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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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Tristram Shandy: A Cock and Bull Story ***1/2

03.06.07, Rita

Realização: Michael Winterbottom. Elenco: Steve Coogan, Rob Brydon, Raymond Waring, Dylan Moran, Keeley Hawes, Gillian Anderson, Naomie Harris, Kelly MacDonald, Jeremy Northam, James Fleet, Mark Williams, Shirley Henderson, Ian Hart, Kieran O'Brien, Stephen Fry. Nacionalidade: Reino Unido, 2005.





A versatilidade do realizador de “24 Hour Party People”, “9 Songs” e “The Road To Guantanamo”, é mais uma vez demonstrada em “Tristram Shandy: A Cock and Bull Story”, sem estreia prevista em Portugal.


“Tristram Shandy” é uma adaptação do insólito livro "The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gentleman" de Laurence Sterne, publicado em 9 volumes, os primeiros dos quais em 1759 e os restantes 7 ao longos dos dez anos seguintes, e que é globalmente considerado inadaptável.


Assumindo desde logo esta dificuldade, Winterbottom e o argumentista Frank Cottrell Boyce preferiram manter-se fiéis ao espírito da obra e decidiram que a melhor forma de abordar uma obra sobre o “adiar”, que começa com o nascimento do herói e que, devido às suas digressões e divagações, termina pouco depois dele nascer, seria não terminar de facto de filmar a adaptação do livro. “Tristram Shandy” acaba por ser um filme sobre fazer um filme baseado num livro sobre escrever um livro.


A acção alterna entre o filme dentro do filme e as contingências que rodeiam a realização desse mesmo filme, traçando alguns paralelismos entre a vida de Tristram Shandy e a do seu protagonista, o actor Steve Coogan, especialmente ao redor do conceito de família – biológica e profissional.


Coogan é o protagonista do filme que está a ser feito dentro do filme, interpretando Tristram Shandy e o seu pai, Walter. Rob Brydon faz de tio de Tristram, Toby, dedicado a construir ao ar livre um modelo do campo da batalha de Namur onde, em jovem, sofreu um ferimento numa misteriosa parte da sua anatomia. Gillian Anderson é a viúva Wadman, que está a considerar casar com Toby, e que quer saber onde, precisamente, é que ele ficou ferido. Cada um deles, interpreta-se também a si próprio, com elementos ficcionais (como é o caso de Coogan que namora com Jenny, papel interpretado por Kelly Macdonald, e que faz um jogo de sedução com a assistente de produção Jennie – Naomie Harris) e rindo-se de si mesmos. Surge ainda o realizador Mark (Jeremy Northam) como um alter-ego do próprio Winterbottom, e uma dupla aparição de Stephen Fry, uma delas como responsável do Shandy Hall (casa-museu onde Sterne escreveu a obra e onde Winterbottom filmou). Complicado? Pois...


“Tristram Shandy” é construído à base de camadas e artifícios, de uma forma extremamente inteligente e hilariante, onde se destaca a amigável rivalidade entre Coogan e Brydon. O primeiro, inseguro, fica obcecado com a altura dos seus sapatos, querendo assegurar-se de que o seu co-protagonista não lhe rouba as cenas - mas, surpresa das surpresas, Rob Brydon é, de facto, um ‘scene stealer’. O lucro é nosso.






CITAÇÕES:


“This is a postmodern novel before there was any modernism to be post about.”
STEVE COOGAN

“The theme of Tristram Shandy is quite simple. Life is chaotic, life is amorphous, and, no matter how hard you try, you can't actually put it into any kind of shape. Tristram is trying to write his life story, but it escapes him, because life is too full, too rich, to be captured by art. Tristram's father, Walter, tries to plan every aspect of Tristram's birth and childhood, but his plans go awry.”
STEPHEN FRY (Shandy Hall Curator)





















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