CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Quinta-feira, 31 de Agosto de 2006
Man About Town ***

Realização: Mike Binder. Elenco: Ben Affleck, Rebecca Romijn, John Cleese, Mike Binder, Gina Gershon, Adam Goldberg, Howard Hesseman, Samuel Ball, Bai Ling, Jerry O'Connell, Kal Penn, Amber Valletta. Nacionalidade: EUA, 2006.





Jack Giamoro (Ben Affleck) é um agente de talentos que representa argumentistas de televisão. A carreira de sucesso, o dinheiro, a casa imensa, o carro rápido, a mulher deslumbrante. Estilo lista de compras soa consideravelmente pior, mas é mais ou menos isso que se passa na vida de Jack, numa ordem de prioridades bastante semelhante. Apesar de tudo isso, Jack não é feliz (nos filmes nunca são, pois não?, havia de ser eu...). Aliás, se o fosse não havia filme. Para tentar preencher esse vazio, Jack inicia um curso de auto-conhecimento com o arrogante e temperamental professor Primkin (genial John Cleese), que o obriga a manter um diário com os seus pensamentos mais profundos. Tudo começa a ruir quando Jack descobre que a sua mulher, Nina (Rebecca Romijn), tem um caso com o seu mais importante cliente, Phil Balow (Adam Goldberg). O cataclismo chega quando o diário de Jack é roubado, num acto de vingança (ah, a justiça divina por caminhos ínvios...), coloca sob a ameaça de exposição dos seus segredos pessoais e profissionais. Jack é então obrigado a enfrentar-se a si mesmo e às suas opções.


A reavaliação da vida de um homem de sucesso não é original. O mesmo Ben Affleck já o fez antes (“Surviving Christmas”, “Jersey Girl”) e com a mesma inaptidão. Continuo a achar que apenas Kevin Smith conseguiu em “Dogma” (1999) fazer alguma (pouca) coisa dele. Se fosse realmente um agente de talentos Jack nunca faria um contrato com Ben Affleck. Como protagonista, Jack/Ben não consegue despertar a mínima simpatia e aquele simulacro de auto-conhecimento que deriva da tentativa desesperada de se agarrar a tudo aquilo que ele conquistou não convence. Felizmente, Mike Binder (“The Upside of Anger”, 2005) trouxe para “Man About Town” um bom elenco de secundários, desde Rebecca Romijn (que faz o que pode com o pouco que lhe dão), passando pelos colegas de escritório de Jack (Gina Gershon – lindíssima como sempre, Kal Penn e o próprio Binder, num registo que me trouxe à memória Judd Hirsch em “Dear John”), até ao casal aspirante a cliente Jerry O'Connell e Amber Valletta (por favor, alguém pegue na veia humorística desta manequim).


Mike Binder aponta para uma mensagem sobre a desilusão que acaba por chegar quando a profissão/ambição se torna no centro fulcral da vida. Mas entre a sátira e o disparate há uma linha ténue que ele atravessa sem pedir licença. E a exploração das situações cómicas, algumas levadas ao limite (como o caso dos dentes postiços, que invoca o já kitsch Jerry Lewis), não encontra equilíbrio no lado filosófico. E até as situações trági-cómicas do álbum de família de Jack são fracos fundamentos para as suas motivações.


Mas um filme sobre o SENTIDO DA VIDA com a enérgica presença de John Cleese nunca pode ser mau, ainda que as suas aparições num delicioso tom de amargo desprezo por tudo e por todos saibam a pouco. E só porque é ele que o diz, dá vontade de obedecer e de reforçar: atenção à ortografia!






realizado por Rita às 02:13
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Quarta-feira, 30 de Agosto de 2006
CINEMATECA EM SETEMBRO




HITCHCOCK NA ESPLANADA

Em Setembro, Hicthcocok continua a estar na esplanada da Cinemateca, aproveitando o último calor do Verão. De quinta a sábado, às 22h30.


01. SEXTA

THE TROUBLE WITH HARRY (O Terceiro Tiro)

com Edmund Gwenn, Shirley MacLaine, John Forsythe, Mildred Natwick, Mildred Dunnock, Royal Dano, Jerry Mathers
EUA, 1955 - 99’’ / legendado em espanhol

THE TROUBLE WITH HARRY é um Hitchcock diferente… o reverso dos outros filmes de Hitchcock: ao mundo da culpa contrapõe-se o universo onde ela não existe. Porque é que esse universo nos faz rir tanto? Talvez convenha, depois de rirmos, pensar nesta pergunta. Talvez Harry seja muito mais perturbante do que alguma vez pensámos. Mais de três décadas após este filme, a obra de um cineasta como David Lynch (BLUE VELVET, TWIN PEAKS) com imagens de um paraíso terrestre representado pelas comunidades rurais nos EUA, que encobrem o crime, o medo e a indiferença, confirma o que Hitch eventualmente pressentiu. Talvez THE TROUBLE WITH HARRY seja não só o mais inquietante mas também o mais amoral dos filmes de Hitchcock.



02. SÁBADO

DIAL M FOR MURDER (Chamada Para a Morte)

com Grace Kelly, Ray Milland, Robert Cummings, John Williams, Anthony Dawson
EUA, 1954 - 105’’ / legendado em espanhol

Adaptação da peça homónima de Frederick Knott. História de um crime falhado que procura transformar-se em crime perfeito. Tendo falhado o atentado contra a mulher, o marido procura fazê-la passar como assassina do homem que contratou para a matar. Uma das grandes obras de suspense de Hitchcock, com Grace Kelly a enganar o marido, este a contar com o dinheiro dela e John Williams num irresistível inspector da polícia. Originalmente em 3-D.



07. QUINTA

THE LADY VANISHES (Desaparecida!)

com Margaret Lockwood, Michael Redgrave, Paul Lukas, Dame May Whitty
Reino Unido, 1938 - 95’’

Um dos mais famosos filmes do período inglês de Hitchcock, é também uma espécie de resumo dessa fase da sua obra. Colocando a tónica no humor, narra uma história de espionagem clássica, que envolve um grupo de nazis e uma velha e fleumática senhora inglesa, num comboio que atravessa a região dos Balcãs. Um dos mais brilhantes exercícios de estilo do realizador.



08. SEXTA

STRANGERS ON A TRAIN (O Desconhecido do Norte-Expresso)

com Farley Granger, Robert Walker, Ruth Roman, Patricia Hitchcock, Leo G. Carroll
EUA, 1951 - 101’’

STRANGERS ON A TRAIN é um filme onde Hitchcock filma, de maneira quase abstracta, o enorme novelo moral que envolve a humanidade (e para o qual não há resposta, nem saída, nem solução). Neste thriller, exemplo eloquente do seu génio, adapta uma novela que impôs Patricia Highsmith como autora de referência do género, onde conta a história de uma estranha "troca" de crimes.



09. SÁBADO

PSYCHO (Psico)

com Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, John Gavin, Martin Balsam, John McIntire, Simon Oakland
EUA, 1960 - 109’’

Hitchcock usou PSYCHO para definir o que considerava "cinema puro". "Não se trata de uma grande interpretação que tivesse abalado o público. Não se trata de um romance muito apreciado que tivesse cativado o público. O que emocionou o público foi o filme puro" (Hitchcock). Em PSYCHO, o filme mais mítico de Hitch e o mais imitado, e o maior êxito comercial do realizador, que lançou a "moda" dos "serial killers" no cinema, Hitch aplicou muitas das experiências que desenvolveu nas séries televisivas que realizou na mesma época.



14. QUINTA

JAMAICA INN (A Pousada da Jamaica)

com Charles Laughton, Maureen O’Hara, Robert Newton, Leslie Banks, Emlyn Williams
Reino Unido, 1939 - 94’’ / sem legendas

O ultimo filme da fase britânica de Hitchcock, feito já com um pé na América, segundo uma popular novela de Daphne du Maurier, autora também de REBECCA, a estreia de Hitch nos EUA. É a história de uma órfã irlandesa (Maureen O’Hara no papel que a revelou) na costa da Cornualha no século XVIII, vivendo numa sinistra mansão que abriga um bando responsável pelos naufrágios na costa. Feito por iniciativa de Laughton e para Laughton, tudo indica que o realizador jogou consciente e voluntariamente uma partilha de carácter com o actor.



15. SEXTA

UNDER CAPRICORN (Sob o Signo do Capricórnio)

com Ingrid Bergman, Joseph Cotten, Michael Wilding, Margaret Leighton, Cecil Parker
EUA, 1949 - 115’’

Um dos filmes mais discutidos de Hitchcock, que nele leva a cabo outra experiência notável no uso do plano-sequência (depois de ROPE), e que aqui tem uma genial aplicação na sequência da confissão de Ingrid Bergman, num grande plano que dura quase dez minutos. Tendo por cenário a Austrália do século XIX, que era também um local de degredo para condenados pela lei, UNDER CAPRICORN é uma admirável história de amor, de culpa e de redenção, fotografada com mão de mestre por Jack Cardiff.



16. SÁBADO

ROPE (A Corda)

com James Stewart, Farley Granger, John Dall, Cedric Hardwicke, Joan Chandler
EUA, 1945 - 80’’

ROPE é o mais famoso "tour de force" técnico de Hitchcock: narrado em tempo real, o filme inteiro é composto por um só plano aparente, cada bobina contendo um único plano-sequência. É a história de dois estudantes, que matam um amigo unicamente pelo "prazer" de cometer um "acto gratuito", e que recebem um grupo de convidados para jantar, com o cadáver escondido no apartamento.



21. QUINTA

YOUNG AND INNOCENT

com Nova Pilbeam, Derrick de Marney, Percy Marmont, Mary Clare
Reino Unido, 1937 - 80’’ / legendado em espanhol

YOUNG AND INNOCENT é um dos menos conhecidos filmes de Hitchcock, embora se inclua na fase mais rica do seu período inglês. É também aquele que, neste período, se afasta do tema da espionagem, centrando-se apenas na questão do "falso culpado" que procura descobrir o autor do crime de que é acusado. YOUNG AND INNOCENT contem um dos grandes "tour de force" técnicos de Hitchcock: o famoso travelling que atravessa a sala de baile para mostrar o criminoso entre os membros da orquestra.



22. SEXTA

SPELLBOUND (A Casa Encantada)

com Gregory Peck, Ingrid Bergman, Leo G. Carroll, John Emery, Michael Chekhov, Rhonda Fleming
EUA, 1945 -111’’

SPELLBOUND marca o encontro de Hitchcock com Gregory Peck e Ingrid Bergman. O tema principal é o amor, numa história de dedicação e sacrifício de uma mulher capaz de tudo para defender o seu amado. Ela é uma psicanalista. Ele um seu paciente, que se fez passar pelo médico que é acusado de ter morto. E à volta disto, uma incursão pelos meandros da psicanálise, com uma sequência de antologia; o sonho de Gregory Peck, encenado por Salvador Dali.



23. SÁBADO

NOTORIOUS (Difamação)

com Cary Grant, Ingrid Bergman, Claude Rains, Louis Calhern, Leopoldine Konstantin
EUA, 1946 - 99’’

Para muitos, trata-se da obra-prima absoluta de Hitchcock, uma soberba história de amor tendo por pano de fundo uma intriga de espionagem. NOTORIOUS é o filme do voluptuoso beijo entre Ingrid e Cary, num movimento de câmara tantas vezes imitado e nunca igualado. É o filme de uma expiação, de uma mulher pelos homens, primeiro o pai, e depois o amante. É também o filme da suspeita, mas esta exterior, dos serviços secretos americanos a propósito da utilização do urânio no argumento do filme. E é também o filme em que ao gosto do champanhe se junta o sabor do suspense.



28. QUINTA

REBECCA

com Laurence Olivier, Joan Fontaine, Judith Anderson, George Sanders, Nigel Bruce, Gladys Cooper, Florence Bates, Reginald Denny, C. Aubrey Smith, Leo G. Carroll
EUA, 1940 - 130’’

REBECCA foi a passadeira vermelha lançada por Hollywood para receber o "mestre do suspense". De certo modo, a própria novela de Daphne du Maurier fora escrita a pensar na sua adaptação por Hitch, e para Olivier como intérprete. Mas o filme é também a frágil personagem de Joan Fontaine, a "sombra" sinistra de Mrs Danvers, a governanta (Judith Anderson) e o fantasma presente de Rebeca, que domina o filme de uma ponta a outra.



29. SEXTA

TO CATCH A THIEF (Ladrão de Casaca)

com Cary Grant, Grace Kelly, Charles Vanel, Brigitte Auber, John Williams
EUA, 1955 - 97’’ / legendado em espanhol

Hitchcock e Grace Kelly no seu último encontro, antes dela se tornar princesa de Mónaco. Grant é um ladrão de jóias retirado, que volta à acção quando alguém lhe usurpa o nome numa série de audaciosos roubos. É também uma comédia onde sobressaem mais claramente as obsessões eróticas que povoam a obra de Hitch, com destaque para a cena arquetípica do fogo de artifício.



30. SÁBADO

REAR WINDOW (Janela Indiscreta)

com James Stewart, Grace Kelly, Wendell Corey, Thelma Ritter, Raymond Burr
EUA, 1954 - 112’’ / legendado em francês

Pode chamar-se um “filme de câmara”, de tal forma tudo se circunscreve à visão a partir da sala onde o herói, um fotógrafo com a perna em gesso devido a um acidente (James Stewart), passa o tempo bisbilhotando a vida dos vizinhos, até ao momento em que se depara com um crime. A notável articulação entre os espaços do interior do apartamento de Stewart e o pátio e as traseiras dos vizinhos, é o resultado de um dos mais fabulosos trabalhos de “set designing” da história do cinema.






Retomando a viagem pelo mundo dos Oscar®, em Setembro a estatueta em questão é a Direcção Artística:


THE MERRY WIDOW, de Ernst Lubitsch (1934)
LOST HORIZON (Horizonte Perdido) , de Frank Capra (1937)
THE THIEF OF BAGDAD (O Ladrão de Bagdad) , de Michael Powell, Ludwig Berger e Tim Whelan (1940)
THE SONG OF BERNADETTE (A Canção de Bernadette) , de Henry King (1943)
FRENCHMAN’S CREEK (A Gaivota Negra) , de Mitchell Leisen (1944)
BLACK NARCISSUS (Quando os Sinos Dobram) , de Michael Powell e Emeric Pressburger (1946)
LITTLE WOMEN (Mulherzinhas) , de Mervyn LeRoy (1949)
BARRY LYNDON (Barry Lyndon) , de Stanley Kubrick (1975)
SUNSET BOULEVARD (Crepúsculo dos Deuses) , de Billy Wilder (1950)
AMERICA, AMERICA, de Elia Kazan (1963)
MY FAIR LADY, de George Cukor (1964)
AN AMERICAN IN PARIS (Um Americano em Paris) , de Vincente Minnelli (1951)
STAR WARS (A Guerra das Estrelas) , de George Lucas (1977)
TESS, de Roman Polanski (1979)
RAIDERS OF THE LOST ARK (Os Salteadores da Arca Perdida) , de Steven Spielberg (1981)
DANGEROUS LIAISONS (Ligações Perigosas) , de Stephen Frears (1988)
BATMAN, de Tim Burton (1989)
HOWARDS END (Regresso a Howards End) , de James Ivory (1992)
MOULIN ROUGE, de Baz Luhrmann (2001)
THE AVIATOR (O Aviador), de Martin Scorsese (2004)
MEMOIRS OF A GEISHA (Memórias de Uma Gueisha), de Rob Marshall (2005)

 






NOVO CINEMA DO SOL NASCENTE

Além da continuação da História Permanente do Cinema, e de um ciclo sobre os Quatro Elementos, em Setembro a Cinemateca debruça-se sobre as mais recentes produções asiáticas.


REN XIAO YAO (Prazeres Desconhecidos) , de Jia Zhang Ke (2002)
SHIJIE (O Mundo), de Jia Zhang Ke (2004)
ZHANTAI (Plataforma) , de Jia Zhang Ke (2000)
BU SAN (Adeus Dragon Inn), de Tsai Ming-liang (2003)
XIAO CHENG ZHI CHUN (Primavera Numa Pequena Cidade) , de Tian Zhuangzhuang (2002)
DARE MO SHIRANAI (Ninguém Sabe), de Koreeda Hirokazu (2004)
OLDBOY (Oldboy – Velho Amigo) , de Park Chan-wook (2003)
2046, de Wong Kar Wai (2004)
BIN-JIP (Ferro 3), de Kim Ki-duk (2004)
SAMARIA (A Samaritana), de Kim Ki-duk (2004)
BOM YEOREUM GAEUL GYEOUL GEURIGO BOM (Primavera, Verão, Outono, Inverno e… Primavera) , de Kim Ki-duk (2003)
FA YEUNG NIN WA (Disponível Para Amar) , de Wong Kar Wai (2000)
CHIHWASEON (Embriagado de Mulheres e de Pintura) , de Im Kwon-taek (2002)
ZUOTIAN (A Separação) , de Zhang Yang (2001)
ZATOICHI, de Takeshi Kitano (2003)
SHIQI SUI DE DAN CHE (Bicicleta de Pequim) , de Wang Xiaoshuai (2001)
NI NEIBIAN JIDIAN (Que Horas São Aí?) , de Tsai Ming Liang (2001)
KOHI JIKO (Café Lumière) , de Hou Hsiao-hsien (2003)
SUZHOU HE (O Rio Suzhu) , de Lou Ye (2000)
CHA NO AJI (O Gosto do Chá) , de Ishii Katsuhito (2004)

 



Mais detalhes em Cinemateca Portuguesa.






realizado por Rita às 00:40
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Terça-feira, 29 de Agosto de 2006
Mozart and the Whale ***

Realização: Petter Næss. Elenco: Josh Hartnett, Radha Mitchell, Gary Cole, John Carroll Lynch, Rusty Schwimmer, Sheila Kelley, Erica Leerhsen. Nacionalidade: EUA, 2005.





Donald (Josh Hartnett) sofre da síndrome de Asperger, uma forma de autismo, e lidera um grupo de ajuda com pessoas com perturbações semelhantes, porque não quer sentir-se sozinho. Um dia, Isabelle (Radha Mitchell) junta-se ao grupo. Ao contrário de Donald, Isabelle aceita a sua doença e as suas (des)vantagens. Mas as vulnerabilidades de Isabelle, rapidamente conduzem Donald a um romance tumultuoso, quando desafiam o seu profundo desejo de ser “normal”.


Inspirado no caso real de Jerry Newport e Mary Meinel, “Mozart and the Whale” consegue aproximar-nos de uma realidade especial sem qualquer tipo de condescendência. Sem o sentimentalismo de um “Rain Man” (Barry Levenson, 1988), aliás o argumento é do mesmo Ron Bass, e com alguma da frescura de “Benny & Joon” (Jeremiah S. Chechik, 1993) somos arrastados para o território pessoal de pessoas que, tendo que viver com dificuldades de comunicação, com timidez e inseguranças, com agressividades e descontrolos, condicionados a padrões e rotinas, se esforçam por ser independentes.


“Mozart and the Whale” tem um óptimo trabalho interpretativo, que revela um forte trabalho de pesquisa e uma grande entrega por parte de ambos os protagonistas, sem nunca deixarem as suas personagens caírem no ridículo caricatural. Josh Hartnett (“Lucky Number Slevin”) tem a sua melhor participação até à data, e Radha Mitchell volta a encantar depois de “Melinda and Melinda”.


O realizador norueguês Petter Næss traz-nos um conto sobre o poder do amor incondicional, da aceitação da diferença, do apoio mútuo. Donald e Isabelle lutam para construir e manter a sua relação, apesar da constante ameaça das suas disfunções emocionais. Na base, isto é o que se verifica em qualquer relação dita “normal”. A questão pendente é sempre se o amor conseguirá sobreviver às idiossincrasias de cada um. Um esforço sem certezas. Nem promessas.






TAGLINE:


They don't fit in. Except together.



CITAÇÕES:


“I never know what to say!”
JOSH HARTNETT (Donald)


“RADHA MITCHELL (Isabelle) - This can last 2 days, or 20 years. I can’t promise.
JOSH HARTNETT (Donald) - At least we’re normal at something.”






realizado por Rita às 00:20
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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2006
Les Amants Réguliers **

Realização: Philippe Garrel. Elenco: Louis Garrel, Clotilde Hesme. Nacionalidade: França, 2005.





Depois da falhada revolução estudantil de 68, um grupo de jovens retira-se para a mansão herdada de um deles. Aí, partilhando uma vida comunal, dão largas às suas artes, ao consumo de drogas e ao sexo ocasional. No centro deste paraíso hippie está o poeta de 20 anos, François (Louis Garrel, “Ma Mère” de Christophe Honoré, 2004), e a jovem escultora Lilie (Clothide Hesme). O seu romance é vivido de forma distinta pelos dois jovens, ele romântico e ingénuo, ela pragmática e realista. A inércia boémia acaba por substituir o falso idealismo deste jovens. O desequilíbrio emocional e mental acaba por instalar-se na casa, e a dissolução do grupo, precipitará o final de um sonho.


“Les Amants Réguliers” é um lento e extenuante passeio de três horas pelas memórias do cineasta Philippe Garrel sobre o Maio de 68. De carácter claramente autobiográfico, onde Louis Garrel desempenha o papel que teria sido o do seu pai, também não é arbitrária a presença de Maurice Garrel, pai do cineasta. “Les Amants Réguliers” é um exercício nostálgico que saúda a Nouvelle Vague francesa nos seus aspectos mais estéticos. O preto e branco da fotografia de William Lubtchansky é, neste caso, quase literal, sem cinzentos que atenuem os ambientes escuros ou que amenizem a luz excessiva. Infelizmente, junta-se a isto um péssimo trabalho de legendagem, que impede a leitura da esmagadora parte dos diálogos.


O filme “The Dreamers” (2003) de Bernardo Bertolucci (também protagonizado por Louis Garrel) resumia o Maio de 68 a sexo e beleza, mas a versão, supostamente mais realista de Garrel, é desesperadamente aborrecida e pretenciosa. Sendo esta a realidade, então tudo não passou de um entretém para jovens da classe média sem nada melhor para fazer do que atirar uns quantos cocktail molotov e ficar a vê-los arder (lentamente) ao sabor do ópio (ainda mais lento). E com tanta boa música para “colorir” este filme, Garrel opta por um minimalismo onde a música, quando existe, parece estar a substituir emoções que deviam lá estar por outros meios.


E depois há a relação entre François e Lilie, cuja intensidade é mencionada em palavras, mas que as personagens (talvez dormentes de tudo o resto) parecem ser incapazes de transmitir. Entre olhares intensos e sorrisos tímidos somos forçados a completar o puzzle de esperança e desespero vividos por ambos.


“Les Amants Réguliers” é um filme sobre oportunidades perdidas e a necessidade de dizer “adeus”. Talvez Philippe Garrel tivesse feito melhor em deixar o passado, histórico e estético, descansar na sua (e nossa) memória.






CITAÇÕES:


“Peut-on faire la révolution pour le prolétariat, malgré le prolétariat?”
LOUIS GARREL (François Dervieux)






realizado por Rita às 01:48
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Sexta-feira, 25 de Agosto de 2006
Angel-A ***

Realização: Luc Besson. Elenco: Jamel Debbouze, Rie Rasmussen, Gilbert Melki, Serge Riaboukine. Nacionalidade: França, 2005.





André (Jamel Debbouze) é baixo, nada agradável à vista e completamente neurótico. Além disso está endividado até à alma. Perseguido pelos seus credores (Gilbert Melki e Serge Riaboukine), André decide atirar-se de uma das muitas pontes de Paris. André repara que ao seu lado está uma loira de pernas intermináveis (Rie Rasmussen, de “Femme Fatale”, de Brian de Palma). Ela salta, ele salva-a. Ela é Angela, e está decidida a salvar André dele mesmo. Oferece-se para resolver todos os seus problemas, mas os seus métodos, recorrendo sobretudo ao seu físico, são mais que questionáveis.


“Angel-A” é, antes de mais uma fábula romântica e uma ode a Paris e à sua beleza nostálgica. Luc Besson faz uma viagem estética pelo cinema francês, entre discussões em cafés, cigarros acendidos, ruas vazias, e paisagens do Sena. O preto e branco e a luz natural são as opções de Thierry Arbogast, numa belísisma fotografia que lembra “As Asas do Desejo”, de Wim Wenders.


“Angel-A” tem uma história pouco original, consideravelmente fraca e com reduzida tensão. Apesar disso, vale a pena, não só pela fotografia, mas também pelas interpretações. O humor entre as duas personagens, começando pelo contraste físico, funciona muito bem, e a química entre esta “bela e o monstro” é surpreendentemente boa. Além disso, Jamel Debbouze, “Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain” e “She Hate Me”, é um cómico nato, com uma presença é magnética.


Angela mostra a André que a vida vale a pena, que deve ser aproveitada nas suas coisas simples e que ele é, no fundo, por baixo da maré cheia de desaires, uma boa pessoa que merece ser feliz. Tudo isto é demasiado cliché, mas é também uma verdade que, de tão essencial, é abafada por todas as mentiras que criamos para nos protegermos.


“Angel-A” é também uma metáfora sobre as pessoas que entram na nossa vida como que por magia, que a viram do avesso, e depois das quais sabemos que nada voltará a ser como antes. Mas se estiverem destinadas a partir, cortar-lhes as asas para prendê-las nunca deverá ser uma opção.






realizado por Rita às 01:45
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Quinta-feira, 24 de Agosto de 2006
Find Me Guilty **

Realização: Sidney Lumet. Elenco: Vin Diesel, Peter Dinklage, Linus Roache, Ron Silver, Alex Rocco, Annabella Sciorra, Raúl Esparza. Nacionalidade: EUA, 2006.





O julgamento Lucchese, que começou em 1987 e se arrastou durante 21 meses, reuniu 20 réus acusados de 76 crimes. Entre eles encontrava-se Giacomo "Jackie Dee" DiNorscio (Vin Diesel), já a cumprir uma pena de 30 anos por tráfico de drogas. Tendo recusado o acordo proposto pelo procurador do Ministério Público (Linus Roache) de denunciar os seus amigos, DiNorscio decide defender-se a si próprio em tribunal, dispensando os serviços de um advogado. Esta opção encontra reservas por parte dos advogados dos restantes arguidos, bem como do chefe da família Lucchese, Nick Calabrese (Alex Rocco), incluído no rol, que se mostra imune ao charme e humor de DiNorscio.


Os 125 minutos de “Find Me Guilty” decorrem quase exclusivamente num tribunal apinhado de gente. Em termos de acção, o filme reduz-se a uns quantos confrontos verbais, sendo que grande parte do texto faz uso das declarações oficiais registadas em tribunal. Este ponto de partida torna a tarefa de realização um desafio. Infelizmente, Sidney Lumet (que para mim será sempre "o realizador de “Running on Empty”"), com uma realização estática, não supera esta prova.


É fácil acreditarmos que este se tratou do julgamento mais longo da história americana, porque é exactamente isso que sentimos ao ver o filme. A paciência do espectador é levada ao limite, sem que fiquemos a perceber o que havia de tão magnético em DiNorscio que levou o júri a considerá-los inocentes de todas as acusações. Em vez de charmoso, ele é apenas arrogante.


“Find Me Guilty” é um filme que romantiza o crime organizado, manipulando o espectador para desprezar a acusação e defender assassinos, ladrões, extorsionários, dealers e proxenetas, sem nunca considerar as consequências das sua acções, como se de crianças temperamentais se tratassem. Só porque Jackie nunca denunciou os seus amigos, e valoriza a amizade e a lealdade de uma forma quase doentia, ele é-nos apresentado como um verdadeiro herói, caminhando às apalpadelas pelo processo jurídico.


Já que mais não seja, “Find Me Guilty” é essencial no Curriculum Vitae de Vin Diesel. Por muito que eu tenha gostado de “XXX” (mas acho que a culpa disso é de Asia Argento e de Praga), o seu registo nunca tinha sido tão testado como neste filme, entre o cómico e o dramático, vislumbra-se algures uma possibilidade de actor. Vislumbre que rapidamente se desvanece quando contracena com Linus Roache (“The Forgotten”) no papel de procurador do Ministério Público, com o sarcástico Ron Silver como o juiz, com o seco e assustador Alex Rocco como Nick Calabrese, ou ainda com a sensual Annabella Sciorra na única cena a que ela tem direito. E sai-se do filme com a sensação de que o verdadeiro protagonista desta história é Ben Klandis, um dos advogados de defesa, aliás, o único que parece profissional no meio de uma tremenda palhaçada, interpretado pelo fantástico Peter Dinklage (“The Station Agent”) que, independentemente da sua altura (1,35m), esmaga todos os outros.


Joe Pesci poderia ter sido perfeito no papel atribuído a Vin Diesel, ou pelo menos, poderia ter salvo grande parte do filme. E é com esse sabor de promessa por cumprir que saímos da sala, retirando de “Find Me Guilty” a evidência de um sistema jurídico kafkiano, cuja sobrevivência só é garantida se ninguém se atrever a trazer à luz do dia os seus muitos absurdos. Mas, máfia por máfia, prefiro uma noite de segunda-feira com “Os Sopranos”.






CITAÇÕES:


“They say a laughing jury is not a hanging jury.”
PETER DINKLAGE (Ben Klandis)






realizado por Rita às 02:58
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Quarta-feira, 23 de Agosto de 2006
Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest ***

Realização: Gore Verbinski. Elenco: Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley, Jack Davenport, Bill Nighy, Jonathan Pryce, Tom Hollander, Stellan Skarsgård, Lee Arenberg, Mackenzie Crook, Kevin McNally, Naomie Harris. Nacionalidade: EUA, 2006.





“Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest” começa onde “Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl” (2003) tinha ficado. Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) são presos por terem ajudado Jack Sparrow (Johnny Depp) a escapar da sua execução. Cutler Beckett (Tom Hollander), um caçador de piratas ao serviço da Companhia Inglesa das Índias Orientais, propõe a Turner salvar a sua vida e a da sua amada, se conseguir encontrar Sparrow e trocar um persão oficial pela bússola mágica de Sparrow. Mas Sparrow tem problemas mais graves, nomeadamente, a sua longa dívida com o lendário Davy Jones (Bill Nighy), o capitão do navio fantasma The Flying Dutchman. Os três heróis são conseguirão salvar-se se encontrarem a chave do baú que contém o coração de Davy Jones.


O excêntrico pirata Jack Sparrow é uma das mais deliciosas personagens provenientes da Disney (“Pirates of the Caribbean” é inspirado numa atracção do seu parque temático). O seu charme, a sua ambiguidade sexual, a sua moral volátil, o seu egoísmo congénito e o talento transbordante e entrega sem reservas de Johnny Depp continuam a fazer valer a pena esta aventura.


Neste caso, adicione-se ainda o belíssimo design de produção de Rick Heinrichs, o maior tempo de antena da deliciosa dupla de Pintel (Lee Arenberg) e Ragetti (Mackenzie Crook), e Bill Nighy como o vilão Davy Jones, e um rol de inúmeras superstições.


Apesar de tudo isso, a história desta sequela é consideravelmente mais fraca que a do primeiro filme e, intermitentemente divertido, acaba por tornar-se demasiado longo (150 min.), sobretudo nas sequências do barco fantasma com a assustadora tripulação de zombies de feições e corpos fundidos com seres marinhos como polvos e corais e que, longe de essencial para o enredo, se parece mais a um mostruário técnico.


À semelhança do coração instável de Jack Sparrow, “Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest” não consegue decidir-se para onde quer ir, para prejuízo das diversas linhas de narrativa, como é o caso da relação de Will Turner com o seu pai, 'Bootstrap' Bill Turner (Stellan Skarsgård).


“Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest” termina exactamente onde começará “Pirates of the Caribbean: At World's End” (2007). Mas, nem que seja apenas para ver uma vez mais Johnny Depp a divertir-se desta maneira, contem comigo.








CITAÇÕES:


“Loyalty is no longer the currency of the realm. Currency is the new currency.”
TOM HOLLANDER (Cutler Beckett)


“LEE ARENBERG (Pintel) - You know you can't read.
MACKENZIE CROOK (Ragetti) - It's the Bible, you get credit for trying.”


[para Elizabeth] “You know, these clothes do not flatter you at all. It should be a dress or nothing. I happen to have no dress in my cabin.”
JOHNNY DEPP (Jack Sparrow)


[para Elizabeth] “One word love; curiosity. You long for freedom. You long to do what you want to do because you want it. To act on selfish impulse. You want to see what it's like. One day you wont be able to resist.”
JOHNNY DEPP (Jack Sparrow)


“KEIRA KNIGHTLY (Elizabeth Swann) - There will come a time when you'll have the chance to do the right thing.
JOHNNY DEPP (Jack Sparrow) - I love those moments. I love to wave at them as they pass by.”






realizado por Rita às 01:02
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Terça-feira, 22 de Agosto de 2006
The Lake House **

Realização: Alejandro Agresti. Elenco: Keanu Reeves, Sandra Bullock, Shohreh Aghdashloo, Christopher Plummer, Ebon Moss-Bachrach. Nacionalidade: EUA, 2006.





Se gostam de uma história lamechas até mais não poder ser, com um par romântico com boa química, e não são muito exigentes com buracos no argumento, “The Lake House” é uma boa escolha.


Kate (Sandra Bullock) sai da casa do lago e deixa na caixa do correio a sua nova morada para reenvio de correspondência. 2004, Alex (Keanu Reeves) acaba de comprar essa mesma casa nas margens do lago Michigan. Ao verificar o correio, Alex encontra a carta deixada por Kate. A data dessa carta é de 2006.


Kate, uma médica solitária que afasta toda a gente que se aproxima dela, e Alex, um arquitecto com questões antigas para resolver com o pai (Christopher Plummer), começam a corresponder-se através de uma caixa do correio que funciona como máquina do tempo. E, a dois anos de distância, apaixonam-se. Resta saber se conseguirão arranjar uma forma de se encontrarem no futuro de um e no presente do outro.


Essencialmente, Reeves e Bullock narram o filme através das cartas que escrevem, por vezes interrompendo-se abruptamente como se de uma conversa se tratasse, depois de ”Speed”, a química entre ambos ainda se mantém, tal como se mantêm as dúvidas acerca da sua versatilidade interpretativa.


Sem ser tão enjoativo quanto “Ghost” (1990), esta história de amor que atravessa o tempo, uma versão do filme sul-coreano “Siworae” (“Il Mare”), é uma metáfora sobre o grande mito urbano de que “o verdadeiro amor espera”.


Para nos tentarem convencer disso, o realizador Alejandro Agresti e o argumentista e dramaturgo David Auburn (“Proof”) fazem uso da bela arquitectura de Chicago (potenciada pela fotografia de Alar Kivilo (“The Ice Harvest”)) para compensar a fraca densidade das personagens e um conjunto demasiado extenso de incongruências como, por exemplo, o facto de Alex e Kate nunca enviarem fotos um do outro, Kate nunca se lembrar de pesquisar o nome de Alex na Internet, e uma mensagem numa parede de grafitti que sobrevive dois anos sem que nenhum poster a tape. No final, dão-se graças aos lentos serviços postais americanos. Para culminar, o elemento coerente: o final piroso.


Mas “The Lake House” vale por isso mesmo: o vidro, o aço e a luminosidade da casa no lago (mérito do design de produção de Nathan Crowley).


Reality check: o amor não espera, vive-se!






CITAÇÕES:


“It's kind of a long distance relationship.”
SANDRA BULLOCK (Kate)






realizado por Rita às 00:04
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Segunda-feira, 21 de Agosto de 2006
Stop Making Sense



Psycho Killer (4:24)
Heaven (3:41) *
Thank You for Sending Me an Angel (2:09) *
Found a Job (3:15) *
Slippery People (4:00)
Burning Down the House (4:06)
Life During Wartime (5:51)
Making Flippy Floppy (4:40) *
Swamp (4:30)
What a Day That Was (6:00)
This Must be the Place (Naive Melody) (4:57) *
Once in a Lifetime (5:25)
Genius of Love (Tom Tom Club) (4:30) *
Girlfriend is Better (5:06)
Take me to the River (5:32)
Crosseyed and Painless (6:11) *

* Previously unreleased



Provavelmente o melhor filme-concerto alguma vez filmado. A simplicidade do conceito inicial – o palco começa vazio, e constrói-se aos poucos à medida que vai entrando mais um elemento da banda – é genial, assim como os temas expostos. Além de inclassificável em géneros musicais, esta banda tem um carácter intemporal, e os seus temas que aparentam ser tão simples, são ao mesmo tempo brilhantes, e cada nova audição parece trazer-nos mais pormenores que nos escaparam anteriormente.


"Psycho Killer" abre o DVD, com David Byrne a sós num palco despido de quaisquer elementos cénicos, com uma guitarra acústica e um gravador de k7 a dar uma simples base rítmica. Esta é talvez a minha música favorita dos Talking Heads (e quanto a mim um dos melhores legados musicais dos anos 70), e esta interpretação, por ser tão simples e directa, parece que permite melhor ainda ver a genialidade da composição. É evidente que encaixa-se bem em Byrne o epíteto de outsider deslocado ("I can't seem to face up to the facts / I'm tense and nervous and I can't relax / I can't sleep 'cause my bed's on fire / Don't touch me I'm a real live wire."), principalmente considerando que esta música foi lançada em 1977, na altura (ou numa das alturas) dos excessos do rock. A esquizofrenia ("You start a conversation you can't even finish it / You're talking a lot but you're not saying anything / If I have nothing to say, my lips are sealed / Say something once, why say it again?") é também um elemento que não lhe fica mal. O final, quando Byrne começa como que a ser baleado ao ritmo de samplers, prepara-nos para o show de coreografia e cenografia que se vai seguir ao longo do DVD.


Para a entrada de Tina Weymouth (baixo), com a beleza simples de "Heaven", a frieza quase mecânica de David Byrne contrasta com o tom meloso do tema. Entretanto, começa a montar-se o estrado da bateria por detrás.


É com "Thank You for Sending Me an Angel" que surge Chris Frantz na bateria. Interessante o pormenor dele ter por hábito escutar um metrónomo por um auscultador, antes de começar a tocar os temas. É extraordinária a energia deste tema!


"Found a Job" traz ao palco Jerry Harrison (guitarra e teclados). Tão despido como o palco, este tema serve de base para que os assistentes de palco tragam os teclados e preparem a chegada dos músicos convidados nos coros, guitarra, percussões e teclados.


É então já a banda completa que, com "Slippery People", dá por encerrada a montagem do palco, já com uma tela negra em fundo. O ritmo é contagiante, o som é cru, são os Talking Heads!


"Burning Down the House" é (mais) um tema intemporal, que muitos músicos se sentiriam orgulhosos de ter escrito. Quem ouvir este tema e não bater o pé (no mínimo; eu normalmente acompanho-o com uns vigorosos acenos de cabeça), ou está morto, ou está surdo.


"Life During Wartime" continua a fazer com que o nosso corpo se mexa freneticamente (sim, ainda que estejamos refastelados no sofá a ver o DVD). Como diz David Byrne, "This ain't no party / This ain't no disco / This ain't no foolin' around / No time for dancing / or lovey dovey / I ain't got time for that now". Além das excêntricas danças, ainda nos presenteia com uma sessão de jogging no final, à volta do palco. E como bom professor, no final pergunta se alguém tem questões a colocar (!).


Onions / Video games / Air conditioned / Drugs / Deli / Public Library / Dog / Digital / Babies / Dustball ... Palavras que surgem em três painéis no fundo do palco, ilustrando as sonoridades de "Making Flippy Floppy". Funky, soul, pop, disco... tudo géneros que nos passam pelas ideias nestes momentos.


"Swamp" traz-nos um momento mais obscuro. É quase impossível agora negar a semelhança entre David Byrne e Anthony Perkins, apesar do olhar do primeiro ser, quanto a mim, bastante mais psicopático.


Mas, como quem não quer dar descanso a quem assiste, os Talking Heads entram de novo na máxima força com "What a Day That Was". Uma batida maníaca, que não nos deixa parar, e uma iluminação subtil, trazem ao filme-concerto mais um momento que lhe permite merecer o posto de "melhor filme-concerto de sempre".


"Naive Melody (This Must be the Place)" traz-nos mais elementos cénicos simples e conceptualmente brilhantes. A dança de David Byrne com o candeeiro merece estar ao lado de momentos cinematográficos como Gene Kelly em “Singing in the Rain” ou Kim Basinger e Mickey Rourke em “Nove Semanas e Meia”.


Com "Once in a Lifetime", chega mais um genial momento da banda. As pressões e expectativas sociais do dia-a-dia, que conduzem à alienação, e o consequente alheamento dos nossos desejos individuais: ]"And you may find yourself living in a shotgun shack / And you may find yourself in another part of the world / And you may find yourself behind the wheel of a large automobile / And you may find yourself in a beautiful house, with a beautiful wife / And you may ask yourself-well... how did I get here?".


"Genius of Love" é o momento em que Tina Weymouth e Chris Frantz apresentam o seu projecto Tom Tom Club. Permite ver que David Byrne não é o único freak da banda.


É com "Girlfriend is Better" que Byrne nos traz o seu famoso "big suit" (ver a capa do DVD), um elemento evidentemente criado por si próprio, perfeitamente adequado ao seu estilo de humor, oblíquo, subtil, bizarro, maníaco. É genial o momento em que David Byrne aponta o microfone a um técnico de iluminação e ele canta, com aparente indiferença, "Stop making sense", e logo em seguida aponta-o para a câmara, olhando para nós com um ar convidativo.


"Take me to the River" é uma cover de Al Green, muito bem adaptada ao ritmo dos Talking Heads. Aproveitada também para apresentação da banda e o fecho do concerto.


"Crosseyed and Painless", em tom de encore, traz mais um momento frenético duma banda que ao vivo, e num só tema, consegue colocar elementos de pop, funk, soul, ritmos africanos, disco, rock, e tudo fazer sentido, quase que nos fazendo perguntar o porquê de semelhantes compartimentações, quando no fundo música é apenas isso: música.


O filme-concerto é dirigido por Jonathan Demme (realizador de “Philadelphia” e “O Silêncio dos Inocentes”), mas arrisco em dizer que o mérito visual está praticamente todo do lado da concepção cénica e cenográfica, a cargo de David Byrne.


Resta-me dizer que é um filme-concerto obrigatório para os amantes de música de todos os géneros. Porquê? Bem, porque... Bah! Stop making sense! ;)



por Luís






realizado por Rita às 07:25
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Quinta-feira, 17 de Agosto de 2006
The Three Burials of Melquiades Estrada ****

Realização: Tommy Lee Jones. Elenco: Tommy Lee Jones, Barry Pepper, Julio Cesar Cedillo, Dwight Yoakam, January Jones, Melissa Leo. Nacionalidade: EUA / França, 2005.





Melquiades Estrada (Julio Cesar Cedillo) é um emigrante ilegal que veio do México para trabalhar nos ranchos do Texas. Melquiades aparece morto no meio do deserto, é esse o seu primeiro enterro. O rancheiro Pete Perkins (Jones) é o seu melhor amigo, e não fica descansado com o pouco interesse da polícia americana em desvendar o caso. Quanto Pete descobre que Melquiades foi sepultado numa campa rasa cuja cruz se reduz a um impessoal “Melquiades Mexico”, decide fazer justiça pelas próprias mãos. Além disso, tem uma promessa a cumprir: entregar o corpo de Melquiades à sua mulher, num pequeno lugar no México (o terceiro enterro). Mas Pete não vai sozinho: rapta o assassino de Melquiades, obriga-o a desenterrar Melquiades e os três iniciam uma viagem de vingança, castigo (por vezes violento, por vezes grotesco) e redenção.


“The Three Burials of Melquiades Estrada”, a primeira longa-metragem de Tommy Lee Jones (com Luc Besson como produtor executivo), premiada no ano passado em Cannes com os prémios de Melhor Argumento e Melhor Actor Principal, é um conto sobre a amizade, a honra, o dever, a confiança e a justiça. O argumento do mexicano Guillermo Arriaga (“21 Grams”, “Amores Perros”) apresenta ainda um ténue pano de fundo onde se aflora o racismo, as desigualdades e se questionam as políticas fronteiriças americanas.


Filmado com uma série de saltos temporais que nunca são denunciados por qualquer indicação visual, cabe ao espectador fazer o caminho entre o passado e o futuro de personagens tão diversas como um polícia fronteiriço demasiado empenhado (um atormentado Barry Pepper), a sua mulher, aborrecida longe dos seus centros-comerciais (uma subtil January Jones), e um homem cheio de raiva e tristeza (Tommy Lee Jones de uma autenticidade desarmante). Uma chamada de atenção ainda ao breve mas enorme cameo de Levon Helm no papel de cego (66 anos, membro da banda rock dos 70 ‘The Band’).


O ponto fraco de “The Three Burials of Melquiades Estrada” reside na falta de substanciação da devoção de Pete a Melquiades, que poderia legitimar com maior credibilidade as suas atitudes mais extremas. Em vez disso, temos um homem movido por uma noção transcendente de dignidade e devoção e obcecado por uma missão.


“The Three Burials of Melquiades Estrada” fala de uma culpa independente da responsabilidade e de um perdão só possível através do sofrimento (mesmo que sejam precisas coincidências um pouco rebuscadas para reequilibrar a balança das dívidas, como o caso do encontro com a curandeira mexicana).


Através de paisagens duras e belas, entre as margens do Rio Grande e o deserto, uma tortuosa viagem conduzirá um homem de volta à sua humanidade e outro à sua tranquilidade. Em todos os momentos nos questionamos onde acabará esta senda. Jones e Arriaga mantêm-nos na expectativa até ao final, com uma resolução tão surpreendente quanto satisfatória.






realizado por Rita às 22:56
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Sexta-feira, 11 de Agosto de 2006
Grandes Filmes do Passado




Começou no passado dia 2 (peço desculpa pelo atraso... mas as páginas têm tendência a colar-se com o calor) o ciclo Grandes Filmes do Passado, que está a ter lugar no Cinema Quarteto, em Lisboa. Até dia 30, por 2 euros e com sessões às 14h30, 17h00, 19h15 e 22h00, ainda vão a tempo de rever:


11 Agosto
“CRÓNICAS”, de Sebastián Cordero (2004, 108’)
com John Leguizamo, Leonor Watling, Damián Alcázar

12 e 13 Agosto
“ANOTHER DAY IN PARADISE”, de Larry Clark (1997, 101’)
com James Woods, Melanie Griffith, Vincent Kartheiser, Natasha Gregson Wagner

14 e 15 Agosto
“ETERNAL SUNSHINE OF THE SPOTLESS MIND”, de Michel Gondry (2004, 108’)
com Jim Carrey, Kate Winslet, Elijah Wood, Mark Ruffalo, Kirsten Dunst

16 e 17 Agosto
“Y TÚ MAMÁ TAMBIÉN” de Alfonso Cuarón (2001, 105’)
com Diego Luna, Gael Garcia Bernal, Maribel Verdú

18 e 19 Agosto
“eXistenZ”, de David Cronenberg (1999, 97’)
com Jennifer Jason Leigh, Jude Law, Ian Holm, Willem Dafoe, Don McKellar

20 e 21 Agosto
“GOOD BYE LENIN!” de Wolfgang Becker (2003, 121’)
com Daniel Brühl, Katrin Saß, Chulpan Khamatova

22 e 23 Agosto
“FAR FROM HEAVEN”, de Todd Haynes (2002, 107’)
com Julianne Moore, Dennis Quaid, Dennis Haysbert, Patricia Clarkson, Viola Davis

24 e 25 Agosto
“MAGNOLIA”, de Paul Thomas Anderson (1999, 188’)
com Tom Cruise, Julianne Moore, William H. Macy, John C. Reilly, Philip Baker Hall, Philip Seymour Hoffman, Alfred Molina

27 e 28 Agosto
“IRRÉVERSIBLE”, de Gaspar Noé (2002, 95’)
com Monica Bellucci, Vincent Cassel

29 e 30 Agosto
“THE HOUSE OF THE FLYING DAGGERS”, de Zhang Yimou (2004, 119’)
com Takeshi Kaneshiro, Andy Lau, Ziyi Zhang, Dandan Song




realizado por Rita às 02:20
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Quinta-feira, 10 de Agosto de 2006
Romance & Cigarettes ***

Realização: John Turturro. Elenco: James Gandolfini, Susan Sarandon, Kate Winslet, Steve Buscemi, Kumar Pallana, Christopher Walken, Mandy Moore, Aida Turturro, Mary-Louise Parker, Bobby Cannavale, Eddie Izzard, Elaine Stritch. Nacionalidade: EUA, 2005.





A terceira incursão de John Turturro pela realização, depois de “Mac” (1992) e “Illuminata” (1998), é uma mistura de comédia negra com musical da Broadway. Além disso, tem o dedo dos irmãos Coen na produção. Isto para dizer que é um filme quase inclassificável, fazendo lembrar, de longe, a mestria de “On Connaît la Chanson” (1997), de Alain Renais.


Ainda assim não deixa de ser refrescante ver James Gandolfini e Christopher Walken em números musicais. “Romance & Cigarettes” passa-se num subúrbio de classe média de Nova Iorque e conta a história de Nick Murder (Gandolfini), um trabalhador da construção civil e fumador inveterado. Kitty (Susan Sarandon), a sua mulher, faz vestidos de noiva, as três filhas adultas (Mandy Moore, Aida Turturro, Mary-Louise Parker) entretêm-se a tocar música punk no quintal, a ruiva mulher fatal Tula (Kate Winslet) é a amante que vem destabilizar a “harmonia” familiar, e o primo Bo (Walken) empenha-se para ajudar Kitty na sua vingança.


“Romance & Cigarettes” debruça-se sobre os altos e baixos da vida de casado, em que as personagens, à falta das próprias palavras, expressam os seus sentimentos mais profundos através de músicas, com a ajuda de James Brown, Ute Lemper, Nick Cave, Cindy Lauper, Bruce Springsteen, Janis Joplin, Tom Jones, e Dusty Springfield.


O argumento de Turturro está pejado de deliciosos diálogos, mas os números musicais, que deveriam ajudar à fluidez da narrativa, acabam por travar o seu ritmo. O desafio artístico foi superado por todo o elenco, apesar de nenhum deles ter grandes qualidade vocais. As excepções são Winslet, cujo esforço visível sai recompensado, e Mandy Moore, com vários discos editados. No entanto, tendo em conta o naipe de actores ao seu serviço, Turturro parece não ter tirado o devido partido de Steve Buscemi, Eddie Izzard e Mary Louise Parker, que bem mereciam, cada um deles, o seu respectivo número.


Voltando à história, para Kitty a fidelidade é uma tendência eminentemente masculina, como se viesse com o carregamento de testosterona, mas Bo faz questão de equilibrar as coisas com a sua dramática história, ao som de “Delilah”. Inclusivamente “a outra”, magistralmente interpretada por uma Kate Winslet ferozmente sexy, mistura uma tremenda obscenidade verbal (adocicada pelo cerrado sotaque do Yorkshire) com a candura da sua entrega à paixão.


Para Nick a infidelidade acaba por ser como um termómetro da sua relação com Kitty. Através dela, ele percebe que o que procura não é mais do que aquilo que ele já tem. A conquista é, para ele, um alimento para a auto-estima. A prova da sua capacidade de sedução, um vício alimentado pelo desconhecido. Porque o que se toma como certo acaba por nunca ser suficiente. Mas ter tudo não é ter todas, e Nick interrompe o previsível caminho de infidelidade com um surpreendente caminho para o perdão.


O amor é frágil. Quando se deixa cair, parte-se. Mas o amor é também forte. E regenera-se.






CITAÇÕES:


“When a woman bends over, a man sees a jelly doughnut.”
KATE WINSLET (Tula)


“When the characters can no longer express themselves in words they break into song lip-synching tunes that are lodged in their sub-conscious. It is their way to escape the reality of their world; to dream, to remember, to connect to another human being.”
JOHN TURTURRO






realizado por Rita às 01:44
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Quarta-feira, 9 de Agosto de 2006
Candy ****

Realização: Neil Armfeld. Elenco: Heath Ledger, Abbie Cornish, Geoffrey Rush, Noni Hazlehurst, Tony Martin. Nacionalidade: Austrália, 2006.





Candy (Abbie Cornish) e Dan (Heath Ledger) entram numa centrifugadora humana num parque de diversões. A lei natural da gravidade é desafiada ao som de “Song to the Siren” na voz de Paula Arundell e percebemos que a sua paixão está, também ela, liberta de leis. Responsabilidades e consequências não entram na equação da jovem pintora e do poeta. Candy e Dan estão viciados um no outro, e estão também viciados em heroína. Quando a droga e o dinheiro começam a escassear dá-se início a uma espiral descontrolada, porque ela é a razão dos seus dias.


“Candy”, baseado no livro de 1997 de Luke Davies, co-argumentista, é uma história crua e brutal sobre o efeito devastador das drogas. Desde os estados idílicos assustadoramente sedutores (um deles musicado com “Sugar Man”, de Sixto Rodriguez) até à auto-destruição, passando pela dor da desintoxicação e pelo sofrimento impotente da família.


Mas “Candy” é também uma viagem de amor. Candy e Dan mantêm-se juntos através de todos os obstáculos, desde a invencibilidade até à completa fragilidade. Os pais de Candy acompanham, impotentes, a desintegração do futuro da sua filha, a mãe (Noni Hazlehurst) oscilanndo entre o receio e a crítica, o pai (Tony Martin) calando a dor. Todos eles passam pelo “Céu”, pela “Terra” e pelo “Inferno” (as três partes em que o filme se divide) através de difíceis escolhas.


Neil Armfeld não doura a pílula nem lança julgamentos e num filme triste, perturbante e até repugnante, consegue a proeza de acordar em nós um profundo carinho por todas estas personagens desesperadas. Seria fácil desprezar Dan pela sua influência em Candy, mas Ledger, mostrando mais uma vez a sua versatilidade, evoca a compaixão que votamos às almas perdidas. Abbie Cornish, pelo seu lado, revela enorme entrega e honestidade na sua Candy. A química entre os dois é igualmente poderosa. Geoffrey Rush merece uma referência equivalente, como Caspar, um professor universitário de química, uma figura paternal para Dan e seu mentor no hedonismo das drogas.


A negação – constante – do impulso para o prazer destrutivo, resistir à sedução dos antigos demónios, a verdadeira redenção em “Candy” é recuperar o amor. Neste caso, o amor-próprio.


E o ciclo fecha-se, quebrado, com “Song to the Siren”, no original arrepiante de Tim Buckley.






CITAÇÕES:


“When you can stop you don’t want to, when you want to stop you can’t.”
GEOFFREY RUSH (Casper)


“Anxiety is a full time job.”
HEATH LEDGER (Dan)



SONG TO THE SIREN, de Tim Buckley

On the floating, shapeless oceans
I did all my best to smile
til your singing eyes and fingers
drew me loving into your eyes.

And you sang "Sail to me, sail to me;
Let me enfold you."

Here I am, here I am waiting to hold you.
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was full sail?

Now my foolish boat is leaning, broken love lost on your rocks.
For you sang, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."
Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?

Hear me sing: "Swim to me, swim to me, let me enfold you."
"Here I am. Here I am, waiting to hold you."



SUGAR MAN, de Sixto Rodriguez

Sugar man, won't you hurry
'Cos I'm tired of these scenes
For a blue coin won't you bring back
All those colours to my dreams

Silver magic ships you carry
Jumpers, coke, sweet Mary Jane

Sugar man met a false friend
On a lonely dusty road
Lost my heart when I found it
It had turned to dead black coal

Silver magic ships you carry
Jumpers, coke, sweet Mary Jane

Sugar man you're the answer
That makes my questions disappear
Sugar man 'cos I'm weary
Of those double games I hear

Sugar man, sugar man

Sugar man, won't you hurry
'Cos I'm tired of these scenes
For a blue coin won't you bring back
All those colours to my dreams

Silver magic ships you carry
Jumpers, coke, sweet Mary Jane

Sugar man you're the answer
That makes my questions disappear
Sugar man 'cos I'm weary
Of those double games I hear

Sugar man, sugar man

Silver magic ships you carry
Jumpers, coke, sweet Mary Jane, yeah

Sugar man, sugar man

Sugar man, won't you hurry
'Cos I'm tired of these scenes
For a blue coin won't you bring back
All those colours to my dreams

Sugar man, sugar man

Sugar man you're the answer
That makes my questions disappear






realizado por Rita às 02:02
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Terça-feira, 8 de Agosto de 2006
As horas de almoço...


... servem para encher a estante lá de casa.





[actualizado com mais uma hora de almoço]





realizado por Rita às 01:43
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Segunda-feira, 7 de Agosto de 2006
LIVROS EM FILME

Três adaptações cinematográficas pelas quais espero ansiosamente.




O PERFUME, de Patrick Süskind


Em pleno século XVIII, Jean-Baptiste Grenouille nasce com uma particularidade: não emana qualquer odor. Em contrapartida, o seu dom olfactivo é extremamente apurado. Os cheiros marcam o seu nascimento, a sua vida e a sua profissão. Com mestres perfumistas da capital francesa ele descobre os segredos e técnicas para fabricar os aromas mais sublimes. Mas também aí reside a sua obsessão, para a qual ele não coloca limites: encontrar o perfume ideal.






A adaptação da obra emblemática de Süskind esteve a cargo de Andrew Birkin (co-argumentista d’“O Nome da Rosa”), Bernd Eichinger (argumentista de “Der Untergang”), Caroline Thompson (co-argumentista de “The Nightmare Before Christmas” e de “Corpse Bride”), e Tom Tykwer (argumentista e realizador Do memorável “Lola Rennt”), que também assina a realização.


O elenco de “Das Parfum - Die Geschichte eines Mörders” (“Perfume: A História de um Assassino”) é liderado por Ben Whishaw, no papel de Jean-Baptiste Grenouille, Dustin Hoffman como Guiseppe Baldini, Alan Rickman como Antoine Richis e Rachel Hurd-Wood como Laure Richis.


Actualmente em fase de pós-produção, esta co-produção francesa, espanhola e alemã, cujas filmagens tiveram lugar em Munique, Barcelona, Girona e França, estreia na Alemanha a 14 de Setembro de 2006. Trailer disponível no site oficial: http://www.parfum.film.de/







SEDA, de Alessandro Baricco


Na França do século XIX, Hervé Joncour é um homem cuja vida programada não tem margem para surpresas. Uma crise na produção de seda em França, da qual depende a economia local, leva Hervé a aceitar a proposta do produtor Baldabiou para ir ao Japão e trazer os melhores ovos de bichos-da-seda do mundo. Aí, Hervé conhece Hara Kei, um homem poderoso, e a sua concubina, uma mulher misteriosa que, sem uma palavra, acorda em Hervé um novo fogo.






Filmado maioritariamente em Itália e no Japão, esta co-produção canadiana, francesa, inglesa, italiana e japonesa, já em pós-produção, estreia em Outubro de 2007 nos Estados Unidos.


A realização está a cargo de François Girard, autor também do argumento, depois do próprio Baricco ter trabalhado numa primeira versão. Do elenco fazem parte Michael Pitt (Hervé Joncour), Keira Knightley (Helene), Koji Yakusho (Hara Kei), Alfred Molina (Baldabiou) e Miki Nakatani (Madame Blanche).









A SOMBRA DO VENTO, de Carlos Ruiz Zafón


Numa manhã de 1945, um rapaz de dez anos é conduzido pelo seu pai a um misterioso lugar no coração da cidade velha: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra A Sombra do Vento, um livro maldito que mudará o rumo da sua vida e o arrastará por um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma escura da cidade. A Sombra do Vento é um mistério literário ambientado na Barcelona da primeira metade do século XX, desde os últimos esplendores do modernismo até às trevas do pós-guerra. Misturando técnicas de thriller, de novela histórica e de comédia de costumes, Carlos Ruiz Zafón conta uma trágica história de amor, com ecos através do tempo. Mas A Sombra do Vento é, acima de tudo, um livro sobre o amor pelos livros.



Virei hoje a última página deste livro apaixonante. Ainda não consegui descobrir nada, nem faço ideia se os direitos estão a ser negociados, mas, por favor, alguém pegue nesta história lindíssima e, com consciência e sensibilidade, faça daqui um bom filme.


Site oficial do livro, com jogo incluído. O prémio para quem consiga salvar os últimos cinco exemplares d’A Sombra do Vento é a banda sonora exclusiva do livro, composta pelo próprio Carlos Ruiz Zafón.


01 - La Sombra del Viento
02 - El Cementerio de los Libros Olvidados
03 - Bea
04 - Lain Coubert


Divirtam-se!

















realizado por Rita às 01:37
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Sexta-feira, 4 de Agosto de 2006
Parabéns a nós

Pela dedicação,
pela persistência,
pela teimosia,
pelo amor ao cinema,
pelo gosto da partilha.



PARABÉNS
CINERAMA



São dois anos, mas parece muito menos tempo.
Obrigada a todos pela companhia.






realizado por Rita às 01:50
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The Notorious Betty Page

Estreia hoje em Londres o filme sobre a maior pin-up de todos os tempos.




A verdadeira.





A falsa (Gretchen Mol).



À laia de aviso, para os amigos que estão por lá.






realizado por Rita às 01:41
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Quinta-feira, 3 de Agosto de 2006
Lucky Number Slevin ***

Realização: Paul McGuigan. Elenco: Josh Hartnett, Bruce Willis, Lucy Liu, Morgan Freeman, Ben Kingsley, Stanley Tucci. Nacionalidade: EUA, 2006.





Slevin Kelevra (Josh Hartnett) é um homem no sítio errado à hora errada. Assim que chega a Nova Iorque, é assaltado e fica sem carteira. No apartamento do seu amigo Nick Fisher, Slevin é abordado pelos capangas de um chefe do crime nova iorquino, The Boss (Morgan Freeman), a quem Nick deve uma grande quantia de dinheiro. O problema é que eles estão convencidos de que Slevin é Nick. Para pagar a dívida, The Boss exige que Slevin mate o filho do seu rival, The Rabbi (Ben Kingsley), para vingar o assassinato do seu próprio filho. Acrescente-se um polícia persistente (Stanley Tucci), um assassino a soldo (Bruce Willis) e uma mulher bonita que só quer ajudar (Lucy Liu) e tem-se a receita completa do último filme de Paul McGuigan (“Wicker Park”, 2004).


Hitchcock está presente (há inclusivamente uma referência directa a “North by Northwest”), essencialmente pelo clássico caso de identidade trocada, mas isto não é Hitchcock. “The Usual Suspects” também nos vem à memória, mas isto não é, nem por sombras, “The Usual Suspects”. “Lucky Number Slevin” é um filme pretensioso, que julga ser mais inteligente do que realmente é.


Previsível a maior parte do tempo, mas com alguns elementos surpreendentes, o argumento, da autoria de Jason Smilovic, tem um considerável número de falhas (ainda estou para perceber como é que alguém se consegue barbear com o espelho completamente embaciado...). Os bons diálogos, cheios de referências à cultura pop, compensam de certa forma esta falta de consistência. Mas o grande trunfo de “Lucky Number Slevin” é, sem margem para dúvidas, o seu grande elenco.


“Lucky Number Slevin” é um filme sobre a vingança de tipo bíblico, onde a lealdade se pode comprar pelo melhor preço. Nessa medida, qualquer mensagem de valores humanos deverá ser ignorada. E quase me sinto culpada de me ter divertido a ver este filme. Não tanto quanto Morgan Freeman e Ben Kingsley, que parecem completamente em casa no papel de vilões. Bruce Willis dá o toque enigmático e Stanley Tucci é perfeitamente convincente. Quanto a Josh Hartnett, permanece pouco expressivo (à semelhança de em “Wicker Park”), ainda assim conseguimos facilmente simpatizar com a personagem de Slevin, graças aos seus comentários irónicos e à sua incapacidade de manter a boca fechada.


O sentido visual de Paul McGuigan é verdadeiramente impressionante. As cenas ligam-se umas às outras com uma suavidade quase orgânica. E apesar do ritmo acelerado do filme, o realizador nunca deixa que nos percamos. A não ser nas cores fortes e nos padrões hipnóticos do papel de parede.






CITAÇÕES:


“I bet it was that mouth that got you that nose.”
MORGAN FREEMAN (The Boss)


“I was thinking that if you're still alive when I get back from work tonight... maybe we could go out to dinner or something?”
LUCY LIU (Lindsey)






realizado por Rita às 23:27
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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2006
The Wind That Shakes The Barley ***1/2

Realização: Ken Loach. Elenco: Cillian Murphy, Padraic Delaney, Liam Cunningham, Gerard Kearney, William Ruane, Damien Kearney, Orla Fitzgerald, Frank Bourke, John Crean, Máirtín de Cógáin, Myles Horgan, Roger Allam. Nacionalidade: Alemanha / Itália / Espanha / França / Irlanda / Reino Unido, 2006.





A mais recente colaboração entre o argumentista Paul Laverty e o realizador inglês Ken Loach (“Ae Fond Kiss...”), “The Wind That Shakes The Barley”, chega às salas de cinema com o peso de ter recebido da Palma de Ouro na edição deste ano do Festival de Cannes.


Irlanda 1920. Um amigável jogo de hurling insere-se na paisagem verdejante da Irlanda, mais concretamente no condado de Cork.


Em Dezembro de 1918 o Sinn Féin tinha ganho 73 de 105 assentos irlandeses. O mandado do Sinn Féin visava o estabelecimento e manutenção de uma República Irlandesa independente, que foi proclamada em Janeiro de 1919, dando início a uma violenta guerra, que escalou, em muitas partes do país a um esquema de guerrilha. Em 1920, a forças especiais britânicas (os ‘Black and Tans’, na sua maioria veteranos da Primeira Guerra Mundial) ocupavam o território irlandês proibindo qualquer tipo de assembleia, onde se incluíam igualmente os jogos de hurling.


Intimados pelos militares ingleses, o grupo de homens é obrigado a identificar-se. Quando Micheáil recusa dizer o seu nome em inglês, é espancado até à morte. Este incidente faz a politização da personagem principal, Damien (Cilliam Murphy), que decide abdicar do seu plano de exercer medicina em Londres para se juntar ao seu irmão Teddy (Padraic Delaney) lutar pela independência da Irlanda, juntando-se a uma unidade de guerrilha do Exército Republicano Irlandês (IRA).


A narrativa acompanha as acções desta unidade móvel nas suas investidas contra os militares ingleses até ao momento (Dezembro de 1921) em que o governo britânico apresenta um ultimatum aos negociadores irlandeses: assinarem o tratado que estabelece o Estado Livre Irlandês para 26 dos 32 condados ou então enfrentarem uma “guerra imediata e terrível”. Este tratado é visto por muitos, incluindo Damien, como uma traição, uma vez que exige que a Irlanda do Norte permaneça parte do Reino Unido e que a Irlanda faça um juramento perante a Coroa. Para a maioria dos republicanos, manter o monarca britânico como rei da Irlanda era intolerável. A cisão dentro do Sinn Féin (para a qual a Igreja Católica também contribuiu) entre os apoiantes do Estado Livre e os Republicanos é agravada por um novo ultimatum do governo britânico que exige ao Governo do Estado Livre o desarmamento dos Republicanos sob pena do Tratado ser considerado nulo. Dá-se assim início a uma guerra civil sem finais felizes.


O filme de Loach não é imparcial, e quem procura um relato histórico isento pode abster-se de o ver. “The Wind That Shakes The Barley” está, também emocionalmente, do lado do Dail Eireann que lutou contra a ocupação inglesa, e do lado dos Republicanos contra os defensores do Estado Livre. Mas mais do que escolher lados, este filme trata da luta contra o imperialismo, não só político, mas também económico, de governos opressivos.


Loach foge das figuras históricas, personalizando este conflito em homens e mulheres vulgares, pertencentes a uma pequena comunidade rural, mais concretamente nos irmãos Damien e Teddy, que, entre os ideais socialistas de um e o pragmatismo do outro, se verão em lados opostos do conflito civil. Loach transforma o político em pessoal, a tragédia nacional numa dor local. E é por aí que seduz os espectadores. E porque quer Cillian Murphy quer Padraic Delaney têm aqui duas grandes interpretações.


Loach peca, no entanto, pelo romantismo mítico de que os Republicanos lutavam por uma nação de trabalhadores e camponeses, em contraponto com o governo do Estado Livre, disposto a vender a alma aos homens de negócios para poder financiar as armas contra os ingleses. Esta abordagem é algo redutora e duvido (apesar do meu desconhecimento assumido neste campo político) de que os Republicanos fossem assim tão coerentes na sua missão e na sua política. Curiosamente, é no momento em que é marcada esta posição que o filme perde ritmo.


“The Wind That Shakes The Barley” é o título de uma canção tradicional irlandesa que marca um dos primeiros momentos dramáticos do filme. A tristeza que o marca não abandona nunca o filme. Porque todo o tenso debate político, a luta de classes, as duras decisões que são tomadas e executadas, são sem triunfo. O extremismo é destrutivo, mas o compromisso nem sempre equivale a paz. O amor tem muito pouco a dizer, ele aqui é elemento de divisão e questiona-se o seu poder para tudo conquistar. Olhando para a Irlanda de hoje, essa questão continua sem resposta.






CITAÇÕES:


“I hope this Ireland we’re fighting is worth it.”
CILLIAN MURPHY (Damien)


“I want more time with you, Damien.”
ORLA FITZGERALD (Sinead)


“I tried not to get into this war and did, not I try to get out and can’t.”
CILLIAN MURPHY (Damien)



THE WIND THAT SHAKES THE BARLEY
Robert Dwyer Joyce (1830-1883)


I sat within a valley green
Sat there with my true love
And my fond heart strove to choose between
The old love and the new love
The old for her, the new that made
Me think on Ireland dearly
While soft the wind blew down the glade
And shook the golden barley

Twas hard the mournful words to frame
To break the ties that bound us
Ah, but harder still to bear the shame
Of foreign chains around us
And so I said, "The mountain glen
I'll seek at morning early
And join the brave united men"
While soft wind shook the barley

Twas sad I kissed away her tears
Her arms around me clinging
When to my ears that fateful shot
Come out the wildwood ringing
The bullet pierced my true love's breast
In life's young spring so early
And there upon my breast she died
While soft wind shook the barley

I bore her to some mountain stream
And many's the summer blossom
I placed with branches soft and green
About her gore-stained bosom
I wept and kissed her clay-cold corpse
Then rushed o'er vale and valley
My vengeance on the foe to wreak
While soft wind shook the barley

Twas blood for blood without remorse
I took at Oulart Hollow
I placed my true love's clay-cold corpse
Where mine full soon may follow
Around her grave I wondered drear
Noon, night and morning early
With aching heart when e'er I hear
The wind that shakes the barley




realizado por Rita às 20:42
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Terça-feira, 1 de Agosto de 2006
Strings ****

Realização: Anders Rønnow Klarlund. Vozes: James McAvoy (Hal), Catherine McCormack (Zita), Julian Glover (Kahro), Derek Jacobi (Nezo), Ian Hart (Ghrak), Claire Skinner (Jhinna), David Harewood (Erito), Samantha Bond (Eike). Nacionalidade: Dinamarca / Suécia / Noruega / Reino Unido, 2004.





Antes da sua morte, Kahro, o Imperador de Hebalon (Julian Glover) deixa uma carta de arrependimento ao seu filho Hal (James McAvoy), onde lhe pede que ele lute pela paz com os Zeriths, os inimigos de sempre de Hebalon. Mas Nezo (Derek Jacobi), o irmão de Kahro, pretende o trono para si próprio e a guerra é o melhor caminho. Por isso, destrói a carta e envia Hal numa missão de vingança, onde é acompanhado pelo guerreiro Erito (David Harewood). Mas a verdade é bem mais complexa do que Hal pensa e o amor pela misteriosa Zita (Catherine McCormack) irá ajudá-lo a descobri-la. Enquanto isso, em Hebalon, Jhinna (Claire Skinner), a irmã de Hal descobre o plano do tio, mas Ghrak (Ian Hart), o capanga de Nezo tem os seus próprios objectivos em relação a ela.


O argumento de Naja Marie Aidt é sobre a mítica passagem à idade adulta, na linha de um Hamlet, sendo que a viagem de Hal irá conduzi-lo a um maior entendimento do passado, com uma perspectiva de futuro. Questões tão prementes como a devastação de uma guerra sem sentido, a subjugação de um povo, a necessidade de vencer o ódio e o preconceito, e corrigir os erros da história que nos foi contada são envolvidas em cenários luxuriantes – onde não falta o deserto, a neve e a chuva – e o embrulho da fantástica fotografia de Kim Hattesen e Jan Weincke.


“Strings” é uma obra única no campo da arte de marionetas, verdadeiramente original e impressionante. Mas após 4 anos, 115 marionetas e uma equipa de 150 pessoas, mais do que o portento técnico, o que realmente nos toca é o conto de fadas, onde se testa a vingança, a sede de poder e a amizade.


O filme de Anders Rønnow Klarlund reveste-se de uma série de imaginativos detalhes, como o parto, a prisão com uma simples grade que impede os prisioneiros de moverem os seus fios para além de um limitado quadrado, a chuva caindo dentro de casa porque não podem haver telhados. No mundo de “Strings” o fio da cabeça determina a vida e a morte, e os membros suplentes são obtidos através de escravos (uma interessante analogia com algumas opções da clonagem). As cenas de guerra são emocionantes e as fisionomias estáticas das personagens são particulares e identificativas da sua índole. Sem expressões elas são o que fazem e o que dizem (a isso nos reduzimos todos, afinal). E mesmo assim há sofrimento, e até sensualidade. É este talvez o elemento mais gratificante deste filme.


Os fios, esses, mais do que elementos das marionetas, convertem-se em verdadeiras metáforas. Estendendo-se até às nuvens, desaparecem na imensidão no céu. No infinito, unem-se a todos os outros fios, de todos os outros seres. Mais um conceito a reter, não?






CITAÇÕES:


“If you’re not bound by love, you’re tied by hate.”
ZITA (Catherine McCormack)


“I end where you begin, and you end where I begin. In that way, we’re all connected.”
ZITA (Catherine McCormack)






realizado por Rita às 23:20
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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Big Bang Love, Juvenile A
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Birth - O Mistério
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Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
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Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
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Brokeback Mountain
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Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
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Butterfly Effect

C
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Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
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Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
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Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
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Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
World Trade Center
Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
X-Men: First Class
X-Men Origins: Wolverine

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Young Adult
Youth in Revolt
Youth Without Youth

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