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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Paris, Je T'Aime ***

19.10.06, Rita




Nacionalidade: Liechtenstein / Suiça / Alemanha / França, 2006.



“Paris, Je T’Aime” é baseado numa ideia de Tristan Carné, tendo as transições a cargo de Emmanuel Benbihy, e uma equipa de produção liderada por Claudie Ossard ( “Arizona Dream”, “Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain”). A diversos cineastas foi-lhes proposto o desafio de escreverem curtas-metragens de cinco minutos, contando cada uma delas uma história de amor tendo Paris como pano de fundo, nomeadamente, cada um dos “arrondissements”. Os realizadores estiveram sob a forte contingência de 2 dias e 2 noites de filmagens. No chão da sala de montagem acabaram por ficar dois dos “arrondissements”, que estavam a cargo de Christoffer Boe e Raphaël Nadjari. Mesmo assim, os 18 que sobraram dão para 2 horas de filme.


“Paris, Je T’Aime” mostra uma cidade polimórfica e multi-cultural, tal como o amor se assume nas suas diversas facetas. Os realizadores usam a sua própria linguagem para, como um ‘cadavre esquis’, escreverem uma carta de amor colectiva a Paris. Mas Paris vista pelos olhos de outros é sempre e apenas uma versão. O verdadeiro amor não se encontra nos locais mais turísticos, e “Paris Je T’Aime” ganha bastante quando se aventura para fora deles, pela classe trabalhadora e pelos emigrantes. Quem não conhece o trabalho de alguns destes realizadores, poderá sentir-se tentado a descobri-los, mas relativamente a outros, este filme não é de todo uma boa amostra da sua obra.


Sem que o todo seja necessariamente melhor que as partes que o constituem, “Paris Je T’Aime” é pelo menos um desafio para cada um construir a sua própria Paris, com o seu próprio amor e ao som da belíssima voz de Leslie Feist em “La Même Histoire”. Eu, por aqui, estarei atenta aos voos baratos para a cidade luz.


Um filme de retalhos é quase sempre de uma qualidade oscilante, e “Paris, Je T’Aime” não foge à regra. No entanto, a unidade narrativa é garantida pelo tema e até mesmo reforçada pelo entrecruzar de algumas das histórias no final do filme. Afinal o amor não é também uma coisa consistente, inalterada, e por isso amamos Paris, ainda que nem sempre da mesma forma.


Aqui fica uma pequena descrição de cada segmento, onde saliento as minhas preferências pessoais.



“Montmartre”, de Bruno Podalydès
com Bruno Podalydès e Florence Mueller

Um condutor (Bruno Podalydès, “Le Mystère De La Chambre Jaune”) tenta desesperadamente arranjar lugar de estacionamento no bairro de Montmatre. Quando finalmente o consegue, aproveita para reflectir sobre a sua vida e sobre a dificuldade que é arranjar uma namorada.





“Quais de Seine”, de Gurinder Chadha
com Leïla Bekhti e Cyril Descours

O discurso da realizadora Gurinder Chadha (“Bend It Like Beckham”) apela à paz e compreensão, ao abordar o tema do uso do hijab pelos jovens árabes. Um jovem (Cyril Descours) põe em questão as atitudes dos amigos, depois de conhecer uma rapariga árabe (Leïla Bekhti).





“Le Marais”, de Gus Van Sant
com Marianne Faithfull, Elias McConnell e Gaspard Ulliel

Gus Van Sant (“Elephant”) aborda não só o amor homossexual, mas também o amor transcendental onde existe o destino e alma gémea. Neste caso, a espiritualidade está toda do lado de Gaspard Ulliel “Un Long Dimanche de Fiançailles”).





“Tuileries”, de Joel e Ethan Coen
com Julie Bataille, Steve Buscemi, Axel Kiener e Frankie Pain

Os irmãos Coen, iguais a si mesmos, focam-se na agressividade sobre um turista americano na estação de metro de Tuileries. Com a quantidade de kitsch turístico que ele transporta, quase dá mesmo vontade de lhe bater. Vale por Steve Buscemi e por um detalhe do seu dicionário de bolso.





“Loin du 16ème”, de Walter Salles e Daniela Thomas
com Catalina Sandino Moreno

Walter Salles (“Diarios de Motocicleta”) e Daniela Thomas contam a história de uma mãe emigrante (Catalina Sandino Moreno), obrigada a deixar o seu filho num infantário nos subúrbios para ir tomar conta do filho de um casal rico do 16ème. Uma história forte, com as implicações sociais de um trabalho (não)remunerado. Comovente.



“Porte de Choisy”, de Christopher Doyle
com Barbet Schroeder e Li Xin

Christopher Doyle, director de fotografia de Wong Kar Wai (“2046”), mantém a onda oriental, num alucínio sem sentido a la Jackie Chan. O realizador Barbet Schroeder dá o seu contributo no papel de Monsieur Henny, um vendedor de cosméticos capilares.



“Bastille”, de Isabel Coixet
com Sergio Castellitto, Emilie Ohana, Miranda Richardson e Leonor Watling

A realizadora de “Mi Vida Sin Mí” e “La Vida Secreta de las Palabras” relata a história de um casamento em ruptura, cuja chama se reacende quando à mulher (Miranda Richardson) é diagnosticada uma leucemia terminal. O marido (Sergio Castellitto) “de tanto de comportar como um homem apaixonado, torna-se um homem apaixonado”.





“Place des Victoires”, de Nobuhiro Suwa
com Juliette Binoche, Martin Combes, Willem Dafoe e Hippolyte Girardot

História muito morna de uma mãe (Juliette Binoche) que chora pela morte do seu filho. A sua dor é acalmada por um cowboy imaginado (Willem Dafoe) que a devolve à sua família.





“Tour Eiffel”, de Sylvain Chomet
com Yolande Moreau e Paul Putner

Um rapaz conta como os seus pais (Yolande Moreau e Paul Putner) se conheceram, fazendo mímica perto da Torre Eiffel. Com imaginação e humor, o realizador de “Belleville Rendez-Vous” este é um conto de doçura e inocência.





“Parc Monceau”, de Alfonso Cuaron
com Nick Nolte, Ludivine Sagnier e Sara Martins

A curta de Alfonso Cuaron (“Y Tu Mamá También”) é um história de amor lida em palavras sombrias, como a rua por se passeiam Vincent (Nick Nolte) e Claire (Ludivine Sagnier). Inteligente.





“Quartier des Enfants Rouges”, de Olivier Assayas
com Maggie Gyllenhaal, Lionel Dray e Joana Preiss

Uma actriz americana (Maggie Gyllenhaal) tenta arranjar droga para aguentar a noite de festa e as filmagens que a esperam. Mas o encontro com o dealer (Lionel Dray) poderá significar algo mais. Frio.



“Place des Fêtes”, de Oliver Schmitz
com Seydou Boro e Aïssa Maïga Este é o encontro entre uma paramédica (Aïssa Maïga) e um músico (Seydou Boro), que acab de ser esfaqueado numa rixa. O amor nem sempre chega à hora certa.





“Pigalle”, de Richard LaGravenese
com Fanny Ardant e Bob Hoskins

Fanny Forestier (Fanny Ardant) e Bob Leander (Bob Hoskins) encontram-se num bar de strip-tease do Pigalle. Uma interessante abordagem sobre o amor numa fase de maior maturidade (dos indivíduos e da sua relação).





“Quartier de la Madeleine”, de Vincenzo Natali
com Elijah Wood, Olga Kurylenko e Wes Craven

Depois de já se ter servido do primeiro prato (o realizador Wes Craven), uma vampira (Olga Kurylenko) ataca um turista (Elijah Wood). Apesar do interessante visual Sin City, não se percebe exactamente a razão de ser de Paris nesta visão lúgubre de Vicenzo Natali (“Cube”, “Cypher”).



“Père-Lachaise”, de Wes Craven
com Emily Mortimer, Rufus Sewell e Alexander Payne

Num cemitério de Père-Lachaise, Frances (Emily Mortimer, “Match Point”) põe em questão o seu casamento pela falta de humor do seu noivo William (Rufus Sewell). O realizador Alexander Payne dá uma ajuda no papel do falecido Oscar Wilde. Wes Craven (“Red Eye”) é bem melhor quando tem tempo para criar tensão.





“Faubourg Saint-Denis”, de Tom Tykwer
com Natalie Portman e Melchior Beslon

Francine (Natalie Portman), uma actriz em início de carreira tenta terminar a sua relação com Thomas (Melchior Beslon), um jovem cego. Uma boa surpresa, que se estraga com a lamechas e dispensável imagem final.





“Quartier Latin”, de Gérard Depardieu e Frédéric Auburtin
com Gena Rowlands, Ben Gazzara e Gérard Depardieu

Gena (Gena Rowlands) e Ben (Ben Gazzara) encontram-se para combinar a assinatura dos seus papéis de divórcio. O vinho é servido por Gérard Depardieu, mas a temperatura não é a melhor.





“14ème arrondissement”, de Alexander Payne
com Margo Martindale

Carol (Margo Martindale) é uma turista americana que chega sozinha a Paris decidida a praticar o francês que aprendeu. Escutando em off a composição que ela escreveu sobre a sua viagem percebemos que não foi muito. Além disso, toda a gente lhe respondia em inglês. Alexander Payne (“Sideways”) finaliza o filme com uma nota melancólica, tocante, mas também divertida (“...la tombe de Jean-Paul Sartre et Simon Bolivar...”).





LA MÊME HISTOIRE
Feist

Quel est donc
Ce lien entre nous
Cette chose indéfinissable
Où vont ces destins qui se nouent
Pour nous rendre inséparables

Life’s a dance
We all have to do
What does the music require
People all moving together
Close as the flames in a fire
Feel the beat
Music and rhyme
While there is time

We all go round and round
Partners are lost and found
Looking for one more chance
All I know is
We’re all in the dance

Quel est donc
Ce qui nous sépare
Qui par hasard nous réunit
Pourquoi tant d’allers, de départs
Dans cette ronde infinie
On avance
Au fil du temps
Au gré du vent
Ainsi

On vit au jour le jour
Nos envies, nos amours
On s’en va sans savoir
On est toujours
Dans la même histoire

We all go round and round
Partners are lost and found
Looking for one more chance
All I know is
We’re all in the dance

Dans la même histoire
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