CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007
American Gangster ***

Realização: Ridley Scott. Elenco: Denzel Washington, Russell Crowe, Chiwetel Ejiofor, Josh Brolin, Ted Levine, Armand Assante, John Ortiz, John Hawkes, RZA, Ruby Dee, Common, Carla Gugino, Cuba Gooding Jr. Nacionalidade: EUA, 2007.





1968, Harlem, Nova Iorque. Bumpy Johnson (Clarence Williams III), o “dono” do Harlem, queixa-se ao seu motorista, Frank Lucas (Denzel Washington), do progressivo eliminar dos intermediários e do prejuízo que isso significa para os seus “negócios” familiares. Quando Johnson morre, Lucas assume a liderança e faz uso de todos os ensinamentos para tomar conta do tráfico de heroína na cidade. Ironicamente, o seu êxito é garantido pela eliminação do intermediário, e pelo contrabando directo da droga vinda da Tailândia em caixões de soldados americanos mortos na guerra do Vietname. Este processo permite-lhe vender droga de superior qualidade a metade do preço sob o nome de marca Blue Magic.


Do outro lado do espectro moral está Richie Roberts (Russell Crowe), um polícia de New Jersey, marcado pelos colegas pela sua incorruptível honestidade e empenhado em tirar o curso nocturno de direito. Enquanto o casamento de Roberts vai por água abaixo Lucas trata a sua mulher, a Miss Porto Rico 1970, como uma rainha; enquanto Roberts recruta um grupo de polícias para uma nova unidade de combate ao tráfico de droga que dirigirá, Lucas traz a sua família da Carolina do Norte e coloca os seus irmãos em posições chave da cadeia de distribuição. Estas linhas paralelas de acção são reforçadas pela irónica dicotomia vivida por estes dois homens: Lucas ganha a vida de forma desonesta, mas na privacidade vive segundo estritos códigos morais; pelo seu lado Roberts, um profissional honesto e dedicado, tem a sua vida pessoal afogada em mentiras e frustrações.


Apesar da sua comum determinação, tanto Lucas como Roberts são humilhados e ameaçados pelo corrupto detective Trupo (Josh Brolin), da Unidade Especial de Investigação da polícia de Nova Iorque. Mas o seu confronto directo só acontece no final do filme, quando a ascensão deste dealer, misto de cavalheiro e assassino sem misericórdia, termina numa inevitável queda. Esse é o momento que sintetiza a força da realização de Ridley Scott (“Gladiator”, “A Good Year”), até pelo revigorante que é ver Denzel Washington a fazer de mau. Porém, tudo mais parece não ter passado de uma contextualização sem grandes emoções, e Scott parece não ter ido muito além da epiderme destas personagens.


O mesmo acontece com a tradução histórica que, apesar de esteticamente nos transportar para os anos 70, à qual fica a faltar o ambiente de desordem e desencanto esperado. Fica também por explorar o racismo que subjaz à incredulidade de que um negro pudesse ter, por si mesmo, mais sucesso do que a máfia. Mas em vez de se aprofundar, “American Gangster” alonga-se. Apesar disso, algum crédito tem de ser dado à mestria da narrativa, que consegue agarrar-nos sem bocejos.


O argumento de Stephen Zaillian, que adapta o artigo de 2000 "The Return of Superfly” da autoria de Mark Jacobson publicado na New York Magazine, é competentemente trabalhado pelos dois protagonistas (apesar de ambos estarem longe de qualquer lista que eu pudesse fazer). Mas os meus olhos fugiram, inevitavelmente, para Chiwetel Ejiofor, que interpreta um dos irmãos de Lucas, e para a curta aparição de Cuba Gooding Jr. como o dealer Nicky Barnes.


Se não se esperar demasiado (deixei de o fazer em relação a Ridley Scott desde “Thelma & Louise”), não se fica desiludido. Como em tudo na vida...






CITAÇÕES:


“This is what's wrong with America - it's gotten so big you can't find your way ... What right do they have cutting out the suppliers, pushing all the middlemen out, buying direct from the manufacturer?”
CLARENCE WILLIAMS III (Bumpy Johnson)


“The number one fear of people isn't dying, it's public speaking.”
RUSSEL CROWE (Det. Richie Roberts)


“Judges, lawyers, cops, politicians. They stop bringing dope into this country, about a hundred thousand people are gonna be out of a job.”
RUSSEL CROWE (Det. Richie Roberts)






realizado por Rita às 00:12
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007
Criação

Em estreia. Hoje.





“DIALOGUE AVEC MON JARDINIER”, de Jean Becker






realizado por Rita às 01:47
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
CONTOS FANTÁSTICOS, de Terry Jones

Dia 7, 8 e 9 no São Luiz, e musicado por Luís Tinoco, este senhor estará a fazer a narração dos seus contos “The Fast Road”, “Three Drops of Rain” e “Tom and the Dinosaur”, do livro FANTASTIC STORIES.

Eu vou!








realizado por Rita às 00:09
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Sábado, 24 de Novembro de 2007
Sicko ****

Realização e argumento: Michael Moore. Género: Documentário. Nacionalidade: EUA, 2007.





Michael Moore (“Bowling For Columbine”, “Fahrenheit 9-11”) é manipulador e tendencioso. Quem esteja à espera de um documentário isento e equilibrado, irá encontrar um panfleto propagandista, mais interessado em produzir reacções do que em argumentar cabalmente a favor de um ponto de vista. Com a técnica apurada de um comunicador profissional, a gramática da sua “oratória” é a emoção e o humor irónico. E se for preciso ocultar ou moldar algumas realidades para efeitos demonstrativos e/ou dramáticos, pois seja! O ritmo acelerado de “Sicko” impede que nos debatamos longamente com os argumentos falaciosos (ou, pelo menos, incompletos) que Moore utiliza. Dormentes do bombardeio informativo, Moore só nos deixa respirar em planos fixos de sofrimento pessoal.


Michael Moore é manipulador e tendencioso, mas é um dos melhores.


Depois do incidente do liceu de Columbine e do ataque terrorista do 11 de Setembro, o seu olhar crítico e ácido foca agora o sistema de saúde dos Estados Unidos, comparando-o com outros países, dos vizinhos canadianos, aos europeus franceses e ingleses, passando até pelos arqui-inimigos cubanos (num golpe ‘publicitário’ que as relações públicas cubanas devem ter adorado).


Michael Moore apela aos medos que todos temos, mostrando que ninguém está a salvo quando está sob um sistema corrupto cujo objectivo é aumentar os lucros obscenos das seguradoras de saúde em contraponto a um sistema solidário pelo qual cada um paga consoante a sua possibilidade e recebe consoante a sua necessidade e que promove um acesso universal aos cuidados de saúde. É esta a filosofia da generalidade dos países ocidentais (não só relativamente à saúde, mas também à educação, por exemplo). O que diferencia os EUA? O facto de terem faltado no seu solo os efeitos devastadores a nível material e humano de uma guerra mundial, que teriam estimulado a solidariedade como elemento base da sua sociedade? Pode até ser. Mas o que os impede, hoje, de (à semelhança de outros campos do conhecimento) adoptar as melhores práticas?


O humor de absurdo degenera numa raiva fervilhante, neste estandarte de Moore sobre a necessidade urgente de uma reforma do sistema de saúde dos EUA. Mas, mal tratados pelas suas seguradoras e ignorados pelos seus governantes, desmoralizados, enfraquecidos económica e fisicamente, aos americanos parece faltar-lhes energia para a revolução que se reclama.


Quanto aos métodos agressivos de Moore, falta-lhes clareza, ainda que tenham por base as melhores razões. Há que ver para além do que ele nos decide mostrar. Mas, para mim, a importância de Moore, neste e nos seus filmes anteriores, prende-se com o facto de trazer assuntos para a mesa de discussão, de abordar tabus que os EUA se impõem a si mesmos, e combater a aceitação tácita que está inerente ao silêncio. É preciso acordar e aprender a questionar (até a suposta verdade reveladora de Michael Moore), e fazer uso do voto como arma de protesto.


Através do absurdo, Moore mostra a sua verdade, pessoas privadas de dignidade e liberdade, subjugadas a uma versão de democracia que coloca o dinheiro como líder. E é neste desvendar que a indignação vem ao de cima, acompanhada de desilusão. O sentimento que prevalece é um misto de vergonha por esta “espécie humana”, e de alívio por não se ser americano.






CITAÇÕES:


“This is about the 250 million of us who have health insurance, who are living the American dream.”
MICHAEL MOORE


“Keeping people hopeless and pessimistic - see I think there are two ways in which people are controlled - first of all frighten people and secondly demoralize them. An educated, healthy and confident nation is harder to govern.”
TONY BENN


“If we can find money to kill people, you can find money to help people.”
TONY BENN


“Recently, the head of the largest Anti-Michael Moore website announced that he had to delete the website because his wife had cancer and the insurance would not cover it. Isn't this unfair that a person cannot practice the first amendment, because of our lousy health insurance? I thought so. So, I sent him the check for 12,000 dollars anonymously and now the site is up and running once more.”
MICHAEL MOORE (quem quiser espreite aqui)






realizado por Rita às 12:49
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
5.º Indie

Nova imagem para a 5.ª edição do Festival de Cinema Independente de Lisboa, que terá lugar de 24 de Abril e 4 de Maio de 2008.








realizado por Rita às 20:41
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007
O que se vê lá por casa (vii)

“Le Scaphandre et le Papillon” lembrou-me que ainda tinha este em atraso:





“BASQUIAT” de Julian Schnabel (1996)



e Bowie impagável como Andy Warhol






realizado por Rita às 00:28
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
Delirious **1/2

Realização: Tom DiCillo. Elenco: Steve Buscemi, Michael Pitt, Alison Lohman, Gina Gershon, Elvis Costello. Nacionalidade: EUA, 2006.





Les Galantine (Steve Buscemi) é um obsessivo fotógrafo nova-iorquino que recusa o apelido de ‘paparazzi’, apesar do seu dia-a-dia ser passado à procura da foto mais comprometedora ou inesperada de algum famoso. Toby Grace (Michael Pitt) é um sem-abrigo aspirante a actor que acaba por se tornar assistente de Les a troco de pouco mais que um tecto. Toby acaba por conseguir entrar nas portas desse ‘céu’, primeiro, pelas mãos de uma directora de casting (Gina Gershon), e depois pelas mãos de uma famosa cantora (a la Britney) K'harma Leeds (Alison Lohman) por quem se apaixona. A ascensão de Toby afasta os dois amigos, aprofundando a inveja de Les.


Os prémios de Melhor Realizador e Melhor Argumento na edição de 2006 do festival de San Sebastian parecem-me excessivos para este último filme de Tom DiCillo (“Johnny Suede”, 1991). As personagens estão demasiado perto do caricatural e dificilmente “Delirious” poderá reclamar para si um olhar original sobre o mundo das celebridades.


Ainda assim, consegue ter momentos bastante divertidos, em especial quando recorre à ironia, como é o caso do banquete de ‘Artistas de Novelas contra as DST’ ou a negociação entre dois agentes do encontro entre as suas duas estrelas.


Mas o ponto forte de “Delirious” são os dois grandes actores que o protagonizam. Steve Buscemi (“Fargo”, “Ghost World”, “Romance & Cigarettes”, “Paris, Je T’Aime”) não tem provas a dar e o cinismo e irascibilidade do seu Les surgem com tal naturalidade que só conseguimos sentir pena deste homem profundamente iludido de que merece mais do que aquilo que tem, alimentando um ódio invejoso das vidas da qual é predador e um patético e desesperado desejo de pertencer a esse grupo. A tomada de consciência dessa ilusão é a sua tragédia pessoal.


Do outro lado está o jovem Michael Pitt, que ‘descobri’ em “Hedwig and the Angry Inch” de John Cameron Mitchell, ‘re-descobri’ em “The Dreamers” de Bertolucci, que ainda não vi em “Last Days” de Gus Van Sant e que estou a ansiar ver este ano em “Seda” de François Girard, a adaptação do belíssimo romance de Alessandro Baricco. Na doçura e inocência da personagem de Toby, lê-se a entrega e a genuinidade de Pitt, na gratidão doentia da personagens percebe-se a gratidão do actor que faz aquilo que gosta.


“Delirious” pretende ser um retrato de almas que tentam adormecer as suas feridas com a luz hipnótica da ribalta. Infelizmente, não passa de um flash, cuja impressão nos sentidos dura apenas o tempo da sessão.






CITAÇÕES:


“A friend is someone waiting for the chance to talk about himself.”
STEVE BUSCEMI (Les Galantine)






realizado por Rita às 22:49
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Domingo, 18 de Novembro de 2007
O que se vê lá por casa (vi)

Um momento perfeito no sofá, um actor perfeito num papel.





“THE LIFE AND DEATH OF PETTER SELLERS” de Stephen Hopkins (2004)



Never judge a man by his cover






realizado por Rita às 23:57
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007
Uma lista, 15 filmes

Meia a contragosto (porque sei as dores de cabeça que estas coisas me dão), aceitei o desafio do Miguel. Excedi, em triplicado, os cinco filmes que salvaria numa catástrofe natural. Mas, como interrompo aqui a corrente, sinto-me no direito de não fazer mais cortes (de implicações surpreendentemente emocionais). Talvez 15 filmes atrasassem a minha fuga para um abrigo... isto supondo que no pós-catástrofe sobrasse algum leitor de DVD, e... bem, whatever... São estes:



“LE GOÛT DES AUTRES”, de Agnès Jaoui (1999)




“SMOKING, NO SMOKING”, de Alain Resnais (1993)




“THE USUAL SUSPECTS”, de Bryan Singer (1995)




“MEMENTO”, de Christopher Nolan (2000)




“TRAINSPOTTING”, de Danny Boyle (1996)




“LOS AMANTES DEL CÍRCULO POLAR”, de Julio Medem (1998)




“THE ETERNAL SUNSHINE OF THE SPOTLESS MIND”, de Michel Gondry (2004)




“ME AND YOU AND EVERYONE WE KNOW”, de Miranda July (2005)




“THE PILLOW BOOK”, de Peter Greenaway (1996)




“LORD OF THE RINGS” (trilogia), de Peter Jackson (2001-2003)




“BEFORE SUNRISE” / “BEFORE SUNSET”, de Richard Linklater (1995, 2004)




“IL MOSTRO”, de Roberto Benigni (1994)




“LOST IN TRANSLATION”, de Sofia Coppola (2003)




“CLOCKWORK ORANGE”, de Stanley Kubrick (1971)




“JEUX D’ENFANTS”, de Yann Samuell (2003)




Quem quiser contribuir com a sua lista pessoal, está convidado/a a fazê-lo nos comentários.






realizado por Rita às 22:31
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007
Out of control

Nem tanto, porque já vimos.





“CONTROL”, de Anton Corbijn






realizado por Rita às 07:52
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
O Sr. Lazarescu e a Morte

Estreia hoje.





“THE DEATH OF MR. LAZARESCU”, de Cristi Puiu






realizado por Rita às 00:56
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007
EFFE - EUROPEAN FILM FESTIVAL ESTORIL 2007


 



 

Começa amanhã a primeira edição do EUROPEAN FILM FESTIVAL ESTORIL. Até 17 de Novembro, o Estoril será palco de um evento que, sob a direcção do produtor Paulo Branco, pretende focar-se no espaço europeu como palco para o diálogo transversal facilitado pelo cinema.


 

Os 14 filmes em competição serão objecto da atenção de Miquel Barceló, Stéphane Braunschweig, Don DeLillo, Asia Argento, Ruy Duarte de Carvalho, o júri do festival.


 

Será ainda realizada uma homenagem a Pedro Almodóvar, uma retrospectiva da obra de David Lynch e apresentada uma exposição de fotografia de Werner Schroeter. E além dos concertos de Victoria Abril, Bernardo Sassetti Trio e Julee Cruise, terão lugar as seguintes Master Classes:


 

"O Tempo na Arte Tauromáquica e na Arte Cinematográfica", com Simon Casas
"A Política, a Cultura e os Artistas", com Dominique de Villepin
"A Moda enquanto Expressão Artística e a sua inevitável ligação ao Cinema", com Emanuel Ungaro
"O Cinema e a Música nos dias de hoje", com Werner Schroeter
"A Dança e o Cinema", com Blanca Li
"O Cinema: entre o Artesanato e as Novas Tecnologias", com Raoul Ruiz


 

Durante este festival terá também lugar um encontro de 36 companhias de distribuição cinematográfica de 16 países europeus.


 

O preço dos bilhetes é 6,00€ (Casino do Estoril) e 4,00€ (Cascais Villa). As Master Classes e os concertos são de entrada livre.


 

Mais detalhes aqui.




 



realizado por Rita às 07:42
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
Elizabeth: The Golden Age **1/2

Realização: Shekhar Kapur. Elenco: Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Clive Owen, Abbie Cornish, Samantha Morton, Jordi Mollà, Rhys Ifans, Tom Hollander, Vidal Sancho. Nacionalidade: Reino Unido / França, 2007.





O realizador Shekhar Kapur volta a reunir-se com Cate Blanchett e Geoffrey Rush na sequela do filme de 1998 “Elizabeth” (repete-se igualmente Michael Hirst no argumento, Jill Bilcock na montagem e Alexandra Byrne no guarda-roupa), que focava a juventude da rainha inglesa e a sua ascensão ao trono após a morte da sua meia-irmã Mary Tudor. Em “Elizabeth: The Golden Age”, a filha de Henrique VIII e de Ana Bolena (decapitada quando Elizabeth tinha apenas 3 anos) detém já o firme controlo da coroa britânica. Criada no seio da igreja protestante anglicana, Elizabeth (Cate Blanchett) enfrenta a conspiração urdida pela sua prima católica Mary Stuart, rainha da Escócia (Samantha Morton), a segunda na linha de ascensão ao trono, e pelo seu ex-cunhado, o príncipe espanhol Filipe II (Jordi Mollà), anteriormente casado com Mary Tudor.


Em 1585, a Espanha ameaça a Inglaterra com a Inquisição, revoltada numa medida igualmente violenta com a pirataria de que são alvo os barcos espanhóis. Um desses piratas é Walter Raleigh (Clive Owen), um explorador e aventureiro que, com tabaco, batatas e o recém-descoberto território da Virgínia (assim nomeado em honra da Rainha Virgem), cai nas graças de Elizabeth. Impedida (ou incapaz) de materializar a atracção que sente por Raleigh, Elizabeth resolve mantê-lo perto de si tornando-o Sir e chefe da sua guarda pessoal e empurrando-o, inadvertidamente, para os braços da sua aia, Elizabeth Throckmorton (Abbie Cornish, “Candy”).


Desengane-se quem pensa que isto é um pedaço de história. Não é. E Shekhar Kapur faz questão de negligenciar os factos históricos para uma dramatização mais eficaz. Desviando-se da muito mais interessante narrativa sobre o ataque espanhol a Inglaterra com a Invencível Armada, concentra-se na não provada atracção amorosa de uma Elizabeth I (1533-1603) que, à data dos acontecimentos (1585-88), teria mais de 50 anos por Sir Walter Raleigh (1552-1618), que teria pouco mais de 30 e que passou o período da batalha em terra (nomeadamente na Irlanda).


Se nos conseguirmos abstrair da veracidade, podemos facilmente deixar-nos enlevar pela belíssima fotografia de Remi Adefarasin (“Match Point”) com cores saturadas e um sumptuoso guarda-roupa que transforma Elizabeth numa deusa mítica. De tirar a respiração é também a impressionante cena de batalha naval que é a da derrota, em 1588, dos barcos espanhóis, contra os quais Inglaterra lançou navios em chamas.


Elizabeth I, no meio dos seus ornamentados penteados e da sua pálida face de boneca, era uma monarca inteligente e carismática, controlada e controladora. Sentindo-se casada com o seu país, recusou-se a aceitar um marido apesar das exigências de conselheiros como Francis Walsingham (Geoffrey Rush) e do parlamento inglês para que casasse e tivesse um herdeiro.


Cate Blanchett volta a dar-nos o prazer de uma interpretação poderosamente versátil, de força e vulnerabilidade, um coração solitário num espírito indomável, travando lutas íntimas com a sua própria consciência. À idade e ao saber, vem acrescentar-se um maior cuidado sob o peso irremediável do poder. Perante a execução de Mary Stuart (na qual Samantha Morton consegue uma equilibrada mistura de altivez e dignidade), Elizabeth é confrontada com o precedente de igualar o estatuto de um monarca ao de um homem comum, e, se uma rainha pode ser executada, isso quer dizer que todas as rainhas – incluindo ela mesma – são mortais.


É neste retrato englobante que funde as diversas facetas de um ser humano com a poderosa lenda que a história criou em torno dele que o filme de Shekhar Kapur consegue o seu limitado trinfo. Mas, dadas todas as manobras dramáticas, aquilo que em “Elizabeth” tinha sido o vislumbrar da possibilidade de realidade dentro do mito, em “Elizabeth: The Golden Age” transforma-se numa manipulada vassalagem à lenda. Uma personagem desta dimensão merecia mais respeito histórico.






CITAÇÕES:


“Elizabeth I – Tell your king I fear neither him nor, nor his priest, nor his armies.
Embaixador espanhol – There is a wind coming that will sweep away your pride.
Elizabeth I – I, too, can command the wind, sir! I have a hurricane in me that will strip Spain bare if you dare to try me!”
CATE BLANCHET (Elizabeth I) e VIDAL SANCHO (Embaixador espanhol)






realizado por Rita às 23:55
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007
As Partículas Elementares

É isto que ando a ler no metro:






Mas sem o stress de que a adaptação ao cinema apareça cá nos próximos tempos:





“Elementarteilchen”, de Oskar Roehler (Alemanha, 2006)
com Moritz Bleibtreu (“Das Experiment”, “Munique”), Christian Ulmen, Martina Gedeck (“Das Leben der Anderen”) e Franka Potente (“Lola Rennt”, “The Bourne Identity”)






realizado por Rita às 00:48
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Domingo, 4 de Novembro de 2007
Evening **

Realização: Lajos Koltai. Elenco: Claire Danes, Toni Collette, Vanessa Redgrave, Patrick Wilson, Hugh Dancy, Natasha Richardson, Mamie Gummer, Eileen Atkins, Meryl Streep, Glenn Close. Nacionalidade: EUA, 2007.





Ann Grant (Vanessa Redgrave, “Nip/Tuck”) está nos últimos momentos da sua vida. Acamada e sob os cuidados de uma enfermeira (Eileen Atkins), ela vai adormecendo e despertando. Num desses momentos de consciência, Ann pergunta às filhas, Nina (Toni Collette, “The Dead Girl”) e Connie (Natasha Richardson, “Asylum”), por um tal de Harris de quem elas nunca ouviram falar. Em flashback, a jovem Ann (Claire Danes, “Shopgirl”) volta ao fim-de-semana do casamento da sua amiga Lila (Mamie Gummer) em Newpor nos anos 50. Foi aí que ela conheceu Harris (Patrick Wilson, (“Little Children”) e, juntos, mataram Buddy, o irmão de Lila (Hugh Dancy, Shooting Dogs).


Sem saber o que é verdade ou delírio nas palavras da mãe, este processo de reencontro com a verdade de Ann, é paralelo ao caminho que cada uma delas precisa, individualmente, de realizar na sua vida assumindo as responsabilidades nas suas relações, antes que seja tarde demais.


Baseado no livro de 1998 de Susan Minot, que co-escreveu o argumento com o escritor Michael Cunningham (‘The Hours’), “Evening” é aquele tipo de melodrama que causa urticária à generalidade dos homens e, também, a grande parte das mulheres. Num ambiente que faz lembrar a aura de nostalgia agri-doce de ‘Great Gatsby’, o remorso e a perda são os sentimentos dominantes, sem nunca se chegar a uma intensidade de emoções que justifique a dimensão daquele ‘grande amor’.


“Evening” vive essencialmente das dinâmicas mãe-filha. Aliás, em “Evening” além de Vanessa Redgrave contracenar com a filha Natasha Richardson, também Meryl Streep tem oportunidade de interpretar a mesma personagem que a filha, Mamie Gummer, interpreta quando nova. Mas, no global, é uma fraca história para tão potente elenco, do qual faz ainda parte Glen Close no papel de mãe de Lila.


É difícil saber se conhecemos realmente as pessoas que amamos, ou se existem segredos que escolheram guardar de nós. Mais difícil é saber se continuaríamos a amá-las de igual modo, se as conhecêssemos na imensidão de todos os seus erros.






TIME AFTER TIME
Sammy Cahn / Jule Styne


What good are words I say to you?
They can’t convey to you what’s in my heart
If you could hear instead
The things I’ve left unsaid

Time after time
I tell myself that I’m
So lucky to be loving you

So lucky to be
The one you run to see
In the evening, when the day is through

I only know what I know
The passing years will show
You’ve kept my love so young, so new

And time after time
You’ll hear me say that I’m
So lucky to be loving you
Time after time






realizado por Rita às 23:26
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Sábado, 3 de Novembro de 2007
The Brave One ***

Realização: Neil Jordan. Elenco: Jodie Foster, Terrence Howard, Nicky Katt, Naveen Andrews, Mary Steenburgen. Nacionalidade: EUA / Austrália, 2007.





Até que ponto o instinto de vingança faz parte da natureza humana? O que pode levar uma mulher aparentemente normal a tornar-se juiz e carrasca? Que ilusão de controlo se procura numa sociedade onde o medo é a arma mais generalizada? O poder postiço conferido por uma arma pode ser tão viciante (e tão autodestrutivo) como uma droga?


Estas são algumas das questões que pairam no último filme de Neil Jordan (“The Crying Game”, “Breakfast on Pluto”).


Erica Bain (Jodie Foster) percorre as ruas de Nova Iorque, recolhendo sons que depois usa no seu programa de rádio. A perspectiva do casamento com o namorado David (Naveen Andrews, “Lost”) é brutalmente eliminada, quando, numa noite no Central Park ambos são atacados por um grupo de delinquentes. David não resiste à violenta agressão e Erica fica em coma durante três semanas. Ao regressar a casa, o grande desafio de Erica é arranjar coragem para sair a porta de casa. Quando finalmente o consegue fazer, Erica decide que a única forma de conseguir regressar à cidade que sempre conheceu é arranjar uma arma. Mas em vez de a ajudar a recuperar o controlo, a arma vem apenas adicionar um carácter mortal á sede de vingança de Erica, que volta a sua revolta para todos os marginais e começa a fazer justiça pelas suas próprias mãos. À medida que a sua pontaria melhora, o detective Sean Mercer (Terrence Howard) segue o rasto dos seus crimes. Erica sente-se incapaz de parar, mas a sua aproximação a Mercer revela a sua vontade em ser detida.


Sem ser de todo realista, “The Brave One” tenta fazer um comentário social ao estado de medo vivido actualmente, e em particular nos Estados Unidos pós-9/11. Mas o argumento de Roderick Taylor, Bruce A. Taylor e Cynthia Mort recusa-se a marcar uma posição, e o que resta é pouco mais que uma fantasia de vingança, a solução tentadora – e até fácil, se se considerar a árdua alternativa de dar sentido ao inexplicável.


Jodie Foster, de uma beleza amadurecida (ainda que menos feminina) regressa à tipologia de vítima, que tem vindo a apurar desde “The Accused” e é credível em todos os seus registos, da dor à raiva, e passando pela confusão. Terrence Howard (“Hustle & Flow”) faz um competente trabalho de contracena.


O terror não pode ser combatido com terror. E não se elimina o medo criando novos medos. A confiança que daí resulta não é nada mais que ilusória e, nesse processo, corre-se o grave risco de perder o que resta de humanidade na humanidade. Talvez a única forma de enfrentar o medo seja aceitá-lo e, apesar dele, levantarmo-nos todas as manhãs. Devemo-nos isso a nós mesmos, condenados que estamos a este pequeno pedaço de vida.






CITAÇÕES:


“Most everybody lies. Dead can't.”
TERRENCE HOWARD (Detective Mercer)


“I always believed that fear belonged to other people. Weaker people. It never touched me. And then it did. And when it touches you, you know... that it's been there all along. Waiting beneath the surfaces of everything you loved.”
JODIE FOSTER (Erica Bain)


“Woman kill their friends, husbands. Shit they love.”
TERRENCE HOWARD (Detective Mercer)


“The essential American soul is hard, isolate, stoic, and a killer.”
D.H. LAWRENCE



SARAH McLACHLAN
Answer


I will be the answer
At the end of the line
I will be there for you
While you take the time
In the burning of uncertainty
I will be your solid ground
I will hold the balance
If you can't look down

If it takes my whole life
I won't break, I won't bend
It will all be worth it
Worth it in the end
Cause I can only tell you what I know
That I need you in my life
When the stars have all gone out
You'll still be burning so bright

Cast me gently
Into morning
For the night has been unkind
Take me to a
Place so holy
That I can wash this from my mind
The memory of choosing not to fight
(...)






realizado por Rita às 14:45
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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Ágora
After.Life
Alatriste
Albert Nobbs
Alex
Alexander
Alfie
Alice In Wonderland
All The Invisible Children
Amants Réguliers, Les
American, The
American Gangster
American Splendor
Amor Idiota
Amours Imaginaires, Les
An Education
An Obsession
Ana Y Los Otros
Anche Libero Va Bene
Angel-A
Anges Exterminateurs, Les
Answer Man, The
Anthony Zimmer
Antichrist
Apocalypto
Approaching Union Square
Après Vous...
Arnacoeur, L’
Arsène Lupin
Artist, The
Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
Astronaut Farmer, The
Asylum
Atonement
Ausentes
Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec, Les
Aviator, The
Away We Go
Azuloscurocasinegro

B
Baader-Meinhof Komplex, Der
Babel
Babies
Backstage
Ballad of Jack and Rose, The
Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
Battle in Seattle
Be Kind Rewind
Bee Movie
Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
World Trade Center
Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
X-Men: First Class
X-Men Origins: Wolverine

Y
Yo Soy La Juani
Young Adult
Youth in Revolt
Youth Without Youth

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Zack And Miri Make A Porno

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Festivais e Prémios
- FANTASPORTO
- FESTROIA
- INDIE LISBOA
- FESTIVAL DE CINEMA GAY E LÉSBICO DE LISBOA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS DE VILA DO CONDE
- DOCLISBOA
- CINANIMA
- CineECO
- FamaFEST
- FICA
- FESTIVAL DE CINEMA LUSO-BRASILEIRO DE SANTA MARIA DA FEIRA
- fest | FESTIVAL DE CINEMA E VÍDEO JOVEM DE ESPINHO
- CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS
- FESTIVAL DE CANNES
- LES CÉSAR DU CINEMA
- PREMIOS GOYA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DONOSTIA - SAN SEBASTIAN
- LA BIENNALE DI VENEZIA
- FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL FILM - LOCARNO
- INTERNATIONALE FILMSPIELE BERLIN<
- BAFTA
- LONDON FILM FESTIVAL
- EDINBURGH INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- OSCAR
- SUNDANCE FILM FESTIVAL
- GOLDEN GLOBES
- NEW YORK FILM FESTIVAL
- SAN FRANCISCO FILM FESTIVAL
- TORONTO INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- MONTRÉAL WORLD FILM FESTIVAL
- ROTTERDAM INTERNATIONAL FILM FESTIVAL