modo hiper-realista, câmaras de segurança (que por sinal até captam áudio!!), documentários televisivos, páginas da internet de organizações terroristas com vídeos on-line e fotografias chocantes de atrocidades de guerra. Tudo isto é o novo formato de película onde Brian De Palma constrói uma narrativa demasiado fragmentada e estereotipada. Tudo montado com toque caseiro mas cheio de ambições de ser experimental. Uma apresentação multimédia, de gosto duvidoso, que mistura vídeos de todas as origens, com peças documentais, directos televisivos e fotos que não chegaram à selecção final do World Press Photo.


Mas nem tudo é mau. Há o lado de panfleto anti-guerra, que é louvável, sobretudo para o público americano: vêem um lado da guerra que nem sempre lhes é mostrado. O choque e o explícito são armas para moralizar o público contra a actual ordem das coisas, poderá ser a ambição de De Palma com este filme. Mas será que é o norte-americano, votante, do interior dos EUA, acérrimo cristão e conservador, o espectador deste filme? Não me parece. Esse poderá estar entretido a ver como é que o Will Smith sobrevive sozinho em Manhattan sem uma empregada doméstica ou outra película qualquer mais “american friendly”…


Para filmes que se querem provocadores, chocantes e com pendor documental altamente manipulado, vê-se os do Michael Moore! Bem escritos, bem realizados, bem montados e altamente manipulados. Não há que enganar!




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