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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

16 Blocks ****

24.11.06, Rita

Realização: Richard Donner. Elenco: Bruce Willis, Mos Def, David Morse, Jenna Stern, Casey Sander, Cylk Cozart, David Zayas, Robert Racki. Nacionalidade: Alemanha / EUA, 2006.





Jack Mosley (Bruce Willis) é um polícia em final de carreira que se refugia na bebida enquanto espera pela morte. No final de um longo dia, Jack é obrigado a acompanhar uma testemunha Eddie Bunker (Mos Def) até ao tribunal, que dista 16 quarteirões da esquadra. Mas o que Jack não sabe é que Bunker está prestes a denunciar alguns dos seus colegas, os mesmos que, liderados pelo seu companheiro Frank Nugent (David Morse), estão determinados em não os deixar chegar ao seu destino.


A acção de “16 Blocks” decorre praticamente em tempo real. O relógio vai marcando os 118 minutos que restam a este improvável par. O jogo do polícia bom e polícia mau, com um criminoso à mistura não é novo, mas Richard Donner, responsável pela tetralogia “Letal Weapon”, “Conspiracy Theory” e “Maverick”, entre outros, consegue incutir a este género uma considerável dose de originalidade que, só por si, justifica uma ida ao cinema. Em diversas ocasiões parece ser evidente o que vem a seguir (aquele “ah, já sei, aqui agora é assim”), mas o inteligente argumento de Richard Wenk produz soluções bem mais imaginativas e menos estereotipadas.


Richard Donner faz um óptimo trabalho de suspense, aumentando a tensão de cada cena, enchendo as ruas de Nova Iorque de gente e evitando o uso excessivo de feitos especiais (a la Michael Bay), o que confere realismo a toda a acção. “16 Blocks” consegue ser contido e ao mesmo tempo frenético. Para isso contribui necessariamente a personagem de Mos Def, com um sério problema de contenção verbal e de divagação, ao qual acresce uma voz nasalada verdadeiramente cansativa.


Os diálogos fogem também aos clichés habituais e estão impregnados de um humor inteligente (onde a ironia de Willis marca presença), e, subtilmente, constrói-se uma forte relação emocional, entre as personagens e com o espectador.


Bruce Willis (“Lucky Number Slevin”, “Sin City”) está completamente à vontade na sua versão de velho, cansado, gordo, careca, lívido e cheio de rugas. A sua personagem é tão bem (e sucintamente) descrita nas cenas inicias, que não temos qualquer dificuldade em entender os seus comportamentos de quem não tem nada a perder.


Mas Willis não está sozinho. Mos Def (“The Hitchhiker's Guide to the Galaxy”), que funciona como o escape cómico e a consciência de Jack, é complexo ao ponto de despertar em nós sentimentos tão contraditórios como a raiva e a ternura. Por outro lado, David Morse (“The Green Mile”, “Dancer in the Dark”) é totalmente execrável (e perfeito) como polícia corrupto.


Porque os filmes de acção não são sempre iguais. Porque vale a pena sentir o poder que o cinema tem de brincar com as nossas emoções. E porque Bruce Willis está a envelhecer da melhor forma.






CITAÇÕES:


“Days change, seasons change, people don't change.”
BRUCE WILLIS (Jack Mosley)

“You can’t be lucky all the time, but you can be smart everyday.”


“We stopped being friends around 08h25.”
BRUCE WILLIS (Jack Mosley)























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