CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Segunda-feira, 31 de Julho de 2006
CINEMA COM MÚSICA - em dose tripla

Depois de um fim-de-semana de músicas do mundo, onde se destacou a percussão do indiano Trilok Gurtu e os blues saharianos de Mariem Hassan *, mantenho-me no tema musical, para divulgar três projectos cinematográficos em curso e com data de estreia prevista para 2007.






O realizador Todd Haynes (“Velvet Goldmine” e “Far From Heaven”) começou já as filmagem do seu novo projecto “I'm Not There” (o working title incluía ainda “Suppositions on a Film Concerning Dylan”). Numa abordagem pouco convencional (e talvez por isso conte com o apoio expresso do visado), este biopic fará uso de sete actores e actrizes diferentes que interpretarão o autor e Bob Dylan em diferentes fases da sua vida e música.


Segundo a produtora Christine Vachon, “o filme será inspirado na música de Dylan e na sua capacidade de se recriar e re-imaginar a si mesmo”. Christian Bale, Cate Blanchett, Heath Ledger, Richard Gere, Charlotte Gainsbourg, Julianne Moore e Michelle Williams estão já confirmados para o projecto.


O filme abordará o início da carreira de Dylan como cantor folk, a sua ascensão no início dos anos 60, a sua controvérsia mudança para o rock, o acidente de mota e a sua retirada de cena, bem como a sua posterior paragem nas actividades de gravação e concentração naquela que seria conhecida como a Never Ending Tour.


A banda sonora será composta por músicas de Dylan (com o novo álbum Modern Times a sair em Agosto), interpretadas por Lee Ranaldo (Sonic Youth), Richie Havens e Calexico.






Também já em andamento está a produção do filme “Control”, de Anton Corbijn (realizador de diversos vídeos de U2 e Depeche Mode) sobre Ian Curtis. Baseado no livro Touching From a Distance, de Deborah Curtis, viúva de Ian e co-produtora de “Control”, traça o perfil do vocalista da banda Joy Division, determinante no cenário punk-rock britânico dos anos 70, focando as suas atribulações pessoais e profissionais, bem como com a epilepsia, que se julga terá estado na causa do seu suicídio em 1980, com 23 anos, nas vésperas da primeira digressão dos Joy Division pelos Estados Unidos.


O papel de Curtis será interpretado por Sam Riley (“24 Hour Party People”), e o de Deborah por Samantha Morton (“The Libertine”). A banda sonora estará a cargo dos New Order, os pós-Curtis Joy Division, com novas músicas, que serão criadas como videoclips para determinadas cenas, e versões de várias músicas antigas dos Joy Division.


Site oficial: http://controlthemovie.com/






Brian Jun, cujo filme “Steel City” foi nomeado para o grande prémio da edição deste ano do Festival de Sundance, será o responsável pelo argumento e realização do biopic sobre Jeff Buckley. A produção estará a cargo de Mary Guibert, a mãe do músico, e de Michelle Sy (“Finding Neverland”).


No ano passado, o argumentista e produtor Train Houston garantiu os direitos do livro Dream Brother: The Lives & Music of Jeff & Tim Buckley, do crítico musical David Browne. Este evento que impeliu Mary Guibert vencesse as suas reticências e assumisse o controlo de um filme sobre a vida do seu filho, um músico genial e possuidor de uma voz potentíssima, que viria a falecer em 1997 por afogamento, em Memphis, com apenas 30 anos.


Por enquanto não existem mais informações sobre este projecto. Aproveito o facto do casting ainda não estar fechado para me atrever a sugerir (mas com toda a convicção) o nome de James Franco para o papel de Buckley.




(* NOTA PESSOAL: A música mostra uma vez mais a sua incrível capacidade para unir as diferenças. A harmonia com que passamos da poderosa voz da iraquiana Farida para o rasgado jazz americano dos The Bad Plus poderia servir de exemplo àqueles que acreditam que para conquistar há que dividir. Quando, na verdade, a conquista É a partilha.)






realizado por Rita às 22:15
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Sexta-feira, 28 de Julho de 2006
SEMANA DO CINEMA ESPANHOL




A cooperação cultural ibérica manifesta-se uma vez mais, através da SEMANA DO CINEMA ESPANHOL, evento organizado pelo Ministério de Cultura de Espanha, o ICAA - Instituto da Cinematografia e das Artes Visuais e a Embaixada Espanhola em Portugal, que decorrerá de 27 de Setembro a 1 de Outubro no Cinema Quarteto em Lisboa, de 2 a 7 de Outubro no Teatro Gil Vicente em Coimbra e de 11 a 15 de Outubro no Teatro Passos Manuel no Porto (bilhetes a 3 euros).


O calendário está disponível em www.semanaespanhola.com, e ficam aqui os filmes programados (dois deles já apreciados pelo CINERAMA).



HÉCTOR, de Gracia Querejeta (2004, 112')

Com Adriana Ozores, Nilo Mur, Damián Alcázar, Joaquín Climent, Unax Ugalde, Núria Gago, Pepo Oliva. José Luis Gª Pérez, Mariano Peña, Elia Galera


SINOPSE *: Héctor, um adolescente de 16 anos, perdeu a mãe. A sua tia Tere toma-o a seu cargo. Ele deixa de viver numa casa com jardim no centro da cidade, para se mudar para um pequeno apartamento, num bairro nos arredores de Madrid. Héctor tenta compreender a nova realidade com que se depara. Uma forma de vida muito diferente da sua, mas que pouco a pouco, se torna mais familiar. Tudo muda com a chegada de Martín, o pai de Héctor. Ele viajou do outro lado do oceano para se encontrar com o seu filho. O rapaz sabia que o seu pai existia embora nunca tenha querido conhecê-lo. Martín persegue-o para lhe explicar a razão de tão longa ausência e assim, ganhar o coração do seu filho e oferecer-lhe uma vida nova no México. Héctor terá que decidir entre a sua família recentemente descoberta e a aventura além-mar. Influenciado talvez pela sua personalidade ou pelos seus sentimentos, Héctor decide.




PARA QUE NO ME OLVIDES, de Patricia Ferreira (2005, 107')

Com Fernán Gómez, Emma Vilarasau, Marta Etura, Roger Coma, Carlos Blanco, Ana Cuerdo, Marisa de Leza, Manuel Feijóo


SINOPSE *: Irene vive com o seu filho, David, um jovem estudante de arquitectura, e com o seu pai, Mateo, um homem idoso e optimista apesar de sua trágica história: Mateo era práticamente uma criança durante a Guerra Civil de Espanha e a repressão do pós-guerra, quando perdeu a sua casa e toda a sua família. David encontrou Clara, ou Clara encontrou David no hipermercado onde ela trabalha como caixa. Entre eles surge não só o amor mas também a compreensão, a cumplicidade. Filho único de pais separados, David não consegue evitar a hostilidade da sua mãe perante uma relação que ela crê não ser conveniente, que coloca em perigo o futuro pessoal e profissional do filho. Irene entrega-se ao seu trabalho como directora de um grupo teatral para cegos, mas em casa vê abrir-se uma fenda que não sabe como superar. Mateo é o elo que os une a todos, talvez pela sua idade, pela sua experiência ou pelo seu bom coração. Ele aparenta não pertencer a este mundo, mas apenas porque este mundo é muito maior do que parece, e nele ocupa um lugar essencial a recuperação e a dignidade daqueles que foram pisados por uma guerra infame e um regime implacável. As suas vidas assemelham-se a outras tantas. Até que um dia, um evento inesperado irá pô-los à prova e terão que aprender a viver de novo, descobrindo cada um deles o que nunca souberam sobre os outros.




7 VÍRGENES, de Alberto Rodríguez (2005, 86')

Com Juan José Ballesta, Jesús Carroza, Vicente Romero, Alba Rodríguez, Julián Villagrán, Manolo Solo, Ana Wagener


SINOPSE *: Verão num bairro operário e marginal de uma cidade do sul. Tano, um adolescente que cumpre pena numa Casa de Correcção, recebe uma licença especial de 48 horas, para comparecer no casamento de seu irmão Santacana. Durante este tempo, Tano reencontra o seu melhor amigo, Richi, e lança-se a viver aquelas horas com o firme propósito de se divertir e fazer tudo o que lhe estava proibido no Centro: embebeda-se, droga-se, rouba, ama e fundamentalmente volta a viver. Sente-se livre e exerce esta liberdade com toda a força e atrevimento da adolescência. No entanto, nesta estadia de 48 horas fora do centro, Tano assiste também ao derrubar de todas as suas referências: o bairro, a família, o amor, a amizade, tudo mudou. Mais do que uma licença de 48 horas, a liberdade de Tano transforma-se numa viagem a caminho da maturidade.




OBABA, de Montxo Armendáriz (2005, 117')

Com Pilar López de Ayala, Juan Diego Botto, Bárbara Lennie, Eduard Fernández, Peter Lohmeyer, Mercedes Sampietro, Lluís Homar, Juan Sanz, Héctor Colomé, Txema Blasco, Pepa López, Iñake Irastorza, Ryan Cameron, Christian Tardío, Alejandro Jiménez, Pablo Manjón, Vanesa Moñino, Julia Torres


SINOPSE *: Lurdes, tem 25 anos e começa uma viagem pelos territórios de Obaba. Na sua bagagem leva uma pequena câmara de vídeo. Com ela quer captar a realidade de Obaba, do seu mundo e das suas gentes. Quer captar o presente, mostrá-lo tal como é. Mas Obaba não é lugar que Lurdes tinha imaginado, e rápidamente descobre que as pessoas que ali vivem , como Merche, Ismael ou Tomás, estão presos a um passado do qual não podem -ou não querem- escapar. Através deles e de Miguel -um jovem desenvolto e alegre com quem estabelece uma amizade, Lurdes vai conhecendo retalhos das suas vidas: de antes, de quando eram crianças ou adultos, e de agora, de quando apenas lhes restam as ilusões. Estas são pequenas peças de vidas que provocam paixões, invejas e violência, como a jovem professora que passeia a sua solidão pelas ruas de Obaba; ou como o adolescente Estebam, que recebe cartas de amor em envelopes de cor creme. Com tudo isto, Lurdes tenta reconstruir o puzzle que dá sentido às suas vidas e que lhe permita apanhar a realidade com a sua câmara de vídeo. No entanto há sempre algo que falta, algo que escapa, algo que ela não consegue compreender. Como o misterioso comportamento dos lagartos que habitam Obaba. Um mistério que nada, nem sequer a câmara de Lurdes é capaz de revelar.




MALAS TEMPORADAS, de Manuel Martin Cuenca (2005, 120')

Com Eman Xor Oña, Gonzalo Pedrosa Garcia, Javier Camara, Nathalie Poza


SINOPSE *: Situada no coração de Madrid, “Malas Temporadas” é a história de Mikel, Ana e Carlos, pessoas que acabam por se relacionar enquanto procuram o seu lugar no mundo; um lugar que se afasta cada vez mais do idealizado, do que não existe, e a única solução que lhes resta é partir do que têm, do que é real, e começar a construir daí. Pessoas a quem o destino levou por caminhos inesperados e que agora compartilham a necessidade de reconsiderarem as opções que lhes restam.




AMOR IDIOTA, de Ventura Pons (2004, 95')

Com Santi Millán, Cayetana Guillén Cuervo, Mercè Pons, Marc Cartes, Jordi Dauder, Gonzalo Cunill, Pere Tomàs, Andrea Fantoni, Héctor Mas, Xavi Fernández, María Lanau, Joan Antón Rechi, Roger Casamajor, Helena Lourdes Barba


SINOPSE *: A meio duma crise pessoal, depois duma noite de farra em que o protagonista sai para esquecer as mágoas, Pere-Lluc de regresso a casa, bêbedo, tropeça na escada de alumínio de Sandra, uma rapariga que se dedica a pendurar bandeirolas nos postes de iluminação. Pere-Lluc cai no chão e, pasmado, fica fascinado por ela. A cada dia que passa a sua obsessão por Sandra cresce. Assistiremos ao relato duma paixão tormentosa para conseguir o seu amor.




* Sinopses retiradas do site da Semana de Cinema Espanhol






realizado por Rita às 01:27
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Segunda-feira, 24 de Julho de 2006
The Passenger (Professione: Reporter) ****

Realização: Michelangelo Antonioni. Elenco: Jack Nicholson, Maria Schneider, Jenny Runacre, Ian Hendry, Steven Berkoff, Ambroise Bia, Chuck Mulvehill. Nacionalidade: França / Itália / EUA / Espanha, 1975.





David Locke (Nicholson) é um repórter inglês que está a cobrir um conflito num país africano (que nunca é identificado). As condições físicas do seu trabalho levam-no ao limite, já quase esgotado pelas suas circunstâncias pessoais. Por isso, quando o seu vizinho de quarto de hotel Robertson (Mulvehill) morre subitamente, Locke, quase sem hesitar, decide trocar de identidade para se libertar. Entretanto, em Londres, Rachel (Runacre), a mulher de Locke, intrigada pela sua morte, envia o editor televisivo Martin Knight (Hendry) em busca de um tal de Robertson, que foi quem esteve com seu marido pela última vez.


Claro que Robertson tinha uma vida. Locke decide seguir os compromissos da agenda de Robertson, mas acaba por descobrir o seu envolvimento no tráfico de armas e no apoio à revolução no mesmo país onde se encontrava a fazer a sua reportagem. Em Barcelona, Locke conhece uma rapariga (Schneider) que o acompanha na sua fuga - que é, ao mesmo tempo, a sua procura.


Ela representa de certa forma a possibilidade de algo novo, um impulso que tenta roubá-lo à sua passividade. Mas dada a interpretação de Schneider ser tão surpreendentemente letárgica, enfadonha e pouco convincente (além de fracamente construída nas suas motivações), não é difícil a Locke resistir aos seus argumentos.


O título em italiano “Professione: Reporter” coloca o foco em Locke, enquanto o título em inglês o move para a rapariga, ou talvez seja o mesmo Locke como “passageiro” da vida de Robertson. “The Passenger” é um filme profundamente existencialista, onde a profunda cisão entre o interior e o exterior é evidenciada na cena final, onde Antonioni observa a praça através das grades do quarto de hotel onde Locke descansa da sua viagem.


Com planos audaciosos e um ritmo que capta na perfeição a alienação inerente à condição humana, Antonioni enche esta viagem de descoberta de paisagens esmagadoras de uma Espanha asfixiante. A desolação é o elemento que faz o círculo entre o início (deserto) e o final do filme. É aí que as oportunidades de abrem, e que se fecham.


Num local onde ninguém nos conhece e onde não conhecemos ninguém somos obrigados a confrontar-nos com a nossa própria insignificância. Esse descer à essência pode fazer-nos perceber o que realmente nos motiva, mas pode igualmente evidenciar a ausência de rumo. Mesmo não sendo necessário conhecer o destino, é preciso dar o passo seguinte. Só assim se caminha. E não é o lugar que nos define, não são sequer as pessoas de quem nos rodeamos, nem mesmo um documento de identificação. O que nos define é aquilo que queremos construir, dentro e fora de nós.


E sim, as pessoas desaparecem todos os dias. Basta saírem da sala.






CITAÇÕES:


“MARIA SCHNEIDER (The Girl) - Who are you?
JACK NICHOLSON (David Locke) - I used to be someone else but I traded him in.”


“MARIA SCHNEIDER (The Girl) - People disappear every day.
JACK NICHOLSON (David Locke) - Every time they leave the room.”






realizado por Rita às 23:16
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2006
FESTA DO CINEMA - INATEL




Com o calor, regressa o cinema ao ar livre no estádio do INATEL. Para ver num ecrã de grandes dimensões filmes que se deixaram escapar, ou para rever os que nos abriram o apetite.


Com sessões às 22h00.
Bilhetes normais - 2,50€; Associados do INATEL: 2,00€; Colecção de 13 filmes - 9,00€.



Sábado, 22 Julho
“THE DA VINCI CODE”
De Ron Howard com Tom Hanks, Audrey Tautou, Ian McKellen, Jean Reno (EUA, 2006, 155’)

Domingo, 23 Julho
“CHARLIE AND THE CHOCOLATE FACTORY”
De Tim Burton com Johnny Depp, Freddie Highmore, David Kelly, Helena Bonham Carter (EUA, 2005, 115’)

Terça, 25 Julho
“BROKEBACK MOUNTAIN”
De Ang Lee com Heath Ledger, Jake Gyllenhaal, Randy Quaid, Anne Hathaway( EUA, 2005, 134’)

Quarta, 26 Julho
“FUN WITH DICK AND JANE”
De Dean Parisot com Jim Carrey, Téa Leoni, Alec Baldwin, Richard Jenkins (EUA, 2005, 90’)

Quinta, 27 Julho
“HARRY POTTER AND THE GOBLET OF FIRE”
De Mike Newell com Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson (EUA, 2005, 157’)

Sexta, 28 Julho
“WAR OF THE WORLDS”
De Steven Spielberg com Tom Cruise, Dakota Fanning, Miranda Otto, Justin Chatwin (EUA, 2005, 116’)

Sábado, 29 Julho
“MADAGASCAR”
De Eric Darnell, Tom McGrath (EUA, 2005, 86’, versão portuguesa)

Domingo, 30 Julho
“O CRIME DO PADRE AMARO”
De Carlos Coelho da Silva com Jorge Corrula, Soraia Chaves, Nicolau Breyner, Glória Férias (Portugal, 2005, 110’)

Terça, 01 Agosto
“THE EXORCIST”
De William Friedkin com Jason Miller, Ellen Burstyn, Max von Sydow, Lee J. Cobb (EUA, 1973, 131’)

Quarta, 02 Agosto
“WALK THE LINE”
De James Mangold com Joaquin Phoenix, Reese Witherspoon, Ginnifer Goodwin, Robert Patrick (EUA, 2005, 136’)

Quinta, 03 Agosto
“CRASH”
De Paul Haggis com Karina Arroyave, Dato Bakhtadze, Sandra Bullock, Don Cheadle (EUA, 2004, 100’)

Sexta, 04 Agosto
“THE CHRONICLES OF NARNIA: THE LION, THE WITCH AND THE WARDROBE”
De Andrew Adamson com Georgie Henley, Skandar Keynes, William Moseley, Anna Popplewell (EUA, 2005, 125’)

Sábado, 05 Agosto
“MISSION: IMPOSSIBLE III”
De J. J. Abrams com Tom Cruise, Philip Seymour Hoffman, Ving Rhames, Billy Crudup (EUA, 2006, 126’)




realizado por Rita às 01:26
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Quarta-feira, 19 de Julho de 2006
Happy Endings **1/2

Realização: Don Roos. Elenco: Lisa Kudrow, Steve Coogan, Jesse Bradford, Bobby Cannavale, Maggie Gyllenhaal, Jason Ritter, Tom Arnold, David Sutcliffe, Sarah Clarke, Laura Dern, Hallee Hirsh, Eric Jungmann. Nacionalidade: EUA, 2005.





Mamie (Lisa Kudrow) faz aconselhamento numa clínica de abortos. O seu meio-irmão, Charley (Steve Coogan), é gay e vive com Gil (David Sutcliffe). Pam (Laura Dern), a melhor amiga de Gil teve recentemente um filho com a sua namorada Diane (Sarah Clarke). Charley está desconfiado que o filho do casal lésbico é de Gil. Otis (Jason Ritter) trabalha no restaurante de Charley, toca bateria numa banda e está a tentar lidar com a sua atracção por homens. Jude (Maggie Gyllenhaal) torna-se vocalista da banda de Otis e envolve-se com o pai dele (Tom Arnold), com claras intenções de dar o golpe do baú. Nicky (Jesse Bradford) é um aspirante a realizador que vê em Mamie a oportunidade de fazer um documentário para a escola de cinema. A chantagem de Nicky com Mamie mexe em coisas do passado que ela prefere deixar intactas, por isso oferece o seu namorado Javier (Bobby Cannavale), um massagista mexicano, como tema alternativo.


Todo eles mentem, todos têm pena de si próprios, todos se sentem perdidos. Felizmente, Don Roos (“The Opposite of Sex” (1998) e “Bounce” (2000)) tem a preocupação de que não seja o espectador a perder-se nesta rede de relações. Mas o seu cuidado torna-se excessivo quando divide o ecrã para incluir dados que ele considera importantes para a história (a maioria deles são completamente irrelevantes, tendo apenas o efeito reflexo da piada). A originalidade acarreta riscos e, neste caso, o que deve ser explicado pela própria história, ou deixado à interpretação de cada um, é, de uma forma intrusiva, explicado com comentários laterais que desviam a atenção da história que decorre na outra metade do ecrã. É fácil ver imagens com comentários em off, outra coisa completamente distinta é ter de ler os comentários e ouvir/ler (legendas) tudo ao mesmo tempo, uma vez que ambos actuam sobre a parte do cérebro que lida com a linguagem.


Mais do que arrojado, este recurso de Roos surge como uma bengala. Desnecessária, porque o trabalho de construção das personagens está lá e conseguimos perceber as suas motivações (mesmo que não chegue a criar-se uma verdadeira empatia). Apesar disso, tem o mérito de colocar os actores em registos diferentes dos habituais. É o caso de Lisa Kudrown (que já tinha entrado em “The Opposite of Sex”), apesar da sua versão morena não ser nem metade de convincente da versão loura burra. É também o caso de Tom Arnold, num registo de sensibilidade e ternura. Maggie Gyllenhaal é perfeitamente convincente numa Jude auto-destrutiva. Mas a interpretação mais forte, porque mais complexa, acaba por ser a de Jesse Bradford, mesmo à custa de um humor morno.


O termo ‘happy endings’ tem um duplo significado. Além do imediato “final feliz”, ambicionado por todos, refere-se também ao prazer sexual (‘happy ending’) dado pelos massagistas aos seus clientes. Quanto ao filme “Happy Endings”, é previsível, e sabendo como sabemos que os finais, se são mesmo finais, nunca são felizes... atrevo-me a sugerir, como alternativa, uma boa massagem.





CITAÇÕES:


“JESSE BRADFORD (Nicky) - Oh, wow. You look really pretty if I stand far away and I use the zoom.
LISA KUDROW (Mamie) - Thank you.”


“That's not a zoom, by the way. That's the way it is: like a penis, only bigger.”
JESSE BRADFORD (Nicky)


“DAVID SUTCLIFFE (Gil) - She wouldn't lie.
STEVE COOGAN (Charley) - She's a mother. It's a sick, sick bond. Think of yours; think of mine. It's unwholesome.”


“LISA KUDROW (Mamie) - I'm not pro-life, though.
MAGGIE GYLLENHAAL (Jude) - Who is, once you start to pay attention?”






realizado por Rita às 22:35
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2006
Me And You And Everyone We Know *****

Realização: Miranda July. Elenco: John Hawkes, Miranda July, Miles Thompson, Brandon Ratcliff, Carlie Westerman, Hector Elias, Brad William Henke, Natasha Slayton, Najarra Townsend, Tracy Wright, JoNell Kennedy. Nacionalidade: EUA / Reino Unido, 2005.





“Me And You And Everyone You Know” é um filme lindíssimo sobre o amor, a pertença, a solidão, sobre a ligação entre amigos, entre amantes, entre familiares, com tudo e com todos. Esta fé no valor de todas as coisas evidencia-se desde logo numa das cenas iniciais: um peixe está dentro de um saco de plástico em cima de um carro em andamento. A travagem será o seu fim, só se salvaria se o carro andasse à mesma velocidade, para sempre.


Premiado em Cannes 2005 com o Camera d’Or e em Sundance com o Prémio Especial do Júri pela originalidade da sua visão artística, é este tom de magia que marca o filme escrito, dirigido e interpretado por Miranda July, cujo passado artístico inclui as artes performativas, vídeos, contos e peças radiofónicas.


Christine (Miranda July, à frente de um elenco irrepreensível) é uma artista que luta pela sua arte. Para pagar as contas guia um táxi para idosos. Ao levar Michael (Hector Elias), um cliente, para comprar uns sapatos, Christine apaixona-se à primeira vista por Richard (John Hawkes), um vendedor recém-separado da mãe dos seus dois filhos: Robby (Brandon Ratcliff) de 7 anos e Peter (Miles Thompson) de 14. Andrew (Brad William Henke), colega de trabalho de Richard, é seduzido por duas adolescentes, Heather (Natasha Slayton) e Rebecca (Najarra Townsend), com a sexualidade a despontar e uma amizade à prova de bala. Nancy (Tracy Wright) é a arrogante directora de uma galeria de arte. Sylvie (Carlie Westerman), filha da vizinha de Richard, vive obcecada com o seu enxoval. Eles são solitários e estranhos, pessoas perdidas e frágeis, mas que não são nunca objecto de pena. Eles são eu, tu, e todos os que conhecemos.


Sem esforço, deixamo-nos envolver por um mundo poético, delicado, curioso, mas também ousado e corajoso. “Me And You And Everyone You Know” é de uma ironia desarmante, com diálogos incríveis e uma linguagem simbólica onde se plasmam as ansiedades do crescimento, mas onde o optimismo impera.


Sem pretensiosismo académico, “Me And You And Everyone You Know” é simultaneamente existencialista e erótico, abordando a vida sexual dos adolescentes, os seus jogos e rituais de passagem, sem moralismos; ou um encontro cibernáutico pleno de um humor escatológico, onde a sinceridade infantil contrasta com a pornografia; ou a desconcertante imagem de uma árvore em cujos ramos está preso um quadro de um pássaro.


Numa das cenas mais românticas e bem escritas que vi, Christine e Richard caminham lado a lado à saída da loja, cada um em direcção ao seu carro. Imaginam que o caminho que fazem é o tempo de vida que têm juntos. Isso quer dizer que chegando a Tyrone Street (onde se têm de separar) é o final da sua relação. Richard vê o caminho da loja até ali como se fosse um ano, Christine como se fosse o resto da sua vida e Tyrone Street representasse a morte. Este filme faz a crónica do seu caminho em direcção um ao outro, um Richard relutante e uma Christine obsessiva.


“Me And You And Everyone You Know” é um filme doce, divertido, inteligente e apaixonado, de uma beleza de tirar o fôlego, com uma alma transbordante e um coração descompassado. Assim como na vida, a inocência perde-se, e reencontra-se, perde-se e reencontra-se... Para sempre.






CITAÇÕES:


“You think you deserve that pain but you don't.”
JOHN HAWKES (Richard)


“I don't want to have to do this living. I just walk around. I want to be swept off my feet, you know? I want my children to have magical powers. I am prepared for amazing things to happen. I can handle it.”
JOHN HAWKES (Richard)


“JOHN HAWKES (Richard) - What if I am a killer of children?
MIRANDA JULY (Christine) - That would put a damper on things.”


“Say, "You poop into my butt hole and I poop into your butt hole... back and forth... forever."”
BRANDON RATCLIFF (Robby)


“We have a whole life to live together you fucker, but it can't start until you call.”
MIRANDA JULY (Christine)


“It needs air. It needs to do some living. Let's take my hand for a walk.”
JOHN HAWKES (Richard)


“Fuck! Fuck you! Fuck me! Fuck old people! Fuck children! Fuck peace! Fuck peace...”
MIRANDA JULY (Christine)


“MIRANDA JULY (Christine) - But she's the love of your life, You're just going to let her go?
HECTOR ELIAS (Michael) - No, she's just going...”









realizado por Rita às 02:10
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Quinta-feira, 13 de Julho de 2006
Asylum ***

Realização: David Mackenzie. Elenco: Natasha Richardson, Hugh Bonneville, Ian McKellen, Marton Csokas, Gus Lewis, Joss Ackland, Wanda Ventham, Sarah Thurstan, Anna Keaveney, Robert Willox, Judy Parfitt, Sean Harris. Nacionalidade: Reino Unido / Irlanda, 2005.





No final da década de 50, Max Raphael (Hugh Bonneville) toma posse como director-adjunto de um hospital psiquiátrico. A sua mulher, Stella (Natasha Richardson, também produtora executiva) e o seu filho Charlie (Gus Lewis) mudam-se com ele para o campo. Max é frio e puritano, Stella é reprimida e inquieta. A distância emocional entre ambos é um abismo, e o mesmo acontece em relação a Charlie, que acaba por se afeiçoar a um dos pacientes, Edgar Stark (Marton Csokas). Isolada e aborrecida, Stella acaba por se apaixonar por Edgar. O Dr. Peter Cleave (Ian McKellen) observa este relacionamento à distância, ao mesmo tempo que prossegue as sessões de terapia com Edgar, internado por ter morto a mulher num acesso de ciúmes. É ainda lançada uma pista sobre uma anterior transgressão de Stella, associada a algum desequilíbrio psicológico.


Partindo do romance gótico de Patrick McGrath (1997), David Mackenzie (realizador de “Young Adam”, 2003, também ele uma história sobre uma mulher casada atraída por um homem jovem e potencialmente perigoso) cria um elegante melodrama sobre a repressão e a obsessão, com a dose de tragédia que se exige. A câmara de Giles Nuttgens faz do asilo um espaço soturno e opressivo, o ambiente propício para actos de desespero motivados por uma paixão que consome e destrói tudo e todos no seu caminho.


Por ela, Stella abandona o seu marido, o seu filho, e, de certa maneira, o mundo. Neste processo, assistimos à sua degradação, de vitimadora a vítima. Eventualmente, Stella terá de fazer uma última escolha, que ditará o seu futuro e o das pessoas que a rodeiam.


Natasha Richardson, bela até mais não poder, é dona de cada cena, seja subjugada à culpa ou à luxúria. E Ian McKellan tem mais um grande papel como um psiquiatra calculista e manipulador. À sombra destes portentos, Marton Csokas não passa de um homem bonito.


O argumento, co-escrito por Patrick Marber (“Closer”), está cheio de bons diálogos. Mas a quantidade extrema de erros de julgamento destas personagens, onde ironicamente as atitudes mais razoáveis são as do vilão, retiram credibilidade à história, e o perturbante desfecho acaba por nos deixar algo indiferentes.





CITAÇÕES:


“We wish you many contented years here among the confined and the confused.”
JACK STRAFFEN (Joss Ackland)


“HUGH BONNEVILLE (Max Raphael) - May I remind you that I am your superior?
IAN McKELLAN (Peter Cleave) - In what sense?”


“I want you to understand what's going to happen next. The shock will wear off, and it will be replaced by a devastating grief. In time, you will come to terms with what you have done and you'll just be very, very sad. And that sadness will stay with you for the rest of your life.”
HUGH BONNEVILLE (Max Raphael)


“To sacrifice all for love would soon find (one) in a very difficult situation ... love at a certain point, has to relinquish its exclusiveness, lovers have to become rehabilitated into the wider society.”
PATRICK McGRATH






realizado por Rita às 23:52
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Quarta-feira, 12 de Julho de 2006
The Squid And The Whale ****

Realização: Noah Baumbach. Elenco: Jeff Daniels, Laura Linney, Jesse Eisenberg, Owen Kline, Halley Feiffer, Anna Paquin, William Baldwin, David Benger. Nacionalidade: EUA, 2005.





Após 16 anos de casamento, Bernard (Jeff Daniels) e Joan (Laura Linney) decidem separar-se. O seu casamento estava já esgotado, mas o fim é acelerado pela arrogância dele e pela infidelidade dela, ao mesmo tempo que o declínio da carreira literária de Bernard choca com o repentino sucesso de Joan. Entre outros, eles cometem o erro de estabelecer uma custódia conjunta, o que implica que os seus dois filhos Walt (Jesse Eisenberg), o adolescente, e Frank (Owen Cline), o mais novo, passem dias alternados com cada um dos pais. Walt e Frank tomam os seus partidos nesta disputa, e, cada um à sua maneira, expressa a sua revolta.


O papel de “mau” é inicialmente feito por Bernard, ele é frio e amargo, mantendo-se arrogante perante a rejeição e dividindo o mundo entre intelectuais (que gostam de livros e filmes interessantes) e filisteus (que não). Bernard é uma personagem da qual não se gosta totalmente nem se admira, mas Daniels é soberbo ao camuflar todo o seu sofrimento com uma maldade forjada. As falhas de Joan (mais uma boa prestação de Laura Linney) acabam por também vir à tona e a empatia pela falta de inteligência emocional que os caracteriza é inevitável.


“The Squid And The Whale” tem algo de auto-biográfico e isso nota-se. Noah Baumbach, co-argumentista de “The Life Aquatic With Steve Zissou” (2004), enche o filme de detalhes e diálogos impregnados de autenticidade, a crueldade (intencional e fortuita) de todas as personagens é demasiado íntima para não reflectir a feia verdade da vida familiar.


Além disso, Jeff Daniels usa roupa que pertenceu ao pai do realizador (o escritor Jonathan Baumbach; a mãe é Georgia Brown, crítica de cinema); muitos dos livros que aparecem nas estantes dos Berkman pertenciam aos pais de Baumbach, e este também foi um adolescente de Brooklyn no final da década de 80.


O título do filme refere-se a uma instalação no Museu de História Natural de Nova Iorque, onde uma lula luta com uma baleia, uma memória feliz da infância de Walt, e uma metáfora para a luta entre Bernard e Joan. Ou um piscar de olho aos documentários sobre a vida animal, afinal de contas também a natureza humana é digna de uma observação científica.


A fraqueza de “The Squid And The Whale” é o caminho melodramático que a angústia das personagens acaba por tomar sem que os seus problemas se resolvam.


Apesar de momentos extremamente cómicos, “The Squid And The Whale” torna-se por vezes incómodo e perturbador, porque representa a queda das ilusões românticas (neste caso, dos hippies dos anos 60). O choque da realidade pode ser traumático em qualquer idade. Para Walt é perceber que o seu pai e a sua mãe, e por isso ele mesmo, são seres com falhas. Apenas humanos.





CITAÇÕES:


“It's like... we were pals then... we'd do things together... we'd look at the knight armor at the Met. The scary fish at the Natural History Museum. I was always afraid of the squid and whale fighting. I can only look at it with my hands in front of my face.”
JESSE EISENBERG (Walt Berkman)






realizado por Rita às 01:27
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Terça-feira, 11 de Julho de 2006
Samaria ****

Realização: Kim Ki-Duk. Elenco: Kwak Ji-min, Seo Min-jeong, Lee Eol, Jung In-Gi. Nacionalidade: Coreia do Sul, 2004.





“Samaria” foi filmado entre “Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera” (2003) e “Ferro 3” (2004)), duas obras-primas do realizador sul-coreano Kim Ki-duk.


Duas adolescentes Yeo-jin (Kwak Ji-min) e Jae-yeong (Seo Min-jeong) estão a juntar dinheiro para irem para a Europa. Enquanto Jae-yeong se prostitui com homens mais velhos que conhece na Internet, Yeo-jin faz a gestão da agenda de Jae-yeong e do dinheiro, além de vigiar a aproximação de polícia perto do motel onde Jae-yeong tem os seus encontros. Jae-yeong vê-se como uma moderna incarnação de Vasumitra, uma lendária prostituta que converteu homens ao budismo através do sexo. Yeo-jin fica chocada com o divertimento de Jae-yeong nestes encontros, e impede-a de voltar a perguntar aos clientes o que eles fazem na vida ou qualquer outra conversa que a aproxime deles e, consequentemente, que a afaste dela num misto de vergonha, culpa e ciúme.


A tragédia destas duas vidas paira, inevitável e irreversível, em cada cena, mas, no intuito de fazer desta mais uma bela experiência cinematográfica, prefiro não contar mais. Mas o Urso de Prata de Melhor Realizador no 54º Festival Internacional de Cinema de Berlim parece-me bastante merecido.


Kim Ki-duk impõe um ritmo quase sufocante nas revelações, nos sofrimentos e nas angústias de vidas que se rompem sem misericórdia. Neste drama está também envolvido o pai de Yeo-jin (Lee Eol), um detective da polícia viúvo, angustiado pela impotência para proteger a própria filha.


Kim Ki-duk não mostra a prostituição infantil de um ponto de vista dogmático ou racional. É na vertente emocional que Kim Ki-duk nos abre os olhos a este grave problema social. “Samaria” é sobre a procura da redenção, da busca de um perdão dentro de nós mesmos, da cura espiritual, do sexo como fonte de felicidade e da incessante luta por emendar erros e impor a justiça onde ela falha. “Samaria” divide-se em três partes: "Vasumitra," "Samaria," e "Sonata." Cada parte reflecte o ponto de vista de uma personagem: Jae-yeong, Yeo-jin e Yeong-ki, o pai de Yeo-jin, respectivamente, a primeira vivendo num mundo onde tudo é bom, a segunda numa dura realidade e o terceiro perdido num limbo de incompreensão.


Como os outros filmes de Kim Ki-duk, também “Samaria” é um poema cheio de metáforas. A pedra une em si todas contradições: é ela que recebe a queda, é arma, barreira, libertação e túmulo. Os banhos públicos onde as duas jovens se lavam, o duche onde Yeong-ki se refugia, o ar fresco do campo são os veículos de limpeza, mais espiritual que física.


Kim Ki-duk aborda o bem e mal com a sua inerente fusão, sem julgar, de uma forma crua e sem compromissos, mas também emocional e comovente. As cores do Outono dão o tom melancólico, o surrealismo dos sonhos reflecte o espírito torturado de personagens complexas, consistentes e credíveis (em três excelentes interpretações). Só Kim Ki-duk consegue dar tamanha beleza, e até inocência, a uma história negra sobre os efeitos adversos do desejo humano.






realizado por Rita às 22:34
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Segunda-feira, 10 de Julho de 2006
Klimt ***

Realização: Raoul Ruiz. Elenco: John Malkovich, Veronica Ferres, Saffron Burrows, Stephen Dillane, Paul Hilton, Sandra Ceccarelli, Karl Fischer, Irina Wanka, Antje Charlotte Sieglin, Nikolai Kinski. Nacionalidade: Áustria / França / Alemanha / Reino Unido, 2006.





Reconhecido em Paris e condenado na Viena natal pelo carácter provocativo das suas obras, o trabalho de Gustav Klimt (1862-1918) é uma celebração da mulher e do erotismo. O filme de Raoul Ruiz sobre este artista, mais do que um biopic tenta ser uma abordagem fiel à visão que o próprio Klimt tinha da Europa no final do século XIX, onde o erotismo da sua obra é contextualizado num tempo de liberdade sexual (e moral), e a sua luta pela emancipação face à arte oficial tem como pano de fundo um insinuante clima de anti-semitismo.


Em 1918 Gustav Klimt (John Malkovich) está às portas da morte. Numa visita do seu amigo Egon Schiele (Nikolai Kinsky) - considerado um sucessor de Klimt -, tem início um flashback até à Exposição Universal de 1900 em Paris, onde Klimt recebe o grande prémio e onde encontra o mágico do cinema Méliès, uma misteriosa dançarina (Saffron Burrows) e a opressiva figura do Secretário de Estado (Stephen Dillane) que segue Klimt como uma sombra.


Ruiz constrói esta história como um caleidoscópio, marcado pelo mistério e pela paixão. O jogo visual da câmara, as suas movimentações, a deslocação dos cenários, o uso da luz, deformam a realidade, assumindo-se como uma interpretação. Da mesma forma que o próprio trabalho de Klimt (“Não é um quadro, é uma alegoria.”), o filme debruça-se sobre a relação entre imagem e realidade, onde a dissimulação e o logro estão patentes.


O ecrã é uma tela onde Ruiz “pinta” eventos reais e faz uso de citações de contemporâneos de Klimt, expressando o temperamento efusivo e experimentalista deste precursor da Arte Nova através de símbolos (o “Secretário de Estado” surge como uma espécie de consciência sublimada).


Aos bons cenários e guarda-roupa, junta-se a fotografia de Ricardo Aronovich banhada em âmbar, que remete necessariamente para os trabalhos de Klimt. No entanto, o ritmo que se pretendia musical, sofre pelos cortes na sala de montagem, criando cortes abruptos na narrativa que deixam uma sensação desconcertante de desapego à história e ao seu herói.


Malkovich é a escolha óbvia para o papel, que representa sem falhas. Infelizmente, esta opção impôs a condicionante do idioma inglês, para prejuízo do próprio filme, que se enche de uma mescla de sotaques, que parecem ser inevitáveis neste tipo de produções europeias.


Apesar da força visual do filme, existe uma grande quantidade de diálogo (se compararmos com filmes como “Girl With a Pearl Earring” de Peter Webber, por exemplo), sobretudo no que toca a discussões de ordem filosófica. Mas é precisamente esta característica que melhor nos conduz ao tempo e espaço de um controverso artista, com uma obra única.








realizado por Rita às 21:16
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Terça-feira, 4 de Julho de 2006
Impressões

Depois de duas semanas impressionantes, e para continuar a impressionar, vê-se




E a música tradicional irlandesa “Mna Na HEireann” (Women Of Ireland) interpretada pelos Chieftains reaviva as sensibilidades dolorosas da adolescência, gravadas na versão dos The Christians no tema “Words”.




WORDS
(The Christians)


If I could find words
To tell you I’m sorry
Make you understand
I mean just what I say

After all that I’ve heard
Why should I worry
When we ride the fine line
Between love and hate

If I had been wise
well how could I doubt you
now I’m all alone
my life in disarray

But try as I might
I can't live without you
so I cling to the hope
of a bright brighter day

Oh I know we've been through this all before
how can I prove my love for you is real
no I can't do anymore
if I could only find words

And still he has dreams
and still I must learn to cope
absurd as it seems
I still have hope

If I had good sense
and heed all the warnings
I would let it be
and leave all well alone

But there's no recompense
for waking up mornings
feeling sure it's myself
who's the foolish one

Yes I know we've been through this all before
how can I prove my love for you is real
no I can't do anymore.


 



realizado por Rita às 08:06
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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NOTÍCIAS

OPINIÕES

Filmes
#
$9.99
(500) Days of Summer
12:08 A Este de Bucareste
127 Hours
13 (Tzameti)
1408
16 Blocks
2 Days in Paris
2046
21
21 Grams
25 Watts
3... Extremos
300
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
4ème Morceau de la Femme Coupée en Trois, Le
50/50
5x2
9 Songs

A
À l’Origine
À Tout de Suite
Aaltra
Abrazos Rotos, Los
Adam
Adeus, Dragon Inn
Ae Fond Kiss
Affaire Farewell, L’
Afterschool
Agents Secrets
Agony and the Ecstasy of Phil Spector, The
Ágora
After.Life
Alatriste
Albert Nobbs
Alex
Alexander
Alfie
Alice In Wonderland
All The Invisible Children
Amants Réguliers, Les
American, The
American Gangster
American Splendor
Amor Idiota
Amours Imaginaires, Les
An Education
An Obsession
Ana Y Los Otros
Anche Libero Va Bene
Angel-A
Anges Exterminateurs, Les
Answer Man, The
Anthony Zimmer
Antichrist
Apocalypto
Approaching Union Square
Après Vous...
Arnacoeur, L’
Arsène Lupin
Artist, The
Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
Astronaut Farmer, The
Asylum
Atonement
Ausentes
Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec, Les
Aviator, The
Away We Go
Azuloscurocasinegro

B
Baader-Meinhof Komplex, Der
Babel
Babies
Backstage
Ballad of Jack and Rose, The
Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
Battle in Seattle
Be Kind Rewind
Bee Movie
Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
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Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
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