Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Unknown ****

23.11.06, Rita

Realização: Simon Brand. Elenco: Jim Caviezel, Greg Kinnear, Bridget Moynahan, Joe Pantoliano, Barry Pepper, Jeremy Sisto, Peter Stormare, Chris Mulkey, Clayne Crawford. Nacionalidade: EUA, 2006.





Um homem com um blusão de ganga (Jim Caviezel, “The Passion of the Christ”) acorda no meio de um armazém, fazendo um tremendo esforço para se situar. No mesmo armazém estão mais quatro homens inconscientes: um sentado e amarrado numa cadeira (Joe Pantoliano, “The Sopranos”), outro desmaiado numa passagem superior (Barry Pepper, “The Three Burials of Melquiades Estrada”), um outro algemado e sangrando de um tiro (Jeremy Sisto, “Six Feet Under”), e outro ainda jazendo no chão com o nariz partido (Greg Kinnear, “Little Miss Sunshine”). Cambaleante o homem de blusão de ganga procura uma saída. Ao passar por uma casa de banho lava a cara, olha-se ao espelho e pergunta-se: “Who the fuck are you?”.


Nenhum destes homens sabe como chegou até ali ou sequer a sua vida antes disso. Este parece ser o efeito de um gás que se terá libertado de uma botija. Após encontrarem um jornal onde a notícia de um rapto identifica dois homens, todos assumem estar envolvidos no caso. A questão é que nenhum sabe se pertence ao grupo de raptores ou raptados. Entre eles desenvolvem-se, simultaneamente, relações de suspeita, conflito e de aliança, baseadas no instinto e que visam apenas a defesa de interesses próprios. Um telefonema dos restantes raptores coloca um tempo limitado na sua possibilidade de fuga.


Paralelamente, Eliza (uma fraca Bridget Moynahan, “I, Robot”), a mulher de um dos raptados, paga um resgate. Mas a tentativa da polícia apanhar os raptores através do dinheiro falha, apenas se conseguindo a identificação de um dos criminosos (Peter Stormare, “The Brothers Grimm”).


Porque a personagem de Jim Caviezel é aquela com quem temos primeiramente contacto, há a tendência para o colocarmos quase automaticamente no papel de herói. É por ele que torcemos. Mas o realizador estreante Simon Brand (que faz também um cameo como médico das urgências), com o forte argumento de Matthew Waynee, cozinha uma receita que mistura habilmente “Reservoir Dogs”, “Cube”, “Saw”, e até “Memento”. À medida que cada um deles vai tendo flashes do seu passado, somos obrigados a reformular todas as nossas percepções. Até ao final.


“Unknown” é um filme intenso, que capitaliza num espaço exíguo para estimular a tensão psicológica e que vive de fortes diálogos (cheios de testosterona) e da poderosa contracena de Jim Caviezel e Greg Kinnear.


Mas na base das disputas entre estes homens está uma questão que cada um se vê obrigado a resolver individualmente: se são bons ou maus, e sendo maus se essa é uma índole à qual não podem fugir ou se podem mudar. E este parece ser o momento para se definirem. Como animal social, e começando do zero, será que o Homem é intrinsecamente bom?






CITAÇÕES:


“The choices we make from here on out of this shit-hole, that’s what’s gonna define us.”
BARRY PEPPER




















Comentar:

Mais

Comentar via SAPO Blogs

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.