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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

La Belle Bête **

12.05.07, Rita

Realização: Karim Hussain. Elenco: Carole Laure, Caroline Dhavernas, Marc-André Grondin, David La Haye, Sébastien Huberdeau. Nacionalidade: Canadá, 2006.





Louise (Carole Laure) é uma viúva vaidosa e superficial, completamente enfeitiçada pela beleza do seu filho Patrice (Marc-André Grondin), com quem partilha uma intimidade incestuosa e da qual exclui totalmente a filha Isabelle-Marie (Caroline Dhavernas), alimentando o seu ciúme doentio. Após a morte do marido ela muda-se com os seus filhos para uma mansão senhorial isolada no campo, onde Isabelle-Marie tem suficiente espaço para se aproveitar da debilidade intelectual do seu irmão e martirizá-lo cruelmente. Reclusos do mundo, o seu amor perturbado e doentio é ilusoriamente normal. Mas este equilíbrio instável é perturbado pela chegada de um padrasto (David La Haye) que põe em causa o lugar de Patrice no coração da mãe.


“La Belle Bête”, adaptação do livro que a co-argumentista Marie-Claire Blais escreveu em 1959, quando tinha apenas 17 anos, baseia-se na dinâmica das relações humanas como reflexo para a eterna disputa entre o bem e o mal (mesmo que feito pelas melhores razões). Estas pessoas são prisioneiras da sua própria realidade, tendo-se tornado vítimas dos seus vícios, do seu egoísmo, da sua mesquinhez, da sua amoralidade. O desaparecimento da figura paternal veio destruturar a unidade familiar, que apenas se conseguiu refazer de uma forma perversa e psicologicamente violenta. Entre as sombras da solidão é essa figura – na imagem de um homem com cabeça de cavalo – que atormenta Isabelle-Marie.


O filme do canadiano Karim Hussain peca por uma débil transposição do conflito inter-pessoal das personagens. O ritmo no qual o filme se arrasta a maior parte do tempo é acompanhado de movimentos excessivos da câmara, que parecem limitar-se a uma vontade de realismo totalmente oposta às interpretações exageradamente teatrais.


“La Belle Bête”: quando o bem é equivalente à beleza, a degradação física transforma-se no castigo supremo, o símbolo do mal a emergir à superfície.














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