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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Il Caimano ****

09.04.07, Rita

Realização: Nanni Moretti. Elenco: Silvio Orlando, Margherita Buy, Jasmine Trinca, Michele Placido, Giuliano Montaldo, Antonello Grimaldi, Elio De Capitani, Jerzy Stuhr, Luisa De Santis, Nanni Moretti. Nacionalidade: Itália / França, 2006.





Para esclarecer desde início, Silvio Berlusconi é uma parte de “Il Caimano”, mas o filme não é sobre ele –vendo bem isso seria não só doloroso como redundante, pela dura realidade e por não nos trazer nada de novo.


Em vez disso, Nanni Moretti (“Aprile”, “Caro Diario”, “La Stanza del Figlio”) traz-nos mais um filme genialmente concebido, equilibrando diferentes ideias e fazendo valer as suas opiniões (que, politicamente nunca foram segredo) de uma forma profundamente honesta e emotiva.


Bruno Bonomo (Silvio Orlando, “La Stanza del Figlio”) é um produtor de filmes de série B. Bruno vive há mais de 10 anos na ressaca do fiasco do seu último filme, “Cataratas”, e acabam de lhe retirar o financiamento para um épico low-budget sobre Cristovão Colombo. Ao mesmo tempo que o seu estúdio está prestes a ir à falência, ele está também a separar-se da sua mulher, Paola (Margherita Buy, “Manuale d’Amore”), a estrela de um anterior filme seu - “Aidra”. Numa retrospectiva sobre a obra de Bruno, Teresa (Jasmine Trinca, “Manuale d’Amore”), uma jovem argumentista, entrega-lhe um guião intitulado “O Caimão”.


A família de Bruno reflecte uma Itália que se desmorona, onde a realidade é escondida dos filhos sob a capa de histórias fantasiosas com a heroína Aidra e rebuscadas fugas ao conflito. Bruno (uma poderosa interpretação de Silvio Orlando) tenta manter um clima leve entre todos na esperança de que a sua mulher mude de ideias.


O olho clínico de Moretti perante a intimidade familiar observa o ciúme e o sofrimento com um extraordinário humor e diálogos simplesmente fabulosos. Mas “Il Caimano” é ainda um filme sobre o cinema e sobre a sua responsabilidade social (elemento determinante na obra de Moretti já desde o delicioso “Palombella Rossa”), mas também sobre as pressões inerentes à sua produção, como a procura de financiamento ou o medo de represálias. Mas a vontade de dizer algo importante pode constituir a força necessária para combater os reveses.


Fugindo à duplicação física do político italiano, Moretti opta por se centrar na sua ideia, mais do que na sua imagem. Em diferentes momentos do filme três diferentes actores serão contactados para representar o papel de Berlusconi no “filme dentro do filme”: Elio De Capitani, Michele Placido (“La Piovra”) e depois o próprio Moretti. Mas as imagens de arquivo utilizadas do próprio Berlusconi ofuscariam qualquer actor.


Num momento especial, a música “Blower’s Dauhgter” de Damien Rice (famosa pelo filme “Closer”) reflecte uma ínfima possibilidade de entendimento num contexto de ruptura. Talvez seja altura de Itália perdoar-se a si mesma.




NOTA: Muito recomendável a curta-metragem que antecede este filme, da autoria da portuguesa Regina Pessoa, “História Trágica Com Final Feliz”.








CITAÇÕES:


“A Itália consegue sempre surpreender. Escavam, escavam, escavam e, quando chegam ao fundo, raspam um pouco mais.”
JERZY STUHR (Jerzy Sturovsky)


























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