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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

The Host ***

26.08.07, Rita

T.O.: Gwoemul. Realização: Joon-ho Bong. Elenco: Kang-ho Song, Hie-bong Byeon, Hae-il Park, Du-na Bae, Ah-sung Ko. Nacionalidade: Coreia do Sul, 2006.





Um filme de terror antiterrorista. Esta é, para mim, a melhor síntese de “The Host”. Infelizmente, o filme de Joon-ho Bong leva muito mais a sério a segunda parte desta definição do que a primeira. Por vezes nojento e com bons detalhes de realização, o elemento terror, entendido como os efeitos emocionais provocados pela ansiedade e pelo medo, é praticamente inexistente.


“The Host” gira em torno de uma unidade familiar algo disfuncional: Gang-du (Kang-ho Song), um homem cheio de azar na vida, a sua irmã Nam-Joo (Du-na Bae), campeã de tiro ao alvo, o seu irmão licenciado Nam-il (Hae-il Park) e o pai dos três Hie-bong (Hie-bong Byeon), dono de uma roulotte de comida. Quando a filha de treze anos de Gang-du, Hyun-seo (Ah-sung Ko), é vítima do ataque do monstro anfíbio que habita o rio Han, a família une todos os seus esforços para a encontrar.


A desconfortável proximidade a que esta família é forçada provoca cenas hilariantes e o uso do humor como factor de alívio é talvez o ponto mais forte, e mais desconcertante, deste filme. Porque, com efeito, não se trata de uma comédia, e se as adversidades arrancam gargalhadas, não estão igualmente isentas de um lado devastador. O argumento de Joon-ho Bong, Chul-hyun Baek e Wong-jun Ha foge declaradamente e desde o início às convenções do género. O aparecimento do monstro (criação em CGI da The Orphanage, responsáveis também por filmes como “Sin City” ou “Hero”) é feito de uma forma declarada, assumindo a sua natureza, e sem que a ameaça da sua existência seja construída num crescendo de sugestões como tende a ser habitual. Graças também a um bom conjunto de actores, os heróis deste filme situam-se humanamente entre o infalível e o estúpido, sem nunca atingirem nenhum dos extremos.


“The Host” é, a meu ver, um olhar que não chega a ser satírico sobre a influência geopolítica dos Estados Unidos e sobre a cultura do terror. E talvez seja nesse ponto que a comparação que tem sido feita a “Godzilla” faça mais sentido.


Senão vejamos: um monstro mutante foi alimentado pela negligência e pelo pensamento imediatista dos americanos (tomei a liberdade de ler qualquer coisa do tipo “armar os talibans para retirar os comunistas do Afeganistão”); esse monstro (o terror incorpóreo e quase paranóico que assola o “ocidente” – confesso que esta semântica baseada na separação geográfica me incomoda) vai ceifando vidas inocentes (abstenho-me de fazer a contagem dos números actuais do Iraque); e a única esperança reside na coragem individual de, simultaneamente, assumir uma perspectiva panorâmica e combater a queda na espiral do medo. Isso só será possível quando conseguirmos olhar os outros como parte de uma família global.















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