CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Terça-feira, 31 de Maio de 2005
Crimen Ferpecto ***

Realização: Álex de la Iglesia. Elenco: Guillermo Toledo, Mónica Cervera, Luis Varela, Fernando Tejero, Kira Miró, Enrique Villén, Javier Gutiérrez. Nacionalidade: Espanha / Itália, 2004.





Antes de mais convém referir que “Crimen Ferpecto” não se trata de um erro ortográfico. Numa alusão deturpada ao filme de Hitchcock “Dial M for Murder” (1954) (intitulado “Crimen Perfecto” em Espanha e “Chamada Para A Morte” em Portugal), Álex de la Iglesia faz aqui uma homenagem ao thriller psicológico, desconstruindo-o com mais uma viagem alucinada de personagens levados, por outros, ao extremo da loucura. Pisca também o olho a Goscinny, na expressão ‘Ferpeito!’ usada abundantemente pelo ébrio Obelix em “Asterix - Os Louros de César”.

Rafael (Toledo) é sedutor e ambicioso. Gosta de mulheres bonitas (definitivamente La Palice!), de roupa elegante e de todos os sinais de status social elevado. Trabalha na secção de Senhora de uns grandes armazéns, onde disputa com um colega da secção de Homem, Don Antonio (Varela) a promoção ao posto de director de piso. Após uma acesa e física discussão, Don Antonio morre acidentalmente.


Mas existe uma testemunha: Lourdes (Cervera), uma feia empregada, obcecada por Rafael e que não hesita em chantageá-lo para que seja seu amante, e, mais tarde, seu marido. Rafael, capaz de tudo para conseguir o que quer, é confrontado com uma versão ainda pior de si próprio. Desesperado ao ver o seu mundo sofisticado cair vertiginosamente na vulgaridade que sempre abominou, Rafael traça um plano para se livrar de Lourdes.


Um humor negro impregna esta crítica social à obsessão pela imagem e pelo consumo desenfreado como forma de suprir as necessidades emocionais cada vez mais profundas. De la Iglesia volta a contar com a colaboração de Jorge Guerricaechevarría no argumento, fazendo uso do tom cómico e bizarro que costuma caracterizar as suas obras (“Perdita Durango” – 1997, “La Comunidad” – 2000), para mostrar a podridão que muitas vezes se esconde atrás das belas aparências.


O cenário de “Crimen Ferpecto” foram uns armazéns de Sevilha, que tinham fechado dois anos antes. As lojas são, por excelência, onde se vende e se compra essa aparência, e onde a perfeição tem muito pouco a ver com a realidade. E é inevitável reportamo-nos ao maravilhoso mundo do El Corte Inglés, com as suas semanas fantásticas que duram 15 dias. A televisão, na sua gula pela privacidade, também não é esquecida.


A opção de De la Iglesia pelo pormenor do fantasma de Don Antonio surge sem grande sentido, ainda para mais se acrescentarmos o facto de os seus conselhos serem dirigidos a um suposto inimigo. Existem também incongruências na fase final do filme, além da poética moralidade, que são consideravelmente difíceis de engolir e nos deixam desconsolados face à premissa original.


Apesar de tudo, vale a pena pelas soberbas interpretações de Toledo e Cervera. E pela visão mordaz sobre o elemento de “consumismo” que existe nos relacionamentos.






CITAÇÕES:


“Me considero un tipo atractivo, con clase. Mi máxima ambición es disfrutar de una vida acorde con mis gustos. Prefiero MORIR a conformarme con una existencia mediocre. Sé la casa que quiero, sé el coche que quiero, incluso podría decirles dónde está y lo que cuesta. No tener nada es mejor que estar rodeado de objetos vulgares. Soy una persona elegante que sólo pretende vivir en un mundo elegante. ¿Es eso pedir demasiado?”
GUILLERMO TOLEDO (Rafael)


“Me gustan los personajes envidiosos, codiciosos. La gente que parece buena, pero no lo es. Los que hacen una putada y les sale mal. El miserable encantador, el perdedor divertido. Como Pierre Nodoyuna, el piloto que siempre llegaba el último en los dibujos animados de 'Los Autos Locos'. Les tengo cariño. No puedo evitarlo. Entiendo sus frustraciones. Comparto su empeño por cambiar las cosas. Quisiera que, aunque sólo fuera por una vez, se saliesen con la suya... Pero me divierten más sus repetidos fracasos. Nada sale bien porque es imposible que la realidad se acomode a nuestros deseos. Nada es perfecto y el que así lo cree, miente.”
ÁLEX DE LA IGLESIA





realizado por Rita às 08:20
link do post | comentar

Segunda-feira, 23 de Maio de 2005
CANNES 2005 - PALMARÉS


PALMA DE OURO
L’ENFANT de Jean-Pierre e Luc Dardenne

GRANDE PRÉMIO DO JÚRI
BROKEN FLOWERS de Jim Jarmusch

MELHOR ACTRIZ
HANNA LASLO em FREE ZONE de Amos Gitai

MELHOR ACTOR
TOMMY LEE JONES em THE THREE BURIALS OF MELQUIADES ESTRADA de Tommy Lee Jones

MELHOR REALIZADOR
MICHAEL HANEKE por CACHÉ

MELHOR ARGUMENTO
GUILLERMO ARRIAGA por THE THREE BURIALS OF MELQUIADES ESTRADA de Tommy Lee Jones

PRÉMIO DO JÚRI
SHANGHAI DREAMS de Wang Xiaoshua

PALMA DE OURO DE CURTA-METRAGEM
PODOROZHNI de Strembitskyy

MENÇÃO ESPECIAL
CLARA de Van Sowerwine

PRÉMIO UN CERTAIN REGARD
MOARTEA DOMNULUI LAZARESCU de Cristi Puiu

PRÉMIO DA INTIMIDADE
LE FILMEUR de Alain Cavalier

PRÉMIO REVELAÇÃO
DELWENDE de S. Pierre Yameogo

CAMÉRA D’OR - EX-AEQUO
SULANGA ENU PINISA - A TERRA ABANDONADA de Vimukthi Jayasundara
ME AND YOU AND EVERYONE WE KNOW de Miranda July

PRÉMIOS CINÉFONDATION

1º PRÉMIO: BUY IT NOW de Antonio Campos

2º PRÉMIO: VDVOYOM de Nikolay Khomeriki e BIKUR HOLIM de Maya Dreifuss

3º PRÉMIO: LA PLAINE de Roland Edzard e BE QUIET de Sameh Zoabi


por Sérgio




realizado por Rita às 12:32
link do post | comentar

Quarta-feira, 18 de Maio de 2005
A Love Song for Bobby Long ****

Realização: Shainee Gabel. Elenco: John Travolta, Scarlett Johansson, Gabriel Macht, Deborah Kara Unger, Dane Rhodes, David Jensen, Clayne Crawford, Sonny Shroyer. Nacionalidade: EUA, 2004.





Ao saber da morte de Lorraine, a sua mãe ausente, Pursy Will (Johansson) deixa a sua existência vazia na Flórida para assistir ao funeral em New Orleans. Mas chega tarde demais. E a casa que pensava que Lorraine lhe tinha deixado apenas a ela, está ocupada por dois alcoólicos: Bobby Long (Travolta), um ex-professor de literatura inglesa de 49 anos e Lawson Pines (Macht), um aspirante a escritor.


No impulso dos seus 18 anos, Pursy decide ficar. E a relação entre eles, que começa conflituosa e cheia de tensões, rapidamente se torna de respeito mútuo e inter-ajuda. Pursy deixa-se convencer a regressar ao liceu e, de uma forma estranha, todos acabam por recuperar, em cada um dos outros, as pessoas que perderam no seu passado.


A revolta de Pursy contra o abandono de Lorraine, cuja vida atribulada de cantora envolveu drogas e demasiados homens, contrasta com o amor sentido por todos aqueles que a conheceram de perto. Pursy descobre que as memórias que inventou para si própria, acerca da sua infância e da sua mãe têm um fundo de verdade. Mas só no final Pursy assume a sua curiosidade sobre ela, na ânsia de se definir a ela própria.


O filme centra-se nas relações, frágeis pelos segredos que as mantêm, mas que também ameaçam destruí-las. Todos estão a fugir de uma vida e à procura de outra, partilhando o medo da perda e da solidão. Refugiado no álcool, na guitarra e nas citações literárias, Bobby pressiona Lawson para escrever a sua biografia e vive através dele, como um pai parasita, os sonhos que ele já deixou de guardar para si mesmo.


A representação de Travolta é impressionantemente bela, num dos seus melhores trabalhos de sempre. E conta com o forte apoio de uma Johansson aguerrida e o mais profunda possível dado o papel pouco espesso e um Macht sensível e seguro na insegurança de Lawson.


Infelizmente, a realizadora/argumentista Shainee Gabel baralha-se entre o que deve mostrar e o que deve esconder. As revelações não nos surpreendem, e os supostos “golpes” na história são bastante previsíveis. Felizmente, há momentos perfeitos, onde o ambiente, o tempo e o espaço se conjugam de uma forma irrepreensível. Entre uns e outros, e ao contrário de um bom jazz, o ritmo estende-se por demasiado tempo.


“A Love Song for Bobby Long”, baseado no livro de Ronald Everett Capps “Off Magazine Street”, precisava, e merecia, um toque mais desesperado na demanda de um sentido para a vida. Mas apesar das suas falhas, e dos constantes avisos acerca do tempo em New Orleans, nada nos consegue afastar da mística da cultura cajun e de toda a inebriante musicalidade daquela cidade de cores quentes.






CITAÇÕES:


“Winter never feels truly at home in New Orleans. An unwelcomed visitor that shows up long enough to remind us of what we're missing, then leaves us just in time for us to forget again.”
GABRIEL MACHT (Lawson Pines)


“Happiness makes up in height for what it lacks in length.”
ROBERT FROST (1874-1963)


“He can make a lovely corpse!”
CHARLES DICKENS (1812-70)


“We cannot tear out a single page of our lives, but we can throw the whole book in the fire.”
GEORGE SAND (1804-76)


“We die only once, and for such a long time.”
MOLIÈRE (1622-73)


“Friend, my enemy, I call you out. You, you, you there with a bad thorn in your side. You there, my friend, with a winning air. Who pawned the lie on me when he looked brassly at my shyest secret. With my whole heart under your hammer. That though I loved him for his faults as much as for his good. My friend were an enemy upon stilts with his head in a cunning cloud.”
DYLAN THOMAS (1914-53)





realizado por Rita às 08:23
link do post | comentar

Terça-feira, 17 de Maio de 2005
A Home at the End of the World ***

Realização: Michael Mayer. Elenco: Colin Farrell, Dallas Roberts, Robin Wright Penn, Sissy Spacek, Matt Frewer, Erik Smith, Harris Allan, Andrew Chalmers, Ryan Donowho. Nacionalidade: EUA, 2004.





Depois do sucesso de “The Hours” (Pulitzer Prize em 1999 e passado ao cinema em 2002 por Stephen Daldry), Michael Cunningham vê mais um livro seu adaptado ao cinema. Desta feita, o seu primeiro romance “A Home at the End of the World” (1990).


1967. Bobby (Andrew Chalmers) tem nove anos. A sua estranha infância é marcada pela adoração que tem pelo irmão mais velho, Carlton (Donowho), um jovem hippie que lhe oferece a sua primeira trip. Dele, Bobby aprende que o mundo é um bom sítio cheio de coisas belas, onde não há nada a temer. Depois, imprevisivelmente como a vida, Carlton morre num acidente surreal.


Sete anos mais tarde, no liceu, Bobby (Erik Smith) conhece Jonathan (Harris Allan), um jovem inseguro e solitário, com quem constrói uma amizade misturada com as primeiras experiências sexuais. Já sem mãe e após a morte do pai, Bobby é “adoptado” e “adopta” a família de Jonathan: Alice (Sissy Spacek) e Ned (Matt Frewer).

Até aqui este filme é perfeito: no guarda-roupa, nos cenários de uma Cleveland suburbana, nas representações, e em especial a cena em que Spacek partilha um charro com Bobby e com o filho, e dançam ao som de Laura Nyro.


O interessante em Bobby é a sua falta de culpa ou vergonha, a sua extrema sinceridade, a sua abertura e confiança no próximo e o seu profundo medo de sair de perto das pessoas que ama. Um amor que ele vive generosamente, sem complexos, sem receios e sem perguntas.


Quando os Glover se mudam para o Arizona, Bobby (Colin Farrell) vai ter com Jonathan (Dallas Roberts) a Nova Iorque, onde conhece a sua companheira de apartamento, Clare (Robin Wright Penn). Apesar dos amantes masculinos, Jonathan está a pensar ter um filho com Clare, mas Bobby e Clare apaixonam-se, quebrando o frágil equilíbrio entre Jonathan e Clare, mas também entre Jonathan e Bobby.


O conceito “convencional” de família, já deturpado na sua juventude, é agora sujeito a uma nova versão, com a gravidez de Clare, e um dia-a-dia partilhado a três. Mas existe um peso de inevitabilidade, com cada um deles, a dado momento, sentindo-se a mais. E é o longo arrastar desta expectativa adulterada que torna o filme menos bom, apesar do sólido elenco.


No meio da dança de pessoas que aparecem e desaparecem, pais e filhos, amigos e amantes, juntos pela memória e pelos afectos, há uma vida agri-doce que continua. E, se não por mais nada, este filme vale pela celebração do “big, beautiful, noisy world and everything that can happen”.






CITAÇÕES:


“You are a strange and mysterious creature.”
ROBIN WRIGHT PENN (Clare)


“ROBIN WRIGHT PENN (Clare) - Is there anything you can't do?
COLIN FARRELL (Bobby) - I can't be alone.”


GONNA TAKE A MIRACLE
(de Teddy Randazzo, Lou Stallman e Bobby Weinstein;
interpretada por Laura Nyro & LaBelle)


Loving you so
I was too blind to see you
letting me go
But now that you've set me free
It's gonna take a miracle
Yes, it's gonna take a miracle
To make me love someone new
Cause I'm crazy for you

Oh oh, didn't you know
It wouldn't be so easy
lettin' you go
I could have told you
that it's gonna take a miracle
oh-uh Yes, it's gonna take a miracle
To make me love someone new
Cause I'm crazy for you

Oh, tho' I know I can't forget? about you
or come so? will show you how much
You're turning me around, destroying me
I'll never be the same anymore

You must realize
You took your love and left me
Quite by surprise
You can be sure that now it's gonna take a miracle
Yes, it's gonna take a miracle
To make me love someone new
Cause I'm crazy for you





realizado por Rita às 07:25
link do post | comentar | ver comentários (1)

Segunda-feira, 16 de Maio de 2005
In Good Company ***

Realização: Paul Weitz. Elenco: Dennis Quaid, Topher Grace, Scarlett Johansson, Marg Helgenberger, David Paymer, Clark Gregg, Philip Baker Hall, Selma Blair, Frankie Faison, Ty Burrell, Malcolm McDowell. Nacionalidade: EUA, 2004.





Dan Foreman (Quaid) é o chefe de vendas de publicidade numa revista desportiva. Pai de duas adolescentes e prestes a ter mais um filho, vê a sua vida profissional abalada pela compra da sua empresa e pela entrega do seu posto de trabalho a um homem com metade da sua idade, Carter Duryea (Grace). Carter é um yuppie ambicioso, a quem Dan inveja a juventude e o poder. Por outro lado, Carter, recentemente divorciado e visivelmente sem amigos, inveja a vida familiar de Dan. A atracção entre Carter e a filha de Dan, Alex (Johansson), acaba por funcionar como reflexo disso mesmo.


Do realizador, que conjuntamente com o seu irmão Chris, fez “American Pie” (1999) e “About a Boy” (2002), chega-nos um filme com uma premissa no mínimo irreal: uma cultura empresarial que tenta ser má, e falha. A sátira que poderia ser interessante é frustrada com cenas inverosímeis, como a do confronto de Dan com Teddy K. (McDowell), o “big boss”. Como num conto de fadas, aqui os reveses são oportunidades para crescimento e a virtude é recompensada.


A desculpa que consigo encontrar para Weitz é a sua paixão por personagens, evidente nos outros filmes e também neste. Weitz recusa-se a colocar qualquer um deles como vilão, com a empatia necessária para que a sua relação pai-filho (nunca dita, mas óbvia) seja credível. Dennis Quaid é charmoso, sem esforço, tal como Topher Grace, com uma veia cómica inquestionável mas sem o instinto assassino que o transformaria num necessário antagonista. E apesar de valer sempre a pena ver o calmo fascínio de Scarlett Johansson, a relação de Carter e Alex acrescenta muito pouco à história.


Sem querer sacrificar as suas personagens aos conflitos de filosofias de negócio e de personalidades, Weitz centrou-se no choque de gerações: o mais jovem querendo desesperadamente deixar a sua marca, e o mais velho acreditando que a sua marca já deveria ser evidente. Ao tentar ganhar a conta de um grande cliente, Dan usa a sua experiência; a mesma que falta a Carter para conseguir lidar com o seu repentino sucesso.


Um filme de Domingo, visto num Sábado. E que é pouco mais do que isso.





realizado por Rita às 21:11
link do post | comentar

Terça-feira, 10 de Maio de 2005
The Jacket ***

Realização: John Maybury. Elenco: Adrien Brody, Keira Knightley, Kris Kristofferson, Jennifer Jason Leigh, Daniel Craig, Kelly Lynch, Brad Renfro, Steven Mackintosh, Laura Marano, Jake Broder, Jonah Lotan. Nacionalidade: EUA / Reino Unido / Alemanha, 2005.





Jack Starks (Adrien Brody) é soldado na Guerra do Golfo em 1991. Jack tenta acalmar uma criança confusa, mas no minuto seguinte é alvejado na cabeça por essa mesma criança. Esta ferida quase mortal, envia-o para casa, com problemas de memória.


Passado um ano, Jack vagueia pelas estradas nevadas do Vermont, onde ajuda uma mulher completamente embriagada (Kelly Lynch) e a sua filha, Jackie (Laura Marano), com o carro empanado. Depois de arranjar o carro e oferecer as suas chapas de identificação a Jackie, com quem estabelece uma ligação instantânea, apanha boleia de um outro condutor. Uns quilómetros mais à frente, Jack dá por si envolvido numa altercação que resulta na morte de um polícia.


Acusado do crime, e sem memória dele, Jack é condenado a uma instituição psicológica para criminosos. Um médico experimentalista, Thomas Becker (Kris Kristofferson), enche-o de drogas, enfia-o num colete-de-forças e fecha-o, por longos períodos de tempo, dentro de uma gaveta de morgue, como parte de um tratamento que visa terminar com os seus instintos agressivos.


Dentro dessa gaveta, Jack vê imagens do seu passado na guerra e numa dessas viagens conhece Jackie (Keira Knightley), uma jovem dos seus 20 e poucos anos. Descobre depois que está em 2007, que esta Jackie é precisamente a mesma criança que ele conheceu quase 15 anos antes e que ele próprio morreu pouco tempo depois de ter dado entrada na instituição. Perante a sua incredulidade, Jack tenta convencer Jackie de quem ele é e conseguir a sua ajuda para descobrir como é que morreu.


De início, ficamos tentados a acreditar que o salto de Jack no futuro, poderá mudar o passado, mas os acontecimentos que ocorrem em 2007 parecem já carregar com eles os efeitos da sua viagem no tempo. Ou seja, o futuro já contempla a viagem ao futuro feita 15 anos antes, o que coloca, em todas as suas acções do passado, uma inevitabilidade que acaba por não ser concretizada. E é aí que este filme falha.


À interessante dicotomia entre passado e presente, abordada no clássico “Regresso ao Futuro” (1985); de Robert Zemeckis e, mais recentemente, no “Butterfly Effect” (2004), de Eric Bress e J.Mackye Gruber, fica a faltar a coerência. As mesmas acções no passado dão origem a diferentes desfechos futuros. Ficamos sem perceber porque é que Jack, que em 1992 esteve na gaveta e viu o seu futuro (onde morreu), agiu de forma diferente do que faz desta vez: em 1992 vendo o seu futuro.


A interpretação de Brody, ainda que não soberba, é sólida. Knightley faz um bom acompanhamento, à excepção dos momentos iniciais em que arrasta os copos pelos lábios de uma forma excessiva e despropositada. Como secundários são de destacar: Jason Leigh (que nunca é demais) como Dr.ª Lorenson, uma psiquiatra do hospital que tenta ajudar Jack, mas que infelizmente protagoniza um sub-plot supérfluo; Kris Kristofferson, no papel de cientista louco, reforçado pelos close-ups de Peter Deming na sua expressiva cara enrugada; e Daniel Craig, como Rudy Mackenzie, um doente institucionalizado que teria merecido mais atenção.


Também a Deming se deve a impressionante sensação claustrofóbica do colete-de-forças e da gaveta da morgue. E a montagem de Emma E. Hickox acrescenta o adjectivo arrepiante ao terror psicológico. Pena é que ao denso argumento tenha também faltado espaço para respirar.






CITAÇÕES:


“I was 27 years old the first time I died.”
ADRIEN BRODY (Jack Starks)


“When you're dead, the one thing you want is to come back.”
ADRIEN BRODY (Jack Starks)


“What's wrong, Doctor, you look like you've seen a ghost...”
ADRIEN BRODY (Jack Starks)





realizado por Rita às 08:19
link do post | comentar

Segunda-feira, 9 de Maio de 2005
Der Untergang - A Queda ****

Realização: Oliver Hirschbiegel. Elenco: Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, Corinna Harfouch, Ulrich Matthes, Juliane Köhler, Heino Ferch, Christian Berkel, Matthias Habich, Thomas Kretschmann, Michael Mendl, André Hennicke, Ulrich Noethen. Nacionalidade: Alemanha / Itália / Áustria, 2004.





Ontem, dia 8 de Maio, foi o 60º aniversário da capitulação alemã no final da II Guerra Mundial. Por pura coincidência, ontem fui ver o último filme de Oliver Hirschbiegel, “Der Untergang”. Com “Das Experiment” (2001), o seu anterior filme a passar por cá (demasiado subtilmente), este partilha não só uma poderosa história de ambiente claustrofóbico, mas também uma profunda mestria na direcção de actores.


Numa noite de Novembro de 1942, um grupo de mulheres é conduzido por oficiais das SS. Elas são candidatas a secretária pessoal do Führer (Bruno Ganz). A escolhida é Traudl Junge (Alexandra Maria Lara), uma jovem de 22 anos de Munique.


Num salto para 1945, e durante 12 dias (que equivalem aos 12 anos de Hitler no poder) vemos um Hitler megalómano, possuído pelos seus desejos alucinantes de poder, cego à realidade que o cerca, com a mania da perseguição, e gradualmente cedendo aos sinais da doença de Parkinson. Um líder manobrando tropas que não existem, tentando derrubar num mapa os russos que cercam Berlim, e culpando o povo alemão da sua própria derrota.


Vemos também um Hitler preocupado com o bem-estar das mulheres do bunker da chancelaria, onde se protegem os seus conselheiros mais próximos. Terno para com o seu pastor alemão, perdido na solidão do seu poder, capaz de um beijo apaixonado a uma Eva Braun incandescente. Um homem que, até ao final dos seus dias (e para além deles), cativou de uma forma hipnótica uma nação e liderou uma limpeza étnica que, de bom grado, teria alargado ao mundo inteiro.


Do ponto de vista histórico este filme é incompleto, parcial e redutor. Mas, curiosamente, do ponto de vista histórico é também, possivelmente, um dos mais fiéis retratos da insanidade de um homem: Bruno Ganz no papel de Hitler é impressionantemente frágil e detestável, conseguindo nublar as excelentes interpretações do restante elenco.


Contra muitas vozes, o que indigna neste filme não é que a imagem de Hitler seja suavizada. Não é possível que alguém saia de “Der Untergang” com pena dele, e é ainda menos possível esquecer as consequências cruéis das suas ordens, apesar do filme praticamente não as mencionar. Porque esse “ódio” está já tão instituído na sociedade, que a própria Alemanha esteve até hoje de cabeça baixa perante a sua história. Mas a nação que não escravizou, que não matou por terras, por poder, por dinheiro, que atire a primeira pedra.


Até agora, a memória (e o cinema como parte dela) deu-nos um demónio, a quem era fácil culpar. O que nos incomoda e assusta neste filme, é que se trata apenas de um homem, um de nós. Em circunstâncias históricas idênticas, com o inebriante odor do poder, com a admiração de milhares e milhares de pessoas, talvez não seja assim tão complicado fazer um “monstro” do mais comum. E a semente existe. A falta de tolerância, de respeito, de humanidade estão mesmo aqui ao lado, e por vezes, mesmo aqui dentro.


“Der Untergang” tem como base os livros “Der Untergang. Hitler und das Ende des Dritten Reiches” (A Queda. Hitler e o Fim do III Reich), da autoria do historiador Joachim Fest, e “Bis zur letzten Stunde” (Até à Última Hora) de Traudl Junge. E, mais do que um filme, é um documento. Sobre uma Alemanha que se deixou enganar por uma meia dúzia de frases apelativas, sobre pessoas militarizadas que se desresponsabilizavam dos seus próprios actos, sobre o lado mais escuro da alma humana. A perversão do nazismo assume a sua forma mais dolorosa na cena em que Magda Goebbels (Corinna Harfouch) envenena os seus filhos, porque “num mundo onde não existe o nacional-socialismo não vale a pena viver”.


No final, temos a própria Traudl Junge que, admitindo ter sido uma “entusiasta nazi”, refere que a ignorância não pode ser usada como desculpa na cumplicidade (activa ou tácita) nos horrores que tiveram lugar. Junge olha para o seu passado com raiva e incredulidade e tenta, de alguma forma, perdoar-se a si mesma. Tal como a própria Alemanha, que vive até hoje com uma culpa que não é sua. Uma lição para um mundo que, todos os dias, é culpado de inúmeros crimes contra si próprio.






CITAÇÕES:


“Numa guerra como esta não há civis.”
BRUNO GANZ (Adolf Hitler)





realizado por Rita às 07:28
link do post | comentar

Segunda-feira, 2 de Maio de 2005
IndieLISBOA - O Final



Foi este o resultado de 10 agitados dias. E, como tradição, consegui não ver nenhum dos filmes premiados...



GRANDE PRÉMIO DE LONGA-METRAGEM
“The forest for the trees”, de MAREN ADE – Alemanha (2004)

GRANDE PRÉMIO DE CURTA-METRAGEM SAGRES PRETA
“Undressing my mother”, de KEN WARDROP – Irlanda (2003)

PRÉMIO TÓBIS PARA O MELHOR FILME PORTUGUÊS
“Adriana”, de MARGARIDA GIL – Portugal (2004)

PRÉMIO DE MELHOR FOTOGRAFIA PARA FILME PORTUGUÊS FUJIFILM-AIP CINEMA
“Um Homem”, de LAURENT SIMÕES – Portugal (2005)

PRÉMIOS 2: ONDA CURTA
“Phantom Limb”, de JAY ROSENBLATT – EUA (2005)
“Fare bene mikles”, de CHRISTIAN ANGELI – Itália (2004)
“Undressing my mother”, de KEN WARDROP – Irlanda (2003)
MENÇÃO HONROSA
“Compassos de espera”, de PEDRO PAIVA – Portugal (2004)

PRÉMIO AMNISTIA INTERNACIONAL
“North Korea, A Day in the Life”, de PIETER FLEURY – Holanda (2004)

PRÉMIO JAMESON DO PÚBLICO MELHOR LONGA METRAGEM
“Private”, de SEVERIO CONSTANZO – Itália (2004)

PRÉMIO JAMESON DO PÚBLICO MELHOR CURTA METRAGEM
“Home Game”, de MARTIN LUND – Noruega (2004)

PRÉMIO INDIEJUNIOR
“Flatlife”, de JONAS GEIRNAERT – Bélgica (2004)


Para o ano há mais.

 



realizado por Rita às 08:32
link do post | comentar

Parapalos **1/2

Realização: Ana Poliak. Elenco: Adrián Suárez, Nancy Torres, Roque Chappay, José Luis Seytón Guzmán, Armando Quiroga, Dorian Waldemar. Nacionalidade: Argentina / Bélgica, 2004.



Para mim, a segunda edição do IndieLISBOA terminou com um filme aborrecido, vencedor do prémio do júri no Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires.


Um jovem do interior da Argentina Adrián (Suarez) tenta a sua sorte na cidade de Buenos Aires. Muda-se para o apartamento da sua prima Nancy (Torres) e arranja trabalho a substituir os pinos de bowling (“parapalos”) num salão que ainda usa o sistema manual. Os primos partilham a mesma cama e a mesma casa, mas apenas se cruzam pelas manhãs, quando Nancy está prestes a sair e Adrián está a chegar do seu trabalho.


Tentando evitar ser atingido, Adrián repõe os pinos nos seus lugares e devolve as bolas para que rapidamente os clientes possam voltar a jogar. Este é um trabalho que depende de reflexos rápidos e olhos atentos às bolas errantes. E apesar da profissão estar perto de se extinguir com o aparecimento dos sistemas automáticos, Adrián aplica-se com dedicação.


No meio de todos esses movimentos, e do som do jogo, desenrolam-se diálogos, por detrás do muro de madeira que os separa e protege. A curiosidade de Adrián por tudo o que não conhece leva-o a escutar quase faminto as histórias (e as filosofias) dos seus companheiros de trabalho: El Turco, Nippur, Quiroga e Daniel.


Entre a ficção e o documentário, “Parapalos” é, ao mesmo tempo, uma homenagem a uma profissão extinta, e um retrato do ritmo da vida de trabalho, as suas rotinas, os seus escapes (através de fotos, recortes de jornal, ou um álbum de Marilyn Monroe), e as relações fortes que se estabelecem com os fios frágeis do quotidiano.


Tudo isto é feito de uma forma contemplativa e minimalista, de uma lentidão exasperante. O filme resume-se a Adrián no trabalho e Adrián em casa. Salva-o o humor de Nippur, entre o hippy e o heavy metal, e que cola retratos de Andy Warhol, Janis Joplin e Shakespeare na parede.


Este é um filme poético. Mas falta-lhe o ritmo para que se torne uma canção.




CITAÇÕES:


“Todo lo que tengo en la vida es prestado menos mi libertad.”
Nippur





realizado por Rita às 01:49
link do post | comentar

Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
Artigos recentes

Dos vícios antigos se faz...

Dos vícios antigos se faz...

Reavivar com música XIV

Reavivar com música XIII

Reavivar com música XII

Dos vícios antigos se faz...

Porque a cultura nunca fe...

E dia 30, no Porto, tudo ...

Reavivar com música XI

Reavivar com música X


NOTÍCIAS

OPINIÕES

Filmes
#
$9.99
(500) Days of Summer
12:08 A Este de Bucareste
127 Hours
13 (Tzameti)
1408
16 Blocks
2 Days in Paris
2046
21
21 Grams
25 Watts
3... Extremos
300
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
4ème Morceau de la Femme Coupée en Trois, Le
50/50
5x2
9 Songs

A
À l’Origine
À Tout de Suite
Aaltra
Abrazos Rotos, Los
Adam
Adeus, Dragon Inn
Ae Fond Kiss
Affaire Farewell, L’
Afterschool
Agents Secrets
Agony and the Ecstasy of Phil Spector, The
Ágora
After.Life
Alatriste
Albert Nobbs
Alex
Alexander
Alfie
Alice In Wonderland
All The Invisible Children
Amants Réguliers, Les
American, The
American Gangster
American Splendor
Amor Idiota
Amours Imaginaires, Les
An Education
An Obsession
Ana Y Los Otros
Anche Libero Va Bene
Angel-A
Anges Exterminateurs, Les
Answer Man, The
Anthony Zimmer
Antichrist
Apocalypto
Approaching Union Square
Après Vous...
Arnacoeur, L’
Arsène Lupin
Artist, The
Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
Astronaut Farmer, The
Asylum
Atonement
Ausentes
Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec, Les
Aviator, The
Away We Go
Azuloscurocasinegro

B
Baader-Meinhof Komplex, Der
Babel
Babies
Backstage
Ballad of Jack and Rose, The
Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
Battle in Seattle
Be Kind Rewind
Bee Movie
Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
World Trade Center
Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
X-Men: First Class
X-Men Origins: Wolverine

Y
Yo Soy La Juani
Young Adult
Youth in Revolt
Youth Without Youth

Z
Zack And Miri Make A Porno

Zodiac
Arquivo

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Outubro 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Festivais e Prémios
- FANTASPORTO
- FESTROIA
- INDIE LISBOA
- FESTIVAL DE CINEMA GAY E LÉSBICO DE LISBOA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS DE VILA DO CONDE
- DOCLISBOA
- CINANIMA
- CineECO
- FamaFEST
- FICA
- FESTIVAL DE CINEMA LUSO-BRASILEIRO DE SANTA MARIA DA FEIRA
- fest | FESTIVAL DE CINEMA E VÍDEO JOVEM DE ESPINHO
- CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS
- FESTIVAL DE CANNES
- LES CÉSAR DU CINEMA
- PREMIOS GOYA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DONOSTIA - SAN SEBASTIAN
- LA BIENNALE DI VENEZIA
- FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL FILM - LOCARNO
- INTERNATIONALE FILMSPIELE BERLIN<
- BAFTA
- LONDON FILM FESTIVAL
- EDINBURGH INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- OSCAR
- SUNDANCE FILM FESTIVAL
- GOLDEN GLOBES
- NEW YORK FILM FESTIVAL
- SAN FRANCISCO FILM FESTIVAL
- TORONTO INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- MONTRÉAL WORLD FILM FESTIVAL
- ROTTERDAM INTERNATIONAL FILM FESTIVAL