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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Eastern Promises ****1/2

04.12.07, Rita

Realização: David Cronenberg. Elenco: Viggo Mortensen, Naomi Watts, Vincent Cassel, Armin Mueller-Stahl, Sinead Cusack, Donald Sumpter, Jerzy Skolimowski, Yousef Altin. Nacionalidade: Reino Unido / Canadá / EUA, 2007.





Num hospital de Londres uma adolescente de 14 anos morre ao dar à luz. Decidida a encontrar a família da criança, a parteira Anna Khitrova (Naomi Watts) segue o rasto do diário que ela deixou. Mas o diário está escrito em russo, idioma que Anna não fala apesar da sua ascendência. Pede então ajuda à mãe (Sinead Cusack) e ao tio (Jerzy Skolimowski) ao mesmo tempo que aproveita a oferta de Semyon (Armin Mueller-Stahl), dono de um restaurante russo, para a ajudar.


Anna perturba assim o frágil equilíbrio da irmandade criminosa Vory V Zakone, ligada à máfia russa, e da qual Semyon é o líder. Na sombra de um negócio legítimo, efectuam-se operações de tráfico, entre as quais o tráfico sexual de jovens mulheres de leste, uma operação do especial agrado de Kirill (Vincent Cassel), o volátil filho de Semyon. Nikolai (Viggo Mortensen) é o motorista da família, com um especial talento para resolver problemas complicados (leia-se “ver-se livre de pessoas incómodas”), e cujo empenho tem como objectivo a entrada nos Vory V Zakone e a aquisição das suas estrelas tatuadas.


Cronenberg (“Spider”) continua fascinado pelo corpo, em especial pela mistura de fragilidade e força em dois momentos chave: o nascimento e a morte. Em “Eastern Promises” ele prossegue igualmente o seu fascínio pela natureza humana, do qual o seu último filme, “A History of Violence”, é também um belo exemplo.


De um lado, Cronenberg observa a perturbação que o envolvimento com criminosos cria num pequeno e vulgar núcleo familiar. Do outro lado, ainda com mais atenção, Cronenberg espreita o distúrbio provocado pela normalidade no estado de perpétua transgressão vivido pelos criminosos. Haverá algum apelo a valores morais que se consiga sobrepor aos interesses claros e funcionais do crime?


Cronenberg constrói uma metáfora visual para o conforto que a pertença a um grupo (de qualquer tipo) constitui para quem abandonou ou se viu forçado a abandonar as suas raízes. Das pedras cinzentas de Londres e do frio e humidade do Inverno londrino, ele faz-nos entrar no ambiente acolhedor, de madeiras e vermelhos, de um restaurante que se apresenta como “lar”. Mas, como em muitas as famílias, a gestão de normas e ressentimentos pode não ser a mais pacífica.


Steven Knight, autor de “Dirty Pretty Things” (2002), volta a descobrir os mundos que se albergam dentro de Londres, e no seu argumento vai tirando a casca a este universo escondido à medida que alianças e lealdades mudam para se ajustar às necessidades. No centro desta dinâmica está um vigoroso Viggo Mortensen. Vestindo o seu papel como uma segunda pele, temos oportunidade de assistir à subida de mais um degrau na escada da excelência interpretativa.


E sim, tem que se falar da cena de luta na sauna: brilhantemente filmada. Cronenberg no seu melhor, num dos melhores dos últimos tempos.






CITAÇÕES:


“Sometimes, if things are closed, you just, open them up.”
VIGGO MORTENSEN (Nikolai Luzhin)





















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