CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Sábado, 30 de Dezembro de 2006
Reflexão 2006


De uma das boas surpresas de 2006, “Little Miss Sunshine”, chega a desculpa para reflectir na voz dos DeVotchka.

Porque só se pode construir sobre um passado.

Porque cada dia é um começo e um fim, em si mesmo.






HOW IT ENDS
DeVotchka


Hold your grandmother's Bible to your breast.
Gonna put it to the test.
You want it to be blessed.
And in your heart,
You know it to be true,
You know what you gotta do.
They all depend on you.
And you already know.
Yeah, you already know how this will end.

There is no escape,
From the slave-catchers' songs.
For all of the loved ones gone.
Forever's not so long.
And in your soul,
They poked a million holes.
But you never lettem show.
C'mon it's time to go.

And
You
Already know.
Yeah, you already know
How this will end.

Now you've seen his face.
And you know that there's a place,
In the sun,
For all that you've done,
For you and your children.
No longer shall you need.
You always wanted to believe,
Just ask and you'll receive,
Beyond your wildest dreams.

And
You
Already know.
Yeah, you already know
How this will end.

You already know (You already know)
You already know (you already know)
You already love will end






realizado por Rita às 14:02
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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006
Prendas


Expressamente pedidas ao Pai Natal. Quem disse que ele não existe?








realizado por Rita às 01:37
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Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006
Fatias douradas


Para fugir aos filmes de natal, a tarde de ontem foi passada debaixo da manta na melhor das companhias. E mesmo entre o pecado da gula e o da preguiça, estes foram dias sem nenhuma culpa.









realizado por Rita às 21:27
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Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006
O bigode






E... se... de repente... alguém lhe disser que nunca teve bigode?


“La Moustache” estreou esta semana. Eu recomendo.




>


realizado por Rita às 00:18
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Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006
As melhores festas





Ao contrário do ano passado, em que deixámos aqui umas sugestões cinematográficas (que, por sinal, continuam bastante válidas), este ano quero cingir-me a uma mensagem de paz.


Num mundo repleto de conflitos, de desrespeito (pela natureza e por outros seres), de arrogâncias e ânsias de poder, o Homem tende a perder a sua melhor qualidade: a compaixão. E compaixão não é, de todo, um sentimento que reforça a diferença entre pessoas com sortes distintas, colocando-as em posições comparativas. Compaixão é entender e aceitar que a vida não é justa, que aquele que está ao meu lado poderia ser eu, e vice-versa. Poderíamos ter sido nós a fazer as escolhas erradas, poderíamos até nem ter tido escolha, como muitos. Compaixão é perceber os sofrimentos, sem fechar os olhos. Porque o mundo é todo nosso, e é todo nós.


E se o natal é uma época de família, talvez devêssemos pensar mais nessa extensa família que povoa este planeta, e a qual não podemos nem devemos ignorar. É por esse motivo que aproveito este espaço para divulgar dois projectos, entre os muitos que existem, que me tocam de perto:





“A Associação MIMAR é uma Instituição de Solidariedade Social que está a criar um novo Centro de Acolhimento Temporário para crianças em risco, na primeira infância, sem família natural conhecida ou que tenham sido por ela abandonadas ou retiradas por decisão judicial.”



E quem esteja stressado com compras, lembre-se que as verdadeiras prendas não dão para embrulhar, e as melhores festas são aquelas feitas directamente na alma.






realizado por Rita às 01:37
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Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006
Flushed Away ***

Realização: David Bowers e Sam Fell. Vozes: Hugh Jackman (Roddy), Kate Winslet (Rita), Ian McKellen (The Toad), Jean Reno (Le Frog), Bill Nighy (Whitey), Andy Serkis (Spike), Shane Richie (Sid). Nacionalidade: Reino Unido / EUA, 2006.





Ronny St. James (Hugh Jackman) é um rato doméstico e mimado que vive no bairro de Kensington, em Londres, e que vê o seu reino invadido por um rato de esgoto, Sid (Shane Ritchie). Na tentativa de se ver livre de Sid, Ronny acaba por ser lançado para o mundo cruel dos esgotos. Aí ele vai cruzar o seu caminho com a voluntariosa Rita (Kate Winslet), que tem contas a ajustar com o poderoso The Toad (Ian McKellen) e os seus capangas, Spike (Andy Serkis) e Whitey (Bill Nighy).


Esta co-produção da americana DreamWorks Animation, donde saíram, por exemplo, “Shrek” ou “Madagascar”, e da inglesa Aardman Features, responsável pelos geniais Wallace & Gromit, está longe da mestria das suas referenciadas produções, sobretudo em termos de história, mas ainda assim consegue arrancar-nos umas fortes gargalhadas e deslumbrar-nos do ponto de vista técnico.


A grande quantidade de água existente em “Flushed Away” exigiu uma presença mais forte dos gráficos computorizados, em detrimento do barro e do stop motion da Aardman, cujo trabalho foi também prejudicado pelo incêndio ocorrido nos seus estúdios em 2005. A colaboração das duas empresas, que tinha trazido até nós “Chicken Run” (2000) e “Wallace and Gromit: The Curse of the Were-Rabbit” (2005), foi terminada após a finalização de “Flushed Away” devido a divergências criativas.


Fazendo lembrar um pouco o “Toy Story”, “Flushed Away” apresenta uma profunda atenção ao detalhe, com soluções criativas e técnicas bastante bem conseguidas. Tirando o melhor partido de estranhos personagens (os secundários, sobretudo) e de situações mirabolantes, mais do que chamar a atenção para o choque de classes, este filme aproveita para evidenciar as (cómicas) diferenças entre as culturas anglo-saxónica e francesa (representada por Le Frog e a voz de Jean Reno).


Uma última palavra para a banda sonora, que em filmes de animação assume um papel especialmente determinante. “Flushed Away” começa com "Dancing With Myself” na voz de Billy Idol e termina com "What's New Pussycat?” por Tom Jones. Pelo meio estão as mais recentes "Bohemian Like You” dos The Dandy Warhols e a fabulosa "Are You Gonna Be My Girl?” de Jet. Mas o ponto alto são, definitivamente, os interlúdios musicais de um surreal grupo de lesmas.


O Natal é quase tão deprimente quanto o Verão em termos de estreias. E bastante mais deprimente que o Verão em termos de temperatura. Numa época em que os afectos são medidos em euros e o ser humano se transforma num animal de consumo, prefiro fugir da realidade. E os esgotos londrinos de “Flushed Away” são bem mais atraentes que a disparatada e revoltantemente dispendiosa árvore de Natal da Praça do Comércio.






CITAÇÕES:


“From up top, eh? I used to work at a lab up top. I tested shampoo. I used to be a lovely dark grey. My dandruff's gone, though.”
BILL NIGHY (Whitey)


“The Toad - You find my pain amusing?
Le Frog - I find everyone's pain amusing, except my own... I'm French!”
IAN McKELLEN (The Toad) e JEAN RENO (Le Frog)


“It’s just that curry you had last night, Spike. I’m the same, I’ve got a burn like the Japanese flag.”
BILL NIGHY (Whitey)


“Rita - It's impossible!
Roddy - England is winning! ANYTHING'S possible!”
KATE WINSLET (Rita) e HUGH JACKMAN (Roddy)






realizado por Rita às 00:58
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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006
Fanny Ardant






Um final de tarde no Café dos Teatros, o cheiro a scones e a presença magnética mesmo ali ao pé da belíssima, fantástica e sublime Fanny Ardant.



São estas surpresas que me fazem adorar Lisboa!






realizado por Rita às 01:50
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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006
The Holiday **

Realização: Nancy Meyers. Elenco: Cameron Diaz, Kate Winslet, Jude Law, Jack Black, Eli Wallach, Rufus Sewell, Edward Burns. Nacionalidade: EUA, 2006.





Iris (Kate Winslet) é jornalista em Londres, e vive numa pequena casa em Surrey, nos arredores. Arrasada pelo anunciado casamento de um colega por quem ela tem estado apaixonada nos últimos 3 anos (Rufus Sewell), ela concorda em fazer uma troca de casa durante o período das férias de Natal com Amanda (Cameron Diaz), uma workaholic que vive em Los Angeles e que acaba de terminar a sua relação com Ethan (Edward Burns). Em Surrey, Amanda conhece Graham (Jude Law), o irmão de Iris, enquanto em Los Angeles Iris inicia uma amizade com Miles (Jack Black), compositor de bandas sonoras e com namorada.


“The Holiday” tenta ser diferente, mas não consegue. Aflora a noção de relações doentias, onde uns se alimentam de afecto e outros de sofrimento, daqueles que se acomodam por julgar que aquilo é tudo o que podem ter, e fechando os olhos às imensas possibilidades que estão ao seu redor, mas acaba por ser não só previsível, como inclusivamente ridículo. O recurso da realizadora Nancy Meyers (“What Women Want” - 2000 e “Something's Gotta Give” - 2003) a soluções que ambicionam ser inovadoras (como o caso de Amanda que, sendo produtora de trailers, vê diversas vezes a sua vida como se fosse um), acabam igualmente por cair na redundância.


O par Winslet-Black funciona tão bem quanto o par Diaz-Law funciona mal. A relação entre Diaz e Law é tão pouco densa que é impossível acreditar que aquilo seja amor. Isto devido, sobretudo a Cameron Diaz e à superficialidade da sua personagem. Aliás, a grande fraqueza deste filme reside efectivamente no facto de ser um filme de actores com personagens bastante mal alinhavadas. Felizmente, Winslet e Black fazem maravilhas com o pouco que Meyers lhes dá.


“The Holiday” aproveita ainda a personagem de Eli Wallach, um argumentista reformado, para dar diversas piscadelas de olho ao mundo do cinema. Mas, ao contrário de tantos que permanecem no nosso imaginário, “The Holiday” é totalmente descartável - exactamente um daqueles 9 filmes que estreia todas as semanas e que rapidamente sairá (espera-se) de cartaz.


Em termos de entretenimento (porque até tem umas boas tiradas) é melhor não pensar muito na mensagem deste filme. Em resumo, duas mulheres que decidem que não querem saber de homens nos tempos mais próximos, agarram-se exactamente ao primeiro que se cruza no seu caminho. Eu entendo-as: trata-se do Jude Law e de Jack Black (sim, ele é tremendamente atraente!), e a probabilidade de aparecer algo melhor é reduzida. Mas, caramba, será mesmo isso que as mulheres querem? Nancy Meyers parece pensar que sim. Na minha opinião ela tem uma ideia tremendamente ilusória daquilo de que são feitas as relações, ou seja, de receitas. Ainda por cima tendo em conta que a realidade daria muitas vezes melhor material para filmes. Ok, talvez aí houvesse limite de idade devido à violência, ao terror psicológico e às cenas sexualmente explícitas.






CITAÇÕES:


“I need some peace and quiet... or whatever it is people go away for.”
CAMERON DIAZ (Amanda)


“You know what I want to do? I want to eat carbs without wanting to kill myself. I want to read a book - not a magazine, an actual book.”
CAMERON DIAZ (Amanda)


“Iris, in the movies, we have leading ladies and we have the best friend. You, I can tell, are a leading lady, but for some reason, you're behaving like the best friend.”
ELI WALLACH (Arthur Abbott)


“Graham - Long distance relationships can work, you know.
Amanda - Really? I can't make one work when I live in the same house with someone.”
JUDE LAW (Graham) e CAMERON DIAZ (Amanda)




Weekly guilty pleasure:








realizado por Rita às 21:34
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Sábado, 16 de Dezembro de 2006
Um Mundo Catita



Este é o nome do novo projecto da equipa que trouxe até nós o filme de terror “I’ll See You In My Dreams”. Inspirado em séries como “The Office” ou “Curb Your Enthusiasm”, “Um Mundo Catita” será uma série de ficção em 6 episódios protagonizada por Manuel João Vieira e baseada na vida e obra deste artista, conhecido mentor dos grupos Ena Pá 2000, Irmãos Catita e Corações de Atum, persistente pseudo-candidato à Presidência da República e autor do livro ‘Só Desisto Se For Eleito’.


Este projecto fará uso integrado de película 16mm e vídeo digital, estando a direcção de fotografia nas mãos de Daniel Neves e Tony Costa. Co-produzida por O Pato Profissional Produções Audiovisuais Lda. e Indivídeos, e com a realização a cargo de Filipe Melo e João Leitão, “Um Mundo Catita” tem estreia prevista para o Verão de 2007.


Mais detalhes em www.mundocatita.com.






realizado por Rita às 16:28
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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006
Casino Royale ****

Realização: Martin Campbell. Elenco: Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Jeffrey Wright, Giancarlo Giannini, Caterina Murino, Simon Abkarian, Isaach De Bankolé, Jesper Christensen, Ivana Milicevic. Nacionalidade: EUA / Alemanha / Reino Unido / República Checa, 2006.





“Casino Royale”, o primeiro livro da série 007 escrita por Ian Fleming, é sobre a primeira missão do agente James Bond após a sua promoção a 007. Le Chiffre é um banqueiro de terroristas, que aplica o dinheiro dos seus clientes, sem o conhecimento deles, para ganho próprio. Depois de um azar na bolsa e com a vida em risco, Le Chiffre decide organizar um jogo de poker de apostas astronómicas no Casino Royale no Montenegro.


O objectivo da missão atribuída por M (Judi Dench, “Mrs Henderson Presents”) a Bond (Daniel Craig) é ganhar a Le Chiffre (Mads Mikkelsen) no seu próprio jogo e levá-lo à falência. Uma oficial do tesouro britânico, Vesper Lynd (Eva Green, “The Dreamers”, “Arsène Lupin”) acompanha Bond nesta missão para controlar o dinheiro disponibilizado pela coroa.


Daniel Craig é uma delícia! O seu Bond foge aos clichés, inclusivamente o do “shaken not stirred” do seu vodka martini. E desta vez não existe nenhuma Ursulla Andress em bikini, desta vez temos direito ao próprio Bond a sair do mar, molhado e tremendamente sexy. “Casino Royale” funciona para Bond como “Batman Begins” funcionou para o herói alado de Gotham City, recuando à sua origem e aproveitando para o reinventar. Este será talvez o mais físico de todos os Bond, o mais frio e o mais violento. Mas também tremendamente romântico. À medida que o filme avança, ele vai-se tornando mais sofisticado, e é quase visível a sua transformação num charmoso Sean Connery.


O estilizado genérico inicial, à base dos quatro naipes de cartas em tons de preto e vermelho (e abdicando das silhuetas femininas - há quem considera esta inovação uma heresia), da responsabilidade de Daniel Kleinman é acompanhado pelo tema original “You Know My Name”, interpretado por Chris Cornell (membro dos extintos Soundgarden e dos Audioslave).


A fotografia de Phil Meheux, colaborador regular de Martin Campbell (“Beyond Borders” - 2003, “The Legend of Zorro” - 2005) realça toda a beleza das maravilhosas paisagens por onde “Casino Royale” passa, de Praga às Bahamas, de Karlovy Vary a Veneza. O mesmo se passa com ex-libris do herói de Fleming: os carros fabulosos (quando crescer quero um Aston Martin!!!) e as bond girls Caterina Murino e Eva Green.


O argumento de Neal Purvis e Robert Wade (“Die Another Day”, “The World Is Not Enough” e “Johnny English”) e Paul Haggis (“Crash”, “Million Dollar Baby”), constrói-se entre o tradicional e o moderno. O humor irónico mantém-se, em especial entre o par Bond e Lynd, num típico jogo de atracção-aversão que todos sabemos como termina. Mas a inovação surge logo na cena inicial, como aviso de que este é um Bond da nova geração, numa perseguição ao estilo Parkour ou Freerun – uma actividade em que o praticante (traceur) usa o seu corpo para passar obstáculos de uma forma rápida, directa e fluida.


O único senão de “Casino Royale” é a sua duração. A partir das 2 horas, somos, por diversas vezes, levados a pensar que chegou o momento do desfecho. Mas depois ainda vem Veneza, e só por isso vale a pena. O final acaba por ser exactamente aquele que aponta para o futuro (já conhecido) deste herói.


No campo das interpretações, confesso que adorei o vilão dinamarquês Mads Mikkelsen (“Carne Fresca, Procura-se”, “King Arthur”), num equilibrado duelo de talento com o versátil e encantador Daniel Craig. E para quem tem estado distraído da carreira deste grande actor – “Road To Perdition”, “The Mother”, “Sylvia”, “Layer Cake”, “The Jacket”, “Munique”, “Infamous”) – fixe bem:

O nome é CRAIG, Daniel CRAIG.






CITAÇÕES:


“You don't have to be alive to be helpful.”
GIANCARLO GIANNINI (Mathis)


“Vesper Lynd - I'm the money.
James Bond - Every penny of it.”
EVA GREEN (Vesper Lynd) e DANIEL CRAIG (James Bond)


“Christ, I miss the Cold War.”
JUDI DENCH (M)


“James Bond - Vodka-martini.
Empregado - Shaken or stirred?
James Bond - Does it look like I give a damn?”






YOU KNOW MY NAME

(...)

Arm yourself because no-one else here will save you
The odds will betray you
And I will replace you
You can't deny the prize it may never fulfill you
It longs to kill you
Are you ready to die?

The coldest blood runs through my veins
You know my name

(...)




Just for my own guilty pleasure...










E um bónus para os meninos que se portaram bem este ano:





(Eva Green)





(Caterina Murino)






realizado por Rita às 01:30
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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006
Los Nombres de Alicia *

Realização: Pilar Ruiz-Gutiérrez. Elenco: Ana Moreira, Pep Molina, Gracia Olayo, Santiago Ramos, Pepa López, Héctor Tomás, Carolina Petterson, Aitor Mazo, Toby Harper. Nacionalidade: Espanha, 2005.





Mina (Ana Moreira) chega ao seio da família Setién para dar aulas de inglês aos filhos do casal Juan (Pep Molina) e Marisa (Gracia Olayo). Toño (Héctor Tomás), o filho adolescente, fica encantando com ela, mas Marta (Carolina Petterson), a mais nova, parece intrigada com aquela figura misteriosa. Mina é um pólo de atracção para todos ao seu redor, apenas Marta e o pai parecem perturbados pela sua presença.


A primeira longa-metragem de Pilar Ruiz Gutiérrez, cujo argumento foi co-escrito pela realizadora e por Jorge Goldenberg (“Perder Es Cuestión de Método”), foi inspirado numa notícia vista num jornal, mas à qual foi aplicada uma quantidade enorme de imaginação, mal doseada e muito pouco coerente.


De forma recorrente, Mina envolve-se em jogos de mentiras dos quais não se percebe o motivo, mas que cujo efeito colateral é deixar loucos todos os seres do sexo masculino. De uma forma totalmente forçada surge um paralelismo com o mundo de ilusão do livro ‘Alice no País das Maravilhas’, mas cuja utilidade é muito reduzida.


A actriz portuguesa fetiche de Teresa Vilaverde (“Os Mutantes” - 1998, “Transe” - 2006) ocupa quase todas as cenas, mas o seu forte magnetismo não é de todo suficiente para criar uma história onde ela não existe. Percebemos que o passado de Mina, que surge mais tarde na figura de um ex-namorado, foi atribulado e que ela foge de algo, mas o mistério fica por desvendar, parecendo ser apenas uma ideia sem sumo, apenas para aguentar os espectadores na sala até o filme terminar.


Se fizer um tremendo esforço para ler algo de útil em “Los Nombres de Alicia”, consigo pensar nos temas da sedução como arma para suprir inseguranças e do poder destrutivo do apego. Se ao menos tivessem sido tratados com algum empenho...






realizado por Rita às 22:27
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Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006
Saw III ****

Realização: Darren Lynn Bousman. Elenco: Tobin Bell, Shawnee Smith, Angus Macfadyen, Bahar Soomekh, Dina Meyer, Donnie Wahlberg, Mpho Koaho, Barry Flatman, Lyriq Bent, J. LaRose. Nacionalidade: EUA, 2006.





Mais nojento, mais retorcido e mais difícil de ver que “Saw II, e conseguindo superar o efeito surpresa de “Saw”, este “Saw III” mantém toda a tensão psicológica e a consistência com os filmes anteriores.


A tensão instala-se logo de início, e o corpo leva mais tempo a descontrair do que aquele que o filme dura. Há pessoas muito doentes! E não me refiro às personagens deste filmes, mas aos argumentistas Leigh Whannell e James Wan.


Colocando-os em situações mortais, Jigsaw (Tobin Bell) pretende fazer com que a suas vítimas dêem o devido valor à vida que têm ao seu dispor, testando a sua vontade de viver. Mas Jigsaw está agora às portas da morte. Amanda (Shawnee Smith), a sua protegida, rapta a médica Lynn Denlon (Bahar Soomekh) para o manter vivo até que a sua última vítima – Jeff (Angus Macfadyen) – termine o seu derradeiro teste. Movido pela sede de vingança pela morte do seu filho num atropelamento, Jeff verá ser levada ao limite a sua capacidade de perdão.


Diversos flashbacks vão explicando a relação de Jigsaw e Amanda, e completando algumas peças em falta dos filmes anteriores, como é o caso dos destinos do detective Eric Matthews (Donnie Wahlberg) e Kerry (Dina Meyer).


A fotografia de David A. Armstrong aliada ao óptimo design de produção ajudam a reforçar o pesado ambiente do filme. Aquela sala de “trabalho” faria as delícias da Santa Inquisição!


Mas o campo em que “Saw III” mais se destaca é no campo interpretativo. Para começar, os maus têm mais tempo de antena. Tobin Bell consegue ser, na fragilidade da morte, impressionantemente forte e controlado. E Shawnee Smith está perfeita, indo de um extremo emocional a uma calma assustadora. Por outro lado, as vítimas escolhidas são muito mais interessantes, mais densas em termos de background e dando mais luta aos seus opositores. É curioso ver, por exemplo, como a personagem de Bahar Soomekh evolui aos nossos olhos ao longo de todo o filme.


Não aconselhável a pessoas facilmente impressionáveis ou de estômago fraco, “Saw III” é uma prova de que as sequelas podem valer a pena, de que o terror pode ser inteligente, e de que, com tanto dente por dente, o perdão é um dos maiores testes a que a humanidade está sujeita. E os resultados não são os mais animadores...






CITAÇÕES:


“Death is a surprise party.”
TOBIN BELL (Jigsaw)


“Dr. Lynn Denlon - I have the instruments to cut someone open. I don't have the tools to save a life.
Amanda - You'd be surprised what tools can save a life.”
BAHAR SOOMEKH (Dr. Lynn Denlon) e SHAWNEE SMITH (Amanda)


“Live or die Jeff... make our choice.”
TOBIN BELL (Jigsaw)






realizado por Rita às 21:16
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Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006
Salvador (Puig Antich) ***

Realização: Manuel Huerga. Elenco: Daniel Brühl, Tristán Ulloa, Leonardo Sbaraglia, Leonor Watling, Joel Joan, Celso Bugallo, Mercedes Sampietro, Olalla Escribano, Carlota Olcina, Bea Segura, Andrea Ros. Nacionalidade: Reino Unido, 2006.





Salvador Puig Antich era um jovem catalão, anarquista e militante do MIL - Movimiento Ibérico de Liberación, uma organização terrorista que lutava contra o regime ditatorial de Franco. No decorrer de uma operação de captura e de um tiroteio do qual resulta a morte de um polícia, Puig Antich é capturado. Julgado em conselho de guerra, a sua condenação à morte por “garrote vil” carrega a marca da vingança que resultou do atentado da ETA que matou o então presidente do governo Luis Carrero Blanco.


O argumento de Lluís Arcarazo, que adapta o livro de Francesc Escribano ‘Cuenta atrás. La historia de Salvador Puig Antich’, apresenta-se simultaneamente como um thriller e um retrato histórico, marcado pela agressividade das forças de segurança do Estado e por um profundo anti-catalanismo (onde se inclui a proibição do uso do idioma). Não havendo uma intenção directa de fazer de Puig Antich um mártir ou um herói, a sua imagem chega até nós bastante favorecida: nos assaltos ele é apenas um condutor, a sua elevada moral impede-o de aceder aos avanços da mulher por quem está apaixonado sabendo que ela se vai casar com outro, e nunca duvida das suas convicções ou dos métodos do grupo. As motivações da sua ideologias precisariam igualmente de uma maior densidade.


Os maus são aqui os bons, justificados pelo seu ideal e pela sua luta contra o regime opressor. Do outro lado, estão os polícias, representantes do poder. Apesar desta inversão entre os papéis tradicionais, o filme de Manuel Huerga tende a cair no estereótipo. Este é apenas combatido pela personagem do guarda prisional Jesús (Leonardo Sbaraglia). É de supor que mesmo num regime ditatorial, os homens que aplicam a lei não sejam isentos de valores morais. A transformação de Jesús - uma evidência das capacidades dramáticas de Sbaraglia (“Intacto” - 2001, “Carmen” - 2003) - e da sua relação com Salvador poderia, no entanto, ter sido feita de uma forma mais suave e subtil, e também mais credível.


Mas apesar do final da história ser do conhecimento geral, Huerga consegue despertar e manter o interesse e a emoção necessários. A história vai-se desenvolvendo através das entrevistas entre Puig Antich e do seu advogado, Oriol Arau (Tristán Ulloa), que é também a voz off que cobre grande parte do filme.


Este filme tem recebido fortes críticas quanto ao uso da figura de Puig Antich com fins comerciais. Muitas das soluções são, usadas de uma forma ostensivamente calculada, como é o caso das dispensáveis cenas de sexo (felizmente uma delas ao som de ‘Suzanne’ na voz de Leonard Cohen), ou da elevada manipulação da lágrima. Em determinados momentos, o sentimentalismo é tão transbordante que rasa o ridículo, retirando força a um filme que se queria mais contundente. Mas para se chegar a um público mais vasto há que fazer certos sacrifícios.


“Salvador (Puig Antich)” é sobretudo alimentado pela soberba interpretação de Daniel Brühl, actor hispano-alemão (filho de mãe espanhola e nascido em Barcelona), protagonista de “Good Bye Lenin!” (2003) e “Os Edukadores”, num delicioso jogo interpretativo com Leonardo Sbaraglia, e bem apoiado por Tristán Ulloa (“Lucía y el Sexo”, 2001), Leonardo Sbaraglia e Celso Bugallo (“Mar Adentro”), no papel de pai de Salvador.


Apesar das suas falhas, “Salvador (Puig Antich)” tem um bom ritmo, fazendo uma adequada reconstituição histórica e beneficiando da bela fotografia de David Omedes. A cor e a luz marcam os dois momentos de luta: o passado, em liberdade e acção, e o presente, aprisionado e impotente. Funcionando essencialmente como documento histórico dos últimos anos do franquismo, “Salvador (Puig Antich)” é também um filme sobre a inumanidade da pena de morte. Numa espera interminável, angustiosa e cruel, entrelaçam-se mãos e escondem-se lágrimas. “E se canto triste é porque não posso apagar o medo dos meus pobres olhos”, canta - em catalão - Lluís Llach.


A 2 de Março de 1974 às 9 horas e 40 minutos, Salvador Puig Antich é morto. Rosas vermelhas cobrem o chão molhado de chuva, como de lágrimas. Até hoje, as irmãs de Salvador lutam para a revisão do seu processo. Porque o amor não é o tempo.






SUZANNE
Leonard Cohen


Suzanne takes you down to her place near the river
You can hear the boats go by
You can spend the night beside her
And you know that she's half crazy
But that's why you want to be there
And she feeds you tea and oranges
That come all the way from China
And just when you mean to tell her
That you have no love to give her
Then she gets you on her wavelength
And she lets the river answer
That you've always been her lover
And you want to travel with her
And you want to travel blind
And you know that she will trust you
For you've touched her perfect body with your mind.

And Jesus was a sailor
When he walked upon the water
And he spent a long time watching
From his lonely wooden tower
And when he knew for certain
Only drowning men could see him
He said "All men will be sailors then
Until the sea shall free them"
But he himself was broken
Long before the sky would open
Forsaken, almost human
He sank beneath your wisdom like a stone
And you want to travel with him
And you want to travel blind
And you think maybe you'll trust him
For he's touched your perfect body with his mind.

Now Suzanne takes your hand
And she leads you to the river
She is wearing rags and feathers
From Salvation Army counters
And the sun pours down like honey
On our lady of the harbour
And she shows you where to look
Among the garbage and the flowers
There are heroes in the seaweed
There are children in the morning
They are leaning out for love
And they will lean that way forever
While Suzanne holds the mirror
And you want to travel with her
And you want to travel blind
And you know that you can trust her
For she's touched your perfect body with her mind.
and you want to travel
with her body




I SI CANTO TRIST
Lluís Llach


Jo no estimo la por, ni la vull per a demà,
no la vull per a avui, ni tampoc com a record;
que m'agrada els somrís
d'un infant vora el mar
i els seus ulls com un ram d'il•lusions esclatant.

I si canto trist
és perquè no puc
esborrar la por
dels meus pobres ulls.

Jo no estimo la mort
ni el seu pas tan glaçat,
no la vull per a avui, ni tampoc com a record;
que m'agrada el batec d'aquell cor que, lluitant,
dóna vida a la mort
a què l'han condemnat.

I si canto trist
és perquè no puc
oblidar la mort
d'ignorats companys.

Jo no estimo el meu cant, perquè sé que han callat
tantes boques, tants clams, dient la veritat;
que jo m'estimo el cant
de la gent del carrer
amb la força dels mots
arrelats en la raó.

I si canto trist
és per recordar
que no és així
des de fa tants anys.






realizado por Rita às 01:18
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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006
Alex **1/2

Realização: José Alcala. Elenco: Marie Raynal, Lyes Salem, Adrien Ruiz, Eric Savin, Liliane Rovère, Caroline Baehr, Gérard Meylan. Nacionalidade: França, 2005.





Da janela de uma casa em ruínas, são atiradas pedras e telhas. Lentamente, a câmara vai-se aproximando desta personagem, cuja a aparência andrógina esconde uma mulher endurecida pela vida. Ela é Alex (Marie Raynal) - também ele um nome sexualmente indeterminado - uma mulher na casa dos 30, que reconstrói a sua vida ao mesmo tempo que renova uma casa, na leve esperança de que o seu filho de 17 anos, Xavier (Adrien Ruiz), que, em criança, ela abandonou aos cuidados do pai, venha viver consigo.


O filme “Alex”, vencedor do prémio CICAE 2005 para melhor realizador na 53ª edição do Festival Internacional de Cinema de San Sebastian, centra toda a sua história em torno desta metáfora, focando os problemas desta mulher com o seu trabalho numa banca do mercado, com os seus amantes, com um filho que a rejeita e com um passado que a magoa.


A ferida profunda que Alex esconde atrás da sua agressividade nunca é totalmente explicada. E a aridez da paisagem montanhosa acaba por ser reflexo da aridez da própria história. Apesar dos impulsos violentos através dos quais Alex se expressa, sejam eles sexuais ou de simples agressividade, esta é uma personagem tremendamente hermética, na qual nem o realizador nos consegue fazer entrar.


Captando cada gesto e cada olhar de Alex, José Alcala filma com lentidão o que é estar-se perdido no mundo, em busca de um sentido. No final, também nós procuramos o sentido de uma história que nos deixa perdidos no vazio, inquietos. Uma janela aberta sugere a possibilidade de um futuro novo. E melhor.






realizado por Rita às 01:18
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Domingo, 10 de Dezembro de 2006
The Thin Red Line


Uma noite passada na linha vermelha...


Que lindo que é este filme!!!
E que elenco!






“The Thin Red Line”, de Terrence Malick (1998)



“If I never meet you in my life, let me feel the lack. One glance of your eyes and my life will be yours.”
SEAN PENN






realizado por Rita às 14:43
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Sábado, 9 de Dezembro de 2006
Johhny Guitar


A melhor frase do fim-de-semana:


“She dresses like a man, she talks like a man. And sometimes she makes me feel like I’m not one!”






“Johnny Guitar”, de Nicholas Ray (1954)






realizado por Rita às 12:37
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Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2006
Play - Repeat


Este fim-de-semana a banda sonora está a cargo deste senhor:




(DAMIEN RICE)




Porque não é só o mau que se repete. O bom também.




CANNONBALL

Still a little bit of your taste in my mouth
Still a little bit of you laced with my doubt
Still a little hard to say what's going on

Still a little bit of your ghost your witness
Still a little bit of your face I haven't kissed
You step a little closer each day
Still I can't say what's going on

Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So it's not hard to fall
When you float like a cannonball

Still a little bit of your song in my ear
Still a little bit of your words I long to hear
You step a little closer to me
So close that I can't see what's going on

Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So it's not hard to fall
When you float like a cannon

Stones taught me to fly
Love taught me to cry
So come on courage!
Teach me to be shy
'Cause it's not hard to fall
And I don't wanna scare her
It's not hard to fall
And I don't wanna lose
It's not hard to grow
When you know that you just don't know






realizado por Rita às 00:05
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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2006
Copying Beethoven **1/2

Realização: Agnieszka Holland. Elenco: Ed Harris, Diane Kruger, Ralph Riach, Matthew Goode, Joe Anderson. Nacionalidade: EUA / Alemanha, 2006.





1824. Anna Holz (Diane Kruger) uma jovem de 23, estudante de composição no conservatório de Viena é enviada como copista para trabalhar com Ludwig Van Beethoven (Ed Harris), que está a terminar a sua Nona Sinfonia. Anna vê esta oportunidade de trabalhar com o seu herói (um “monstro” intimidante) como um caminho para o seu próprio sonho de compor as suas próprias obras.


O argumento de Stephen J. Rivele e Christopher Wilkinson ( “Nixon”, 1995) faz uso de uma personagem ficcional para se centrar nos últimos anos de vida do famoso compositor, quando a surdez conduziu a sua criação artística por novos caminhos. Infelizmente, este novo biopic de Agnieszka Holland (“Total Eclipse”, 1995) não traz nada de novo sobre este génio louco, cujo isolamento e revolta são apenas reflexos de uma profunda necessidade de afecto. “Copying Beethoven” limita-se a contar superficialmente uma história vulgar, quase feminista, do olhar inocente que vê o lado humano por trás da excentricidade e que através da perseverança consegue ganhar o respeito e a admiração desejadas.


É só já perto do fim que “Copying Beethoven” aflora os temas interessantes do papel do artista na sociedade, a dualidade entre arte e comércio e a visão religiosa da música, como uma bênção e como a linguagem de deus.


Ed Harris (“A History of Violence”) é um grande actor, mas Beethoven é uma personagem grande demais. Até para ele. Ainda assim, a química com a actriz alemã Diane Kruger (“Frankie”) funciona bastante bem, especialmente quando a relação entre ambas as personagens se altera em virtude da primeira apresentação pública da Nona Sinfonia. Mas, por outro lado, “Copying Beethoven” tem outras personagens totalmente dispensáveis como é o caso de Karl (Joe Anderson), o sobrinho de Beethoven, e Martin Bauer (Matthew Goode), o namorado de Anne, que parecem surgir apenas para efeito de conflito, sem qualquer influência no desenrolar da narrativa.


Apesar de não ser uma grande obra, este filme é sobre uma grande obra. E a câmara de Agnieszka Holland é profundamente musical. E, se de repente, ficamos com pele de galinha no meio de cinema, com o peito apertado e o olhos marejados de emoção... isso pode bem ser a Nona Sinfonia de Beethoven.






CITAÇÕES:


“I’m a very difficult person, Anna Holtz, but I take comfort in the fact that God made me that way.”
ED HARRIS (Ludwig Van Beethoven)


“A woman's composing is like a dog walking on its hind legs. It is not done well, but you're surprised to find it done at all.”
ED HARRIS (Ludwig Van Beethoven)






realizado por Rita às 01:38
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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2006
The Queen ****

Realização: Stephen Frears. Elenco: Helen Mirren, Michael Sheen, James Cromwell, Sylvia Syms, Alex Jennings, Helen McCrory, Roger Allam, Tim McMullan, Douglas Reith. Nacionalidade: Reino Unido / França / Itália, 2006.





A acção de “The Queen” desenrola-se na semana seguinte à morte da princesa Diana no Verão de 1997. Stephen Frears (“Mrs Henderson Presents”) centra a sua atenção em dois dos actores deste episódio, a rainha do trono britânico Elizabeth II (Helen Mirren) e o primeiro-ministro Tony Blair (Michael Sheen), que tinha à data dos acontecimentos sido eleito pelo Partido Trabalhista.


Sob o olhar detalhista de Frears está não só a relação entre eles, como também a relação com o seu povo, no caso da rainha, e com o seu eleitorado, no caso de Blair, perante um acontecimento privado com claras dimensões políticas, e onde os media desempenham um importante papel (daí o uso das imagens de arquivo).


Diana estava privada do estatuto real devido ao divórcio do Príncipe Carlos (Alex Jennings), por isso o protocolo ditava um funeral privado. Sem compreender a dimensão emocional que a morte de Diana tem sobre o povo inglês, a rainha decide então refugiar-se em Balmoral para proteger a privacidade dos netos, sem haver qualquer comunicado da casa real expressando o lamento pelo sucedido. Perante a pressão dos media e da população, Blair decide ajudar a rainha a salvar-se dela mesma.


A popularidade da rainha desce aos seus valores mínimos, enquanto a de Blair dispara, muito devido ao discurso proferido no qual se refere a Diana como a “princesa do povo”. Este contraste entre um político modernista e um rainha tradicionalista, cujo mútuo cepticismo passa a um mútuo respeito, é reforçado pelo contraponto entre os dois lares.


Mesmo sem poder avaliar o quão perto esta história possa estar da realidade, o argumento de Peter Morgan consegue ser totalmente verosímil. Stephen Frears filma “The Queen” com extremo respeito, com sensibilidade e com a dose adequada de humor. Este é um filme de conflitos e equilíbrios, entre um, entre a vida privada e a vida pública, entre um ícone e o ser humano que está por trás dele e que é forçado a mostrar a sua máscara pública em todos os momentos.


Um filme de actores, como este é, deve grande parte do seu sucesso ao seu naipe de actores. E “The Queen” conta com extraordinárias interpretações. Michael Sheen (“Kingdom of Heaven”) é completamente revigorante e apaixonante neste retrato de um homem no qual são depositadas todas as expectativas de uma nação. Hellen Mirren (“Gosford Park”) é deslumbrante, entre a frieza e a fragilidade, com uma forte expressividade aliada a uma delicada subtileza e o seu extremo auto-controlo dando um enorme peso a cada contracção facial. Nos secundários o apoio é dado por Helen McCrory como a sarcástica anti-monáquica Cherie Blair, Sylvia Syms como uma surpreendentemente divertida Rainha Mãe e James Cromwell no papel de um intransigente Príncipe Philip.


Ao mesmo tempo que humaniza a monarquia (do qual o episódio simbólico do veado é o ponto chave), Frears mostra o quão afastada ela se encontra das preocupações dos seus súbditos. Movendo-se agilmente nos bastidores, Frears levanta a questão da relevância da monarquia na sociedade actual e até que ponto um líder deve ser igualmente um seguidor.






CITAÇÕES:


“Uneasy lies the head that wears a crown.”
in HENRY IV de William Shakespeare


“Will someone please save these people from themselves!”
MICHAEL SHEEN (Tony Blair)






realizado por Rita às 21:46
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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2006
Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan ***

Realização: Larry Charles. Elenco: Sacha Baron Cohen, Ken Davitian. Nacionalidade: EUA, 2006.





Borat Sagdiyev é uma das personagens criadas pelo actor inglês Sacha Baron Cohen para o seu programa televisivo “The Ali G Show”, é um jornalista do Casaquistão, prestes a ser enviado aos Estados Unidos pelo seu governo para aprender sobre a cultura americana e poder regressar com ideias para modernizar o seu país. O seu documentário começa na sua terra natal, onde Borat apresenta a sua família, incluindo a sua irmã, que ocupa o 4º lugar da melhor prostituta do seu país, e os seus vizinhos, incluindo o violador da aldeia (confesso que esta me mandou de imediato para o universo Pythonesco).


Aos colocar-se em contextos reais, Sacha Baron Cohen, encontra um meio aparentemente superficial para fazer um profundo comentário social, sobre a América e sobre a sociedade ocidental em geral. Borat reúne em si todas as características menos politicamente correctas: é sexista, racista, homofóbico e anti-semita, a combinação menos comercial possível. O mais interessante é ver como, na sua interacção com a realidade americana, essas mesmas características, normalmente camufladas de todos, vêm ao de cima nos momentos mais inesperados, bastando para isso encontrar quem partilhe de uma mesma - odiosa - opinião. Incómodo, ordinário, ofensivo, insolente, subversivo e completamente louco, Borat consegue despertar nos outros um lado surpreendente, onde residem muitos dos medos e falhas de uma América que vive no limite do que é e aquilo que quer mostrar ser.


Mesmo a sua paixão desenfreada por Pamela Anderson é representativa dos valores erguidos pela América como padrão, neste caso não de comportamento mas de imagem. Os Estados Unidos continuam, infelizmente para grande parte do mundo, a ser uma medida daquilo que se deve almejar.


O empenho de Baron Cohen é tão grande e tão profundo, que todo o filme parece, de facto, um documentário (ainda que não se perceba, quando o seu agente Azamat Bagatov (Ken Davitian) o abandona, quem fica por trás da câmara a filmá-lo). Desde os que lhe viram as costas, aos que o insultam ou agridem, até aos que aguentam até ao limite da sua paciência, ele responde a todas as situações como se fosse o próprio Borat. As aparições públicas do actor são repetidamente feitas sob as suas múltiplas máscaras, é por isso previsível que haja um período de convivência extensíssimo com estas personalidades.


Mas “Borat” peca por ser muito inconsistente. Feito à base de momentos, a sua linha condutora mantém-se fragilmente no campo de um road movie, mas impelido por uma fraca motivação. As potencialidades sarcásticas desta personagem são enormes, mas as situações puramente ridículas e sem propósito também abundam. Entre a sagacidade de uma observação e a vacuidade de outra, abre-se um enorme abismo.


Pegar num país real como o Casaquistão facilita a credibilidade da personagem como enviado estrangeiro, mas prejudica gravemente a imagem que passa desse mesmo país. Por isso, é necessária alguma flexibilidade mental para aceitá-la como soma dos estereótipos mais ridículos projectados sobre as sociedades dos países do leste europeu, e evitar comparações com a realidade.


Nem tonto nem genial, “Borat” levanta alguns temas que podem prolongar-se em noites de boa conversa.






CITAÇÕES:


“This is Urkin, the town rapist. Naughty, naughty!”
SACHA BARON COHEN (Borat Sagdiyev)


“May George Bush drink the blood of every man, woman and child in Iraq!”
SACHA BARON COHEN (Borat Sagdiyev)


“We support your war of terror.”
SACHA BARON COHEN (Borat Sagdiyev)


[cantando o hino do Casaquistão ao som do hino americano]
“Kazakstan, greatest country in the world, all other countries are run by little girls. Kazakhstan is number one exporter of potassium, Other Central Asian countries have inferior potassium. Kazakhstan, greatest country in the world, all other countries is run by the gays...”
SACHA BARON COHEN (Borat Sagdiyev)






realizado por Rita às 00:11
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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Borat
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Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
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Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
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F
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Fantastic Mr. Fox
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Faute à Fidel, La
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Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
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Frankie
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G
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Genesis
Gentille
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Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
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Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
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Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
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Sonny
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Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
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Strings
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T
Tabloid
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Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
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Viva
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W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
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What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
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We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
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Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
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Yo Soy La Juani
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