CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Sábado, 30 de Setembro de 2006
7ª FESTA DO CINEMA FRANCÊS




De 4 de Outubro a 21 de Novembro a 7ª edição da Festa do Cinema Francês estará em cartaz por Lisboa (Cinema São Jorge, Instituto Franco-Portugais e Cinemateca), Porto (Cinema Cidade do Porto), Coimbra (Teatro Gil Vicente), Faro (SBC Forum Algarve), Almada (Auditório Fernando Lopes-Graça), Évora (Auditório Universidade de Évora) e Funchal (Teatro Municipal Baltazar Dias).


Além dos 32 filmes em estreia nacional ou absoluta, à semelhança do ano passado haverá uma programação especial na televisão pública, da qual constarão filmes como “La Reine Margot”, “Swimming Pool”, e “Triple Agent”, e onde se inclui a “História dos Cahiers du Cinéma em 20 Filmes”.


Uma boa oportunidade para ver: </font>




13 TZAMETI, de Gela Babluani (2005, 1h33)

com Georges Babluani, Aurélien Recoing, Augustin Legrand


Algures, num lugar recôndito à beira mar, Sébastien, 22 anos, está a reparar o telhado de uma casa. O proprietário morre de overdose depois de ter recebido uma estranha convocação que lhe devia permitir ganhar muito dinheiro. Sébastien pega no envelope e decide tomar o seu lugar. Começa então para ele um percurso atribulado que o irá levar até a um mundo clandestino, assustador, um pesadelo em que homens apostam na vida de outros homens...




ANTONIO VIVALDI, UN PRINCE À VENISE, de Jean-Louis Guillermou (2006, 1h35)
com Stefano Dionisi, Michel Serrault, Diana Fertikh, Annette Schreiber, Delphine Depardieu, Michael Galabru, Christian Vadim, Bernard-Pierre Donnadieu


Antonio Vivaldi, un prince à Venise é o primeiro filme sobre Vivaldi (1678-1741). Não se trata exactamente de uma homenagem “religiosa” ao grande compositor barroco, mas sim de um filme musical e burlesco sobre a vida de Vivaldi. Ordenado padre aos 20 anos, Vivaldi nunca disse uma missa por causa de uma doença incurável e misteriosa. Alcunhado de “Padre Ruivo”, viveu atormentado pela hierarquia religiosa e, especialmente, pelo patriarcado de Veneza que tudo fará para aniquilar a sua vida de músico, impedindo-o sobretudo de compor as suas Óperas.




CALL ME AGOSTINO, de Christine Laurent (2004, 1h45)
com Jeanne Balibar, Hélène Fillières, Martin Wuttke


Hélène, Marianne, duas mulheres apaixonadas... Uma sonha e tem muitas dúvidas. A outra atira-se de cabeça e encontra soluções. Um desafio humano, efémero, irá juntá-las num desgosto que vão decidir parodiar juntas. Quanto a esse Agostino Stone que as seduzio, irá desaparecer do mapa, não sem antes ter deixado as suas marcas de empreiteiro conquistador.




CAMPING SAUVAGE, de Christophe Ali, Nicolas Bonilauri (2005, 1h20)

com Denis Lavant, Isild Le Besco, Pascal Bongard


Um parque de campismo à beira de um lago, durante as férias de Verão. Camille, 17 anos, arrasta o seu tédio, sufocada entre os pais e o namorado. Conhece então Blaise, um quarentão acabado de ser contratado como monitor de vela. Camille e Blaise partilham ambos da mesma insatisfação com a vida, que os aproxima e afasta dos outros. A sua cumplicidade alimenta os rumores de um caso entre os dois, para exaspero de quantos os rodeiam, acabando por desencadear paixões. Lançam-se, então, de corpo e alma, numa perigosa história de amor…




CARMEN, de Jean-Pierre Limosin (2005, 1h40)

com James Thiérrée, Natacha Régnier, Dominique Reymond, Kaori Tsuji, Johan Leysen


Carmen foge do centro de investigação sobre a linguagem, onde nasceu e se tornou uma adolescente esperta e atrevida. Lá fora, descobre o medo, a fome e, sobretudo, a incompreensão dos homens. Acaba numa jaula. Até que um dia, cruza o olhar de um homem. Chama-se Mercier, jovem licenciado à procura do primeiro emprego e prestes a ser pai. Carmen irrompe na vida dele como um escândalo. Mercier vai aprender a conhecer Carmen ao seu justo valor. Carmen é uma jovem bonobo, prima do chimpanzé.




CHANGEMENT D’ADRESSE, de Emmanuel Mouret (2006, 1h25)

com Emmanuel Mouret, Frédérique Bel, Fanny Valette


Recém-chegado a Paris, David, um músico, tímido e desastrado, apaixona-se loucamente pela sua jovem aluna, Julia. E tenta de tudo para a seduzir. A sua amiga Anne, com quem partilha a mesma casa, procura incentivá-lo, dá-lhe conselhos e consola-o… apaixonadamente!






COMBIEN TU M’AIMES?, de Bertrand Blier (2005, 1h35)

com Monica Bellucci, Bernard Campan, Gérard Depardieu


No Pigalle dos cabarés, Daniela é a Beldade profissional. Quando o cliente a vê, fica sem folgo. O cliente acaba de ganhar um prémio chorudo na totolo. Chama-se François. Então, pergunta a Daniela "Quanto é que levas?" e, imediatamente, pede-lhe para ser sua mulher. Daniela aceita... Mas não se deixa assim tão facilmente Charly e o mundo da noite...




DANS PARIS, de Christophe Honoré (2006, 1h32)

Com Romain Duris, Louis Garrel, Joana Preiss


Dans Paris segue as aventuras sentimentais de dois irmãos e vai desenhando o retrato de uma família cuja divisa poderia ser "Ignora a tristeza dos teus".









DUNIA, de Jocelyne Saab (Egipto, 2005, 1h50)

com Hanan Turk, Mohamed Mounir, Mohamed Mounir


Estudante de poesia sufi e dança oriental no Cairo, Dunia procura um sentido para a sua vida e anseia tornar-se bailarina profissional. Num concurso, conhece o sedutor Dr. Beshir, ilustre pensador sufi e homem de letras. Com ele, irá saborear o prazer das palavras nas suas pesquisas sobre o êxtase na poesia sufi, e descobrir, nos seus braços, o prazer dos sentidos. Só que vai ter de lutar contra a tradição, que lhe destruiu a capacidade de sentir prazer, para conseguir libertar o corpo e dançar com a alma.




FAUTEUILS D’ORCHESTRE, de Danièle Thompson (2005, 1h46)

com Cécile de France, Albert Dupontel, Valérie Lemercier


Uma actriz popular que sonha com cinema intimista, um pianista sobredotado que sonha tocar para um público ignorante e ingénuo, um coleccionador que vende numa só noite a obra de toda sua vida, uma jovem provinciana que tenta a sua sorte em Paris, porque a avó lhe disse: "como eu não tinha recursos suficientes para viver no luxo, decidi trabalhar no meio dele." Todas estas personagens e os seus companheiros vão cruzar-se e encontrar-se durante uma noite no Bar des Théâtres, onde irão curar as suas neuroses diante de um café ou de um “bife tártaro com batatas fritas".




FLANDRES, de Bruno Dumont (2005, 1h31)

com Samuel Boidin, Adélaïde Leroux, Henri Cretel


Nos dias de hoje, na região da Flandres, Demester e um punhado de rapazes da terra partem como soldados para um conflito longínquo. Apaixonado pela jovem Barbe, Demester suportava os seus estranhos hábitos e os seus amantes. À espera dos soldados, sozinha na Flandres, Barbe definha. Face a esse conflito, Demester transforma-se em guerreiro. Tragicamente, a guerra irá exacerbar os sentimentos e os laços destes dois seres, levando-os até aos extremos da sua condição.




FRANKIE, de Fabienne Berthaud (2005, 1h30)

com Diane Kruger, Jeannick Gravelines, Brigitte Catillon


Frankie, 26 anos, anjo louro de beleza fria e frágil, acaba de ser internada numa clínica psiquiátrica, onde, pouco a pouco, se vai reconstruindo... O que terá acontecido a Frankie para chegar a este ponto? A sua história é a de uma modelo cuja juventude e beleza já não são o que eram. Vagabunda de luxo, passeia a vida e a bagagem entre hotéis, bares e agências... Num mundo de lantejoulas e hipocrisias, onde reinam a juventude e o efémero, Frankie sente-se deslocada. Desilusão de uma mulher em fim de carreira, que se apercebe da sua imensa solidão... Só com Tom consegue encontrar compreensão, amizade, talvez amor...




GENTILLE, de Sophie Fillières (2004, 1h42)

com Emmanuelle Devos, Lambert Wilson, Bruno Todeschini


Fontaine Leglou é médica anestesista numa clínica psiquiátrica de luxo. Bonita, nos seus 30 anos, ama a profissão e ama Michel, o companheiro com quem vive há já alguns anos. O que leva então Fontaine a ficar sem resposta, quando ele a pede em casamento, incapaz de responder nem SIM, nem NÃO? Porque a perturba tanto esse pedido que deveria deixá-la radiante? Talvez por não ser insensível ao charme de Philippe, um dos seus pacientes, ele próprio médico... Talvez porque Fontaine se sente simultaneamente bastante bem mas também bastante mal... Seja como for, vai ser preciso responder SIM ou NÃO…




ILS, de Xavier Palud e David Moreau (II) (2005, 1h18)

com Olivia Bonamy, Michaël Cohen


Lucas e Clémentine, um casal de franceses expatriados na Roménia, vivem há pouco tempo numa casa isolada nos arredores de Bucareste. Ela é professora de francês e ele é romancista. Mas, uma noite, a sua vida feliz e tranquila vai mudar radicalmente... Lá fora, chove torrencialmente. O telefone toca, ouvem-se vozes longínquas … incompreensíveis. O casal não está sozinho... O pesadelo começa... ELES estão ali...




ILS NE MOURAINT PAS TOUS MAIS TOUS ÉTAINT FRAPPÉS, de Marc-Antoine Roudil e Sophie Bruneau (documentário, 2005, 1h20)

Todas as semanas, uma psicóloga e dois médicos atendem homens e mulheres doentes devido ao trabalho. Quatro pessoas descrevem o seu sofrimento no emprego, durante uma entrevista única. Através da intimidade, da intensidade e da verdade de todos estes dramas vulgares, o filme testemunha a banalização do sofrimento no mundo do trabalho. “Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés” é um espaço cinematográfico fechado onde ganha corpo e significado uma realidade invisível e silenciosa. O título foi retirado de Animaux malades de la peste, uma fábula de La Fontaine.




JE NE SUIS PAS LÀ POUS ÊTRE AIMÉ, de Stéphane Brizé (2004, 1h33)

com Patrick Chesnais, Anne Consigny, Georges Wilson


Solicitador, 50 anos, coração e sorriso cansados, há muito tempo que Jean-Claude Delsart abandonou a ideia de que a vida possa dar-lhe alegrias. Até ao dia em que empurra a porta de uma aula de tango...







KIRIKOU ET LES BÊTES SAUVAGES, de Michel Ocelot e Bénédicte Galup (animação, 2005, 1h15)

vozes: Pierre-Ndoffé Sarr, Awa Sène Sarr, Robert Liensol


Nem toda a história fora contada... Na sua gruta azul, o avô esclarecia: "A história de Kirikou e a feiticeira era bem curta. Não houve tempo para se contar tudo quanto realizara o pequeno Kirikou e haviam sido belas e louváveis as suas façanhas, algo que não convém esquecer. Pois bem, aqui vai, eu vo-las contarei." E assim, disse-nos como o imaginativo Kirikou se tornou jardineiro, detective, oleiro, vendedor, viajante, médico, e sempre o mais pequeno e destemido dos heróis!




LA FILLE DU JUGE, de William Karel (2004, 1h30)

com Clémence Boulouque, Elsa Zylberstein


Sou filha do juiz Boulouque, do terrorismo, dos anos 80, dos atentados de Paris. E sou órfã de tudo isso. Já ninguém se lembra do meu pai e a vaga de atentados nos anos 80 em Paris confunde-se com todas as demais que se lhe seguiram. (...) Tinha eu 13 anos, quando o meu pai disparou sobre si mesmo, naquela noite de 13 de Dezembro de 1990, e sobre as nossas vidas. Tendo por pano de fundo as tomadas de reféns, os atentados mortíferos em Paris, as pressões políticas, a máquina mediática e judicial, esta é a história de uma menina despreocupada, brutalmente confrontada com as ameaças de morte, com os guarda-costas, com o medo e… uma noite do Inverno de 1990, o desfecho dramático!




LA PETITE JERUSALEM, de Karin Albou (2004, 1h34)

com Fanny Valette, Elsa Zylberstein, Bruno Todeschini


Nos arredores de Paris, em Sarcelles, num bairro chamado «A pequena Jerusalém», numa alusão ao grande número de judeus que lá vivem. Laura, 18 anos, está dividida entre a sua educação religiosa e os seus estudos de filosofia que a entusiasmam e lhe dão uma outra visão do mundo. Enquanto a irmã Mathilde tenta dar um novo impulso ao seu casamento, Laura sucumbe às primeiras emoções amorosas. Este confronto com o desejo vai abalar as suas certezas.




LA RAISON DU PLUS FAIBLE, de Lucas Belvaux (2005, 1h56)

com Eric Caravaca, Natacha Régnier, Lucas Belvaux


A história decorre em Liège, Bélgica, na actualidade. É a história de quatro homens, uma mulher e uma criança que o destino irá juntar. É uma história que começa com o calor. O calor do Verão, o calor de um café onde os homens se juntam para jogar às cartas. É também uma história de pudor, onde só se contam as mágoas quando já é tarde demais. É uma história onde o dinheiro faz falta num lado e é demasiado visível noutro. É a história de pessoas que não podem mais, gastas, exaustas, arrasadas pelo trabalho. É a história de homens que pegam em armas para irem buscar o dinheiro onde ele está, no bolso dos outros, porque pensam que têm esse direito! Uma história sem bons e sem maus. Uma história de fortes e de fracos, onde cada um tem as suas razões, onde cada um escolhe o seu lado. É uma história onde uns morrerão enquanto outros irão sobreviver, mas da qual ninguém sairá ileso…




LA TOURNEUSE DE PAGES, de Denis Dercourt (2006, 1h25)

com Catherine Frot, Déborah François, Pascal Greggory


Apaixonada por piano, Mélanie passa uma audição no Conservatório de Versailles, na presença de uma pianista de renome mundial. Durante a sessão, esta mostra-se tirânica. Traumatizada, Mélanie decide então abandonar o piano. Uns dez anos mais tarde, Mélanie é admitida como estagiária num grande escritório de advogados dirigido pelo Dr. Fouchécourt, marido da mulher que mudou certamente o rumo da sua vida. Pouco depois, o Dr. Fouchécourt contrata-a para sua casa, para tomar conta do filho. O encontro com a Senhora Fouchécourt, que ainda é pianista, decorre às mil maravilhas, já que Mélanie se mostra muito sensível à música e se torna sua leitora vira-páginas…




LE PASSAGER, de Eric Caravaca (2004, 1h25)

com Julie Depardieu, Eric Caravaca, Vincent Rottiers


Thomas acaba de receber a notícia da morte do irmão Richard, que não via há vários anos. Deixa Paris e vai a Marselha para reconhecer o corpo. Recolhe os pertences do irmão e volta para a sua terra natal. Mal chega, regressa à casa onde passou a infância, sem, contudo, ali se demorar muito. Aluga um quarto num hotel dos arredores da cidade. Não há ninguém por aquelas paragens, a não ser Jeanne, a dona do hotel, Lucas, um adolescente que Jeanne recolheu, e Joseph, um velho mecânico. Todos eles conheceram bem Richard. Thomas decide não revelar a sua identidade...




LES ANGES EXTERMINATEURS, de Jean-Claude Brisseau (2006, 1h40)

com Frederic Van Den Driessche, Maroussia Dubreuil, Lise Bellynck


François, cineasta, está a preparar as filmagens de um policial. Nos testes de casting para uma cena de nu, uma actriz revela-lhe o prazer que sente ao transgredir pequenos tabus eróticos. Impelido pelo desejo de trazer algo de novo ao cinema, decide realizar um filme que misture ficção e realidade, em torno daquilo que, inesperadamente, se revela um enigma e um tabu: as pequenas transgressões que dão prazer. A sua pesquisa no campo erótico confronta-o com questões de fundo que, tal como a Ícaro ao aproximar-se do sol, lhe queimarão as asas.




0SS 117 - LE CAIRE NID D’ESPIONS, de Michel Hazanavicius (2005, 1h39)

com Jean Dujardin, Bérénice Bejo, Aure Atika


Egipto, 1955, a cidade do Cairo é um verdadeiro ninho de espiões. Todos desconfiam uns dos outros, toda a gente conspira contra toda a gente: ingleses, franceses, soviéticos, a família do destronado Rei Faruk que aspira recuperar o trono, os Águias de Kheops, seita religiosa determinada a tomar o poder. O Presidente da República Francesa, René Coty, envia a sua mais poderosa arma para restabelecer a ordem naquela barafunda à beira do caos: Hubert Bonisseur de la Bath, conhecido por OSS 117.




PALAIS ROYAL!, de Valérie Lemercier (2004, 1h40)

com Valérie Lemercier, Lambert Wilson, Catherine Deneuve


Uma terapeuta da fala muito simples, mas casada com o filho mais novo do rei e que, contra a sua vontade, ascende a rainha por morte do monarca... E nem sempre a vida das cabeças coroadas é divertida...ou, talvez sim!







PARIS, JE T’AIME (2005, 1h50)


Um filme que aposta no amor. Em vinte bairros de Paris, o amor passageiro, velado, gestualizado, vampirizado, maltratado ou revelado... Paris reinventada por 20 realizadores internacionais.


MONTMARTRE - de Bruno Podalydès
QUAIS DE SEINE - de Gurinder Chadha
LE MARAIS - de Gus Van Sant
TUILERIES - de Joel e Ethan Coen
LOIN DU 16e - de Walter Salles e Daniela Thomas
PORTE DE CHOISY - de Christopher Doyle
BASTILLE - de Isabel Coixet
PLACE DES VICTOIRES - de Nobuhiro Suwa
TOUR EIFFEL - de Sylvain Chomet
PARC MONCEAU - de Alfonso Cuaron
QUARTIER DES ENFANTS ROUGES - de Olivier Assayas
PLACE DES FÊTES - de Oliver Schmitz
PIGALLE - de Richard LaGravenese
QUARTIER DE LA MADELEINE - de Vincenzo Natali
PÈRE-LACHAISE - de Wes Craven
FAUBOURG SAINT-DENIS - de Tom Tykwer
QUARTIER LATIN - de Gena Rowlands (argumento), Gérard Depardieu e Frédéric Auburtin (realização)
14e ARRONDISSEMENT - de Alexander Payne




QUI M’AIME ME SUIVE, de Benoît Cohen (2005, 1h40)

com Mathieu Demy, Eléonore Pourriat, Julie Depardieu


Aos 35 anos, Maxime Maréchal, médico brilhante, leva uma vida pacata entre a mulher advogada, os amigos que o admiram e uma família satisfeita. Até ao dia… em que conhece Chine, uma cantora vai provocar o electrochoque que todos tanto temiam. Max decide dizer adeus à carreira para criar um grupo de rock, retomando um antigo sonho de juventude. Na sua corrida desenfreada, irá arrastar toda a gente à sua volta, transtornando completamente a vida de uns e de outros.




RENAISSANCE, de Christian Volckman (2006, 1h45, animação)

2054 – Uma Paris labiríntica onde tudo o que acontece é controlado e filmado. Ilona Tasuiev, uma jovem cientista invejada por todos pela sua beleza e inteligência, é raptada. Avalon, a empresa onde trabalha Ilona, pressiona Karas, um polícia controverso, especializado nos casos de raptos, para encontrar, o mais depressa possível, a jovem desaparecida. Karas logo se sente perseguido. Definitivamente, não é o único no encalço de Ilona, e os seus perseguidores parecem prontos a tudo para se lhe anteciparem. Encontrar Ilona torna-se então vital: a jovem é o objecto de uma guerra oculta que a ultrapassa; ela é a chave de um protocolo do qual depende futuro da humanidade – o Protocolo Renaissance...




SAUF LE RESPECT QUE JE VOUS DOIS, de Fabienne Godet (2005, 1h30)

com Olivier Gourmet, Dominique Blanc, Julie Depardieu


Aos 40 anos, François tem tudo para ser feliz: uma família, um trabalho, amigos... Porém, dá-se um acontecimento trágico dentro da sua empresa que irá pôr em causa os princípios que até aí regiam a sua vida. Saberá François despertar e recusar o que agora lhe parece intolerável?






SELON CHARLIE, de Nicole Garcia (2005, 1h55)

com Jean-Pierre Bacri, Vincent Lindon, Benoît Magimel


Uma cidade à beira do Atlântico, época baixa. Três dias, sete personagens, sete vidas em movimento, em busca de elas próprias, que se cruzam, se desencontram, se roçam, se chocam e que, ao despedirem-se, nunca mais serão as mesmas.






SUZANNE ET LES VIEILLARDS, de Viviane Candas (2006, 1h32)

com Patrick Bauchau, Jean-Pierre Kalfon, Christine Citti


Desde a morte do filho, Frank e Mado cultivam uma certa forma de desprendimento, uma leveza de viver. Max, um amigo de infância, apresenta-lhes as suas amantes, encontradas através de anúncios, porque pretende voltar a casar. Quando Mado morre subitamente, todo o universo de Frank desmorona. Um dia, num jardim, repara em Suzanne, com a qual já se cruzava há vários meses sem lhe prestar atenção. No início do Verão, apaixona-se por ela. Max vai imediatamente tentar conquistá-la. A rivalidade entre os dois amigos revela-se então algo estrambólica, pois, não há tempo a perder.




VERS LE SUD, de Laurent Cantet (2005, 1h55)

com Charlotte Rampling, Karen Young, Louise Portal


Haiti, início dos anos 80. Um pequeno hotel numa praia paradisíaca. No meio das famílias de turistas, contam-se umas quantas americanas sozinhas: Brenda, uma quarentona moralista; Ellen, professora universitária de francês, com os seus cinquenta anos, e um pouco a rainha do grupo; e Sue, uma avantajada canadiana do Quebeque, muito frontal e cheia de vida. Em torno do hotel gravita um bando de jovens rapazes que trocam os seus encantos e a sua gentileza por alguns favores. Entre eles, Legba, o favorito de Ellen, na frescura dos seus 18 anos, lindo de morrer, que elas ali encontram todos os anos e que vai mudar para sempre as suas vidas.




Mais detalhes em http://www.festadocinemafrances.com.



* Sinopses retiradas do site oficial






realizado por Rita às 12:10
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Sexta-feira, 29 de Setembro de 2006
Amor Idiota ****

Realização: Ventura Pons. Elenco: Santi Millán, Cayetana Guillén Cuervo, Mercè Pons, Marc Cartes, Jordi Dauder, Gonzalo Cunill, Daniela Corbo. Nacionalidade: Espanha, 2004.





“A minha vida constitui um longo e proveitoso caminho em direcção à estupidez. Um dia, quando era adolescente, dei-me conta de que era idiota. Uns quanto anos mais tarde, descobri que não era o único. Agora que vou a caminho dos trinta e cinco anos estou convencido não só de que todo o mundo é idiota, mas também que nunca deixamos de o ser.”


Assim começa “Amor Idiota”, uma reflexão na primeira pessoa, feita com ironia e cepticismo mas também com humor (negro por vezes), sobre o eterno desencontro que é o amor.


Pere-Lluc (Santi Millán) encontra-se numa fase complicada da sua vida. Tudo lhe parece irrelevante e sem consequência, sente-se desiludido, perdido, oscilando entre a auto-flagelação e a auto-comiseração. Desde início, Ventura Pons mostra-o no seu nível mais baixo, num acto infantil e exibicionista num jantar do Gabinete Cárdenas de Orientação Psico-profissional, onde trabalha. Isto serve para nos situar no seu processo, e para que vejamos como ele se vai elevando do seu infortúnio, e vai abandonando o seu estado de despojo humano.


Ao final de uns dias, Pere-Lluc descobre que o seu grande amigo Nicco Zenone (Gonzalo Cunill), um actor argentino, morreu. Revoltado por apenas tomar conhecimento do sucedido 5 meses depois, Pere-Lluc embebeda-se para esquecer a sua dor. De regresso a casa, choca com as escadas de uma rapariga (Cayetana Guillén Cuervo) cujo trabalho consiste em pendurar cartazes publicitários nos postes de electricidade de Barcelona. O embate não é mais forte do que a fascinação que Pere-Lluc sente por esta desconhecida, que o ignora completamente. Mas, para ele, foi apenas preciso um momento para se apaixonar, e para se obcecar por ela. Assumindo a idiotice como parte de si mesmo (há inclusive uma referência clara ao ‘O Idiota’ de Dostoiévski), Pere-Lluc não tem intenções de a corrigir, mas sim de tirar o melhor partido dela, e, a partir desse momento, a vida de Pere-Lluc terá o ritmo das suas perseguições, ao trabalho dela, ao bar onde espera pelo marido, ou à casa de ambos.


A vida plácida e aborrecida de Pere-Lluc encontra um novo fôlego, o risco e a adrenalina de espiá-la fazem-no sentir-se vivo. E a obsessão que o devora é também aquilo que lhe devolve a integridade.


Baseado no livro ‘Amor d’Idiota’ de Lluís-Anton Baulenas, Ventura Pons aborda o tema da necessidade de comunicação e de afecto, a procura do outro e a necessidade de nos revermos noutro ser. Neste caso, essa busca é excessiva, descontrolada, ilógica e patológica. A ânsia de Pere-Lluc é a mesma ânsia da câmara, a imagem em permanente movimento a la Dogma, rápida, abrupta, nervosa, excitada; primeiro pela perseguição do objecto desejado, depois pelo desesperado devorar do mesmo, e finalmente pela angústia das decisões difíceis.


Tanto Santi Millán (que eu já tinha tido oportunidade de ver no filme “Di Que Sí” (2004) de Juan Calvo, uma comédia romântica sem grandes consequências onde contracena com Paz Vega) como Cayetana Guillén Cuervo se envolvem nas suas personagens, humanizando-as. Ele, omnipresente e obsessivo, ela, acossada e agredida na sua intimidade. Ele, um livro aberto, ela, enigmática, pois apenas existe como objecto do olhar daquele que a deseja e a persegue. No entanto, o filme desequilibra-se quando se afasta dos dois protagonistas, quer quando envolve o padrinho de Pere-Lluc, quer o romance atabalhoado dos seus dois amigos, Jordina (Mercè Pons) e Àlex (Marc Cartes), quer os flashbacks ao amigo argentino.


Em “Amor Idiota” a palavra tem um papel fundamental, focado que é numa personagem que explora, durante constantes monólogos em off, um comportamento idiota do qual sente, simultaneamente, uma certa vaidade. O texto é brilhante e inteligente, com rasgos de existencialismo, feitos com o humor necessário para evitar que se tornem presunçosos.


“Amor Idiota” é também uma crónica da cidade de Ventura Pons - Barcelona: as placas das ruas, os passeios em mota, as escadas das casas, a linha do horizonte, os bares (que estranhamente reconfortante é reconhecermos num filme um espaço do qual já fizemos parte - em “Amor Idiota” isso aconteceu-me com o Bar “La Confiteria”, primeiro insinuado e depois confirmado numa segunda cena). Por isso lamento ter visto a versão dobrada em castelhano, quando grande parte do diálogo é em catalão.


A história de Ventura Pons fala da simplicidade dos sentimentos, mesmo sendo obsessivos ou idiotas, e das questões intelectuais que complicam o amor. Fala de um amor que é inseparável da loucura, porque é desenfreado, porque é uma luta sem regras. Fala de uma paixão onde o sexo urgente assume um tom de absurdo desespero, como se, mais do que o culminar, fosse um meio para alcançar o afecto.


Quando amamos portamo-nos como idiotas, infringindo todas as leis: pessoais, sociais, gravitacionais, de sobrevivência. Mandamos o alarme do instinto à fava e pisamos solo movediço. Somos repugnantes, execráveis, desprezíveis, submissos, generosos, sublimes e sobre-humanos.






CITAÇÕES:


“Mi vida constituye un largo y provechoso viaje hacia la idiotez. Un día, siendo adolescente, me di cuenta de que era idiota. Unos cuantos años más tarde, descubrí que no era el único. Ahora que voy camino de los treinta y cinco años estoy convencido de que no solamente todo el mundo es idiota, sino que además nunca dejamos de serlo.”
SANTI MILLÁN (Pere-Lluc)


“A experiência não nos torna mais sábios, apenas mais velhos.”
SANTI MILLÁN (Pere-Lluc)


“Los idiotas sólo podemos tener fe, esperanza y caridad. Y un poco de amor porque es gratis.”
SANTI MILLÁN (Pere-Lluc)






realizado por Rita às 02:32
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Quinta-feira, 28 de Setembro de 2006
World Trade Center **1/2

Realização: Oliver Stone. Elenco: Nicolas Cage, Michael Peña, Maria Bello, Maggie Gyllenhaal, Michael Shannon, Armando Riesco, Jay Hernandez, Jon Bernthal. Nacionalidade: EUA, 2006.





Oliver Stone corre o sério risco de ser classificado, na minha lista pessoal, como o próximo Steven Spielberg, ou seja, o realizador que, estabelecendo uma reputação invejável, com grandes obras, se deixa cair nos tentáculos da indústria que o alimenta e se alimenta dele, deixando a arte, a inovação e o risco para os mais novos (ou ainda menos comprometidos). Spielberg rompeu o ciclo com “Munich”. Mas Stone, já desde “Natural Born Killers” (1994) que não me emociona. Com “World Trade Center” também não.


Este filme relata a experiência verídica de dois polícias da Autoridade Portuária de Nova Iorque, John McLoughlin e Will Jimeno (interpretados por Nicolas Cage e Michael Peña, respectivamente), que, juntamente com mais três colegas (entre os quais o português António Rodrigues), ficaram soterrados debaixo dos escombros das torres gémeas no fatídico dia do atentado. McLoughlin e Jimeno sobreviveram após 12 horas debaixo de cimento e metal, os seus companheiros não.


Os eventos dramatizados acompanham a agonia destes dois homens, que contam apenas um com o outro, para não se deixarem adormecer e para manterem a fé. Mas nenhum deles é mostrado como herói. O único que se aproxima de algum tipo de heroísmo é o marine Dave Karnes (Michael Shannon), que parece isolado na sua determinação de encontrar sobreviventes. Infelizmente, é também ele o mensageiro do desejo de vingança (as notas finais referem que ele participou posteriormente em duas missões no Iraque).


Oliver Stone abdica do seu ego, do seu prestígio, e sacrifica a ficção para se cingir à matéria-prima: uma aborrecida realidade, onde prevalece o sentimentalismo barato de um filme de sábado à tarde. A tragédia é convertida em entretenimento: os espectadores investem as suas emoções nos dois indivíduos miraculosamente salvos do desastre em vez de se focarem na anónima multidão que morreu nesse dia. “Não estamos preparados para nada desta dimensão” e talvez este filme venha provar isso mesmo, a incapacidade de lidar de frente com um monstro deste tamanho. Aliás, os atentados são apenas aflorados, e a vontade de que esta obra fosse apolítica é levada ao extremo de sentirmos que tudo se poderia passar em qualquer outro momento, em qualquer outro lugar.


Não quero com isto desvalorizar a experiência pessoal dos envolvidos, cuja violência não consigo sequer imaginar. Mas “World Trade Center” não é um memorial, e nem sequer é um filme muito bom.


Stone reconhece a importância do mostrar em vez do dizer, e trabalha a imagem de uma forma irrepreensível. A sombra de um avião, a agitação do embate, as cenas de desmoronamento, a restrição física dos escombros (e dos dois protagonistas), tudo isto aliado a uma montagem sem falhas. Stone tem ainda o mérito de conseguir que um filme que vive de duas horas de conversa entre dois homens imobilizados e desfalecidos não seja a coisa mais aborrecida do mundo. Para isso contribuem, as coloridas incursões pela vida familiar, actual e passada, de ambos, retratando a ansiedade das suas famílias enquanto esperam notícias, entre a angústia controlada da mulher de McLoughlin, Donna (Maria Bello), e o desespero da mulher de Jimeno, Allison (Maggie Gyllenhaal).


“World Trade Center” é um filme sobre entreajuda quando queria ser um filme sobre coragem, sobre salvar homens quando queria ser sobre salvar valores, sobre desígnio divino quando queria ser sobre esperança. Glorificar este filme não serve de nada, não é cinema de excepção, não ajuda a perceber o sofrimento, nem incita à resolução do problema subjacente, além de deixar uma subtil germinação de vingança.


O 9/11 servirá ainda de alimento para muitos na indústria de Hollywood e não só. Esperemos que o tempo coloque os factos na devida proporcionalidade e torne as abordagens mais corajosas.






CITAÇÕES:


“Pain is your friend.”
MICHAEL PEÑA (Will Jimeno, citando o filme “G.I. Jane”)


“God made a curtain with the smoke to shield us from what we're not yet ready to see.”
MICHAEL SHANNON (Staff Sergeant Dave Karnes)






realizado por Rita às 00:17
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Quarta-feira, 27 de Setembro de 2006
Quelques Jours en Septembre **1/2

Realização: Santiago Amigorena. Elenco: Juliette Binoche, John Turturro, Sara Forestier, Tom Riley, Nick Nolte. Nacionalidade: Itália / França / Portugal, 2006.




A primeira realização de Santiago Amigorena, co-argumentista de “Ni pour, ni contre (bien au contraire)” falha exactamente onde a experiência mais devia ajudar: na história.


“Quelques Jours en Septembre” quer ser, simultaneamente, um filme de espionagem, uma reflexão sobre o estado do mundo no momento prévio aos atentados do 11 de Setembro de 2001, e uma meditação sobre o amor. Dada a falta de eficácia do resultado, parece que a intenção era, de facto, demasiado ambiciosa.


Antes de finalizar a sua missão, o espião americano Elliott (Nick Nolte) quer resolver os seus problemas domésticos. Para o efeito, encarrega a sua ex-colega Irène (Juliette Binoche) de juntar a sua filha, Orlando (Sara Forestier), que ele abandonou há 10 anos, e o seu filho adoptivo americano David (Tom Riley). Mas um discípulo de Elliott, William Pound (John Turturro) está decidido a colocar entraves a esse reencontro. Eliott é também procurado por investidores árabes, que necessitam confirmar que a informação financeira que Elliot lhes deu é verdadeira, ou seja, que a Bolsa de Nova Iorque cairá 25% nos próximos dias e que eles deverão retirar todo o seu dinheiro dos Estados Unidos.


A acção desenrola-se entre Paris e Veneza, pelo período de uma semana, nos dias precedentes ao atentado. Numa contagem decrescente, as trajectórias das personagens acabam por estar marcadas por esse ponto de chegada. Entre Irène, Orlando e David estabelece-se desde logo um triângulo de sedução-repulsão, mas nem as suas conversas, nem os seus passeios, nem suas discussões sobre a hegemonia dos Estados Unidos, nos desviam a atenção desse elemento.


Mas para um filme de espiões, a “Quelques Jours en Septembre” falta-lhe o dinamismo. A maior parte do tempo as personagens passeiam-se pela pitoresca Veneza e citam poetas ingleses. Nem mesmo a personagem de Turturro, um espião torturado que, como lhe recomenda o seu terapeuta, procura “matar o pai”, hesita em declamar William Blake antes de premir o gatilho. Adicionalmente, o cliché do conflito como máscara do desejo, serve apenas para conferir artificialidade a um filme com alguma potencialidade para ser interessante.


As interpretações são boas, sem excepção, incluindo os jovens actores Sara Forestier (“L’Esquive” (2003), de Abdel Kechiche) e Tom Riley. E John Turturro nunca desilude. Mas é pena vê-los num mar cinzento chumbo sem terem onde se agarrar.


Existem dois elementos interessantes neste filme. Um, é o contraste entre a enormidade histórica e os pequenos detalhes quotidianos. Outro, a brincadeira que Irène faz, tirando de vez em quando os seus óculos e aproveitando a sua miopia para ver o mundo de forma distinta.


Talvez não seja má ideia, lembrarmos, de vez em quando, de ver o mundo de diferentes perspectivas, a velha história de retirar os olhos do nosso próprio umbigo, “walk in another man’s shoes”, vulgo EMPATIA.






realizado por Rita às 00:12
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Segunda-feira, 25 de Setembro de 2006
O fim do King Kard... as we know it.




Ainda noutro dia dizia a um amigo que a grande razão que me impede de emigrar é o King Kard. O meu cartão está mais gasto que o multibanco e tenho o gesto tão automático que dou por mim a querer pagar cafés com ele.


Mas a partir do dia 1 de Outubro tudo será diferente. A Medeia Filmes SA decidiu retirar-se deste projecto, o que em termos práticos resulta em que o actual King Kard será válido única e exclusivamente nas salas do Cinemas Millenium SA.


Em Lisboa, das 32 salas inicialmente disponíveis, os portadores do King Kard vêem-se assim limitados à oferta mais comercial (mas não desprezível) das 16 salas do Alvaláxia.


A Medeia Filmes SA, no entanto, não está parada, estando já em fase de subscrição o novo cartão Medeia que, pelo que percebi, funcionará de modo semelhante ao do King Kard. Detalhes em http://www.medeiacard.com.


Caberá a cada um pesar as alternativas. Incluindo ficar no país ou emigrar.






realizado por Rita às 00:40
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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006
An Inconvenient Truth ****

Realização: Davis Guggenheim. Com: Al Gore. Nacionalidade: EUA, 2006.





“An Inconvenient Truth” é a versão cinematográfica de uma palestra que Al Gore tem vindo a fazer não só nos Estados Unidos, mas também na Europa e Ásia, apresentando dados científicos sobre o escalar da crise climática, alertando para o aquecimento global, de uma forma clara, rigorosa e motivadora.


Ainda que esta abordagem possa supor uma plataforma para a campanha presidencial de 2008, é demasiado fácil e redutor desviar o foco deste filme do seu tema central. Até porque o filme tem o mérito de fazer de Gore apenas um veículo, o emissor de uma mensagem que muita gente se tem recusado a escutar e mesmo a entender. O mesmo Gore, citando Upton Sinclair refere que não é possível fazer alguém entender algo quando o seu salário está dependente do facto de não o entender.


Com efeito, durante o seu serviço governamental, Gore foi sempre um apoiante das políticas ambientais. E desde que perdeu as eleições presidenciais de 2000 para George W. Bush, Gore focou os seus esforços nesta luta. Gore não é um cientista, mas o seu estudo exaustivo do tema permite-lhe explicar os factos científicos a leigos sem necessidade de os simplificar exageradamente, e fá-lo racionalmente e de uma forma acessível, metódica, lúcida, apelativa e com humor.


A sua crítica à administração Bush, no entanto, não deixa de estar presente. Algo que seria inevitável dado o seu comportamento autista relativamente às estratégias internacionais, nomeadamente no que se refere à recusa de assinatura (à semelhança da Austrália) do Protocolo de Kyoto referente à limitação das emissões de gases poluentes. Apesar disso, muitas cidades americanas estão, a título individual, a tomar medidas em consonância com o mesmo. O tom de esperança é reforçado pelo comentário de Gore: “Na América, a vontade política é um recurso renovável.”


Mas para Gore o colapso planetário é um assunto ético e moral, e do seu empenho pessoal nesta missão transparece uma paixão que nenhuma das suas campanhas políticas tinha insinuado - talvez porque o assunto é bastante mais sério.


Com a ajuda de um clip de Matt Groening, criador dos Simpsons, Gore inicia a sua apresentação explicando o efeito de estufa criado pelas emissões de dióxido de carbono (CO2), que conduzem a temperaturas atmosféricas mais elevadas, induzindo o degelo de glaciares, a alteração das correntes, a subida do nível médio das águas e a potenciação de tempestades.


Os principais contribuidores para essas emissões de CO2 são os combustíveis fósseis e a queima das florestas (não só as tropicais), aos quais se deve acrescentar o impressionante aumento populacional a que o planeta foi sujeito desde a passada geração. Por ser um fenómeno gradual não quer dizer que não esteja a suceder, e porque as implicações mais graves não sucederão no nosso tempo de vida, é fácil ignorá-las, evitando pensar em que condições deixaremos este planeta aos nossos descendentes.


Gore desfaz também o falso mito da mútua exclusividade entre eficiência económica e a preservação do planeta. Por exemplo, os construtores de carros americanos estão actualmente a perder dinheiro, uma vez que o facto dos seus automóveis não respeitarem os padrões ambientais impede que os mesmos sejam vendidos em outros países, incluindo a China. A recusa de associar determinados comportamentos humanos / económicos a claras consequências ambientais está fortemente correlacionada com os cheques que muitos pseudo-especialistas recebem dos lobbies petrolíferos.


A verdade é inconveniente, especialmente ao (grande) bolso de uns poucos. Mas perante a simulação gráfica dos efeitos do degelo de metade da Gronelândia, submergindo grande parte da superfície costeira dos vários continentes (onde se inclui Xangai, Calcutá, Manhattan), percebemos que filmes como “The Day After Tomorrow” não são puramente ficcionais, especialmente se pensarmos na elevada concentração populacional destas áreas.


O realizador Davis Guggenheim constrói “An Inconvenient Truth” com filmagens da palestra, e com gráficos e dados usados na mesma. Mas, por qualquer razão, achou (na minha opinião equivocadamente) que isso não seria suficiente para agarrar a atenção do espectador. Por isso, optou por introduzir segmentos biográficos de Gore, onde momentos de séria gravidade parecem querer emprestar mais credibilidade ao homem. Tendo em conta a profunda e evidente dedicação de Gore a esta causa, esta “humanização” era desnecessária.


“An Inconvenient Truth” merece ser visto como um argumento científico, político e moral para que o mundo, e nomeadamente os Estados Unidos, modifiquem a sua atitude na luta contra o aquecimento global. A mensagem de Gore é urgente mas sem alarmismo, com esperança mas sem complacência. Espero - sinceramente - que filmes como este contribuam para combater a desinformação. “An Inconvenient Truth” pode não ser o filme de maior entretenimento deste final de Verão, mas é, sem dúvida, um dos mais importantes.


Para mais informações consultar http://www.climatecrisis.net.






CITAÇÕES:


“I'm Al Gore, I used to be the next president of the United States.”
AL GORE


“It ain't what you don't know that gets you into trouble. It's what you know for sure that just ain't so.”
AL GORE [citando Mark Twain]


“You can't make somebody understand something if their salary depends upon them not understanding it.”
AL GORE [citando Upton Sinclair]


“In America, political will is a renewable resource.”
AL GORE


“When you pray, move your feet.”
PROVÉRBIO AFRICANO



I NEED TO WAKE UP
de Melissa Etheridge


Have I been sleeping?
I’ve been so still
Afraid of crumbling
Have I been careless?
Dismissing all the distant rumblings
Take me where I am supposed to be
To comprehend the things that I can’t see

Cause I need to move
I need to wake up
I need to change
I need to shake up
I need to speak out
Something’s got to break up
I’ve been asleep
And I need to wake up
Now

And as a child
I danced like it was 1999
My dreams were wild
But the promise of this new world
Would be mine
Now I am throwing off the carelessness relief
To listen to an inconvenient truth

Well I need to move
I need to wake up
I need to change
I need to shake up
I need to speak out
Something’s got to break up
I’ve been asleep
And I need to wake up
Now

I am not an island
I am not alone
I am my intentions
Trapped here in this flesh and bone

And I need to move
I need to wake up
I need to change
I need to shake up
I need to speak out
Something’s got to break up
I’ve been asleep
And I need to wake up
Now

I want to change
I need to shake up
I need to speak out
Something’s got to break up
I’ve been asleep
And I need to wake up
Now




realizado por Rita às 23:52
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Terça-feira, 19 de Setembro de 2006
Oldboy *****

Realização: Park Chan-wook. Elenco: Choi Min-sik, Yu Ji-tae, Kang Hye-jeong, Ji Dae-han, Oh Dal-su, Kim Byeong-ok. Nacionalidade: Coreia do Sul, 2003.





Antes de “Oldboy”, de Park Chan-wook apenas tinha visto o segmento “Cut” do filme “3... Extremos” (aproveito para mencionar o facto de na semana passada ter estreado a versão longa do segmento “Dumplings”, de Fruit Chan). O tema mantém-se. Baseado na obra gráfica de manga de Tsuchiya Garon, “Oldboy” é um retrato sobre a vingança, cru, inteligente e sem compromissos.


Oh Dae-su (Choi Min-sik) está embriagado e de regresso a casa no dia de aniversário da sua filha. De repente, acorda num quarto sujo que será a sua prisão nos 15 anos seguintes. Incapaz de escapar e sem possibilidade sequer de se matar, começa a perder tudo o que lhe resta de humanidade. Sem nada, a única motivação que ele encontra é descobrir quem lhe fez isto, porquê e vingar-se. Com apenas uma televisão por companhia (através da qual ele descobre que a sua mulher foi morta), Oh Dae-su vai mantendo um treino físico lutando contra sombras, ao mesmo tempo que tenta a fuga. Finalmente, da mesma forma repentina com que Oh Dae-su foi aprisionado, é libertado no mundo real. Ao providenciar-lhe roupa, um telemóvel e algum dinheiro, o seu captor é quem faz o primeiro movimento naquele que será um jogo de gato e rato.


Oh Dae-su sente-se de facto como um animal, e refere-se a si próprio como ‘Monstro’. Uma jovem chefe de sushi, Mido (Kang Hye-jeong), sente pena dele e decide ajudá-lo na sua busca. Oh Dae-su terá um prazo de 5 dias para descobrir porque foi preso. Caso ele não o consiga, Mido será morta. Oh Dae-su ver-se-á obrigado a escavar na sua juventude, mas mais importante do que saber porque foi preso, é descobrir porque foi libertado.


Neste caminho da vingança, a verdade será aquilo que ele vai encontrar. Mas a verdade nem sempre é aquela em que acreditamos, e talvez todo o treino de Oh Dae-su não seja suficiente para absorver todo o sofrimento que ainda o espera.


“Oldboy” é um filme brutal. Sem viver do gore, tem cenas verdadeiramente impressionantes, cujo impacto varia com a sensibilidade gástrica de cada um. Envolvente e perturbante, intenso e revoltante, “Oldboy” faz uso da violência como um elemento necessário, e não de prazer. Mas a violência física não é nada quando comparada com a violência emocional, e é a tensão que Park Chan-wook coloca em cada cena que cria o verdadeiro incómodo.


A interpretação de Choi Min-Sik é soberba. A versatilidade da sua aparência é equivalente à sua flexibilidade num registo complexo, que vai do heróico ao patético, do corajoso ao desprezível. Yu Ji-Tae como o captor está igualmente irrepreensível, num misto de elegância e ameaça.


Park Chan-wook recusa condenar as suas personagens, ou encaixá-las em versões estanques de “herói” ou “vilão”. Ele gosta delas, aproximando-as de nós, e é isso que se torna realmente assustador. Pensar que todos temos animais debaixo da pele, e que quando empurrados para lá dos nossos limites, todos podemos eventualmente tornarmo-nos monstros. A hipnose faz de deus ex machina na resolução final do filme, mas um sorriso ambíguo tem o poder de sugerir que uma cura milagrosa nunca será possível.


O Grande Prémio do Júri na edição de 2005 do Festival Internacional de Cinema de Cannes está inteiramente justificado num óptimo argumento, nas óptimas interpretações, na óptima fotografia de Jeong Jeong-hun e no óptimo trabalho de câmara (de referir a coreográfica sequência da luta no corredor).


Se a vingança é um prato que se serve frio, a de “Oldboy” é gelada e imensamente perversa. Mas o que sucede quando se satisfaz a vingança que serviu de motivo para uma vida? O que resta depois disso? Quando nem sequer existe a possibilidade de nos perdoarmos a nós mesmos...






CITAÇÕES:


“Ainda que eu não seja mais que um animal, não terei ainda assim direito a viver?”


“A TV é relógio e calendário, é a tua escola, a tua casa, a tua igreja, a tua amiga... a tua amante...”


“Ri e o mundo ri contigo, chora e choras sozinho.”


“Seja um grão de areia ou uma pedra, na água, ambos se afundam.”


“... Unwatchably ugly and breathtakingly beautiful, gut-wrenching and delicate, heartbreakingly emotional and coldly manipulative, mind-bogglingly entertaining and almost arrogantly artistic, “Oldboy” is a mass of contradictions that nonetheless coheres as a whole... “Oldboy” is without doubt the most purely cinematic (both in form and content) piece of work, the truest motion picture, released in South Korea this year”.
KYU HYUN KIM






realizado por Rita às 21:32
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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006
FESTIVAIS CANADIANOS

O Canadá andou agitado na última quinzena em termos de festivais. Aqui ficam os premiados, para futuras referências.





29º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE MONTRÉAL


LONGAS-METRAGENS

Grande Prémio das Américas
“NAGAI SANPO” (“A LONG WALK”) de Eiji Okuda (Japão)
“O MAIOR AMOR DO MUNDO” de Carlos Diegues (Brasil)

Prémio Especial do Júri
“SNOW IN THE WIND” de Yang Yazhou (China)

Melhor Realizador
“GYMNASLAERER PEDERSEN” (“COMRADE PEDERSEN”) de Hans Peter Moland (Noruega)

Melhor Contribuição Artística
Guy Dufaux por “THE CHINESE BOTANIST'S DAUGHTERS” de Dai Sijie (França/Canadá)

Melhor Actriz
Ni Ping, em “SNOW IN THE WIND” de Yang Yazhou (China)

Melhor Actor
Filip Peeters, em “DEL HEL VAN TANGER” (“HELL IN TANGIER)” de Frank Van Mechelen (Bélgica/Espanha)

Melhor Argumento
“WARCHILD” de Christian Wagner (argumento de Edin Hadzimahovic (Alemanha/Eslovénia)

Prémio de Inovação
“RUIDO” de César Rodriguez (Porto Rico)


CURTAS-METRAGENS

Primeiro Prémio
“RÉVOLUTION” de Xavier Diskeuve (Bélgica)

Prémio do Júri
“CHECKPOINT” de Ben Phelps (Austrália)


ZENITHS PARA MELHOR PRIMEIRA LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO

Zenith de Ouro
“MÁS QUE A NADA EN EL MUNDO” de Andrés León Becker e Javier Solar (México)

Zenith de Prata
“QUÉ TANT LEJOS” (“HOW MUCH FURTHER?”) de Tania Hermida (Equador)

Zenith de Bronze
“OMARET YACOUBIAN” (“THE YACOUBIAN BUILDING”) de Marwan Hamed (Egipto)


PRÉMIOS DO PÚBLICO

Filme mais popular do festival
“THE CHINESE BOTANIST'S DAUGHTERS” de Dai Sijie (França/Canadá)

Filme canadiano mais popular
“THE CHINESE BOTANIST'S DAUGHTERS” de Dai Sijie (França/Canadá)

Prémio Glauber Rocha para melhor filme latino-americano
“MARIPOSA NEGRA” de Francisco Lombardi (Peru/Espanha)

Melhor Documentário
“L'ART DE VIEILLIR” (“THE ART OF AGING”) de Jean-Luc Raynaud (França)

Melhor curta-metragem canadiana
“JACK & JACQUES” de Marie-Hélène Copti (Canadá)


PRÉMIO FIPRESCI (CRÍTICOS DE CINEMA INTERNATIONAIS)
“NAGAI SANPO” (“A LONG WALK”) de Eiji Okuda (Japão)

PRÉMIO ECUMENICAL
“NAGAI SANPO” (“A LONG WALK”) de Eiji Okuda (Japão)


Prémios especiais pela sua excepcional contribuição para a arte cinematográfica
BRUNO GANZ
RÉMY GIRARD
BULLE OGIER





31º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE TORONTO


Prémio Swarovvski de Inovação Cultural
“TAKVA - A MAN’S FEAR OF GOD” de Özer Kýzýltan (Turquia/Alemanha)

Prémio do Público
“BELLA” de Alejandro Gomez Monteverde (EUA)

Prémio Diesel Discovery
“REPRISE” de Joachim Trier (Noruega)

Prémio dos Críticos Internacionais (Prémio FIPRESCI)
“DEATH OF A PRESIDENT” de Gabriel Range (Reino Unido)

Prémio CITYTV para Melhor Primeira Longa-metragem Canadiana
“SUR LA TRACE D’IGOR RIZZI” de Noël Mitrani

Prémio Cidade de Toronto para Melhor Longa-metragem Canadiana
“MANUFACTURED LANDSCAPES” de Jennifer Baichwal (documentário)

Prémio para Melhor Curta-metragem Canadiana
“LES JOURS” de Maxime Giroux





realizado por Rita às 21:53
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Sexta-feira, 15 de Setembro de 2006
Hustle & Flow ***

Realização: Craig Brewer. Elenco: Terrence Howard, Anthony Anderson, Taryn Manning, Taraji P. Henson, DJ Qualls, Ludacris, Paula Jai Parker, Elise Neal. Nacionalidade: EUA, 2005.





“Hustle & Flow” passou pelos Oscar®, mas não pelas nossas salas de cinema. “It’s hard out here for a pimp” é o refrão do hino que marca este filme (e da canção que ganhou a estatueta dourada): a história de um chulo de Memphis que sonha sair do gueto através da música.


DJay (Terrence Howard) tem três mulheres a seu cargo: Shug (Taraji P. Henson), grávida de DJay e cumprindo o papel doméstico da esposa, Lexus (Paula Jai Parker) que trabalha como stripper, e Nola (Taryn Manning) encarregue de satisfazer homens no banco de trás dos carros. Juntos, eles compõem um tipo estranho de família. Ao encontrar Key (Anthony Anderson), um amigo de infância actualmente engenheiro de som, recuperam o sonho de gravarem juntos.


Key diz a DJay que existem dois tipos de pessoas no mundo: os que fazem e os que falam. DJay está decidido a fazer. DJay sente que tem muito para dizer, o rap é o meio. E o sonho. De mudar de vida, de lhe dar sentido. Com a ajuda de Shelby (DJ Qualls), um organista branco da igreja local, os dois amigos iniciam uma viagem criativa, que arrasta consigo as pessoas que giram à sua volta. O sonho de DJay é contagioso, e permite que todos ao seu redor acreditem na possibilidade de escaparem do seu mundo.


Vencedor do Prémio do Público na edição de 2005 do Festival de Cinema de Sundance, estava a contar aborrecer-me com mais uma história sobre a ténue linha que separa o crime a milionária indústria discográfica, estava a contar cansar-me da música e dos estereótipos associados aos guetos e à violência, mas nada disso aconteceu. Primeiro, porque tirando uma das cenas finais, “Hustle & Flow” não é nada violento, e segundo porque não transforma este improvável herói num ainda mais improvável êxito comercial.


Fugindo ao melodrama, o estreante realizador Craig Brewer consegue criar uma história envolvente com personagens cheios de falhas mas que preservam a sua humanidade. Existem dois momentos francamente tocantes: um é quando Shug agradece a DJay a oportunidade de a deixar cantar numa faixa, como se ela tivesse a noção de que na vida dela aquele seria o momento mais importante; outro, é a revolta, cheia de frustração, desespero e desilusão, de Nola quando DJay troca os seus serviços por um microfone.


DJay não é uma personagem que, à partida, crie grandes empatias, é autoritário e manipula as pessoas que o rodeiam. Mas é também um homem fiel e que projecta a força da liderança. Os lampejos de gentileza aparecem as vezes suficientes para evitar que nos distanciemos dele. E Terrence Howard (“Crash”), numa boa prestação, impregna-lhe a sensibilidade necessária para o humanizar.


Taryn Manning está excelente como uma prostituta que se sente perdida no mundo, como ela mesma diz “Toda a gente tem alguma coisa para fazer, menos eu”. É Nola que personifica a capacidade das pessoas excederem os seus supostos limites, quando lhes é dada a oportunidade para tal. Elise Neal está igualmente bem como esposa de Key, dividida entre o seu estilo de vida e as novas ambições do marido.


Sem que cheguemos a sentir pena destes indivíduos, ou achar que eles mereciam algo melhor, o filme termina com um tom de desencanto, mas com uma luz de esperança. Lembrando que podemos ser muito mais do que aquilo que somos, se não desistirmos de acreditar em nós próprios e se nos empenharmos nos nossos sonhos.






CITAÇÕES:


“Just because you got the bacon, lettuce, and tomato don't mean I'm gonna give you my toast.”
ANTHONY ANDERSON (Key)


“There are two types of people: those that talk the talk and those that walk the walk. People who walk the walk sometimes talk the talk but most times they don't talk at all, 'cause they walkin'. Now, people who talk the talk, when it comes time for them to walk the walk, you know what they do? They talk people like me into walkin' for them.”
ANTHONY ANDERSON (Key)


“I'm here trying to squeeze a dollar out of a dime, and I ain't even got a cent man.”
TERRENCE HOWARD (DJay)






realizado por Rita às 01:14
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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2006
10º Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa


Tem início amanhã a 10ª edição do Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa, uma organização da Associação Cultural Janela Indiscreta que terá lugar nos cinemas Quarteto e São Jorge. Na cerimónia de abertura será apresentado o filme argentino “UN AÑO SIN AMOR” (2005, 95’) de Anahí Berneri, que conta a história de Pablo (Juan Minujín), um escritor com SIDA que se obriga a si mesmo a escrever um diário. Procurando o contacto humano pelos clubes de Buenos Aires, Pablo acaba envolvido num grupo com práticas sado-masoquistas. O seu “ano sem amor” é 1996, quando se implementaram as terapias com cocktails de drogas que transformaram a SIDA numa doença crónica e não necessariamente mortal.


Além deste, na competição das longas-metragens estarão a concurso também os seguintes filmes:


18.15 UHR AB OSTKREUZ (Alemanha, 2006, 110’), de Jörn Hartmann
“ELECTROSHOCK” (Espanha, 2006, 98’), de Juan Carlos Claver
GO WEST (Bósnia e Herzegovina, 2005, 97’), de Ahmed Imamović
GYPO (Reino Unido, 2005, 98’), de Jan Dunn
HARD PILL (EUA, 2005, 95’), de John Baumgartner
LOGGERHEADS (EUA, 2005, 101’), de Tim Kirkman
LOVE SICK – LEGATURI BOLNAVICIOASE (Roménia, 2006, 90’), de Tudor Giurgiu
“RONDA NOCTURNA” (Argentina, 2005, 81’), de Edgardo Cozarinsky
UNVEILED (Alemanha / Áustria, 2005, 97’), de Angelina Maccarone


A competição de documentários é composta por:


“AU-DELÀ DE LA HAINE” (França, 2005, 86’), de Olivier Meyrou
“BETWEEN THE LINES – INDIA’S THIRD GENDER” (Alemanha, 2005, 95’), de Thomas Wartmann
“EYE ON THE GUY: ALAN B. STONE & THE AGE OF BEEFCAKE” (Canadá, 2006, 48’), de Philip Lewis & Jean-Françoise Monette
“FILTHY GORGEOUS: THE TRANNYSHACK STORY” (EUA, 2005, 84’), de Sean Mullens
GAY SEX IN THE 70’S (EUA, 2005, 70’), de Joseph Lovett
“HOTEL GONDOLIN” (Argentina, 2005, 52’), de Fernando Lopez Escriva
“MARICONES” (Canadá, Peru, 2005, 52’), de Marcos Arriaga
“THE OTHER HALF” (Suiça, 2005, 60’), de Francesca Molo
“POLITICS OF THE HEARt” (Canadá, 2005, 67’), de Nancy Nicol
“SAY AMEN!” (Israel, 2005, 65’), de David Deri

Há ainda uma secção de competição de curtas-metragens (ficção e documentário), além de diversas secções fora de competição onde se inclui uma retrospectiva de cinema LGBT espanhol, um ciclo de cinema digital (com lugar no Goethe-Institut) e um panorama do circuito comercial. Deste último fazem parte obras como BREAKFAST ON PLUTO de Neil Jordan, BROKEBACK MOUNTAIN de Ang Lee, CAPOTE de Bennett Miller, “ODETE” de João Pedro Rodrigues, e TRANSAMERICA de Duncan Tucker.


Mais detalhes em http://www.lisbonfilmfest.org.






realizado por Rita às 07:40
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A Sangue Frio

Os meus olhos acabaram de viajar por aqui.





É incrível como alguém com o ego tão transbordante como Truman Capote, consegue sublimá-lo para benefício da sua obra - uma bela não-ficção.

Tomara muitos!



Mas quem é que disse à senhora Maria Isabel Braga que “to take a shower” se traduz para “tomar um chuveiro”???

Eu sabia que devia ter lido a versão original, eu sabia...






realizado por Rita às 00:21
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Quarta-feira, 13 de Setembro de 2006
Après Vous... ***

Realização: Pierre Salvadori. Elenco: Daniel Auteuil, José Garcia, Sandrine Kiberlain, Marilyne Canto, Fabio Zenoni. Nacionalidade: França, 2003.





Antoine (Daniel Auteuil, “Caché”) é o chefe de sala no restaurante de luxo Chez Jean, onde está habituado a resolver todos os problemas, apesar de ter uma considerável dificuldade em estabelecer e respeitar as prioridades da sua vida. É pois, por instinto, que uma noite Antoine evita o suicídio de Louis (José Garcia, “Le Couperet”), contra a vontade deste. Louis coloca em Antoine o peso de provar que a vida merece a pena e Antoine aceita essa responsabilidade, tranformando Louis numa missão. Recebe-o em casa, a contra-gosto da namorada Christine (Marilyne Canto); arranja-lhe emprego de sommelier no Chez Jean, apesar da clara inaptidão de Louis (já para não falar das suas “vertigens invertidas” pelas quais imagina que tudo lhe vai cair em cima); e tenta descobrir Blanche (Sandrine Kiberlain, “Les Gens Normaux N'ont Rien d'Exceptionnel” - 1993), a grande paixão de Louis, que o abandonou. O problema é que Blanche tem um novo namorado e pretende casar-se dentro de pouco tempo. Mas o maior problema de todos é que Antoine, na tentativa de reconciliar Blanche e Louis, acaba por ser traído pelo seu próprio coração.


“Après Vous...” é uma comédia sem grande originalidade, mas cuja eficácia, apoiada no cómico de situação, vence pela presença de dois excepcionais actores nos papéis protagonistas. Auteuil é um homem constantemente preocupado com fazer a coisa certa, abdicando da sua própria felicidade (e ironicamente provocando a infelicidade de outros no processo) em nome das boas intenções. Garcia, ridículo e cativante, é totalmente neurótico e obcecado. Antoine e Louis têm arcos evolutivos opostos. Enquanto o primeiro caminha no sentido da insegurança e da fragilidade, em virtude de um sentimento que o destabiliza, o outro recupera a confiança e a segurança, pela ínfima esperança que alberga no meio de toda a impossibilidade.


Salvadori corre de gag em gag, tentando aproveitar ao máximo os trunfos que tem nas mãos, mas não consegue fugir aos clichés mais básicos das comédias românticas.


“Cherchez la femme” é o mote. Na raiz dos dilemas destes dois homens está uma mulher melancólica e carente. A própria Blanche confessa que é incapaz de estar sozinha. O facto de Antoine estar à mão, e funcionar mais como um substituto do que como um motor emocional, torna este papel feminino bastante irritante (em vez do sentimento de traição quando descobre que os dois homens se conhecem, Blanche deveria antes sentir-se grata de ser a causa de tanta maquinação) e retira força ao elemento amoroso.


Aliás, o amor perde muitos pontos para a amizade neste filme, em especial no contraponto entre os actos egoístas motivados pelo primeiro e a generosidade do segundo. Questão metafísica do dia: haverá algum limbo idílico onde ambos se fundam?



P.S. - Depois da repetição exaustiva do hit francês dos anos 70 “Allô Papa Tango Charlie”, nos ouvidos fica a queimar, deliciosamente, “Sur le bout de la langue” de Camille Barbaz - poema abaixo para degustação.






CITAÇÕES:


“Christine - Como está o pato?
Louis - Morto.”
MARILYNE CANTO (Christine) e JOSÉ GARCIA (Louis)


“Eu não sou uma rapariga fácil, mas sou conciliadora.”
SANDRINE KIBERLAIN (Blanche)


“Blanche - As flores têm significados. As rosas dizem “amo-te”, (...) as anémonas “lamento muito”. Qual era a tua ideia?
Antoine - Rosas. E anémonas. 50, 50.
Blanche - “Amo-te” e “lamento imenso”. É muito masculino!”
SANDRINE KIBERLAIN (Blanche) e DANIEL AUTEUIL (Antoine)



SUR LE BOUT DE LA LANGUE
de Camille Barbaz


J'ai, sur le bout de la langue
Un mot qui me brûle
Un mot qui m'embrouille
La tête, m'arrache les os
Me griffe le cerveau
M'abime de bas en haut

J'ai sur le bout de la langue, ton petit coeur qui tangue
Sur le bout de la langue, ton petit coeur qui tangue,
Ton petit coeur qui tangue, ton petit coeur qui tangue...

Il y a sous ta peau
Comme un frisson qui me touche
Un éclair sur ta bouche
Couche moi près de toi
Non je ne bougerai pas
Même si tu ne m'écoute pas

J'ai sur le bout de la langue, ton petit coeur qui tangue
Sur le bout de la langue, ton petit coeur qui tangue,
Ton petit coeur qui tangue, ton petit coeur qui tangue...

Ne me montre pas du doigt
Si je veux tes mains d'abord
Si je te demande encore
De me raconter l'histoire
Des gens qui s'aiment une nuit
Des gens qui s'aiment une vie...

J'ai sur le bout de la langue, ton petit coeur qui tangue
Sur le bout de la langue, ton petit coeur qui tangue,
Ton petit coeur qui tangue, ton petit coeur qui tangue...




realizado por Rita às 02:16
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Terça-feira, 12 de Setembro de 2006
VENEZA 2006




O júri da 63ª edição do Festival de Cinema de Veneza, composto por José Juan Bigas Luna, Paulo Branco, Cameron Crowe, Chulpan Khamatova, Park Chan-wook, Michele Placido, e presidido por Catherine Deneuve, finalizou, no passado dia 9, a sua apreciação dos filmes a concurso, produzindo o seguinte palmarés:



VENEZIA 63

Leão de Ouro para Melhor Filme
“SANXIA HAOREN” (“STILL LIFE”) de Jia Zhang-Ke

Leão de Prata para Melhor Realizador
Alain Resnais, pelo filme “PRIVATE FEARS IN PUBLIC PLACES”

Leão de Prata Revelação
Emanuele Crialese, pelo filme “NUOVOMONDO - GOLDEN DOOR”

Prémio Especial do Júri
“DARATT”, de Mahamat-Saleh Haroun

Coppa Volpi para Melhor Actor
Ben Affleck, em “HOLLYWOODLAND” de Allen Coulter

Coppa Volpi para Melhor Actriz
Helen Mirren, em “THE QUEEN” de Stephen Frears

Prémio Marcello Mastroianni
Isild Le Besco, em “L’INTOUCHABLE” de Benoît Jacquot

Osella para Melhor Contribuição Técnica
Emmanuel Lubezki, Director de Fotografia do filme “CHILDREN OF MEN” de Alfonso Cuarón

Osella para Melhor Argumento
Peter Morgan, por “THE QUEEN” de Stephen Frears

Leão Especial
Jean-Marie Straub e Danièle Huillet pela inovação na linguagem do cinema


HORIZONS
Júri composto por Carlo Carlei, Yousri Nasrallah, Giuseppe Genna, Kusakabe Keiko, e presidido por Philip Gröning.

Prémio Horizons
“MABEI SHANG DE FATING” de Liu Jie

Prémio Horizons Doc
“WHEN THE LEVEES BROKE: A REQUIEM IN FOUR ACTS” de Spike Lee


Prémio Venezia Opera Prima “Luigi De Laurentiis”
Júri composto por Guillermo Del Toro, Mohsen Makhmalbaf, Andrei Plakhov, Stefania Rocca, e presidido por Paula Wagner.

Leão do Futuro - Prémio Venezia Opera Prima “Luigi De Laurentiis
“KHADAK” de Peter Brosens e Jessica Woodworth


CORTO CORTISSIMO
Júri composto por Francesca Calvelli, Aleksej Fedorčenko, e presidido por Teboho Mahlatsi.

Leão Corto Cortissimo para Melhor Curta-Metragem
“COMMENT ON FREINE DANS UNE DESCENTE?” de Alix Delaporte

Prémio UIP para Melhor Curta-Metragem Europeia
“THE MAKING OF PARTS” de Daniel Elliott

Menção Especial
“ADULTS ONLY” de Yeo Joon Han





realizado por Rita às 01:20
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Segunda-feira, 11 de Setembro de 2006
Genesis ***

Realização: Claude Nuridsany e Marie Pérennou. Elenco: Sotigui Kouyaté. Nacionalidade: França / Itália, 2004.





À volta de um caldeirão, um ancião africano (Sotigui Kouyaté), símbolo da sabedoria ancestral faz um relato de um conto que mais não é do que a versão científica da criação do mundo. “Genesis” é um filme didáctico e ao mesmo tempo poético sobre a origem da vida, e da terra por consequência. O ambiente é mítico e o título reporta ao Antigo Testamento, mas o único elemento religioso deste filme é o carácter sagrado da existência, um conceito que se alarga muito para lá do umbigo humano.


Claude Nuridsany e Marie Pérennou que, em “Microcosmos” (1996) olharam atentamente o mundo dos insectos, trazem em “Genesis” uma visão detalhada do universo. Numa viagem desde as ilhas Galápagos a Madagáscar, passando pela Islândia, as imagens - material filmado especificamente para este filme - são deslumbrantes, na cor, na luminosidade, no pormenor: a lava fervente, as tempestades marítimas, uma cobra devorando um ovo, animais belos e grotescos, todos eles submetidos às leis naturais de sobrevivência, defesa do território, procriação, e morte (a alforreca “fundindo-se” na areia como representação metafórica da lei de Lavoisier segundo a qual “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”).


“Genesis” apresenta uma interligação coesa de todos os elementos, com humor, mas também com o respeito e a admiração que a natureza, muito mais sábia que o Homem, nos merece. O ritmo nem sempre é o mais emocionante, plasmando talvez a extrema paciência na recolha de toda esta informação (“Genesis” é o resultado de seis anos de trabalho), mas a beleza das imagens compensa largamente a espera.


O som é elevado ao mesmo nível da imagem, ampliado, colocando-nos ao lado daquilo que observamos. E quando os realizadores nos levam para dentro de um ovo de avestruz para assistir ao seu nascimento, conseguem a proeza de apagar as barreiras que existem entre nós e as restantes criaturas da terra (sabe bem sentir isso, especialmente depois de ver um documentário violento como “Earthlings” (2003), de Shaun Monson, onde a arrogância e abuso do Homem sobre outros seres vivos é, no mínimo, revoltante).






CITAÇÕES:


“Être vivant, c’est tisser une histoire entre un début dont on ne se souvient plus et un fin dont on ne connaît rien.”


“A nossa vida é resultado de uma pilhagem, porque a vida é canibal. A vida devora a vida.”






realizado por Rita às 23:21
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Sexta-feira, 8 de Setembro de 2006
Volver ****

Realização: Pedro Almodóvar. Elenco: Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Dueñas, Blanca Portillo, Yohana Cobo, Chus Lampreave, Antonio de la Torre. Nacionalidade: Espanha, 2006.





“Volver”, o último filme de Pedro Almodóvar, começa com um batalhão de mulheres num cemitério limpando campas fustigadas pelo vento. É também o vento que faz mover os moínhos da paisagem rural de La Mancha. Em “La Mala Educación” (2004), Almodóvar resgatava alguns episódios da sua juventude, em “Volver” ele recupera momentos, lugares e emoções prévias à sua chegada a Madrid. Almodóvar fala da cultura da morte no meio rural, do estranho mas pacífico convívio com mortos que acabam por nunca desaparecer da vida dos seus entes-queridos.


Raimunda (Penélope Cruz) tem vários empregos para sustentar uma casa, um marido desempregado e uma filha adolescente, Paula (Yohana Cobo, “El Séptimo Día”). A irmã de Raimunda, Sole (Lola Dueñas, “Mar Adentro”), separada e parecendo estar condenada à sina do seu nome - Soledad - ganha a vida como cabeleireira ilegal. A mãe de ambas, Irene (Carmen Maura), moreu num incêndio juntamente com o seu marido.


Depois de três filmes marcados pelo drama, Almodóvar regressa ao humor, que nele nunca é estado puro, num filme que declara o seu amor às mulheres. Mais do que em qualquer outro, a presença das mulheres neste filme é esmagadora. “Volver” é sobre a sua força, sobre a vida que lhes resta quando os homens as abandonam e as desprezam, sobre o seu sofrimento, o seu carinho e compreensão, o seu entendimento secreto e a sua solidariedade. Fortes e vulneráveis, carnais e sentimentais, elas são mães, filhas, irmãs, vizinhas e amigas. A todas elas, Almodóvar dá a dose adequada de humanidade, com os desabafos e os pequenos absurdos da vida real. E aqueles beijos sonoros, zeus, que delícia!


As actrizes, sem excepção, estão irrepreensíveis. Penélope Cruz tem aqui o seu melhor papel, numa imagem a la Sophia Loren, mas que nos deixa a questionar onde terá ela dinheiro para aquele guarda-roupa (já para não falar de onde estava escondido aquele decote indecoroso?, nunca uma panorâmica de um decote desviou tanto a atenção de uma arma). Aliás a estética da donna italiana é reforçada quando a personagem de Carmen Maura vê na televisão o filme ”Bellissima” (1951), de Visconti. Uma Carmen Maura que, voltando a trabalhar com Almodóvar após “Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios” (1988), está perfeita como esposa despeitada e mãe dedicada, com extrema fluidez na passagem da comédia ao drama.


As cores e a fotografia de Jose Luis Alcaine enchem os olhos, infelizmente o som não enche ouvidos, parecendo ter sido todo gravado a posteriori e mal sincronizado.


Mas Almodóvar sabe o que é contar uma história. Com “Volver” ele pisca nitidamente o olho a Hitchcock. E apesar de ameaçar várias vezes o cliché não se deixa cair nele, construindo uma espécie de thriller sobrenatural que testa a nossa capacidade de nos deixarmos levar pelas emoções. E que bom é deixarmo-nos ir!






VOLVER

na voz de Estrella Morente



(1935, Música: Carlos Gardel, Letra: Alfredo Le Pera)


Yo adivino el parpadeo
de las luces que a lo lejos,
van marcando mi retorno.
Son las mismas que alumbraron,
con sus pálidos reflejos,
hondas horas de dolor.
Y aunque no quise el regreso,
siempre se vuelve al primer amor.
La quieta calle donde el eco dijo:
"Tuya es su vida, tuyo es su querer",
bajo el burlón mirar de las estrellas
que con indiferencia hoy me ven volver.

Volver,
con la frente marchita,
las nieves del tiempo
platearon mi sien.
Sentir, que es un soplo la vida,
que veinte años no es nada,
que febril la mirada
errante en las sombras
te busca y te nombra.
Vivir,
con el alma aferrada
a un dulce recuerdo,
que lloro otra vez.

Tengo miedo del encuentro
con el pasado que vuelve
a enfrentarse con mi vida.
Tengo miedo de las noches
que, pobladas de recuerdos,
encadenan mi soñar.
Pero el viajero que huye,
tarde o temprano detiene su andar.
Y aunque el olvido que todo destruye,
haya matado mi vieja ilusión,
guarda escondida una esperanza humilde,
que es toda la fortuna de mi corazón.






realizado por Rita às 02:40
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Quarta-feira, 6 de Setembro de 2006
Paradise Now ****

Realização: Hany Abu-Assad. Elenco: Kais Nashef, Ali Suliman, Lubna Azabal, Mohammad Bustami. Nacionalidade: França / Alemanha / Holanda / Israel, 2005.





Saïd (Kais Nashef) e Khaled (Ali Suliman) são amigos de infância. São palestinianos vivendo na margem ocidental da cidade de Nablus, na Cisjordânia. Trabalham como mecânicos e, como muitos jovens em muitos países, buscam um sentido para a sua vida. Esse sentido é-lhes trazido por um grupo terrorista que os designa para efectuarem um atentado suicida em Tel Aviv no dia seguinte, como retaliação por um anterior ataque israelita. O seu compromisso com a causa já vem de trás e nenhum deles hesita.


Antes de partir, Saïd toma café com a sua mãe. Lendo as borras ela prevê que ele não tem futuro, uma premonição para um conflito que continuará enquanto não houver um encontro de vontades.


Num ritual de extremo detalhe, os dois amigos são lavados, barbeados, vestidos e equipados com os explosivos. Despedem-se dos seus companheiros com uma última refeição, cuja imagem é demasiado semelhante à da Última Ceia para ser casual.


No entanto, o plano de ataque não decorre exactamente como esperado, e Saïd e Khaled vêem-se de novo em casa, debatendo-se com a decisão de levar ou não para a frente a sua missão. Mas a coragem parece não se manter inabalável perante um pensamento mais profundo.


O argumento do realizador Hany Abu-Assad (palestiniano com passaporte israelita) e de Bero Beyer transmite uma desconfortável sensação de inevitabilidade, cuja tensão resulta sobretudo da indecisão entre cometer ou não um ataque bombista. O pai de Saïd foi morto pelos palestinianos por ser colaboracionista, e Saïd sente o dever de redimir o nome da família, de recuperar a sua honra e a sua dignidade.


“Paradise Now” é tanto sobre razões como sobre dúvidas. Sobre o encontrar um sentido para a existência, a escolha de pessoas que não têm nada a perder, e sobre a frustração de poder não corresponder às expectativas. Mas é também um filme sobre a frieza e as promessas daqueles que enviam estes mártires.


Hany Abu-Assad tem uma realização com um equilíbrio desconcertante, conseguindo, sem condenar e sem apoiar, produzir um olhar tranquilo sobre dois jovens - demasiado iguais a tantos outros - que se julgam preparados para morrer e matar em nome de uma causa que consideram justa. Kais Nashef e Ali Suliman têm aqui duas fortes interpretações, lidando convenientemente com toda a gama de emoções a que as suas personagens estão sujeitas.


“Paradise Now” foi filmado em Nablus, com mísseis israelitas a caírem durante os 25 dias de filmagem. Numa cena em que se ouve uma explosão, todos agem como se isso já fizesse parte do seu quotidiano, sem tumulto. Ao não passar para o filme essa agitação, Abu-Assad evita uma justificação fácil para os bombistas suicidas.


Suha (Lubna Azabal, “Les Temps Qui Changent”), uma amiga de Saïd, representa a moral externa ao conflito. Natural de Marrocos e criada na França é ela que argumenta racional e veementemente contra estas táctica de vingança, reforçando a necessidade de terminar com a escalada de violência e de uma mudança política em conformidade para se conseguir a paz.


“Paradise Now” é um filme pró-palestiniano, mas não é um filme pró-bombistas suicidas, nem faz a apologia do terrorismo. “Paradise Now” providencia um contexto humano para acções desumanas. E é esse o seu grande trunfo.






Comentário de gaja: este homem é lindíssimo!!!



(KAIS NASHEF)






realizado por Rita às 23:54
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Terça-feira, 5 de Setembro de 2006
The Road To Guantanamo ****

Realização: Michael Winterbottom e Mat Whitecross. Elenco: Riz Ahmed, Farhad Harun, Waqar Siddiqui, Afran Usman, Shahid Iqbal, Ruhel Ahmed, Asif Iqbal, Shafiq Rasul. Nacionalidade: Reino Unido, 2006.





“The Road To Guantanamo”, Urso de Prata para Melhor Realizador na edição deste ano do Festival Internacional de Cinema de Berlim, conta a história verídica de três rapazes de Tipton, Inglaterra, que acabam presos na mais conhecida prisão de alta segurança do mundo, na baía de Guantanamo, Cuba, sob suspeita de terrorismo, e que acabaram por ser libertados e considerados inocentes de todas as acusações, sem um pedido de desculpas ou uma admissão de erro por parte das autoridades que efectuaram a sua detenção.


Em Outubro de 2001 - um mês depois do ataque ao World Trade Center - o jovem inglês de origem paquistanesa Asif Iqbal (Afran Usman) vai ao Paquistão para conhecer a sua futura esposa. Mais tarde, os amigos Ruhel Ahmed (Farhad Harun), Shafiq Rasul (Riz Ahmed) e Monir Ali (Waqar Siddiqui) juntam-se a ele em Karachi. Numa mesquita eles escutam os apelos para voluntários para ajudar os muçulmanos que estão a sofrer no Afeganistão. O bilhete de autocarro é barato, por isso, juntamente com o primo de Shafiq, Zahid (Shahid Iqbal), eles decidem ir ao país vizinho ver o que se passa, num misto de aventura e tentativa de auxílio.


Os quatro jovens, com idades compreendidas entre os 19 e os 23, acabam por encontrar o país no meio de um tumulto político, com os Taliban agarrados ao poder e as forças aliadas fazendo tudo ao seu alcance para derrubar o regime. Em Kabul, ao perceberem que não podem fazer nada para ajudar, decidem regressar ao Paquistão, mas o autocarro leva-os até às montanhas de Kabuz, onde são detidos pelas forças da Aliança do Norte e levados para a prisão de Sheberghan em camiões fechados, muitos morrem quando os soldados disparam sobre o camião, outros sufocam durante a noite.


Quando os soldados americanos descobrem que existem três ingleses entre os detidos, e na esperança de conseguirem obter inforações obre o paradeiro de Bin Laden, os amigos são conduzidos a um centro de detenção na base aérea de Kandahar e posteriormente transportados para a prisão de Guantanamo. Na secção de Camp X-Ray, eles são colocados em jaulas ao ar livre, Não estando autorizados a levantar-se ou a rezar, eles são acordados de hora em hora para a contagem, limitados a caminhar apenas 5 minutos por semana, são acorrentados em posições de extremo esforço, e colocados em isolamento.


Sem nunca terem sido formalmente acusados, estes jovens foram detidos durante dois anos, até o governo britânico, o maior aliado dos EUA na guerra contra o terrorismo, ter negociado a sua libertação.


Michael Winterbottom e Mat Whitecross contam esta história nas palavras dos intervenientes directos, misturando entrevistas com notícias e com a dramatização dos eventos feita por actores. Isto poderá gerar alguma confusão entre a versão dos jovens e os factos reais. Até porque a explicação das motivações destes jovens é consideravelmente fraca; vivendo em Inglaterra seria de esperara que eles tivessem uma mínima noção do que se estaria a passar no Afeganistão após os ataques de Setembro, a sua ingenuidade não deixa de levantar algumas dúvidas.


Mas mais do que fazer uma apreciação da (in)justiça desta detenção específica numa luta cega, em que os fins parecem justificar todos os meios, ”The Road To Guantanamo” serve como documento dos horrores sofridos pelos prisioneiros - inocentes ou culpados - nas mãos dos americanos, num estabelecimento prisional onde dos cerca de 500 presos apenas 10 foram objecto de acusação formal, mas nenhum foi submetido a julgamento ou considerado culpado do crime pelo qual está detido.


A prisão de Guantanamo foi criada em Cuba para evitar qualquer tipo de lei, se se localizasse nos Estados Unidos seria ilegal manter estes presos detidos. Este local é uma lacuna legal, e uma lacuna nos direitos humanos. As autoridades americanas recusam-se a autorizar a visita de qualquer delegação da ONU às instalações de Guantanamo. Segundo o Secretário de Defesa Donald Rumsfeld, “o tratamento [dos prisioneiros de guerra] é apropriado... [e] consistente com a Convenção de Genebra - na sua maior parte". E segundo o Presidente George Bush esta prisão foi estabelecida para “the really bad people" (ou ‘por’?).


Os investigadores mostram-se totalmente inaptos, o comportamento do pessoal militar é arbitrário e desumano. A ideia de “terrorista” parece existir apenas para justificar o ódio, o desprezo e a violência. E a tortura tem a capacidade de produzir, sem provas, as respostas que se querem ouvir. A ausência de transparência nestes processos não ajuda em nada o combate ao terrorismo. A semântica é igualmente usada como arma (à semelhança do conflito israelo-árabe): em vez de guerra ao Afeganistão diz-se “guerra ao terrorismo”, pois se estes fossem prisioneiros de guerra teriam de ser devolvidos ao seu país no final do conflito.


Para Winterbottom esta é a história de um grupo jovens, sem ponto de vista político. Até porque no relato vocalizado dos sobreviventes nada é dito num sentido acusatório. Mas esta luta de sobrevivência posiciona-se claramente contra o método. A justiça actual resulta de uma evolução de séculos, se não funciona há que modificá-la no sentido de uma maior eficácia. O caminho não é anular o ser humano e contorná-la para mostrar resultados, para justificar gastos exorbitantes em defesa, para sustentar uma indústria de armamento ou para ganhar eleições.


Como thriller político, “The Road To Guantanamo” é demasiado lento, como documento torna-se demasiado rápido para tudo aquilo que o espectador é forçado a digerir, e demasiado duro na crassa violação da Declaração de Direitos Humanos.


Prisioneiros são brutalmente abusados, uma placa na prisão de Guantanamo afirma a sua missão: "Honor bound to defend freedom". De quem é essa honra?, de quem é essa liberdade? Enquanto Guantanamo existir, eu não sentirei honra em ser humana, nem me sentirei livre.






CITAÇÕES:


“The treatment [of war prisoners] is proper ... [and] consistent with the Geneva Convention - for the most part.”
DONALD RUMSFELD


“Honor bound to defend freedom.”
(inscrição à entrada de Guantanamo)






realizado por Rita às 22:49
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Segunda-feira, 4 de Setembro de 2006
The Sentinel **1/2

Realização: Clark Johnson. Elenco: Michael Douglas, Kiefer Sutherland, Eva Longoria, Martin Donovan, Kim Basinger, Ritchie Coster. Nacionalidade: EUA, 2006.





Pete Garrison (Michael Douglas) é um agente veterano dos Serviços Secretos americanos cuja missão é proteger "Cincinnati", o nome de código da Primeira Dama Sarah Ballentine (Kim Basinger), ao lado do seu colega Montrose (Martin Donovan), que protege o Presidente (David Rasche). Quando o agente Charlie Merriweather (Clark Johnson) é morto, o investigador David Breckenridge (Keifer Sutherland), um antigo amigo de Pete, e a novata Jill Marin (Eva Longoria) tomam conta do caso. Um informador (Ritchie Coster) conta a Pete que existe um complot para assassinar o Presidente. A necessidade de Pete desvendar o caso torna-se ainda mais urgente, quando ele próprio se torna o principal suspeito.


Quem gosta da série televisiva “24” tem aqui a oportunidade de ver um longo episódio. Ainda que a série consiga ter mais suspense que o argumento de George Nolfi e a realização de Clark Johnson, e em menos tempo. Também aqui querem matar o Presidente dos Estados Unidos (e eu pergunto-me, quem não quer?), e também aqui está Kiefer Sutherland para salvar o dia, num papel que se assemelha inequivocamente ao de Jack Bauer, mas que se espera não seja prenúncio de uma carreira estagnada.


Michael Douglas é consistente como herói de acção (leia-se pouco inovador), Kim Basinger mantém-se irritantemente bonita e carismática e Eva Longoria (“Desperate Housewifes”) é pouco mais que um elemento decorativo (mas que decora bem, decora).


“The Sentinel” cumpre com todos os clichés, sem falhas de maior, mas também sem nada de novo. A história é previsível na forma e nas fórmulas e o seu nível de envolvência nulo. A vã tentativa de desviar a atenção do culpado é feita através de dúvidas existenciais pouco credíveis. Quando saio do filme, a única dúvida existencial que resiste na minha mente é: então onde é que vamos tomar um copo?






realizado por Rita às 01:02
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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Ágora
After.Life
Alatriste
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Alex
Alexander
Alfie
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All The Invisible Children
Amants Réguliers, Les
American, The
American Gangster
American Splendor
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Amours Imaginaires, Les
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Ana Y Los Otros
Anche Libero Va Bene
Angel-A
Anges Exterminateurs, Les
Answer Man, The
Anthony Zimmer
Antichrist
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Approaching Union Square
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Arsène Lupin
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Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
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Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
Battle in Seattle
Be Kind Rewind
Bee Movie
Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
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Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
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Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
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Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
World Trade Center
Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
X-Men: First Class
X-Men Origins: Wolverine

Y
Yo Soy La Juani
Young Adult
Youth in Revolt
Youth Without Youth

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Zack And Miri Make A Porno

Zodiac
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Setembro 2004

Agosto 2004

Festivais e Prémios
- FANTASPORTO
- FESTROIA
- INDIE LISBOA
- FESTIVAL DE CINEMA GAY E LÉSBICO DE LISBOA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS DE VILA DO CONDE
- DOCLISBOA
- CINANIMA
- CineECO
- FamaFEST
- FICA
- FESTIVAL DE CINEMA LUSO-BRASILEIRO DE SANTA MARIA DA FEIRA
- fest | FESTIVAL DE CINEMA E VÍDEO JOVEM DE ESPINHO
- CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS
- FESTIVAL DE CANNES
- LES CÉSAR DU CINEMA
- PREMIOS GOYA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DONOSTIA - SAN SEBASTIAN
- LA BIENNALE DI VENEZIA
- FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL FILM - LOCARNO
- INTERNATIONALE FILMSPIELE BERLIN<
- BAFTA
- LONDON FILM FESTIVAL
- EDINBURGH INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- OSCAR
- SUNDANCE FILM FESTIVAL
- GOLDEN GLOBES
- NEW YORK FILM FESTIVAL
- SAN FRANCISCO FILM FESTIVAL
- TORONTO INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- MONTRÉAL WORLD FILM FESTIVAL
- ROTTERDAM INTERNATIONAL FILM FESTIVAL