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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

The Good German **1/2

12.03.07, Rita

Realização: Steven Soderbergh. Elenco: George Clooney, Cate Blanchett, Tobey Maguire, Robin Weigert, Dave Power, Leland Orser, Tony Curran, Dominic Comperatore, Beau Bridges, Jack Thompson, Ravil Isyanov. Nacionalidade: EUA, 2006.





Berlim, Julho 1945. Logo após a rendição alemã, Estaline, Truman e Churchill reuniram-se na conferência de Potsdam para dividirem a Alemanha entre si. Berlim é uma cidade bombardeada. É também uma terra sem leis, onde não se pode confiar em ninguém, e pejada de jornalistas, entre os quais o correspondente Jake Geismer (George Clooney), que já tinha estado sedeado na cidade antes da guerra, onde tinha conhecido Lena Brandt (Cate Blanchett), actualmente é namorada do oficial designado para ser seu motorista em Berlim, Tully (Tobey Maguire). Tully está envolvido em negociatas no mercado negro, aproveitando as oportunidades que a guerra, ao contrário da paz, lhe trouxe. Mas é junto do general russo Sikorsky (Ravil Issykanov) que Tully vai tentar conseguir o dinheiro que precisa para ajudar Lena a sair da Alemanha, ao saber que aquele procura o falecido marido de Lena, Emil (Christian Oliver), um matemático a serviço das SS.


Baseado no livro de Joseph Kanon (2001) e adaptado por Paul Attanasio (“Quiz Show”, “Donnie Brasco”), o filme de Steven Soderbergh (“Erin Brockovich”, “Traffic”, saga “Ocean’s”) é uma homenagem ao film noir, irrepreensível em termos de estilo e de ambiente. Soderbergh filmou “The Good German” como se estivesse de facto em 1945, utilizando os materiais e aparelhos disponíveis na altura, bem como imagens de arquivo. Do genérico inicial ao poster, o visual é consistentemente anos 40, passando pela dupla de protagonistas, em especial Blanchett que até no sotaque faz lembrar Marlene Dietrich (e quanto de “Casablanca” anda por ali...).


Infelizmente o filme de Soderbergh, que está também a cargo da fotografia e da montagem, sob os pseudónimos de Peter Andrews e Mary Ann Bernard, respectivamente, negligencia o conteúdo a favor da forma. As personagens têm pouca densidade, e aos actores é dado muito pouco com que trabalhar, e por muitos bonitos que sejam Clooney e Blanchett, entre eles não existe qualquer química. Aliás, “The Good German”, peca, em contraste com a profunda beleza do seu jogo de luzes e sombras, pelo vazio emocional. Enquanto a personagem de Maguire está no filme a sensação de thriller mantém-se, mas após o seu desaparecimento, este filme reduz-se a um exercício estilístico.


Também não ajuda o facto de Soderbergh nos privar de um herói típico que mova a narrativa e nos comova. Em vez disso, ele opta por nos mostrar três pontos de vista, mas é através desta mudança de perspectiva que as respostas aos mistérios vão sendo dadas. São tocadas ao de leve algumas questões morais como a possibilidade de ignorar os crimes de guerra de um indivíduo se este possuir informações que beneficiem os vencedores; ou o “roubo de cérebros” efectuado no pós-guerra entre russos e americanos como recursos para guerras futuras. Mas tudo isto carece de sentimento. “The Good German” é como uma mulher extremamente bonita que desencanta assim que se fala com ela. É uma pena Sr. Soderbergh.






CITAÇÕES:


“Whenever you say to yourself, "That's the worst thing I've ever heard ...", stick around. That's Berlin.”
TONY CURRAN (Danny)
























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