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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Offside ***

23.04.07, Rita

Realização: Jafar Panahi. Elenco: Trine Sima Mobarak Shahi, Safar Samandar, Shayesteh Irani, M. Kheyrabadi, Ida Sadeghi, Golnaz Farmani, Mahnaz Zabihi, Nazanin Sedighzadeh, M. Kheymeh Kabood, Mohsen Tanabandeh, Reza Farhadi, M. R. Gharadaghi. Nacionalidade: Irão, 2006.





“Offside” começa num autocarro que se dirige ao Estádio Azadi em Teerão para a eliminatória para o mundial de futebol de 2006 entre Irão e Bahrain. Entre os apoiantes iranianos senta-se uma assustada rapariga (Shima Mobarak-Shahi), vestida com roupas largas, a cara pintada com as cores do país e um boné enfiado na cabeça, mas sem conseguir disfarçar o seu género. Já no estádio ela é presa por um jovem soldado e levada para uma área onde se encontram já outras raparigas, cada uma delas com a sua estratégia de ataque, umas mais “profissionais” outras menos.


Elas tentam convencer os guardas, negociar alguma forma de ver o jogo e até fugir. Mas apenas conseguem uns breves relatos indirectos por parte de um dos guardas. De futebol temos direito a pouco mais que o barulho da multidão, e, como elas, somos também nós impedidos de ver o jogo. Pelo menos, aquele jogo. Porque ali fora desenrola-se um outro, um entre guardas e prisioneiras, entre as convenções sociais iranianas e os direitos das mulheres. Segundo o mal-humorado chefe dos guardas (Safar Samandar) elas necessitam ser protegidas dos empurrões e dos insultos masculinos, ao que uma delas responde “Prometemos não ouvir”.


À paixão das raparigas pelo desporto opõe-se a fraca convicção por parte dos guardas no desempenho do seu dever e uma simultânea impotência para alterar as regras. Uma cena particularmente cómica (apesar de um pouco mais extensa que o necessário) é a ida a uma das casas de banho masculinas por parte de uma das raparigas (Ida Sadeghi), na qual o guarda que a acompanha (M. Kheyrabadi), além de a obrigar a usar uma máscara, impede a entrada de outros homens na casa de banho, como se de um guarda-redes se tratasse.


Jafar Panahi (“Crimson Gold”), cujo trabalho é tradicionalmente banido no seu país, faz uso de não-actores e, em tom de comédia, aponta o dedo à discriminação sofrida pelas mulheres na sociedade iraniana.


“Offside” termina num outro autocarro, uma carrinha da polícia que abre caminho pelas ruas onde se festeja o resultado final do jogo. E apesar de uma quase forçada revelação da motivação de uma das raparigas, a explosão de nacionalismo mostra como é fácil atingir a igualdade. Mas há demasiada gente que recusa ouvir.




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