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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

The Last Kiss ****

09.05.07, Rita

Realização: Tony Goldwyn. Elenco: Zach Braff, Jacinda Barrett, Casey Affleck, Rachel Bilson, Michael Weston, Eric Christian Olsen, Marley Shelton, Lauren Lee Smith, Harold Ramis, Blythe Danner, Tom Wilkinson. Nacionalidade: EUA, 2006.





Michael (Zach Braff, “Garden State”) e Jenna (Jacinda Barrett) estão juntos há três anos. Michael está a um mês dos 30 anos, e o caminho da vida adulta surge-lhe como uma assustadora viagem num comboio fantasma, mas não pelas surpresas – que ele acredita estarem esgotadas –, mas sim pelo previsível que lhe parece o seu futuro, especialmente com a recente gravidez de Jenna. Ao pânico latente de Michael vem adicionar-se o aparecimento da sedutora Kim (Rachel Bilson), símbolo da liberdade e da espontaneidade que Michael procura.


Uma crise de meia-idade, antecipada pela velocidade a que nos movemos (como é referido no filme), e que parece arrastar-se aos restantes amigos de Michael: Chris (Casey Affleck) está cansado da agressividade com que a sua mulher o trata após o nascimento do seu filho; Izzy (Michael Weston) está a ter dificuldades em lidar com o final da sua relação com Ari (Marley Shelton); e Kenny (Eric Christian Olsen) que se esforça por manter o seu estatuto de eterno solteiro.


O argumento de “The Last Kiss” foi adaptado por Paul Haggis (“Crash”, “Million Dollar Baby”) a partir do filme “L'Ultimo Baccio” (2001) do italiano Gabriele Muccino. Mas aquilo que poderia, à partida, degenerar numa soap opera previsível e moralista torna-se, graças ao trabalho de definição das personagens e ao realismo com que as situações são tratadas, num mosaico sobre as grandes inquietações emocionais que assolam a geração dos 30. Estas mesmas são postas em contraste com as dúvidas que surgem (ou continuam a surgir) após 30 anos de casamento, como é o caso da crise que os pais de Jenna, Anna (Blythe Danner) e Stephen (Tom Wilkinson), atravessam.


“The Last Kiss” tem um olhar atento sobre o que exige o compromisso com outra pessoa. Como saber que estamos com a pessoa certa? Até que ponto estamos apenas a alimentar um ego carente? Qual das alternativas é o caminho da felicidade? A impossibilidade de viver várias vidas numa, e voltar atrás se nos enganarmos no caminho, obriga-nos a fazer escolhas com uma limitada quantidade de informação. A honestidade, connosco e com os outros, acaba por ser a única bússola. Porque, sem confiança, que caminho resta para fazer?


Em determinado momento, Kim refuta que “Relationships either work or they don’t.”. Mais tarde, Stephen refere que se não se desistir não se pode falhar, transformando a frase anterior em “Relationships: either YOU work or YOU don’t.” Mas fica-se sem saber até quando lutar, quando é que é tarde demais para corrigir os erros, ou quantos golpes o amor consegue suportar sem definhar.


“The Last Kiss” está cheio de momentos totalmente reconhecíveis, de intimidade, de dor, de raiva, de paixão e de revolta (um destaque especial para a interpretação de Jacinda Barrett). E os óptimos diálogos não esquecem os clichés essenciais (aviso aos rapazes: todas as mulheres mentem quando dizem que o amanhã não importa).


“The Last Kiss” é muito mais dramático do que o título, o cartaz ou o elenco poderão sugerir. Ao encontrar ressonâncias da história na nossa própria vida facilmente os momentos mais cómicos se tornarão nos mais trágicos. A fabulosa banda sonora completa o ambiente, na dureza das palavras. Entre Imogen Heap, Rachael Yamagata, Ray LaMontagne ou Snow Patrol, o meu destaque vai para Joshua Radin e para as palavras da música ‘Star Mile’.


O crescimento é confuso, difícil, doloroso, e cheio de escolhas que não queremos fazer, mas o melhor sinal de que estamos a chegar lá é quando somos capazes de assumir as consequências dos nossos próprios actos. Em última instância, é por aquilo que fazemos, pelas nossas escolhas, que a nossa essência humana vem ao de cima. E há sempre um beijo que tem de ser o último.






CITAÇÕES:


“Christ... where did you come from and how can I make more of you?”
ERIC CHRISTIAN OLSEN (Kenny)

“Did you know that the institution of marriage was created when the average person lived to the age of 30?”
RACHEL BILSON (Kim)

“Life is pretty much in the grays for the most part and if you insist always on black and white... you are going to be very unhappy.”
BLYTHE DANNER (Anna)

“What you feel only matters to you. It's what you do to the people you love. That's what matters. That's the only thing that counts.”
TOM WILKINSON (Stephen)

“You can't fail if you never give up.”
TOM WILKINSON (Stephen)

“People know the truth. They may not like it or want to know it, but they always know. Lie and you'll lose her.”
TOM WILKINSON (Stephen)



STAR MILE
Joshua Radin

old doubt and a girl by your side she's feeding your pride
as you go for a ride
down the star mile
world's rise as she lets you come in
a duo begins to the hollywood din
of the lonely

and all the gold dust in her eyes
won't reform into a ring
you had and lost the one thing
you kept in a safe place
remember the face
the girl who had made you her own
and how you left her alone

all's well at the base of the hill
you might need to fill
a prescription to kill
off the sirens
look down from your tower on high
and take in the night
look her right in the eye
she'll listen

and all the gold dust in her eyes
won't reform into a ring
you had and lost the one thing
you kept in a safe place
remember the face
the girl who had made you her own
and how you left her alone

life comes to those that'll choose
the regular news
over playing the blues with the light on

and if you burn the road that'll lead you
back to her in time
I'll watch you turn to stone
can't find the sublime
she's moving on without you
the tide breaks
you watch the stars fake
they gather you back to their homes
I guess it's better than being alone












































































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