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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

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CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

The Last King of Scotland **1/2

23.02.07, Rita

Realização: Kevin Macdonald. Elenco: Forest Whitaker, James McAvoy, Kerry Washington, Gillian Anderson, Simon McBurney, David Oyelowo, Abby Mukiibi Nkaaga. Nacionalidade: Reino Unido, 2006.





Em 1971, o presidente do Uganda, Milton Obote, é deposto por um golpe de estado que coloca no poder o General Idi Amin, um homem com grandes aspirações pessoais para o seu país, mas que viria a revelar um perigoso ditador e cujo regime, que durou até 1979, produziu cerca de 300.000 mortes.


O filme de Kevin MacDonald (“Touching the Void”, 2003), adaptado do livro de Giles Foden (1998) por Peter Morgan e Jeremy Brock, faz uso de uma personagem ficcional para evidenciar a assustadora espiral de quem entra no círculo de influência de um homem megalómano e paranóico que, seduzido pelo poder, vive no medo de o perder.


Nicholas Garrigan (James McAvoy) é um jovem médico escocês que, temendo o aborrecimento de uma vida como médico de família e buscando a aventura, decide ir trabalhar para a zona rural do Uganda, onde espera poder fazer a diferença. Aquando de um acidente automóvel do Presidente Idi Amin (Forest Whitaker), os serviços de Nicholas são requisitados. Este primeiro encontro é suficiente para criar entre ambos uma forte ligação. Amin gosta de sinceridade e coragem de Garrigan, enquanto este não consegue escapar ao sedutor carisma e humor do líder africano. Em resultado, disso, Garrigan é convidado pelo próprio Amin para ser seu médico pessoal e ajudar a definir a política de saúde do país. Deixando para trás os seus ideais humanitários, Nicholas vê-se como uma presença assídua em eventos sociais, e inclusivamente substituindo Amin em reuniões, na categoria de “conselheiro”.


A ingenuidade ou egoísmo de Garrigan chegam a roçar o exagero, tantas são as opções estúpidas que ele vai tomando pelo caminho, até dar-se conta da sua cumplicidade tácita e da sua culpa moral. A personagem de McAvoy acaba por ser um símbolo do colonialismo e a sua tragédia pessoal é tanto mais irrelevante quando pensamos na tragédia de um povo que, à semelhança de muitos outros em África, tem a sua história marcada por sucessivos usurpadores, sejam eles nacionais ou estrangeiros.


“The Last King of Scotland” repousa totalmente sobre os ombros de Forest Whitaker (“Ghost Dog”, “Panic Room”), que consegue humanizar Amin sem desculpá-lo, movendo-se confortavelmente entre uma gentileza desarmante, uma sedução manipuladora e uma assustadora ferocidade. Com um forte contracena de James McAvoy (“As Crónicas de Narnia”), Whitaker consegue ser tão hipnotizante como terá sido Idi Amin. Com a vantagem do seu poder ser bastante mais lúdico. Uma das apostas seguras dos Oscar.






Provavelmente um dos melhores posters do ano.























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