CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Quinta-feira, 31 de Maio de 2007
FESTROIA 2007




Começa amanhã a 23ª edição do FESTROIA. Este ano o festival fará uma homenagem a Mário Ventura e ao cinema espanhol. Estarão incluídas uma mostra de clássicos alemães e uma retrospectiva da obra do realizador Billy Wilder. Os homenageados com o Golfinho de Carreira serão o actor britânico Christopher Lee e o realizador checo Jirí Menzel. Nesta edição foi ainda criado um novo Prémio SAPO Vídeos de Curtas Digitais, direccionado a novos talentos.


O júri do festival, este ano presidido pelo actor britânico Charles Dance, irá deliberar sobre as quatro habituais secções competitivas:


SECÇÃO OFICIAL
AFTER THE WEDDING, de Susanne Bier (Dinamarca, 122’)
ARMIN, de Ognjen Svilicic (Croácia/Bósnia/Alemanha, 82’) AVIVA MY LOVE, de Shemi Zarhin (Israel, 107’ BORDERPOST, de Rajko Grlic (Sérvia/Croácia/Eslovénia Macedónia/Bósnia/UK, 94’) EL CAMINO DE SAN DIEGO, de Carlos Sorin (Argentina/Espanha, 98’)
FALSE ALARM, de Katerina Evangelakou (Grécia, 88’)
FROZEN CITY, de Aku Louhimies (Finlândia, 92’)
HEARTBREAK HOTEL, de Colin Nutley (Suécia, 98’)
ISKA’S JOURNEY, de Csaba Bollock (Hungria, 75’)
LATE BLOOMERS, de Bettina Oberli (Suiça, 87’)
MADRIGAL, de Fernando Pérez (Cuba/Espanha, 112’)
PLEASANT MOMENTS, de Vera Chytilová (Rep. Checa, 108’)
THE OPTIMISTS, de Goran Paskaljevic (Sérvia, 98’)
THE SWORD BEARER, de Philipp Jankovsky (Rússia, 110’)

PRIMEIRAS OBRAS
ALL FOR FREE, de Antonio Nuic (Croácia/Bósnia/Sérvia, 94’)
CIUDAD EN CELO, de Hernan Gaffet (Argentina/Espanha, 104’)
EL VIOLIN, de Francisco Vargas Quevedo (México, 98’)
FRAULEIN, de Andrea Staka (Suiça/Alemanha/Bósnia, 81’)
HEART EDGES, de Hicham Ayouch (Marrocos, 87’)
LO QUE SÉ DE LOLA, de Javier Rebollo (Espanha/França, 100’)
PRINCESS, de Birgit Grosskopf (Alemanha, 81’)
REPRISE, de Joachim Trier (Noruega/Suécia, 106’)
RETRIEVAL, de Slawomir Fabicki (Polónia, 103’)
SONS, de Eric Richter Strand (Noruega, 103’)
THE ART OF CRYING, de Peter Schonau Fog (Dinamarca, 105’)
VANAJA, de Rajnesh Domalpalli (Índia/EUA, 111’)

O HOMEM E A NATUREZA
CARPA DIEM, de Sergio Cannella (Itália, 2’)
CHERNOBYL: THE INVISIBLE THIEF, de Christoph Boekel (Alemanha, 59’)
CHOCOLATE CON CHURROS, de Mario Espinosa (Espanha, 5’)
CLANDESTINO, de Sylvain Rigollot (França, 15’)
COVER BOY… LAST REVOLUTION, de Carmine Amoroso (Itália, 97’)
CURFEW HOUR, de Levan Adamia (Georgia. 20’)
GREY MATTER, de Ina van Beek (Holanda. 25’)
HOW MUCH I OWE YOU, de Bouffard Olivier (França, 27’)
LULLABY, de Margreth Olin (Noruega, 30’)
MATOPOS, de Stéphanie Machuet (França, 11’)
MESSAOUD, de Omar Mouldouira (Marrocos, 8’)
MILAN, de Michaela Kezele (Sérvia/Alemanha, 23’)
MY LIFE AT 40, de Laurie Hill (Inglaterra, 8’)
NASIJA, de Guillermo Rios (Espanha, 11’)
ON THE WINGS OF DREAMS, de Golam Rabbany Biplob (Bangladesh, 88’)
SELVAGENS: A ÚLTIMA FRONTEIRA, de Filipe Araújo (Portugal, 30’)
TAMBOGRANDE, de E. Cabellos e S. Boyd (Peru, 85’)
THE GATHERING, de Kim Kindersley (Austrália, 86’)
THE POWER OF COMMUNITY: HOW CUBA SURVIVED PEAK OIL, de Faith Morgan (E.U.A., 53’)
THE STARFISH, de Caroline Deruas (França, 22’)
TIME’S BECKON, de Bapee Daas (Índia, 10’)

INDEPENDENTES AMERICANOS
BOY CULTURE, de Q. Allan Brocka (88’)
CHALK, de Mike Akel (85’)
CHOKING MAN, de Steve Barron (85’)
MAN IN THE CHAIR, de Michael Schroeder (107’)
THE DEAD GIRL, de Karen Moncrieff (85’)
THE TREATMENT, de Oren Rudavsky (86’)



NOTA ECOLÓGICA:

“O Festroia 2007 é o primeiro festival internacional de cinema CarbonoZero®. Isto significa que as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) resultantes das actividades do festival serão quantificadas e compensadas, através do sequestro de uma quantidade equivalente de dióxido de carbono (CO2) numa área de nova floresta autóctone em Portugal, anulando assim o respectivo efeito no clima. O projecto envolve a contabilização das emissões associadas à energia consumida nas salas e restantes espaços onde decorre o festival, ao tratamento dos resíduos produzidos, ao transporte de carga e às deslocações da organização, convidados e público.”






realizado por Rita às 00:44
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007
Muito barulho por nada



Confesso a minha declarada frustração com aquele que é supostamente um ícone da cinematografia porno mundial.


O DVD, comprado em Londres, sem qualquer tipo de extras (sugiro um pack conjunto com o documentário de 2006 “Inside Deep Throat” de Fenton Bailey e Randy Barbato), tem um som mono de péssima qualidade. Pode-se defender que o som é o de somenos importância neste tipo de produção, especialmente tendo em conta o argumento pseudo-freudiano e os ridículos diálogos, mas confesso que esperava imagens bastante mais explícitas. É de facto espantoso como o enquadramento dos planos consegue ficar exactamente na margem do que se pretende ver. E a maioria das vezes é impossível fugir ao riso.


Tudo bem, falta-me subtileza. Mas sempre me irritou a falta de coragem para assumir os riscos na sua totalidade. Suponho que deveria fazer o exercício de viagem temporal e tentar perceber o impacto de uma obra deste tipo dentro do seu contexto histórico, mas falta-me a paciência para o fazer. Eu só queria um filme porno...






realizado por Rita às 08:49
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Terça-feira, 29 de Maio de 2007
FESTIVAL DE CANNES 2007




A 60ª edição do Festival de Cinema de Cannes, concluída no passado dia 27, premiou os seguintes filmes:




LONGAS-METRAGENS

Palma de Ouro
4 LUNI, 3 SAPTAMINI SI 2 ZILE (4 MONTHS, 3 WEEKS AND 2 DAYS), de Cristian Mungiu

Prémio 60º Aniversário
PARANOID PARK, de Gus Van Sant

Grande Prémio
MOGARI NO MORI, de Naomi Kawase

Prémio de Argumento
FAITH AKIN, por AUF DER ANDEREN SEITE (THE EDGE OF HEAVEN)

Prémio de Realização
JULIAN SCHNABEL, por LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON

Prémio de Interpretação Masculina
LAVRONENKO, em IZGNANIE (THE BANISHMENT) de Andreï ZVIAGUINTSEV

Prémio de Interpretação Feminina
JEON DO YEON, em SECRET SUNSHINE de LEE Chang-dong

Prémio do Júri - ex-æquo
PERSEPOLIS, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud
STELLET LICHT (SILENT LIGHT), de Carlos Reygadas


CAMERA D’OR

Prémio
MEDUZOT (LES MÉDUSES), de Etgar Keret e Shira Geffen

Menção Especial
CONTROL, de Anton Corbijn


CURTAS-METRAGENS

Palma de Ouro
VER LLOVER, de Elisa Miller

Menção Especial
AH MA (GRANDMA), de Anthony Chen
RUN, de Mark Albiston


UN CERTAIN REGARD

Prémio Un Certain Regard - Fondation Gan pour le Cinéma
CALIFORNIA DREAMIN' (NESFARSIT) (CALIFORNIA DREAMIN' (ENDLESS)), de Cristian Nemescu

Prémio Especial do Júri
ACTRICES (ACTRESSES (DREAMS OF THE NIGHT BEFORE)), de Valeria Bruni-Tedeschi

Coup de Cœur
BIKUR HATIZMORET (THE BAND'S VISIT), de Eran Kolirin


CINÉFONDATION

Primeiro Prémio
AHORA TODOS PARECEN CONTENTOS, de Gonzalo Tobal

Segundo Prémio
RU DAO (WAY OUT), de Chen Tao

Terceiro Prémio - ex-æquo
A REUNION, de Hong Sung-Hoon
MINUS, de Pavle Vuckovic


PRÉMIO VULCAIN DE ARTISTA-TÉCNICO

JANUSZ KAMINSKI, pelo seu trabalho na montagem do filme LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON




realizado por Rita às 22:03
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007
(parêntesis)

Hoje o filme é outro.
Naquele que promete ser mais um momento inesquecível.


Vou passar a noite com este senhor:






E estou a contar que ele me diga coisas deste género:



THE SPACE BETWEEN

You cannot quit me so quickly
Is no hope in you for me
No corner you could squeeze me
But I’ve got all the time for you love

The space between
The tears we cry is the laughter that keeps us coming back for more
The space between
The wicked lies we tell to keep us safe from the pain

Will I hold you again

(...)






CRASH

You've got your ball
you've got your chain
Tied to me tight tie me up again
Who's got their claws
in you my friend
Into your heart I'll beat again
Sweet like candy to my soul
Sweet you rock
and sweet you roll
Lost for you I'm so lost for you
You come crash into me
And I come into you,
I come into you
In a boys dream

(...)






DREAMGIRL

(...)

I was feeling like a creep
as I watched you asleep
face down in the grass in the park
in the middle of a hot afternoon
Your top was untied and I thought how nice
It'll be to follow the sweat down your spine

You're like my best friend
After a good good drunk...you and me
Wake up and make love after a deep sleep
where I was dreaming
I was dreaming of a
Dream Girl

(...)



(Dave Matthews Band)






realizado por Rita às 07:30
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Quinta-feira, 24 de Maio de 2007
DOC’S KINGDOM



Entre 19 e 24 de Junho terá lugar em Serpa a quinta edição do Seminário Internacional sobre Cinema Documental DOC’S KINGDOM, um evento que se posiciona como um ponto de encontro e reflexão sobre o cinema documental contemporâneo.


Já estão confirmadas as presenças do realizador etnográfico David MacDougall, do alemão Peter Nestler e dos franceses Vladimir Léon e Pierre Creton.


Data limite de inscrição: 8 de Junho.






realizado por Rita às 00:58
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VII Encontros de Viana – CINEMA E VÍDEO

Na secção competitiva PrimeirOlhar dos VII Encontros de Viana, finalizados no passado dia 13, o prémio oficial foi atribuído ex aequo aos filmes “Rockumentário” de Sandra Castiço e “Bom Dia, Noite”, de Rui Costa. O prémio PrimeirOlhar - Cineclubes coube ao filme “Minotauro” de Patrícia Leal.



“ROCKUMENTÁRIO”, de Sandra Castiço




Kaló, Filipe, Calhau e André personificam o rock’n’roll que define os Bunnyranch, uma das mais estimulantes bandas portuguesas, surgidas do contexto rock’n’roll que caracteriza Coimbra. Com apenas quatro anos de vida, um EP e um CD lançados, contam já com actuações em Espanha, Holanda, Inglaterra e por todo o Portugal. O seu som incaracterístico e explosivo, aliado à sua postura em palco são as marcas da banda. É acompanhando de perto os quatro, na sua relação com os amigos, a música e cidade que nos apercebemos que são a sua atitude, carisma e estilo de vida que os distingue, fazendo deles uma banda promissora. Os Bunnyranch parecem imparáveis. No entanto, algo vai acontecer e mudará a banda para sempre.




“BOM DIA, NOITE”, de Rui Costa


“Bom Dia, Noite” é um filme que penetra no mundo do trabalho da força de elite de limpeza da cidade do Porto: os cantoneiros de limpeza do turno das 20h30. Quem são estes homens que correm atrás do camião? Como trabalham?




“MINOTAURO”, de Patrícia Leal




O labirinto não tem de ser resolvido, tem de ser explorado. Mas quem foi Minotauro? Minotauro vivo um jogo de milhares de reflexos do próprio corpo e da sua sombra, que se reproduzem no infinito. O ilusório de qualquer tentativa de fuga… um monstro com cabeça de touro e corpo humano, mantido prisioneiro num labirinto de espelhos. Lá fora esperam os humanos que externam os sentimentos e emoções que ele poderia sentir: amor, felicidade e infelicidade, medo e tormento. Mas que, dada a sua natureza, ele não pode sentir. E nós, por quem torcemos?






realizado por Rita às 00:38
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2007
Indigènes - Dias de Glória ***1/2

Realização: Rachid Bouchareb. Elenco: Jamel Debbouze, Samy Naceri, Roschdy Zem, Sami Bouajila, Bernard Blancan, Assaad Bouab, Mathieu Simonet, Benoît Giros, Antoine Chappey. Nacionalidade: França / Marrocos / Argélia / Bélgica, 2006.





Os “indígenas” são os mais de 100.000 magrebinos provenientes das colónias francesas em África que combateram pela França durante a Segunda Guerra Mundial. O filme do argelino Rachid Bouchareb, nomeado para o Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira, segue um grupo deste homens desde o seu recrutamento na Algéria em 1943, o seu magro treino em Marrocos, a sua primeira batalha em Itália, até França e à sua última batalha na Alsácia, aguardando o reforço das tropas aliadas.


O argumento de Bouchareb e Olivier Lorelle acompanha a história episódica de um grupo de árabes: Saïd (Jamel Debbouze - “Amélie”, “Angel-A”), que deixa a pobreza da sua casa para se alistar no exército, acabando por se tornar assistente pessoal do Sargento Martinez (Bernard Blancan); o inteligente Cabo Abdelkader (Sami Bouajila) que ambiciona uma carreira militar; o romântico Messaoud (Roschdy Zem), que se apaixona por uma francesa em Marselha; e os irmãos marroquinos Yassir (Samy Naceri) e Larbi (Asaad Bouab), tentando sobreviver e juntar dinheiro (mesmo pelo saque) para poder casar Larbi.


Apesar de nunca terem visto aquele país e da família de muitos deles ter sido massacrada pelo colonizador em nome da “pacificação”, estes homens consideram-se cidadãos franceses. Os oficiais exploram o seu (irónico) patriotismo, fazendo-lhes promessas ilusórias, para que morram pela “mãe-pátria”, uma mãe que os trata como filhos bastardos e que apenas espera que eles sigam cegamente as suas ordens. Mas o sentido do dever é abalado pela desconfiança, quando começam a perceber que o apregoado lema da “liberdade, igualdade e fraternidade” parece não se estender a eles. À sua luta contra o nazismo, acrescenta-se a luta contra o racismo dentro das suas próprias fileiras. Nem sequer as fardas os tornam iguais. Tratados como inferiores, e a quem é negado equipamento, promoções e até um simples tomate na sua ração. A discriminação é ainda mais gritante no caso dos negros sub-saharianos.


As cenas de batalha são de forte impacto, sobretudo porque a câmara se move como estando ao lado destes homens. Mas o elemento de maior força simbólica neste filme é a terra, nas explosões mas também como elemento de nacionalidade e de pertença (afinal de contas, nem toda ela cheira ao mesmo).


As personagens de “Indigènes” não fogem a tipificações e o filme é consideravelmente panfletário, especialmente nas suas cenas finais. Relevando esse facto, há que valorizar o elemento de chamada de atenção, recordando a França (e o mundo) do injusto tratamento a que votou estes homens. Em 1959, com a descolonização, o governo francês congelou as pensões dos ex-combatentes não-franceses. Todos os sucessivos governos se recusaram a suprir esta dívida e somente em 2006, com a saída de “Indigènes”, o Presidente Jacques Chirac rectificou esta medida.


Infelizmente, estas desigualdades não terminam na Segunda Guerra Mundial. O valor do ser humano não se mede pela utilidade que ele tem para nós em determinado momento. Até conseguirmos respeitar a dignidade inerente a cada um, como parte de uma sociedade que não se extingue no nosso pequeno bairro nem nos nossos pequenos objectivos nunca poderemos, com efeito, apregoar um conceito de “humanidade”.






realizado por Rita às 20:14
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Terça-feira, 22 de Maio de 2007
1ª Mostra de Cinema Romeno




Entre 6 a 24 de Junho, terá lugar a primeira Mostra de Cinema Romeno em Portugal. Este evento, dividido entre as cidades de Coimbra (6 a 9 de Junho, Teatro Gil Vicente), Porto (12 a 15 de Junho, Cinema Passos Manuel) e Lisboa (21 a 24 de Junho, Cinema Quarteto), e organizado do Centro Cultural Romeno de Lisboa visa divulgar o que de mais recente se tem feito na cinematografia romena.


Entre curtas-metragens, longas-metragens e documentários, esta é uma oportunidade a não perder para ver obras da autoria de Cristi Puiu (realizador de “The Death of Mr. Lazarescu” - uma chamada de atenção para quem noutro dia me questionava sobre como e onde ver este filme), Catalin Mitulescu, Alexandru Solomon, Corneliu Porumboiu, Radu Muntean, Florin Iepan, Radu Jude e Cristian Mungiu.






Mais informações em www.semanaromena.com.






realizado por Rita às 21:25
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2007
Zodiac ****

Realização: David Fincher. Elenco: Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo, Robert Downey Jr., Anthony Edwards, Brian Cox, Elias Koteas, Donal Logue, John Carroll Lynch, Chloë Sevigny. Nacionalidade: EUA, 2007.





Do final dos anos 60 até ao início da década de 70, um serial killer auto-denominado Zodiac reclamou 37 assassinatos na zona de São Francisco. O número pode ter sido exagerado por uma fome de fama, mas pelo menos cinco desses crimes são garantidamente de sua autoria.


David Fincher (“Seven”, “Fight Club”) que cresceu nessa zona, revisita o tempo de terror e tensão vividos pela população e os esforços das equipas de investigação - polícia e imprensa. O filme “Zodiac” baseia-se no livro homónimo de Robert Graysmith, um cartoonista que trabalhava no jornal San Francisco Chronicle e que é aqui interpretado por Jake Gyllenhaal. À semelhança de outras publicações o The Chronicle recebeu cartas e cifras de Zodiac com ameaças e troçando do trabalho policial. O caso estava nas mãos de Paul Avery (Robert Downey, Jr.), um jornalista rebelde que tentava cobrir todos os ângulos de uma investigação que abrangia várias jurisdições. Mas o fascínio de Graysmith por puzzles fê-lo acompanhar de perto os desenvolvimentos, coleccionando toda a informação existente. Do lado da polícia, os crimes perpetrados pelo Zodiac estavam a cargo dos detectives David Toschi (Mark Ruffalo) e William Armstrong (Anthony Edwards), da polícia de São Francisco, do Sargento Jack Mulanax (Elias Koteas) em Vallejo, e do detective Ken Narlow (Donal Logue) no condado de Napa Valley.


O filme de Fincher centra-se em Graysmith, Avery e Toschi e sobre a sua incapacidade, a título individual, de deixarem este mistério sem solução, da sua obsessão pela verdade e das consequências da mesma na vida pessoal de cada um deles. Mas “Zodiac”, mais do que preocupar-se pela personagem que lhe dá o nome (ou pelas cogitações sobre a sua psicologia), foca o terror da ameaça velada que a sua simples existência implica na comunidade (a cidade de São Francisco esteve inclusive sob recolher obrigatório). “Zodiac” alude igualmente, de uma forma nada ostensiva, à fome dos media pela história de Zodiac. Um apetite que é recíproco, desde a fixação de Zodiac no filme “The Most Dangerous Game” (Irving Pichel e Ernest B. Schoedsack, 1932) à preocupação por quem o interpretará quando a sua história for adaptada ao cinema.


O grande desafio de Fincher é manter o nosso interesse numa história sem desfecho, ou melhor, uma história baseada num crime que oficialmente está ainda por resolver. Abdicando desde logo dessa ilusão, Fincher coloca-nos dentro da obsessão das suas três personagens centrais. Entre pistas, suspeitos, ficheiros perdidos, informação não partilhada e frustrantes becos sem saída, acompanhamos com prazer o trabalho de dedução dos jornalistas e da polícia (numa versão bem mais real do que estamos habituados) na tentativa de juntar os pedaços de informação num todo coerente. Saltando de pergunta em pergunta somos conduzidos às mesmas respostas (ou dúvidas) que os investigadores.


A realização de Fincher e o argumento de James Vanderbilt constroem uma história de detalhe, suspense muitas vezes hitchockiano, planos belíssimos e crimes habilmente filmados. Do design de produção de Donald Graham Burtcom vai um destaque para a sala da redacção, totalmente seventies. No campo dos efeitos especiais, o belíssimo recurso de passagem temporal com a construção acelerada da Transamerica Pyramid.


É exactamente no tema tempo que poderão haver algumas críticas a “Zodiac” e ao seu ritmo. Críticas com as quais discordo, porque me parece essencial, por um lado, captar os detalhes envolvidos num processo deste tipo, e, por outro, apercebermo-nos da extensão temporal deste dramático episódio, numa investigação que se arrastou durante diversos anos de uma forma errática.


Sou uma fã praticamente incondicional de Fincher (apenas um minor disappointment com “Panic Room”) e “Zodiac” faz total jus ao seu talento. E uma peça essencial desse êxito é a matéria prima interpretativa: um trio de poderosos actores apoiados por uma série de secundários de elevada categoria (persiste ainda a perturbante imagem de Jake Gyllenhaal, numa das cenas finais, quando olha nos olhos aquele que ele acredita ser o responsável pelos crimes).


Em “Seven” Fincher deu-nos a ficção do serial killer, em “Zodiac” dá-nos a realidade. Ao contrário da primeira, onde é possível uma resolução (seja ela optimista ou pessimista), na vida nem sempre as culpas encontram a sua origem.











realizado por Rita às 22:55
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Domingo, 20 de Maio de 2007
O Chefe Disto Tudo - Direktøren for det Hele ****

Realização: Lars Von Trier. Elenco: Jens Albinus, Peter Gantzler, Friðrik Þór Friðriksson, Benedikt Erlingsson, Iben Hjejle, Henrik Prip, Louise Mieritz, Mia Lyhne, Jean-Marc Barr, Casper Christensen, Sofie Gråbøl, Anders Hove. Nacionalidade: Dinamarca / Suécia / Islândia / Itália / França / Noruega / Finlândia / Alemanha, 2006.





Ravn (Peter Gantzler) é dono de uma empresa de Tecnologias de Informação que decidiu evitar conflitos com os seus empregados inventando um director para a empresa com a responsabilidade das decisões mais impopulares. Uma das quais é a venda da empresa a um magnata islandês, Finnur (Friðrik Þór Friðriksson). Mas para prosseguir com as negociações este exige a presença do director da empresa. Ravn decide então contratar o actor de método Kristoffer (Jens Albinus). Com um péssimo briefing e tendo de conviver com as erróneas percepções que cada um dos empregados tem da figura do director, Kristoffer ver-se-á obrigado a tomar decisões (morais) pela sua personagem.


Depois de liberdade de câmara ao ombro do Dogma95 e da rigidez espacial de “Dogville” e “Manderlay”, Von Trier adoptou agora uma nova técnica de filmagem - Automavision. Após escolher uma série de ângulos e planos, um programa de computador selecciona automaticamente as melhores opções segundo critérios predefinidos, estabelecendo mesmo a sequência de montagem. O objectivo é limitar a interferência humana e libertar o trabalho do hábito e da estética. O lado positivo desta opção é o efeito de documentário (na senda Dogma 95) conseguido pela naturalidade dos planos, o lado negativo é que, muitas vezes temos personagens a desaparecerem do ecrã simplesmente porque nem a câmara se move, nem o plano é aberto.


Fugindo do seu habitual tom dramático, Lars Von Trier envereda pela comédia com o domínio de quem é, de facto, o “chefe disto tudo”. Aliás, é a sua voz off que avisa de início o espectador de que este filme se trata de uma comédia e, portanto, não deverá ser merecedora sequer de um momento de reflexão. Ora, é mesmo isso que apetece fazer.


“O Chefe Disto Tudo” é uma sátira sobre o mundo empresarial e sobre a manipulação dos trabalhadores através do engano. Mas é também um olhar sobre o trabalho do actor e o processo de construção de uma personagem incoerente e que é, com efeito, várias. Entre os hilariantes mal-entendidos e a divertida rivalidade entre dinamarqueses e islandeses, um homem tenta desesperadamente defender as acções de “outro” e resolver os problemas por ele criados. A dura realidade é que a melhor forma de evitar o confronto é atribuir a responsabilidade a uma instância superior (seja ela um chefe ou um deus).











realizado por Rita às 14:32
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Sábado, 19 de Maio de 2007
Monstra | 07




De 21 a 27 de Maio, A MONSTRA | Festival de Animação de Lisboa, na sua 6ª edição, promete animar a cidade com cinema, exposições e espectáculos.


A MONSTRA compreende uma competição de curtas e longas-metragens, uma retrospectiva de autores de relevo - este ano coube a vez aos russos, a transversalidade artística (artes plásticas, música, dança, teatro), acções de formação em animação, e a Monstrinha - especialmente destinada ao público infantil.


A sessão de lançamento terá lugar no dia 16 de Maio no Cabaret Maxime.


Programa e detalhes em http://www.monstrafestival.com/.






realizado por Rita às 11:46
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Trust the Man **

Realização: Bart Freundlich. Elenco: David Duchovny, Julianne Moore, Billy Crudup, Maggie Gyllenhaal, Eva Mendes. Nacionalidade: EUA, 2005.





Rebecca (Julianne Moore) é uma famosa actriz prestes a estrear uma peça de teatro. Tom (David Duchovny), o seu marido, é um ex-publicitário que desistiu da sua carreira para tomar conta da casa e dos seus dois filhos. Entre os dois existem problemas de natureza sexual (ele parecendo querer muito e ela pouco) que as sessões anuais de terapia não parecem resolver. O irmão mais novo de Rebecca e melhor amigo de Tom, Tobey (Billy Crudup) tem uma relação de sete anos com Elaine (Gyllenhaal), que parece estar a caminhar para sítio nenhum. No cerne deste conflito está a vontade dela de casar e ter filhos e imaturidade dele.


Antes demais espero que este filme não seja espelho de nenhuma realidade. Primeiro, porque resume os homens a irritantes idiotas. Segundo, porque resume as mulheres a irritantes idiotas. Enquanto uns se tentam redimir de uma culpa das qual as outras parecem estar totalmente isentas, as tentações dos homens (materializadas nas bombásticas Eva Mendes e Dagmara Dominczyk) são muito mais interessantes que as das mulheres (os entediantes Justin Bartha, James LeGros e Glenn Fitzgerald), o que as faz parecer mais fortes e as coloca do lado bom.


Apesar da boa química entre os actores, o argumento de Bart Freundlich (marido da sempre linda Julianne Moore) coloca personagens caricaturais em situações artificiais, rodeando todo o filme de uma atmosfera de falsidade que é preciso aceitar desde início, sob pena de dar o tempo por mal empregue. “Trust the Man” refugia-se no humor fácil (incluindo dispensáveis piadas escatológicas) para lidar com as crises de vida das suas personagens, sem nunca as enfrentar com seriedade (o que poderia ser feito satiricamente). Na base existem as dúvidas naturais que, mais cedo ou mais tarde, nos assaltam a todos, e projectos de vida que é necessário assumir ou então deixar definitivamente para trás. Como sucede aqui, o amor poderá ser a solução – desde que se escolha esquecer (a recuperação da confiança é uma questão habilmente evitada).


Dois esclarecimentos quanto ao moralismo subjacente ao happy ending: (1) ser adulto não quer dizer que se queira casar e ter filhos, nem a recusa desse caminho significa obrigatoriamente imaturidade; (2) descobrir quem somos pode (deve?) ser um caminho feito em conjunto com as pessoas que amamos, não necessariamente longe (ou afastando-nos) delas.


Vá lá, depois de um petisco de caracóis, já com sabor a Verão, um inofensivo feel good movie não é assim tão chocante.






TAGLINE:


Could you? Would you? Should you?




EVERYTHING
Ben Harper

Behind all of your tears
There's a smile
There's a smile
Behind all of the rain
There's a sunshine
For miles and miles

Oh- Everything
Everything
You mean everything
You mean everything
Everything to me
Everything to me

The colors of your garden
They're yellow, blue and green
And the sound of your sweet voice
It's better than all my dreams

Oh- Everything
Everything
You mean everything
You mean everything
Everything to me
Everything to me

Your my first thought in the morning
When I rise
Oh- when I rise
You're my last thought in the evening
When I rest my head at night

Oh- Everything
Everything
You mean everything
You mean everything
Everything to me
Everything to me

Oh- Everything
Everything
You mean everything
You mean everything
Everything to me
Everything to me
Everything to me
Everything to me






realizado por Rita às 11:22
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2007
Re-cycle *

T.O.: Gwai wik. Realização: Oxide Pang Chun e Danny Pang. Elenco: Angelica Lee, Lawrence Chou, Siu-Ming Lau, Qiqi Zeng. Nacionalidade: Tailândia / Hong Kong, 2006.





Os realizadores de “The Eye” (2002) trouxeram aquela que foi a especial desilusão dos filmes do Fantasporto que passaram por estes dias no Quarteto, em Lisboa. Deixei-me seduzir pela superficialidade do prémio de Melhores Efeitos Especiais mas, de facto, este filme pouco mais é do que um exercício técnico visual.


Ting-Yin (Angelica Lee) é uma bem sucedida escritora que, depois do êxito da sua obra romântica, resolve enveredar pela temática sobrenatural. A urgência para terminar o seu novo livro “Re-cycle”, e o reaparecimento de um antigo namorado, provocam uma forte pressão psicológica em Ting-Yin, que começa a sentir-se ameaçada por uma estranha presença.


Enquanto os realizadores se mantêm no espaço fechado da casa de Ting-Yin, a sua eficácia é razoável, com bons movimentos de câmara e um uso dos efeitos sonoros que criam a tensão necessária. Infelizmente, isso dura pouco tempo. Assim que se saem de casa e se adentram no mundo interior de Ting-Yin, o argumento desfaz-se em cenas que se amontoam sem outro sentido que não seja o de se superarem visualmente.


A heroína desta história desperta tão pouca empatia que no momento do clímax dramático, com as lágrimas a escorrerem-lhe esteticamente pela cara, se ouve um riso sonoro em toda a plateia, tamanho é o ridículo de toda a história. No final, resta uma mensagem moralista que apenas consegue ter um efeito oposto a si mesma. Talvez haja obras que, simplesmente, não deviam ganhar vida.






realizado por Rita às 00:08
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2007
Fracture ***

Realização: Gregory Hoblit. Elenco: Anthony Hopkins, Ryan Gosling, David Strathairn, Rosamund Pike, Embeth Davidtz, Billy Burke, Cliff Curtis. Nacionalidade: EUA, 2007.





Ted Crawford (Anthony Hopkins) é um engenheiro de estruturas que, depois de descobrir que a sua mulher, Jennifer (Embeth Davidtz), está a ter um caso com outro homem, lhe dá um tiro na cabeça e confessa o seu crime à polícia. Willy Beachum (Ryan Gosling) é o promotor público a quem é entregue o caso, um jovem ambicioso que está prestes a passar para uma grande empresa e para o dinheiro do direito corporativo. O caso parece simples, existe uma confissão verbal e outra assinada, bem como a arma do crime. Mas nem tudo é o que parece, começando pelo facto do detective que toma conta do assassinato, Rob Nunally (Billy Burke), ser o amante da vítima.


Gregory Hoblit (realizador de episódios de “Hill Street Blues”, “NYPD Blue” e “L.A. Law“) constrói um thriller cheio de jogos mentais. De um lado está Hopkins, um homem com a capacidade de descobrir as mínimas falhas numa construção maciça e que desenha um plano meticuloso onde a ausência de provas impossibilita a sua condenação. Hopkins é um mestre na frieza calculista e na intimidação e o seu casting é perfeitamente previsível, o que não prejudica de modo algum a sua eficácia. Do outro lado está Gosling, com uma presença e expressividade capazes de equilibrar a balança do veterano, um homam lutando com o seu próprio ego e obrigado a fazer escolhas morais cada vez mais difíceis.


O argumento de Daniel Pyne e Glen Gers está bem estruturado, com voltas na narrativa que vão construindo desafios progressivamente maiores, e permitindo uma agradável disputa de intelectos. Dispensava-se, no entanto, o romance entre Willy Beachum e Nikki Garner (Rosamund Pike), com uma nota de falsidade e que parece existir por meras razões comerciais.


Uma palavra sobre o design de produção de Paul Eads e as fabulosas máquinas Rube Goldberg utilizadas, da autoria do professor de música holandês Mark Bishoff (Rube Goldberg machine: (1) Accomplishing by extremely complex roundabout means what actually or seemingly could be done simply. WEBSTER’S DICTIONARY; (2) Any exceedingly complex apparatus that performs a very simple task in a very indirect and convoluted way. WIKIPEDIA).


Todos nós temos alguma fraqueza, pequenas imperfeições, fissuras no nosso carácter que podem servir de arma para outros. Negá-las é pura arrogância. Não é à toa que quem melhor nos conhece é também quem mais nos pode ferir.






realizado por Rita às 01:35
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2007
Cannes 2007

Dois belíssimos posters na edição de celebração dos 60 anos do Festival de Cannes, com início hoje.




Souleymane Cisse, Wong Kar Wai, Penélope Cruz, Juliette Binoche, Jane Campion, Gerard Depardieu, Bruce Willis, Samuel L. Jackson e Pedro Almodovar





Secção ‘UN CERTAIN REGARD’






realizado por Rita às 07:29
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Ne Le Dis À Personne ***

Realização: Guillaume Canet. Elenco: François Cluzet, André Dussollier, Marie-Josée Croze, Kristin Scott Thomas, Nathalie Baye, François Berléand, Jean Rochefort, Gilles Lellouche, Olivier Marchal, Florence Thomassin, Marina Hands, Jalil Lespert. Nacionalidade: França, 2006.





Naquele que seria o dia de aniversário do seu casamento, Alex Beck (Francois Cluzet) recebe um e-mail com um link para uma câmara de vigilância na rua que lhe mostra uma imagem em tempo real da sua mulher Margot (Marie-Josée Croze), morta há 8 anos. Na altura as suspeitas recaíram sobre um serial killer, que sempre negou esse crime. Mas a recente descoberta de dois corpos começa a lançar dúvidas sobre essa explicação, colocando o próprio Alex como possível autor do crime. Sob vigilância cerrada, Alex vê-se obrigado a fugir, não só para provar a sua inocência, mas sobretudo para descobrir a verdade acerca da sua mulher.


Depois de “Mon Idole” (2002), o actor Guillaume Canet (“Jeux d'Enfants”) regressa à realização com a adaptação do livro 'Tell No One' de Harlan Coben. Fazendo uso das típicas pistas falsas, segredos e corrupção, Canet faz um bom uso do humor, e incute ao filme um ritmo irrepreensível com opções estéticas de grande bom gosto, como é o caso da brilhante cena da auto-estrada. É talvez por isso que a travagem necessária para momentos de revelação acabe por ser denunciadora e se sentir como demasiado forçada.


Bastará uma pequena atenção aos pormenores para decifrar o cerne da intriga. E há que conseguir negligenciar outros, como o facto de aqui as passwords não aparecerem como asteriscos, para conseguir continuar a acreditar na história. Mas ainda que saibamos qual o desfecho há um considerável prazer em ver de que forma o herói chegará à verdade. Sobretudo devido à interpretação tremendamente física de François Cluzet. No global, as personagens são consideravelmente caricaturais, numa vertente bastante unidimensional, mas o apoio de secundários da categoria de Kristin Scott Thomas, André Dussollier e François Berléand fazem com que “Ne Le Dis À Personne” se mantenha à tona.


Não é um filme genial, mas não direi nada a ninguém, porque nutro uma especial simpatia por Guillaume Canet e estou curiosa com a sua carreira, à frente e atrás das câmaras. Talvez o facto dele ter escolhido a música ‘Lilac Wine’ na voz de Jeff Buckley tenha amolecido o meu coração. Agora silêncio.









LILAC WINE
(de James Shelton)

I lost myself on a cool damp night
I gave myself in that misty light
Was hypnotized by a strange delight
Under a lilac tree

I made wine from the lilac tree
Put my heart in its recipe
It makes me see what I want to see
And be what I want to be

When I think more than I want to think
Do things I never should do
I drink much more that I ought to drink
Because it brings me back you

Lilac wine is sweet and heady,
Like my love
Lilac wine, I feel unsteady,
Like my love

Listen to me, I cannot see clearly
Isnt that she, coming to me
Nearly here

Lilac wine is sweet and heady,
Wheres my love
Lilac wine, I feel unsteady,
Wheres my love

Listen to me, why is everything so hazy
Isnt that she, or am I just going crazy, dear

Lilac wine, I feel unready for my love
Feel unready, for my love.






realizado por Rita às 01:38
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Terça-feira, 15 de Maio de 2007
La Educación de las Hadas **1/2

Realização: José Luis Cuerda. Elenco: Ricardo Darín, Irène Jacob, Bebe, Glòria Roig, Víctor Valdivia. Nacionalidade: Argentina / França / Portugal / Espanha, 2006.





Nicolás (Ricardo Darín), inventor de jogos para crianças, conhece a ornitóloga Ingrid (Irène Jacob) e o seu filho Raúl (Víctor Valdivia) num avião a caminho de Barcelona, e apaixona-se pelos dois. Este é o início do seu conto de fadas. É também através das fadas que Nicolás explica o mundo a Raúl, estimulando a sua criatividade num mundo que insiste em impor os seus factos, sem deixar lugar para a fantasia. Raúl sabe que se encontrar uma fada poderá pedir-lhe três desejos, mas antes terá de educá-la, porque muitas fadas não se lembram que o são. Em dado momento e sem explicações, Ingrid decide colocar um ponto final na relação com Nicolás. É nesse momento que nas suas vidas aparece Sezar (Bebe), uma jovem argelina que trabalha num supermercado, enquanto aguarda resposta para um bolsa na Sorbonne.


José Luis Cuerda (“La Lengua de las Mariposas”, 1999), com base no livro ‘L’Education d’une Fée’ (2000) do francês Didier Van Cauwelaert, constrói uma história mágica e intimista onde, através do olhar de uma criança, se desvenda um mundo adulto e cheio de medos. Talvez por isso às observações de Raúl, por muito interessantes e divertidas que sejam, lhe falte a naturalidade infantil.


Quando a fantasia é usada para explicar o mundo corre-se o risco de a usar como refúgio desse mesmo mundo. E “La Educación de las Hadas” refugia-se também na fantasia para disfarçar a previsibilidade com que responde às questões lançadas. Torna-se igualmente complicado desconstruir relações idílicas quando todas as personagens são tão boas e sem falhas que é difícil acreditar nelas.


Apesar de tudo, o elenco internacional encabeçado pelo argentino Ricardo Darín (“El Hijo de la Novia”) e pela francesa Irène Jacob (“La Double Vie de Véronique”) cumpre o seu papel, com uma chamada de atenção para a cantora espanhola Bebe, cujo álbum ‘Pafuera Telarañas’ toca com alguma insistência lá em casa, e que integrará o próximo filme de Julio Medem, “Caótica Ana”.


No bosque encantado de Montseny na Catalunha, a fotografia de Hans Burmann e a música de Lucio Godoy mostram-nos um mundo onde a inocência tem poder para vencer o cinismo, mas é a voz de Bebe cantando “deja que te acompañe que no es momento de andar sola” que nos enche a alma e nos agarra à cadeira no genérico final. Quando tudo na nossa vida parece estar ao contrário, existem forças (dentro e fora de nós) que conseguem fazer-nos crer que tudo irá correr bem. E não vale a pena indagar muito. Afinal de contas, o que seria do quotidiano sem os seus mistérios?






CITAÇÕES:


“Estábamos enamorados como críos. Ahora nos hicimos adultos. Será menos hermoso, pero más completo.”
IRÈNE JACOB (Ingrid)



TIEMPO PEQUEÑO
de Bebe e Lucio Godoy

¿Quién se va y quién se queda?
¿Quién le duele más la soledad?
¿Quién le duele más la soledad?
Si tós los rincones de mi vida tienen algo tuyo
¿Cual es tu camino?
¿Cual es el mío?
¿Dónde se encontraron
¿Dónde se han ió?

Anda, deja que te acompañe que no es momento de andar sola.

Con lo pequeño que es el tiempo
¿quién recogerá el perdió?
Si tu me cuidas yo me curo
Mi cura es tu compañía
Deja que te cuide las alas... tus alas

Anda, deja que te acompañe que no es momento de andar sola.

Mis cinco sentidos son pá ti
Mis manos pá sujetarte a ti
Y mi alegría pá que la bebas toda tu

Anda, deja que te acompañe que no es momento de andar sola.

Anda, deja que te acompañe que no es momento de andar sola.

Déjame que te acompañe.






realizado por Rita às 00:32
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Segunda-feira, 14 de Maio de 2007
A Melhor Juventude

6 horas de Alessio Boni e Jasmine Trinca.


Vistos em “La Meglio Gioventù” (2003) de Marco Tullio Giordana.








realizado por Rita às 00:59
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Domingo, 13 de Maio de 2007
Ler o cinema

e aprender sobre a vida.







realizado por Rita às 12:42
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Sábado, 12 de Maio de 2007
La Belle Bête **

Realização: Karim Hussain. Elenco: Carole Laure, Caroline Dhavernas, Marc-André Grondin, David La Haye, Sébastien Huberdeau. Nacionalidade: Canadá, 2006.





Louise (Carole Laure) é uma viúva vaidosa e superficial, completamente enfeitiçada pela beleza do seu filho Patrice (Marc-André Grondin), com quem partilha uma intimidade incestuosa e da qual exclui totalmente a filha Isabelle-Marie (Caroline Dhavernas), alimentando o seu ciúme doentio. Após a morte do marido ela muda-se com os seus filhos para uma mansão senhorial isolada no campo, onde Isabelle-Marie tem suficiente espaço para se aproveitar da debilidade intelectual do seu irmão e martirizá-lo cruelmente. Reclusos do mundo, o seu amor perturbado e doentio é ilusoriamente normal. Mas este equilíbrio instável é perturbado pela chegada de um padrasto (David La Haye) que põe em causa o lugar de Patrice no coração da mãe.


“La Belle Bête”, adaptação do livro que a co-argumentista Marie-Claire Blais escreveu em 1959, quando tinha apenas 17 anos, baseia-se na dinâmica das relações humanas como reflexo para a eterna disputa entre o bem e o mal (mesmo que feito pelas melhores razões). Estas pessoas são prisioneiras da sua própria realidade, tendo-se tornado vítimas dos seus vícios, do seu egoísmo, da sua mesquinhez, da sua amoralidade. O desaparecimento da figura paternal veio destruturar a unidade familiar, que apenas se conseguiu refazer de uma forma perversa e psicologicamente violenta. Entre as sombras da solidão é essa figura – na imagem de um homem com cabeça de cavalo – que atormenta Isabelle-Marie.


O filme do canadiano Karim Hussain peca por uma débil transposição do conflito inter-pessoal das personagens. O ritmo no qual o filme se arrasta a maior parte do tempo é acompanhado de movimentos excessivos da câmara, que parecem limitar-se a uma vontade de realismo totalmente oposta às interpretações exageradamente teatrais.


“La Belle Bête”: quando o bem é equivalente à beleza, a degradação física transforma-se no castigo supremo, o símbolo do mal a emergir à superfície.






realizado por Rita às 11:09
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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NOTÍCIAS

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Filmes
#
$9.99
(500) Days of Summer
12:08 A Este de Bucareste
127 Hours
13 (Tzameti)
1408
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2 Days in Paris
2046
21
21 Grams
25 Watts
3... Extremos
300
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
4ème Morceau de la Femme Coupée en Trois, Le
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5x2
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A
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À Tout de Suite
Aaltra
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Adam
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Ae Fond Kiss
Affaire Farewell, L’
Afterschool
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Agony and the Ecstasy of Phil Spector, The
Ágora
After.Life
Alatriste
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Alex
Alexander
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American, The
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American Splendor
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Ana Y Los Otros
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Anges Exterminateurs, Les
Answer Man, The
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Antichrist
Apocalypto
Approaching Union Square
Après Vous...
Arnacoeur, L’
Arsène Lupin
Artist, The
Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
Astronaut Farmer, The
Asylum
Atonement
Ausentes
Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec, Les
Aviator, The
Away We Go
Azuloscurocasinegro

B
Baader-Meinhof Komplex, Der
Babel
Babies
Backstage
Ballad of Jack and Rose, The
Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
Battle in Seattle
Be Kind Rewind
Bee Movie
Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
World Trade Center
Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
X-Men: First Class
X-Men Origins: Wolverine

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