CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007
Half Nelson ****

Realização: Ryan Fleck. Elenco: Ryan Gosling, Shareeka Epps, Anthony Mackie, Monique Gabriela Curnen, Karen Chilton, Tina Holmes, Collins Pennie. Nacionalidade: EUA, 2006.





Daniel Dunne (Ryan Gosling) dá aulas de História num liceu em Nova Iorque, motivando os seus alunos para pensarem sobre o processo de mudança histórica e os seus pontos de viragem, em vez de simplesmente memorizarem factos. Ele é também treinador de uma fraca equipa de basquetebol feminino, da qual faz parte Drey (uma belíssima prestação de Shareeka Epps), uma jovem de 12 anos a quem falta uma figura paternal. Mas Dunne é também viciado em crack. A sua vida parece estar num limbo de indefinição, onde se situa o seu projecto literário para crianças. Quando Drey descobre o segredo do seu professor, a admiração que sentia anteriormente começa a transformar-se em algo de mais humano. Esse momento marca o início de uma amizade pouco convencional.


“Half Nelson” é um retrato de um colapso emocional de alguém que, no meio das suas falhas e imperfeições, consegue encontrar uma motivação fora de si, ou apesar de si mesmo. Dunne sabe que não consegue salvar o mundo, mas ele quer fazer algo correcto por Drey - nomeadamente evitar que ela seja vítima do dealer do bairro (Anthony Mackie) -, porque isso é fazer algo por si mesmo.


As motivações de Dunne são sugeridas em dois breves momentos, um encontro com a sua ex-namorada e um jantar familiar. Como partes de uma mente instável, estes pedaços vão construindo uma personagem densa. E, numa inversão de papéis entre o protector e o protegido, Drey é a única pessoa que parece compreender quem Dunne é, para além da irresponsabilidade e da auto-destruição.


“Half Nelson” é uma comovente pérola sobre uma amizade construída em circunstâncias limite, cujo argumento, da autoria de Ryan Fleck e Anna Boden, foge às convenções e soluções fáceis ou moralistas. Aqui não se fala do mentor que inspira os seus pupilos, ou de triunfos ou momentos de revelação. Aqui estabelece-se uma relação íntima (no sentido de profunda) e equilibrada entre duas pessoas. Esta proximidade é credível devido, sobretudo, a uma gestão de ritmo que respeita o tempo de assimilação, e a diálogos tão naturais que soam a improvisação.


Ryan Gosling (“The United States of Leland”, “The Notebook”), reveste a sua interpretação de uma impressionante contenção e envolvência, colocando toda a sua vulnerabilidade num sorriso, todos os seus medos numa simples hesitação, e toda a decadência americana num penso-rápido colado a um lábio inferior.


Envolvido numa fantástica banda sonora, onde se destacam os Broken Social Scene, “Half Nelson” (golpe luta livre em que se imobiliza o adversário através de uma chave de braço) fala da dificuldade de aceitarmos a contradição dentro da unidade, que uma árvore possa estar torta e direita ao mesmo tempo, que seja forte e, simultaneamente, fraca, ou, de exigirmos que o ser humano seja bom ou mau, exclusivamente. Como é dito no filme “uma coisa não define um homem”. Tudo é mais complicado que isso.






Half Nelson


The half nelson is done using only one hand, by passing it under the arm of the opponent and locking the hand at the opponent's neck. Half nelsons are commonly used in amateur wrestling.

The term "nelson" is derived from "full nelson", which dates back to the early 19th century. It is named after the British war-hero Admiral Nelson, who famously used strategies based on surrounding the opponent to win the Battle of the Nile and the Battle of Trafalgar.



in Wikipedia


CITAÇÕES:


“The sun goes up and then it comes down, but every time that happens what do you get? You get a new day.”
RYAN GOSLING (Daniel Dunne)


“One thing doesn't make a man.”
RYAN GOSLING (Daniel Dunne)


“Second chances are rare, man. You ought to take better advantage of them.”
RYAN GOSLING (Daniel Dunne)






realizado por Rita às 00:24
link do post | comentar

Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007
Das Leben der Anderen - As Vidas dos Outros *****

Realização: Florian Henckel von Donnersmarck. Elenco: Martina Gedeck, Ulrich Mühe, Sebastian Koch, Ulrich Tukur, Thomas Thieme, Hans-Uwe Bauer. Nacionalidade: Alemanha, 2006.





Berlim Oriental, 1984. O Capitão Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) acredita profundamente no seu trabalho. Wiesler é perito em vigilância no Ministério para a Segurança do Estado (Ministerium für Staatsicherheit) ou Stasi, a sofisticada e minuciosa polícia secreta da República Democrática Alemã, que dispunha de cerca de 90.000 funcionários oficiais. Georg Dreyman (Sebastian Koch, “Zwartboek - Livro Negro”) é um encenador de teatro e um aparente defensor do sistema socialista, usando a sua idoneidade para defender amigos dissidentes como o seu amigo Paul Hauser (Hans-Uwe Bauer) e o encenador Jerska (Volkmar Kleinert), sujeitos a métodos que variam entre a colocação de escutas, o recrutamento de vizinhos, amigos ou familiares como informadores, muitas vezes coagidos através da chantagem, ou a proibição de exercer a sua arte. Por pressão de um membro do Comité Central, Dreyman torna-se suspeito e é colocado sob investigação. O processo fica a cargo de Wiesler, interessado sobretudo em estar mais próximo de Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck, “The Good Shepherd”), a namorada de Dreyman e uma famosa actriz.


“Das Leben der Anderen” é um filme extremamente inteligente onde são focados elementos tão diversos como a traição e a lealdade, o dilema entre os princípios morais e a sobrevivência, as consequências políticas da passividade e o comprometimento pela acção, e o romântico conceito da transformação pela arte.


“Das Leben der Anderen” é um filme longo mas o seu ritmo assemelha-se ao de um agressivo interrogatório, com a pressão num escalar progressivo, até ao desmoronar final. Maceradas em cinzento, estas personagens transformam-se em pequenos detalhes com subtileza e consistência.


A personagem de Ulrich Mühe, uma excepcional interpretação deste actor proveniente de Leste, é a força emocional deste filme. Ele é o voyeur, é ele que monitoriza a vida dos outros, que a controla, mas que também sente a tentação de intervir. Mas, em última instância, a vida que nós observamos é a sua.


Na sua estreia na realização, o alemão Florian Henckel von Donnersmarck produz um filme fascinante, poderoso, duro e comovente, onde as expectativas e as acções de uns moldam as vidas dos outros.


As vidas dos outros. Cinema é isso. Cinema é isto.






CITAÇÕES:


“Das ist für mich.”
ULRICH MÜHE (Gerd Wiesler)






realizado por Rita às 08:53
link do post | comentar | ver comentários (3)

Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007
Finalmente, entre amigos

Martin Scorsese ganhou com The Departed - Entre Inimigos, num final com alguma emoção (afinal, Babel corria à frente no Melhor Filme, apesar do favoritismo Scorsese para Melhor Realizador). A noite foi morna e demasiado "partida", sem vencedores claros. El Laberinto del Fauno, por exemplo, arrancou imparável, mas falhou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro. O grande derrotado é Babel e o vestido indescritível de Jennifer Hudson, que ganhou a Melhor Actriz Secundária. A lista completa de vencedores aqui e de como fomos ao tapete aqui.

[E entretanto na mesa do lado serviram-se framboesas. Instinto Fatal 2 e A Senhora da Água, por exemplo, são alguns dos grandes vencedores.]


realizado por Miguel Marujo às 10:52
link do post | comentar

Oscar® – vencedores




Além de uma grande quantidade de sono, o resultado desta noite foi o seguinte:



MELHOR ACTOR PRINCIPAL
FOREST WHITAKER por “The Last King of Scotland”, de Kevin Macdonald

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
ALAN ARKIN por “Little Miss Sunshine”, de Jonathan Dayton e Valerie Faris

MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL
HELEN MIRREN por “The Queen”, de Stephen Frears

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
JENNIFER HUDSON por “Dreamgirls”, de Bill Condon

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
“HAPPY FEET”, de George Miller

MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA
EUGENIO CABALLERO (Art Direction), PILAR REVUELTA (Set Decoration) – “El Laberinto del Fauno”

MELHOR FOTOGRAFIA
GUILLERMO NAVARRO – “El Laberinto del Fauno”

MELHOR GUARDA-ROUPA
MILENA CANONERO – “Marie Antoinette”

MELHOR REALIZADOR
MARTIN SCORSESE por “The Departed”

MELHOR DOCUMENTÁRIO
“AN INCOVENIENT TRUTH”, de Davis Guggenheim

MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTAL
“THE BLOOD OF THE YINGZHOU DISTRICT”, de Ruby Yang e Thomas Lennon

MELHOR MONTAGEM
THELMA SCHOONMAKER – “The Departed”

MELHOR FILME DE LÍNGUA NÃO INGLESA
“DAS LEBEN DER ANDEREN” (“THE LIVES OF OTHERS”), de Florian Henckel von Donnersmarck (Alemanha)

MELHOR CARACTERIZAÇÃO
DAVID MARTÍ e MONTSE RIBÉ – “El Laberinto del Fauno”

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL
GUSTAVO SANTAOLALLA por “Babel”

MELHOR CANÇÃO
I NEED TO WAKE UP“An Inconvenient Truth” (música e letra de Melissa Etheridge)

MELHOR FILME
“THE DEPARTED”, de Martin Scorsese

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
“THE DANISH POET”, de Torill Kove

MELHOR CURTA-METRAGEM
“WEST BANK STORY”, de Ari Sandel (EUA)

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
CHRISTOPHER BOYES e GEORGE WATTERS II – “Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest”

MELHOR SONOPLASTIA
MICHAEL MINKLER, BOB BEEMER e WILLIE BURTON – “Dreamgirls”

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
JOHN KNOLL, HAL HICKEL, CHARLES GIBSON e ALLEN HALL – “Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest”

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
WILLIAM MONAHAN por “The Departed”

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
MICHAEL ARNDT por “Little Miss Sunshine”


Restantes nomeados aqui.






realizado por Rita às 06:42
link do post | comentar

Domingo, 25 de Fevereiro de 2007
Paris, Texas


Porque uma noite fantástica pode passar-se inteiramente no sofá.

E isso inclui a música de Ry Cooder.





Harry Dean Stanton e Nastassja Kinski em “Paris, Texas”, de Wim Wenders (1984)






realizado por Rita às 20:19
link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007
The Last King of Scotland **1/2

Realização: Kevin Macdonald. Elenco: Forest Whitaker, James McAvoy, Kerry Washington, Gillian Anderson, Simon McBurney, David Oyelowo, Abby Mukiibi Nkaaga. Nacionalidade: Reino Unido, 2006.





Em 1971, o presidente do Uganda, Milton Obote, é deposto por um golpe de estado que coloca no poder o General Idi Amin, um homem com grandes aspirações pessoais para o seu país, mas que viria a revelar um perigoso ditador e cujo regime, que durou até 1979, produziu cerca de 300.000 mortes.


O filme de Kevin MacDonald (“Touching the Void”, 2003), adaptado do livro de Giles Foden (1998) por Peter Morgan e Jeremy Brock, faz uso de uma personagem ficcional para evidenciar a assustadora espiral de quem entra no círculo de influência de um homem megalómano e paranóico que, seduzido pelo poder, vive no medo de o perder.


Nicholas Garrigan (James McAvoy) é um jovem médico escocês que, temendo o aborrecimento de uma vida como médico de família e buscando a aventura, decide ir trabalhar para a zona rural do Uganda, onde espera poder fazer a diferença. Aquando de um acidente automóvel do Presidente Idi Amin (Forest Whitaker), os serviços de Nicholas são requisitados. Este primeiro encontro é suficiente para criar entre ambos uma forte ligação. Amin gosta de sinceridade e coragem de Garrigan, enquanto este não consegue escapar ao sedutor carisma e humor do líder africano. Em resultado, disso, Garrigan é convidado pelo próprio Amin para ser seu médico pessoal e ajudar a definir a política de saúde do país. Deixando para trás os seus ideais humanitários, Nicholas vê-se como uma presença assídua em eventos sociais, e inclusivamente substituindo Amin em reuniões, na categoria de “conselheiro”.


A ingenuidade ou egoísmo de Garrigan chegam a roçar o exagero, tantas são as opções estúpidas que ele vai tomando pelo caminho, até dar-se conta da sua cumplicidade tácita e da sua culpa moral. A personagem de McAvoy acaba por ser um símbolo do colonialismo e a sua tragédia pessoal é tanto mais irrelevante quando pensamos na tragédia de um povo que, à semelhança de muitos outros em África, tem a sua história marcada por sucessivos usurpadores, sejam eles nacionais ou estrangeiros.


“The Last King of Scotland” repousa totalmente sobre os ombros de Forest Whitaker (“Ghost Dog”, “Panic Room”), que consegue humanizar Amin sem desculpá-lo, movendo-se confortavelmente entre uma gentileza desarmante, uma sedução manipuladora e uma assustadora ferocidade. Com um forte contracena de James McAvoy (“As Crónicas de Narnia”), Whitaker consegue ser tão hipnotizante como terá sido Idi Amin. Com a vantagem do seu poder ser bastante mais lúdico. Uma das apostas seguras dos Oscar.






Provavelmente um dos melhores posters do ano.








realizado por Rita às 23:46
link do post | comentar

Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007
O Grande Silêncio****
Realização: Philipe Gröning. Nacionalidade: França/Suíça/Alemanha, 2005.





É outro tempo que se respira e vive neste filme. “O Grande Silêncio” estreou entre nós, a 8 de Fevereiro, depois de lá fora acumular prémios da crítica e reconhecimento do público. Mas não se pense que o realizador Philipe Gröning facilita: quase três horas de silêncios e murmúrios, uma banda sonora que se preenche com os gestos do quotidiano: lavar a louça, cortar lenha, tratar da horta, rapar o cabelo, talhar novos hábitos para os monges, tocar o sino. É assim a proposta deste cineasta alemão que, depois de esperar 16 anos para ali poder filmar, viveu seis meses entre a comunidade de monges da Cartuxa, do Mosteiro de La Grande Chartreuse, nos Alpes franceses, próximo de Grenoble, tida como a mais rigorosa das ordens monásticas católicas.


Viver em silêncio, rezar em silêncio, trabalhar em silêncio, falar em silêncio. Pequenos gestos. “Eis o silêncio: deixar que o Senhor pronuncie em nós uma palavra igual a Ele.” Gröning faz do cinema um convento, o olhar do espectador torna-se contemplação, como o monge que reza em silêncio, na sua cela solitária ou na floresta. A repetição, o ritmo, todos os gestos se dizem no tempo destes monges, que vivem noutro tempo, noutro ritmo, nos tempos de hoje. E o filme contempla este tempo, as estações a sucederem-se, os dias e as noites, as orações e os trabalhos.


Para filmar assim, os monges de Le Grande Chartreuse impuseram apenas quatro condições: as filmagens decorrerem sem luz artificial, sem música adicional, nem comentários. E a equipa reduzida ao próprio Gröning. Assim é: não há música, a não ser os cantos gregorianos que os frades cartuxos cantam; quando a noite cai, as orações ditas na escuridão iluminam-se com ténues velas; e quase não há palavras – apenas se escuta o rito de iniciação de dois noviços, uma leitura que acompanha a refeição comum aos domingos e dias santos (únicos dias em que se permite o passeio e conversas entre os irmãos) e, no fim, um frade cego que explica o sentido da sua vida, da vida da comunidade. “Quanto mais perto de Deus, mais feliz se é”, diz-nos. Ao fim de três horas, somos tentados a perscrutar estes silêncios, este tempo: “Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir.”


Mas a este ascetismo, traduzido num filme também ele asceta, o mundo espreita para lá dos muros – grupos de jovens que brincam nas redondezas, um carro que ilumina a noite. “Quem não renuncia a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo.” O sino repica. Solidão e silêncio.



realizado por Miguel Marujo às 10:56
link do post | comentar | ver comentários (1)

Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007
Longe de casa

Passei estas duas últimas noites com este senhor.


Pelas mãos sábias de Martin Scorsese, o desvendar de parte do mundo de Robert Allen Zimmerman provocou em mim uma crescente admiração. Sobretudo pela sua extraordinária fidelidade a si mesmo, porque a música, essa, já me tinha tocado há algum tempo.


Por isso ele estará na banda sonora por estes dias, e porque o vento anda carregado de respostas.





GOING, GOING, GONE (1964)

(...)

I'm closin' the book
On the pages and the text
And I don't really care
What happens next.
I'm just going,
I'm going,
I'm gone.

I been hangin' on threads,
I been playin' it straight,
Now, I've just got to cut loose
Before it gets late.
So I'm going,
I'm going,
I'm gone.

(...)






realizado por Rita às 00:41
link do post | comentar

Sábado, 17 de Fevereiro de 2007
Senso


Sentimento excessivo.
Felicidade excessiva.
Sofrimento excessivo.

Não há lugar para moderações na ópera cinematográfica que é este filme.





“Senso” de Luchino Visconti (1954)






realizado por Rita às 12:24
link do post | comentar

Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007
Vivre Sa Vie


Porque “apenas compreendemos a estrada no final do nosso caminho” e porque “a verdade está em tudo, mesmo no erro”, só nos resta andar e tropeçar de vez em quando.

Mas andar, quand même.

Emprestando-nos aos outros, mas dando-nos apenas a nós próprios.





“Vivre Sa Vie” de Jean-Luc Godard (1962)



“Il faut se prêter aux autres et se donner a soi-même.”
MONTAIGNE






realizado por Rita às 01:39
link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007
Only Angels Have Wings


A vida é um jogo de ‘cara ou coroa’, cuja moeda pode bem estar falseada.

Se assim for, aposto na amizade.
O maior amor.
O mais generoso.
O mais puro.

Num brinde a todos os voos: “Happy landing”!





“Only Angels Have Wings” de Howard Hawks (1939)



“A man can die only once. We owe a debt to God. If we pay it today, we don’t have to pay it tomorrow.”
WILLIAM SHAKESPEARE






realizado por Rita às 00:16
link do post | comentar

Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007
Harsh Times *

Realização: David Ayer. Intérpretes: Christian Bale, Freddy Rodríguez, Eva Longoria, Tammy Trull, Terry Crews, Chaka Forman, J.K. Simmons. Nacionalidade: EUA, 2005.





Jim Davis (Christian Bale) foi dispensado do exército após ter servido no Afeganistão. De noite, os pesadelos atormentam-no, de dia Jim está a tentar arranjar um emprego nas forças policiais, de forma a poder casar com Marta (Tammy Trull), a sua namorada mexicana. Na frustração dessa procura, Jim junta-se ao seu velho amigo Mike (Freddy Rodriguez), a contragosto da mulher deste, Sylvia (Eva Longoria), e os dois passeiam-se por Los Angeles metendo-se em problemas, entre uma cerveja e um charro.


Os homens de David Ayer são seres imaturos e impulsivos, mas profundamente fiéis aos laços de amizade que os unem. Homens inseguros, que recorrem à violência para combater a sua impotência perante o mundo que os rodeia, e fazerem-se merecedores das mulheres fortes que (ironicamente) se mantêm ao seu lado.


“Harsh Times” pretende ser um conto moral dos dias de hoje, fazendo uso de uma linguagem moderna, mas caindo num excesso de calão que torna os diálogos incredíveis. A estreia na realização do co-produtor e argumentista de “Training Day”, David Ayer, poderia ser a história de como um homem pode ser levado para lá dos seus limites de sanidade pela máquina de guerra, que dissolve a sua humanidade pela transformação do homem numa arma que legitime a morte. Mas a espiral descendente de desintegração psicológica de Jim é movida apenas à base de coincidências, que acabam por se acumular num crescendo sem sentido.


Nem mesmo o bom ritmo que Ayer consegue imprimir, nem os bons planos de Steve Mason ou a boa química entre os protagonistas salva um filme que nunca chega com efeito a tocar o espectador. Até mesmo o fabuloso e versátil Christian Bale (também produtor executivo) parece desconfortável na pele deste anti-herói amoral, e toda a sua raiva, instabilidade e agressividade surgem apenas como um exercício de interpretação. No final, sentimo-nos ainda mais longe deste assustador sociopata do que no início do filme.






realizado por Rita às 00:28
link do post | comentar | ver comentários (1)

Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007
O que se vê lá por casa (ii)


Um amor para além do tempo, outro amor para além da vida. Um ódio transportado dentro do sangue, uma indiferença humilhante. Um amor assassinado com palavras, outro amor resgatado num olhar.


Numa noite de Inverno como esta, só Ingmar Bergman (com o tempero de Johann Sebastian Bach) para nos fazer ver a beleza tão completa que a vida, em todas as suas vertentes, mesmo nas mais violentas, consegue abarcar.



“SARABAND”





Realização: Ingmar Bergman. Elenco: Liv Ullmann, Erland Josephson, Börje Ahlstedt, Julia Dufvenius, Gunnel Fred. Nacionalidade: Suécia / Itália / Alemanha / Finlândia / Dinamarca / Áustria, 2003.






realizado por Rita às 00:04
link do post | comentar

Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007
BAFTA 2007





Ontem, dia 11, a British Academy of Film and Television Arts atribuiu os Orange British Academy Film Awards. Eis o palmarés (vencedores a vermelho):



MELHOR FILME
THE QUEEN – Andy Harries/Christine Langan/Tracey Seaward
BABEL - Alejandro González Iñárritu/Jon Kilik/Steve Golin
THE DEPARTED - Brad Pitt/Brad Grey/Graham King
THE LAST KING OF SCOTLAND - Andrea Calderwood/Lisa Bryer/Charles Steel
LITTLE MISS SUNSHINE - Albert Berger/David T Friendly/Ron Yerxa

MELHOR FILME BRITÂNICO (The Alexander Korda Award)
THE LAST KING OF SCOTLAND - Andrea Calderwood/Lisa Bryer/Charles Steel/Kevin Macdonald/Peter Morgan/Jeremy Brock
CASINO ROYALE - Michael G Wilson/Barbara Broccoli/Martin Campbell/Neal Purvis/Robert Wade/Paul Haggis
NOTES ON A SCANDAL - Scott Rudin/Robert Fox/Richard Eyre/Patrick Marber
THE QUEEN - Andy Harries/Christine Langan/Tracey Seaward/Stephen Frears/Peter Morgan
UNITED 93 - Tim Bevan/Lloyd Levin/Paul Greengrass

MELHOR REALIZADOR/PRODUTOR OU ARGUMENTISTA BRITÂNICO EM PRIMEIRA LONGA-METRAGEM (The Carl Foreman Award)
ANDREA ARNOLD (Realizador) - Red Road
JULIAN GILBEY (Realizador) - Rollin' with the Nines
CHRISTINE LANGAN (Produtor) - Pierrepoint
GARY TARN (Realizador) - Black Sun
PAUL ANDREW WILLIAMS (Realizador) - London to Brighton

MELHOR REALIZADOR (THE DAVID LEAN AWARD)
PAUL GREENGRASS - United 93
ALEJANDRO GONZÁLEZ IÑARRITU - Babel
MARTIN SCORSESE - The Departed
JONATHAN DAYTON/VALERIE FARIS - Little Miss Sunshine
STEPHEN FREARS - The Queen

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
LITTLE MISS SUNSHINE - Michael Arndt
BABEL - Guillermo Arriaga
PAN'S LABYRINTH - Guillermo del Toro
THE QUEEN - Peter Morgan
UNITED 93 - Paul Greengrass

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
THE LAST KING OF SCOTLAND - Peter Morgan/Jeremy Brock
CASINO ROYALE - Neal Purvis/Robert Wade/Paul Haggis
THE DEPARTED - William Monahan
THE DEVIL WEARS PRADA - Aline Brosh McKenna
NOTES ON A SCANDAL - Patrick Marber

MELHOR FILME DE LÍNGUA NÃO INGLESA
PAN'S LABYRINTH - Alfonso Cuarón/Alvaro Augustin/Guillermo del Toro
APOCALYPTO - Mel Gibson/Bruce Davey
BLACK BOOK (ZWARTBOEK) - Teun Hilte/San Fu Maltha/Jens Meurer/Paul Verhoeven
RANG DE BASANTI (PAINT IT YELLOW) - Ronnie Screwvala/Rakeysh Omprakash Mehra
VOLVER - Agustín Almodóvar/Pedro Almodóvar

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
HAPPY FEET - George Miller
CARS - John Lasseter
FLUSHED AWAY - David Bowers/Sam Fell

MELHOR ACTOR
FOREST WHITAKER - The Last King of Scotland
DANIEL CRAIG - Casino Royale
LEONARDO DICAPRIO - The Departed
RICHARD GRIFFITHS - The History Boys
PETER O'TOOLE - Venus

MELHOR ACTRIZ
HELLEN MIRREN - The Queen
PENÉLOPE CRUZ - Volver
JUDI DENCH - Notes on a Scandal
MERYL STREEP - The Devil Wears Prada
KATE WINSLET - Little Children

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
ALAN ARKIN - Little Miss Sunshine
JAMES MCAVOY - The Last King of Scotland
JACK NICHOLSON - The Departed
LESLIE PHILLIPS - Venus
MICHAEL SHEEN - The Queen

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
JENNIFER HUDSON - Dreamgirls
EMILY BLUNT - The Devil Wears Prada
ABIGAIL BRESLIN - Little Miss Sunshine
TONI COLLETTE - Little Miss Sunshine
FRANCES DE LA TOUR - The History Boys

MELHOR BANDA SONORA (The Anthony Asquith Award)
BABEL - Gustavo Santaolalla
CASINO ROYALE - David Arnold
DREAMGIRLS - Henry Krieger
HAPPY FEET - John Powell
THE QUEEN - Alexandre Desplat

MELHOR FOTOGRAFIA
CHILDREN OF MEN - Emmanuel Lubezki
BABEL - Rodrigo Prieto
CASINO ROYALE - Phil Meheux
PAN'S LABYRINTH - Guillermo Navarro
UNITED 93 - Barry Ackroyd

MELHOR MONTAGEM
UNITED 93 - Clare Douglas/Christopher Rouse/Richard Pearson
BABEL - Stephen Mirrione/Douglas Crise
CASINO ROYALE - Stuart Baird
THE DEPARTED - Thelma Schoonmaker
THE QUEEN - Lucia Zucchetti

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
CHILDREN OF MEN - Jim Clay/Geoffrey Kirkland/Jennifer Williams
CASINO ROYALE - Peter Lamont/Lee Sandales/Simon Wakefield
MARIE ANTOINETTE - K K Barrett/Véronique Melery
PAN'S LABYRINTH - Eugenio Caballero/Pilar Revuelta
PIRATES OF THE CARIBBEAN: DEAD MAN'S CHEST - Rick Heinrichs/Cheryl A Carasik

MELHOR GUARDA-ROUPA
PAN'S LABYRINTH - Lala Huete
THE DEVIL WEARS PRADA - Patricia Field
MARIE ANTOINETTE - Milena Canonero
PIRATES OF THE CARIBBEAN: DEAD MAN'S CHEST - Penny Rose
THE QUEEN - Consolata Boyle

MELHOR SOM
CASINO ROYALE - Chris Munro/Eddy Joseph/Mike Prestwood Smith/Martin Cantwell/Mark Taylor
BABEL - José García/Jon Taylor/Chris Minkler/Martín Hernández
PAN'S LABYRINTH - Martín Hernández/Jamie Bashkt/Miguel Polo
PIRATES OF THE CARIBBEAN: DEAD MAN'S CHEST - Christopher Boyes/George Watters II/ Paul Massey/Lee Orloff
UNITED 93 - Chris Munro/Mike Prestwood Smith/Douglas Cooper/Oliver Tarney/Eddy Joseph

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
PIRATES OF THE CARIBBEAN: DEAD MAN'S CHEST - John Knoll/Hal Hickel/Charles Gibson/Allen Hall
CASINO ROYALE - Steve Begg/Chris Corbould/John Paul Docherty/Ditch Doy
CHILDREN OF MEN - Frazer Churchill/Tim Webber/Michael Eames/Paul Corbould
PAN'S LABYRINTH - Edward Irastorza/Everett Burrell/David Marti/Montse Ribe
SUPERMAN RETURNS - Mark Stetson/Neil Corbould/Richard Hoover/Jon Thum

MELHOR CARACTERIZAÇÃO
PAN'S LABYRINTH - José Quetglas/Blanca Sànchez
THE DEVIL WEARS PRADA - Nicki Ledermann/Angel De Angelis
MARIE ANTOINETTE - Jean-Luc Russier/Desideria Corridoni
PIRATES OF THE CARIBBEAN: DEAD MAN'S CHEST - Ve Neill/Martin Samuel
THE QUEEN - Daniel Phillips

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
GUY 101 - Ian Gouldstone
DREAMS AND DESIRES - FAMILY TIES - Les Mills/Joanna Quinn
PETER AND THE WOLF - Hugh Welchman/Alan Dewhurst/Suzie Templeton

MELHOR CURTA-METRAGEM
DO NOT ERASE - Asitha Ameresekere
CARE - Rachel Bailey/Tracy Bass/Corinna Faith
CUBS - Lisa Williams/Tom Harper
HIKIKOMORI - Karley Duffy/Paul Wright
KISSING, TICKLING AND BEING BORED - David Smith/Jim McRoberts


O prémio THE ORANGE RISING STAR AWARD, votado pelo público, foi atribuído a Eva Green, que pudemos ver no papel de Mr.Tumnus no filme “Casino Royale”. Os restantes candidatos eram Emily Blunt, Naomie Harris, Cillian Murphy e Ben Whishaw.


O prémio ACADEMY FELLOWSHIP foi atribuído a Anne V Coates, editora, e o MICHAEL BALCON AWARD PARA A MELHOR CONTRIBUIÇÃO BRITÂNICA PARA O CINEMA a Nick Daubeny, location manager.






realizado por Rita às 08:24
link do post | comentar | ver comentários (1)

Domingo, 11 de Fevereiro de 2007
L’Atalante


O amor castrador.

O amor libertário.

O amor como condição necessária.

O amor como condição suficiente.

L’amour fou.





“L’Atalante” de Jean Vigo (1934)






realizado por Rita às 10:34
link do post | comentar

Sábado, 10 de Fevereiro de 2007
Bobby **

Realização: Emilio Estevez. Elenco: Anthony Hopkins, Demi Moore, Sharon Stone, Elijah Wood, Lindsay Lohan, William H. Macy, Freddy Rodriguez, Helen Hunt, Mary Elizabeth Winstead, Joshua Jackson, Christian Slater, Laurence Fishburne, Nick Cannon, Emilio Estevez, Shia LaBeouf, Brian Geraghty, Martin Sheen, Joy Bryant, David Kobzantsev, Heather Graham, Svetlana Metkina, Harry Belafonte, Jacob Vargas, Ashton Kutcher, Dave Fraunces, Spencer Garrett. Nacionalidade: EUA, 2006.





A acção de “Bobby” decorre no Hotel Ambassador, sede da campanha de Robert F. Kennedy, no dia em que ele foi assassinado - 6 de Junho de 1968. Em vez de centrar a narrativa em torno do político, o realizador Emilio Estevez escolheu 22 personagens que se movem no universo deste hotel, entre outros, o gerente do hotel (William H. Macy), a sua mulher (Sharon Stone) e a sua amante (Heather Graham), o antigo porteiro do hotel (Anthony Hopkins) e o seu companheiro de xadrez (Harry Belafonte), o coordenador da campanha de Kennedy (Joshua Jackson) e os voluntários (Shia LaBeouf e Brian Geraghty), uma jornalista checoslovaca tentando ter uma entrevista com o senador (Svetlana Metkina), os cozinheiros (Laurence Fishburne, Freddy Rodríguez e Jacob Vargas), a cantora Virginia Fallon (Demi Moore) e o seu marido (Emilio Estevez), e uma jovem (Lindsay Lohan) que está prestes a casar com um amigo (Elijah Wood) para evitar que ele vá para o Vietname.


A gestão de um elenco desta dimensão, falando em termos numéricos, é extremamente complicada e “Bobby” revela-se muito desequilibrado na atenção dedicada a cada um dos fios narrativos, intercaladas com imagens de arquivo do próprio Bobby Kennedy. Tendo a conta a dimensão deste elenco, em termos de talento, este filme traduz-se num profundo desperdício de capacidades, num argumento fraco e personagens superficiais. Muitas delas poderiam ser facilmente eliminadas sem perigos de maior. As participações mais marcantes acabam por ser a de Demi Moore como Virginia Fallon, equilibrando crueldade e vulnerabilidade, e Freddy Rodríguez (“Six Feet Under”) no papel de um cozinheiro mexicano.


Os diálogos de “Bobby” são fracos e é bastante triste ver um Laurence Fishburne numa pregação moralista. “Bobby” vale sobretudo pelo retrato do impacto da visão de um homem sobre pessoas que se revêem nos seus ideais. Emilio Estevez optou por limitar a presença de Kennedy às imagens de arquivo, em vez de uma interpretação per se. No entanto, não é feito qualquer esforço em integrar visualmente as imagens granuladas do passado com as filmadas por si, facto especialmente flagrante na parte final do filme, quando Kennedy chega ao hotel.


Mas é exactamente este final carregado de emoção que compensa tudo o resto. Logo após o resultado da vitória de Kennedy nas eleições primárias na Califórnia, o senador foi vítima de assassinato às mãos de Sirhan Sirhan. As caóticas e desesperadas imagens que se seguem ao atentado são acompanhadas por um poderoso discurso de Kennedy, como se a esperança das suas palavras se pudesse transpor para a América actual. Emilio Estevez tenta fazer do Hotel Ambassador um microcosmos da América, na sua diversidade cultural. Ainda que esta opção possa ser falaciosa, é reveladora da esperança que Bobby Keneddy lançou sobre um largo espectro da sociedade americana, marcada pelo racismo e pela desesperança de jovens e idosos.


No final fica a sensação de que “Bobby” talvez tivesse sido mais eficaz como um simples documentário. A realidade é, neste caso, bem mais inspiradora que a ficção.






CITAÇÕES:


“Edward Robinson - Let's send the brown man back across the border.
Miguel - We didn't cross the border, the border crossed us.”
LAURENCE FISHBURNE (Edward Robinson) e JACOB VARGAS (Miguel)


“You know, we're all whores, but only some of us get paid.”
DEMI MOORE (Virginia Fallon)






realizado por Rita às 12:06
link do post | comentar

Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007
Anche Libero Va Bene ****

Realização: Kim Rossi Stuart. Elenco: Alessandro Morace, Marta Nobili, Kim Rossi Stuart, Barbora Bobulova. Nacionalidade: Itália, 2006.





A estreia na realização do actor Kim Rossi Stuart (“Al Di Là Delle Nuvole” de Michelangelo Antonioni e Wim Wenders (1995), “Pinocchio” de Roberto Benigni (2002)), é um drama familiar marcado pelo egoísmo, pela ilusão, pela frustração, pela solidão e pela dor.


No centro da narrativa está um núcleo familiar instável, formado por Tommi (Alessandro Morace), de 11 anos, a sua irmã mais velha Viola (Marta Nobili), o pai Renato (Kim Rossi Stuart) e uma mãe ausente Stefania (Barbora Bobulova), cujo súbito regresso vem perturbar o frágil equilíbrio em que Renato conseguiu recolocar a sua família após ela os ter abandonado. Renato aceita-a para bem dos seus filhos, mas Tommi tem dificuldade em acreditar que este regresso seja definitivo.


Para Renato a vida é uma luta diária tentando sustentar a família com um trabalho precário de cameraman. A sua relação com Tommi, em concreto, sofre das exigências de Renato, que insiste que o filho pratique natação, como ele o fez, em vez de futebol, a grande paixão de Tommi (o ‘libero’ do título refere-se a uma posição de defesa que tem liberdade de sair e ajudar em estratégias de ataque).


O apartamento onde decorre a maior parte da acção é, simultaneamente, ninho e prisão, puxando para si e depois, num movimento centrífugo, repelindo para o exterior os seus ocupantes. O terraço do prédio, uma metafórica corda-bamba emocional, é o refúgio de Tommi, uma jovem que se protege na sua timidez e enfrenta com angústia a procura de um espaço.


Rossi Stuart é perfeito na complexa vulnerabilidade de Renato, num papel que ele assumiu depois do protagonista ter abandonado o projecto, com as suas explosões emocionais a evidenciarem a sua semelhança física com Nanni Moretti. Mas o talento verdadeiramente marcante de “Anche Libero Va Bene”, é o do pequeno Alessandro Morace, mostrando uma naturalidade e uma sensibilidade comovedoras.


Com um realismo honesto, Rossi Stuart fala-nos de fragilidades, e da coragem de uma família (que representa tantas outras) de, em conjunto, enfrentar os seus problemas, sem cartilhas para seguir. As pessoas que mais magoamos são aquelas que melhor conhecemos e que estão mais próximas de nós, mas, apesar de calado e cheio de falhas, o amor é inquestionável. Não é sem alguma ironia que, no meio destas vicissitudes, as crianças acabem por demonstrar mais maturidade que os adultos. E através do confronto chega a mudança, quando a adoração filial é substituída por um amor mais maduro que integra as debilidades do progenitor, que compreende e aceita. O remédio é o tempo, porque é ele que permite o crescimento.






Cinco estrelas totalmente superficiais para o lindíssimo Kim Rossi Stuart.








realizado por Rita às 23:26
link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007
Little Children ****

Realização: Todd Field. Elenco: Kate Winslet, Patrick Wilson, Jennifer Connelly, Gregg Edelman, Sadie Goldstein, Ty Simpkins, Noah Emmerich, Jackie Earle Haley, Phyllis Somerville. Nacionalidade: EUA, 2006.





“Little Children” faz uma análise microscópica do que é estar preso num casamento insatisfatório, numa maternidade/paternidade que parece querer excluir todas as outras facetas, da angústia de se sentir despersonalizado, da culpa que é exigir mais, do que é julgar os outros e do que é ser julgado por eles, e por nós próprios.


Sarah Pierce (Kate Winslet) vive nos subúrbios com o marido Richard (Gregg Edelman). Sarah decidiu deixar de trabalhar desde que a filha nasceu, mas passados 3 anos ela ainda não se sente igual às restantes mães do bairro, que como ela, gerem o seu dia em função dos filhos. Quando Sarah conhece Brad (Patrick Wilson), também ele um pai dedicado quase inteiramente ao seu filho, Sarah redescobre-se para além da palavra “mãe”. Brad, que estuda para o exame da Ordem de Advogados, que já chumbou 2 vezes, é sustentado pela sua sexy e dominadora mulher, Kathy (Jennifer Connelly). A relação entre ambos, como símbolo da luta contra as normas sociais, não será isenta de consequências.


Paralelamente, Ronald James McGovery (Jackie Earl Haley), um pedófilo recentemente saído em liberdade condicional, regressa ao seu bairro e tenta reintegrar-se numa sociedade aterrorizada e julgadora. As duas narrativas interligam-se com suavidade através de Larry (Noah Emmerich), um polícia reformado amigo de Brad, que está decidido a erradicar Ronnie do bairro através de acções persecutórias.


O filme de Todd Field (“In The Bedroom”), baseado no livro de Tom Perrotta, faz pensar em “Happiness” de Todd Solondz, pela forma imparcial com que lida com as suas personagens, todas elas ocupando as matizes indistintas entre o certo e o errado, todas elas com falhas, todas elas humanas. A opção por uma narração participativa não dilui em nada a intensidade da acção filmada, antes pelo contrário, através desta voz omnipresente, a compaixão e o humor são permitidos surgir nos momentos mais imprevistos.


As interpretações são todas elas poderosas e sem overacting, desde a natural Kate Winslet a um sólido Patrick Wilson (“Hard Candy”), e passando pela extraordinária prestação de Jackie Earle Haley, simultaneamente terrível e frágil.


“Little Children” é um filme intenso, que mostra os pais como seres emocionais, com sonhos e aspirações, que, quando castrados como pessoas, podem dirigir involuntariamente o seu ressentimento contra os seus próprios filhos. Todd Field manuseia com sabedoria e humanismo todas as armas que nos trazem este conto sobre a intolerância e sobre as expectativas que nós criamos acerca do que deverá ser a felicidade ― raramente pensando naquilo que ela já é.






A felicidade é o momento.








realizado por Rita às 22:27
link do post | comentar | ver comentários (4)

Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007
Stranger Than Fiction ****

Realização: Marc Forster. Elenco: Will Ferrell, Maggie Gyllenhaal, Dustin Hoffman, Emma Thompson, Queen Latifah. Nacionalidade: Reino Unido / EUA, 2006.





A vida de Harold Crick (Will Ferrell) um solitário e entediante (e entediado) empregado das finanças muda drasticamente quando ele começa a ouvir uma voz feminina narrar todos os seus actos quotidianos com detalhes assustadoramente precisos. Sem saber se se trata apenas de uma transcrição ou de uma determinação, o verdadeiro pânico de Harold chega quando a voz lhe revela que a sua morte é iminente. Harold procura então a ajuda do professor de literatura Jules Hilbert (Dustin Hoffman), que o aconselha a transformar a sua vida numa comédia (e evitar o pior desfecho), devendo por isso iniciar um improvável romance com a sua mais recente cliente, Ana Pascal (uma sempre mágica Maggie Gyllenhaal), uma jovem pasteleira a quem Harold está a fazer uma auditoria pela sua recusa em pagar a parte dos seus impostos que iria para os gastos de defesa. Mas a voz na cabeça de Harold acaba por se revelar de Kay Eiffel (Emma Thompson), uma neurótica escritora em pleno bloqueio criativo e cujo único contacto com o exterior é através de Penny Escher (uma subtil Queen Latifah), uma assistente enviada pela editora de Kay para forçá-la a terminar o livro dentro do prazo.


Este filme herda o seu título de uma frase de Mark Twain que diz que a verdade é mais estranha que a ficção por esta última estar limitada às possibilidades, ao contrário da primeira. Desconstruindo a criatividade, o inteligente e imaginativo argumento do desconhecido Zach Helm, que lembra Charlie Kauffman mas num tom menos surreal, aborda o tortuoso mundo da escrita, da forma como as obras têm uma forma quase orgânica de irem crescendo e da complexa relação, e responsabilidade, entre o criador e as suas personagens - aqui numa acepção verdadeiramente divina, com o poder da vida e da morte (quantas vezes não nos revoltamos nós mesmos contra o nosso?).


Seria fácil se houvesse um narrador para as nossas vidas que decidisse tudo, dizendo-nos quem ser e o que fazer. Mas isso seria tão aborrecido! Por isso o filme de Marc Forster (“Monster’s Ball”, “Finding Neverland”) promove o livre arbítrio, instigando-nos a tomar as rédeas da nossa vida e aproveitá-la ao máximo, percebendo que as pessoas e coisas que mais tomamos por certas são muitas vezes aquelas que fazem a vida valer a pena. E se, de vez em quando existem vozes na nossa consciência, talvez devêssemos escutá-las com mais atenção, em vez de as calarmos nos gestos mecânicos de todos os dias.


Com o ritmo marcado pela corrida contra o tempo, “Stranger Than Fiction” faz uma fusão entre o intelectual e o emocional, sem menosprezar nunca os efeitos tónicos de uma boa bolacha. E fá-lo sem cinismos, equilibrado entre a amargura e a esperança, o doloroso e o romântico. Da mesma forma como, objectiva e subjectivamente, a vida e a arte balançam entre a comédia e a tragédia, e como, num doloroso dilema, a simples existência humana pode ser pesada contra a possibilidade de uma obra de arte imortal.


A óptima interpretação de Ferrell, cheia de vulnerabilidade, faz pensar em Bill Murray e na forma como conseguiu eliminar as excentricidades da comédia e entrar em meandros mais subtis e dramáticos (“Melinda and Melinda” tinha já sido um bom exemplo).


“Stranger Than Fiction” revela o extraordinário poder da ficção para abordar o real. Todos somos personagens na nossa própria vida e, como Harold, também “little do we know...” do que está para vir. Melhor assim.






CITAÇÕES:


“The voice isn't telling me to do anything. It's telling me what I've already done: accurately, and with a better vocabulary.”
WILL FERRELL (Harold Crick)


“Dr. Jules Hilbert - The thing to determine conclusively is whether you are in a comedy or a tragedy. Have you met anyone who simply might loathe the very core of you?
Harold Crick - I'm an IRS agent. Everyone hates me.
Dr. Jules Hilbert - Well, that sounds like a comedy!”
DUSTIN HOFFMAN (Dr. Jules Hilbert) e WILL FERRELL (Harold Crick)


“Let's start with ridiculous and work backwards.”
DUSTIN HOFFMAN (Dr. Jules Hilbert)


“You don't understand that this isn't a story to me, it's my life! I want to live!”
WILL FERRELL (Harold Crick)


“This was an awful day for you. I know. I made sure of it.”
MAGGIE GYLLENHAAL (Ana Pascal)


“Ana Pascal - Did you like the cookies?
Harold Crick - Yes. Thank you for forcing me to eat them.”
MAGGIE GYLLENHAAL (Ana Pascal) e WILL FERRELL (Harold Crick)


“And so he did what countless punk-rock songs had told him to do so many times before: he lived his life.”
EMMA THOMPSON (Kay Eiffel)


“Penny Escher - You know there's something called a patch.
Kay Eiffel - I don't need a patch. I smoke cigarettes.”
QUEEN LATIFAH (Penny Escher) e EMMA THOMPSON (Kay Eiffel)






Os apelidos das personagens Crick, Pascal, Eiffel, Hilbert e Escher não são arbitrários:


Francis Harry Compton Crick (8 de Junho de 1916, Northampton, Inglaterra - 28 de Julho de 2004, San Diego, Califórnia) foi um físico e bioquímico britânico, mais conhecido pela descoberta, juntamente com James Watson, da estrutura da molécula de ADN em 1953.

Blaise Pascal (Clermont-Ferrand, Puy-de-Dôme, 19 de Junho de 1623 - Paris, 19 de Agosto de 1662) foi um filósofo, físico e matemático francês de curta existência, que como filósofo e místico criou uma das afirmações mais pronunciadas pela humanidade nos séculos posteriores, O coração tem razões que a própria razão desconhece, síntese de sua doutrina filosófica: o raciocínio lógico e a emoção.

Gustave Eiffel (Dijon, 15 de Dezembro de 1832 - Paris, 27 de Dezembro de 1923), arquitecto e engenheiro francês. Especializou-se em construções metálicas, no que foi um dos melhores da sua época. Começou a sua carreira construindo viadutos (o mais destacado é o de Garabit, de 1882), e pontes metálicas.

David Hilbert (23 de janeiro de 1862 em Wehlau, hoje Znamensk, perto de Königsberg - 14 de fevereiro de 1943 em Göttingen) foi um matemático alemão. Hilbert é freqüentemente considerado como um dos maiores matemáticos do século XX, no mesmo nível de Henri Poincaré. Devemos a ele principalmente a lista de 23 problemas, alguns dos quais não foram resolvidos até hoje, que ele apresentou em 1900 no Congresso Internacional de Matemática em Paris.

Maurits Cornelis Escher (Leeuwarden, 17 de Junho de 1898 - Hilversum, 27 de Março de 1972) foi um artista gráfico holandês conhecido pelas suas xilogravuras, litografias e meios-tons (mezzotints), que tendem a representar construções impossíveis, preenchimento regular do plano, explorações do infinito e as metamorfoses - padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes.

in Wikipedia






realizado por Rita às 21:34
link do post | comentar

Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007
Blood Diamond ***1/2

Realização: Edward Zwick. Elenco: Leonardo DiCaprio, Djimon Hounsou, Jennifer Connelly, Kagiso Kuypers, Arnold Vosloo, Antony Coleman, Benu Mabhena, Anointing Lukola, David Harewood. Nacionalidade: EUA, 2006.





O último filme de Edward Zwick (“Legends of the Fall”, “The Last Samurai”) mistura o thriller de acção com o drama político ao focar o contrabando de diamantes e os efeitos desta exploração, que financia diversas organizações rebeldes em guerra com os seus governos, sobre milhões de pessoas em África.


Danny Archer (Leonardo DiCaprio) é um contrabandista de diamantes sul-africano. Solomon Vandy (Djimon Hounsou) é um pescador Mende na Serra Leoa. Depois da aldeia de Solomon sofrer um ataque dos rebeldes, Solomon é feito escravo para trabalhar na extracção de diamantes. Antes dos militares do governo atacarem a mina, Solomon tem tempo de esconder um grande diamante que acabou de encontrar. É na prisão que o caminho de Solomon se cruza com o de Danny Archer, aliciado pela perspectiva de ter nas suas mãos um diamante que lhe permita sair de África. Vandy, cuja mulher e filhas foram enviadas para o exílio, e cujo filho vai engrossar as fileiras do exército de crianças formado pelas forças rebeldes, quer apenas recuperar a sua família.


A esta improvável dupla juntar-se-á uma jornalista americana, Maddy Bowen (Jennifer Connelly), à procura de uma história que consiga fazer a diferença e ajudar a parar o derramar de sangue inocente.


“Blood Diamond” é uma história ficcional num cenário real - a Serra Leoa dos anos 1990. Zwick é exímio na gestão da tensão durante todo o filme, mas as suas opções vão claramente para a narrativa mais mainstream, ou seja, a procura do diamante, que alimenta este filme da mesma forma que a exploração dos recursos naturais de África alimenta a ambição de tantos.


“Blood Diamond” vale por duas fortes interpretações: a de um Leonardo DiCaprio (“The Departed”)cada vez mais maduro e a de um apaixonante Djimon Hounsoun (“The Island”), funcionando, em conjunto, com um impressionante equilíbrio na diferença. Ainda uma boa palavra a fotografia do português Eduardo Serra (“Girl With a Pearl Earring”), riquíssima, tanto nas paisagens sul-africanas como nas ruas de Maputo.


A maioria de nós está no final da linha, e para conseguirmos dormir preferimos não fazer determinadas perguntas. Quando se compra um anel não se imagina a história muitas vezes violenta e sangrenta que os diamantes trazem atrás de si. E como, através deles, do petróleo, da borracha, da madeira, do ouro, se financiam guerras civis e, simultaneamente, se depaupera um continente inteiro dos seus recursos, sem nunca investir na indústria transformadora.


Mudar o mundo implica antes de mais nada abrir os olhos. E pelo pouco que “Blood Diamond” possa contribuir para isso, já vale de muito.






CITAÇÕES:


“I like to get kissed before I get fucked.”
LEONARDO DiCAPRIO (Danny Archer)


“Sometimes I wonder if God will ever forgive us for what we've done to each other... Then I look around and I realize... God left this place a long time ago.”
LEONARDO DiCAPRIO (Danny Archer)






realizado por Rita às 00:12
link do post | comentar | ver comentários (3)

Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
Artigos recentes

Dos vícios antigos se faz...

Dos vícios antigos se faz...

Reavivar com música XIV

Reavivar com música XIII

Reavivar com música XII

Dos vícios antigos se faz...

Porque a cultura nunca fe...

E dia 30, no Porto, tudo ...

Reavivar com música XI

Reavivar com música X


NOTÍCIAS

OPINIÕES

Filmes
#
$9.99
(500) Days of Summer
12:08 A Este de Bucareste
127 Hours
13 (Tzameti)
1408
16 Blocks
2 Days in Paris
2046
21
21 Grams
25 Watts
3... Extremos
300
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
4ème Morceau de la Femme Coupée en Trois, Le
50/50
5x2
9 Songs

A
À l’Origine
À Tout de Suite
Aaltra
Abrazos Rotos, Los
Adam
Adeus, Dragon Inn
Ae Fond Kiss
Affaire Farewell, L’
Afterschool
Agents Secrets
Agony and the Ecstasy of Phil Spector, The
Ágora
After.Life
Alatriste
Albert Nobbs
Alex
Alexander
Alfie
Alice In Wonderland
All The Invisible Children
Amants Réguliers, Les
American, The
American Gangster
American Splendor
Amor Idiota
Amours Imaginaires, Les
An Education
An Obsession
Ana Y Los Otros
Anche Libero Va Bene
Angel-A
Anges Exterminateurs, Les
Answer Man, The
Anthony Zimmer
Antichrist
Apocalypto
Approaching Union Square
Après Vous...
Arnacoeur, L’
Arsène Lupin
Artist, The
Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
Astronaut Farmer, The
Asylum
Atonement
Ausentes
Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec, Les
Aviator, The
Away We Go
Azuloscurocasinegro

B
Baader-Meinhof Komplex, Der
Babel
Babies
Backstage
Ballad of Jack and Rose, The
Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
Battle in Seattle
Be Kind Rewind
Bee Movie
Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
World Trade Center
Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
X-Men: First Class
X-Men Origins: Wolverine

Y
Yo Soy La Juani
Young Adult
Youth in Revolt
Youth Without Youth

Z
Zack And Miri Make A Porno

Zodiac
Arquivo

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Outubro 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Festivais e Prémios
- FANTASPORTO
- FESTROIA
- INDIE LISBOA
- FESTIVAL DE CINEMA GAY E LÉSBICO DE LISBOA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS DE VILA DO CONDE
- DOCLISBOA
- CINANIMA
- CineECO
- FamaFEST
- FICA
- FESTIVAL DE CINEMA LUSO-BRASILEIRO DE SANTA MARIA DA FEIRA
- fest | FESTIVAL DE CINEMA E VÍDEO JOVEM DE ESPINHO
- CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS
- FESTIVAL DE CANNES
- LES CÉSAR DU CINEMA
- PREMIOS GOYA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DONOSTIA - SAN SEBASTIAN
- LA BIENNALE DI VENEZIA
- FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL FILM - LOCARNO
- INTERNATIONALE FILMSPIELE BERLIN<
- BAFTA
- LONDON FILM FESTIVAL
- EDINBURGH INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- OSCAR
- SUNDANCE FILM FESTIVAL
- GOLDEN GLOBES
- NEW YORK FILM FESTIVAL
- SAN FRANCISCO FILM FESTIVAL
- TORONTO INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- MONTRÉAL WORLD FILM FESTIVAL
- ROTTERDAM INTERNATIONAL FILM FESTIVAL