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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Inland Empire ***1/2

12.04.07, Rita

Realização: David Lynch. Elenco: Laura Dern, Jeremy Irons, Justin Theroux, Harry Dean Stanton, Julia Ormond, Ian Abercrombie, Diane Ladd, Karolina Gruszka. Nacionalidade: França / Polónia / EUA, 2006.





Libertem-se de todas as regras racionais, de todas exigências lógicas incutidas por anos e anos de uma educação pouco virada para a originalidade, libertem-se dos vossos pensamentos e deixem-se levar pela mão de David Lynch para mais uma roda viva de sensações. Ou, como no próprio filme, acendam um cigarro e façam um buraco na seda. Espreitem pelo buraco até se sentirem cair do outro lado.


“Inland Empire”, sustentado numa portentosa interpretação de Laura Dern, leva-nos numa viagem alucinada pela mente fragmentada e instável de uma mulher, "a woman in trouble" como indica a tagline.


Nikki Grace (Laura Dern) é uma actriz de Hollywood contratada para representar o papel se Sue Blue no filme "On High in Blue Tomorrows" (o filme dentro do filme), realizado por Kingsley Stewart (Jeremy Irons) e com Devon Birk (Justin Theroux) no papel de Billy Side. Os três acabam por descobrir que o filme que estão a fazer é afinal um remake de um outro filme feito na Polónia e que, por motivos trágicos, nunca foi terminado (o filme por trás do filme). Na Polónia, uma mulher (Karolina Gruszka) assiste a uma sitcom onde todos os actores possuem cabeças de coelhos e onde o cómico se confunde com o sério. No final, parece ter estado a assistir a todo o “Inland Empire” e a sua identidade mistura-se com a da própria Nikki. Lá pelo meio temos ainda direito aos fabulosos Harry Dean Stanton, Julia Ormond e Diane Ladd.


David Lynch analisa a relação entre o actor e a representação através de uma mulher presa aos papéis que lhe são dados representar, quer na sua profissão quer na sua vida, e para quem a entrega à interpretação torna totalmente difusa a linha entre ambas.


A textura maleável do vídeo digital alia-se a um tempo que se dobra sobre si mesmo, (con)fundindo o ontem, o amanhã, o depois de amanhã, no presente em que é pensado/visto. Pode-se estar em diversos locais ao mesmo tempo ou diversos tempos no mesmo local. Lynch sabe como funciona a mente do espectador, como insistimos sempre em colar os bocados todos da história. Mas ele prefere que cada um faça, na sua mente, o seu próprio filme. Em cada imagem (todas elas impregnadas do mais que apropriado adjectivo lynchiano), ele joga com as nossas expectativas. Usando as palavras que todos conhecemos, ele constrói uma linguagem com frases novas, surpreendentes e perturbantes.


Um filme difícil de explicar. Um filme que se continua a ver, mesmo depois de sair da sala. Mesmo depois de regressar a casa e apagarmos a luzes. Mesmo depois de fechar os olhos.






CITAÇÕES:


“Wake up and find out what the hell yesterday was about. I'm not too keen on tomorrow, and today's slipping by.”
LAURA DERN (Nikki)




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