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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

The Banquet **

27.06.07, Rita

T.O.: Ye Yan. Realização: Feng Xiaogang. Elenco: Zhang Ziyi, Daniel Wu, Zhou Xun, Ge You, Ma Jingwu, Huang Xiaoming. Nacionalidade: China, 2006.





O cinema asiático está a esgotar a fórmula mágica dos efeitos visuais luxuriantes aplicados a histórias trágicas com amor à mistura (ou trágicas porque com amor). Sem o efeito novidade de “Crouching Tiger, Hidden Dragon” nem a poesia de “Hero” ou a bela narrativa de “House of Flying Daggers”, “Curse of the Golden Flower” anunciava já um decréscimo na qualidade global daquilo que começa a ser uma clara tipologia. Infelizmente, “The Banquet” continua essa senda, apesar de repetir alguma da equipa técnica dos primeiros dois filmes.


Numa livre interpretação de Hamlet, transposta para a Dinastia Tang na China do Século X, no instável período das Cinco Dinastias e Dez Reinos, um Imperador é assassinado pelo seu próprio irmão, Li (You Ge), que usurpa o trono, bem como a sua jovem e viúva cunhada, a Imperatriz Wan (Zhang Ziyi), e manda matar o seu sobrinho (e enteado da Imperatriz), o príncipe Wu Luan (Daniel Wu), legítimo herdeiro do trono e um melancólico actor que vive longe de casa. Decidido a obter justiça, o príncipe Wu Luan regressa à corte, onde o espera a sua prometida Qing (Xun Zhou), filha do Ministro Yin (Jingwu Ma), e irmã do impulsivo General Yin (Xiaoming Huang).


“The Banquet” está marcado pela força do destino, mas não precisaria ser tão previsível. Nem o intrigante final consegue salvar este filme de um tédio instaurado por um dramatismo que não consegue, em nenhum momento, cativar as nossas emoções. As personagens são motivadas pelo desejo, mas tirando a intensidade erótica de Zhang Ziyi, o abismo a que o seu instinto de sobrevivência a conduz nunca nos surge como verdadeiramente assustador (e ficamos a pensar no que uma Gong Li teria feito).


Com um design de produção, um guarda-roupa e uma coreografia de excepção, “The Banquet” está filmado com um extremo bom gosto, fazendo uso das cores na dicotomia entre o bem e mal e sintetizando a essência da filosofia oriental nas texturas dos cinco elementos: madeira - metal - água - fogo - ar.


Um filme sobre a loucura da vingança e as emoções desmedidas precisaria ser bem mais do que um melodrama telenovelesco colmatado por uma enjoativa música a la Céline Dion.















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