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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Harsh Times *

14.02.07, Rita

Realização: David Ayer. Intérpretes: Christian Bale, Freddy Rodríguez, Eva Longoria, Tammy Trull, Terry Crews, Chaka Forman, J.K. Simmons. Nacionalidade: EUA, 2005.





Jim Davis (Christian Bale) foi dispensado do exército após ter servido no Afeganistão. De noite, os pesadelos atormentam-no, de dia Jim está a tentar arranjar um emprego nas forças policiais, de forma a poder casar com Marta (Tammy Trull), a sua namorada mexicana. Na frustração dessa procura, Jim junta-se ao seu velho amigo Mike (Freddy Rodriguez), a contragosto da mulher deste, Sylvia (Eva Longoria), e os dois passeiam-se por Los Angeles metendo-se em problemas, entre uma cerveja e um charro.


Os homens de David Ayer são seres imaturos e impulsivos, mas profundamente fiéis aos laços de amizade que os unem. Homens inseguros, que recorrem à violência para combater a sua impotência perante o mundo que os rodeia, e fazerem-se merecedores das mulheres fortes que (ironicamente) se mantêm ao seu lado.


“Harsh Times” pretende ser um conto moral dos dias de hoje, fazendo uso de uma linguagem moderna, mas caindo num excesso de calão que torna os diálogos incredíveis. A estreia na realização do co-produtor e argumentista de “Training Day”, David Ayer, poderia ser a história de como um homem pode ser levado para lá dos seus limites de sanidade pela máquina de guerra, que dissolve a sua humanidade pela transformação do homem numa arma que legitime a morte. Mas a espiral descendente de desintegração psicológica de Jim é movida apenas à base de coincidências, que acabam por se acumular num crescendo sem sentido.


Nem mesmo o bom ritmo que Ayer consegue imprimir, nem os bons planos de Steve Mason ou a boa química entre os protagonistas salva um filme que nunca chega com efeito a tocar o espectador. Até mesmo o fabuloso e versátil Christian Bale (também produtor executivo) parece desconfortável na pele deste anti-herói amoral, e toda a sua raiva, instabilidade e agressividade surgem apenas como um exercício de interpretação. No final, sentimo-nos ainda mais longe deste assustador sociopata do que no início do filme.




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