CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Segunda-feira, 28 de Novembro de 2005
Ferro 3 ****

T.O.: Bin-jip. Realização: Kim Ki-duk. Elenco: Jae Hee, Lee Seung-yeon, Kwon Hyuk-ho. Nacionalidade: Coreia do Sul / Japão, 2004.





Bolas de golfe atiradas contra uma rede. Em pano de fundo uma estátua feminina. Assim começa o último filme de Kim Ki-duk, realizador do perturbante “O Bordel do Lago” (2000) e do belíssimo “Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera” (2003), e que, com “Ferro 3” obteve o prémio de melhor realizador na 61ª Mostra de Cinema de Veneza.


Tae-suk (Jae Hee) cola folhetos de restaurantes nas portas das casas. Mas esse não é o seu trabalho. Tae-suk volta mais tarde para ver se alguma delas tem ainda o papel na porta, se tiver, estará vazia, e ele terá onde passar a noite. Tae-suk arromba portas, mas não é um ladrão. Paga a generosidade ignorante dos seus hóspedes concertando aparelhos estragados e regando as plantas. Aproveita também para comer qualquer coisa, lavar roupa e ver um pouco de televisão.


Movendo-se como um fantasma, Tae-suk regista a sua existência através das fotografias que tira junto dos retratos dos donos em cada uma das casas. No meio da sua solidão descobriu uma forma diferente de se ligar ao mundo, protegendo-se das pessoas reais, tão diferentes das suas imagens.


Um dia, uma das casas não está vazia e Tae-suk cruza-se com Sun-hwa (Lee Seung-yeon), uma mulher agredida pelo marido (Kwon Hyuk-ho), um homem de negócios temperamental e com gosto pelo golfe. A Tae-suk não lhe restava mais que salvar Sun-hwa, por isso leva-a consigo por diversas casas de Seul e os dois juntos formam um barreira para o mundo exterior. A ligação instantânea e inexplicável entre ambos justifica a opção de Kim-duk pelo silêncio. Sem pretensões artísticas, ao excluir a troca de palavras entre os protagonistas, o filme enche-se de uma leveza que se preenche através dos corpos e das emoções. Agarrados a cada gesto e a cada olhar, entramos nas personagens e na sua relação de uma forma compulsiva.


Mas o destino tem outras coisas programadas para o casal, e quando Sun-hwa reproduz a cena inicial do filme, colocando-se, como a estátua do jardim, diante da bola de golfe de Tae-suk, tem início o fim do seu idílio. Do romance passa-se à tragédia, da vingança à redenção, do quotidiano à fantasia, do thriller ao misticismo.


Através do símbolo do taco de golfe do título, que se torna, por mais de uma vez, uma arma de prazer e de retaliação, mas também pela confrontação com a sensibilidade dos marginais, Ki-duk critica a hipocrisia da classe burguesa, ainda que a sua recusa em condenar o marido abusador venha testar a capacidade do espectador para o perdão.


Misturando imagens violentas com outras de perturbante beleza, “Ferro 3” está cheio de solidão, de medo, de desespero, de amor e de esperança. Ainda que pareça um sonho.








realizado por Rita às 22:23
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2005
Proof ***

Realização: John Madden. Elenco: Gwineth Paltrow, Anthony Hopkins, Hope Davis, Jake Gyllenhaal. Nacionalidade: EUA, 2005.





“Proof” é a adaptação cinematográfica da premiada peça de David Auburn (vencedora do Pulitzer Prize de Drama e diversos Tony Award em 2001). O argumento, escrito por Auburn em parceria com Rebecca Miller (realizadora de “Personal Velocity” - 2002 e “The Ballad of Jack and Rose” - 2005), volta a juntar o realizador John Madden (“Shakespeare in Love”, 1998) com Gwineth Paltrow.


Paltrow é Catherine, agora com 27 anos e a um dia do seu aniversário, uma talentosa estudante de matemática que se viu obrigada a abandonar a faculdade para tomar conta do pai, Robert Llewellyn (Anthony Hopkins), um famoso matemático, que aos 21 anos tinha já feito descobertas marcantes, mas a quem foram diagnosticadas perturbações mentais, e cujos últimos anos foram vividos no meio de um intenso nevoeiro.


O drama central deste filme prende-se com o profundo medo de Catherine de ter herdado, juntamente com o talento do pai, a sua loucura. A esta família disfuncional vem juntar-se Claire (Hope Davis), irmã de Catherine, uma bem sucedida analista de câmbios em Nova Iorque, e que está decidida a levar Catherine para viver consigo.


O antagonismo que se estabelece entre as duas baseia-se em ressentimentos mútuos (de Claire pelo talento de Catherine; de Catherine por ter tido que lidar sozinha com o pai). A personalidade anti-social, depressiva e auto-comiseradora de Catherine contrapõe-se com a de Claire, decidida e autoritária, mas também com as suas excentricidades (como é o caso da sua obsessão por listas *).


A quarta personagem deste drama é Hal (Jake Gyllenhaal), um estudante orientado por Robert que tem a esperança de encontrar, nas dezenas de cadernos que Robert escreveu, a base para uma tese que lhe dê entrada directa em qualquer universidade do país. Nas suas pesquisas, Hal descobre uma demonstração matemática - a prova -, a validação de uma teoria relacionada com números primos, que tanto pode ter sido escrita por Robert como por Catherine.


É neste momento que entram em jogo os verdadeiros dilemas de “Proof”: no amor, que parte precisa de provas, e que parte precisa de fé? Entre a verdade e a mentira, de qual deveremos proteger os seres que amamos? Até onde a necessidade e a exigência de provas contradiz o conceito de confiança e coloca uma barreira nas relações?


Paltrow tem aqui uma forte interpretação, cheia de nuances que vão desde a tocante ternura e uma profunda tristeza até à raiva agressiva. Hopkins continua um portento, entre a arrogância e a vulnerabilidade. E Davis (“American Splendor”, de Shari Springer Berman e Robert Pulcini, 2003), entre a condescendência, a preocupação, o ressentimento e culpa é o elemento necessário neste equilíbrio.


Madden consegue aqui uma combinação eficaz entre um filme profundo e, simultaneamente, leve na forma. A estrutura em flashbacks é essencial para revelar a complexidade das personagens, não prejudicando, no entanto, a fluidez da acção. Sem nunca reportar a uma encenação teatral, e aproveitando a força dos diálogos, Madden não cai no erro de abafar a narrativa principal com o sub-plot romântico. No entanto, a última parte do caminho vai perdendo progressivamente força, até chegarmos a um final que só com alguma fé satisfaz.


De salientar o momento mais cómico do filme (e há vários), que surge quando a banda de rock onde Hal é baterista, um grupo de “geeks” matemáticos, toca o seu “grande éxito”: “i”, uma música que consiste em 3 minutos de silêncio. Uma “private” rebuscada, visto i ser o número imaginário que equivale à raiz quadrada de -1.


“Proof” junta-se assim ao grupo dos filmes matemáticos, como “Good Will Hunting” (Gus Van Sant, 1997), “Pi” (Darren Aronofsky, 1998) e “A Beautiful Mind” (Ron Howard, 2001), que evidenciam o carácter sedutor, apaixonante e arriscado dos números.



* Se bem que a obsessão por listas é uma coisa completamente normal... Não é?! Espero...






TAGLINE:


“The biggest risk in life is not taking one.”



CITAÇÕES:


“Crazy people can't be aware that they are crazy, they can't even ask whether they are crazy, because they are so immersed in the minutiae that delimits their craziness - their obsessions with daily details, paranoid fantasies, or the architecture of their subjective, fabricated worlds.”
ANTHONY HOPKINS (Robert)


“Hal - You read a lot of maths.
Catherine - I read Cosmo. It is just a window dressing.”
GWINETH PALTROW (Catherine) e JAKE GYLLENHAAL (Hal)


“Catherine - It doesn't fit me.
Hal - It fits perfectly.
Catherine - You can't prove it.
Hal - I can disprove the opposite.”
GWINETH PALTROW (Catherine) e JAKE GYLLENHAAL (Hal)





realizado por Rita às 22:26
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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2005
The Constant Gardener ****

Realização: Fernando Meirelles. Elenco: Ralph Fiennes, Rachel Weisz, Hubert Koundé, Danny Huston, Bill Nighy, Pete Postlethwaite, Archie Panjabi. Nacionalidade: Reino Unido, 2005.





Da favela brasileira para a africana, da Cidade de Deus (Rio de Janeiro) para Kibera (Nairobi), da “Cidade de Deus” (2002) para “The Constant Gardener”, Fernando Meirelles mantém a sua preocupação social, e tem aqui a sua vingança pessoal pela forma como os Estados Unidos estão a tentar impedir a produção brasileira de medicamentos genéricos.


Baseado no livro homónimo de John le Carré, “The Constant Gardener” é um thriller político, uma história de amor e uma denúncia às abusivas técnicas de experimentação das corporações farmacêuticas em África.


Justin Quayle (Ralph Fiennes) é um fechado e charmoso diplomata inglês sediado em África. É também ele o jardineiro do título, como referência ao seu hobby. A sua mulher, Tessa (Rachel Weisz) é o seu oposto, uma impetuosa, apaixonada e determinada activista social, pela qual qualquer um seria levado a apaixonar-se.


Inabalável na sua missão de desvendar os métodos pouco éticos de investigação farmacêutica praticados à custa dos desvalidos cidadãos quenianos, Tessa acaba por se tornar num alvo a abater para qualquer empresa farmacêutica com segredos para proteger.


Paralelamente a esta intriga, Meirelles leva-nos ao romance de ambos, à intensidade que servirá de força motivadora para que Justin possa completar o trabalho de Tessa, entrando mesmo em conflito com alguns dos seus colegas do Alto Comissariado Britânico, incluindo o seu amigo Sandy Woodrow (Danny Huston) e o obscuro Sir Bernard Pellegrin (Bill Nighy).


O par romântico surpreende, mas convence. A doçura de Fiennes e a força de Weisz complementam-se. Fiennes está exemplar como um Justin hesitante e desapontado pela sua própria incapacidade de agir, angustiado por ter de competir com todas as paixões que movem a sua mulher; e Weisz é uma presença luminosa, mesmo grávida de 9 meses e transpirada (ainda que dada a forma como lida com o mundo, seja pouco credível que a sua personagem de Weisz tenha apenas 24 anos).


Meirelles manipula como ninguém a estrutura não linear, mantendo a sensação de ameaça ao longo de todo o filme e deixando o espectador saber apenas o mesmo que o protagonista.


Com igual deslumbre Meirelles mostra-nos paisagens avassaladoras, momentos íntimos, e agrupamentos de gente. Sem véus de camuflagem, com o suor e as duras cores da realidade, mostra-nos os horrores da pobreza, de quem só têm direito a medicamentos para se tratarem se aceitarem servir de cobaias para medicamentos ainda em estudo. Do outro lado, é a ganância, a sede do lucro e o desejo secreto de que uma epidemia aumente o capital dos accionistas.


As ruas africanas cheias de vida, estão também cheias de morte.


E porque nem todo o mundo ocidental é indiferente aos problemas dos países mais pobres, aqui ficam 2 links:
MAKE POVERTY HISTORY
OXFAM






CITAÇÕES:


“It's like it's a marriage of convenience and all it produces are dead offspring.”
RACHEL WEISZ (Tessa Quayle)


“Big pharmaceuticals are right up there with the arms dealers.”
PETE POSTLETHWAITE (Lorbeer)





realizado por Rita às 01:00
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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2005
Elizabethtown ****

Realização: Cameron Crowe. Elenco: Orlando Bloom, Kirsten Dunst, Susan Sarandon, Alec Baldwin, Bruce McGill, Judy Greer, Jessica Biel, Paul Schneider, Loudon Wainwright. Nacionalidade: EUA, 2005.





Drew Baylor (Orlando Bloom) é executivo de uma grande empresa de calçado desportivo, e é responsável pelo maior lançamento de sempre de um produto deste tipo. Mas o mercado é cruel e Drew torna-se também responsável por um fiasco que custará à empresa mil milhões de dólares. O rótulo de falhado ser-lhe-á colado em praça pública dentro de poucos dias. De carreira arruinada e largado pela namorada, a vida de Drew não podia estar pior. Mas uma chamada telefónica leva-o ainda mais fundo. Quando visitava uns familiares no Kentucky, o pai de Drew morreu, e a sua mãe (Susan Sarandon) precisa que Drew, o filho responsável, leve o fato azul do pai e o traga de volta.


Elizabethtown, Kentucky. Uma viagem, um despertar para as coisas realmente importantes. Um filme emocionante sobre a perda, a vida, o amor.


À semelhança de “Garden State” de Zach Braff (2004), “Elizabethtown” encaixa-se na categoria “o rapaz que volta a casa” e, da mesma forma que “Almost Famous” (2000), também de Crowe, é declaradamente autobiográfico, fazendo-nos, por um lado, acreditar que a vida de Crowe é realmente cinematográfica e, por outro lado, desejar que lhe continuem a acontecer coisas interessantes. Susan Sarandon junta-se, pois, a Frances McDormand no clube de actrizes que representaram o papel de mãe de Crowe.


Em torno da morte do pai de Drew, Crowe constrói um filme sobre as coisas simples, com subtileza e realismo. Drew imerge no seio desta família que o ama sem o conhecer, por apenas ser um deles. E sente-se seguro. Do outro lado, está uma história de amor, uma parte essencial do caminho que Drew tem de fazer, dividindo o seu tempo entre a família e Claire (Kirsten Dunst), uma hospedeira enérgica e impulsiva que ele conheceu no avião. Graças a estas pessoas Drew conseguirá estabelecer uma ligação com o pai (uma presença observadora ao longo de todo o filme), como nunca o tinha conseguido enquanto ele estava vivo. Mas o maior reencontro é feito consigo mesmo.


Orlando Bloom vai além de todas expectativas (e não me refiro apenas ao sotaque americano) e está perfeito como Drew Baylor. Apesar de não falar muito, excepto através na narração, Crowe usa as suas feições expressivas para mostrar um homem que se move no mundo de outros personagens mais dinâmicos, reagindo a eles e evoluindo através deles. Kirsten Dunst tem aqui uma representação cativante, transformando-se quase no guia espiritual de Drew, oferecendo-lhe a maior das dádivas: tempo e espaço para ele crescer.


Este é o tipo de filme que nos deixa a pensar no nosso futuro, no que queremos da vida e do que estamos dispostos a arriscar para o conseguir.


No final, Cameron oferece-nos um postal ilustrado do que pode ser uma viagem de carro pelo sul dos Estados Unidos. Só fica a faltar um Chevrolet antigo, e, no auto-rádio, a fantástica banda sonora de “Elizabethtown”.






CITAÇÕES:


“Drew, it was real, and it was great, and it was really great.”
JESSICA BIEL (Ellen Kishmore)


“You know the way people look at you as if it's the last time? I've started collecting these looks.”
ORLANDO BLOOM (Drew Baylor)


“I don't know a lot about everything, but I do know a lot about the part of everything that I know, which is people.”
KIRSTEN DUNST (Claire Colburn)


“I'm impossible to forget, but I'm hard to remember.”
KIRSTEN DUNST (Claire Colburn)


“All forward motion counts.”
SUSAN SARANDON (Hollie Baylor)


“It takes time to be funny. It takes time to extract joy from life.”
SUSAN SARANDON (Hollie Baylor)


“I'm going to miss your lips. And everything attached to them.”
KIRSTEN DUNST (Claire Colburn)


“I want you to get into the deep beautiful melancholy of everything that's happened.”
KIRSTEN DUNST (Claire Colburn)





realizado por Rita às 00:20
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2005
In Her Shoes **

Realização: Curtis Hanson. Elenco: Cameron Diaz, Toni Collette, Mark Feuerstein, Shirley MacLaine, Richard Burgi, Brooke Smith, Candice Azzara, Alan Blumenfeld, Marcia Jean Kurtz. Nacionalidade: EUA, 2005.





Quem se lembra de “LA Confidential” terá dificuldades em acreditar que Curtis Hanson se tenha sentido inspirado pelo livro de Jennifer Weiner para fazer uma “female-bonding story”, à qual se juntaram os produtores e irmãos Ridley e Tony Scott.


A acção gira em torno de duas irmãs, que cresceram sem a sua mãe: Maggie (Cameron Diaz), que não pára num emprego, iletrada e disléxica, emocionalmente imatura, mas com sentido estético, e que vai pelo mundo alardeando a sua boa aparência e a sua sexualidade; e Rose (Tony Collette), a responsável, advogada de sucesso em Filadélfia, workaholic, mas com baixa auto-estima. A única coisa que têm em comum é o número que calçam.


Dado o seu comportamento repetitivamente errante, a madrasta de ambas expulsa Maggie de casa do pai e Rose, assumindo mais uma vez o papel materno, vê-se obrigada a receber a irmã. Mas tomar conta de Maggie é uma verdadeira batalha, especialmente quando se tem uma vida própria para viver. Num crescendo de desespero, Rose expulsa Maggie, que acaba por ir procurar ajuda junto da avó recém-descoberta (Shirley McLaine), que vive numa comunidade de reformados na Flórida. Enquanto Maggie vai lutar por colocar a sua vida nos eixos, Rose lutará por descobrir o que quer realmente da vida. O desfecho não surpreende: a reaproximação das irmãs é inevitável.


Mas para quem defenda que todas as histórias em cinema já foram contadas e o que importa é a forma, temos os pontos altos de leitura de poemas de Elizabeth Bishop e E.E.Cummings, que, ainda assim, não atribuem seriedade suficiente à leveza com que os problemas emocionais são tratados. Em vez do longo caminho de construção de uma amizade, somos levados por uma montanha russa de emoções, com todos os desgostos e sentimentalismos possíveis, com o único propósito de puxar pela lágrima.


As lições de vida que as personagens vão tendo, com situações que se precipitam em cada cena, implicariam, na realidade, anos de terapia e uns quantos casamentos falhados. Já para não falar da inverosimilhança de que Diaz e Collette pudessem alguma vez ser irmãs. Um casting que prejudica a história e que prejudica, sobretudo, Cameron Diaz. Apesar de estar a ser apontada como uma das suas melhores representações, teve a infelicidade de ser emparelhada com uma actriz infinitamente melhor que ela, Toni Collette (“Muriel’s Wedding” de P.J.Hogan – 1994, “The Sixth Sense” de M.Night Shyamalan – 1999, “Japanese Story” de Sue Brooks – 2003), que carrega a carga dramática do filme. Mas soube bem rever MacLaine, trazendo-nos à lembrança o “Terms of Endearment” (James L.Brooks, 1983).


Destes 130 minutos retiram-se dois poemas de indiscutível beleza, e duas personagens pouco empáticas, uma preocupada com futilidades e a outra com uma noção antiga de amor. Soa a estereótipos? Pois, é isso mesmo. Já vimos estas personagens vezes sem conta, e esta não será certamente a última vez.






CITAÇÕES:

ONE ART
Elizabeth Bishop


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<br> <P ALIGN=JUSTIFY><B>Realização</B>: Curtis Hanson. <B>Elenco</B>: Cameron Diaz, Toni Collette, Mark Feuerstein, Shirley MacLaine, Richard Burgi, Brooke Smith, Candice Azzara, Alan Blumenfeld, Marcia Jean Kurtz. <B>Nacionalidade</B>: EUA, 2005.</P> <br><br> <CENTER><IMG SRC=http://us.movies1.yimg.com/movies.yahoo.com/images/hv/photo/movie_pix/twentieth_century_fox/in_her_shoes/_group_photos/cameron_diaz5.jpg></CENTER> <br><br> <P ALIGN=JUSTIFY>Quem se lembra de <I>“LA Confidential”</I> terá dificuldades em acreditar que Curtis Hanson se tenha sentido inspirado pelo livro de Jennifer Weiner para fazer uma <I>“female-bonding story”</I>, à qual se juntaram os produtores e irmãos Ridley e Tony Scott. </P> <br> <P ALIGN=JUSTIFY>A acção gira em torno de duas irmãs, que cresceram sem a sua mãe: Maggie (Cameron Diaz), que não pára num emprego, iletrada e disléxica, emocionalmente imatura, mas com sentido estético, e que vai pelo mundo alardeando a sua boa aparência e a sua sexualidade; e Rose (Tony Collette), a responsável, advogada de sucesso em Filadélfia, <I>workaholic</I>, mas com baixa auto-estima. A única coisa que têm em comum é o número que calçam. </P> <br> <P ALIGN=JUSTIFY>Dado o seu comportamento repetitivamente errante, a madrasta de ambas expulsa Maggie de casa do pai e Rose, assumindo mais uma vez o papel materno, vê-se obrigada a receber a irmã. Mas tomar conta de Maggie é uma verdadeira batalha, especialmente quando se tem uma vida própria para viver. Num crescendo de desespero, Rose expulsa Maggie, que acaba por ir procurar ajuda junto da avó recém-descoberta (Shirley McLaine), que vive numa comunidade de reformados na Flórida. Enquanto Maggie vai lutar por colocar a sua vida nos eixos, Rose lutará por descobrir o que quer realmente da vida. O desfecho não surpreende: a reaproximação das irmãs é inevitável. </P> <br> <P ALIGN=JUSTIFY>Mas para quem defenda que todas as histórias em cinema já foram contadas e o que importa é a forma, temos os pontos altos de leitura de poemas de Elizabeth Bishop e E.E.Cummings, que, ainda assim, não atribuem seriedade suficiente à leveza com que os problemas emocionais são tratados. Em vez do longo caminho de construção de uma amizade, somos levados por uma montanha russa de emoções, com todos os desgostos e sentimentalismos possíveis, com o único propósito de puxar pela lágrima. </P> <br> <P ALIGN=JUSTIFY>As lições de vida que as personagens vão tendo, com situações que se precipitam em cada cena, implicariam, na realidade, anos de terapia e uns quantos casamentos falhados. Já para não falar da inverosimilhança de que Diaz e Collette pudessem alguma vez ser irmãs. Um <I>casting</I> que prejudica a história e que prejudica, sobretudo, Cameron Diaz. Apesar de estar a ser apontada como uma das suas melhores representações, teve a infelicidade de ser emparelhada com uma actriz infinitamente melhor que ela, Toni Collette (<I>“Muriel’s Wedding”</I> de P.J.Hogan – 1994, <I>“The Sixth Sense”</I> de M.Night Shyamalan – 1999, <a href=http://cinerama.blogs.sapo.pt/68892.html target=_blank><I>“Japanese Story”</I></a> de Sue Brooks – 2003), que carrega a carga dramática do filme. Mas soube bem rever MacLaine, trazendo-nos à lembrança o <I>“Terms of Endearment”</I> (James L.Brooks, 1983). </P> <br> <P ALIGN=JUSTIFY>Destes 130 minutos retiram-se dois poemas de indiscutível beleza, e duas personagens pouco empáticas, uma preocupada com futilidades e a outra com uma noção antiga de amor. Soa a estereótipos? Pois, é isso mesmo. Já vimos estas personagens vezes sem conta, e esta não será certamente a última vez. </P><br><BR><CENTER><HR WIDTH=70% COLOR=#E90909 SIZE=1></CENTER><br><br> <P ALIGN=JUSTIFY><B>CITAÇÕES</B>: </P> <FONT COLOR=#E90909><B>ONE ART</B><BR><FONT SIZE=1>Elizabeth Bishop</FONT></FONT><FONT COLOR=#AAAAAA><BR><BR><The art of losing isn’t hard to master;<BR>so many things seem filled with the intent<BR>to be lost that their loss is no disaster. <BR><BR>Lose something everyday. Accept the fluster<BR>of lost door keys, the hour badly spent. <BR>The art of losing isn't hard to master. <BR><BR>Then practice losing farther, losing faster: <BR>places, and names, and where it was you meant<BR>to travel. None of these things will bring disaster. <BR><BR>I lost my mother's watch. And look! my last, or<BR>next-to-last, of three loved houses went. <BR>The art of losing isn't hard to master. <BR><BR>I lost two cities, lovely ones. And, vaster, <BR>some realms I owned, two rivers, a continent. <BR>I miss them, but it wasn't a disaster. <BR><BR>-Even losing you (the joking voice, a gesture<BR>I love) I shan't have lied. It's evident<BR>the art of losing's not too hard to master<BR>though it may look like (Write it!) like disaster. <BR><BR><BR><FONT COLOR=#E90909><B>I CARRY YOUR HEART WITH ME</B><BR><FONT SIZE=1>E.E.Cummings</FONT></FONT><FONT=#AAAAAA><BR><BR>I carry your heart with me (I carry it in my heart) <BR>I am never without it (anywhere I go you go, my dear; <BR>and whatever is done by only me is your doing, my darling) <BR>I fear no fate (for you are my fate, my sweet) <BR>I want no world (for beautiful you are my world, my true) <BR>and it's you are whatever a moon has always meant<BR>and whatever a sun will always sing is you<BR><BR>here is the deepest secret nobody knows<BR>(here is the root of the root and the bud of the bud<BR>and the sky of the sky of a tree called life; which grows<BR>higher than the soul can hope or mind can hide) <BR>and this is the wonder that's keeping the stars apart<BR><BR>I carry your heart (I carry it in my heart) </FONT> <br><br>


realizado por Rita às 01:01
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2005
El Método ***

Realização: Marcelo Piñeyro. Elenco: Eduardo Noriega, Najwa Nimri, Eduard Fernández, Pablo Echarri, Ernesto Alterio, Carmelo Gómez, Adriana Ozores, Natalia Verbeke. Nacionalidade: Espanha / Argentina / Itália, 2005.





Sete candidatos a um importante lugar numa empresa multinacional, fechados nos escritórios de um arranha-céus madrileno, enfrentam diversos testes que irão determinar qual o mais apto. O processo decorrerá segundo o Método Gronholm, uma herança americana, como não podia deixar de ser. Enquanto isso, na mesma rua de Madrid, desenrola-se uma manifestação anti-globalização diante do local de uma cimeira entre os países mais ricos do mundo.


A tensão das ruas transporta-se para a sala, quando os candidatos são informados de que entre eles há um espião da empresa, que irá observar os seus comportamentos e avaliá-los. Submetidos a um conjunto de provas cada vez mais surreais, serão os próprios candidatos, através dos seus comportamentos e escolhas, que irão determinando quem fica e quem é eliminado nesta corrida. Tacteando e medindo os outros, cuidadosos com os seus próprios passos, mas vorazes, são o espectáculo de circo romano perfeito para uma empresa que os observa sem se mostrar.


O argumento deste filme, de Marcelo Piñeyro (“Kamchatka”, 2002) e Mateo Gil, sócio de Amenábar em “Tesis” (1986), “Abre los Ojos” (1997) e “Mar Adentro” (2004), faz uma adaptação livre da peça teatral “El Método Gronholm”, de Jordi Galcerán, que esteve em cena entre nós com Marco Delgado, Maria João Bastos, António Pedro Cerdeira e José Boavida. A primeira diferença entre as duas abordagens reside no número de personagem, ampliado aqui para sete, como se dos sete pecados mortais se tratassem.


“El Método” apoia-se essencialmente nos diálogos e conflitos, mais e menos tácitos, que se estabelecem entre as personagens. A acção consiste em pouco mais do que um café ocasional e um ir à janela para esticar as pernas. Apesar disso, tem bom ritmo, fluidez e dose dramática. O reduzido espaço de acção ajuda a transmitir o ambiente claustrofóbico e inquietante a que os candidatos estão sujeitos, submissos perante a dureza da máquina empresarial.


Enquanto, do lado de fora, os manifestantes lutam pelos seus direitos e liberdades, estes candidatos são submetidos a provas que os tornam vítimas das suas próprias dúvidas, inseguranças, misérias e frustrações, com a única opção de, se recusarem fazer as provas, serem eliminados do processo.


Ao alargar o leque de personagens permite-se, por um lado, aumentar o número de suspeitos, para que o jogo da dinâmica de grupo dure o tempo do filme. Infelizmente, isso atenua a densidade das personagens, quando inevitavelmente comparadas com as da peça. Ainda assim, consegue-se o belíssimo momento em que uma simples frase descreve toda uma personagem: quando Fernando (Eduard Fernández) vai tomar o pequeno-almoço ao seu sítio habitual, recusa um conhaque ao empregado com um “no, hoy no”.


O elenco cumpre, apesar de algumas prestações mais fracas, nomeadamente de Eduardo Noriega (“Abre los Ojos” de Alejandro Amenábar, 1997 e “El Espinazo del Diablo” de Guillermo del Toro, 2001), Najwa Nimri (“Agents Secrets” de Frédéric Schoendoerffer, 2004 e “20 Centímetros” de Ramón Salazar, 2005), e Natalia Verbeke ( “El Hijo de la Novia” de Juan José Campanella, 2001 e “El Otro Lado de la Cama” de Emilio Martínez Lázaro, 2002). Um especial destaque vai para Eduard Fernández (“Fausto 5.0” de Álex Ollé, Isidro Ortiz e Carlos Padrisa, 2001) no papel de macho latino, para Ernesto Alterio (“El Otro Lado de la Cama” de Emilio Martínez Lázaro, 2002) como o inseguro, e para o promissor argentino Pablo Echarri como o pouco participativo. Mas Piñeyro comete o erro de dar mais protagonismo exactamente aos intérpretes mais fracos, e fica-se com pena de não ver mais Carmelo Gómez (“Entre las Piernas” de Manuel Gómez Pereira, 1999) e Adriana Ozores (“Héctor” de Gracia Querejeta, 2004). Piñeyro peca também por algumas cenas totalmente dispensáveis, quer para a intriga quer para a tensão.


Menos subtil que o texto de teatro na mensagem que transmite, “El Método” tem um final também distinto do da peça, ao qual fica a faltar o murro no estômago. Pedia-se um desfecho mais forte, mais cru e mais miserável.


No mercado compram-se escrúpulos e vendem-se integridades morais a preços de saldos. A empatia, a compaixão e os sentimentos são postos de lado, por objectivos MAIORES. É a sociedade devorando os seus eleitos. Quem já tenha participado em processos de selecção encontrará aqui exemplos bem perto da realidade. Por isso a força das conclusões a que chegamos quando pensamos na capacidade do ser humano para ser predador dele mesmo sejam tão assustadoras.


Já dizia Sean Connery em “Highlander” (1986): “In the end there can be only one.”



P.S. – Para os apreciadores dos anúncios da EVAX e que ainda estão ansiosos por saber o que tem ela tem na mala (cliquem na foto):






realizado por Rita às 00:54
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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Abrazos Rotos, Los
Adam
Adeus, Dragon Inn
Ae Fond Kiss
Affaire Farewell, L’
Afterschool
Agents Secrets
Agony and the Ecstasy of Phil Spector, The
Ágora
After.Life
Alatriste
Albert Nobbs
Alex
Alexander
Alfie
Alice In Wonderland
All The Invisible Children
Amants Réguliers, Les
American, The
American Gangster
American Splendor
Amor Idiota
Amours Imaginaires, Les
An Education
An Obsession
Ana Y Los Otros
Anche Libero Va Bene
Angel-A
Anges Exterminateurs, Les
Answer Man, The
Anthony Zimmer
Antichrist
Apocalypto
Approaching Union Square
Après Vous...
Arnacoeur, L’
Arsène Lupin
Artist, The
Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
Astronaut Farmer, The
Asylum
Atonement
Ausentes
Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec, Les
Aviator, The
Away We Go
Azuloscurocasinegro

B
Baader-Meinhof Komplex, Der
Babel
Babies
Backstage
Ballad of Jack and Rose, The
Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
Battle in Seattle
Be Kind Rewind
Bee Movie
Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
World Trade Center
Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
X-Men: First Class
X-Men Origins: Wolverine

Y
Yo Soy La Juani
Young Adult
Youth in Revolt
Youth Without Youth

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Festivais e Prémios
- FANTASPORTO
- FESTROIA
- INDIE LISBOA
- FESTIVAL DE CINEMA GAY E LÉSBICO DE LISBOA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS DE VILA DO CONDE
- DOCLISBOA
- CINANIMA
- CineECO
- FamaFEST
- FICA
- FESTIVAL DE CINEMA LUSO-BRASILEIRO DE SANTA MARIA DA FEIRA
- fest | FESTIVAL DE CINEMA E VÍDEO JOVEM DE ESPINHO
- CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS
- FESTIVAL DE CANNES
- LES CÉSAR DU CINEMA
- PREMIOS GOYA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DONOSTIA - SAN SEBASTIAN
- LA BIENNALE DI VENEZIA
- FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL FILM - LOCARNO
- INTERNATIONALE FILMSPIELE BERLIN<
- BAFTA
- LONDON FILM FESTIVAL
- EDINBURGH INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- OSCAR
- SUNDANCE FILM FESTIVAL
- GOLDEN GLOBES
- NEW YORK FILM FESTIVAL
- SAN FRANCISCO FILM FESTIVAL
- TORONTO INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- MONTRÉAL WORLD FILM FESTIVAL
- ROTTERDAM INTERNATIONAL FILM FESTIVAL