CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007
What the #$*! Do We (K)now!? *



Realização: William Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente. Elenco: Marlee Matlin, Elaine Hendrix, John Ross Bowie. Nacionalidade: EUA, 2004.





“What the #$*! Do We (K)now!?” (‘#$*!’ lê-se ‘bleep’) é um filme existencialista, unindo religião e ciência em torno da física quântica, para explicar como as nossas emoções afectam a nossa vida. Infelizmente, o interesse de algumas opiniões na parte documental, com entrevistas a cientistas e pensadores, é intercalado com aborrecidas dramatizações de Marlee Matlin no papel de Amanda, uma fotógrafa recém-divorciada.


Segundo “What the #$*! Do We (K)now!?” a realidade não existe independentemente de nós. Ou melhor, existe, mas existem também todas as outras possibilidades alternativas. E é pelo uso dos sentidos que escolhemos apenas uma delas. Porque nós mudamos o nossos mundo/corpo/vida através da percepção que temos deles. Ao sermos capazes de alterar a realidade que nos rodeia, significa que temos responsabilidade sobre as nossas vidas. Mas não sermos vítimas do mundo e das circunstâncias pode ser assustador. E pode obrigar-nos a agir com consciência.


Estas são algumas das ideias que restam deste filme. O ritmo de informação por fotograma demasiado voraz parece especialmente pensado para dificultar a digestão e, consequentemente, a colocação de questões pertinentes que possam pôr em causa os argumentos apresentados. Eu não consigo avaliar até que ponto a física quântica é distorcida para fundamentar as teorias espirituais que estão por detrás do filme (existem inclusivamente algumas acusações de manipulação das palavras de alguns dos entrevistados na sala de montagem). Dados científicos como que os átomos são sobretudo formados por vácuo, que as partículas se movem de forma indeterminada, que os químicos que o cérebro produz afectam o corpo, são utilizados para provar que conseguimos reordenar a matéria. Pessoalmente, eu não questiono o enorme potencial da mente humana, quer em termos de pensamento quer em termos de energia, mas “What the #$*! Do We (K)now!?” é pretensioso ao ponto de utilizar a ciência para validar filosofias (quem quiser aprofundar as falácias do filme em matérica cietífica espreite aqui).


Ainda que nem todos os pontos de vista sejam particularmente interessantes e alguns cheguem ao ponto de ridículos, este filme é bom para levantar questões e promover uma boa conversa com amigos depois do jantar. Até porque a forma mais acessível para entender o mundo, passa, essencialmente, por questioná-lo.






CITAÇÕES:


“So how can you continue to see the world as real, if the self that is determining it to be real is intangible?”


“Is there a possibility that all potentials exist side-by-side?”


“Have you ever seen yourself through the eyes of someone else that you have become?”






realizado por Rita às 00:56
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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007
Viaggio in Italia


Um casal em ruptura. Um casal em redescoberta.


Um casal abraçado há dois mil anos. Um casal abraçado dois segundos.


Tragédia. Milagre.




Tudo isto em “Viaggio in Italia” de Roberto Rossellini (1954).






realizado por Rita às 00:18
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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007
Scoop ***

Realização: Woody Allen. Elenco: Scarlett Johansson, Woody Allen, Hugh Jackman, Ian McShane, Romola Garai. Nacionalidade: Reino Unido / EUA, 2006.





Sondra Pransky (Scarlett Johansson) é uma estudante de jornalismo americana que está de visita a uns amigos em Londres. Num espectáculo de magia, Sondra é colocada dentro de uma caixa de “desmaterialização”, onde conhece o fantasma de Joe Strombel (Ian McShane), um jornalista recentemente falecido, conhecido por sempre conseguir as melhores histórias, sem olhar a custos. Strombel revela a Sondra que o famoso Assassino das Cartas do Tarot, um serial killer que tem aterrorizado Londres, não é mais do que o rico herdeiro Peter Lyman (Hugh Jackman). Auxiliada pelo mágico Splendini, aliás Sid Waterman (Woody Allen), Sondra está decidida a investigar este furo jornalístico (‘scoop’) e ser a primeira a desvendá-lo. No processo, Sondra ver-se-á dividida entre a sua ambição e a sua ética, entre evitar mais crimes e deixar-se levar pelo seu coração.


Se “Match Point” foi uma inovação no caminho cinematográfico de Woody Allen, “Scoop” é um regresso à comédia romântica, numa linha que lembra “Curse of the Jade Scorpion”. Também o próprio Woody Allen volta para a frente da câmara fazendo de si mesmo. De “Match Point” mantém-se o cenário britânico (trabalhado pela fotografia de Remi Adefarasin) e Scarlett Johansson, tão irrepreensível no registo cómico como já anteriormente o tinha demonstrado no dramático. Uma outra nota de semelhança com o filme do ano passado, é o fascínio de Allen pelo sistema de classes sociais da sociedade britânica (europeia).


A história de “Scoop” é talvez o que menos importa, saber se Peter Lyman é culpado ou inocente é quase irrelevante se se tiver em consideração todo o prazer que é ver estes actores representar. Allen está perfeito como Splendini e, resistindo – felizmente – a colocar-se como conquistador da personagem feminina, guarda para si as melhores e geniais tiradas. Scarlett Johansson surge aqui como uma outra versão de Allen, investigando obcecadamente em salas privadas e escondendo as próprias pistas. Falando rápido e com a sua sexualidade mais disfarçada do que em outros filmes, pode dar largas a uma outra faceta do seu talento interpretativo. A contracena entre Johansson e Allen é marcada por uma fabulosa química e por um profundo respeito mútuo. Hugh Jackman (“The Prestige”) aparece mais uma vez colado ao tipo aristocrático e, mais uma vez, sem defeitos, e Ian McShane (alguém se lembra da série “Lovejoy”?) enche deliciosamente o ecrã.


Um realizador como Woody Allen não consegue errar, e mesmo que o seu génio não esteja completamente plasmado nesta última obra, um Allen sofrível é superior ao melhor de muitos. É com ansiosa expectativa que aguardo o próximo: “Cassandra's Dream”, ainda por Londres e com Ewan McGregor e Colin Farrell a encabeçarem o elenco.






CITAÇÕES:


“If we put our heads together, you'll hear a hollow noise.”
SCARLETT JOHANSSON (Sondra Pransky)


“I was in the lounge, I heard you drowning, I finished my tea and scones and came immediately!”
WOODY ALLEN (Sid Waterman)


“I was born of the Hebrew persuasion, but I converted to narcissism.”
WOODY ALLEN (Sid Waterman)


“I don't need to work out. My anxiety acts as aerobics.”
WOODY ALLEN (Sid Waterman)


“Sondra Pransky - Oh, you always see the glass half empty.
Sid Waterman - No, I always see the glass half full. Of poison!”
SCARLETT JOHANSSON (Sondra Pransky) e WOODY ALLEN (Sid Waterman)


“The man is a liar and a murderer, and I say that with all due respect.”
WOODY ALLEN (Sid Waterman)






realizado por Rita às 00:35
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Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007
Chaos **1/2

Realização: Tony Giglio. Elenco: Jason Statham, Ryan Phillippe, Wesley Snipes, Justine Waddell, Henry Czerny, Nicholas Lea, John Cassini. Nacionalidade: Canadá / Reino Unido / EUA, 2006.





Durante a hora de maior afluência, a agência de um banco em Seattle é tomada de assalto por um grupo de homens liderado por um homem que se denomina Lorenz (Wesley Snipes). O detective Quentin Conners (Jason Statham), suspenso há uns meses atrás por ter lidado de forma ineficiente com uma situação semelhante, é chamado a intervir, por pedido expresso de Lorenz. Para controlar o seu desempenho, Conners é obrigado a ter como parceiro o jovem detective Shane Dekker (Ryan Phillippe), cujo sentido de responsabilidade e dever é bem menos flexível que o de Conners.


O filme do praticamente desconhecido realizador e argumentista Tony Giglio não prima pela imaginação, os clichés policiais abundam, bem como uma grande dose de improbabilidades, e os arcos das personagens são pouco credíveis, tanto mais porque o grosso da acção de “Chaos” decorre durante praticamente uma noite – período que parece suficiente para Dekker passe de citar Buda para ameaçar fisicamente uma testemunha.


A parte inicial de “Chaos” reporta muito a “Inside Man”, mas a partir do momento em que o banco fica para trás, o filme começa a adquirir alguma personalidade, muito à custa de falsas pistas, motivações dúbias e flashbacks explicativos. O jogo que a personagem de Wesley Snipes faz com Conners e Dekker encontra inspiração na Teoria do Caos, da autoria Edward Lorenz (que também inspirou o muito bom “Butterfly Effect”), segundo a qual pequenos acontecimentos podem ter efeitos de dimensões catastróficas.


Jason Statham e Wesley Snipes, sem grandes rasgos, são credíveis como personagens determinadas pelos seus objectivos, mas o talento de Ryan Phillippe é desperdiçado numa personagem que parece não encontrar o sítio que lhe pertence nesta história.


Apesar da pouca química entre a dupla de polícias, da extrema sorte de alguns acontecimentos e do incrível mau discernimento de outros, Giglio consegue juntar com alguma decência as peças que fazem um thriller policial e consegue uma boa gestão do suspense. “Chaos” tenta ser inteligente, mas acaba por ser algo pretensioso. O seu mérito reside na mensagem final, totalmente distante do estereotipado happy ending.


Mas o momento mais (literalmente) excitante de “Chaos” é quando a detective Marnie Rollins (Keegan Connor Tracy) coloca o seu cartão de visita no bolso do casaco de Dekker dizendo-lhe: ”For a list of things you can put in my mouth”.


Fora isso, “Chaos” é um pequeno acontecimento, sem consequências.






realizado por Rita às 22:21
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007
Breaking and Entering ***

Realização: Anthony Minghella. Elenco: Jude Law, Juliette Binoche, Robin Wright Penn, Martin Freeman, Ray Winstone, Vera Farmiga, Rafi Gavron, Poppy Rogers. Nacionalidade: Reino Unido / EUA, 2006.





Apesar dos avisos em contrário, Will Francis (Jude Law, “The Holiday”), juntamente com o seu sócio Sandy (Martin Freeman, “Love Actually”), estabelecem a sua empresa de arquitectura paisagísticas, a Green Effect, em plena King’s Cross, uma área conhecida pela sua elevada taxa de crimes e prostituição, mas que é também o foco do seu projecto arquitectónico, que visa um rejuvenescimento da área através do redireccionamento de um canal. No plano pessoal, Will atravessa uma crise, marcada por um gradual afastamento da sua companheira, Liv (Robin Wright Penn, “A Home at the End of the World”), uma beleza escandinava que desistiu da sua carreira profissional para tomar conta da sua filha Bea (Poppy Rogers), uma adolescente autista obcecada por ginástica.


Pela quantidade de computadores e outro equipamento, o atelier de Will é a vítima perfeita para diversos assaltos. Primeiramente desconfia-se da equipa de limpeza do atelier, de origem africana, teoria que desagrada particularmente a Sandy, que se sente atraído por uma das empregadas. Numa noite de vigília, Will vê um adolescente, Miro (Rafi Gavron), a assaltar o atelier e segue-o até casa, onde ele vive com a mãe Amira (Juliette Binoche), uma costureira muçulmana de origem bósnia. No dia seguinte, na tentativa de obter informações sobre o adolescente, Will leva um casaco para Amira remendar. Entre os dois inicia-se uma relação marcada pelo engano.


“Breaking and Entering” poderia ser um filme sobre as relações inter-raciais, sobre o choque de classes, sobre a deslocalização, sobre o papel da arquitectura como reflexo do tecido social, sobre a fidelidade, sobre um sistema de justiça desigual, mas não chega a ser nada disso. É menos e, simultaneamente, é mais. “Breaking and Entering” é um filme sobre segundas oportunidades. A segunda oportunidade de um local, a segunda oportunidade de um país, a segunda oportunidade de um refugiado, a segunda oportunidade de o Ser Humano ser humano, a segunda oportunidade de um amor.


O argumento do próprio Minghella (“The English Patient” - 1996, “The Talented Mr. Ripley” - 1999, “Cold Mountain” - 2003) tenta gerir tudo isto, mas perde-se. Alguns detalhes que parecem de início ser importante acabam por revelar-se irrelevantes, as personagens que prometem complexidade acabam por revelar-se consideravelmente unidimensionais. Evitando a dificuldade da temática inter-cultural, ou o drama social sobre um bairro em transição, Minghella opta por se centrar no drama moral de um casal à beira da ruptura.


Will dá-se conta do vazia que é a sua vida, e do círculo entre mãe e filha do qual ele se sente sempre excluído. Esse desencanto contrasta com as emoções que ele reaviva com Amira, mas também ela tem um círculo ao qual ele não pertence. Juliette Binoche (que colaborou com Minghella em “The English Patient”) empresta à sua personagem a necessária gravidade, mas Jude Law parece incapaz de nos fazer entender a frieza de Will. Nos secundários destacam-se Ray Winstone no papel de detective e Vera Farmiga como uma filosófica prostituta (ambos colegas em “The Departed”). Num registo que lembra Heath Ledger, está o estreante Ravi Gavron, que sugiro manter debaixo de olho.


A fotografia em castanhos de Benoît Delhomme (“The Proposition”) embeleza demasiado um filme que se pedia mais arrojado. Mas Minghella parece optar pela simplificação.


Ainda assim, no campo das relações, são levantadas questões relevantes acerca do compromisso e do empenho, da vontade e da capacidade de combater a erosão provocada pelo quotidiano. Em “Breaking and Entering” os enganos são, sobretudo, emocionais. E o maior engano parece ser o de procurar o amor nos lugares errados. Ou seja, fora de nós mesmos.






CITAÇÕES:


“If you could measure how far we are from where we need to be, would you say we’re a long way?”
ROBIN WRIGHT PENN (Liv)


“There’s a part of me so dark that sees that circle as a cage.”
JUDE LAW (Will)


“Will – I want you back!
Liv – Then win me back!
Will – How?
Liv – I don’t know...”
JUDE LAW (Will) e ROBIN WRIGHT PENN (Liv)






realizado por Rita às 20:45
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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007
Oscar® – nomeados




A Academy of Motion Picture Arts and Sciences anunciou hoje os nomeados para a 79ª edição dos Oscar, que terá lugar a 25 de Fevereiro.


Faites vos jeux!



MELHOR ACTOR PRINCIPAL
LEONARDO DiCAPRIO por “Blood Diamond”, de Edward Zwick
RYAN GOSLING por “Half Nelson”, de Ryan Fleck
PETER O’TOOLE por “Venus”, de Roger Michell
WILL SMITH por “The Pursuit of Happiness”, de Gabriele Muccino
FOREST WHITAKER por “The Last King of Scotland”, de Kevin Macdonald

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
ALAN ARKIN por “Little Miss Sunshine”, de Jonathan Dayton e Valerie Faris
JACKIE EARLE HALEY por “Little Children”, de Todd Field
DJIMON HOUNSOU por “Blood Diamond”, de Edward Zwick
EDDIE MURPHY por “Dreamgirls”, de Bill Condon
MARK WAHLBERG por “The Departed”, de Martin Scorsese

MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL
PENÉLOPE CRUZ por “Volver”, de Pedro Almodóvar
JUDI DENCH por “Notes on a Scandal”, de Richard Eyre
HELEN MIRREN por “The Queen”, de Stephen Frears
MERYL STREEP por “The Devil Wears Prada”, de David Frankel
KATE WINSLET por “Little Children”, de Todd Field

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
ADRIANA BARRAZA por “Babel”, de Alejandro González Iñarritu
CATE BLANCHET por “Notes on a Scandal”, de Richard Eyre
ABIGAIL BRESLIN por “Little Miss Sunshine”, de Jonathan Dayton e Valerie Faris
JENNIFER HUDSON por “Dreamgirls”, de Bill Condon
RINKO KIKUCHI por “Babel”, de Alejandro González Iñarritu

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
“CARS”, de John Lasseter e Joe Ranft
“HAPPY FEET”, de George Miller
“MONSTER HOUSE”, de Gil Kenan

MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA
JOHN MYHRE (Art Direction), NANCY HAIGH (Set Decoration) – “Dreamgirls”
JEANNINE OPPEWALL (Art Direction), GRETCHEN RAU e LESLIE E. ROLLINS (Set Decoration) – “The Good Shepherd”
EUGENIO CABALLERO (Art Direction), PILAR REVUELTA (Set Decoration) – “El Laberinto del Fauno”
RICK HEINRICHS (Art Direction), CHERYL A. CARASIK (Set Decoration) – “Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest”
NATHAN CROWLEY (Art Direction), JULIE OCHIPINTI (Set Decoration) – “The Prestige”

MELHOR FOTOGRAFIA
VILMOS ZSIGMOND – “The Black Dalia”
EMMANUEL LUBEZKI – “Children of Men”
DICK POPE - “The Illusionist”
GUILLERMO NAVARRO – “El Laberinto del Fauno”
WALLY PFISTER – “The Prestige”

MELHOR GUARDA-ROUPA
YEE CHUNG MAN – “Curse of the Golden Flower”
PATRICIA FIELD – “The Devil Wears Prada”
SHAREN DAVIS – “Dreamgirls”
MILENA CANONERO – “Marie Antoinette”
CONSOLATA BOYLE - “The Queen”

MELHOR REALIZADOR
ALEJANDRO GONZÁLEZ IÑARRITU por “Babel”
MARTIN SCORSESE por “The Departed”
CLINT EASTWOOD por “Letters From Iwo Jima”
STEPHEN FREARS por “The Queen”
PAUL GREENGRASS por “United 93”

MELHOR DOCUMENTÁRIO
“DELIVER US FROM EVIL”, de Amy Berg
“AN INCOVENIENT TRUTH”, de Davis Guggenheim
“IRAQ IN FRAGMENTS”, de James Longley
“JESUS CAMP”, de Heidi Ewing e Rachel Grady
“MY COUNTRY, MY COUNTRY”, de Laura Poitras

MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTAL
“THE BLOOD OF THE YINGZHOU DISTRICT”, de Ruby Yang e Thomas Lennon
“RECYCLED LIFE”, de Leslie Iwerks e Mike Glad
“REHEARSING A DREAM”, de Karen Goodman e Kirk Simon
“TWO HANDS”, de Nathaniel Kahn e Susan Rose Behr

MELHOR MONTAGEM
STEPHEN MIRRIONE E DOUGLAS CRISE – “Babel”
STEVEN ROSENBLUM – “Blood Diamond”
ALEX RODRÍGUEZ e ALFONSO CUARÓN - “Children of Men”
THELMA SCHOONMAKER – “The Departed”
CLARE DOUGLAS, CHRISTOPHER ROUSE e RICHARD PEARSON – “United 93”

MELHOR FILME DE LÍNGUA NÃO INGLESA
“EFTER BRYLLUPPET” (“AFTER THE WEDDING”), de Susanne Bier (Dinamarca)
“DAYS OF GLORY”, de Rachid Bouchareb (Argélia)
“DAS LEBEN DER ANDEREN” (“THE LIVES OF OTHERS”), de Florian Henckel von Donnersmarck (Alemanha)
“EL LABERINTO DEL FAUNO” (“PAN’S LABYRINTH”), de Guillermo del Toro (México)
“WATER”, de Deepa Mehta (Canadá)

MELHOR CARACTERIZAÇÃO
ALDO SIGNORETTI e VITTORIO SODANO – “Apocalypto”
KAZUHIRO TSUJI e BILL CORSO – “Click”
DAVID MARTI e MONTSE RIBE – “El Laberinto del Fauno”

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL
GUSTAVO SANTAOLALLA por “Babel”
THOMAS NEWMAN por “The Good German”
PHILIP GLASS por “Notes on a Scandal”
JAVIER NAVARRETE por “El Laberinto del Fauno”
ALEXANDRE DESPLAT por “The Queen”

MELHOR CANÇÃO
I NEED TO WAKE UP“An Inconvenient Truth” (música e letra de Melissa Etheridge)
LISTEN“Dreamgirls” (música e letra de Beyoncé Knowles, Henry Krieger, Anne Preven e Scott Cutler)
LOVE YOU I DO“Dreamgirls” (música de Henry Krieger e letra de Siedah Garrett)
OUR TOWN – “Cars” (música e letra de Randy Newman)
PATIENCE“Dreamgirls” (música de Henry Krieger e letra de Willie Reale)

MELHOR FILME
“BABEL”, de Alejandro González Iñarritu
“THE DEPARTED”, de Martin Scorsese
“LETTERS FROM IWO JIMA”, de Clint Eastwood
“LITTLE MISS SUNSHINE”, de Jonathan Dayton e Valerie Faris
“THE QUEEN”, de Stephen Frears

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
“THE DANISH POET”, de Torill Kove
“LIFTED”, de Gary Rydstrom
“THE LITTLE MATCHGIRL”, de Roger Allers e Don Hahn
“MAESTRO”, de Geza M. Toth
“NO TIME FOR NUTS”, de Chris Renaud and Michael Thurmeier

MELHOR CURTA-METRAGEM
“BINTA Y LA GRAN IDEA”, de Javier Fesser (Espanha)
“ÉRAMOS POCOS”, de Borja Cobeaga (Espanha)
“HELMER & SON”, de Soren Pilmark e Kim Magnusson (Dinamarca)
“THE SAVIOUR”, de Peter Templeman (Australia)
“WEST BANK STORY”, de Ari Sandel (EUA)

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
SEAN McCORMACK e KAMI ASGAR – “Apocalypto”
LON BENDER – “Blood Diamond”
ALAN ROBERT MURRAY e BUB ASMAN – “Flags of Our Fathers”
ALAN ROBERT MURRAY – “Letters From Iwo Jima”
CHRISTOPHER BOYES e GEORGE WATTERS II – “Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest”

MELHOR SONOPLASTIA
KEVIN O'CONNELL, GREG P. RUSSELL e FERNANDO CAMARA – “Apocalypto”
ANDY NELSON, ANNA BEHLMER e IVAN SHARROCK – “Blood Diamond”
MICHAEL MINKLER, BOB BEEMER e WILLIE BURTON – “Dreamgirls”
JOHN REITZ, DAVE CAMPBELL, GREGG RUDLOFF e WALT MARTIN – “Flags of Our Fathers”
PAUL MASSEY, CHRISTOPHER BOYES e LEE ORLOFF – “Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest”

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
JOHN KNOLL, HAL HICKEL, CHARLES GIBSON e ALLEN HALL – “Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest”
BOYD SHERMIS, KIM LIBRERI, CHAZ JARRETT e JOHN FRAZIER – “Poseidon”
MARK STETSON, NEIL CORBOULD, RICHARD R. HOOVER e JON THUM – “Superman Returns”

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
Argumento de SACHA BARON COHEN, ANTHONTY HINES, PETER BAYNHAM e DAN MAZER, História de SACHA BARON COHEN, PETER BAYNHAM, ANTHONTY HINES e TODD PHILLIPS – “Borat: Cultural Learnings Of America For Make Benefit Glorious Nation Of Kazakhstan”
ALFONSO CUARÓN, TIMOTHY J. SEXTON, DAVID ARATA, MARK FERGUS e HAWK OSTBY – “Children of Men”
WILLIAM MONAHAN por “The Departed”
TOOD FIELD e TOM PERROTTA por “Little Children”
PATRICK MARBER por “Notes on a Scandal”

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
GUILLERMO ARRIAGA por “Babel”
Argumento de IRIS YAMASHITA, História de IRIS YAMASHITA e PAUL HAGGIS por “Letters From Iwo Jima”
MICHAEL ARNDT por “Little Miss Sunshine”
GUILLERMO DEL TORO por “El Laberinto del Fauno”
PETER MORGAN por “The Queen”




realizado por Rita às 15:58
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Domingo, 21 de Janeiro de 2007
Lilith


O amor como caminho para a loucura. O amor como caminho de regresso. O amor como única forma de nos relacionarmos com os outros.



“If I died tonight, would it have been enough? Then I'll live forever.”





LILITH, de Robert Rossen (1964)





realizado por Rita às 12:29
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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007
Fast Food Nation ***

Realização: Richard Linklater. Elenco: Patricia Arquette, Bobby Cannavale, Paul Dano, Luis Guzmán, Ethan Hawke, Ashley Johnson, Greg Kinnear, Kris Kristofferson, Avril Lavigne, Esai Morales, Catalina Sandino Moreno, Lou Taylor Pucci, Ana Claudia Talancón, Wilmer Valderrama, Bruce Willis. Nacionalidade: Reino Unido / EUA, 2006.





Mickey's é uma cadeia de fast food (ficcional) que ambiciona ser maior do que as reais McDonald's e Burger King. Don Anderson (Greg Kinnear, “Little Miss Sunshine”) é o vice-presidente de marketing da empresa, encarregue de investigar o que se passa nas instalações da empresa Uniglobe, no Colorado, de onde vem a carne do seu produto de primeira linha – o Big One –, e cujas análises indicam uma elevada quantidade de coliformes fecais, isto é, fezes.


Os trabalhadores da Uniglobe são, na sua maioria, emigrantes mexicanos. Sylvia (Catalina Sandino Moreno, “Maria Cheia de Graça”), o seu marido Raul (Wilmer Valderrama) e a sua irmã Coco (Ana Claudia Talancón) acabaram de atravessar ilegalmente a fronteira e a Uniglobe e o seu abusivo supervisor (Bobby Cannavale) parecem ser a sua única alternativa.


Amber (Ashley Johnson) trabalha numa loja Mickey's. O seu convívio com um grupo de jovens revoltados e uma séria conversa com o seu tio Pete (Ethan Hawke, “Before Sunrise”, “Before Sunset”), levanta-lhe questões éticas e fá-la pôr em causa o seu emprego.


Fazendo uso da ficção, Linklater e Schlosser relatam uma perturbante realidade sobre a indústria de fast food. A uma velocidade semelhante à de atendimento dos clientes deste tipo de estabelecimentos, o foco vai passando entre personagens que representam muitos dos que são afectados pela hegemonia de poderosas indústrias, do executivo de marketing ao emigrante sem documentos nem formação, chamam a atenção para as trágicas repercussões sociais de uma gestão económica completamente autista.


“Fast Food Nation” é um filme impregnado de sátira, que ambiciona ser intervencionista e subversivo. À semelhança de Michael Moore, Linklater é totalmente parcial. E se eu não tinha pensado nisso ao longo de todo o filme, com as violentas e perturbantes imagens do matadouro na parte final, eu seria capaz de jurar que Linklater é vegetariano. Mas, ao contrário de Moore, a Linklater falta-lhe a raiva. Enquanto, por um lado, isso lhe pode retirar algum impacto junto do público, por outro, faz-nos olhar com mais atenção para os detalhes.


Richard Linklater adaptou, em conjunto com Eric Schlosser, o livro "Fast Food Nation: The Dark Side of the All-American Meal", da autoria deste último. Mantendo um visual documental, as opções de “Fast Food Nation” são totalmente diferentes das de “Super Size Me” (2004), sobretudo porque os efeitos deste tipo de alimentação na saúde são relegados para um plano secundário (afinal de contas já todos sabemos isso, mesmo quem é cliente habitual destas cadeias).


“Fast Food Nation” centra-se nos dilemas e limites da acção humana nos espectros económico e social. Fazer com que a nossa vida faça alguma diferença e lutar pelos valores em que acreditamos não é um caminho suave e pode exigir opções difíceis. A circularidade da personagem de Kinnear representa a cegueira face à realidade, aquela cegueira voluntária que lhe permite ir trabalhar todos os dias. Esta trágica desesperança é marcada pela frieza de um dos muitos elementos da maléfica engrenagem, Harry Rydell (Bruce Willis num grande momento), e por uma derrota moral da personagem de Sandino Moreno (de uma beleza dolorosamente inocente), porque nem todos se podem dar ao luxo de ser virtuosos.


Numa cena profundamente metafórica, os consumidores são devorados pela própria indústria. O menu está à nossa frente, é só escolher. “Do you want lies with that?”











realizado por Rita às 01:30
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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007
Flags Of Our Fathers ***

Realização: Clint Eastwood. Elenco: Ryan Phillippe, Jesse Bradford, Adam Beach, John Benjamin Hickey, John Slattery, Barry Pepper, Jamie Bell, Paul Walker, Robert Patrick, Neal McDonough, Melanie Lynskey, Tom McCarthy. Nacionalidade: EUA, 2006.





Baseando-se no livro de James Bradley e Ron Powers, o realizador Clint Eastwood e o argumentista Paul Haggis (equipa responsável por “Million Dollar Baby”) e a quem se juntou William Broyles Jr., trazem-nos em “Flags Of Our Fathers” uma desconstrução do heroísmo e da propaganda de guerra.


23 de Fevereiro de 1945 era o 5º dia de uma batalha que iria durar 5 semanas pela conquista da estratégica ilha japonesa de Iwo Jima. Cinco marines e um médico da marinha içam a bandeira americana no cimo do Monte Suribachi. A sua foi a segunda a ser içada naquele dia, depois da primeira ter sido cobiçada por um oficial de outra companhia. O fotógrafo Joe Rosenthal captou na sua objectiva esse momento, sem saber que este se iria tornar um ícone da história americana e granjear-lhe o Prémio Pulitzer.


Reproduzida em todo o mundo, aquela fotografia deu um novo alento aos desiludidos americanos e transformou instantaneamente os seus protagonistas em heróis. Mas a verdade da sua história era bastante mais dura. Apenas três desses homens sobreviveram. Feitos regressar imediatamente ao seu país, foram utilizados como meio de propaganda política, obrigados a efectuar uma tournée pelo país - onde têm também que dramatizar o evento de Suribachi - para promover o financiamento da guerra através de títulos (esta campanha conseguiu angariar cerca de 23,3 mil milhões de dólares).


James Bradley, o autor do livro, é filho de John “Doc” Bradley, o médico na foto de Rosenthal, aqui interpretado por um sereno e abismado Ryan Phillipe. Os outros dois protagonistas desta história são Rene Gagnon (Jesse Bradford), aquele que melhor assume o papel de herói e que espera retirar dividendos de toda a exposição, e Ira Hayes (um poderoso Adam Beach), descendente de índios Pima, que nunca consegue efectivamente entender toda aquela manipulação e que acaba por cair no alcoolismo. Uma fama que é tanto mais chocante quando o futuro pouco glorioso - no sentido mediático do termo - que os espera a todos.


A narrativa de “Flags Of Our Fathers” move-se entre os momentos da batalha, o regresso a casa e a actualidade, onde James Bradley (Tom McCarthy) recupera a história através das memórias dos intervenientes. Uma estrutura que adiciona um considerável peso a este filme. Um dos pontos verdadeiramente fortes são interpretações complexas e sólidas que Eastwood retira dos seus actores.


A presença de Steven Spielberg na produção torna inevitável ler algumas semelhanças estéticas com “Saving Private Ryan”, sobretudo ao nível do detalhe e da intensidade. Os efeitos visuais fundem-se no filme sem chamar a atenção, ao mesmo tempo que a fotografia de Tom Stern, trabalhando a paisagem de Sandvík, Islândia, em cinzentos, azuis e castanhos, se cola às fotografias reais da batalha que acompanham todo o genérico final.


Através do símbolo de unidade, empenho, e sacrifício por uma causa comum que aquela fotografia constitui, esta história foca a dualidade entre a “venda” da guerra e a sua realidade, entre a máquina que está por detrás e os indivíduos que estão na linha da frente. Estes homens, partilhando a culpa dos sobreviventes, ficam presos entre a lenda e os factos (houve inclusivamente acusações de que a foto teria sido encenada), entre aquilo que os outros esperam deles e aquilo que tiveram de suportar em nome de outros.


“Flags Of Our Fathers” é simultanea e equilibradamente uma mensagem anti-guerra e um tributo ao valor dos seus soldados. Como é mostrado no filme, a guerra é sobretudo uma questão de lealdade para com os companheiros no campo de batalha, não é nem política nem patriotismo. Hayes recusa o título de herói pelo simples facto de apenas ter tentado não ser atingido. Mas em casa eram outras armas que o agrediam, armas das quais não se conseguiu proteger.


“Flags Of Our Fathers” tem uma visão dura e abrangente sobre o custo humano da guerra. Em Iwo Jima morreram cerca de 7 000 americanos e 22 000 japoneses. O ponto de vista destes últimos será relatado por Clint Eastwood numa segunda parte, intitulada “Letters From Iwo Jima”, protagonizada por Ken Watanabe e que deverá chegar à Europa em Fevereiro deste ano.






CITAÇÕES:


“We like things nice and simple. Good and evil. Heroes and villains. Most of the time, they’re not who we think they are.”
THOMAS McCARTHY (James Bradley)


“I can't take them calling me a hero. All I did was try not to get shot.”
ADAM BEACH (Ira Hayes)


“I finally came to the conclusion that maybe he was right, maybe there are no such things as heroes maybe there are just people like my dad, I finally came to understand why they were so uncomfortable being called heroes. Heroes are something we create, something we need. It's a way for us to understand what is almost incomprehensible, how people could sacrifice so much for us, but for my dad and these men the risks they took, the wounds they suffered, they did that for their buddies, they may have fought for there country but they died for there friends. For the man in front for the man beside him, and if we wish to truly honor these men we should remember them the way they really were the way my dad remembered them.”
THOMAS McCARTHY (James Bradley)






realizado por Rita às 20:56
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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007
Persona


Detrás da sinuosa fila dos que deixaram a exposição de Amadeo de Souza-Cardoso para o último dia, no passado domingo, outro tipo de espectadores instalava-se no Grande Auditório da Gulbenkian para assistir a mais uma sessão do ciclo Como o Cinema é Belo.



Um poema visual sobre a identidade, sobre o vampirismo do pensamento sobre o sentimento, da dualidade entre a consciência e a alma, entre a máscara que usamos e quem somos na realidade, entre a empatia e a repulsa do conhecimento profundo. Um filme sobre o distanciamento entre a arte e o indivíduo, entre o artista e a sua obra, e até que ponto aquilo que fazemos nos define como pessoas.





Bibi Andersson e Liv Ullmann em PERSONA, de Ingmar Bergman (1966)





realizado por Rita às 01:00
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Terça-feira, 16 de Janeiro de 2007
Golden Globes 2007




Este foi o resultado da noite passada, na 64ª cerimónia dos Golden Globes:



MELHOR FILME – DRAMA
Vencedor: “BABEL”, de Alejandro González Iñarritu
Outros nomeados:
“BOBBY”, de Emilio Estevez
“THE DEPARTED”, de Martin Scorsese
“LITTLE CHILDREN”, de Todd Field
“THE QUEEN”, de Stephen Frears

MELHOR FILME - MUSICAL OU COMÉDIA
Vencedor: “DREAMGIRLS”, de Bill Condon
Outros nomeados:
“BORAT”, de Larry Charles
“THE DEVIL WEARS PRADA”, de David Frankel
“LITTLE MISS SUNSHINE”, de Jonathan Dayton e Valerie Faris
“THANK YOU FOR SMOKING”, de Jason Reitman

MELHOR ACTOR - DRAMA
Vencedor: FOREST WHITAKER por “The Last King of Scotland”, de Kevin Macdonald
Outros nomeados:
LEONARDO DiCAPRIO por “Blood Diamond”, de Edward Zwick
LEONARDO DiCAPRIO por “The Departed”, de Martin Scorsese
PETER O’TOOLE por “Venus”, de Roger Michell
WILL SMITH por “The Pursuit of Happiness”, de Gabriele Muccino

MELHOR ACTRIZ - DRAMA
Vencedora: HELEN MIRREN por “The Queen”, de Stephen Frears
Outros nomeados:
PENÉLOPE CRUZ por “Volver”, de Pedro Almodóvar
JUDI DENCH por “Notes on a Scandal, de Richard Eyre
MAGGIE GYLENHAAL por “SherryBaby”, de Laurie Collyer
KATE WINSLET por “Little Children”, de Todd Field

MELHOR ACTOR - MUSICAL OU COMÉDIA
Vencedor: SACHA COHEN por “Borat”, de Larry Charles
Outros nomeados:
JOHNNY DEPP por “Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest”, de Gore Verbinski
AARON ECKHART por “Thank You For Smoking”, de Jason Reitman
CHIWETEL EJIOFOR por “Kinky Boots”, de Julian Jarrold
WILL FERRELL por “Stranger Than Fiction”, de Marc Forster

MELHOR ACTRIZ - MUSICAL OU COMÉDIA
Vencedora: MERYL STREEP por “The Devil Waers Prada”, de David Frankel
Outros nomeados:
ANNETTE BENING por “Running With Scissors”, de Ryan Murphy
TONI COLETTE por “Little Miss Sunshine”, de Jonathan Dayton e Valerie Faris
BEYONCÉ KNOWLES por “Dreamgirls”, de Bill Condon
RENÉE ZELLWEGER por “Miss Potter”, de Chris Noonan

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Vencedor: EDDIE MURPHY por “Dreamgirls”, de Bill Condon
Outros nomeados:
BEN AFFLECK por “Hollywoodland”, de Allen Coulter
JACK NICHOLSON por “The Departed”, de Martin Scorsese
BRAD PITT por “Babel”, de Alejandro González Iñarritu
MARK WAHLBERG por The Departed”, de Martin Scorsese

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Vencedora: JENNIFER HUDSON por “Dreamgirls”, de Bill Condon
Outros nomeados:
ADRIANA BARRAZA por “Babel”, de Alejandro González Iñarritu
CATE BLANCHET por “Notes on a Scandal, de Richard Eyre
EMILY BLUNT por por “The Devil Waers Prada”, de David Frankel
RINKO KIKUCHI por “Babel”, de Alejandro González Iñarritu

MELHOR REALIZADOR
Vencedor: MARTIN SCORSESE por “The Departed”
Outros nomeados:
CLINT EASTWOOD por “Flags Of Our Fathers”
CLINT EASTWOOD por “Letters From Iwo Jima”
STEPHEN FREARS por “The Queen”
ALEJANDRO GONZÁLEZ IÑARRITU por “Babel”

MELHOR ARGUMENTO
Vencedor: PETER MORGAN por “The Queen”
Outros nomeados:
GUILLERMO ARRIAGA por “Babel”
WILLIAM MONAHAN por “The Departed”
TOOD FIELD e TOM PERROTTA por “Little Children”
PATRICK MARBER por “Notes on a Scandal”

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Vencedor: A SONG OF THE HEART – “Happy Feet” (música e letra de Prince Rogers Nelson)
Outros nomeados:
A FATHER’S WAY – “The Pursuit Of Happyness” (música de Seal and Christopher Bruce e letra de Seal)
LISTEN – “ Dreamgirls” (música e letra de Beyoncé Knowles, Henry Krieger, Anne Preven e Scott Cutler)
NEVER GONNA BREAK MY FAITH – “Bobby” (música e letra de Bryan Adams, Eliot Kennedy e Andrea Remanda)
TRY NOT TO REMEMBER – “Home Of The Brave” (música e letra de Sheryl Crow)

MELHOR BANDA SONORA
Vencedor: ALEXANDRE DESPLAT por “The Painted Veil”
Outros nomeados:
CLINT MANSELL por “The Fountain”
GUSTAVO SANTAOLALLA por “Babel”
CARLO SILIOTTO por “Nomad”
HANS ZIMMER por “The Da Vinci Code”

MELHOR FILME DE LÍNGUA NÃO INGLESA
Vencedor: “LETTERS FROM IWO JIMA”, de Clint Eastwood (Japão, EUA)
Outros nomeados:
“APOCALYPTO”, de Mel Gibson (EUA)
“DAS LEBEN DER ANDEREN”, de Florian Henckel von Donnersmarck (Alemanha)
“EL LABERINTO DEL FAUNO”, de Guillermo del Toro (México)
“VOLVER”, de Pedro Almodóvar (Espanha)

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
Vencedor: “CARS”, de John Lasseter e Joe Ranft
Outros nomeados:
“HAPPY FEET”, de George Miller
“MONSTER HOUSE”, de Gil Kenan

PRÉMIO CECIL B. DeMILLE
Warren Beaty



Restantes prémios aqui.




realizado por Rita às 08:35
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Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007
The Prestige ****

Realização: Christopher Nolan. Elenco: Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine, Rebecca Hall, Scarlett Johansson, David Bowie, Andy Serkis, Samantha Mahurin, Piper Perabo. Nacionalidade: EUA / Reino Unido, 2006.





“The Prestige”, baseado no livro homónimo de Christopher Priest, está construído como os golpes de magia de que fala. Também ele dividido em três partes: ‘The Pledge’, ‘The Turn’ e ‘The Prestige’ – a preparação, o truque, e a revelação.


Rupert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale) são dois ilusionistas em início de carreira, o primeiro um tradicionalista, o segundo um inovador. O trágico desfecho de um número marca o início de uma rivalidade na qual, durante anos, eles se debatem pelo melhor truque de magia. O desafio final chega quando Borden cria “O Homem Transportado” e Angiers fica obcecado por descobrir o seu método.


Num argumento partilhado com o seu irmão Johnathan, Christopher Nolan, realizador dos inesquecíveis “Memento” (2000), “Insomnia” (2002),“Batman Begins” (2005) – e da sua sequela “The Dark Knight” (2008) –, conta uma história de ciúme profissional e de vingança, e da capacidade de dois homens fazerem coisas horríveis em nome de ambos. Algumas das concepções mais irreais deste filme fazem-nos pensar sobre questões verdadeiramente perturbantes.


Naquele que pode ser considerado o irmão erudito do anterior “The Illusionist”, Nolan manipula-nos. Como num golpe de magia, ele diz-nos para onde olhar, com cada viragem tentamos decifrar o enigma que temos entre mãos, e a cada nova informação revemos as nossas percepções anteriores. “The Prestige” é um filme que puxa pelo espectador, e isso também devido às difíceis escolhas de estrutura de Nolan, como é o caso de flashbacks dentro de flashbacks.


Um filme de época, “The Prestige” foca as inovações técnicas do final do século XIX, e aquela que é a “magia real”: a ciência. Para o efeito, faz uso de uma personagem real, o físico sérvio Nikola Tesla (um impressionante David Bowie, cuja voz – Zeus! – nem um sotaque sérvio consegue esconder). O filme explora em particular a sua rivalidade com Thomas Edison e as suas investigações sobre geração e transmissão eléctrica em Colorado Springs. Como seu assistente, Mr. Alley, está o actor Andy Serkis, mais famoso por “não ser visto” no ecrã em papéis como Gollum ou King Kong.


Christian Bale e Hugh Jackman protagonizam um grande duelo de forças, o primeiro com a intensidade e versatilidade à qual nos tem vindo a habituar, o segundo com uma solidez cada vez mais interessante. A escolha menos acertada foi a de Scarlett Johansson, relegada para um papel quase só meramente decorativo. E “The Prestige” é, de facto, esteticamente deslumbrante: um fabuloso design de produção, um guarda-roupa delicioso (ainda estou a sonhar com aquele corpete-ligas de Johansson...) e a fotografia luxuriante de Wally Pfister (colaborador habitual de Nolan).


Alguns ficarão desiludidos quando este filme chegar ao fim. Perceber “The Prestige” é, no limite, a mesma sensação de perda que se tem quando se entende como funciona o truque, um misto de alívio e desencanto. Porque, na verdade, nós não queremos saber. Nós queremos ser enganados, bem enganados.


Este filme é para aqueles que sabem que o maior gozo do mistério é o processo de ir construindo a solução e não a solução em si mesma. Afinal de contas, magia é apenas desviar a nossa atenção de um ágil movimento da mão. E Nolan tem uma mão verdadeiramente ágil. “Are you watching closely?”






CITAÇÕES:


“Every great magic trick consists of three acts. The first act is called "The Pledge"; The magician shows you something ordinary, but of course... it probably isn't. The second act is called "The Turn"; The magician makes his ordinary some thing do something extraordinary. Now if you're looking for the secret... you won't find it, that's why there's a third act called, "The Prestige"; this is the part with the twists and turns, where lives hang in the balance, and you see something shocking you've never seen before.”
MICHAEL CAINE (Cutter)


“Robert Angier - I never thought I'd find an answer at the bottom of a pint glass.
Cutter - Hasn't stopped you looking, has it?”
HUGH JACKMAN (Robert Angier) e MICHAEL CAINE (Cutter)


“No one cares about the man in the box, the man who disappears.”
HUGH JACKMAN (Robert Angier)


“Now you're looking for the secret... but you won't find it because you're not really looking. You don't really want to know the secret... You want to be fooled.”
MICHAEL CAINE (Cutter)






realizado por Rita às 01:46
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007
Apocalypto **

Realização: Mel Gibson. Elenco: Rudy Youngblood, Dalia Hernandez, Jonathan Brewer, Morris Birdyellowhead, Carlos Emilio Baez, Ramirez Amilcar, Israel Contreras, Israel Rios. Nacionalidade: EUA, 2006.





“Apocalypto” inicia-se com uma citação do filósofo, historiador e escritor Will Durant sobre Roma, referindo que uma civilização só é conquistada do exterior quando já se destruiu a si mesma. Supostamente, este filme versa sobre a civilização Maia, apesar dessa referência nunca ser explicitada. Mas nem sequer a sugestão de que “Apocalypto” possa ter algum fundamento histórico sustém a sua vacuidade.


“Apocalypto” conta a história de Pata-Jaguar (Rudy Youngblood), um jovem caçador de uma aldeia no meio da floresta tropical. Quando a sua aldeia é atacada por um grupo de guerreiros, o instinto de Pata-Jaguar leva-o a proteger a sua família. Mas quando é capturado a luta pela sua própria sobrevivência não é mais do que a luta pela sobrevivência daqueles que ama e que deixou para trás. Carregando este filme aos ombros, o estreante Rudy Youngblood plasma a transformação da inocência em agressividade, de um homem de família num astuto estratega.


“Apocalypto” é visualmente impressionante. Tem planos verdadeiramente criativos, um ritmo electrizante e a lindíssima fotografia de Dean Semler. Da floresta verdejante à imponente cidade, as paisagens mexicanas e os cenários são de tirar o fôlego. Mas o fascínio de Mel Gibson por sangue, já patente em “The Passion of the Christ” (2004), parece ter-se agravado. “Apocalypto” é puro gore, e a sua qualidade técnica torna-o o extremamente violento. O espectador é forçado a superar imagens explicitamente cruéis (algumas delas tontas até) na esperança de que a história diante dos seus olhos se mostre digna desse esforço. Mas Gibson mostra apenas uma obsessão estética.


Se “Apocalypto” tem uma mensagem, ela não chega até nós. Tendo em conta os poucos diálogos (os que há, são em Maia), talvez seja mais fácil olhar para este filme como apenas um action movie, sem lhe pedir muito mais. Simplesmente, aproveitar a(s) sua(s) forma(s). Como as da loura que foge e grita durante todo um filme de terror. Com a diferença que aqui é um americano nativo – daqueles que Gibson provavelmente acredita que acabariam metidos em reservas, independentemente das chacinas dos colonos americanos. Tal como parece achar que a dizimação étnica dos conquistadores espanhóis foi consideravelmente irrelevante para o inevitável desaparecimento da sociedade Maia, marcada por fortes superstições e contrastes sociais.


Apesar desta visão parcial, não deixa de ser interessante fazer aqui uma leitura paralela para a nossa realidade: avisando-nos da destruição que nos espera se continuarmos a insistir nos nossos excessos.






CITAÇÕES:


“A great civilization is not conquered from without until it has destroyed itself within. [The essential causes of Rome's decline lay in her people, her morals, her class struggle, her failing trade, her bureaucratic despotism, her stifling taxes, her consuming wars.]”
WILL DURANT






realizado por Rita às 01:40
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007
As Tartarugas Também Voam ****

T.O.: Lakposhtha hâm parvaz mikonand. Realização: Bahman Ghobadi. Elenco: Soran Ebrahim, Avaz Latif, Saddam Hossein Feysal, Hiresh Feysal Rahman, Abdol Rahman Karim, Ajil Zibari. Nacionalidade: Irão / França / Iraque, 2004.





Satellite (Soran Ebrahim), é um carismático jovem de 13 anos que vive num campo de refugiados Curdos, na fronteira entre a Turquia e o Iraque. A sua alcunha deriva do seu talento na instalação de antenas de televisão. Satellite é uma figura paternal para as restantes crianças do campo, supervisionando o seu trabalho na recolha de minas terrestres cuja venda garante o dinheiro para a sua difícil sobrevivência. As capacidade de Satellite e seus parcos conhecimentos de inglês são valorizados por toda a aldeia que anseia por notícias da iminente invasão do Iraque pelas tropas de George W. Bush. Satellite ouve falar de um rapaz capaz de prever o futuro, e é então que conhece Hengov (Hiresh Faysal Rahman), um rapaz sem braços que viaja com a sua bonita irmã Agrin (Avaz Latif) e o seu irmão mais novo Riga (Abdol Rahman Karim).


São estas as personagens de “As Tartarugas Também Voam”, crianças e adolescentes que parecem envelhecer perante os nossos olhos, vivendo quotidianamente uma trágica realidade, numa sociedade forçada por circunstâncias extremas, como símbolo da experiência de todos os refugiados, paralisados e, simultaneamente, impelidos pelos mesmo desespero. A excessiva actividade de Satellite parece ser aquilo que o protege de reflectir sobre a sua própria vida.


Durante anos os Curdos lutaram com a Turquia, o Iraque, o Irão e a Síria no sentido de definirem uma nação que todos os outros estados se recusam a reconhecer. Aqui, esperam ansiosamente pela chegada dos americanos e pela queda de Saddam Hussein, mas é bem possível que o seu futuro esteja fora do seu alcance. Perante a incerteza do seu destino, desenham-se dois caminhos. Ao optimismo irredutível de Satellite (representado pela colorida bicicleta que o acompanha), marcado pela coragem e por uma estranha sabedoria, opõe-se a alma ferida, atormentada e agonizante de Agrin.


Bahman Ghobadi (“Um Tempo Para Cavalos Bêbados”, 2000), ele próprio Curdo-Iraniano, utiliza imagens duras e cruas ao colocar caras na abstracção de que ouvimos falar de longe, mas em nenhum momento o seu intuito é chocar ou explorar o sofrimento humano. Neste retrato de miséria humana, onde a beleza e o horror se misturam de uma forma perturbante, não há lugar para a auto-comiseração. Ghobadi tem também o talento de encontrar humor no meio da desolação, tirando todo o partido da espontaneidade, autenticidade e força de um conjunto de actores não-profissinais, muitos dos quais reais refugiados e alguns deles com os corpos mutilados por minas terrestres. Outro dos méritos de Ghobadi é ter conseguido evitar uma abordagem política. Mas o sentimento final de desilusão não deixa de fazer pensar na utilização que os EUA fazem de quem lhes convém, para depois os largarem à sua sorte quando a sua utilidade termina.


Entre sofrimentos e profecias, a salvação deste inferno não é uma questão de fé. Nesta parte do mundo ainda não é possível um final feliz.






realizado por Rita às 01:12
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Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007
L’Odore del Sangue **

Realização: Mario Martone. Elenco: Fanny Ardant, Michele Placido, Giovanna Giuliani. Nacionalidade: França / Itália, 2004.





Carlo (Michele Placido) é um escritor na casa dos cinquenta que divide a sua vida entre um apartamento em Roma, partilhado com a sua mulher Silvia (Fanny Ardant), directora de uma galeria, e uma casa no campo, partilhada com Lù (Giovanna Giuliani), a sua jovem amante. Carlo e Silvia vivem, de comum acordo, uma relação sem exclusividade onde a sinceridade impera. Mas o aparente equilíbrio desta cumplicidade agrava-se quando Silvia anuncia a Carlo que também ela arranjou um amante mais jovem. A curiosidade de Carlo sobre esta personagem, que assume um papel cada vez mais importante na vida de Silvia, acaba por ocultar um ciúme que ele próprio não consegue controlar.


A adaptação do livro de Goffredo Parise por Mario Martone é marcada por uma tensão contínua entre personagens cuja crueza verbal e física oculta um profundo medo de perder, e cuja cumplicidade se vai gradualmente transformando num jogo de massacre. De uma forma possessiva e masoquista, Carlo tenta esmiuçar os detalhes da relação de Silvia, num caminho que se adivinha destrutivo.


“L’Odore del Sangue” poderia ter sido um resultado interessante se Martone tivesse conseguido fazer com que nos interessássemos verdadeiramente por estas almas torturadas. Apesar dos fortes actores, somos mantidos demasiado longe das angústias e ansiedades deste casal. O ritmo lento da narrativa também não ajuda.


Nem sempre o racional e o emocional convivem pacificamente no seio de uma relação. E é preciso especial cuidado quando se mudam as regras do jogo. Mas a pior das ilusões é quando nos mentimos a nós próprios sobre os nossos desejos e sobre os nossos medos. Valerá a pena destruirmo-nos a nós mesmos para preservar o amor?






realizado por Rita às 00:40
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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2007
Babel *****

Realização: Alejandro González Iñárritu. Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal, Adriana Barraza, Kôji Yakusho, Rinko Kikuchi, Elle Fanning, Nathan Gamble, Mohamed Akhzam, Boubker Ait El Caid, Said Tarchani, Mustapha Rachidi, Michael Pena, Clifton Collins Jr.. Nacionalidade: EUA / México, 2006.





Um casal americano com problemas conjugais, Richard (Brad Pitt) e Susan (Cate Blanchett), vê as suas férias em Marrocos serem abaladas quando Susan é alvejada no autocarro onde viajam. Yussef (Boubker Ait El Caid) e Ahmed (Said Tarchani), filhos de um pobre pastor marroquino, brincam com a espingarda que o pai acabou de comprar para matar chacais. Amelia (Adriana Barraza), a ama de Mike (Nathan Gamble) e Debbie (Elle Fanning), filhos de Richard e Susan, não consegue arranjar ninguém que tome conta deles, e decide levá-los consigo e com o seu sobrinho Santiago (Gael García Bernal) ao casamento do seu filho no México. Tudo corre bem até que, no regresso, são inspeccionados pela zelosa polícia fronteiriça. Chieko (Rinko Kikuchi) é uma adolescente japonesa surda em pleno despertar sexual que direcciona a sua raiva contra o pai, Yasujiro (Kôji Yakusho), de quem se sente afastada desde a morte da sua mãe.


À semelhança dos seus anteriores filmes da equipa Guillermo Arriaga e Alejandro González Iñárritu, argumentista e realizador respectivamente, “Amores Perros” (2000) e “21 Grams” (2003), também “Babel” é tecido com várias narrativas que se interligam. Cada uma delas contém em si mesma um tremendo peso e profundidade, o que torna o resultado global emocionalmente avassalador. O novelo é tecido com mestria, a tensão é acumulada e libertada nos momentos adequados e, apesar dos saltos temporais e espaciais, “Babel” nunca se torna confuso, ao contrário do que se poderia esperar de um filme com este título.


“Babel” faz um retrato duro e incisivo sobre a comunicação no mundo actual, ou melhor, a falta dela. Mas Guillermo Arriaga e Alejandro González Iñárritu não se limitam a evidenciar diferenças culturais. Os “idiomas” que “Babel” põe em causa vão desde o político (a Embaixada Americana mostra-se mais interessada em acusar terroristas e publicitar o incidente nos noticiários do que a enviar uma ambulância para socorrer Susan); até ao pessoal, quando dois indivíduos que falam a mesma língua e partilham uma vida em comum se comportam como estranhos. Pelo caminho passa-se por todo um conjunto de malentendidos e preconceitos, Iñárritu coloca-nos, sem misericórdia, perante uma revoltante realidade.


Mas mostra-nos também a possibilidade de luz, na força que a empatia tem de derrubar barreiras que parecem intransponíveis. Os momentos mais tocantes de “Babel” são os instantes em que, de facto, os seres humanos atravessam essa ponte que os separa do outro: quando Amelia fala com Mike e Debbie em espanhol e eles, entendendo-a, lhe respondem em inglês; quando, a um nível humanamente básico de entendimento, uma idosa acalma a dor de Susan; quando Chieko transmite toda a sua vulnerabilidade a um estranho; ou quando Richard e Susan se reencontram no limite da fragilidade. Infelizmente, parece que o sofrimento é a única forma de fazer com que o ser humano se veja reflectido no outro.


“Babel” está cheio de boas interpretações, habilmente doseadas em termos de celebridade e equilibradas em termos de tempo de ecrã. Brad Pitt tem uma das suas melhores interpretações, como um homem que fugiu à tragédia no seu passado, mas que desta vez está firmemente decidido a ficar e lutar. Adriana Barraza é fabulosa e desconcertante, e Rinko Kikuchi, limitada à expressão facial e corporal, é especialmente impressionante.


“Babel” é um filme trágico e belo, que exige ao espectador, de uma forma quase contínua, a digestão de dramas humanos que, exactamente por serem de outros, nos pertencem a todos. Mas conseguir ler neste filme a esperança (a generosidade de que o Homem é capaz para com o seu semelhante) é a tarefa mais complicada. Quem o consiga, terá aqui uma experiência cinematográfica verdadeiramente gratificante.


Temos todas as capacidades de chegarmos uns aos outros, e teimamos em fechar-nos no nosso mundo, falsamente controlado e falsamente limitado. Não é Deus que castiga o Homem. É ele que se inflige a si próprio este castigo, insistindo num comportamento altamente destrutivo, recusando-se a escutar, a entender, a tolerar o outro, que é, no fundo, ele próprio.








Génesis 11

A torre de Babel


1 - Naquele tempo toda a humanidade falava uma só língua.

2 - Ora, deslocando-se e espalhando-se em direcção do oriente, os homens descobriram uma planície na terra de Babilónia e depressa a povoaram.

3 - E começaram a falar em construir uma grande cidade, para o que fizeram tijolos de terra bem cozida para servir de pedra de construção e usaram alcatrão em vez de argamassa.

4 - E nessa cidade projectaram levantar um templo com a forma de uma torre altíssima que chegasse até aos céus, qualquer coisa que se tornasse um monumento a si próprios. Isto, disseram, impedirá que nos espalhemos ao acaso pela terra toda.

5 - O Senhor desceu para ver a cidade e a torre que estavam a levantar:

6 - Vejamos: se isto é o que eles já são capazes de fazer, sendo um só povo com uma só língua, não haverá limites para tudo o que ousarem fazer.

7 - Vamos descer e que a língua deles comece a diferenciar-se noutras línguas, de forma que uns não entendam os outros.

8 - E foi dessa forma que o Senhor os espalhou sobre toda a face da terra, tendo cessado a construção daquela cidade.

9 - Por isso ficou a chamar-se Babel , porque foi ali que o Senhor diferenciou a língua dos homens, e espalhou-os por toda a terra.






realizado por Rita às 01:25
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Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2007
Happy birthday Mr. Ziggy!


Ele foi o Major Jack 'Strafer' Celliers de “Merry Christmas Mr. Lawrence” (1983), o Pôncio Pilatos de “The Last Temptation of Christ” (1988), o Andy Warhol de “Basquiat” (1996) e Nikola Tesla no actualmente em cartaz “The Prestige”. David Bowie, um dos maiores músicos do mundo, faz hoje 60 anos.





A homenagem fica a cargo de Seu Jorge, numa bela versão de ‘Life on Mars?’ para o filme “The Life Aquatic with Steve Zissou”.



Muitas coisas do coração
Não consegue compreender
O que mente não faz questão
E nem tem forças pra obedecer
Quantos sonhos já destruí
E deixei escapar das mãos
Se o futuro assim permitir
Não pretendo viver em vão

Meu amor não estamos sós
Tem um mundo a esperar por nós
No infinito do céu azul
Pode ter vida em Marte

Então, vem cá me dá a sua língua
Então vem, eu quero abraçar você
Seu poder vem do sol
Minha medida
Então vem, vamos viver a vida
Então vem, senão eu vou perder quem sou
Vou querer me mudar para uma life on mars

(...)






realizado por Rita às 02:23
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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2007
Déjà Vu **

Realização: Tony Scott. Elenco: Denzel Washington, Paula Patton, Val Kilmer, Jim Caviezel, Adam Goldberg, Elden Henson, Erika Alexander, Bruce Greenwood. Nacionalidade: EUA, 2006.





“déjà-vu: substantivo masculino; impressão ou sensação intensa de ter vivido no passado uma situação actual” (in Dicionário Porto Editora)



Quem espere deste filme algo a ver com a definição acima, desengane-se. Foi apenas um golpe de marketing. “Déjà Vu” nada a ver com déjà-vu.


Um ataque terrorista faz explodir um ferryboat em New Orleans. O investigador da ATF (Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives) Doug Carlin (Denzel Washington) é chamado para auxiliar a investigação do atentado e junta-se a uma equipa de peritos, liderados pelo agente Andrew Pryzwarra (Val Kilmer). Esta equipa tem em mãos uma tecnologia experimental que possibilita recuar quatro dias e meio no passado e de observar qualquer lugar e qualquer pessoa dentro de um determinado raio de acção. Tal irá acontecer com Claire Kuchever (Paula Patton) uma aparente vítima do atentado, que Carlin acredita ser a chave para descobrir o criminoso.


Mas mais do que descobrir o culpado, Carlin quer reverter o resultado final dos acontecimentos, tentando para isso modificar o passado. Esta abordagem não é propriamente inovadora e filmes como “Back to the Future” e “Butterfly Effect” já o fizeram de uma forma (1) mais divertida e (2) mais consistente.


“Déjà Vu” é um teste à nossa capacidade de acreditar no inverosímil, mas, por favor, conseguir observar através das paredes e reconstruir todos os sons e movimentos não é um bocado demais??? Tentando esquecer o tom inicial de melodrama barato, com elementos demasiado óbvios para o choque da explosão, o realizador Tony Scott (“Spy Game” - 2001), “Man on Fire” - 2004) e os argumentistas Bill Marsilii e Terry Rossio (“Pirates of the Caribbean”) apostam, apesar de tudo, um novo formato de thriller, onde a abstracção da continuidade do espaço-tempo obriga o espectador a um esforço suplementar. Mas a ausência de clareza é tanta que começamos a pensar que eles estão ainda mais perdidos que nós.


No campo das interpretações, Denzel Washington já nos habituou a papéis mornos como este, por isso não é totalmente chocante. Mas é triste ver actores como Val Kilmer e Bruce Greenwood totalmente desperdiçados, com agravante sugestão subliminar de que a captura de terroristas implica uma absoluta devastação da privacidade de todo e qualquer cidadão.


Apesar destas contrariedades, “Déjà Vu” oferece-nos uma original cena de perseguição inter-temporal, em que o perseguido está quatro dias no passado relativamente ao perseguidor.


“Déjà Vu” é marcado pelo cenário de devastação de uma New Orleans ainda mal desperta da tragédia. Com efeito, este é o primeiro filme rodado naquela cidade depois da destruição de que foi alvo pelo furacão Katrina no Verão de 2005. E se há aqui algum sentido metafórico é o desejo de que aquele horror não tivesse ocorrido. Pessoalmente, ainda albergo a esperança de lá passar um Mardi Gras. Quanto a “Déjà Vu”, está visto.






CITAÇÕES:


“I'll speak slowly so that those of you in the room who have PhDs can understand me.”
DENZEL WASHINGTON (Doug Carlin)


“I need more cowbell!”
ADAM GOLDBERG (Denny)


“Denny - You know you don't have to do this.
Doug Carlin - What if I already have?”
ADAM GOLDBERG (Denny) e DENZEL WASHINGTON (Doug Carlin)


“Claire Kuchever - What if you had to tell someone the most important thing in the world, but you knew they'd never believe you?
Doug Carlin - I'd try.”
(Claire Kuchever ) e DENZEL WASHINGTON (Doug Carlin)






realizado por Rita às 22:26
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Segunda-feira, 1 de Janeiro de 2007
Bom ano novo!


A começar com expectativas tão elevadas, 2007 promete!





“BABEL”, de Alejandro González Iñárritu






“THE PRESTIGE”, de Christopher Nolan





realizado por Rita às 00:01
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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Albert Nobbs
Alex
Alexander
Alfie
Alice In Wonderland
All The Invisible Children
Amants Réguliers, Les
American, The
American Gangster
American Splendor
Amor Idiota
Amours Imaginaires, Les
An Education
An Obsession
Ana Y Los Otros
Anche Libero Va Bene
Angel-A
Anges Exterminateurs, Les
Answer Man, The
Anthony Zimmer
Antichrist
Apocalypto
Approaching Union Square
Après Vous...
Arnacoeur, L’
Arsène Lupin
Artist, The
Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
Astronaut Farmer, The
Asylum
Atonement
Ausentes
Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec, Les
Aviator, The
Away We Go
Azuloscurocasinegro

B
Baader-Meinhof Komplex, Der
Babel
Babies
Backstage
Ballad of Jack and Rose, The
Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
Battle in Seattle
Be Kind Rewind
Bee Movie
Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
World Trade Center
Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
X-Men: First Class
X-Men Origins: Wolverine

Y
Yo Soy La Juani
Young Adult
Youth in Revolt
Youth Without Youth

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Festivais e Prémios
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- FESTROIA
- INDIE LISBOA
- FESTIVAL DE CINEMA GAY E LÉSBICO DE LISBOA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS DE VILA DO CONDE
- DOCLISBOA
- CINANIMA
- CineECO
- FamaFEST
- FICA
- FESTIVAL DE CINEMA LUSO-BRASILEIRO DE SANTA MARIA DA FEIRA
- fest | FESTIVAL DE CINEMA E VÍDEO JOVEM DE ESPINHO
- CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS
- FESTIVAL DE CANNES
- LES CÉSAR DU CINEMA
- PREMIOS GOYA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DONOSTIA - SAN SEBASTIAN
- LA BIENNALE DI VENEZIA
- FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL FILM - LOCARNO
- INTERNATIONALE FILMSPIELE BERLIN<
- BAFTA
- LONDON FILM FESTIVAL
- EDINBURGH INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- OSCAR
- SUNDANCE FILM FESTIVAL
- GOLDEN GLOBES
- NEW YORK FILM FESTIVAL
- SAN FRANCISCO FILM FESTIVAL
- TORONTO INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- MONTRÉAL WORLD FILM FESTIVAL
- ROTTERDAM INTERNATIONAL FILM FESTIVAL