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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Le 4ème Morceau de la Femme Coupée en Trois **

24.10.07, Rita

Realização: Laure Marsac. Elenco: Laure Marsac, Denis Podalydès, Claire Borotra, Alexia Stresi, Justine Gallou, Gisèle Casadesus, Ivan Taieb, Emmanuelle Lepoutre. Nacionalidade: França, 2007.





O melhor de “Le 4ème Morceau de la Femme Coupée en Trois” é, sem sombra de dúvida, o seu título. E, em segundo lugar, estão os sapatos vermelhos. A primeira longa-metragem da actriz Laure Marsac é um produto autobiográfico conceptual que nos extenua em todo o seu simbolismo.


Louise (Laure Marsac) é a mulher do título. Uma mulher terna e frágil que esconde a sua permanente angústia atrás de palavras. As três partes em que se divide são os três actos distintos que compõem o filme, unidos pelo elemento comum do automóvel e por elegantes apontamentos a vermelho. No primeiro acto, Louise, lutando pela sua autonomia face ao marido e à filha, decide tirar a carta de condução, não sem uma grande dose de esforço, em especial dada a personalidade rígida do seu instrutor (Denis Podalydès, “Le Mystère de la Chambre Jaune”) - promissora personagem que é descartada rapidamente e sem misericórdia para se passar ao segundo acto. Neste, Louise, já detentora da carta de condução, esquece-se das chaves do carro no seu interior, ficando fechada do lado fora num parque de estacionamento de um centro comercial. A angústia e o aborrecimento marcam o momento de solidão forçada e de impotência. O terceiro acto é um flashback à sua infância, acompanhando a mãe (Claire Borotra) no banco de trás do carro, com o conforto nostálgico e melancólico de não ter responsabilidades nem obrigações.


Enquanto na primeira parte o tempo é condensado no processo de aprendizagem, na segunda, Laure Marsac impõe-nos o tempo de espera real, para depois, na terceira parte, nos levar para o tempo irreal da memória.


De fora, fica a falado quarto pedaço, aquele que parece não poder existir, no âmbito da lógica, mas que todavia está lá, como quintessência feminina. Aquilo que importa é exactamente aquilo que nos é negado assistir. E é nesta ausência de explicações, de profundidade, que “Le 4ème Morceau de la Femme Coupée en Trois” se reduz a um cansativo exercício estilístico: o carro como símbolo dos objectivos materiais, e a turbulenta relação de desejo / necessidade que daí advém como representação de tudo aquilo de que abdicamos na vida por esses objectivos.


Apesar disso, o argumento de Marsac tem um cuidado especial com as personagens secundárias. O marido pouco presente (Ivan Taieb), o austero instrutor de condução (Podalydès), a pouco amável empregada de caixa (Emmanuelle Lepoutre) – surgem todos com uma força inesperada, e apontam para um trabalho futuro que não deverá ser negligenciado.















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