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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Breaking and Entering ***

24.01.07, Rita

Realização: Anthony Minghella. Elenco: Jude Law, Juliette Binoche, Robin Wright Penn, Martin Freeman, Ray Winstone, Vera Farmiga, Rafi Gavron, Poppy Rogers. Nacionalidade: Reino Unido / EUA, 2006.





Apesar dos avisos em contrário, Will Francis (Jude Law, “The Holiday”), juntamente com o seu sócio Sandy (Martin Freeman, “Love Actually”), estabelecem a sua empresa de arquitectura paisagísticas, a Green Effect, em plena King’s Cross, uma área conhecida pela sua elevada taxa de crimes e prostituição, mas que é também o foco do seu projecto arquitectónico, que visa um rejuvenescimento da área através do redireccionamento de um canal. No plano pessoal, Will atravessa uma crise, marcada por um gradual afastamento da sua companheira, Liv (Robin Wright Penn, “A Home at the End of the World”), uma beleza escandinava que desistiu da sua carreira profissional para tomar conta da sua filha Bea (Poppy Rogers), uma adolescente autista obcecada por ginástica.


Pela quantidade de computadores e outro equipamento, o atelier de Will é a vítima perfeita para diversos assaltos. Primeiramente desconfia-se da equipa de limpeza do atelier, de origem africana, teoria que desagrada particularmente a Sandy, que se sente atraído por uma das empregadas. Numa noite de vigília, Will vê um adolescente, Miro (Rafi Gavron), a assaltar o atelier e segue-o até casa, onde ele vive com a mãe Amira (Juliette Binoche), uma costureira muçulmana de origem bósnia. No dia seguinte, na tentativa de obter informações sobre o adolescente, Will leva um casaco para Amira remendar. Entre os dois inicia-se uma relação marcada pelo engano.


“Breaking and Entering” poderia ser um filme sobre as relações inter-raciais, sobre o choque de classes, sobre a deslocalização, sobre o papel da arquitectura como reflexo do tecido social, sobre a fidelidade, sobre um sistema de justiça desigual, mas não chega a ser nada disso. É menos e, simultaneamente, é mais. “Breaking and Entering” é um filme sobre segundas oportunidades. A segunda oportunidade de um local, a segunda oportunidade de um país, a segunda oportunidade de um refugiado, a segunda oportunidade de o Ser Humano ser humano, a segunda oportunidade de um amor.


O argumento do próprio Minghella (“The English Patient” - 1996, “The Talented Mr. Ripley” - 1999, “Cold Mountain” - 2003) tenta gerir tudo isto, mas perde-se. Alguns detalhes que parecem de início ser importante acabam por revelar-se irrelevantes, as personagens que prometem complexidade acabam por revelar-se consideravelmente unidimensionais. Evitando a dificuldade da temática inter-cultural, ou o drama social sobre um bairro em transição, Minghella opta por se centrar no drama moral de um casal à beira da ruptura.


Will dá-se conta do vazia que é a sua vida, e do círculo entre mãe e filha do qual ele se sente sempre excluído. Esse desencanto contrasta com as emoções que ele reaviva com Amira, mas também ela tem um círculo ao qual ele não pertence. Juliette Binoche (que colaborou com Minghella em “The English Patient”) empresta à sua personagem a necessária gravidade, mas Jude Law parece incapaz de nos fazer entender a frieza de Will. Nos secundários destacam-se Ray Winstone no papel de detective e Vera Farmiga como uma filosófica prostituta (ambos colegas em “The Departed”). Num registo que lembra Heath Ledger, está o estreante Ravi Gavron, que sugiro manter debaixo de olho.


A fotografia em castanhos de Benoît Delhomme (“The Proposition”) embeleza demasiado um filme que se pedia mais arrojado. Mas Minghella parece optar pela simplificação.


Ainda assim, no campo das relações, são levantadas questões relevantes acerca do compromisso e do empenho, da vontade e da capacidade de combater a erosão provocada pelo quotidiano. Em “Breaking and Entering” os enganos são, sobretudo, emocionais. E o maior engano parece ser o de procurar o amor nos lugares errados. Ou seja, fora de nós mesmos.






CITAÇÕES:


“If you could measure how far we are from where we need to be, would you say we’re a long way?”
ROBIN WRIGHT PENN (Liv)

“There’s a part of me so dark that sees that circle as a cage.”
JUDE LAW (Will)

“Will – I want you back!
Liv – Then win me back!
Will – How?
Liv – I don’t know...”
JUDE LAW (Will) e ROBIN WRIGHT PENN (Liv)


























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