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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Backstage **1/2

21.10.07, Rita

Realização: Emmanuelle Bercot. Elenco: Emmanuelle Seigner, Isild Le Besco, Noémie Lvovsky, Valéry Zeitoun, Samuel Benchetrit, Edith Le Merdy, Jean-Paul Walle Wa Wana, Mar Sodupe, Lise Lamétrie, Claude Duneton. Nacionalidade: França / EUA, 2005.





Lucie (Isild LeBesco) é uma adolescente obcecada com a famosa cantora Lauren Waks (Emmanuelle Seigner), que se depara no meio de um reality show no qual conhece Lauren pessoalmente. A partir desse momento estabelece-se entre elas uma relação doentia. Enquanto Lauren está decidida a permanecer numa espiral de auto-destruição, da qual já nem o seu trabalho a consegue salvar, Lucie assume por si a responsabilidade de restituir a felicidade à vida do seu ídolo, sem olhar a meios.


O argumento de Emmanuelle Bercot e Jérôme Tonnerre aborda a relação disfuncional de obsessão e dependência entre o admirado (que não consegue corresponder às expectativas irreais que nele colocam) e o admirador (que assume arrogantemente o papel de solucionador) de uma forma bilateral, com o poder mudando de mãos sucessivamente e o feitiço da celebridade (onde está incluída a atracção sexual) turvando o discernimento.


As canções originais de Laurent Marimbert e cantadas (sofrivelmente) por Seigner não atenuam o excesso de tempo do filme. E apesar do esforço de interpretação, Bercot mantém-nos à margem das personagens e do seu íntimo, não nos permitindo perceber em concreto o que qualquer uma delas sente ou pensa. Apesar disso, a fragilidade emocional de Le Besco é tocante nas primeiras cenas, mas acaba por se tornar cansativa e sem nuances ao longo do filme. Aliás, já anteriormente “À Tout de Suite” e “Camping Sauvage”, mostravam uma certa “especialização” na fragilidade e no erótico que nunca me agradaram e que, em “Backstage”, me continuaram a aborrecer profundamente. Noutro caminho está Seigner, que de repente parece ter despontado com novo vigor, veja-se o caso tocante de “Le Scaphandre et le Papillon”.


“Backstage” é um foco fraco, mas coloca alguma luz sobre como o desequilíbrio de uma entrega sem retorno pode, facilmente, resultar num profundo vazio. E um sonho tornado realidade pode, com efeito, revelar-se um pesadelo.




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