CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007
The Inner Life of Martin Frost *

Realização: Paul Auster. Elenco: David Thewlis, Irène Jacob , Michael Imperioli, Sophie Auster. Nacionalidade: Espanha / Portugal / França / EUA, 2007.





Antes de mais, quero dizer que aquela estrela está ali só para não pensarem que não vi o filme. Vi, vi, e não gostei. Por isso, instigo os fãs acérrimos do senhor Auster para pararem de ler aqui mesmo.


...


Aos que continuam, juntem-se a mim no lamento. Gosto do senhor Auster-escritor, e apesar dele estar longe do meu top de escrita, gostei de tudo o que li dele (ainda que não tenha lido tudo o que escreveu, menos ainda o conto ‘The Inner Life of Martin Frost’, parte integrante do livro "The Book of Illusions"). A minha expectativa para este filme não era particularmente elevada. Se algo me puxava, era o talento interpretativo de David Thewlis (“All The Invisible Children”, “The New World”).


Apesar disso, consegui sair da sala no meio de gargalhadas de incredulidade perante o ridículo desta tentativa de fazer um filme (lamento não poder chamar-lhe mais do que isso). O estilo ostensivamente literário, onde a intrusiva má dicção da voice-over de Auster insiste em explicar cada desenvolvimento da pobre narrativa e que não deixa dúvidas quando a quem é na verdade esse Martin Frost, fez-me pensar no conceito de “audio-vídeo-livro”.


Martin Frost (David Thewlis) é um escritor que se retira para a casa de campo de um casal amigo (o próprio Auster aparece nas fotos) para escrever o seu próximo livro. A sua solidão e o seu silêncio são interrompidos por Claire (Irène Jacob), que diz ter sido convidada pela sua tia, a amiga de Frost, a aparecer lá por casa e decide aproveitar a oportunidade para trabalhar na sua tese de filosofia. Ambos fazem o acordo de não se atrapalharem mutuamente, mas a inevitável (!!!) atracção entre os dois não demora (mesmo nada!!!) a manifestar-se. Quando Frost finalmente põe em questão a identidade de Claire, já é tarde demais para fugir à paixão.


Aquilo que começa por ter alguns traços interessantes sobre o poder da imaginação e da inspiração no processo criativo, acaba por cair numa ridícula, inacreditável e inconsistente história de misticismo barato, onde o ‘eles’ incorpóreo e omnipotente parece ser o culpado de tudo. A temática filosófica contextualiza cansativas (e pretensiosas) citações sobre a subjectividade da realidade (caso ninguém tivesse ainda percebido do que tratava o filme). À mulher cabe-lhe o “típico” papel de elemento catalizador da criação, enquanto o homem interpreta o “habitual” ser inconsciente que se deixa facilmente manipular com favores sexuais (eu já tinha dito que este filme é um cliché de mau gosto?).


Parece que originalmente, o projecto de Auster era uma curta-metragem, o que significa que se teria perdido menos tempo, mas não a garantia de um melhor resultado. As personagens são (1) desinteressantes, (2) irritantes e (3) tão cativantes como uma varejeira. Auster ainda tenta introduzir um elemento cómico no canalizador/escritor Jim Fortunato (Michael Imperioli), o que se reflecte apenas no desperdício de mais um bom actor. Mas dar pouco material a actores de qualidade talvez tenha sido uma estratégia para fazer sobressair a sua filha Sophie Auster no papel de Anna, que, autorizada a cantar (desnecessariamente) e a fazer um monólogo (desnecessário), ganha um portfolio com o filme do papá (uma pena esta situação, porque do alto dos seus belos 20 anitos, a miúda até tem boa voz).


Eu não sei como é que Auster costuma escrever os seus livros, mas se “The Inner Life of Martin Frost” tem algo a ver com a realidade do seu processo criativo, não posso deixar de me surpreender com a boa qualidade da sua escrita. Também fiquei algo curiosa quanto ao umbigo do senhor, que deve ser bastante bonito, porque ele parece não conseguir tirar os olhos dele. A pluridisciplinaridade não é para todos, Sr. Auster. E a “trágica” experiência de “Lulu on the Bridge” (1997) deveria ter sido suficiente para provar que sozinho não vai lá. Vá, volte lá aos seus livros, que vamos tentar esquecer (mais) este episódio.


Mas para não pensarem que me tornei irremediavelmente ácida, dou uma nota positiva às boas referências artísticas de Auster, que usa o quadro L’Empire des Lumières de René Magritte como base da capa de um dos anteriores livros de Martin Frost.






realizado por Rita às 00:53
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007
Vencedor Cine’Eco 2007


“ENCONTRO COM MILTON SANTOS” de Sílvio Tendler (Brasil, 2006)
Grande Prémio do Ambiente
Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Ambiente de Seia








realizado por Rita às 22:53
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007
Chansons d’Amour **1/2


 

Realização: Christophe Honoré. Elenco: Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Clotilde Hesme, Chiara Mastroianni, Brigitte Roüan, Jean-Marie Winling, Alice Butaud, Yannick Renier, Grégoire Leprince-Ringuet. Nacionalidade: França, 2007.



 



 

Existe um problema quando, num filme musical, o ponto fraco reside exactamente na baixa qualidade das músicas e das interpretações. Somos obrigados a questionar a opção estilística para contar uma história que poderia beneficiar bastante mais da sua ausência. É esse o caso de “Chansons d’Amour”.


 

Ismaël (Louis Garrel) e a sua namorada Julie (Ludivine Sagnier) namoram há alguma tempo, mas há cerca de um mês, resolveram, de comum acordo, alargar a sua relação a uma terceira pessoa, Alice (Clotilde Hesme), uma colega de trabalho de Ismaël. Uma situação que parece, à primeira vista, satisfatória para todas as partes. Mas uma conversa de Julie com a sua mãe (Brigitte Roüan) e a irmã mais velha, Jeanne (Chiara Mastroianni), evidencia a fragilidade deste acordo. Apenas Alice, que se auto-denomina a “ponte entre os dois”, não se sente ameaçada ou insegura nesta relação, marcada sobretudo pela imaturidade de Ismaël. Neste contexto, a cama de Ismaël, demasiado pequena para os três, funciona como metáfora para o espaço emocional (in)sustentável.


 

Christophe Honoré (“Ma Mère”, “Dans Paris”) tem uma atenção particular com todas as suas personagens e com os seus actores, dando-lhes uma dimensão humana que foge à caricatura. Por isso, não se entende a necessidade de sintetizar as emoções nos parêntesis musicais a cargo de Alex Beaupain. Aliás, o potencial dramático e emocional das personagens é mais mascarado que reforçado) pelas canções. Neste campo, o crédito que dou a Honoré é o facto de tratar de igual modo técnico as cenas, sejam elas faladas ou cantadas. Um paralelismo que se estabelece com a sua imparcialidade na forma como trata, romanticamente, as diferenças preferências sexuais.


 

Honoré faz uso actores com apelidos carregados de história (como Garrel ou Mastroianni), de tal forma que o genérico inicial dispensa os nomes próprios. As interpretações são desconcertantemente naturais, sem caricaturas e interpretando as letras das músicas (para o bem e para o mal o termo ‘cantar’ não se aplica aqui) como se de diálogo se tratasse. Louis Garrel colabora com o realizador pela terceira vez, mas essa familiaridade, infelizmente, não se reflecte numa maior intensidade. O elevado e já provado potencial de Ludivine Sagnier (que já tinha cantado em “8 Femmes” de François Ozon's) embora não seja camuflado é pouco desafiado neste filme, enquanto Clotilde Hesme (amante de Garrel em “Les Amants Réguliers”) reforça o seu poder de domínio da objectiva. E pergunto-me porque razão Chiara Mastroianni não é mais “explorada” pelo cinema francês. Estes podem não ser os mesmos chapéus de chuva que os de ‘Cherbourg’ de Jacques Demy (1964) protagonizado pela sua mãe Catherine Deneuve, mas se há filha de peixes que sabe nada é esta!


 

E é exactamente entre uma mãe e uma filha que tem lugar o melhor diálogo de “Chansons d’Amour”, quando Julie conta à mãe sobre a introdução de Alice na sua relação com Ismaël e esta, curiosa por entender como funciona um trio, lhe pergunta se é complicado decidir quem faz o quê, ao que Julie responde que essa é a parte fácil. É engraçado como por diversas (muitas) vezes nos preocupamo-nos com as coisas erradas.


 

As três partes em que se divide “Chansons d’Amour” (Le Départ, L’Absense e Le Retour), cobrem alguns dos cinzentos que estão entre o amor e o desejo. O prazer feminino que está no centro do acordo inicial, transita – entre o ciúme, a perda e a dor – para o lado masculino (da mesma forma que poderia ter sido feito o percurso inverso), um caminho suave e natural, totalmente indiferente às definições biológicas e às convenções sociais. Ou seja, a universalidade do amor, como a universalidade da música.


 

Mas os nossos sentimentos não são poesia e métrica, são coisas atabalhoadas, precipitadas, repensadas, repetidas, gaguejadas, a paixão é caótica e exaltada e não pode nunca caber numa estrofe.



 




 

CITAÇÕES:


 

Se taire langue contre langue. Un dialogue de sourd.
CLOTILDE HESME (Alice)


 

Les amours qui durent font des amants exsangues et leurs baisers trop mûrs nous pourrissent la langue. Les amours passagères ont de futiles fièvres et leurs baisers trop verts nous écorchent les lèvres. Car à vouloir s'aimer pour la beauté du geste, le vers dans la pomme nous passe au travers des dents.
Aime moi, mais plus longtemps.”
LOUIS GARREL (Ismaël)




 



realizado por Rita às 23:26
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Domingo, 28 de Outubro de 2007
BIFAs 2007






No passado dia 23 de Outubro foram anunciadas as nomeações para a 10ª edição dos British Independent Film Awards, que terão lugar a 28 de Novembro. O grande destaque vai para o filme de Anton Corbijn, “Control” com dez nomeações.




BEST BRITISH INDEPENDENT FILM
“And When Did You Last See Your Father?”, de Anand Tucker
“Control”, de Anton Corbijn
“Eastern Promises”, de David Cronenberg
“Hallam Foe”, de David Mackenzie
“Notes On A Scandal”, de Richard Eyre

BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A BRITISH INDEPENDENT FILM
Anne Hathaway por “Becoming Jane”
Tannishtha Chatterjee por “Brick Lane”
Sophia Myles por “Hallam Foe”
Kierston Wareing por “It’s a Free World...”
Judi Dench por “Notes on a Scandal”

BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A BRITISH INDEPENDENT FILM
Jim Broadbent por “And When Did You Last See Your Father?”
Sam Riley por “Control”
Viggo Mortensen por “Eastern Promises”
Jamie Bell por “Hallam Foe”
Cillian Murphy por “Sunshine”

BEST PERFORMANCE BY A SUPPORTING ACTOR OR ACTRESS IN A BRITISH INDEPENDENT FILM
Colin Firth por “And When Did You Last See Your Father?”
Samantha Morton por “Control”
Toby Kebbell por “Control”
Armin Mueller-Stahl por “Eastern Promises”
Cate Blanchett por “Notes On A Scandal”

MOST PROMISING NEWCOMER
Imogen Poots em “28 Weeks Later”
Matthew Beard em “And When Did You Last See Your Father?”
Sam Riley em “Control”
Bradley Cole em “Exhibit A”
Kierston Wareing em “It's A Free World...”

BEST SCREENPLAY
David Nicholls por “And When Did You Last See Your Father?”
Matt Greenhalgh por “Control”
Steven Knight por “Eastern Promises”
David Mackenzie e Ed Whitmore por “Hallam Foe”
Patrick Marber por “Notes On A Scandal”

BEST DIRECTOR OF A BRITISH INDEPENDENT FILM
Anand Tucker por “And When Did You Last See Your Father?”
Sarah Gavron por “Brick Lane”
Anton Corbijn por “Control”
David Cronenberg por “Eastern Promises”
David Mackenzie por “Hallam Foe”

BEST ACHIEVEMENT IN PRODUCTION
“Black Gold”
“Control”
“Exhibit A”
“Extraordinary Rendition”
“Garbage Warrior”

THE DOUGLAS HICKOX AWARD (BEST DEBUT DIRECTOR)
Marc e Nick Francis por “Black Gold”
Anton Corbijn por “Control”
Oliver Hodge por “Garbage Warrior”
David Schwimmer por “Run, Fat Boy, Run”
Steve Hudson por “True North”

BEST BRITISH DOCUMENTARY
“Black Gold”, de Marc Francis e Nick Francis
“Deep Water”, de Louise Osmond e Jerry Rothwell
“Garbage Warrior”, de Oliver Hodge
“In The Shadow Of The Moon”, de David Sington
“Joe Strummer: The Future Is Unwritten”, de Julien Temple

BEST TECHNICAL ACHIEVEMENT
Enrique Chediak, Fotografia (“28 Weeks Later”)
Trevor Waite, Montagem (“And When Did You Last See Your Father?”)
Martin Ruhe, Fotografia (“Control”)
David Mackenzie e Colin Monie, Música (“Hallam Foe”)
Mark Tildesley, Design de produção (“Sunshine”)

BEST BRITISH SHORT FILM
“A Bout De Truffle - The Truffle Hunter”, de Tom Tagholm
“Cherries”, de Tom Harper
“Dog Altogether”, de Paddy Considine
“The Girls”, de Sebastian Godwin
“What Does Your Daddy Do?”, de Martin Stitt

BEST FOREIGN INDEPENDENT FILM
“Black Book”, de Paul Verhoeven
“La Vie En Rose”, de Olivier Dahan
“The Lives Of Others”, de Florian Henckel von Donnersmarck
“Once”, de John Carney
“Tell No One”, de Guillaume Canet

THE RAINDANCE AWARD
“Exhibit A”, de Dom Rotheroe
“The Inheritance”, de Charles Henri Belleville
“Tovarisch, I Am Not Dead”, de Stuart Urban

SPECIAL AWARDS
THE RICHARD HARRIS AWARD: Ray Winstone
THE VARIETY AWARD: Daniel Craig




realizado por Rita às 23:46
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Sábado, 27 de Outubro de 2007
1408 **1/2

Realização: Mikael Håfström. Elenco: John Cusack, Samuel L. Jackson, Mary McCormack, Tony Shalhoub, Jasmine Jessica Anthony, Len Cariou. Nacionalidade: EUA, 2007.





Mike Enslin (John Cusack) é o céptico autor de uma série de guias sobre casas assombradas, que costuma classificar o seu nível de susto atribuindo um número de ‘caveiras’. Enslin recebe um postal avisando-o para não se hospedar no quarto 1408 do Dolphin Hotel em Nova Iorque, o que apenas serve para despertar a sua curiosidade e completar o volume sobre os hotéis assombrados. Gerald Olin, o gerente do hotel (Samuel L. Jackson) tenta convencê-lo de todas as formas a não ficar num quarto que já fez 56 vítimas todas elas em menos de uma hora, mas Enslin não se deixa demover nem assustar. Mas mais difícil do que o check-in, será o check-out.


Cedo se percebe que o que puxou Enslin para a escrita do seu primeiro livro, essa vontade interior, esse entusiasmo deixou de existir, fazendo-o optar por um distanciamento em relação ao mundo que o rodeia. Será o quarto, também ele uma personagem temperamental, que o fará olhar de frente os demónios interiores que o atormentam, usando as suas memórias e experiências mais dolorosas como uma arma, levando-o ao limite da sua sanidade numa dimensão que não se rege pela realidade.


Infelizmente, o efectivo terror, apesar de boas soluções visuais, é muito menos interessante que a construção prévia do mesmo. Mikael Håfström (“Derailed”) vai adicionando camadas de paranóia e medo sem, no entanto, conseguir ser verdadeiramente original quanto à materialização do terror. A adaptação do conto “1408”, integrante da antologia “Everything's Eventual: 14 Dark Tales” de Stephen King, é uma história de fantasmas competente, mas pouco mais que isso.


Sou fã confessa de Cusack, mas o prazer de o ver como um espertalhão cínico no início do filme é mal substituído pelo histerismo de um homem à beira do colapso psicológico. Quanto a Samuel L. Jackson, sabe sempre a pouco, e o seu duelo verbal com Cusack é certamente o ponto alto de “1408”. E quanto a Stephen King no cinema, é melhor esperar por “The Mist” de Frank Darabont, que deverá estrear nos EUA no próximo mês.






CITAÇÕES:


“Look, I'm not telling you not to stay in that room for your own good or for the profit of the hotel. Frankly, selfishly, I just don't want to clean up the mess.”
SAMUEL L. JACKSON (Gerald Olin)


“Hotels are a naturally creepy place... Just think, how many people have slept in that bed before you? How many of them were sick? How many... died?”
JOHN CUSACK (Mike Enslin)






realizado por Rita às 20:13
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
Ensemble, C’est Tout ***

Realização: Claude Berri. Elenco: Audrey Tautou, Guillaume Canet, Laurent Stocker, Françoise Bertin. Nacionalidade: França, 2007.





Camille (Audrey Tautou) é uma frustrada e anoréctica artista, que paga as suas contas fazendo a limpeza de um escritório em Paris. O mísero sótão que habita é no mesmo prédio que a espaçosa casa do charmoso e tímido aristocrata Philibert Marquet de la Tubelière (Laurent Stocker), que partilha o imóvel da sua falecida avó com o amigo Franck (Guillaume Canet), cozinheiro num restaurante, cansado de usar a sua única folga semanal para visitar a avó Paulette (Françoise Bertin), por sua vez infeliz por ter sido obrigada a trocar a sua casa de tantos anos por um lar.


São estas as quatro personagens em torno das quais gira “Ensemble, C’est Tout”, um filme com o merecido valor de tentar sair dos padrões das comédias românticas. Primeiro, porque é sobretudo um filme sobre amizades improváveis; segundo, porque as personagens são bem mais terrenas e simples que as habituais e as suas dificuldades perfeitamente quotidianas; e terceiro, o argumento de Claude Berri, que adapta o romance de Anna Gavalda, permite às personagens transgressões na sua esperada tipologia.


Sem o romantismo meloso e irreal para o qual se tende demasiado frequentemente, “Ensemble, C’est Tout” evidencia um esforço de realismo, que, infelizmente, não se sustém até ao final. O que é uma pena, porque estas personagens não mereciam uma solução tão cliché.


O ponto forte de “Ensemble, C’est Tout” reside na dinâmica entre as personagens, na veracidade da sua empatia e/ou conflito, e na coerência da evolução das suas relações (apesar de nunca ser explicado como Philibert e Franck se tornaram amigos). Todos eles se sentem torturados, mental ou fisicamente, por outros, pelo seu trabalho ou por si mesmos. Todos eles se sentem atormentados com o futuro, com a perspectiva do envelhecimento, da doença e da mortalidade. Todos eles projectam nos outros as suas próprias frustrações.


O elenco é dominado pelas jovens estrelas francesas Audrey Tautou (“Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain”, “Un Long Dimanche de Fiançailles”) e Guillaume Canet (“Jeux d’Enfants”), mas quem sobressai é Laurent Stocker como Philibert, desarmante nas aulas de locução de Philippe Van Eeckhout, ortofonista na vida real.


Aprender a viver juntos na diferença pode ser um processo agridoce, mas ‘lar’ é, e sempre será, um conceito emocional.






realizado por Rita às 00:52
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
Persépolis ****

Realização: Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud. Vozes: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian, Gabrielle Lopes Benites, Gabrielle Lopes, François Jerosme. Nacionalidade: França, 2007.





Persépolis ou Parsa era a capital do antigo império Persa. ‘Persépolis’ é o título da novela gráfica e autobiográfica de Marjane Satrapi, publicada em França em quatro volumes entre 2000 e 2003. “Persépolis” é a adaptação ao cinema, feita por Vincent Paronnaud e pela própria Marjane Satrapi (ilustradora e cartoonista nascida em Rasht, Irão, em 1969 e a viver actualmente em Paris), que recebeu o Prémio do Júri na edição deste ano do Festival de Cannes.


“Persépolis” percorre cerca de 15 anos da vida de Marjane Satrapi, desde a infância em Teerão no seio de uma família progressista, passando pela revolução e queda do Xá e a instalação de um regime fundamentalista e repressor, até à guerra contra o Iraque e ao seu exílio como estudante em Viena, e, finalmente um regresso a casa em idade adulta.


Sem presumir ser uma lição de história, “Persépolis” consegue ir do particular para o universal, cruzando ambas as narrativas e sendo simultaneamente íntimo como uma biografia e abrangente no testemunho. Com uma surpreendente simplicidade, “Persépolis” consegue ir ao mais profundo do desafio que é a procura de uma identidade no contexto de uma vida sob tirania, quando se é um estranho no seu próprio país e, ao mesmo tempo, um estrangeiro em qualquer outra parte do mundo e incapaz de uma total adaptação.


Sofrimentos, dúvidas e alegrias, a inocência e a confusão da infância, o cinismo e a confusão da idade adulta, são tratados com uma ironia aguçada e um humor desarmante. E longe de ser um lamento sentimental ou previsível, “Persépolis” recusa o trivial ou o moralismo. E se tem alguma ideologia, é a da integridade pessoal nas relações humanas.


Chiara Mastroianni dá a voz à personagem de Marjane enquanto a sua mãe, Catherine Deneuve, interpreta o papel de Sra. Satrapi. Esta relação emocional é tangível com cada personagem, o que não impede que a Marjane-criadora as satirize. Aliás, ela ri-se de si mesma, e é essa auto-consciência que permite que nos identifiquemos com o caos emocional e a rebelião de Marjane-personagem. Como seria possível não nos sentirmos próximos de alguém que tem Bruce Lee como herói e sonha ser profeta quando crescer? À semelhança de um e outro, Marjane luta com coragem e determinação, e procura questionando, num processo essencialmente solitário.


Num longo flashback a preto e branco (apenas os momentos inicial e final têm cor), “Persépolis” é absorvente com os seus cativantes negros e linhas afiadas (que me fizeram pensar na obra ‘Maus’ de Art Spiegelman). O tom da narrativa dita o estilo, sem pôr em risco a coerência, e a montagem ágil impregna o ritmo certo ao filme.


Como evitar que um povo seja confundido com os seus líderes? Como combater um poder que usa uma versão de deus como arma para subverter e submeter a sua população? Como se pode amar profundamente um país e admitir, ao mesmo tempo, a impossibilidade viver nele?








realizado por Rita às 00:05
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
Le 4ème Morceau de la Femme Coupée en Trois **

Realização: Laure Marsac. Elenco: Laure Marsac, Denis Podalydès, Claire Borotra, Alexia Stresi, Justine Gallou, Gisèle Casadesus, Ivan Taieb, Emmanuelle Lepoutre. Nacionalidade: França, 2007.





O melhor de “Le 4ème Morceau de la Femme Coupée en Trois” é, sem sombra de dúvida, o seu título. E, em segundo lugar, estão os sapatos vermelhos. A primeira longa-metragem da actriz Laure Marsac é um produto autobiográfico conceptual que nos extenua em todo o seu simbolismo.


Louise (Laure Marsac) é a mulher do título. Uma mulher terna e frágil que esconde a sua permanente angústia atrás de palavras. As três partes em que se divide são os três actos distintos que compõem o filme, unidos pelo elemento comum do automóvel e por elegantes apontamentos a vermelho. No primeiro acto, Louise, lutando pela sua autonomia face ao marido e à filha, decide tirar a carta de condução, não sem uma grande dose de esforço, em especial dada a personalidade rígida do seu instrutor (Denis Podalydès, “Le Mystère de la Chambre Jaune”) - promissora personagem que é descartada rapidamente e sem misericórdia para se passar ao segundo acto. Neste, Louise, já detentora da carta de condução, esquece-se das chaves do carro no seu interior, ficando fechada do lado fora num parque de estacionamento de um centro comercial. A angústia e o aborrecimento marcam o momento de solidão forçada e de impotência. O terceiro acto é um flashback à sua infância, acompanhando a mãe (Claire Borotra) no banco de trás do carro, com o conforto nostálgico e melancólico de não ter responsabilidades nem obrigações.


Enquanto na primeira parte o tempo é condensado no processo de aprendizagem, na segunda, Laure Marsac impõe-nos o tempo de espera real, para depois, na terceira parte, nos levar para o tempo irreal da memória.


De fora, fica a falado quarto pedaço, aquele que parece não poder existir, no âmbito da lógica, mas que todavia está lá, como quintessência feminina. Aquilo que importa é exactamente aquilo que nos é negado assistir. E é nesta ausência de explicações, de profundidade, que “Le 4ème Morceau de la Femme Coupée en Trois” se reduz a um cansativo exercício estilístico: o carro como símbolo dos objectivos materiais, e a turbulenta relação de desejo / necessidade que daí advém como representação de tudo aquilo de que abdicamos na vida por esses objectivos.


Apesar disso, o argumento de Marsac tem um cuidado especial com as personagens secundárias. O marido pouco presente (Ivan Taieb), o austero instrutor de condução (Podalydès), a pouco amável empregada de caixa (Emmanuelle Lepoutre) – surgem todos com uma força inesperada, e apontam para um trabalho futuro que não deverá ser negligenciado.






realizado por Rita às 00:48
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007
Control ****

Realização: Anton Corbijn. Elenco: Sam Riley, Samantha Morton, Craig Parkinson, Alexandra Maria Lara. Nacionalidade: Reino Unido / EUA, 2007.




“The confusion in her eyes it says it all. She's lost control.”







Como é que se filma a biografia de um dos mais conturbados e inspiradores compositores ingleses do século XX? Com muita dificuldade.


“Control”, biopic da vida de Ian Curtis, é a primeira longa metragem do fotógrafo holandês Anton Corbijn. E porque é que filmar os últimos anos da vida de Ian Curtis se tornou tão complicado desafio? Porque remexer em memórias e histórias de pessoas tão singulares como Ian Curtis, Bernard Summer, Peter Hook e Stephen Morris – membros de bandas como Stiff Kittens, Warsaw, Joy Divison e finalmente, após a morte de Curtis, New Order – e conjugar com o ponto de vista da viúva de Curtis, Deborah Curtis, e da amante de Curtis, Annik Honore, seria de facto uma tarefa difícil. E mais difícil se torna quando se está sob a atenção impiedosa de milhões de fãs de Ian Curtis.


Mas Corbijn revela-se a escolha certa para a difícil tarefa. Sendo um fã de Joy Divison e que acompanhou o percurso da banda, Corbijn filma de uma forma austera, num glorioso preto e branco, com o tão característico grão de película que sempre caracterizou as filmagens de vídeoclips deste. Ian Curtis e Joy Division não poderiam ser filmados de outra maneira. O tom cinzento tão característico da zona norte de Inglaterra, especialmente de Manchester e subúrbios ganha aqui um papel vital. E não esquecer que em finais de 70, princípios da década de 80, as principais revistas de música eram impressas a preto e branco, logo qualquer artigo sobre o Curtis e os Joy Divison seria retratado em monocromia.


Realizado a partir da biografia de Deborah Curtis, “Touching from a distance”, com o argumento adaptado por Matt Greenhalgh, “Control” é a desvirginização cinematográfica de Corbijn, mas também de Sam Riley, que se estreia no papel de Ian Curtis. Depois de um cast exaustivo, em que se falou de nomes como Jude Law e Cillian Murphy, a escolha recaiu sobre este estreante, que apenas tinha protagonizado pequenos papéis televisivos e uma aparição como Mark E. Smith (líder dos The Fall), no filme de Michael Winterbottom, “24 Hour Party People”, mas que nunca passou da mesa de montagem, ficando posta de parte a cena em que este aparece.


Com o elenco de jovens actores e outros já reconhecidos, como o caso de Samantha Morton (Deborah Curtis), “Control” dá-nos uma perspectiva muito pessoal de um jovem conturbado, com um grande talento para a escrita, que, de inseguranças e insatisfações, rege o seu dia-a-dia, até ao desfecho previsível, com o seu suicídio. Entre amores, estagnações, sucessos e músicas fantásticas, Ian Curtis é retratado no fio da navalha, onde nos apercebemos como a falta de perspectiva de futuro, desespero e solidão ajudaram a criar todo o ambiente sonoro que definiu a obra de Curtis.


Apesar de todo o negrume, “Control” é música. É a história de um dos mais importantes períodos da música moderna. É um retrato fiel e humano da banda Joy Divison e dos seus membros. E é música. Muito boa música. Bowie, Kraftwerk, Velvet Underground e Joy Division.


E com uma performance fantástica por parte dos actores que encarnam os membros da banda. Corbijn não recorre a playbacks, põe os actores a darem vida às músicas dos Joy Divison, de uma forma única, orgânica, rude, crua e muito profissional. E sabe tão bem ouvir estas músicas a serem historicamente criadas e tocadas pela primeira vez.


Para além da óbvia caminhada para o desfecho trágico, “Control” é regido por um paciente e determinado ponto de vista estético e narrativo de Corbijn, que sabia que tinha uma história para contar, mas que não a queria contar sob a forma do típico biopic. “Control” é um filme sobre a vida curta e trágica de Ian Curtis. Mas é muito mais do que isso. É um retrato frio, tão cinzento como os meios tons que predominam no filme, mas tão forte como os negros contrastantes que pulsam de minuto a minuto.


E “Control” é música. E muito boa por sinal!



P.S.: Anton Corbijn, tal como todos os criadores estéticos, tem as suas manias. E as árvores são uma delas. E “Control” tem uma bela sequência com árvores, para além de um interessante cameo da própria Deborah Curtis, que está presente numa cena em que Ian (Sam Riley) e Deborah (Samantha Morton) têm uma discussão amorosa na rua.








realizado por Nuno às 12:01
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Domingo, 21 de Outubro de 2007
Backstage **1/2

Realização: Emmanuelle Bercot. Elenco: Emmanuelle Seigner, Isild Le Besco, Noémie Lvovsky, Valéry Zeitoun, Samuel Benchetrit, Edith Le Merdy, Jean-Paul Walle Wa Wana, Mar Sodupe, Lise Lamétrie, Claude Duneton. Nacionalidade: França / EUA, 2005.





Lucie (Isild LeBesco) é uma adolescente obcecada com a famosa cantora Lauren Waks (Emmanuelle Seigner), que se depara no meio de um reality show no qual conhece Lauren pessoalmente. A partir desse momento estabelece-se entre elas uma relação doentia. Enquanto Lauren está decidida a permanecer numa espiral de auto-destruição, da qual já nem o seu trabalho a consegue salvar, Lucie assume por si a responsabilidade de restituir a felicidade à vida do seu ídolo, sem olhar a meios.


O argumento de Emmanuelle Bercot e Jérôme Tonnerre aborda a relação disfuncional de obsessão e dependência entre o admirado (que não consegue corresponder às expectativas irreais que nele colocam) e o admirador (que assume arrogantemente o papel de solucionador) de uma forma bilateral, com o poder mudando de mãos sucessivamente e o feitiço da celebridade (onde está incluída a atracção sexual) turvando o discernimento.


As canções originais de Laurent Marimbert e cantadas (sofrivelmente) por Seigner não atenuam o excesso de tempo do filme. E apesar do esforço de interpretação, Bercot mantém-nos à margem das personagens e do seu íntimo, não nos permitindo perceber em concreto o que qualquer uma delas sente ou pensa. Apesar disso, a fragilidade emocional de Le Besco é tocante nas primeiras cenas, mas acaba por se tornar cansativa e sem nuances ao longo do filme. Aliás, já anteriormente “À Tout de Suite” e “Camping Sauvage”, mostravam uma certa “especialização” na fragilidade e no erótico que nunca me agradaram e que, em “Backstage”, me continuaram a aborrecer profundamente. Noutro caminho está Seigner, que de repente parece ter despontado com novo vigor, veja-se o caso tocante de “Le Scaphandre et le Papillon”.


“Backstage” é um foco fraco, mas coloca alguma luz sobre como o desequilíbrio de uma entrega sem retorno pode, facilmente, resultar num profundo vazio. E um sonho tornado realidade pode, com efeito, revelar-se um pesadelo.






realizado por Rita às 19:46
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Sábado, 20 de Outubro de 2007
(o verdadeiro) “Planet Terror”






“Jesus Camp”, de Heidi Ewing e Rachel Grady (2006)






realizado por Rita às 00:35
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007
Le Scaphandre et le Papillon *****

Realização: Julian Schnabel. Elenco: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Anne Consigny, Patrick Chesnais, Niels Arestrup, Olatz Lopez Garmendia, Jean-Pierre Cassel, Marina Hands, Max von Sydow, Isaach De Bankolé, Emma de Caunes. Nacionalidade: França / EUA, 2007.





Jean-Dominique Bauby era chefe de redacção da revista feminina Elle quando, a 8 de Dezembro de 1995, um acidente vascular cerebral o confinou, aos 44 anos, a uma cama, num estado apelidado de ‘locked-in syndrome’ e sem outro meio de comunicação com o exterior a não ser o seu olho esquerdo. Depois do desespero inicial, e sempre consciente, Bauby dá-se conta que ainda mantém a sua identidade intacta e, com ela, a sua divertida ironia e a sua imaginação.


A comunicação é feita piscando o olho: uma piscadela não sim e duas para não. Um alfabeto ordenado da letra mais utilizada na língua francesa para a menos é-lhe ditado e Bauby indica, piscando, quais as letras que pretende. Antes do acidente, Bauby tinha um contrato para a escrita de um livro, acordo que ele decide manter, assumindo a tarefa hercúlea de o escrever com a pálpebra. Com a ajuda da secretária Claude (Anne Consigny, “Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé”), Bauby escreve o livro que dá título ao filme. Uma letra, uma palavra, uma frase, um parágrafo, um texto, um livro, é este caminho que lhe dá forças cada dia, apesar da sua incapacidade.


Outro filme também centrado num homem imóvel e de vontade férrea foi “Mar Adentro”, de Alejandro Amenabar. É curioso observar como duas situações limite são enfrentadas de formas tão opostas. O escafandro e a borboleta são símbolos da prisão do corpo e da liberdade da mente de Bauby, e da sua luta interna contra a adversidade externa.


“Le Scaphandre et le Papillon” está brilhantemente filmado por Julian Schnabel, que nos seus anteriores filmes tinha também abordado dois outros criadores em luta: o pintor Basquiat, no filme homónimo, e o escritor Reinaldo Arenas, em “Before Night Falls”. Aqui ele adopta o ponto de vista (literal) de Bauby, imobilizando a câmara e deixando-nos ver apenas o que está dentro do seu campo de visão. À medida que o filme avança e Bauby se começa a libertar através do seu livro, também Schnabel alarga os seus movimentos e move-se em dois sentidos: (1) para dentro da mente de Bauby e da sua imaginação; (2) para fora dele e visto pelas pessoas mais próximas: os seus filhos, a mãe dos seus filhos (Emmanuelle Seigner, “La Vie en Rose”), a sua ortofonista (Marie-Josée Croze, “Ne Le Dis À Personne”), o seu amigo Laurent (Isaach De Bankolé, “Coffee and Cigarettes”), e o seu pai (Max von Sydow, “Intacto”).


O argumento de Ronald Harwood (premiado pelo guião de “The Pianist”) e a fotografia de Junusz Kaminski (“Munique”) traduzem o mundo interior de Bauby em palavras e imagens, naquela que é uma história de reaprendizagem e da humanidade na relação entre paciente e terapeutas. A montagem ágil serve a história e nunca é intrusiva na narrativa.


Mathieu Amalric (“Rois et Reine”) com uma extrema expressividade emocional (pelo seu rosto, pelo seu corpo e em especial pela sua voz) interpreta, de uma forma poderosa e sentida, mas sem sentimentalismos, um homem que, sem se mexer, ele faz a maior viagem da sua vida.


Mas é sem o humor de Bauby e sobretudo sem o seu cinismo que vale a pena perguntar: que razões podem existir para cada um de nós abdicar dessa viagem e de todas as emoções que ela nos proporciona?









realizado por Rita às 23:02
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2007
Planet Terror ****

Realização: Robert Rodriguez. Elenco: Freddy Rodríguez, Rose McGowan, Marley Shelton, Josh Brolin, Michael Biehn, Naveen Andrews, Michael Parks, Jerili Romeo, Tom Savini, Rebel Rodriguez, Carlos Gallardo, Electra Avellan, Elise Avellan, Quentin Tarantino. Nacionalidade: EUA, 2007.





“Planet Terror” é a outra metade da experiência Grindhouse, que vem completar o já estreado “Death Proof”. Num registo bem mais gore e satírico que o filme de Tarantino, Robert Rodriguez (“Sin City”) recorre à extrema violência, ao sexo e a grandes quantidades de sangue para o seu exercício nostálgico sobre o cinema que marcou a sua juventude.


Numa base militar no Texas, armas biológicas caem nas mãos erradas e as pessoas começam a transformar-se em zombies. Um grupo de cidadãos assume a responsabilidade de fazer-lhes frente. Dele fazem parte Cherry (Rose McGowan), dançarina num bar que sonha ser comediante e Wray (Freddy Rodriguez), um ex-namorado de Cherry com um passado misterioso. Os seus destinos cruzam-se no restaurante de J.T. (Jeff Fahey) e, posteriormente, com o disfuncional casal de médicos William Block (Josh Brolin) e Dakota Block (Marley Shelton), e com o xerife Hague (Michael Biehn).


Satirizando as convenções, “Planet Terror” faz troça de si mesmo, com explosões tremendas, sangue a esguichar por tudo o que é lado, zombies nojentos, mortes imaginativas, mulheres lindíssimas (sem excepção), e diálogos espirituosos. Ninguém espere aprender nada com este filme, mas o divertimento é irremediável e o prazer desta experiência (que exige, definitivamente, um grande ecrã) é demasiado para questionar o ridículo e o inverosímil (incluindo a fabulosa perna de Rose McGowan, que a transforma num dos melhores heróis de sempre).


“Planet Terror” mistura agressividade feminina e machismo (afinal de contas estamos a falar de uma mulher que domina o mundo com um objecto fálico), o absurdo e o genial. Mas, ao contrário dos filmes de série B que homenageia, “Planet Terror” tem um orçamento que lhe permitiu dar o toque verdadeiramente cool na pós-produção, com a inclusão de riscos, sobreposição de diálogos, problemas de cor e de continuidade e bobinas (estrategicamente) ausentes.


As interpretações são, dada a unidimensionalidade das personagens, totalmente satisfatórias. Tem-se ainda o prazer dos cameos de Bruce Willis, Fergie (dos Black Eyed Peas) e de Tarantino. Existem diversos pontos de ligação entre os dois filmes: além de Rose McGowan interpretar duas personagens distintas (em “Death Proof” ela é loira e a primeira vítima de Stuntman Mike), a personagem de Marley Shelton aparece em ambos os filmes, e em “Planet Terror” é feita com uma referência ao programa de rádio de Jungle Julia (Sydney Poitier).


Se me obrigarem a escolher entre os dois, confesso uma preferência por “Death Proof”, mais associada à estética visual e musical. De todos modos, estes são dois realizadores que adoram a sua arte, e não nos deixam outra escolha senão a de a adorarmos também.



P.S. - Fica a confessa vontade de ver aquele trailer inicial convertido numa real longa-metragem.






E depois dos filmes, o livro. Directo da Waterstone’s de Amesterdão:










CITAÇÕES:


“I broke my leg.”
ROSE McGOWAN (Cherry Darling)


“I like the way you say 'fuck'.”
FREDDY RODRIGUEZ (El Wray)


“I never miss.”
FREDDY RODRIGUEZ (El Wray)






realizado por Rita às 23:40
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Domingo, 14 de Outubro de 2007
R.I.P.




Um projecto cheio de falhas e com um rácio artigos/publicidade gradualmente inferior. Mas, ainda assim, uma compra mensal de que vou sentir falta. Por ser a única.






realizado por Rita às 16:06
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Sábado, 13 de Outubro de 2007
The Life of... The Pythons


Depois da auto-prenda que foi ir ver o musical Spamalot a Londres em Fevereiro deste ano, agora foi a vez de uma outra prenda. E esta garante ter-me colada a ela durante muito tempo!





THE PYTHONS: AUTOBIOGRAPHY BY THE PYTHONS

uma detalhada compilação do crítico inglês Bob McCabe




De acompanhamento a esta iguaria:






[ACTUALIZAÇÃO]

Quanto aos Melhores Sketches de Monty Python, actualmente em cartaz no Casino de Lisboa, vejo-me obrigada a desanconselhar fortemente os fans, sob pena de uma grande desilusão (a do Spamalot foi uma desilusão moderada porque ir a Londres é sempre um prazer).


Mesmo após ter tentado descolar dos actores portugueses a imagem indelével dos Monty Python, só me ri com vontade num único sketch (o Working Class Playwright). Quanto aos menos fans, acho importante referir que a box do Flying Circus equivale ao preço de dois bilhetes para o dito espectáculo, sendo um investimento bastante mais duradouro e de satisfação garantida.






realizado por Rita às 11:07
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007
Dialogue Avec Mon Jardinier ***

Realização: Jean Becker. Elenco: Daniel Auteuil, Jean-Pierre Darroussin, Fanny Cottençon, Alexia Barlier, Hiam Abbass. Nacionalidade: França, 2007.





“Dialogue Avec Mon Jardinier” adapta as memórias do pintor Henri Cueco e envolve um drama intimista e melancólico num tecido de comédia.


Após a morte da sua mãe, um pintor burguês (Daniel Auteuil – “Caché”, “La Doublure”) sai de Paris decidido a renovar a velha casa de campo da família. Para tratar do jardim e da horta, contrata um ex-funcionário dos caminhos de ferro (Jean-Pierre Darroussin – “Un Long Dimanche de Fiançailles”, “Combien Tu M’Aimes?”) que, por coincidência, é também um amigo da escola primária. Pintor e jardineiro substituem os seus verdadeiros nomes pelas alcunhas Dupincel e Dujardin, respectivamente. Um código que simboliza a plataforma de entendimento de duas pessoas cujas vidas tomaram rumos muito diferentes após a expulsão que se seguiu a um incidente na escola primária.


Apesar da sua diferença de classe, a curiosidade e o conforto que descobrem um no outro são genuínos. O filme de Jean Becker assenta em diálogos fluidos e naturais, impregnados de um humor cru, entre dois grandes actores que partilham uma química perfeita.


Entre o senso comum e a erudição, o simples e o complicado, entre o campo e a cidade, entre aquilo que somos e aquilo que aprendemos a ser, entre a luz bucólica e a chuva metropolitana, eles descobrem o mundo como o outro o vê, e o seu universo alarga-se nessa troca.


“Dialogue Avec Mon Jardinier” fala da reaproximação entre duas pessoas, que termina sendo uma reaproximação à essência de cada um deles, às suas raízes. E, da mesma forma que a horta dá os seus frutos, também esta amizade germina através da entrega e do cuidado.


“Dialogue Avec Mon Jardinier” faz também um paralelismo entre a criação sob a forma de vida vegetal e sob a forma de arte, cada uma delas como elemento de ligação aos outros e transmitindo parte da essência do seu criador. De uma forma semelhante, mais do que da técnica ou da estética, a beleza da arte vem do esforço que ela exige, daquilo que retiramos de nós para colocar em palavras, em tintas ou num jardim.






CITAÇÕES:


“Quando a bateria começa a falhar, habituamo-nos à ideia de nos apagarmos.”
JEAN-PIERRE DARROUSSIN (Dujardin)






realizado por Rita às 01:31
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007
The Bourne Ultimatum ***

Realização: Paul Greengrass. Elenco: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Scott Glenn, Paddy Considine, Edgar Ramirez, Albert Finney, Joan Allen. Nacionalidade: EUA, 2007.





Depois de “The Bourne Identity” e de “The Bourne Supremacy”, “The Bourne Ultimatum” vem fechar a trilogia escrita por Robert Ludlum entre 1980 e 1990 sobre um assassino com amnésia em busca de respostas para a sua identidade perdida.


Para o devido desfrute deste filme de acção, é fortemente recomendado o visionamento das duas anteriores adaptações. Até porque, ao contrário de muitos projectos episódicos, este demonstra uma qualidade e consistência acima da média, com Paul Greengrass repetindo na cadeira de realizador.


A acção começa seis semanas após “The Bourne Supremacy” (atenção ao elo de ligação entre os dois). Jason Bourne (Matt Damon) descobre que o jornalista Simon Ross (Paddy Considine) está a escrever matérias sobre ele e que ameaça desvendar a conspiração por trás da Operação Blackbriar, inserida no Projecto Treadstone. Bourne está decidido a desvendar qual a fonte de Ross, ao mesmo tempo que tenta salvar a sua própria vida. O grande duelo deste filme é entre Bourne e o operacional da CIA Noah Vosen (David Strathairn), sob a direcção de Ezra Kramer (Scott Glenn) e com a moderação moral da responsável Pamela Landy (Joan Allen). Para Bourne, a ajuda surge-lhe na improvável agente da CIA Nicky Parsons (Julia Stiles).


De Moscovo a Londres, de Madrid a Nova Iorque, passando por Tânger, “The Bourne Ultimatum” alia intriga e personagens fortes a um ritmo imparável com impressionantes perseguições e cenas de luta. “The Bourne Ultimatum” tira também todo o partido de um herói ambíguo e pouco convencional, que, em vez de lutar por uma missão, luta por si próprio, e que é simultaneamente perseguidor e perseguido. Bourne é uma alma em conflito, uma máquina de matar eficiente mas relutante, perigoso mas vulnerável.


O final é satisfatório nas respostas que dá, mas deixa em aberto a possibilidade de um quarto filme. Até porque, já após a amorte de Ludlum, Bourne foi “ressuscitado” por Eric Van Lustbader em mais dois livros: ‘The Bourne Legacy’ e ‘The Bourne Betrayal’, de 2004 e 2007 respectivamente.






CITAÇÕES:


“Don’t second-guess an operation from an armchair.”
DAVID STRATHAIRN (CIA Deputy Director Noah Vosen)






realizado por Rita às 01:41
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007
No Reservations **

Realização: Scott Hicks. Elenco: Catherine Zeta-Jones, Aaron Eckhart, Abigail Breslin, Patricia Clarkson, Jenny Wade, Bob Balaban. Nacionalidade: EUA / Austrália, 2007.





Kate (Catherine Zeta-Jones) é uma bem sucedida e perfeccionista chef de um requintado restaurante nova-iorquino. Na verdade, ela é uma control-freak totalmente entregue à profissão e sem espaço para nada mais. Até as sessões com o seu terapeuta (Bob Balaban) são passadas a falar de comida. Um acidente vem colocar nas mãos de Kate a sua sobrinha de nove anos, Zoe (Abigail Breslin). Para tentar ajustar-se a esta nova realidade, Kate tira algum do seu tempo para tomar conta de Zoe, uma oportunidade que a gerente do restaurante (Patricia Clarkson) aproveita para contratar um novo sub-chefe, Nick (Aaron Eckhart). O contraste entre ambos é evidente e a antipatia de Kate por Nick instantânea.


Quem é familiar com o contexto da comédia romântica sabe desde logo que eles irão ficar irremediavelmente juntos. Isso não seria necessariamente mau, se o caminho para lá chegar não fosse tão pejado de clichés e sem imaginação. Nem sequer a paixão pela comida é devidamente explorada, bem mais emocionante e mágico foi “Ratatouille”.


Deste remake do filme de 2001 “Bella Martha” da alemã Sandra Nettelbeck, Scott Hicks (“Shine”, 1996) não oferece nada mais que um filme convencional e previsível, que capitaliza na beleza de Catherine Zeta-Jones e no carisma de Aaron Eckhart, mas que, sobretudo, tira partido de uma adorável e talentosa Abigail Breslin, a revelação de “Little Miss Sunshine”.


“No Reservations” é apenas um olhar fugaz ao que sucede quando ocupamos todo o espaço da nossa vida com o controlável e nos fechamos numa zona de segurança que afinal é apenas uma prisão. Quando o segredo da felicidade reside, precisamente, em nunca eliminar a possibilidade do inesperado.






realizado por Rita às 00:04
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007
doclisboa 2007




Pela primeira vez com o apoio do Programa MEDIA, de 18 de 28 de Outubro o documentário volta a dominar Lisboa.


A 5ª edição do Festival Internacional de Cinema Documental de Lisboa irá apresentar na Culturgest, Cinemas Londres e São Jorge, em Lisboa, os seguintes filmes:



COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

1937, de Nora Martirosyan, Arménia/França, 2007, 44'
Abandoned, de Joan Soler, Espanha, 2006, 25'
Alguna Tristeza, de Juan Alejandro Ramírez, Peru, 2006, 41'
At the Datcha, de Thierry Paladino, Polónia, 2006, 26'
Artel, de Sergei Loznitsa, Rússia, 2006, 20'
Calle Santa Fe, de Carmen Castillo, França/Chile/Bélgica, 2007, 163'
Cherkasy, de Raul Bartolomé Estebaranz, Espanha, 2006, 11'
The Days and The Hours, de John Haptas, Kristine Samuelson, EUA, 2006, 8'
Elle s'appelle Sabine, de Sandrine Bonnaire, França, 2007, 85'
A Father's Music, de Igor Heitzmann, Alemanha, 2007, 105'
The First Day, de Marcin Sauter, Polónia, 2007, 20'
He Fengming, de Wang Bing, China, 2007, 184'
Hot House, de Shimon Dotan, Israel, 2006, 90'
In the North, de Chen Lei, China, 2006, 62'
Ironeaters, de Shaheen Dill-Riaz, Alemanha, 2007, 85'
It's Always Late for Freedom, de Mehrdad Oskouei, Irão, 2006, 52'
Jesus Camp, de Heidi Ewing, Rachel Grady, EUA, 2006, 85'
Kamp Katrina, de David Redmon, Ashley Sabin, EUA, 2006, 74'
The Mall, de Jonathan Ben Efrat, Israel, 2006, 12'
My 9/11, de Tjebbo Penning, EUA/Holanda, 2006, 11'
Rebellion: The Litvinenko case, de Andrei Nekrasov, Rússia, 2007, 105'
Retour en Normandie, de Nicolas Philibert, França, 2006, 109'
Santiago, de João Moreira Salles, Brasil, 2006, 80'
SchoolScapes, de David MacDougall, Austrália, 2007, 77'
Scythian Suite, de Alexander Gutman, Rússia, 2006, 26'
These Girls, de Tahani Rached, Egipto, 2006, 66'
Umbrella, de Du Haibin, China, 2007, 100'



COMPETIÇÃO NACIONAL


& etc, de Cláudia Clemente, Portugal, 2007, 25'
Adeus, Até Amanhã, de António Escudeiro, Portugal, 2007, 60'
Arquitectura de Peso, de Edgar Pêra, Portugal, 2007, 24'
Blind Runner, An Artist Under Surveillance, de Luís Alves de Matos, Portugal, 2007, 57'
A Casa do Barqueiro, de Jorge Murteira, Portugal, 2007, 63'
Convicções, de Julie Frères, Portugal/França, 2007, 55'
Encontros, de Pierre-Marie Goulet, Portugal/França, 2006, 105'
Era Preciso Fazer as Coisas, de Margarida Cardoso, Portugal, 2007, 52'
Gentes do Mar, de Dânia Lucas, Portugal, 2006, 33'
Homens que São como Lugares Mal Situados, de João Trabulo, Portugal, 2007, 21'
Jardim, de João Vladimiro, Portugal, 2007, 75'
Lisboa Dentro, de Muriel Jaquerod, Eduardo Saraiva Pereira, Portugal/Suiça, 2007, 56'
Metamorfoses, de Bruno Cabral, Portugal, 2007, 48'
Mulheres Traídas [making of] , de Miguel Marques, Portugal, 2007, 54'
As Operações SAAL, de João Dias, Portugal, 2007, 90'
La Petite Fille et le Chien Vont au Bal de la Reine, de Ana Margarida Fernandes Gil, França/Portugal, 2007, 18'
Piccolo Lavoro, de António Nuno Júnior, Portugal, 2006, 18'
Poeticamente Exausto, Verticalmente Só - A História de José Bação Leal, de Luísa Marinho, Portugal, 2007, 56'
Praia de Monte Gordo, de Sofia Trincão, Óscar Clemente, Portugal, 2006, 30'



INVESTIGAÇÕES


5-7 rue Corbeau, de Thomas Pendzel, França, 2007, 59'
American Fugitive: The Truth About Hassan, de Jean-Daniel Lafond, Canadá, 2006, 75'
Cuba, Une Odyssée Africaine, de Jihan El-Tahri, França/Reino Unido, 2006, 120'
The Devil Came on Horseback, de Annie Sundberg, Ricki Stern, EUA, 2007, 85'
As Duas Faces da Guerra, de Diana Andringa, Flora Gomes, Portugal, 2007, 100'
El Ejido, La Loi du Profit, de Jawad Rhalib, Bélgica, 2006, 80'
The Halfmoon Files, de Philip Scheffner, Alemanha, 2007, 87'
Jean Paul, de Francesco Uboldi, Itália, 2006, 8'
La Liste de Carla, de Marcel Schüpbach, Suiça, 2006, 95'
My Country, my Country, de Laura Poitras, EUA, 2006, 90'
Three Comrades, de Masha Novikova, Holanda, 2006, 99'



DIÁRIOS FILMADOS E AUTORETRATOS


Album, de Matthias Müller, Alemanha, 2004, 24'
David Holzman's Diary, de Jim McBride, EUA, 1967, 74'
Le Filmeur, de Alain Cavalier, França, 2005, 97'
Glitterburg, de Derek Jarman, Reino Unido, 1994, 60'
Intimate Stranger, de Alan Berliner, EUA, 1991, 60'
JLG/JLG: Autoportrait de Décembre, de Jean-Luc Godard, França/Suiça, 1994, 55'
Lost, Lost, Lost, de Jonas Mekas, EUA, 1976, 180'
News from Home, de Chantal Akerman, França/Bélgica/RFA, 1976, 85'
Nobody's Business, de Alan Berliner, EUA, 1996, 60'
Pensão Globo, de Matthias Müller, Alemanha, 1997, 15'
La Pudeur et l'Impudeur, de Hervé Guibert, França, 1991, 58'
Sablé-sur-Sarthe, Sarthe, de Paul Otchakovsky-Laurens, França, 2007, 95'



A TRADIÇÃO EXPERIMENTAL


Autoportrait ou Ce qui Nous Manque à Tous, de Man Ray, França, ca. 1930, 11'
La Garoupe, de Man Ray, França, 1937, 9'
Wedlock House: An Intercourse, de Stan Brakhage, EUA, 1959, 11'
Window, Water, Baby, Moving, de Stan Brakhage, EUA, 1959, 12'
Kindering, de Stan Brakhage,EUA, 1987, 3’
I... Dreaming, de Stan Brakhage, EUA, 1988, 8'
Untitled (For Marilyn) , de Stan Brakhage, EUA, 1992, 11'
Notebook, de Marie Menken, EUA, 1940-62, 10'
Unsere Afrikareise, de Peter Kubelka, Áustria, 1966, 13'
Tarch Trip, de Hiroyuki Oki, Japão, 1993, 64'
Tentatives de se Décrire, de Boris Lehman, Bélgica / França / Canadá, 2005, 165'
Trying to Kiss the Moon, de Stephen Dwoskin, Grã-Bretanha, 1994, 95'



VENTO NORTE


All About my Father, de Even Benestad, Noruega/Dinamarca, 2002, 71'
Cool and Crazy, de Knut Erik Jensen, Noruega, 2001, 105'
Arks, de Karin Karlsson, Mita Moberg, Suécia, 2004, 13'
Beth's Diary, de Kent Klich, Mikala Krogh, Beth, Dinamarca, 2006, 33'
Enemies of Happiness, de Eva Mulvad, Anja Al-Erhayem, Dinamarca, 2006, 58'
Family, de Sami Martin Saif, Phie Ambo-Nielsen, Dinamarca, 2001, 91'
The Perfect Human, de Jørgen Leth, Dinamarca, 1967, 13'
The Five Obstructions, de Jørgen Leth, Lars von Trier, Dinamarca, 2003, 90'
Ghosts of Cité Soleil, de Asger Leth, Dinamarca, 2007, 88'
Hidden, de Hanna Heilborn, David Aronowitsch, Mats Johansson, Suécia, 2002, 8'
The Idle Ones, de Virpi Suutari, Susanna Helke, Finlândia, 2001, 81'
I Remember Lena Svedberg, de Carl Johan De Geer, Suécia, 1999, 6'
In the House of Angels, de Margreth Olin, Noruega, 1998, 97'
I Remember Lena Svedberg, de Carl Johan De Geer, Suécia, 1999, 6'
In the House of Angels, de Margreth Olin, Noruega, 1998, 97'
The Monastery</b>, de Pernille Rose Grønkjær, Dinamarca, 2006, 84'
My Body, de Margreth Olin, Noruega, 2002, 26'
Sin - A Documentary on Daily Offences, de Virpi Suutari, Susanna Helke, Finlândia, 1996, 36'
The Stars' Caravan, de Arto Halonen, Dinamarca/Finlândia, 2000, 56'
Suckers, de John Webster, Finlândia, 1993, 57'
Surplus - Terrorised into Being Consumers, de Erik Gandini, Suécia, 2002, 52'
Their Frozen Dream, de Jan Troell, Suécia, 1997, 60'



RISCOS E ENSAIOS


Compilation, 12 Instants d'Amour non Partagé, de Frank Beauvais, França, 2007, 40'
De Son Appartement, de Jean-Claude Rousseau, França, 2007, 70'
Un Jour à Marseille, de Mauro Santini, Itália, 2006, 51'
Nocturno, de João Nisa, Portugal, 2007, 27'
Notes on Marie Menken, de Martina Kudlácek, Áustria / EUA, 2006, 67'
(Posthume), de Ghassan Salhab, Líbano, 2007, 28'
Le Ravissement de Natacha, de Marcel Hanoun, França, 2007, 22'
Tentative d'Épuisement d'un Lieu Parisien, de Jean-Christian Riff, França, 2007, 73'
A Walk into the Sea: Danny Williams and The Warhol Factory, de Esther Robinson, EUA, 2007, 75'
Zoo, de Robinson Devor, EUA, 2006, 75'



RETROSPECTIVA LECH KOWALSKI


The Boot Factory, de Lech Kowalski, França/Polónia, 2000, 87'
Born to Lose: The Last Rock and Roll Movie, de Lech Kowalski, EUA, 2001, 100’
D.O.A./Dead on Arrival (A Right of Passage), de Lech Kowalski, EUA, 1981, 90'
East of Paradise, de Lech Kowalski, França, 2005, 10’
On Hitler's Highway, de Lech Kowalski, França/Polónia, 2002, 81’
Rock Soup, de Lech Kowalski, EUA, 1991, 81'
Winners and Losers, de Lech Kowalski, EUA/França, 2007, 80’



SESSÕES ESPECIAIS


Carnaval da Vitória, de António Ole, Angola, 1978, 40'
El Caso Pinochet, de Patricio Guzmán, França/Espanha/Bélgica/Chile, 2001, 108'
Despuès de la Revolución, de Vincent Dieutre, França, 2007, 55'
Winners and Losers, de Lech Kowalski, EUA/França, 2007, 80’
Karima, de Clarisse Hahn, França, 2003, 98'
Mopiopio, Sopro de Angola, de Zézé Gamboa, Angola, 1991, 55'
Elegy of Life: Rostropovich, Vishnevskaya, de Aleksandr Sokurov, 2006, Rússia, 110'
Morceaux de Conversations avec Jean-Luc Godard, de Alain Fleischer, França, 2007, 125'
Não me Obriguem a Vir para a Rua Gritar, de João Pedro Moreira, Rui de Brito, Portugal, 2007, 61'
Outras Frases, de Jorge António, Portugal/Angola, 2003, 52'
Le Papier ne Peut pas Envelopper la Braise, de Rithy Panh, França, 2006, 86'
Rostov-Luanda, de Abderrahmane Sissako, Mauritânia, 1997, 60'
Sicko, de Michael Moore, EUA, 2007, 74'
Sketches of Frank Gehry, de Sydney Pollack, EUA, 2005, 83'
Taxi to the Dark Side, de Alex Gibney, EUA, 2007, 105'
A Terra Antes do Céu, de João Botelho, Portugal, 2007, 63'
When the Levees Broke: a Requiem in Four Acts, de Spike Lee, EUA, 2006, 240'
Zidane, un Portrait du 21ème siècle, de Douglas Gordon, Philippe Parreno, França, 2004, 90'



MARATONADOC


Andy Warhol: a Documentary Film, de Ric Burns, EUA, 2006, 240'
Bomb It, de Jon Reiss, EUA, 2007, 94'
Brando, de Leslie Greif, Mimi Freedman, EUA, 2007, 165'
Crazy Love, de Dan Klores, EUA, 2007, 90'
Diary, de David Perlov, Israel, 1983, 330'
Knowledge is the Beginning, de Paul Smaczny, Alemanha, 2006, 115'
Manufacturing Dissent, de Rick Caine, Debbie Melnyk, Canadá, 2007, 74'
La Muñeca del Espacio, de David Moncasi, Espanha, 2006, 76'
Taxi to the Dark Side, de Alex Gibney, EUA, 2007, 105'



Para mais detalhes sobre o programa consultar o site oficial..






realizado por Rita às 00:16
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007
O Sabor da Melancia **

T.O.: Tian bian yi duo yun. Realização: Tsai Ming-liang. Elenco: Lee Kang-sheng, Chen Shiang-chyi, Lu Yi-Ching, Kuei-Mei Yang, Sumomo Yozakura. Nacionalidade: França / Taiwan, 2005.





Uma mulher vestida de enfermeira está deitada numa cama de pernas abertas. Presa entre elas está uma melancia, objecto da atenção da língua de um homem, que passa do paladar ao tacto introduzindo dois dedos na polpa vermelha da melancia, enquanto a mulher geme de prazer. Uma cena simultaneamente erótica e ridícula, que marca o tom de desaprovação moral que caracteriza “O Sabor da Melancia”.


Taipé está sob uma onda de seca e, à falta de água, a população recorre ao sumo de melancia para suprir as suas necessidades. (Ao longo do filme, torna-se inevitável ler, analogamente, a falta de amor como razão do recurso à pornografia.) Shiang-chyi (Chen Shiang-chyi) regressa a Taipé no contexto de uma forte seca que assola a zona. Aí, ela reencontra Hsiao-kang (Lee Kang-sheng) e ambos têm oportunidade de viver o seu amor. O que ela não sabe é que Hsiao-kang é agora um actor porno que se encontra a fazer um filme no mesmo prédio onde Shiang-chyi vive.

À semelhança de “Adeus, Dragon Inn” e “I Don't Want To Sleep Alone”, Tsai Ming-liang volta a abordar a temática da solidão, do desejo e da busca do amor. Mantendo-se fiel aos seus actores de sempre, e com o seu modus operandi de poucos diálogos e takes estáticos e longos, Ming-liang opta pela abordagem esteticamente forte da pornografia e do musical (os números artísticos, na minha humilde opinião totalmente despropositados, incluem, por exemplo, bailarinas acariciando uma estátua de Chiang Kai-Shek).


Entre estes dois amantes transpirados, pegajosos e sujos não há sexo. Como se a descoberta de sentimentos tivesse de ser isenta desse contacto, e como se o corpo apenas possa ser usado quando liberto de emoções e por isso objectificado. A falta de esperança (ou de água), a solidão e a angústia impedem que a experiência sexual seja íntima e emocional. E é neste contexto que Tsai Ming-liang concebe a pornografia.


Acho esta visão demasiado redutora e talvez seja isso que me manteve longe da experiência emocional que Tsai Ming-liang pretendia. Mas louvo aquele momento intenso – e erótico –quando ambos descansam debaixo da mesa após o jantar e Shiang-Chyi prende um cigarro entre os dedos do pé e dá-o a fumar a Hsiao Kang.


Não gosto de melancia. Nem sem bem se pelo sabor se pela consistência. Obviamente que não é pela estética, porque poucos frutos serão tão atraentes. Com “O Sabor da Melancia” passa-se um pouco a mesma coisa.






realizado por Rita às 02:50
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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