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CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

CINERAMA

CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA

Sauf Le Respect Que Je Vous Dois ****

13.10.06, Rita

Realização: Fabienne Godet. Elenco: Olivier Gourmet, Dominique Blanc, Julie Depardieu, Marion Cotillard, Jeffrey Barbeau, Jean-Michel Portal, Jean-Marie Winling, Pascal Elso. Nacionalidade: França, 2005.





“Sauf Le Respect Que Je Vous Dois” começa com uma perseguição nocturna numa estrada deserta. Este é o resultado, mais ou menos lógico mas certamente desesperado, de uma sequência de eventos cruéis, que nos vão sendo desvendados pouco a pouco.


Na sua primeira longa-metragem, Fabienne Godet debruça-se sobre o desumanizado (e desumanizante) o mundo empresarial, um monstro voraz capaz de devorar quem lhe dá de comer. Numa sociedade submetida à ditadura do lucro, o humano é deixado para segundo plano. Mas para Fabienne Godet é exactamente o humano a sua grande preocupação. Ela concretiza essa grande massa anónima na personagem de François (Olivier Gourmet), um homem conciliador, que se submete silenciosamente à autoridade, abdicando do aniversário do filho e das férias com a família para satisfazer as exigências laborais. François tem medo, do patrão, da mulher, do conflito, das consequências de quebrar as regras, do desemprego, preferindo fechar os olhos para os efeitos erosivos que o trabalho tem na sua vida e na daqueles que o rodeiam.


Até ao momento em que um evento trágico e brutal o obriga a abri-los e a enfrentar a verdade. (Não condeno quem feche os olhos neste cena, uma das mais violentas que vi em cinema. Infelizmente, creio que será por ela que a maioria se irá recordar deste filme, quando todo o seu restante significado é muito mais relevante.) Esta tomada de consciência é dura e repentina e François, descontrolado por uma cólera vingativa, irá deparar-se com uma inesperada indiferença ao procurar explicações para o irrecuperável.


No seu caminho, François irá cruzar-se com duas mulheres: Flora (Julie Depardieu), jornalista e fiel depositária da sua palavra; e Lisa (Marion Cotillard, “Jeux d’Enfants”), uma jovem habituada a combater o sistema, facto que lhe confere a liberdade que falta a François.


Olivier Gourmet, actor querido dos irmãos Dardenne (“Le Fils”, “L’Enfant”), está enorme e extraordinário. O leque de mulheres, ao qual se deve acrescentar Dominique Blanc (Triologia Lucas Belvaux) no papel de esposa de François, e dos restantes secundários conferem a necessária autenticidade ao filme.


A crítica social de “Sauf Le Respect Que Je Vous Dois” centra-se num emprego que se arroga toda a relevância de uma vida, reduzindo as relações humanas a um insustentável vazio. Mas a rebelião poderá exigir um preço demasiado elevado. Como tolerar aquilo que é moralmente inaceitável? Como acatar ordens de quem nem sequer respeitamos? Como encontrar o respeito por nós mesmos e dizer “basta”?






P.S. - O ano passado atribuí o título de Rainha da Festa do Cinema Francês a Catherine Frot, este ano a justiça exige que o mesmo vá para Julie Depardieu, presente em três dos filmes apresentados. Uma senhora que se tem fartado de trabalhar. E bem, ainda por cima.




















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