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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

King Kong ***

14.12.05, Rita

Realização: Peter Jackson. Elenco: Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Andy Serkis, Jamie Bell, Thomas Kretschmann, Evan Parke e Colin Hanks. Nacionalidade: Nova Zelândia / EUA, 2005.





A história é conhecida até pelo cinéfilo ocasional. Um cineasta conduz a sua equipa para uma ilha tropical em busca do desconhecido. Mas os mistérios encerrados por aquele pedaço de terra ultrapassam a imaginação de todos os que embarcam na aventura: uma tribo nativa pouco simpática com estrangeiros, dinossauros, répteis gigantes e viscosos, morcegos e um colossal macaco, Kong de seu nome, rei e deus do seu mundo, mas que é apresentado à civilização como preso. King Kong, a besta, perde-se de amores pela bela actriz - que lhe é entregue pelos nativos, que acreditam assim aplacar a fúria do símio gigante - e é feito cativo e levado para Nova Iorque. A "oitava maravilha do mundo", como é apresentado na Broadway, liberta-se e parte à procura da sua loura. Acossado, refugia-se no topo do Empire State Building.


Descanse o leitor, que não se conta aqui o final. É desnecessário: a história é conhecida de todos. Afinal, este novo "King Kong" é um "remake" de um filme de 1933 - hoje aparentemente ingénuo nos seus efeitos especiais e com uma Fay Wray, que ficou para a história como a "rainha dos gritos" (o filme de 1976 reactualiza a lenda, com uma exploração petrolífera e a debutante e despida qb Jessica Lange).


Peter Jackson, o premiado realizador da trilogia de "O Senhor dos Anéis", sonhava pegar na história da bela e do monstro ainda antes de contar as aventuras de Frodo. Mas só o conseguiu concretizar agora, com Hollywood convencida do seu toque de Midas. E não esteve com meias medidas: a produção do filme está orçada em 207 milhões de dólares para as suas três horas de duração, uma das mais caras da história do cinema.


As maravilhas digitais do "King Kong" de Peter Jackson ajudam a explicar estas verbas. Cinco mil computadores ajudaram a recriar as batalhas ferozes entre Kong e vários tiranossaurus ou a cidade de Nova Iorque em 1933 (o ano da primeira versão do filme, no qual Jackson situa a acção do seu) e 132 sensores no rosto do actor Andy Serkis permitiram captar as emoções faciais do macaco gigante. Serkis já está habituado a ver o seu corpo transformado - foi ele que permitiu os efeitos especiais "criarem" Gollum, em "O Senhor dos Anéis". Ninguém duvida da capacidade de Jackson em recriar o bestiário do mundo perdido onde vive Kong ou o bulício novaiorquino dos anos pós-Depressão.


Mas é nas emoções captadas (sem sensores) que o filme do cineasta neozelandês mais se fragiliza, com personagens que não passam da caricatura. E a câmara de Jackson parece perdida de amores, como Kong, por Ann Darrow, o que não espanta sabendo que o papel da amada do gorila é Naomi Watts, um rosto que definitivamente se impõe ao estilo das actrizes do cinema clássico.


O melhor do filme acaba por ser a (justa) homenagem que Peter Jackson presta à época de ouro do cinema porque, também aqui, a beleza quase matava o animal.




por Miguel

















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