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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

La Vida Secreta de las Palabras ****

13.01.06, Rita

The Secret Life of Words. Realização: Isabel Coixet. Elenco: Sarah Polley, Tim Robbins, Javier Cámara, Eddie Marsan, Steven Mackintosh, Julie Christie, Leonor Watling. Nacionalidade: Espanha, 2005.





Depois de ter representado uma doente em fase terminal em “A Minha Vida Sem Mim”, a actriz Sarah Polley volta a juntar-se a Isabel Coixet para o segundo filme em inglês da realizadora catalã, “La Vida Secreta de las Palabras”.


Polley é Hanna, uma mulher introvertida e solitária. Obrigada pelo seu chefe a tirar um mês de férias, Hanna vai trabalhar para uma plataforma petrolífera no Mar do Norte como enfermeira de Josef (Tim Robbins), que sofreu um acidente num incêndio no poço e está acamado. O encontro destas duas pessoas será um ponto de inflexão nas suas vidas, marcadas por segredos que tentam esconder: Hanna procura esquecer o passado através do silêncio, enquanto Josef usa as palavras como forma de sobrepor-se a ele.


As palavras são o tema deste filme. E, quem diz palavras, diz silêncio. E muitas vezes um esconde o outro. Mas há um momento em que os diques se rompem, as palavras jorram e diz-se tudo o que se tem guardado. E em que se compreende que umas palavras, as ditas, não substituem as outras, as guardadas.


“La Vida Secreta de las Palabras” fala de duas pessoas feridas. Hanna é surda e usa um aparelho auditivo, que muitas vezes lhe serve de arma para se defender dos outros; Josef está temporariamente cego por causa dos ferimentos. Mas as suas incapacidades de comunicação são apenas a ponta do iceberg das feridas que guardam no seu interior, e o limite físico (da cama para Josef, da plataforma para Hanna) acaba por ser metáfora do limite que eles próprios se impuseram pelo cinismo. A relação que se desenvolve entre Hanna e Josef, a empatia que se cria entre o seu sofrimento, a sua mútua necessidade de afecto, fará com que aprendam a compreender-se e a aceitar-se, ou seja, a amar-se.


A plataforma é um não-lugar, representa um sítio de fuga, mas também um sítio do qual não se pode fugir, e é do confronto com os seus próprios demónios, desse passado que não permite a entrada nem a saída, que surgirá a sua cura.


No meio de todos os ruídos (da fábrica, da rua, da plataforma petrolífera), é a palavra, através dos diálogos, que faz mover este filme, ajudada por uma banda sonora onde se destaca a música “Hope There’s Someone” de Antony and the Johnsons.


A interpretação de Polley é de uma força desconcertante, metamorfoseando-se entre a doçura e a agressividade, entre a antipatia e a sedução. Ao seu lado, está um irrepreensível Robbins, sustentado quase apenas na sua voz, incutindo à sua personagem a ternura e sentido de humor nas doses certas. O restante elenco é completado com a presença marcante de Julie Christie e Javier Cámara.


À excepção do elemento de voice-over, cuja opção é de um gosto consideravelmente dúbio, Coixet constrói uma atmosfera íntima, triste, poética, angustiante, bela e melancólica, e enche de conteúdo duas personagens misteriosas, intrigantes e comovedoras. Tudo isto sem abusar de sentimentalismos, equilibrando-se entre a emoção e o sorriso, entre a crueldade e a esperança.


Através de uma abordagem madura, sincera e profunda das misérias (e algumas virtudes) do ser humano, Isabel Coixet mostra-nos, de novo, as imensas cores das palavras. E, quem diz palavras, diz silêncio.






CITAÇÕES:


“Alguien dijo que desde el momento en que uno tiene vida interior, ya está llevando una doble vida. Las palabras, como manadas de peces, pululan en nuestra cabeza y se agolpan en las cuerdas vocales, pugnando por salir y por ser escuchadas por los demás. Y, a veces se pierden en ese camino entre la cabeza y la garganta. Esta película trata de todas esas palabras perdidas, que durante mucho tiempo vagan en un limbo de silencio (y malentendidos y errores y pasado y dolor) y un día salen a borbotones y cuando empiezan a salir ya nada puede pararlas.”
ISABEL COIXET


HOPE THERE’S SOMEONE
Antony and the Johnsons


Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, will I go

Hope there's someone
Who'll set my heart free
Nice to hold when I'm tired

There's a ghost on the horizon
When I go to bed
How can I fall asleep at night
How will I rest my head

Oh I'm scared of the middle place
Between light and nowhere
I don't want to be the one
Left in there, left in there

There's a man on the horizon
Wish that I'd go to bed
If I fall to his feet tonight
Will allow rest my head

So here's hoping I will not drown
Or paralyze in light
And godsend I don't want to go
To the seal's watershed

Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, Will I go

Hope there's someone
Who'll set my heart free
Nice to hold when I'm tired


























































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