CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
Get well soon!




DAVID FORD
I’m Alright Now






realizado por Rita às 00:05
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Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008
Michael Clayton ****

Realização: Tony Gilroy. Elenco: George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sydney Pollack, Michael O'Keefe. Nacionalidade: EUA, 2007.





Michael Clayton (George Clooney) é o “fixer”, o solucionista de um escritório de advogados que entra em acção quando as coisas ameaçam tornar-se graves para os clientes que a sua empresa representa. Depois de escapar a uma bomba colocada no seu carro, um longo flashback irá reconstituir os acontecimento que levaram até àquele momento. A tarefa profissional de Clayton é manter os riscos sob controlo, mas a sua vida pessoal transborda caos: o casamento desfeito, o vício do jogo, a dívida de 75.000 dólares que o seu irmão tem junto de um agiota em resultado de um negócio falhado.


Quando o seu colega e amigo Arthur Edens (Tom Wilkinson) sofre um aparente esgotamento a meio de um processo de defesa da empresa agro-química U-North, Clayton é chamado para minimizar o problema. O chefe de Clayton, Marty Bach (Sydney Pollack), incumbe-o de fazer com que Edens volte à medicação para a sua bipolaridade ou fazer com que se cale. O que Clayton não sabe é que Edens descobriu provas que incriminam a U-North pela utilização de uma substância com efeitos secundários prejudiciais aos muitos agricultores a quem foi vendida e tenciona sabotar o caso a favor das vítimas. Mas Karen Crowder (Tilda Swinton), a responsável jurídica da U-North está disposta a tudo para defender a sua empresa e para preservar a sua posição na escada corporativa.


O argumentista da Trilogia “Bourne” estreia-se na realização com um competentíssimo filme, rico na sua complexidade, no confronto verbal e dispondo de um elenco pleno de intensidade, do brilhante Wilkinson à riqueza de tonalidades de Clooney e à dualidade atormentada de Swinton. Tony Gilroy atribuiu uma cuidadosa tridimensionalidade às suas personagens, e embora o argumento algo complexo exija a atenção do espectador, essa dedicação será totalmente compensadora.


Clooney carrega a alma melancólica e destroçada de Clayton como se fosse a sua. Na sombra, ele debate-se entre aquilo que é e aquilo em que se tornou. O seu dilema moral é o de uma sociedade que onde as pessoas se vão vendendo até perderem todo o seu valor humano. Onde as grandes corporações compram obtêm a lealdade em troca de uma ameaça velada. Onde estamos dispostos a fazer tudo para subir e mais ainda para nos mantermos lá em cima. Nem que seja preciso abdicar da nossa integridade para fazer parte dessa tão bem publicitada engrenagem de modernidade.


“Michael Clayton” é, nesta medida, um filme de terror. A frieza do mundo dos negócios e o conforto da vida familiar (potenciados na fotografia de Robert Elswit – “Syriana”, “Good Night, And Good Luck”) degladiam-se em torno de um eixo moral, simbolizado no livro ficcional ‘Realm and Conquest”, uma ‘bíblia’ de comportamento para o filho de Clayton (Austin Williams), ingénuo e puro como todos já fomos um dia, antes da grande corrupção.


É preciso abandonar essa “medicação” que nos entra pelos olhos e pelos ouvidos para conseguir alguma lucidez. Aí, a ambição é trocada pelo remorso, desespera-se contra as paredes de uma casa de banho, esconde-se a culpa num banco de trás de um táxi. Reza-se para ser ainda possível recuperar alguma humanidade.






CITAÇÕES:


“There's no play here. There's no angle. There's no champagne room. I'm not a miracle worker, I'm a janitor. The math on this is simple. The smaller the mess the easier it is for me to clean up.”
GEORGE CLOONEY (Michael Clayton)






realizado por Rita às 07:25
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
Juno *****

Realização: Jason Reitman. Elenco: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, Allison Janney, J.K. Simmons, Olivia Thirlby. Nacionalidade: EUA / Canadá / Hungria, 2007.





“Tudo começou com uma cadeira...”


E assim, com esta facilidade, somos sugados para o universo de Juno MacGuff (Ellen Page), uma adolescente de 16 anos, cuja experiência sexual com o seu amigo Paulie Bleeker (Michael Cera) resultou numa gravidez indesejada. O choque inicial do pai (J.K. Simmons) e da madrasta (Allison Janney) rapidamente se transforma em apoio incondicional, mesmo quando, depois de ter tido a tentação de fazer um aborto, Juno decide ter a criança e dá-la para adopção. Com a ajuda da amiga Leah (Olivia Thirlby), Juno escolhe pelo jornal o casal a quem irá dar a criança: Vanessa e Mark Loring (Jennifer Garner e Jason Bateman).


Com o aproximar da data do parto, as estações mudam, as emoções mudam, e estas personagens serão obrigadas a verem-se a si mesmas com novos olhos. Mas se nada é tão perfeito como parece à primeira vista, também nada é tão péssimo. E às vezes o melhor da vida é feito em caminhos menos esperados.


O efeito de “Juno” assemelha-se ao de “Little Miss Sunshine” o ano passado: a surpresa, o desconcerto, o fascínio absoluto. Delicioso e estranho desde a animação do genérico inicial (ver vídeo abaixo) até ao comovente final onde Juno e Bleeker cantam uma versão dos The Moldy Peaches. Foi Ellen Page que sugeriu este grupo ao realizador, que depois usou extensivamente a voz de Kimya Dawson, com apontamentos de Belle & Sebastian e o doce ‘I’m Sticking With You’ dos The Velvet Underground, para colorir esta história.


O primeiro argumento da ex-stripper e blogger Diablo Cody é desarmante na forma refrescante como encara sem pânico e com naturalidade um acontecimento biologicamente natural. Se uma gravidez na adolescência tem um grande impacto na vida de uma jovem, não é menos verdade que o mundo não acaba por causa disso.


Sem posicionamentos morais quando ao direito à escolha (apesar do apropriamento indevido do movimento pró-vida que o usa como um estandarte que “Juno” não é nem pretende ser), o filme de Jason Reitman (“Thank You For Smoking”) trata as dores do crescimento sem condescendência, com inteligência e sem pretensiosismo, conseguindo ser tocante sem ser sentimentalista, e imensamente divertido evitando por completo o óbvio e o estereotipo.


Em “Juno” assistimos ao mágico processo do nascimento de uma pessoa. E não me refiro ao resultado da fusão entre um óvulo e um espermatozóide. No meio da sua angústia adolescente, Juno revela uma sabedoria surpreendente (irreal?) para uma rapariga da sua idade – esta extrema lucidez é o elemento que mais afasta a possibilidade de paralelismo com a realidade. Apesar do olhar atravessado por parte dos colegas de escola ou da expectativa dos pais que apenas tivesse sido expulsa ou metida em drogas, a decisão de Juno é tomada num contexto de afecto, pela amizade e pela família. É isso que lhe permite assumir as consequências dos seus actos e solucioná-las.


Do alto dos seus recentemente completados 21 anos, Ellen Page (“Hard Candy”) é um portento em tamanho mignon, condensando força e vulnerabilidade, inocência e maturidade, e fazendo totalmente seus os diálogos plenos de humor e ironia.


Todas as experiências são passíveis de contribuir para o nosso crescimento. Aliás, essa contribuição é a evidência da sua necessidade. Uma escolha, seja ela qual for, deve resultar de uma atitude consciente. Honesta e autêntica, como este filme.





ALL I WANT IS YOU, de Barry Louis Polisar






CITAÇÕES:


“It all started with a chair.”
ELLEN PAGE (Juno)


“Hi, I'm calling to procure a hasty abortion...”
ELLEN PAGE (Juno)


“Gerta Rauss – So how far along are you?
Juno – I'm a junior.”
EILEEN PEDDE (Gerta Rauss) e ELLEN PAGE (Juno)


“Mac MacGuff – I thought you were the kind of girl who knew when to say when.
Juno – I don't know what kind of girl I am.”
J.K. SIMMONS (Mac MacGuff) e ELLEN PAGE (Juno)


“I think that kids get bored and have intercourse.”
ALLISON JANNEY (Bren)


“Vanessa Loring – Your parents are probably wondering where you are.
Juno – Nah... I mean, I'm already pregnant, so what other kind of shenanigans could I get into?”
JENNIFER GARNER (Vanessa Loring) e ELLEN PAGE (Juno)


“And Bleeker is very good in... chair!”
ELLEN PAGE (Juno)


“Hey there, big puffy version of Junebug!”
J.K. SIMMONS (Mac MacGuff)


“Paulie Bleeker – Come on, let me carry your bag.
Juno – Oh, what's another ten pounds?”
MICHAEL CERA (Paulie Bleeker) e ELLEN PAGE (Juno)


“You seem to be getting pregnanter these days.”
MICHAEL CERA (Paulie Bleeker)


“I need to know that it's possible that two people can stay happy together forever.”
ELLEN PAGE (Juno)


“Doctors are sadists who like to play God and watch lesser people scream.”
ALLISON JANNEY (Bren)


“Vanessa Loring – How do I look?
Bren – Like a new mom. Scared shitless.”
JENNIFER GARNER (Vanessa Loring) e ALLISON JANNEY (Bren)






realizado por Rita às 00:24
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
Oscar® – vencedores




Eis o rescaldo (parabéns V.!):



MELHOR ACTOR PRINCIPAL
DANIEL DAY-LEWIS por “There Will Be Blood”, de Paul Thomas Anderson

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
JAVIER BARDEM por “No Country For Old Men”, de Ethan Coen e Joel Coen

MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL
MARION COTTILARD por “La Vie en Rose”, de Olivier Dahan

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
TILDA SWINTON por “Michael Clayton”, de Tony Gilroy

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
“RATATOUILLE”, de Brad Bird

MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA
DANTE FERRETTI (Art Direction), FRANCESCA LO SCHIAVO (Set Decoration) – “Sweeney Todd The Demon Barber of Fleet Street”

MELHOR FOTOGRAFIA
ROBERT ELSWIT – “There Will Be Blood”

MELHOR GUARDA-ROUPA
ALEXANDRA BYRNE – “Elizabeth: The Golden Age”

MELHOR REALIZADOR
ETHAN COEN e JOEL COEN por “No Country For Old Men”

MELHOR DOCUMENTÁRIO
“TAXI TO THE DARK SIDE”, de Alex Gibney

MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTAL
“FREEHELD”, de Cynthia Wade

MELHOR MONTAGEM
CHRISTOPHER ROUSE – “The Bourne Ultimatum”

MELHOR FILME DE LÍNGUA NÃO INGLESA
“DIE FÄLSCHER” (“THE COUNTERFEITERS”), de Stefan Ruzowitzky (Áustria)

MELHOR CARACTERIZAÇÃO
DIDIER LAVERGNE e JAN ARCHIBALD – “La Vie en Rose”

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL
DARIO MARIANELLI por “Atonement”, de Joe Wright

MELHOR CANÇÃO
FALLING SLOWLY – “Once” (música e letra de Glen Hansard e Marketa Irglova

MELHOR FILME
“NO COUNTRY FOR OLD MEN”, de Ethan Coen e Joel Coen

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
“PETER & THE WOLF”, de Suzie Templeton

MELHOR CURTA-METRAGEM
“LE MOZART DES PICKPOCKETS”, de Philippe Pollet-Villard

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
KAREN BAKER LANDERS e PER HALLBERG – “The Bourne Ultimatum”

MELHOR SONOPLASTIA
SCOTT MILLAN, DAVID PARKER e KIRK FRANCIS – “The Bourne Ultimatum”

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
MICHAEL FINK, BILL WESTENHOFER, BEN MORRIS e TREVOR WOOD – “The Golden Compass”

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
ETHAN COEN e JOEL COEN por “No Country For Old Men”

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
DIABLO CODY por “Juno”




Restantes nomeados aqui.






realizado por Rita às 08:13
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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008
No Country For Old Men ****

Realização: Ethan e Joel Coen. Elenco: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson, Kelly Macdonald, Garret Dillahunt, Tess Harper, Barry Corbin. Nacionalidade: EUA, 2007.





Texas, 1980. Llewelyn Moss (Josh Brolin) depara-se com o cenário devastado de uma venda de droga que terminou com a morte dos intervenientes. No meio do deserto, uma mala com 2 milhões de dólares é uma tentação irresistível. No rasto dessa mala encontra-se Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino a soldo muito (demasiado) dedicado ao seu trabalho, e Carson Wells (Woody Harrelson), um caçador de prémios a mando de um investidor. Percebendo que Chigurh se encontra no seu encalço, Moss tenta proteger a sua mulher Carla Jean (Kelly Macdonald) e foge para o México. Nas pistas da carnificina provocada pela botija de ar comprimido que Chigurh usa está o Xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones).


“No Country For Old Men”, do livro de Cormac McCarthy, consegue, através de uma história simples, ter um olhar negro sobre a imprevisibilidade da vida, a transitoriedade dos seus elementos e a aleatoriedade da violência. Num registo bem mais pesado do que nos seus últimos filmes, os irmãos Coen fazem algo entre o thriller e o character study.


No centro do furacão está a personagem de Bardem (cujo sotaque está quase irreconhecível) espalhando caos por onde passa. O seu sangue frio e calculismo não são exactamente cínicos. Ele apenas se rege por uma moral diferente da da sociedade e é isso que lhe permite ser uma eficiente máquina de matar. Na sua percepção nada é mais natural do que decidir a vida ou morte com o lançar de uma moeda. Mas os lampejos de simpatia e humanidade que os Coen nos mostram são tão ou mais perturbadores que a sua crueldade. Custa aceitar a possibilidade do humano numa criatura assim.


Enquanto Chigurh não consegue resistir ao seu impulso de ser simultaneamente juiz e carrasco para as leis que ele mesmo definiu, Moss, com alguma ingenuidade, não consegue resistir à força da sua consciência para com outros seres humanos. Algures a meio caminho, está a personagem de Tommy Lee Jones, desacreditado e incrédulo, sentindo-se demasiado velho para fazer face a uma forma de crime que não compreende. O trio central de actores está irrepreensível, e as personagens, todas elas, são tão envolventes que genuinamente nos preocupamos com o que lhes poderá acontecer.


Na vasta paisagem texana, árida, crua e desolada (dominada em absoluto pela fotografia de Roger Deakins), o Homem torna-se mais pequeno ainda quando faz frente a uma injustiça implacável, uma atormentadora e malévola sombra. Os Coen colocam em cada cena o peso necessário para nos conduzir, a seu tempo e sem pressas, à cena seguinte, onde se acumulam ainda mais tensões. O terror é subtil, o é humor subtil. Como se um monte de sujidade estivesse envolvido num papel bonitinho e um laço. Inteligente e arrepiante.


Na aparente inconsequência dos actos diários, uma voz profunda faz-se ouvir em pano de fundo: cara ou coroa?






CITAÇÕES:


“Wendell – That's very linear Sherrif.
Ed Tom Bell – Well, age will flatten a man.”
GARRET DILLAHUNT (Wendell) e TOMMY LEE JONES (Ed Tom Bell)


“It starts when you begin to overlook bad manners. Anytime you quit hearing "sir" and "ma'am", the end is pretty much in sight.”
TOMMY LEE JONES (Ed Tom Bell)


“I always figured when I got older, God would sorta come inta my life somehow. And he didn't. I don't blame him. If I was him I would have the same opinion of me that he does.”
TOMMY LEE JONES (Ed Tom Bell)


“Whatcha got ain't nothin new. This country's hard on people, you can't stop what's coming, it ain't all waiting on you. That's vanity.”
BARRY CORBIN (Ellis)






realizado por Rita às 23:45
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A não perder

“Persépolis”, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, estreia hoje. Na complicada semana de estágio para os Oscar, é um descanso já ter visto este.








realizado por Rita às 08:42
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008
There Will Be Blood ****

Realização: Paul Thomas Anderson. Elenco: Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Kevin J. O'Connor, Ciarán Hinds, Dillon Freasier. Nacionalidade: EUA, 2007.





No final do século XIX princípio do século XX, Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um homem do petróleo, especialista em perfurações. Quando o jovem Paul (Paul Dano) lhe vende a informação da existência de petróleo no rancho da sua família, na Califórnia, Daniel pega o seu filho, H.W. Plainview (Dillon Freasier) e desloca-se até ao rancho dos Sunday para investigar a situação. As subtis hipocrisias de Plainview começam a ser desmontadas com o degladiar da sua avareza com a de Eli (Paul Dano), o irmão de Paul, pastor da Igreja da Terceira Revelação.


Com “There Will Be Blood” Paul Thomas Anderson traz-nos o seu trabalho mais sóbrio. Pela primeira vez usando material de terceiros, neste caso o livro ‘Oil’ de Upton Sinclair (1927), o argumento de P.T. Anderson abdica da criatividade patente em filmes como “Magnolia” ou “Punch Drunk Love”, a favor da força desta história, ou melhor, da sua personagem principal. O seu domínio do movimento e dos tempos é acompanhado da montagem sem falhas de Dylan Tichenor. É esse compasso que confere a “There Will Be Blood” a sua aura de lenda, uma tragédia movida pela a ambição e a avareza, onde os elos familiares se fazem e se cortam em função das necessidades.


A acção de “There Will Be Blood” alimenta-se do combate entre Plainview e Eli Sunday, e é um prazer assistir a cada um deles tentando manipular o outro. Neles, mistura-se ganância e piedade num paradoxo espiritual / filosófico, neles, identifica-se a dureza dos negócios com a inflexibilidade da religião. Dois seres estranhos e inescrutáveis, de que não gostamos assim muito e compreendemos ainda menos. Mas isso parece não fazer parte das preocupações de P.T. Anderson. Ele limita-se a fazer-nos chegar este conto, sem maquilhagem, a fotografia e o trabalho de iluminação de Robert Elswit apenas conferindo alguma elegância ao visceral. Quanto à banda sonora de Jonny Greenwood (Radiohead), que eu tinha já ouvido por separado, continuou a não me impressionar grandemente, ou seja, faz parte do filme, mas não existe fora dele.


A genialidade de Daniel Day-Lewis, um dos (meus) melhores actores de sempre, não é surpreendente, e o seu Daniel Plainview é frio e incomodativo, desagradável e fascinante. Com a sua voz profunda, rouba-nos o olhar e, na sua quietude e silêncio, amedronta-nos. Mas se existe uma nova “cinderela” nas mãos de P.T. Anderson, na senda de Tom Cruise em “Magnolia” e Adam Sandler em “Punch Drunk Love”, esse é Paul Dano (“Fast Food Nation”, “Little Miss Sunshine”). Apesar de uma bagagem menos marcante que a dos dois outros actores, o que implica menor surpresa na transformação, a mescla de ingenuidade e terror que Dano confere ao seu papel é arrepiante e perturbadora.


O título deste filme funciona, desde logo, como uma promessa: a inevitável consequência de fazer negócios a todo o custo e passando por cima de quem for preciso, inclusive de si mesmo – Daniel Plainview poderia facilmente ser uma metáfora para os actuais gigantes petrolíferos. Entre castigos e perdões, a inocência dificilmente será recompensada.






realizado por Rita às 00:16
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008
u omãi qe dava pulus


No âmbito do PANORAMA – 2ª Mostra do Documentário Português, que terá lugar até dia 24 deste mês, será hoje exibido no Cinema São Jorge, às 21h00, o filme “U OMÃI QE DAVA PULUS”, de João Pinto Nogueira, obra sobre o escritor Nuno Bragança.









realizado por Rita às 07:15
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
Berlinale 2008


A 56ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim atribuiu o Leão de Ouro para Melhor Filme à longa-metragem TROPA DE ELITE do brasileiro José Padilha.

O júri internacional distribuiu ainda os seguintes prémios:




Urso de Prata - Grande Prémio de Júri
“STANDARD OPEERATION PROCEDURE”, de Errol Morris

Urso de Prata - Melhor Realizador
PAUL THOMAS ANDERSON, por “There Will Be Blood”

Urso de Prata - Melhor Actriz
SALLY HAWKINS, por “Happy-Go-Lucky” de Mike Leigh

Urso de Prata - Melhor Actor
REZA NAJIE, por “Avaze Gonjeshk-ha” de Majid Majidi

Urso de Prata - Contribuição Artística (Música)
JONNY GREENWOOD, por “There Will Be Blood” de Paul Thomas Anderson

Urso de Prata - Melhor Argumento
WANG XIASHUAI, por “Zuo You” (“In Love We Trust”)

Prémio Alfred Bauer
“LAKE TAHOE”, de Fernando Eimbcke





trailer de TROPA DE ELITE




Restantes prémios aqui.






realizado por Rita às 08:01
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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008
Might as well face it...

I’m addicted to...






















realizado por Rita às 00:31
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
In The Valley of Elah ***

Realização: Paul Haggis. Elenco: Tommy Lee Jones, Charlize Theron, Jason Patric, Susan Sarandon, James Franco, Barry Corbin, Josh Brolin, Jonathan Tucker. Nacionalidade: EUA, 2007.





Hank Deerfield (Tommy Lee Jones), um veterano do Vietname que carrega gravilha numa cidade do Tennessee, recebe um telefonema informando-o que o seu filho Mike (Jonathan Tucker), que regressou do Iraque com a sua unidade há quatro dias, desertou (o termo técnico é AWOL - Absent Without Official Leave). Hank não se convence desse facto e, despedindo-se da sua mulher Joan (Susan Sarandon), desloca-se a Fort Rudd, o quartel de Mike a dois dias de distância de carro. Aí, Hank consegue acesso ao telemóvel de Mike, danificado com o combate, mas do qual vai conseguindo recuperar alguns ficheiros de vídeo. As incoerências que Hank vai percebendo chocam com as evasivas das forças militares. E a polícia local parece estar aliviada pela questão estar fora da sua jurisdição. A única ajuda a Hank virá através da detective Emily Sanders (Charlize Theron).


“In the Valley of Elah” é um filme sobre a guerra e sobre a forma como esta muda quem a tem de olhar nos olhos, independentemente de onde ela tem lugar. Aqui o Iraque funciona apenas como um contexto cronológico. É fácil fazer da estrutura militar o alvo. Mas se percebermos que a grande maioria desta estrutura é composta por homens comprometidos com o seu dever e que apenas fazem o que lhes mandam, teremos obrigatoriamente de olhar mais para cima, para a estrutura política – a das decisões.


Paul Haggis (“Crash”) usa o simbolismo do episódio bíblico no qual o jovem israelita David derrota o gigante Golias, no Vale de Elah na Palestina. Um David que são todos os que tentam romper a malha de uma estrutura estanque determinada a tapar os seus podres. As etnias que são útil carne para canhão mas, de regresso a casa, se tornam desprezíveis. Todo o ser humano individual que é reduzido a um número. Mas talvez sejamos também os israelitas que enviam displicentemente o seu David para combater o gigante, que sujará as mãos defender as causas de outros.


O argumento de Haggis (autor também de “Million Dollar Baby”, “Flags Of Our Fathers” e “Letters From Iwo Jima”), baseado numa história verídica, não força conflitos ou afectos com a personagem principal. Os secundários, mais do que contribuírem para o arco da personagem de Tommy Lee Jones, assistem à sua evolução. Mas o que poderia enfraquecer “In the Valley of Elah”, acaba por reforçá-lo ao concentrar o universal numa experiência individual.


Hank Deerfield é um homem duro e determinado, com as suas emoções sob controlo que, através da dor e de um certo sentimento de culpa, faz um caminho de desencanto. Ele personifica o desgaste e a mudança que tem vindo (ou se espera tenha vindo) a ocorrer na população americana face aos impulsos patrióticos e antiterroristas que motivaram estas acções militares. A expressividade e contenção de Tommy Lee Jones (“The Three Burials of Melquiades Estrada”) servem toda uma gama de emoções, do convicto ao confuso.


O ponto fraco de “In the Valley of Elah” é o facilitismo de não deixar nada por explicar. O querer falar ao americano comum, fá-lo cair em algumas soluções previsíveis, como sucede com o final, nada surpreendente mas o mais eficaz no fecho do ciclo que tinha sido iniciado.


O caminho da verdade é talvez o mais doloroso que se pode fazer. Mas é também aquele que justifica os sacrifícios, e aquele através do qual crescemos. Às vezes fazer esse caminho sozinhos pode ser demolidor. Chegado o momento de pedir ajuda, o orgulho deverá dar lugar ao discernimento.






CITAÇÕES:


“That's a sign of a nation in distress (...) We don't know what we are doing, so come help us.”
TOMMY LEE JONES (Hank Deerfield, comentando sobre uma bandeira americana pendurada de pernas para o ar)






realizado por Rita às 20:23
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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008
Lust, Caution *

T.O.: Se, Jie. Realização: Ang Lee. Elenco: Tony Leung, Tang Wei, Joan Chen, Wang Leehom. Nacionalidade: EUA / China / Taiwan / Hong Kong, 2007.





Em 1938, os japoneses ocupam a China. A jovem Wong Chia Chi (Tang Wei) junta-se ao grupo de teatro da sua universidade, empenhado em usar peças patrióticas para fazer frente aos ocupantes. Face às atrocidades praticadas, Kuang Yu Min (Wang Leehom), o chefe do grupo, instiga-os a acções mais drásticas (e dramáticas). Em concreto, a missão de eliminar Yee (Tony Leung) um alto funcionário chinês colaboracionista. Wong Chia Chi tranforma-se assim na rica Sra. Mak, e infiltra-se na vida de Yee, primeiro ficando amiga da sua mulher (Joan Chen) e depois tornando-se amante de Yee.


Um trailer relativamente fraco e apregoadas cenas de sexo dificilmente me arrastariam para a sala de cinema. Mas o nome Ang Lee, com uma bagagem como “Crouching Tiger, Hidden Dragon” ou “Brokeback Mountain”, e carregando os nomes de Tony Leung e Joan Chen, pareciam uma aposta segura. Perdi.


O filme premiado com o Leão de Ouro na edição do passado ano do Festival de Veneza é um exercício estilístico monótono e totalmente desnecessário. O argumento de James Schamus e Wang Hui-Ling adapta o conto de Eileen Chang, é longo e mortiço, contando com um dos piores trabalho de tradução e legendagem de que tenho memória. Nem a bela fotografia de Rodrigo Prieto nem a música de Alexandre Desplat conseguem salvar a feia gestão de tempo, a falta de ritmo e as opções formais de Ang Lee. O realizador perde-se em intermináveis jogos de majong e em acrobacias sexuais que por muito bem filmadas que estejam não servem a narrativa.


Aquilo que provavelmente tencionava criar mistério, cria apenas tédio, porque Ang Lee não nos consegue fazer aproximar das suas personagens nem dos seus dilemas, apesar de todo o talento de Tony Leung e da versatilidade da jovem Tang Wei (nem vale a pena mencionar Joan Chen que é completamente negligenciada). O tempo e os timings, que por exemplo Wong Kar Wai (“In the Mood for Love”, “2046”) gere com mestria, são qualidades essenciais num contador de histórias. Mas para isso, é preciso que o silêncio e os corpos tenham significado. Em “Lust, Caution” servem apenas o umbigo estilístico de Ang Lee (ou a sua inaptidão), que consegue ser chato onde Wong Kar Wai nunca foi, e mostrando muito menos pele.


“Lust, Caution” queria ser uma história sobre como o amor e o desejo nos podem levar a fazer coisas que não esperávamos, sobre a perda de inocência, sobre a traição e a falsidade. Ironicamente, acaba por ser bastante eficaz neste último ponto, ao ser, em si mesmo, um crasso exemplo da ‘forma pela forma’, a sedução sem comprometimento, a beleza oca.






realizado por Rita às 01:24
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008
BAFTA 2008





Anunciados ontem os vencedores dos Orange British Academy Film Awards (vencedores a bold):



MELHOR FILME
AMERICAN GANGSTER – Brian Grazer/Ridley Scott
ATONEMENT – TIM BEVAN/ERIC FELLNER/PAUL WEBSTER
THE LIVES OF OTHERS – Quirin Berg/Max Wiedemann
NO COUNTRY FOR OLD MEN – Scott Rudin/Joel Coen/Ethan Coen
THERE WILL BE BLOOD – JoAnne Sellar/Paul Thomas Anderson/Daniel Lupi


MELHOR FILME BRITÂNICO (The Alexander Korda Award)
ATONEMENT – Tim Bevan/Eric Fellner/Paul Webster/Joe Wright/Christopher Hampton
THE BOURNE ULTIMATUM – Frank Marshall/Patrick Crowley/Paul L Sandberg/Paul Greengrass/Tony Gilroy/Scott Z Burns/George Nolfi
CONTROL – Orian Williams/ Todd Eckert/Anton Corbijn/Matt Greenhalgh
EASTERN PROMISES – Paul Webster/Robert Lantos/David Cronenberg/Steve Knight
THIS IS ENGLAND – Mark Herbert/Shane Meadows


MELHOR REALIZADOR/PRODUTOR OU ARGUMENTISTA BRITÂNICO EM PRIMEIRA LONGA-METRAGEM (The Carl FOREMAN AWARD)
CHRIS ATKINS (Realizador/Argumentista) – Taking Liberties
MIA BAYS (Produtor) – Scott Walker: 30 Century Man
SARAH GAVRON (Realizador) – Brick Lane
MATT GREENHALGH (Argumentista) – Control
ANDREW PIDDINGTON (Realizador/Argumentista) – The Killing of John Lennon


MELHOR REALIZADOR (THE DAVID LEAN AWARD)
ATONEMENT – Joe Wright
THE BOURNE ULTIMATUM – Paul Greengrass
THE LIVES OF OTHERS – Florian Henckel von Donnersmarck
NO COUNTRY FOR OLD MEN – Joel Coen/Ethan Coen
THERE WILL BE BLOOD – Paul Thomas Anderson


MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
AMERICAN GANGSTER – Steven Zaillian
JUNO – Diablo Cody
THE LIVES OF OTHERS – Florian Henckel von Donnersmarck
MICHAEL CLAYTON – Tony Gilroy
THIS IS ENGLAND – Shane Meadows


MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
ATONEMENT – Christopher Hampton
THE DIVING BELL AND THE BUTTERFLY – Ronald Harwood
THE KITE RUNNER – David Benioff
NO COUNTRY FOR OLD MEN – Joel Coen/Ethan Coen
THERE WILL BE BLOOD – Paul Thomas Anderson


MELHOR FILME DE LÍNGUA NÃO INGLESA
THE DIVING BELL AND THE BUTTERFLY – Kathleen Kennedy/Jon Kilik/Julian Schnabel
THE KITE RUNNER – William Horberg/Walter Parkes/Rebecca Yeldham/Marc Foster
THE LIVES OF OTHERS – Quirin Berg/Max Wiedemann/Florian Henckel von Donnersmarck
LUST, CAUTION – Bill Kong/James Schamus/Ang Lee
LA VIE EN ROSE – Alain Goldman/Olivier Dahan


MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
RATATOUILLE – BRAD BIRD
SHREK THE THIRD – Chris Miller
THE SIMPSONS MOVIE – David Silverman


MELHOR ACTOR
GEORGE CLOONEY – Michael Clayton
DANIEL DAY-LEWIS – There Will Be Blood
JAMES McAVOY – Atonement
VIGGO MORTENSEN – Eastern Promises
ULRICH MÜHE – The Lives of Others


MELHOR ACTRIZ
CATE BLANCHETT – Elizabeth: The Golden Age
JULIE CHRISTIE – Away From Her
MARION COTILLARD – La Vie en Rose
KEIRA KNIGHTLEY – Atonement
ELLEN PAGE – Juno


MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
JAVIER BARDEM – No Country for Old Men
PAUL DANO – There Will Be Blood
TOMMY LEE JONES – No Country for Old Men
PHILIP SEYMOUR HOFFMAN – Charlie Wilson’s War
TOM WILKINSON – Michael Clayton


MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
CATE BLANCHETT – I’m Not There
KELLY MACDONALD – No Country for Old Men
SAMANTHA MORTON – Control
SAOIRSE RONAN – Atonement
TILDA SWINTON – Michael Clayton


MELHOR BANDA SONORA (The Anthony Asquith Award)
AMERICAN GANGSTER – Marc Streitenfeld
ATONEMENT – Dario Marianelli
THE KITE RUNNER – Alberto Iglesias
THERE WILL BE BLOOD – Jonny Greenwood
LA VIE EN ROSE – Christopher Gunning


MELHOR FOTOGRAFIA
AMERICAN GANGSTER – Harris Savides
ATONEMENT – Seamus McGarvey
THE BOURNE ULTIMATUM – Oliver Wood
NO COUNTRY FOR OLD MEN – Roger Deakins
THERE WILL BE BLOOD – Robert Elswit


MELHOR MONTAGEM
AMERICAN GANGSTER – Pietro Scalia
ATONEMENT – Paul Tothill
THE BOURNE ULTIMATUM – Christopher Rouse
MICHAEL CLAYTON – John Gilroy
NO COUNTRY FOR OLD MEN – Roderick Jaynes


MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
ATONEMENT – Sarah Greenwood/Katie Spencer
ELIZABETH: THE GOLDEN AGE – Guy Hendrix Dyas/Richard Roberts
HARRY POTTER AND THE ORDER OF THE PHOENIX – Stuart Craig/Stephenie McMillan
THERE WILL BE BLOOD – Jack Fisk/Jim Erickson
LA VIE EN ROSE – Olivier Raoux/Stanislas Reydellet


MELHOR GUARDA-ROUPA
ATONEMENT – Jacqueline Durran
ELIZABETH: THE GOLDEN AGE – Alexandra Byrne
LUST, CAUTION – Pan Lai
SWEENEY TODD: THE DEMON BARBER OF FLEET STREET – Colleen Atwood
LA VIE EN ROSE – Marit Allen


MELHOR SOM
ATONEMENT – Danny Hambrook/Paul Hamblin/Catherine Hodgson/Becki Ponting
THE BOURNE ULTIMATUM– Kirk Francis/Scott Millan/David Parker/Karen Baker Landers/Per Hallberg
NO COUNTRY FOR OLD MEN – Peter Kurland/Skip Lievsay/Craig Berkey/Greg Orloff
THERE WILL BE BLOOD – Christopher Scarabosio/Matthew Wood/John Pritchett/Michael Semanick/Tom Johnson
LA VIE EN ROSE – Laurent Zeilig/Pascal Villard/Jean-Paul Hurier/Marc Doisne


MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
THE BOURNE ULTIMATUM – Peter Chiang/Charlie Noble/Mattias Lindahl/Joss Williams
THE GOLDEN COMPASS – Michael Fink/Bill Westenhofer/Ben Morris/Trevor Wood
HARRY POTTER AND THE ORDER OF THE PHOENIX – Tim Burke/John Richardson/Emma Norton/Chris Shaw
PIRATES OF THE CARIBBEAN: AT WORLD’S END – John Knoll/Charles Gibson/Hal Hickel/John Frazier
SPIDER-MAN 3 – Scott Stokdyk/Peter Nofz/John Frazier/Spencer Cook


MELHOR CARACTERIZAÇÃO
ATONEMENT– Ivana Primorac
ELIZABETH: THE GOLDEN AGE – Jenny Shircore
HAIRSPRAY – Judi Cooper Sealy/Jordan Samuel
SWEENEY TODD: THE DEMON BARBER OF FLEET STREET – Ivana Primorac/Peter Owen
LA VIE EN ROSE – Jan Archibald/Didier Lavergne


MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
THE PEARCE SISTERS – Jo Allen/Luis Cook
HEAD OVER HEELS – Osbert Parker/Fiona Pitkin/Ian Gouldstone
THE CRUMBLEGIANT – Pearse Moore/John McCloskey


MELHOR CURTA-METRAGEM
DOG ALTOGETHER – Diarmid Scrimshaw/Paddy Considine
HESITATION – Julien Berlan/Michelle Eastwood/Virginia Gilbert
THE ONE AND ONLY HERB MCGWYER PLAYS WALLIS ISLAND – Charlie Henderson/James Griffiths/Tim Key/Tom Basden
SOFT – Jane Hooks/Simon Ellis
THE STRONGER – Dan McCulloch/Lia Williams/Frank McGuinness


O prémio THE ORANGE RISING STAR AWARD, votado pelo público, foi atribuído a SHIA LABEOUF (“Disturbia”). Os restantes candidatos eram Sienna Miller, Elle Page, Sam Riley e Tang Wei.


Para os restantes prémios consultar o site oficial da British Academy of Film and Television Arts.






realizado por Rita às 08:17
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Sábado, 9 de Fevereiro de 2008
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Como o cinema anda quase arredado das coisas que faço (excepto o Into the Wild, que a Rita fala aqui em baixo, e de que gostei um bocado mais...), deixo esta antecipação do novo X-Files. Um frame que abre o desejo de voltar a conhecer a verdade que anda algures aí...


realizado por Miguel Marujo às 01:27
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008
Into the Wild **1/2

Realização: Sean Penn. Elenco: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Brian Dierker, Catherine Keener, Vince Vaughn, Kristen Stewart, Hal Holbrook. Nacionalidade: EUA, 2007.





1990: Christopher McCandless (Emile Hirsch) tem 20 anos e acaba de terminar a universidade. Em vez de se preparar para o previsto curso de direito, Christopher levanta o dinheiro do seu fundo escolar, faz um donativo à Oxfam e abandona a sua família e a sua casa numa busca espiritual de renascimento fora do contexto de tirania das expectativas da sociedade, da sua definição de êxito e do materialismo que o rodeia. 1992: Christopher encontra-se no Alasca, fazendo de um autocarro abandonado a sua casa, caçando sem grande sucesso, lendo os livros que o inspiram e consultando um compêndio de plantas comestíveis.


Adaptando o livro homónimo de Jon Krakauer, o filme de Sean Penn reconstrói o caminho de Christopher em flashbacks ordenados cronologicamente, ao mesmo tempo que acompanha a sua estadia no ‘Magic Bus’ (actualmente um ponto de atracção para muitos jovens que se revêem na sua viagem espiritual).


O objectivo de Christopher é reinventar-se através de uma vida de pureza e negação. Para isso abandona o seu carro, o seu dinheiro e escolhe o nome Alexander Supertramp. Ao longo da sua odisseia pela América, Christopher beneficia da caridade de estranhos (aqueles cujos relatos são a fonte do livro e com o casting de quem Sean Penn parece ter sido particularmente cuidadoso e generoso, como que agradecendo-lhes): Wayne (Vince Vaughn), um amigável agricultor do South Dakota, o casal hippie Rainey e Jan (Brian Dieker e Catherine Keener), Ron (Hal Holbrook), um homem idoso que se afeiçoa a Christopher e que propõe adoptá-lo. Todos eles o confrontam com as suas escolhas e não é sem bastante apreensão que o vêem partir.


No seu idealismo, Christopher transforma-se num eremita, recusando todos os prazeres, abraçando a natureza e equipando-se para a sobrevivência (em suma, contentando-se com o mundo). Mas a natureza é tão bela quanto dura, tão generosa quanto implacável. Tão selvagem e assustadora quanto uma vida fechada em redor de uma carreira profissional e de um monte de empréstimos bancários.


“Into the Wild” não é uma explicação de Christopher (cujo diário serviu também de fonte). É apenas uma reflexão (não isenta de remorso) sobre um jovem que se deixou dominar pelas suas irrevogáveis escolhas, na busca de uma felicidade fora dos parâmetros sociais. É impossível não ler a sua rebelião contra os pais (William Hurt e Marcia Gay Harden) que ele considera o epíteto da falsidade. Paradoxalmente, a reaproximação um ao outro (e a sua humanização aos nossos olhos) é feita em torno do desaparecimento de Christopher. O que é difícil de entender é como Christopher se afasta da irmã Carine (Jena Malone – responsável também pela narração), a única a aceitá-lo e a alcançar, ainda que só em parte, as suas motivações.


Sean Penn está tão “apaixonado” por Christopher que recusa olhar para a sua teimosia ou egoísmo: eliminando a possibilidade da dúvida, negligenciando a estupidez de algumas das suas opções e atenuando a escravidão de Christopher ao seu ideal – adulterado cada vez que ele olha para o céu com o rasgo de um avião (ou à procura dele). É esta parcialidade que fragiliza “Into the Wild”.


É facilmente compreensível a necessidade de fuga, da ausência de pessoas, do silêncio. Mas não deverá ser preciso ignorar ou romper com os nossos afectos para perceber que a maior riqueza da vida reside na partilha. Christopher aprendeu-o da forma mais dura. A sede de coerência pode fazer-nos escravos dos nossos sonhos.


Emile Hirsch é hipnótico, cumprindo todo o esforço físico que o papel exige. E os breves segundos em que William Hurt se desmorona à frente dos nossos olhos é imensamente poderoso. E faz-nos sentir raiva por Christopher, no seu processo de melhoramento, ter retirado essa possibilidade a quem o amava. Mas também não conseguimos impedir-nos de sentir uma forte admiração (arriscaria até inveja) por essa coragem que nos falta.






CITAÇÕES:


“Rather than love, than money, than faith, than fame, than fairness... give me truth.”
EMILE HIRSCH (citanto Thoreau)





CHRISTOPHER McCANDLESS (1969-1992)


Happiness is only real when shared






realizado por Rita às 23:57
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008
Sweeney Todd ***

Realização: Tim Burton. Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Timothy Spall, Sacha Baron Cohen, Jamie Campbell Bower, Laura Michelle Kelly, Jayne Wisener, Ed Sanders. Nacionalidade: EUA, 2007.





Dada a paixão de Tim Burton pelo gótico e pelo macabro seria quase inevitável esta adaptação ao cinema do premiado musical de 1979 "Sweeney Todd The Demon Barber of Fleet Street" da autoria de Stephen Sondheim e Hugh Wheeler – com argumento da responsabilidade de John Logan (“The Aviator”). Evocando uma versão mística da Londres do século XIX, com fortes ligações a Dickens, Burton integra nesta história de terror satírico, ao mesmo tempo bizarra e romântica, elementos que nos levam a obras suas anteriores, como é o caso de “Sleepy Hollow” ou “Edward Scissorhands”.


O barbeiro Benjamin Barker (Johnny Depp) vivia feliz em Londres com a sua filha pequena e a mulher Lucy (Laura Michelle Kelly). Até ao dia em que, movido pela luxúria e a cobiça, o juíz Turpin (Alan Rickman) o sentencia ao exílio na Austrália, raptando a sua mulher e filha. 15 anos depois Benjamin regressa a Londres na companhia do jovem marinheiro Anthony Hope (Jamie Campbell Bower). Procurando a sua antiga barbearia, Benjamin encontra-a ocupada por Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter), famosa pelas suas tartes de carne, as piores de Londres. Por ela, Benjamin fica a saber que a sua mulher se suicidou e a sua filha Johanna (Jayne Wisner) é agora prisioneira de Turpin. Consumido pela raiva e jurando vingança, Benjamin, assumindo a identidade de Sweeney Todd, reabre o seu antigo negócio mas com um novo propósito (puristas da economia poderiam referir-se a ‘posicionamento estratégico’).


Longe dos típicos musicais, esta é uma sangrenta história de vingança, onde heróis e vilões são igualmente vis e cruéis, onde a inocência é corrompida, o desespero pelo amor perdido alimenta a tragédia e as consequências devastadoras da obsessão se tornam inevitáveis. E também há muitas tartes, claro.


O design de produção de Dante Ferretti é estilizado, as ruas são sujas e os becos escuros, as lentes da câmara de Dariusz Wolski sombrias e o guarda-roupa de Colleen Atwood consegue ser luxuriante e degradado ao mesmo tempo. Sobre a paleta de negros e cinzas, o vermelho do sangue torna-se um rasgo de força. A luminosidade e a cor são reservados para pequenos pedaços de esperança, seja em sonhos seja na possibilidade de saída do esgoto londrino.


“Sweeney Todd” é um festim para os olhos, ainda que não para os ouvidos. Apesar da inegável qualidade das letras escritas por Stephen Sondheim, e de um esforço para que o foco seja na dramatização e na narrativa, as canções, maioritariamente confissões angustiadas, são incontornáveis. Mas são também invasivas. Cada vez que um dos actores irrompe a cantar é necessário um esforço de abstracção para continuar com a história. E isso não tem a ver com o facto de grande parte deles ser sofrível nesse campo, a competência das interpretações e a sua atracção visual faz-nos superar esse handicap. Mas questiono-me se a alternativa de declamação dos textos poderia ter sido mais eficaz.


“Sweeney Todd” conta com um elenco de excepção. Helena Bonham Carter, de olhos escuros e esperançosos, está perfeita na sua amoralidade e doçura. Alan Rickman é arrepiante, Timothy Spall repelente. Sacha Baron Cohen compõe um divertido e pomposo barbeiro italiano: Adolfo Pirelli, rival de Todd. Mas é Johnny Depp, como um homem sem misericórdia que se deixa consumir pelo seu lado negro, que nos arrebata. A sua entrega (e o seu divertimento) é total. E a cumplicidade com o realizador transparece em cada cena. Nas mãos de Burton, Depp é um instrumento perfeitamente afiado. E letal!






NO PLACE LIKE LONDON

(...)
There's a whole in the world like a great black pit
and the vermin of the world inhabit it
and its morals aren't worth what a pin can spit
and it goes by the name of London.
At the top of the hole sit the previlaged few
Making mock of the vermin in the lonely zoo
turning beauty to filth and greed...
I too have sailed the world and seen its wonders,
for the cruelty of men is as wonderous as Peru
but there's no place like London!
(...)



MY FRIENDS

(...)
Rest now, my friends.
Soon, I'll unfold you.
Soon you'll know splendors
You never have dreamed
all you days,
my lucky friends
'Til now your shine was merely silver.
Friends, you shall drip rubies, you'll soon drip precious rubies...
AT LAST! MY RIGHT ARM IS COMPLETE AGAIN!


WAIT

(...)
Hush, love, hush,
Think it through.
Once it bubbles, then
What's to do?
Watch it close.
Let it brew.
Wait.
(...)
Slow, love, slow.
Time's so fast.
Now goes quickly, see
Now it's past!
Soon will come,
Soon will last.
Wait.

Don't you know,
Silly man?
Half the fun is to
Plan the plan!
All good things
Come to those who can
Wait.
(...)



EPIPHANY

(...)
They all deserve to die.
Tell you why, Mrs. Lovett, tell you why.
Because in all of the whole human race
Mrs Lovett, there are two kinds of men and only two
There's the one they put in his proper place
And the one with his foot in the other one's face
Look at me, Mrs Lovett, look at you.

Now we all deserve to die
Tell you why, Mrs. Lovett, tell you why.
Because the lives of the wicked should be made brief
For the rest of us death will be a relief
We all deserve to die.
(...)






realizado por Rita às 22:24
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008
Goya para fado



O FADO DA SAUDADE, de Fernando Pinto do Amaral e Carlos do Carmo, do filme de Carlos Saura “Fados” arrebatou no passado dia 4 o Prémio Goya de Melhor Canção Original outorgado pela Academia das Artes e Ciências Cinematográficas de Espanha.


Restantes premiados aqui.






realizado por Rita às 21:40
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008
The Darjeeling Limited ****

Realização: Wes Anderson. Elenco: Owen Wilson, Adrien Brody, Jason Schwartzman, Amara Karan, Wallace Wolodarsky, Waris Ahluwalia, Irrfan Khan, Barbet Schroeder, Camilla Rutherford, Bill Murray, Anjelica Huston. Nacionalidade: EUA, 2007.





Depois de “The Royal Tenenbaums” e de “The Life Aquatic With Steve Zissou”, Wes Anderson regressa ao mundo das famílias disfuncionais. O cenário: a Índia. A desculpa: a reconciliação de três irmãos que não falam desde o funeral do seu pai, um ano antes. O processo: livrarem-se da sua bagagem, no sentido literal (um conjunto de malas Louis Vuitton desenhadas para o filme) e emocional.


A reunião é convocada por Francis (Owen Wilson), ainda em recuperação de um acidente de moto quase fatal, para uma viagem de cura espiritual a bordo do comboio The Darjeeling Limited. Com a ajuda do seu assistente Brendan (Wally Wolodarsky), Francis tem definidos itinerários diários que incluem visitas a uma série de lugares sagrados. A compulsão de Francis, que mais tarde se percebe ser herdada da mãe (Angelica Houston), estende-se à escolha das refeições dos dois irmãos: Peter (Adrien Brody), ainda em choque com a gravidez da mulher (Camilla Rutherford) e passeando-se com antigos pertences do pai, e Jack (Jason Schwartzman), obcecado com o atendedor de chamadas da ex-namorada e que evita os conflitos com os irmãos refugiando-se nos braços da hospedeira Rita (Amara Karan). Em comum, a sua paixão por analgésicos.


Anderson escreve o argumento em conjunto com Jason Schwartzman e Roman Coppola (“CQ”), com quem fez uma viagem pela Índia. A presença deste país é assumida com uma força e envolvência que extravasa o simples cenário e falta muito pouco para lhe sentirmos os cheiros. As cores vibrantes e quentes, a luminosidade, as texturas, tudo amplificado no design de produção de Mark Friedberg e na fotografia de Robert Yeoman.


Num confinado camarote, as emoções oscilam entre o conflito e a compreensão, à medida que as suas back stories vão sendo reveladas. Mas mais importante do que a sua descoberta mútua é o adentrarem-se em si mesmos. E isso só acontece quando fora do comboio são forçados a enfrentar a Índia real.


Anderson gere cuidadosamente a emoção e a comédia, nunca caindo demasiado para nenhum dos lados. Aí reside a dificuldade em classificar “The Darjeeling Limited”. Ao mesmo tempo que o excelente trio de actores é exímio na comédia física, a sua profunda melancolia impede-nos de rir com leviandade dos seus desaires, antes comove-nos. No global, o filme extremamente positivo na forma como “resolve” as dúvidas de cada uma das personagens e as devolve a uma noção de família que ultrapassa a definição sanguínea.


À laia de prólogo, “The Darjeeling Limited” é antecedido pela curta-metragem “Hotel Chevalier”, com a personagem de Schwartzman num reencontro com a sua namorada (Natalie Portman) em Paris. Uma peça que serve sobretudo como ilustração de bloqueio emocional. Ou apenas um doce que nos é oferecido por Anderson, como o cameo de Bill Murray, ou a belíssima banda sonora, sob a supervisão de Randall Poster, que mistura magistralmente The Kinks com Satyajit Ray, nos enche com “Where Do You Go To (My Lovely)” de Peter Sarstedt e nos deixa sair da sala com Joe Dassin e “Les Champs-Elysees”.


À semelhança do barco em corte transversal que tinha criado para “Life Aquatic”, Anderson tem em “The Darjeeling Limited” outra cena memorável, onde condensa todas as personagens: um travelling em que passa por diversos (e imaginários) camarotes da carruagem. Uma beleza de tirar a respiração.






CITAÇÕES:


“Jack – What did he say?
Peter – He said the train is lost.
Jack – How can a train be lost? It's on rails.”
JASON SCHWARTZMAN (Jack) e ADRIEN BRODY (Peter)


“Dad's bags aren't gonna make it.”
OWEN WILSON (Francis)






realizado por Rita às 12:32
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Domingo, 3 de Fevereiro de 2008
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias ***

T.O.: 4 Luni, 3 Saptamani si 2 Zile. Realização: Cristian Mungiu. Elenco: Anamaria Marinca, Laura Vasiliu, Vlad Ivanov, Alexandru Potocean. Nacionalidade: Roménia, 2007.





1987, a Roménia está ainda sob o totalitarismo do ditador comunista Nicolae Ceausescu. Otilia (Anamaria Marinca) e Gabita (Laura Vasiliu) são duas estudantes universitárias que partilham um quarto num dormitório de uma cidade romena não identificada. O dormitório assemelha-se a uma prisão, e o dia-a-dia é um mercado negro incentivado pelo rígido regime comunista. Otilia e Gabita estão agitadas, a primeira de uma forma assertiva e agressiva, a segunda insegura e hesitante, enquanto se preparam para passar os próximos dois dias num hotel.


Cristian Mungiu que, com este filme arrebatou a Palma de Ouro em Cannes o ano passado, gere a informação que nos quer dar com extrema cautela, mantendo um tom misterioso e provocando um estranho desconforto acerca dos planos das duas amigas. Num exercício profundamente realista, a acção é condensada num único dia. Um dia marcado pela impotência e vulnerabilidade, pelo dilema moral, e pela suspeição (sobre actos, palavras e sentimentos). Mungiu foge a esse julgamento das suas personagens ou das suas motivações.


Em vez dos ‘4 meses, 3 semanas e 2 dias’ Gabita mente e diz a Bebe (Vlad Ivanov num registo aterrorizador) que está grávida de dois meses, para que ele aceda a fazer-lhe um aborto (prática ilegalizada desde 1966). Bebe é um homem calmo e ameaçador e tem com as duas amigas uma agonizante negociação sobre o dinheiro e a pena de prisão a que poderia está sujeito. Aliás, em “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” tudo é negociado: os cigarros, um bilhete de autocarro, o preço de um quarto de hotel. É essa relação que define de que lado está o poder. Fazendo-as sentirem-se simultaneamente agradecidas e culpadas pela sua ajuda, Bebe usa aquele segredo como alavanca.


Em vez de facilmente seguir a personagem de Gabita, Mungiu privilegia Olivia. Segue-a até casa do namorado, Adi (Alexandru Potocean), onde tem lugar um jantar de família. No meio dos comentários divertidos, Otilia dissolve-se em silêncio com um olhar fixo do qual não nos conseguimos afastar. Nela lemos culpa, vergonha, humilhação e raiva.


Enquanto Gabita se reduz ao egoísmo do seu problema pessoal, para Otilia aquele momento modificou a sua forma de olhar para os outros: a sua amiga torna-se uma pessoa fraca, tonta e caprichosa, o seu namorado um ser superficial no qual não pode confiar. A interpretação de Anamaria Marinca é destemida e ser reservas, credível tanto na sua força como vulnerabilidade.


A fotografia de Oleg Mutu centrada em cinzentos cria um ambiente frio e cru. A câmara digital inquieta reforça a angústia das personagens, o espaço restrito reforça a claustrofobia de um sistema político castrador, os apontamentos de humor apenas aliviam a tensão e intensidade dramática. A explosão de violência pode ocorrer. A qualquer momento.






realizado por Rita às 17:27
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2008
The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford ****

Realização: Andrew Dominik. Elenco: Brad Pitt, Casey Affleck, Mary-Louise Parker, Brooklynn Proulx, Dustin Bollinger, Sam Rockwell, Jeremy Renner, Sam Shepard, Garret Dillahunt, Paul Schneider. Nacionalidade: EUA, 2007.





Quando um título como “The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford” denuncia tudo, sabemos que não estamos perante um vulgar western. Este filme é essencialmente um estudo dos códigos morais das suas duas personagens principais. Abarcando os acontecimentos entre 1881 e 1882 que conduziram ao improvável assassínio de Jesse James às mãos de Robert Ford, um homem que conseguiu aquilo que muitos profissionais (dos dois lados da lei) tinham tentado e falhado.


Cruel assassino para uns, herói popular para outros, Jesse James (Brad Pitt) é, aos 34 anos, um carismático criminoso acusado de ter morto pelo menos 17 pessoas. Em 1881 a maioria do gang original de Jesse James encontra-se morta ou presa. Para os seus golpes, Jesse e o seu irmão Frank (Sam Shepard) recrutam os irmãos Ford: Charley (Sam Rockwell) e Robert (Casey Affleck), um ambicioso jovem de 19 anos que idolatra (e inveja) James. Jesse James diverte-se por ter um admirador e acaba por aceitar Ford no gang e no seu círculo de confiança.


Ao longo dos 160 minutos de duração de “The Assassination of Jesse James...”, Andrew Dominik (na sua segunda longa-metragem, onde assina realização e argumento, adaptando o livro de 1983 de Ron Hansen) estabelece as complexas motivações por trás da acção de Ford, um homem cheio de contradições, ao mesmo tempo que transforma James de um homem confiante e jovial numa criatura taciturna e paranóica, com o cuidado de nunca eliminar o mistério que o rodeava.


“The Assassination of Jesse James...” está impregnado de lirismo, numa contemplação subtil e elegante sobre a evolução de uma amizade entre dois homens psicologicamente desequilibrados. A mão de Dominki é confiante, e de extremo cuidado na composição e utilidade de cada cena. Centrando-se nas dinâmicas de grupo, Dominik assume frequentemente o ponto de vista de Ford, mais do que de James, construindo os ambientes agressivos (mas não violentos) que conduziram ao momento em que a vida deste dois homens se condensa, terminando a de um, e redefinindo a de outro. Mas Dominik não pára por aí, ele segue Ford na torturada angústia de um homem insignificante tornado subitamente famoso em resultado de um acto de traição.


A lente de Roger Deakins (“Fargo” e “No Country for Old Men”) tem um papel determinante na dureza e secura deste Velho Oeste. Mas é também Deakins que queima a imagem e desfoca os cantos, quando a voice over de Hugh Ross narra de forma literária algo que se situa entre a memória e o sonho. Na retina está ainda a imagem do aparecimento do comboio, como um animal prestes a cair na ratoeira, enquanto os homens o aguardam como predadores, de um poder e beleza extremos. O toque onírico é completado pela banda sonora original de Nick Cave e Warren Ellis (“The Proposition”), o primeiro ainda com direito a um cameo no final do filme.


A densidade das personagens beneficia de duas geniais interpretações: um Brad Pitt que não tem nada a provar e um portentoso e perturbante Casey Affleck (que parece condensar todo o talento interpretativo da família – aguarda-se a sua colaboração em “Gone Baby Gone” com o mano Ben na realização). Mas além destas é deixado espaço para fortes personagens secundárias, como é o caso de Dick Liddil (Paul Schneider) um galante criminoso, Wood Hite (Jeremy Renner), o primo de James, e Charley Ford (Sam Rockwell), um homem dividido entre dois afectos fraternais. O grande desperdício é Mary-Louise Parker como Zee, a mulher de James, reduzida a pouco mais que um adereço. Aliás, as mulheres têm muito pouco espaço neste filme, como o pareciam ter na vida destes homens.


Como uma evocação do estreito elo entre crime e fama “The Assassination of Jesse James...” faz uma observação histórica da cultura americana e da sua obsessão com a celebridade. A forma: visualmente arrebatadora.






CITAÇÕES:


“Poetry don't work on whores.”
PAUL SCHNEIDER (Dick Liddil)


“Do you want to be LIKE me? Or do you want to BE me?”
BRAD PITT (Jesse James)






realizado por Rita às 11:55
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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Be Kind Rewind
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Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
World Trade Center
Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
X-Men: First Class
X-Men Origins: Wolverine

Y
Yo Soy La Juani
Young Adult
Youth in Revolt
Youth Without Youth

Z
Zack And Miri Make A Porno

Zodiac
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Agosto 2004

Festivais e Prémios
- FANTASPORTO
- FESTROIA
- INDIE LISBOA
- FESTIVAL DE CINEMA GAY E LÉSBICO DE LISBOA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS DE VILA DO CONDE
- DOCLISBOA
- CINANIMA
- CineECO
- FamaFEST
- FICA
- FESTIVAL DE CINEMA LUSO-BRASILEIRO DE SANTA MARIA DA FEIRA
- fest | FESTIVAL DE CINEMA E VÍDEO JOVEM DE ESPINHO
- CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS
- FESTIVAL DE CANNES
- LES CÉSAR DU CINEMA
- PREMIOS GOYA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DONOSTIA - SAN SEBASTIAN
- LA BIENNALE DI VENEZIA
- FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL FILM - LOCARNO
- INTERNATIONALE FILMSPIELE BERLIN<
- BAFTA
- LONDON FILM FESTIVAL
- EDINBURGH INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- OSCAR
- SUNDANCE FILM FESTIVAL
- GOLDEN GLOBES
- NEW YORK FILM FESTIVAL
- SAN FRANCISCO FILM FESTIVAL
- TORONTO INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- MONTRÉAL WORLD FILM FESTIVAL
- ROTTERDAM INTERNATIONAL FILM FESTIVAL