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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Destricted *

21.04.07, Miguel Marujo

O filme chega com a aura de escândalo que se recomenda para criar "hype": sete realizadores apresentam a sua visão do sexo e da pornografia, num filme cuja premissa é conter sexo explícito. A Première francesa alertava para o óbvio: este filme em episódios, sete, não é um filme, nem um conjunto de pequenos filmes, é uma longa instalação-vídeo, que denuncia a origem das artes plásticas de alguns dos realizadores. Aliás, o melhor segmento é uma frenética montagem de um minuto de imagens de filmes pornográficos («Sync», por Marco Brambilla), em que os corpos se diluem no longo solo de bateria que é a banda sonora. Para explicitar o sexo, o melhor mesmo é voltar a «Império dos Sentidos» ou os mais recentes «O Diabo no corpo», «Intimidade» e «The Brown Bunny».

Depois, há mais dois objectos interessantes nas premissas, que acabam por descambar, dos realizadores mais conhecidos associados ao projecto: Larry Clark, o de «Kids» e «Ken Park», onde já tinha explorado os limites do explícito; e Gaspar Noé, que incomodou meio mundo com a violação em tempo real de «Irreversível». Aqui filma a masturbação de dois jovens, rapaz e rapariga, em quartos diferentes, mas a verem o mesmo filme pornográfico, ela com um urso de peluche, aparentemente feliz, sã, ele com uma boneca insuflável, angustiado, doentio. A reflexão sobre o sexo solitário - «We Fuck Alone» é o título irónico do episódio, só revelado no final do segmento - acaba por submergir numa banda sonora aflitiva (o que ajuda a acentuar a angústia das cenas do rapaz, mas que não alivia nas dela) e numa filmagem intermitente que cansa (adverte-se os espectadores que sofrem de epilepsia, para o perigo de ataques com o visionamento do episódio). Larry Clark opta em «Impaled» por ensaiar uma leitura sobre o que representa o porno para a geração MTV, com a audição de actores para um filme do género. Depois, há lugar à aula prática, filmado com o despudor explícito que já nos habituou. No fundo, o ensaio agora é mais longo, e sem drogas ou reflexões sobre a geração "bully".

Há ainda um filme quase anedótico, «Balkan Erotic Epic», de Marina Abramovic, que ilustra pequenas lendas e mitos dos Balcãs relacionados com sexo; «House Call», em que Richard Prince recupera os anos dourados da indústria, antes da banalização da internet; «Death Valley», um exercício onanista (literalmente), sem nexo, da artista Sam Taylor-Wood; e «Hoist» - que abre o filme - o gratuito, grotesco, bizarro e indescritível episódio de Matthew Barney.

No fundo, sobra pouco. A única fronteira que aqui parece ser ultrapassada é a do bom gosto. O sexo fica a perder no cinema.

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