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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Dans Paris ***

15.10.06, Rita

Realização: Christophe Honoré. Elenco: Romain Duris, Louis Garrel, Joana Preiss, Guy Marchand, Marie-France Pisier, Alice Butaud. Nacionalidade: França, 2006.





É Inverno e Paul (Roman Duris, “Les Poupées Russes”, “De Tanto Bater o Meu Coração Parou”) está deprimido, em resultado da sua ruptura amorosa com Joanna (Joana Preiss). Regressando a casa do pai em Paris, desaloja o irmão mais novo, Jonathan (Louis Garrel, “Les Amants Réguliers”), para o sofá da sala, onde este é constantemente importunado pelo pai (Guy Marchand).


Jonathan dirige-se insolentemente à câmara para nos informar que não é o herói desta história, mas o narrador. E lança a pergunta: o que leva uma pessoa a atirar-se de uma ponte por amor?


O retrato de um dia na vida desta família, cujo lema é “Esforça-te por ignorar a tristeza dos teus”, é feito entre os dois irmãos, como dois diferentes pólos. Paul, sombrio e depressivo, Jonathan refrescante e luminoso, um profundo outro (aparentemente) superficial, mas unidos por um profundo afecto, como um género de Dom Quixote e Sancho Pança. Enquanto Paul (Duris numa interpretação profunda) acumula tristeza Jonathan acumula conquistas sexuais entre o Trocadero e as vitrinas do Bon Marché, como se se estivesse a divertir no lugar de Paul, para o manter à tona.


Mas apesar da sua tortuosa forma de individualismo, de uma mãe ausente (Marie-France Pisier), um pai excessivamente presente e a sua relação misto de conflito e ternura, esta família mantém-se unida, contra todas as previsões.


Sendo esta a verdadeira história de “Dans Paris” fica por entender por que razão Christophe Honoré (“Ma Mère”) gasta tanto tempo da primeira parte do filme a contextualizar (de uma forma propositadamente confusa) a relação amorosa de Paul e Joanna, um “je t’aime moi non plus” de pequenas torturas, desejos contraditórios, e dessincronias. O importante é estar em Paris no quarto com Paul e Jonathan a assistir a uma conversa que nunca se fez e que talvez nunca se fará.


Não se entende exactamente onde Honoré pretende chegar com tantos momentos supérfluos. Mas também, contra todas as previsões, este filme cria uma estranha sensação de encantamento. É poético, divertido, com diálogos impregnados de ironia e cinismo, um belo trio de actores e momentos verdadeiramente mágicos, como aquele em que Paul põe a tocar o single ‘Cambodia’ de Kim Wilde, procurando injectar no presente uma emoção do seu passado. Mas a cena mais bela deste filme é, sem dúvida, o diálogo cantado ao telefone por Paul e Joana de uma música de Alex Beaupain: “Avant la haine, avant les coups, de sifflets ou de fouets, avant la peine et le dégoût, brisons là, dis-tu.”


E se, como diz Joanna, “ser o grande amor de alguém, não quer dizer que tudo vai correr bem”, ainda assim é preciso atirarmo-nos mesmo sabendo que nos vamos molhar. Foi o que Christophe Honoré fez.






CITAÇÕES:


“Ser o grande amor de alguém, não quer dizer que tudo vai correr bem.”
JOANA PREISS (Joanna)

“Prends la peine d'ignorer la tristesse des tiens.”
LOUIS GARREL (Jonathan)

“Avant la haine, avant les coups, de sifflets ou de fouets, avant la peine et le dégoût, brisons là, dis-tu.”
ALEX BEAUPAIN, canção ‘Avant la Haine’























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