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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

El Laberinto del Fauno ****

13.03.07, Rita

Realização: Guillermo del Toro. Elenco: Sergi López, Maribel Verdú, Ivana Baquero, Ariadna Gil, Doug Jones, Álex Angulo. Nacionalidade: México / Espanha / EUA, 2006.





O realizador de “El Espinazo del Diablo” (2001) e “Hellboy” (2004) constrói em “El Laberinto del Fauno” uma fábula fantástica sobre a Espanha franquista.


Em 1944, Carmen (Ariadna Gil) e a sua filha Ofelia (Ivana Baquero) chegam a uma aldeia onde reside o novo marido de Carmen, um capitão do exército franquista obcecado com com o filho que Carmen tem na barriga e com eliminar todos os rebeldes republicanos que combatem a ditadura a partir das montanhas. Entretanto, Ofelia descobre no bosque que rodeia a casa um fauno, uma figura mitológica que a intima a cumprir três tarefas para poder converter-se na princesa que já foi um dia.


O filme de Guillermo del Toro equilibra magistralmente o drama individual, o drama nacional e o sobrenatural, este último funcionando como metáfora das atribulações emocionais experimentadas pelas personagens. Entre o tom indiscutivelmente adulto e o tom duvidosamente infantil, em “El Laberinto del Fauno” a fantasia complementa a realidade, simultaneamente reforçando e atenuando o seu impacto.


“El Laberinto del Fauno” faz uso da figura circular não apenas na narrativa, mas também visualmente através da repetição, dos reflexos e da memória perdida. De um lado está Ofelia, que tenta recuperar o passado que esqueceu, do outro está o capitão Vidal cujo maior temor é ser esquecido.


Este é um filme altamente parcial, onde todos os desalmados militares estão do lado do mal e a heróica resistência republicana do lado do bem. Tendo em conta o resultado histórico dos acontecimentos, só resta a defesa da liberdade de pensamento como única arma contra uma opressão que visa eliminar qualquer sinal de identidade (aliás, a violência em “El Laberinto del Fauno” não raras vezes é feita sobre os rostos das vítimas). Mas a discussão política vai do plano ideológico ao plano moral, onde a morte pode também significar libertação (vide a cena em que Vidal se barbeia).


“El Laberinto del Fauno” é uma obra de proeza técnica, com especial destaque para a fotografia (Guillermo Navarro), o design de produção (Eugenio Caballero) e a caracterização (David Martí, Montse Ribé) – todos premiados com um Oscar. Mas “El Laberinto del Fauno” utiliza o género fantástico para um fim mais profundo que a simples auto-contemplação, como sucede muitas vezes. Para isso valem também as fortes interpretações, começando no genial Sergi López (“Harry, Un Ami Que Vous Veut Du Bien”, “Dirty Pretty Things”), passando por Maribl Verdú (“Y Tú Mamá También”) até à jovem e desarmante Ivana Baquero.


“El Laberinto del Fauno” transpira um extremo romantismo, com planos lindíssimos e imagens grotescas, e com fluidas transições entre cenas que conduzem suavemente o espectador entre o mundo real e o surreal. Somos colocados perante a evidência do sonho quando Ofelia regressa ao seu quarto de uma das suas incursões ao mundo do fauno por uma porta que contraria todas as leis físicas.


Em “El Laberinto del Fauno” a beleza convive de perto com a brutalidade e a crueldade. Realidade é dor, e nós somos reais na medida em que os nossos corpos são marcados. Apenas através da dor física parece ser possível libertar a mente dos seus fantasmas. E depois de uma perseguição final que faz lembrar “The Shining” de Stanley Kubrick, a entrega de uma criança a um mundo limpo deixa-nos a sensação angustiosa e contraditória da possibilidade de felicidade mas também da hipótese de tragédia.






CITAÇÕES:


“Quiero que le llames ‘padre’, ¿me has oído? ‘Padre’... Ese hombre ha sido muy bueno con nosotras, hija. No sabes cuanto. Es una palabra, Ofelia. No es más que una palabra.”
ARIADNA GIL (Carmen)

“Capitão Vidal – Digáme, ¿Porqué no me obedeció?
Dr. Ferreiro – Es que... Obedecer, por obedecer. Así sin pensarlo... Solo lo hacen gentes como usted, Capitán.”
SERGI LÓPEZ (Capitão Vidal) e ÁLEX ANGULO (Dr. Ferreiro)


Mais sobre o deus Pan (o correspondente grego do deus romano Fauno) aqui.



























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