CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Sexta-feira, 29 de Abril de 2005
Thumbsucker ****

Realização: Mike Mills. Elenco: Lou Taylor Pucci, Tilda Swinton, Vincent D'Onofrio, Kelli Garner, Keanu Reeves, Vince Vaughn, Benjamin Bratt, Chase Offerle. Nacionalidade: EUA, 2005.





A adaptação do livro ‘Thumbsucker’ de Walter Kim é a estreia na realização de Mike Mills, realizador de vídeos musicais e anúncios, e da mesma escola de Spike Jonze e Sofia Coppola. A ver por este exemplo, o seu potencial não ficará atrás.


Justin Cobb (Pucci), 17 anos é um adolescente deslocado (como todos) que apenas encontra conforto para as grandes inseguranças e ansiedades da sua vida no seu polegar, chupando-o em busca de conforto e concentração. Hábito que o pai dele, a quem Justin trata pelo seu nome próprio Mike (D'Onofrio), encara com relutância (pela vergonha e pelas contas do dentista). A mãe, Audrey (Swinton, também produtora), adopta uma atitude mais compreensiva.


Mas enquanto Justin luta por definir a sua identidade, um e outro têm as suas próprias questões para combater. Mike vive com o desapontamento de uma carreira desportiva perdida, uma frustração que se manifesta nas suas fracas capacidades de comunicação e em cada conversa falhada com o filho. Audrey, em pleno desmoronamento, está obcecada com a estrela de cinema Matt Schramm (Bratt), e aproveita o seu trabalho de enfermeira para se aproximar de Schramm numa clínica de desintoxicação.


Uma abordagem curiosa deste argumento, também de Mills, é que a angústia não é aqui monopólio dos adolescentes. Ser pai também não é fácil e as respostas não estão escritas em nenhum manual.


Além dos seus pais, uma série de adultos bem-intencionados tenta ajudá-lo a superar este comportamento “infantil”: desde o seu dentista ‘new-age’ e pseudo-psicólogo (Reeves) hipnotiza-o ao director do grupo de debate (Vaughn), que sugere o uso de Ritalin, a droga que as escolas americanas promovem para combater o Défice de Atenção e Hiperactividade. E até a estrela Matt Schramm lhe ensina inesperadamente umas quantas verdades. A medicação surte efeito: Justin excede todas as expectativas. A medicação reduz o gesto automático de chupar no dedo, mas começa igualmente a alterar a sua personalidade.


Começam então as experiências com drogas e com o sexo. Mas nenhuma delas lhe dá a sensação de preenchimento que ele acha que devia sentir. É finalmente o seu irmão mais novo, Joel (Offerle), que acaba por confrontá-lo com a realidade e o ajuda a perceber que todos têm as suas ansiedades e falhas e, em última instância, é isso que torna as pessoas interessantes. Chupar no dedo torna-se uma metáfora do que nos faz diferentes, e que isso não é necessariamente mau.


“Thumbsucker” não é um filme sobre como as pessoas se relacionam umas com as outras, mas como se relacionam entre si. É um filme cheio de angústia, melancólico, introspectivo, mas imensamente divertido e inteligente. Realista na fragilidade das relações, mostra o adolescente como um ser humano racional, e não uma caricatura.


A representação de Pucci (que debutou em “Personal Velocity” (2002), de Rebecca Miller) é de extrema naturalidade e credibilidade, o que lhe valeu um prémio em Sundance. A manter debaixo de olho. De salientar igualmente Vincent D’Onofrio (que tive o prazer de ver recentemente em “Dangerous Lives of Altar Boys” (2002), de Peter Care, que não chegou a passar pelos cartazes portugueses) é exímio na sua contenção. E, para cúmulo, até Bratt e Reeves têm participações interessantes.


“Thumbsucker” é um filme sólido, que faz lembrar um pouco “Igby Goes Down” (2002), de Burr Steers, onde as situações exageradas nunca deixam de ser credíveis. No entanto, apesar de falar deles, os espectadores deste filme não serão maioritariamente adolescentes e os que o forem ver terão, certamente, uma surpresa.


Todos buscamos forma de lidar com as tensões e ansiedades. E possivelmente, muitos do problemas de Justin terminariam se ele apenas aceitasse o seu impulso em vez de o combater. Por vezes queremos tanto explicar a razão por que somos (sentimos) diferentes, que chegamos a acreditar que há algo de errado em nós. Mas o caminho mais simples talvez seja apenas aceitar a nossa humanidade.






CITAÇÕES:


“Club sandwiches not seals”
T-shirt de Rebecca (KELLI GARNER)


“When I call him Dad, he feels old. When I call her Mum he feels she is old.”
LOU TAYLOR PUCCI (Justin Cobb)


“It’s good to feel needed.”
TILDA SWINTON (Audrey Cobb)


“We’re all addicted to something... even if it is only an image of ourselves.”
TILDA SWINTON (Audrey Cobb)


“You ever stop to think you're so busy being weird that I have to step up and be normal?”
CHASE OFFERLE (Joel)





realizado por Rita às 18:40
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Aaltra ****

Realização: Benoît Delépine, Gustave de Kervern. Elenco: Benoît Delépine, Gustave de Kervern, Isabelle Delépine, Aki Kaurismäki. Nacionalidade: Bélgica, 2003.





“Aaltra” é um road-movie em cadeira de rodas. Mas esta é uma questão de somenos importância, por isso é melhor tirá-la já do caminho. Que essa não seja a razão para se ver este filme. Mas sim porque se trata de facto de uma obra divertida, original e irreverente.


Ben (Delépine), um homem de negócios que vive numa pequena aldeia belga enquanto teletrabalha, partilha com o seu vizinho Gus (Kervern), um agricultor, um estimado e profundo ódio acompanhado de desprezo, como só quem convive de perto pode sentir. Em resultado de uma agressão, que culmina num acidente com uma máquina debulhadora, ambos perdem o uso das pernas, vendo-se confinados a duas cadeiras de rodas.


A ideia de suicídio ou autocomiseração nem sequer é aflorada. E qualquer sentimentalismo ou pena é rapidamente posto de lado, quando eles se metem à estrada: um com a clara ideia de processar a empresa finlandesa Aaltra que fabricou a máquina; e o outro movido pela sua única paixão, agora platónica, o motocross.


Como em todos os road-movies, a relação de ambos evolui durante a viagem, transformando a sua frustração e sede de desresponsabilização em amizade. Mas a forma como estas duas criaturas frias e calculistas exploram tudo e todos os que se cruzam com eles, é, no mínimo, refrescante.


Porque mais importante do que mostrar que eles são deficientes, é mostrar que eles são pessoas, o que implica que têm igual capacidade para serem cruéis e horríveis. Eles aproveitam-se da boa índole de quem os decide ajudar, agridem quem não lhes dá esmola, esvaziam o frigorífico das almas caridosas, roubam uma cadeira eléctrica a um casal de idosos. Tudo sem uma palavra de agradecimento. São rudes, grosseiros e execráveis e, por isso mesmo, encantadores.


Os co-argumentistas, realizadores e protagonistas Benoît Delépine e Gustave de Kervern são a essência desta comédia física e deliciosamente mordaz. O seu sentido de humor é negro, acutilante e inteligente, usado com mestria e comedimento ao longo de todo o filme.


Filmado a preto e branco, “Aaltra” tem uma clara inspiração no realizador Aki Kaurismäki, que abrilhantou o filme com um cameo como patrão da empresa finlandesa.


A recusa por parte dos autores do politicamente correcto (que ironicamente acaba por ser o mais correcto possível) é propositada e claramente política. Não fosse o filme dedicado a Albert Libertad (1875-1908), um militante anarquista individualista francês, também ele deficiente físico, e que levava seus debates às últimas consequências, usando as suas muletas como armas.






CITAÇÕES:


“São pessoas como vocês que dão mau nome às pessoas em cadeiras de rodas!”
JOSEPH DAHAN (motard)





realizado por Rita às 08:08
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2005
Ae Fond Kiss ***

Realização: Ken Loach. Elenco: Atta Yaqub, Eva Birthistle, Shamshad Akhtar, Ahmad Riaz, Shabana Bakhsh, Ghizala Avan, Pasha Bocarie, Gerard Kelly. Nacionalidade: Reino Unido / Bélgica / Alemanha / Itália / Espanha, 2004.





Após uma juventude em Glasgow os três filhos da família Khan estão a tornar-se cada vez menos paquistaneses. Rukhsana (Avan), a mais velha, está feliz com o casamento organizado pelos seus pais; Sadia (Akhtar), a mais nova, tenta cuidadosamente romper os laços familiares para poder ir para a Universidade longe de casa. No meio está Casim (Yaqub), que quer que todos estejam felizes. O problema surge quando ele se apaixona por Roisin (Birthistle), uma professora de música, irlandesa e católica, incomodada pelas exigências da honra/tradição familiar de Casim (prometido casar com a sua prima), até ela ser também alvo das exigências da sua própria cultura.


Abrindo o filme com um discurso sobre como a diversidade da cultura muçulmana é ignorada pelo ocidente, Loach concentra-se no poder destrutivo de um amor proibido, uma espécie de ‘Romeu e Julieta’. O cliché da história é atenuado com uma mistura de realidade, mas o seu efeito é de menor impacto.


O mérito de Loach está em conseguir, de uma forma equilibrada e sensível, abordar não só a tirania da cultura muçulmana, as suas expectativas e estereótipos, mas também a pressão religiosa vivida no Reino Unido, patente na exigência feita pela escola de Roisin de um “certificado de aptidão” passado pelo padre da paróquia.


A combinação Ken Loach e dramas pessoais confrontados com questões sociais, é uma aposta segura, mas pouco mais do que isso. As personagens estão bem trabalhadas e os actores (um ilustre leque de quase desconhecidos) cumprem bem o seu trabalho, entre o cómico e o sensível, entre o revoltado e o perdido. Sadia, a mais jovem, numa mistura de optimismo, desafio e humildade, oferece a esperança de reconciliação entre as duas gerações.


Mas este tema do choque cultural não é novo e já foi tratado com mais originalidade e certamente humor em filmes como “East is East” (1999), de Damien O’Donnell.


Inspirado pelo poema ‘Ae Fond Kiss’ do escocês Robert Burns, o filme de Ken Loach acaba por nos dizer que o amor, seja ele de que tipo for, é egoísta, porque apenas se preocupa com ele mesmo. Mas ainda que pareça ser ele a mandar, as escolhas são nossas. Assim como as consequências.






CITAÇÕES:


“It's easy for you. You've got nothing to lose.”
ATTA YAQUB (Casim Khan)


“Did you think you could get into bed with any Tom, Dick or Mohammed and then go off and teach Catholic children. The faith of our fathers is not for the faint-hearted.”
GERARD KELLY (Padre da Paqóquia)



AE FOND KISS... (1791)
de Robert Burns (1759-1796)


Ae fond kiss, and then we sever;
Ae fareweel, alas, for ever!
Deep in heart-wrung tears I'll pledge thee,
Warring sighs and groans I'll wage thee.
Who shall say that Fortune grieves him,
While the star of hope she leaves him?
Me, nae cheerful twinkle lights me;
Dark despair around benights me.

I'll ne'er blame my partial fancy,
Naething could resist my Nancy:
But to see her was to love her;
Love but her, and love for ever.
Had we never lov'd sae kindly,
Had we never lov'd sae blindly,
Never met or never parted,
We had ne'er been broken-hearted.

Fare-thee-weel, thou first and fairest!
Fare-thee-weel, thou best and dearest!
Thine be ilka joy and treasure,
Peace, Enjoyment, Love and Pleasure!
Ae fond kiss, and then we sever!
Ae fareweel, alas, for ever!
Deep in heart-wrung tears I'll pledge thee,
Warring sighs and groans I'll wage thee.




realizado por Rita às 23:07
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The World ****

Realização: Jia Zhang-ke. Elenco: Tao Zhao, Taisheng Chen, Jue Jing, Zhongwei Jiang, Yiqun Wang, Hongwei Wang, Jingtong Liang, Wan Xiang, Juan Liu. Nacionalidade: China / Japão / França, 2004.





“The World” cruza diversas existências que têm como ponto de ligação um parque temático em Pequim/Beijing, o World Park, retratando várias cidades mundiais reduzidas à escala. Os cenários vão desde uma esplanada na Torre Eiffel, ao Taj Mahal e às pirâmides do Egipto, passando pela Praça de São Pedro em Roma ou a Torre de Pisa, e até Manhattan ainda com as suas torres gémeas.


O World Park destina-se sobretudo aos turistas chineses, que assim podem visitar o mundo sem terem que sair de casa. Neste microcosmos habita um casal de namorados, Tao (Tao Zhao) e Taisheng (Taisheng Chen), ela bailarina e ele segurança. O romance atribulado e desapaixonado deles é a força dramática da história. Tao ama Taisheng, mas o facto de ela recusar uma entrega física leva-o a procurar algo mais. Pelo seu lado, Tao deseja uma vida melhor, apesar de mal conseguir conjecturar o que seria viver fora daquele mundo manufacturado.

Esta narrativa cruza-se depois com outras histórias: um grupo de bailarinas colegas de Tao que vem da Rússia e donde se destaca Anna; vizinhos da cidade natal de Taisheng que vêm em busca de trabalho; Qun (Yiqun Wang), uma mulher casada com quem Taisheng se cruza no seu part-time como moço de recados para um criminoso local; a relação problemática de Xiaowei (Jue Jing) e Niu (Zhongwei Jiang). Mas, como o mundo gira, também “The World” acaba sempre por voltar à história de Tao e Taisheng.


Vivendo confinadas ao seu “mundo”, todas estas são personagens à deriva, deslocadas dentro de si próprias e com os seus companheiros. Mas paira no ar a vontade e, ao mesmo tempo, a incapacidade de sair dele: Anna que pretende ir ter com a sua irmã a Ulan Bator, e Qun que quer ir ter com o seu marido a França. Apesar de nenhum deles ter nunca saído da China (o único viajante, que surge no início do filme, é o ex-namorado de Tao), o mundo onde eles vivem, comem, dormem, é completamente estrangeiro. Rodeados pelo resto do mundo no meio da sua terra, quase parece que não fazem parte de sítio algum. Estão desligados da sua cultura, mas são incapazes de se ligarem a qualquer das culturas existentes à sua volta.


Este filme acaba por ser uma metáfora sobre a angústia e confusão da juventude chinesa, um tratado subtilmente irónico sobre a alienação numa China actual, crescendo rapidamente e tentando tornar-se um dos jogadores principais do mercado. Como resultado existe uma certa perda de identidade, das tradições, do valor humano e das relações. Uma sociedade onde a principal comunicação é feita por mensagens. Apenas Tao rompe com esta norma, estabelecendo uma relação honesta com Anna. E apesar de não falarem a mesma língua, conseguem entender-se e partilhar pedaços da vida uma da outra.


Apesar dos seus 133 minutos, este filme agarra-nos até ao final. Para muito contribui a introdução de animação nos momentos em que os personagens trocam mensagens entre telemóveis. A opção de Jia Zhang-ke é uma solução engenhosa e muito bem conseguida.


Este mundo simulado (com o paralelismo da reprodução da roupa ocidental) promete aos seus visitantes ser “um mundo novo cada dia”, mas Jia Zhang-ke evoca momentos redundantes que nos mostram que todos os dias são mais ou menos iguais para as pessoas que o habitam.


Ele próprio parece hipnotizado pela própria metáfora, perdendo-se por vezes em longos planos deste mundo em miniatura, como um turista. E mesmo quando espreita a cidade lá fora, volta a correr para o mundo construído. Mas Jia Zhang-ke aborda todo o tema com muita subtileza (talvez por isso este tenha sido o seu primeiro filme a não ser banido na China), o que permite que esta história continue a crescer já depois de ter terminado.


E fica um pensamento final: é só quando conseguimos derrubar a barreira imposta pelos nossos mundos individuais, e confiamos nos conceitos básicos e comuns da humanidade, que conseguimos de facto comunicar.





realizado por Rita às 08:39
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2005
The Girl From Monday ***

Realização: Hal Hartley. Elenco: Bill Sage, Sabrina Lloyd, Tatiana Abracos, Leo Fitzpatrick, D.J. Mendel, James Urbaniak, Juliana Francis, James Stanley, Paul Urbanski. Nacionalidade: EUA, 2005.





“The Girl From Monday” é passado num futuro próximo, após a Grande Revolução que colocou a empresa Triple M (Multi-Media Monopoly) no poder, graças ao trabalho de uma agência de publicidade. As pessoas são bens. Cada um pode fazer um seguro da sua atracção sexual (um engate falhado pode levar às mesmas consequências que um choque na estrada), e o seu valor no mercado aumenta cada vez que fazem sexo. O sexo por prazer ou por amor é considerado reaccionário, assim como todas as acções que visam o bem-estar individual. Os que o fazem, os rebeldes, são pessoas sem crédito e com pouca capacidade de compra. O objectivo é contribuir para a sociedade de consumo e o lema a “ditadura do consumidor”. O cúmulo é promover a comercialização das operações ao coração (associadas a doenças e a idades avançadas) para quem as desejar fazer, sem serem necessárias razões médicas, tal como a cirurgia estética.


Neste mundo cai uma mulher sem nome (a modelo brasileira Tatiana Abracos), vinda da estrela 147X na constelação Monday, onde os seres fazem todos parte de um colectivo, não têm nomes, nem corpos, nem identidades. Ela é encontrada numa forma humana por Jack Bell (Bill Sage), que trabalha na agência de manhã mas à noite lidera secretamente um grupo contra-revolucionário. Os extraterrestres são comummente chamados de “imigrantes” e, ao contrário dos humanos não têm o código de barras que os identifica e lhes permite comprar. “A rapariga de Monday” procura um companheiro, que veio para a Terra anos atrás mas que não conseguiu regressar, fechado no seu corpo humano e ligado à terra pelo amor à raça humana.


Sendo uma sátira à sociedade actual, este filme não adopta esse tom. Não é pretensioso na sua abordagem e deixa ao espectador a liberdade de tirar as suas próprias conclusões. Filmado em vídeo digital, muda frequentemente para o preto e branco e a manipulação das imagens dá-nos uma percepção etérea da história e errática dos personagens. Mas Hartley cometeu o erro de abusar da técnica para prejuízo da história, que, em dado momento começa, a parecer um mostruário de tudo o que o digital permite fazer.


A ideia de sociedade fortemente consumista também não é efectivamente revolucionária, apesar de apresentar alguns pormenores interessantes. Mas a falha está na pouca substância dos personagens, e até os rebeldes parecem demasiado frios para quem faz as coisas por prazer.


Quem conhece Hartley, não ficará surpreendido. Quem não o conhece, tem, através desta parábola de ficção científica, uma forma agradável de entrar em contacto com o seu mundo de alienação.



P.S. – É curioso como os extraterrestres escolhem sempre corpos de modelos para assumir a forma humana. Nunca se parecem com o merceeiro da esquina ou com o senhor do talho. Talvez a distribuição das Maxmen e das GQ seja especialmente eficaz no espaço sideral...

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CITAÇÕES:


“Let's have sex and increase our buying power.”





realizado por Rita às 09:03
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A Maleita Tropical




Depois de horas de gestão de agenda, cortar de um lado, colar do outro, libertar dias, sair mais cedo do trabalho, eis-me confortavelmente instalada para ver o filme “Private”, de Severio Costanzo na sala 1 do King. Mas as más notícias chegam depressa: a empresa de logística TNT trocou as bobines e em vez do “Private” veio o “Tropical Malady”, do tailandês Apichatpong Weerasethakul (com um nome destes eu devia ter desconfiado, tenho que mandar afinar o alarme...).


Foram-nos apresentadas as alternativas: reembolso ou arriscar no “Tropical Malady” (curiosamente um dos poucos filmes que não fez parte de nenhuma das versões da minha agenda, e pelo qual eu não tinha qualquer interesse). A sala quase cheia reduziu-se a um terço de imediato. Outro terço foi desaparecendo ao longo do filme. A razão que me levou a ficar foi o pragmatismo de ter de fazer tempo para a sessão seguinte. Adicionalmente, o meu companheiro de visionamento observou, paulocoelhisticamente, que deveria haver algum sentido para tudo aquilo. Ainda estou à espera que ele me explique qual!!! Para mais quando foi dos que saiu a meio da primeira parte!!! Mal eu sabia que quando brinquei acerca do instante de cançonetismo pimba ser o ponto alto do filme, estava de facto a falar a verdade.


Foi já com o estado de espírito de cliente mal-servido que vi o “Tropical Malady”, por isso peço o devido desconto às palavras quentes que se seguem. O que dizer desta “Maleita Tropical”? Em poucas palavras é um monte de símbolos (perceptíveis eventualmente para quem disponha do dicionário adequado), amalgamados numa história sem sentido, dividida incompreensivelmente em duas partes que nada têm a ver uma com a outra: uma paixão ridícula entre dois homens e uma perseguição a um shaman no meio de uma floresta, que tem tanto suspense como um ovo cozido (e com estes ainda podemos ter surpresas).


Em suma: uma interminável agonia (para meu azar este é dos filmes mais longos do festival!), no final da qual eu só clamava por que me dessem um tiro. Não é só o “Mar Adentro” e o “Million Dollar Baby” que abordam a temática da eutanásia. Com “Tropical Malady” terminei implorando-a!





realizado por Rita às 00:29
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Terça-feira, 26 de Abril de 2005
À Tout de Suite **

Realização: Benoît Jacquot. Elenco: Isild Le Besco, Ouassini Embarek, Nicolas Duvauchelle, Laurence Cordier, Fotoni Kodoukaki. Nacionalidade: França, 2004.





Baseada em acontecimentos reais vividos por Elisabeth Fanger em 1975, “À Tout de Suite” conta a história de uma jovem parisiense de 19 anos (Isild Le Besco), uma liberal estudante de arte que se apaixona por um assaltante de bancos. O mau desfecho de um assalto põe-no em fuga, e ela decide acompanhá-lo através de Espanha, Marrocos e Grécia, até que um acto de traição a deixa sozinha para enfrentar o mundo.


Esta é uma obra estilizada, carregada de algo que se propõe ser erotismo. Mas nem a personagem de Isild Le Besco é sensual (apenas parece desesperada), nem o excesso de cenas de nu é justificado do ponto de vista da narrativa. Por outro lado, a personagem de Ouassini Embarek é tão pouca carismática que aquela atracção toda se torna questionável.


Poderíamos pensar que os seus comportamentos rebeldes teriam como efeito a revolta contra a família burguesa, mas ela raramente os confronta com os seus “pequenos crimes”. Além disso, como viagem de descoberta pessoal este relato deixa também muito a desejar, pois ficamos sem perceber quer as suas motivações quer as suas percepções.


A fotografia granulada e a preto e branco de Caroline Champetier, lembrando a Nouvelle Vague resulta bem e a composição com as imagens de arquivo acaba por ser o ponto mais interessante desta obra.


Mas Benoît Jacquot deixa demasiadas coisas por explicar: porque dorme a sua amiga lá em casa todas as noites?, porque é que a mãe é um personagem ausente?, qual o problema da relação com a irmã? São tudo lacunas que nos impedem de entender a personagem de Isild Le Besco. A partir de um momento deixamos sequer de tentar e é aí que este filme se torna verdadeiramente cansativo (suponho que também não ajudou ser a minha terceira sessão do dia).


E assistimos a tudo sem nos comovermos com a possível beleza ou tragédia desta versão pobre de “Bonnie and Clyde”. Era-me já indiferente se ela voltava ou não para casa, e uma parte de mim começou a desejar sinceramente que fossem apanhados pela polícia numa cena com muitos tiros.





realizado por Rita às 08:24
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Segunda-feira, 25 de Abril de 2005
Ana Y Los Otros ***

Realização: Celina Murga. Elenco: Camila Toker, Ignacio Uslenghi, Natacha Massera, Juan Cruz Díaz La Barba. Nacionalidade: Argentina, 2003.





Com 25 anos e após vários anos a viver em Buenos Aires, Ana (Camila Toker) regressa à sua cidade natal, Paraná (cidade natal da realizadora Celina Murga). Ao chegar, começa a dar-se conta que pouco resta já do seu passado, além de alguns amigos. Uma reunião de turma reflecte o pouco em comum que ela tem com a maioria dos seus companheiros de escola. Mas há um em especial que não lhe sai da cabeça, Mariano, um antigo namorado que se encontra a trabalhar na cidade de Vitória.


“Ana Y Los Otros” é um retrato íntimo de uma mulher que procura as suas memórias, lugares e pessoas da sua juventude, em especial um amor que deixou para trás. Apresentando perguntas (mais do que respostas) sobre o seu passado, Ana tenta também entender o que deverá ser o seu futuro.


Fala da procura do amor, da sua desconstrução, da forma inocente de o ver, e da forma de o ver através da experiência dos erros. Da relação com o passado (insinua-se que ambos os pais de Ana morreram), do regresso ao lugar primordial e às pessoas, onde nem um nem outro permanecem os mesmos. Não é só o tempo que marca as suas diferenças (nela e nos outros), mas também o espaço se torna irreconhecível, nas ruas onde Ana se perde.


“Ana Y Los Otros” faz lembrar o cinema de Rohmer, com situações quotidianas de grande diálogos sobre a visão do mundo, como é o caso da conversa com Daniel, um antigo colega, que se zangou com Mariano por também ele gostar de Ana. Os perigos de esperarmos demasiado tempo para dizermos o que devíamos.


Mas se na primeira parte a procura de Ana é feita com displicência, quase como se não importasse, na segunda parte, já em Vitória, a curiosidade materializa-se. Para isso vem ajudar Matías (Juan Cruz Díaz La Barba), um rapaz com quem Ana estabelece uma curiosa relação enquanto espera que Mariano chegue a casa. Também o rapaz está apaixonado, por uma rapariga de quem desconhece o nome mas a quem chama Jose. Da mesma forma que a ele lhe falta coragem de enfrentar a rapariga (a cena em que Ana e Matías treinam o diálogo que ele deveria utilizar como abordagem é hilariante), também Ana se esconde de Mariano quando ele chega à cidade. Ana tenta, curiosamente, ensinar aquilo que a ela também lhe custa praticar, romper a incerteza e passar do sentimento à acção.


Camila Toker (como alter-ego de Celina Murga) carrega este filme às costas, mas ele não lhe parece pesado, tal é a leveza e naturalidade com que se movimenta nesta personagem calma e misteriosa. O carácter auto-biográfico desta história é reforçado pelo facto de quem faz de Mariano ser, com efeito o namorado da realizadora, Juan Villegas, realizador de “Sábado” (2001). Mas mais do que contar uma história, Murga prefere entrar nos medos da sua personagem, e mais do que procurar resolvê-los ela mostra as possibilidades que se abrem com cada decisão.





realizado por Rita às 12:10
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To Take A Wife **

Realização: Ronit e Shlomi Elkabetz. Elenco: Ronit Elkabetz, Simon Abkarian, Gilbert Melki, Sulika Kadosh, Dalia Malka Beger, Kobi Regev, Omer Moshkovitz, Yam Eitan. Nacionalidade: Israel / França, 2004.





Haifa. 1979. Depois de mais uma discussão, os sete irmãos de Viviane (Ronit Elkabetz) insistem para que ela se reconcilie com o marido, Eliyahu (Simon Abkarian). Afinal de contas, ele não lhe bate, dá-lhe o dinheiro que ganha e até sabe cozinhar. Viviane decide ficar, mas a sua face de profundo sofrimento permanece também. O aparecimento de um antigo amante, Albert (Gilbert Melki) lembra a Viviane os sonhos que ela deixou para trás por um compromisso que lhe parece vazio.


Este é um retrato claustrofóbico de um casamento onde o amor é o menor denominador comum. A união, fragilmente colada pela convenção social e pelo hábito, de duas pessoas que apenas partilham um background cultural e quatro filhos,.


Ao longo de três dias de preparação para o Shabbat, acompanhamos a espiral de desintegração desta família, marcada pelos frios diálogos de confronto entre Viviane e Eliyahu. Ela, emocionalmente desequilibrada, e num constante sofrimento pela ausência do amor que ambicionava. Ele, dedicado ao seu compromisso religioso semanal, onde tem o poder que lhe falta nos restantes campos da sua vida, inclusive em casa, onde se sente impotente para contrariar o constante papel de vítima de Viviane.


Os filhos são quase adereços, usados como armas, arremessados para um e outro lado como bolas de ténis, continuamente testados no amor que sentem por um e outro progenitor. Perdidos, silenciosos, chorosos, revoltados, tentando entender que forma estranha de amor é aquela que os rodeia. De vez em quando, existe um carinho, que soa apenas a uma afago na consciência dos seus pais. Mais do que indivíduos eles parecem ser apenas uma forma de provar que pelo menos algo de bom resultou daquela união.


E assim parece ter sido, porque este é um trabalho de amor. A aclamada actriz israelita Ronit Elkabetz (“Or (Mon Trésor)”, de Keren Yedaya, 2004) tem aqui a sua estreia na realização, acompanhada do irmão Shlomi Elkabetz numa história auto-biográfica que relata a união dos seus pais (Ronit Elkabetz desempenhando o papel da sua mãe).


“To Take A Wife” lembra um pouco “Tarnation”, de Jonathan Caoutte (2003). Mas ao contrário do primeiro, onde ao espectador é permitido entender a mãe e o filho, e por isso, todo o amor que os une, neste filme, entre tanto extremismo, resta pouca compaixão para com estes dois personagens e mais facilmente se entenderia a revolta dos filhos que este resultado.


Mas talvez também aqui as convenções tenham tido o seu papel. O distanciamento dos realizadores deveria ter sido maior, porque os olhos do amor não vêem exactamente o mesmo filme que os dos espectadores.





realizado por Rita às 10:18
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2005
Born Into Brothels ****

T.O.: Born Into Brothels: Calcutta's Red Light Kids. Realização: Zana Briski e Ross Kauffman. Género: Documentário. Nacionalidade: Índia / EUA, 2004.





Em 1997, a fotógrafa de origem britânica Zana Briski aventurou-se no bairro Sonagachi de Calcutá, conhecido pela sua prostituição. O seu objectivo era conhecer algumas das mulheres que aí trabalhavam e fotografá-las. No entanto, deu-se conta de que sendo uma estranha nunca conseguiria o seu propósito. Por isso, decidiu mudar-se para lá.


Como inesperada consequência, Briski acabou por formar fortes laços com as crianças do bairro, muitas delas não desejadas ou amadas. Na tentativa de as salvar da sua própria vida, a Tia Zana, como lhe chamam, decidiu ensinar-lhes fotografia e, entre a pobreza e o trabalho das suas mães (e, para as raparigas, a inevitabilidade de um mesmo futuro), as crianças responderam de uma forma voraz e, em alguns casos, esta experiência mudou radicalmente as suas vidas.


Não satisfeita com o despertar da criatividade inata destas crianças, Briski tenta inscrevê-las em escolas privadas e enfrenta pacientemente a burocracia indiana para conseguir certidões de nascimento, senhas de racionamento e os comprovativos dos testes de HIV negativos. As mães resistem, porque não querem perder outra fonte de rendimento e são poucas as crianças que permanecem hoje em escolas privadas.

Mas Briski, cujo amor e compaixão são contagiosos, mantém ainda hoje a sua ajuda, através da fundação Kids With Cameras.


Este filme, vencedor do Oscar® na categoria de documentário na edição de 2004, acompanha as experiências de sete crianças dos 10 aos 14 anos, a sua curiosidade, o seu talento e a sua energia. Mas também o desespero que as cerca. No entanto, “Born Into Brothels” não se perde em excessos de sentimentalismo ou manipulação: a realidade faz o que tem a fazer, para o bem e para o mal.


Mas, em última análise, “Born Into Brothels” é um testemunho do poder transformador da arte. Treinando a sua visão através da lente da câmara, as crianças aprendem a ver o seu mundo de forma diferente e a sonhar com outras possibilidades. Mas Briski e Kauffman não se intimidam em mostrar realisticamente os obstáculos que existem. E o bilhete de saída parece estar disponível apenas para poucos.


Apesar do foco serem as fotografias das crianças (tiradas em casa, na rua, no zoo, à beira mar), “Born Into Brothels” aborda também o tema das classes sociais na Índia (onde estas crianças são “intocáveis” devido às suas mães). Mas o que fica deste filme, é, sobretudo, uma mensagem de esperança e de como a determinação e o empenho de uma pessoa podem fazer toda a diferença.






CITAÇÕES:


“I used to want to be a doctor. Then I wanted to be an artist. Now I want to be a photographer...”
AVIJIT


“I want to show in pictures how people live in this city. I want to put across the behavior of man.”
GOUR


“I feel shy taking pictures outside. People taunt us. They say, 'Where did they bring those cameras from?'”
KOCHI


“We went to the beach to take pictures. I had never seen the ocean before. I was amazed!”
MANIK


“One day I opened the camera and the whole roll got burned, so I don't do it anymore.”
PUJA


“Zana Auntie teaches us so well that everything goes into our brain. We like doing photography so much that we forget to do our work!”
SHANTI


“When I have a camera in my hands I feel happy. I feel like I am learning something... I can be someone.”
SUCHITRA


“When we first got to use the camera, it felt so good. Before we never had a chance... we'd watch other people doing it and wish we had a camera too.”
TAPASI





realizado por Rita às 08:48
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2005
XII Caminhos do Cinema Português - vencedores

Chegou ao fim o festival de cinema nacional Caminhos do Cinema Português. Depois de 9 dias e após 120 filmes, foram estes os premiados:



PRÉMIOS JÚRI OFICIAL
Longa Metragem (Película): “Noite Escura” de João Canijo
Menção Honrosa - Longa Metragem (Película): “Costa dos Murmúrios” de Margarida Cardoso
Curta Metragem (Película): “Pastoral” de José Barahona
Menção Honrosa - Curta Metragem (Película): “Perto” de Pedro Pinho
Curta Metragem (Vídeo): “Apneia” de Fernando Amaral
Documentário Vídeo: “Se Podes Olhar Vê. Se podes Ver Repara” de Rui Simões
Menção Honrosa - Documentário Vídeo: “A Utopia do Padre Himalaya” de Jorge António
Animação Vídeo: “Sem Respirar” de Pedro Brito
Documentário Categoria TV: “Marrabentando, ou as Histórias que a minha Guitarra Canta” de Karen Boswall
Prémio Revelação – Anna de Palma por “Sem Ela”

PRÉMIOS DE IMPRENSA
Prémio de Imprensa: “Noite Escura” de João Canijo
Menção Honrosa: “A Dama da Lapa” de Joana Toste

PRÉMIO D. QUIJOTE – Júri da Federação Internacional de Cineclubes
“O Outro Lado do Arco-Íris” de Gonçalo Galvão Teles

PRÉMIO DO PÚBLICO
Melhor Filme (Película) – Prémio REN: “Kiss Me” de António da Cunha Telles
Melhor Filme (Vídeo): “Moli” de Ricardo Blanco
Melhor Filme (TV): “Marrabentando, ou as Histórias que a minha Guitarra Canta” de Karen Boswall

PRÉMIO ARDENTER IMAGINE
António da Cunha Telles

 



realizado por Rita às 10:31
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Terça-feira, 19 de Abril de 2005
The Interpreter ***

Realização: Sydney Pollack. Elenco: Nicole Kidman, Sean Penn, Catherine Keener, Jesper Christensen, Yvan Attal, Earl Cameron, George Harris, Michael Wright, Hugo Speer, Maz Jobrani, Yusuf Gatewood, Curtiss I'Cook, Byron Utley. Nacionalidade: EUA, 2005.





Silvia Broome (Kidman) nasceu em África e é intérprete nas Nações Unidas, em Nova Iorque. Uma noite, inadvertidamente, ouve uma ameaça de morte referente ao chefe de estado de um país africano, prestes a ser acusado no Tribunal Internacional de Justiça, e que deverá fazer um comunicado na Assembleia Geral dentro de poucos dias. Tobin Keller (Penn) é o agente federal encarregue de investigar a ameaça e também quem a reportou. Silvia transforma-se, ao mesmo tempo, num alvo para os assassinos e numa suspeita para a equipa que a investiga.


Pollack compensa o país fictício, Matobo, com a credibilidade conseguida pelo uso, pela primeira vez na história do cinema, das instalações reais da ONU. Este thriller, não faz uso de grandes efeitos, utilizando antes os vastos átrios, corredores estreitos, cabinas à prova de som e salas de conferência como cenário para a intriga internacional, ameaças terroristas, quebras de segurança, diplomacia selvagem e dúbias manobras políticas. Credível é também a história e a sua evolução. E é inevitável pensar no Zimbabwe de Robert Mugabe.


Silvia (em perigo, mas regida por fortes valores morais) e Tobin (obcecado pelo controlo, mas prestes a explodir) encontram-se separados por um rio de desconfianças. Mas o facto de ambos se preencherem no trabalho e ambos terem sofrido perdas pessoais devastadoras acaba por aproximá-los.


Não é positivo que se notem as mais de duas horas que este filme demora, sendo “demora” a palavra chave. “A Intérprete” é um filme lento que trava quando deveria acelerar e se arrasta quando devia correr. E nem o salva o naipe de actores.


Kidman, como a heroína tipo “lugar errado na hora errada e que sabe demais”, com um ridículo sotaque tentado, comprova sobretudo que sabe chorar. Tanto ela como Penn estão longe dos seus melhores trabalhos. Por um lado, Pollack não dá demasiada força aos personagens para bem do enredo global; por outro, a narrativa é muitas vezes largada para incursões pessoais. No final, nenhuma das duas abordagens acaba por ter a atenção necessária.


A tensão deste filme resume-se à cena inicial (mesmo assim, menos chocante do que seria pretendido) e à cena do autocarro que junta investigados e investigadores.


Como ponto positivo está a bela fotografia do iraniano Darious Knondii (“Delicatessen” (1991), de Jeunet e Caro; “The Ninth Gate” (1999), de Roman Polanski; “Se7en” (1995) e “Panic Room” (2002), de David Fincher).


No global, o mérito deste filme, e daí a terceira estrela, é de, por uma vez, mostrar a paciência e o perdão como actos heróicos. De associar os acontecimentos políticos a um contexto de comportamento moral. De nos fazer ver como, apesar dos diversos reveses e algumas merecidas referências a hipocrisia, o objectivo da ONU continua a ser louvável, ao relegar a violência para último recurso face aos tiranos locais e ao terrorismo global. A vingança é a opção mais fácil e mundo actual é, infelizmente, preguiçoso.






CITAÇÕES:


“Vengeance is a lazy form of grief.”
NICOLE KIDMAN (Silvia Broome)





realizado por Rita às 09:02
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2005
The Woodsman ****

Realização: Nicole Kassell. Elenco: Kevin Bacon, Kyra Sedgwick, Eve, Mos Def, David Alan Grier, Benjamin Bratt, Kevin Rice, Hannah Pilkes. Nacionalidade: EUA, 2004.





Abordando um dos temas mais polémicos da actualidade – a pedofilia – “O Condenado” (mais um título mal traduzido) é uma jogada arriscada para o seu protagonista, Kevin Bacon. Mas um risco que se converte numa interpretação poderosa de uma história que levanta fortes emoções. Um filme sensível sobre um assunto sensível, que consegue viver de um anti-herói.


Antes de nos confrontar com o escuro passado de Walter (Bacon), Kassel apresenta-nos um homem recém-libertado da prisão, após 12 anos, a quem é dado um trabalho numa serração e colocado num apartamento, que mais tarde percebemos estar ironicamente situado em frente a uma escola. Walter é discreto, um solitário, que frequenta sessões semanais de terapia e tenta lidar com os seus demónios escrevendo os seus pensamentos.


No trabalho, Walter conhece Vickie (Sedgwick, esposa de Bacon) e opta de início por silenciar o seu passado. Mais tarde, ficamos a saber, com ela, a verdade. Mas ao contrário de Vickie, que se afasta, nós estamos impedidos de ser frios no nosso julgamento, porque Kassel já nos ligou, por compaixão, a Walter. Já estamos dentro do seu drama, e começamos a entender a sua enfermidade, ainda que não a aceitemos.


Mas o passado está aí. Olhando pela janela, Walter repara num homem que vagueia no exterior da escola, tentando seduzir jovens rapazes com doces. Ao mesmo tempo, novos crimes, fazem com que um detective local (Mos Def) suspeite de Walter. Por outro lado, há uma parte do seu passado que Walter tenta recuperar: a sua irmã, mãe de uma rapariga de 12 anos, que se recusa a vê-lo. Apenas o seu cunhado (Bratt) lhe faz algumas ocasionais e cautelosas visitas.


A salvação da sua sanidade acaba por ser a relação com Vickie, também ela com um duro passado. Enquanto Walter é um abusador tentando recuperar-se; Vickie pertence aos abusados que se tornaram fortes. Isto permite-lhes encontrar um nível comum de entendimento.


Acossado pelos colegas de trabalho quando descobrem o seu crime, humilhado pelo detective, tratado com paternalismo pelo terapeuta, torturado pelos seus próprios pensamentos, Walter luta pela redenção, por se libertar do estigma social, mas sobretudo dos seus impulsos.


A cena chave do filme é uma conversa entre Walter e uma rapariga de 11 anos, Robin (Pilkes), no banco de um parque quase deserto. A tentação dos velhos hábitos é confrontada com a compreensão da verdadeira natureza da sua condição.


A madeira, o bosque, o casaco vermelho de Robin, são todas claras referências à história do Capuchinho Vermelho: a rapariguinha que é salva quando o lobo mau é morto pelo lenhador - “The Woodsman”.






CITAÇÕES:


“Uncommon beauty is commonly overlooked.”
KEVIN BACON (Walter)





realizado por Rita às 08:48
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Quarta-feira, 13 de Abril de 2005
Spanglish ***

Realização: James L. Brooks. Elenco: Adam Sandler, Téa Leoni, Paz Veja, Cloris Leachman, Shelbie Bruce, Sarah Steele, Ian Hyland. Nacionalidade: EUA, 2004.





“Spanglish” começa com uma carta de candidatura de Cristina (voz de Aimee Garcia) a Princeton, onde apresenta as razões pelas quais a deverão aceitar. E termina com a conclusão dessa grande viagem que é a busca de si própria. Num tom de comédia “Spanglish” trata de um assunto tão importante como é a identidade de um emigrante e da luta entre manter a sua cultura natal ou embrenhar-se o mais possível na cultura adoptiva.


Em flashback, passa-se para a história da sua chegada aos Estados Unidos. Depois de ter sido abandonada pelo seu marido no México, Flor (Vega) decide começar uma nova vida na Califórnia com a sua filha Cristina (Bruce). Vivendo no seio da comunidade hispânica, só passados 5 anos é que Flor sente o choque cultural, ao ir trabalhar para casa dos Clasky.


Apesar das dificuldades de comunicação, Flor não se consegue manter à margem dos problemas desta família disfuncional: John (Sandler), um reputado chef meio perdido e que foge ao sucesso; Deborah (Leoni), de uma bipolaridade assustadora e com quem John não consegue comunicar; Bernice (Steel), a filha adolescente cujo amor-próprio é constantemente ameaçado pelas preocupações maternas pelo seu excesso de peso; Georgie (Hyland), o filho mais novo; e Evelyn (Leachman), a avó alcoólica.


No meio de uma espiral de acontecimentos, Flor assiste à ameaça que começa a pairar sobre a identidade da sua própria filha, ao mesmo tempo que o seu coração é agitado pela imensa sensibilidade de John.


Parece muito? Pois, é mesmo. Este filme conjuga uma série de pequenos dramas pessoais, cada um deles quase digno de uma história individual. James L.Brooks peca aqui por alguma falta de focagem, que teria sido benéfica para uma maior consistência nas transições, por vezes abruptas, de que a narrativa é alvo.


Em compensação, as interpretações estão geniais. Desde Leoni, que num papel difícil e pouco simpático, consegue os extremismos mais hilariantes e doentios; a um Sandler, que continua a dar mostras da suas capacidades dramáticas (não esquecer a sua belíssima interpretação em “Punch Drunk Love” (2002), de Paul Thomas Anderson); passando por uma Leachman em grande forma e pelas jovens Bruce e Steel, realisticamente vulneráveis.


A melhor cena do filme é, inquestionavelmente, a discussão entre John e Flor, em que Cristina (Bruce) faz de tradutora, adoptando todas as expressões e gestos que reforçam os argumentos em defesa dos seus próprios interesses.


Mas a grande estrela deste filme é, sem dúvida, a lindíssima sevilhana Paz Vega, conhecida entre nós por filmes como “Fala Com Ela” (2001), de Pedro Almodóvar; “Lúcia e o Sexo” (2001), de Julio Medem; “O Outro Lado da Cama” (2002), de Emilio Martínez Lázaro; e “Carmen” (2003), de Vicente Aranda. Brooks optou, inteligentemente, pela ausência de legendas, com o intuito de reforçar as complicadas relações inter-culturais. Mas, para Vega, isso exigiu-lhe um esforço interpretativo na expressão da sua confusão, raiva e carinho. Um esforço que compensou e que lhe permitiu, assim, descolar-se (se é que é de todo possível) dos trabalhos sexualmente carregados que tem vindo a fazer.




Uma das deusas do panteão.





Infelizmente, a simpatia que Brooks nos faz criar pela maioria das personagens, contrasta gravemente com o julgamento, a bem de umas gargalhadas fáceis, de um personagem cheio de material dramático como é o de Deborah. “Spanglish” é um filme com um enorme potencial de beleza e riqueza, ao qual parece faltar a afinação necessária. Talvez Brooks se tenha perdido, algures, na tradução.

</p>




CITAÇÕES:


“Lately, dear, your low self-esteem is just good common sense.”
CLORIS LEACHMAN (Evelyn)


“TÉA LEONI (Deborah) - Mother, are you buzzed?
CLORIS LEACHMAN (Evelyn) - No. I quit drinking weeks ago! No one noticed, but I guess that's a pretty good indicator that I conducted myself quite well when I was drunk.” </font>





realizado por Rita às 23:42
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Sábado, 9 de Abril de 2005
Bond, Girl Bond




Gosto muito de James Bond, mesmo dos filmes em que se reconhece pouca originalidade à aventura ou em que temos de aturar 007 na pele do canastrão do Timothy Dalton - e mesmo Roger Moore. Por mim, podíamos ficar com Sean Connery e Pierce Brosnan.


Neste momento, quando ainda não há fumo branco sobre o novo Bond, mantém-se um pesado silêncio sobre as companhias de 007 - as que asseguram o final touch a cada um dos filmes Bond (quem não se lembra de Ursula Andress a sair da água?).


À falta de notícias, contentamo-nos com uma rápida viagem pela internet, onde é possível descobrir tudo sobre elas (há sites que garantem a descrição de cenas, com fotografias a acompanhar, ou que resumem brevemente as personagens). Divertido é poder descobrir "What Kind of Bond Girl Are You?", um inquérito que pode ser respondido também por eles. Com tanta sensualidade em carne viva, a Playboy não podia deixar de se associar a 007 - e às Bond Girls, claro. Não se esperem fotos, num site em que se prova que a revista mais conhecida em todo o mundo também é uma revista (para) intelectual: ilustrações, artigos de famosos. E apenas duas "covers" em 50 anos.

 

 

 

por Miguel





realizado por Rita às 01:22
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2005
Eternal Sunshine of the Spotless Mind *****

Realização: Michel Gondry. Elenco: Jim Carrey, Kate Winslet, Elijah Wood, Mark Ruffalo, Kirsten Dunst, Tom Wilkinson, Jane Adams, David Cross. Nacionalidade: EUA, 2004.





Passado mais de um ano da descoberta desta pedra preciosa do cinema, revi a noite passada “O Despertar da Mente”, com todos os extras a que o DVD nos dá direito. E pareceu-me quase indecente não ter qualquer referência a este filme por aqui.


“O Despertar da Mente” é um filme sobre o amor e sobre a dor, e sobre as loucuras que fazemos para que um permaneça e a outra termine.


Joel (Carrey) fica chocado ao descobrir que a sua namorada Clementine (Winslet) apagou as memórias da sua tumultuosa relação. Desesperado, ele contacta a empresa Lacuna, Inc. e o médico inventor deste processo, o Dr. Howard Mierzwaik (Wilkinson), para que ele elimine todas as suas recordações de Clementine.


Com a viagem pelas usas memórias e o seu progressivo desaparecimento, Joel redescobre todas as razões que o levaram a apaixonar-se por Clementine. À medida que o Dr. Mierzwiak e a sua equipa (Wood, Ruffalo e Dunst) perseguem todos os episódios que deverão ser apagados, Joel tenta, desde a sua mente, salvar Clementine dentro da sua memória.


Construído de uma forma fragmentada, quase delirante, mas de uma coesão praticamente sem falhas, este é, até à data, o melhor argumento de Charlie Kaufman (“Being John Malkovich” (1999), “Adaptation” (2002) e “Confessions of a Dangerous Mind” (2002), os dois primeiros de Spike Jonze e o terceiro de George Clooney), reconhecido com o Oscar para Melhor Argumento Original em 2004.


A realização de Michel Gondry é criativa e ágil, reduzindo a utilização de efeitos especiais, construindo cenários que deturpam as dimensões da realidade, fazendo os actores duplicarem-se numa cena apenas mudando de roupa e fugindo por trás das câmaras. Numa constante batalha entre realidade e memória, a realização de Gondry permite-nos acompanhar a complexidade da história através de uma construção visual de cores e texturas.


O elenco é invejável e as interpretações supremas, com destaque para o par protagonista, ambos fora dos parâmetros a que nos habituaram e, talvez por isso mesmo, ainda mais convincentes.


Ao ver este filme somos arrastados, sem possibilidade de retorquir, para uma vertigem alucinante que nos obriga, em cada momento, a discernir de que lado do cérebro estamos, dentro ou fora. A única dificuldade que não temos é, no final, decidir se este é ou não um dos filmes d’A LISTA.






CITAÇÕES:


“Valentine's Day is a holiday invented by greeting card companies to make people feel like crap.”
JIM CARREY (Joel)


“Drink up, young man. It'll make the whole seduction part less repugnant.”
KATE WINSLET (Clementine)


“KATE WINSLET (Clementine) - You don't tell me things, Joel. I'm an open book. I tell you everything, every damn, embarrassing thing.
JIM CARREY (Joel) - Constantly talking isn't necessarily communicating.”


“Are we like couples you see in restaurants? Are we the dining dead?”
JIM CARREY (Joel)


“JIM CARREY (Joel) - Is there any risk of brain damage?
TOM WILKINSON (Howard) - Well, technically speaking, the operation is brain damage, but on a par with a night of heavy drinking. Nothing you'll miss.”


“Sand is overrated. It's just tiny, little rocks.”
JIM CARREY (Joel)


“Too many guys think I'm a concept or I complete them or I'm going to make them alive, but I'm just a fucked up girl who is looking for my own peace of mind. Don't assign me yours.”
KATE WINSLET (Clementine)


“Blessed are the forgetful: for they get the better even of their blunders.”
FRIEDRICH NIETZSCHE (1844-1900), in Beyond Good and Evil (Jenseits von Gut und Böse, 1886)</font>


“(...) How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd; (...)”
ALEXANDER POPE (1688-1744), in Eloisa to Abelard (1717)





realizado por Rita às 08:57
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Terça-feira, 5 de Abril de 2005
POESIA NO CINEMA

Para os curiosos, fica aqui uma selecção das poesias que marcaram alguns dos filmes por onde passaram, ou então filmes que tiveram o condão de gravar essas poesias na nossa memória.




Satan in his Original Glory: `Thou wast Perfect till Iniquity was Found in Thee'
WILLIAM BLAKE, c.1805




THE FLY (1793)
de William Blake (1757-1827)


Little fly,
Thy summer’s play
My thoughtless hand
Has brushed away.

Am not I
A fly like thee?
Or art not thou
A man like me?

For I dance
And drink and sing,
Till some blind hand
Shall brush my wing.

If thought is life
And strength and breath,
And the want
Of thought is death,

Then am I
A happy fly,
If I live,
Or if I die.

In “Blade Runner” (1982), de Ridley Scott


THE TYGER (1794)
de William Blake (1757-1827)


Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare sieze the fire?

And what shoulder, and what art.
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand? and what dread feet?

What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears,
And watered heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the Lamb make thee?

Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?

In “Blade Runner” (1982), de Ridley Scott In “The Dangerous Lives of Altar Boys” (2002), de Peter Care


TO AN ATHLETE DYING YOUNG
de A. E. Housman (1859-1936)


The time you won your town the race
We chaired you through the market-place;
Man and boy stood cheering by,
And home we brought you shoulder-high.

To-day, the road all runners come,
Shoulder high-high we bring you home,
And set you at your threshold down,
Townsman of a stiller town.

Smart lad, to slip betimes away
From fields where glory does not stay
And early though the laurel grows
It whithers quicker than the rose.

Eyes the shady night has shut
Cannot see the record cut,
And silence sounds no worse than cheers
After earth has stopped the ears:

Now you will not swell the rout
of lads that wore their honours out,
Runners whom renown outran
And the name died before the man.

So set, before its echos fade,
The fleet foot on the sill of shade,
And hold to the low lintel up
The still-defended challenge-cup.

And round that early-laurelled head
Will flock to gaze the strengthless dead,
And find unwithered on its curls
The garland briefer than a girl's.

In “Out of Africa” (1985), de Sydney Pollack


WHEN YOU ARE OLD
de W. B. Yeats (1865-1939)


When you are old and gray and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;

How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true;
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face.

And bending down beside the glowing bars
Murmur, a little sadly, how love fled
And paced upon the mountains overhead
And his his face amid a crowd of stars.

In “Peggy Sue Got Married” (1986), de Francis Ford Coppola


SOMEWHERE I HAVE NEVER TRAVELLED, GLADLY BEYOND
de E. E. Cummings (1894-1962)


somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look will easily unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands

In “Hanna and Her Sisters” (1986), de Woody Allen


BECAUSE I COULD NOT STOP FOR DEATH
de Emily Dickinson (1830-86)


Because I could not stop for Death,
He kindly stopped for me;
The carriage held but just ourselves
And Immortality.

We slowly drove, he knew no haste,
And I had put away
My labour, and my leisure too,
For his civility.

We passed the school where children played,
Their lessons scarcely done;
We passed the fields of gazing grain,
We passed the setting sun.

We paused before a house that seemed
A swelling of the ground;
The roof was scarcely visible,
The cornice but a mound.

Since then 'tis centuries; but each
Feels shorter than the day
I first surmised the horses' heads
Were toward eternity.

In “Crimes and Misdemeanors” (1989), de Woody Allen


O CAPTAIN! MY CAPTAIN!
de Walt Whitman (1819-1892)


O Captain! My Captain! Our fearful trip is done,
The ship has weather'd every rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring;
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! My Captain!
Rise up - for you the flag is flung - for you the bugle trills,
For you bouquets and ribbon'd wreaths - for you the shores a-crowding;
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Hear Captain! Dear father!
The arm beneath your head!
It is some dream that on the deck,
You've fallen cold and dead

My Captain does not answer, his lips are pale and still,
My father does not feel my arm, he has your pulse nor will,
The ship is anchor'd safe and sound, its voyage closed and done,
From fearful trip the victor ship comes in with object won;
Exult O shore, and ring O bells!
But I with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

In “Dead Poets Society” (1989), de Peter Weir


THE PANTHER
de Rainer Maria Rilke (1875-1926)


From seeing the bars, his seeing is so exhausted
that it no longer holds anything anymore.
To him the world is bars, a hundred thousand
bars, and behind the bars, nothing.

The lithe swinging of that rhythmical easy stride
which circles down to the tiniest hub
is like a dance of energy around a point
in which a great will stands stunned and numb.

Only at times the curtains of the pupil rise
without a sound . . . then a shape enters,
slips though the tightened silence of the shoulders,
reaches the heart, and dies.

In “Awakenings” (1990), de Penny Marshall


SNOW IN MADRID
de Joy Gresham


Softly so casual
Lovely so light
So light
The cruel sky lets fall something
One does not fight
Men, before perishing, see with unwounded eye for once
A gentle thing falls from the sky.

In “Shadowlands” (1993), de Richard Attenborough


FUNERAL BLUES
de W. H. Auden (1907-73)


Stop all the clocks, cut of the telephone
Prevent the dog from barking with a juicy bone
Silence the pianos and with a muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead
Put crêpe bows round the white necks of the public doves
Let the traffic policemen wear black cotton gloves

He was my North, my South, my East and West
My working week and my Sunday rest
My noon, my midnight, my talk, my song
I thought that love would last forever: I was wrong

The stars are not wanted now, put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood
For nothing now can ever come to any good

In “Four Weddings and a Funeral” (1994), de Mike Newell


ME GUSTAS CUANCO CALLAS
de Pablo Neruda (1904-73)


Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.

Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

In “Il Postino” (1994), de Michael Radford


HOPE IS THE THING WITH FEATHERS
de Emily Dickinson (1830-86)


Hope is the thing with feathers
That perches in the soul,
And sings the tune without the words,
And never stops at all,

And sweetest in the gale is heard;
And sore must be the storm
That could abash the little bird
That kept so many warm.

I've heard it in the chilliest land
And on the strangest sea;
Yet, never, in extremity,
It asked a crumb of me.

In “Quiz Show” (1994), de Robert Redford


AS I WALKED OUT ONE EVENING
de W. H. Auden (1907-73)


As I walked out one evening,
Walking down Bristol Street,
The crowds upon the pavement
Were fields of harvest wheat.

And down by the brimming river
I heard a lover sing
Under an arch of the railway:
"Love has no ending.

"I'll love you, dear, I'll love you
Till China and Afica meet,
And the river jumps over the mountain
And the salmon sing in the street.

"I'll love you till the ocean
Is folded and hung up to dry
And the seven stars go squawking
Like geese about the sky.

"The years shall run like rabbits,
For in my arms I hold
The Flower of the Ages,
And the first love of the world."

But all the clocks in the city
Began to whirr and chime:
"O let not Time deceive you
You cannot conquer Time.

"In the burrows of the Nightmare
Where Justice naked is,
Time watches from the shadow
And coughs when you would kiss.

"In headaches and in worry
Vaguely life leaks away,
And time will have his fancy
To-morrow or to-day.

"Into many a green valley
Drifts the appalling snow
Time breaks the threaded dances
And the diver's brilliant bow.

"O plunge your hands in water
Plunge them up to the wrist;
Stare, stare in the basin
And wonder what you've missed."

"The glacier knocks in the cupboard,
The desert sighs in the bed,
And the crack in the tea-cup opens
A lane to the land of the dead.

"Where the beggars raffle the banknotes
And the Giant is enchanting to Jack,
And the Lily-white Boy is a Roarer
And Jill goes down on her back."

"O look, look in the mirror,
O look in your distress;
Life remains a blessing
Although you cannot bless."

"O stand, stand at the window
As the tears scald and start;
You shall love your crooked neighbor
With your crooked heart."

It was late, late in the evening
The lovers they were gone;
The clocks had ceased their chiming,
And the deep river ran on.

In “Before Sunrise” (1995), de Richard Linklater


Daydream delusion
Limousine Eyelash
Oh, baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet cakes and milkshakes
I am a delusion angel
I am a fantasy parade
I want you to know what I think
Don't want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we're going
Launched in life
Like branches in the river
Flowing downstream
Caught in the current
I'll carry you. You'll carry me
That's how it could be
Don't you know me
Don't you know me by now

In “Before Sunrise” (1995), de Richard Linklater


SILENCE
de Thomas Hood (1799-1845)


There is a silence where hath been no sound,
There is a silence where no sound may be,
In the cold grave
under the deep, deep sea,

Or in wide desert where no life is found,
Which hath been mute, and still must sleep profound;
No voice is hush’d
no life treads silently,

But clouds and cloudy shadows wander free,
That never spoke, over the idle ground:
But in green ruins, in the desolate walls
Of antique palaces, where Man hath been,

Though the dun fox or wild hyæna calls,
And owls, that flit continually between,
Shriek to the echo, and the low winds moan
There the true Silence is, self-conscious and alone.

In “The Piano” (1993), de Jane Campion


DO NOT GO GENTLE INTO THAT GOOD NIGHT
de Dylan Thomas (1914-53)


Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.

In “Dangerous Minds” (1995), de John N. Smith


AUGURIES OF INNOCENCE
de William Blake (1757-1827)


To see a world in a grain of sand
And a heaven in a wild flower,
Hold infinity in the palm of your hand
And eternity in an hour.
(...)

In “Dead Man” (1995), de Jim Jarmusch In “In The Bedroom” (2001), de Todd Field In “Lara Croft: Tomb Raider” (2001), de Simon West


LOVE’S PHILOSOPHY
de Percy Bysshe Shelley (1792-1822)


The fountains mingle with the river
and the rivers with the ocean,
The winds of Heaven mix for ever
With a sweet emotion;
Nothing in the world is single
All things by a law divine
In one spirit meet and mingle
Why not I with thine?

See the mountains kiss high Heaven
And the waves clasp one another;
No sister-flower would be forgiven
If it disdained its brother;
And the sunlight clasps the earth
And the moonbeams kiss the sea:
What is all this sweet work worth
If thou kiss not me?

In “In & Out” (1997), de Frank Oz


SELF-PITY
de D. H. Lawrence (1885-1930)


I never saw a wild thing
sorry for itself.
A small bird will drop frozen dead from a bough
without ever having felt sorry for itself.

In “G.I. Jane” (1997), de Ridley Scott


ANTIGONISH
de Hughes Mearns (1875-1965)


As I was walking down the stair
I met a man who wasn't there
He wasn't there again today
Oh I wish he'd go away!

In “Velvet Goldmine” (1998), de Todd Haynes


SONETO XVII
Pablo Neruda (1904-73)


No te amo como si fueras rosa de sal, topacio
o flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.

Te amo como la planta que no florece
y lleva dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.

Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,

sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.

In “Patch Adams” (1998), de Tom Shadyac


KATERINA’S POEM

"I hate the way you talk to me
and the way you cut your hair
I hate the way you drive my car
I hate the way you stare
I hate your big combat boots
and the way you read my mind
I hate you so much it makes me sick
it even makes me rhyme
I hate the way you're always right
I hate the way you lie
I hate it when you make me laugh
and even more when you make me cry
I hate it when you're not around
and the fact that you didn't call
but mostly I hate it that I don't hate you
not even close,
not a little bit,
not even at all."

In “10 Things I Hate About You” (1999), de Gil Junger


RESUME
de Dorothy Parker (1893-1967)


Razors pain you;
Rivers are damp;
Acids stain you;
And drugs cause cramp.
Guns aren't lawful;
Nooses give;
Gas smells awful;
You might as well live.

In “Girl, Interrupted” (1999), de James Mangold


IGNORANCE
de Philip Larkin (1922-85)


Strange to know nothing, never to be sure
Of what is true or right or real,
But forced to qualify or so I feel,
Or Well, it does seem so:
Someone must know.

Strange to be ignorant of the way things work:
Their skill at finding what they need,
Their sense of shape, and punctual spread of seed,
And willingness to change;
Yes, it is strange,

Even to wear such knowledge - for our flesh
Surrounds us with its own decisions -
And yet spend all our life on imprecisions,
That when we start to die
Have no idea why.

In “Holy Smoke” (1999), de Jane Campion


DOVER BEACH (1867)
de Matthew Arnold (1822-1888)


The sea is calm tonight,
The tide is full, the moon lies fair
Upon the straits; on the French coast the light
Gleams and is gone; the cliffs of England stand,
Glimmering and vast, out in the tranquil bay.
Come to the window, sweet is the night air!

Only, from the long line of spray
Where the sea meets the moon-blanched land,
Listen! you hear the grating roar
Of pebbles which the waves draw back, and fling,
At their return, up the high strand,
Begin, and cease, and then again begin,
With tremulous cadence slow, and bring
The eternal note of sadness in.

Sophocles long ago
Heard it on the Agean, and it brought
Into his mind the turbid ebb and flow
Of human misery; we
Find also in the sound a thought,
Hearing it by this distant northern sea.

The Sea of Faith
Was once, too, at the full, and round earth's shore
Lay like the folds of a bright girdle furled.
But now I only hear
Its melancholy, long, withdrawing roar,
Retreating, to the breath
Of the night wind, down the vast edges drear
And naked shingles of the world.

Ah, love, let us be true
To one another! for the world, which seems
To lie before us like a land of dreams,
So various, so beautiful, so new,
Hath really neither joy, nor love, nor light,
Nor certitude, nor peace, nor help for pain;
And we are here as on a darkling plain
Swept with confused alarms of struggle and flight,
Where ignorant armies clash by night.

In “The Anniversary Party” (2001), de Alan Cumming e Jennifer Jason Leigh


TO HIS COY MISTRESS
de Andrew Marvell (1621-1678)


Had we but world enough, and time,
This coyness, lady, were no crime.
We would sit down and think which way
To walk, and pass our long love's day;
Thou by the Indian Ganges' side
Shouldst rubies find; I by the tide
Of Humber would complain. I would
Love you ten years before the Flood;
And you should, if you please, refuse
Till the conversion of the Jews.
My vegetable love should grow
Vaster than empires, and more slow.
An hundred years should go to praise
Thine eyes, and on thy forehead gaze;
Two hundred to adore each breast,
But thirty thousand to the rest;
An age at least to every part,
And the last age should show your heart.
For, lady, you deserve this state,
Nor would I love at lower rate.

But at my back I always hear
Time's winged chariot hurrying near;
And yonder all before us lie
Deserts of vast eternity.
Thy beauty shall no more be found,
Nor, in thy marble vault, shall sound
My echoing song; then worms shall try
That long preserv'd virginity,
And your quaint honour turn to dust,
And into ashes all my lust.
The grave's a fine and private place,
But none I think do there embrace.

Now therefore, while the youthful hue
Sits on thy skin like morning dew,
And while thy willing soul transpires
At every pore with instant fires,
Now let us sport us while we may;
And now, like am'rous birds of prey,
Rather at once our time devour,
Than languish in his slow-chapp'd power.
Let us roll all our strength, and all
Our sweetness, up into one ball;
And tear our pleasures with rough strife
Thorough the iron gates of life.
Thus, though we cannot make our sun
Stand still, yet we will make him run.

In “25th Hour” (2002), de Spike Lee


AND DEATH SHALL HAVE NO DOMINION
de Dylan Thomas (1914-53)


And death shall have no dominion.
Dead men naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through;
Split all ends up they shan't crack;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no more
Lift its head to the blows of the rain;
Though they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.

In “Solaris” (2002), de Steven Soderbergh


WE NEVER KNOW HOW HIGH WE ARE
de Emily Dickinson (1830-86)


We never know how high we are
Till we are asked to rise
And then if we are true to plan
Our statures touch the skies

The Heroism we recite
Would be a normal thing
Did not ourselves the Cubits warp
For fear to be a King

In “Seabiscuit” (2003), de Gary Ross


STOPPING BY WOODS ON A SNOWY EVENING
de Robert Frost (1874-1963)


Whose woods these are I think I know.
His house is in the village though;
He will not see me stopping here
To watch his woods fill up with snow.
My little horse must think it queer
To stop without a farmhouse near
Between the woods and frozen lake
The darkest evening of the year.
He gives his harness bells a shake
To ask if there is some mistake.
The only other sound's the sweep
Of easy wind and downy flake.
The woods are lovely, dark and deep.
But I have promises to keep,
And miles to go before I sleep,
And miles to go before I sleep.

In “Dreamcatcher” (2003), de Lawrence Kasdan


THE EAGLE AND THE MOLE
de Elinor Wylie (1885-1928)


Avoid the reeking herd,
Shun the polluted flock,
Live like that stoic bird,
The eagle of the rock.

The huddled warmth of crowds
Begets and fosters hate;
He keeps above the clouds
His cliff inviolate.

When flocks are folded warm,
And herds to shelter run,
He sails above the storm,
He stares into the sun.

If in the eagle's track
Your sinews cannot leap,
Avoid the lathered pack,
Turn from the steaming sheep.

If you would keep your soul
From spotted sight or sound,
Live like the velvet mole:
Go burrow underground.

And there hold intercourse
With roots of trees and stones,
With rivers at their source,
And disembodied bones.

In “American Splendor” (2003), de Shari Springer Berman e Robert Pulcini


THE SORROW OF LOVE (r.1925)
de W. B. Yeats (1865-1939)


The brawling of a sparrow in the eaves,
The brilliant moon and all the milky sky,
And all that famous harmony of leaves,
Had blotted out man's image and his cry.
A girl arose that had red mournful lips
And seemed the greatness of the world in tears,
Doomed like Odysseus and the labouring ships
And proud as Priam murdered with his peers;
Arose, and on the instant clamorous eaves,
A climbing moon upon an empty sky,
And all that lamentation of the leaves,
Could but compose man's image and his cry.

In “Sylvia” (2003), de Christine Jeffs


LA TIERRA GIRÓ PARA ACERCARNOS
de Eugenio Montejo (1938)

La tierra giró para acercarnos,
giró sobre sí misma y en nosotros,
hasta juntarnos por fin en este sueño,
como fue escrito en el Simposio.
Pasaron noches, nieves y solsticios;
pasó el tiempo en minutos y milenios.
Una carreta que iba para Nínive
llegó a Nebraska.
Un gallo cantó lejos del mundo,
en la previda a menos mil de nuestros padres.
La tierra giró musicalmente
llevándonos a bordo;
no cesó de girar un solo instante,
como si tanto amor, tanto milagro
sólo fuera un adagio hace mucho ya escrito
entre las partituras del Simposio.

In “21 Grams” (2003), de Alejandro González Iñárritu


TO HELEN
de Edgar Allan Poe (1809-1849)


Helen, thy beauty is to me
Like those Nicean barks of yore,
That gently, o'er a perfumed sea,
The weary, wayworn wanderer bore
To his own native shore.

On desperate seas long wont to roam,
Thy hyacinth hair, thy classic face,
Thy Naiad airs have brought me home
To the glory that was Greece
And the grandeur that was Rome.

Lo! in yon brilliant window-niche
How statue-like I see thee stand,
The agate lamp within thy hand!
Ah, Psyche, from the regions which
Are Holy Land!

In “The Ladykillers” (2004), Joel e Ethan Coen


L'ALBATROS
de Charles Baudelaire (1821-1867)


Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les gouffres amers.

À peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l'azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d'eux.

Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!

Le Poète est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer;
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.

In “Un Long Dimanche de Fiançailles” (2004), de Jean-Pierre Jeunet


ELOISA TO ABELARD
de Alexander Pope (1688-1744)


(...)

How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd;

Labour and rest, that equal periods keep;
"Obedient slumbers that can wake and weep;"
Desires compos'd, affections ever ev'n,
Tears that delight, and sighs that waft to Heav'n.

Grace shines around her with serenest beams,
And whisp'ring angels prompt her golden dreams.
For her th' unfading rose of Eden blooms,
And wings of seraphs shed divine perfumes,

For her the Spouse prepares the bridal ring,
For her white virgins hymeneals sing,
To sounds of heav'nly harps she dies away,
And melts in visions of eternal day.

(...)

In “Eternal Sunshine of the Spotless Mind” (2004), de Michel Gondry




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Segunda-feira, 4 de Abril de 2005
Crimson Gold - Sangue e Ouro ****

T.O.: Talaye sorkh. Realização: Jafar Panahi. Elenco: Hussein Emadeddin, Kamyar Sheisi, Azita Rayeji, Shahram Vaziri, Ehsan Amani, Pourang Nakhael, Kaveh Najmabadi, Saber Safael. Nacionalidade: Irão, 2003.





“Crimson Gold” começa com um assalto a uma joalharia. Um acto de violência que, em flashback, vai procurar entender como a hipocrisia e o desrespeito pelo indivíduo podem levar uma pessoa normal para além dos seus limites. Essa pessoa é Hussein (Emadeddin), um homem pobre, feio, com excesso de peso, que está noivo da irmã do seu melhor amigo, Ali (Sheisi).


Nos seus trajectos como entregador de pizzas, em Teerão, Hussein vê-se muitas vezes confrontado com o outro lado do prisma social, ostensivo, arrogante, fútil, depreciativo. Como uma criança a quem estendem um doce mas não o deixam comer, Hussein é atraído pela facilidade desta forma de vida. Só uma ínfima parte permitiria que ele oferecesse à sua noiva as jóias que tanto queria.


Do argumento de Abbas Kiarostami, Panahi mantém uma subtileza ao longo de toda a história, quer na expressão dos sentimentos quer no desenrolar da acção. O resultado é, ao mesmo tempo, um retrato realista e humanista da sociedade iraniana, não deixando igualmente de ser uma observação preocupada sobre a discriminação e a desigualdade em termos universais. O vale profundo que se abre da varanda de um 18º andar de um prédio de luxo é símbolo do crescente abismo entre ricos e pobres.


Num ponto da história ficamos a saber que Hussein lutou na guerra Irão-Iraque (conflito iniciado em 1980, que durou 8 anos e matou 1 milhão de pessoas), mas a sua luta pessoal/social está longe de ter terminado. Hussein é grande, mas invisível, continuamente humilhado pelas injustiças que o rodeiam.

Panahi constrói um diálogo espontâneo, até cómico, e silêncios plenos de angústia e raiva. Com sequências longas, e ocupando um espaço entre o comentário e o cinema, “Crimson Gold” baseia-se num incidente real passado em Teerão. Também perto da verdade está Hussein Emadeddin, o actor que interpreta o papel de Hussein e que, na realidade, é entregador de pizzas e sofre de esquizofrenia.


Vencedor em 2003 do Prémio do Júri na categoria de Un Certain Regard em Cannes, “Crimson Gold” é um filme perturbante e corajoso. Um relato íntimo do insustentável peso do ser. “Crimson Gold” – o ouro carmim, manchado de sangue. É também essa a cor do amanhecer em Teerão.





realizado por Rita às 21:31
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
Astronaut Farmer, The
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Aviator, The
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Azuloscurocasinegro

B
Baader-Meinhof Komplex, Der
Babel
Babies
Backstage
Ballad of Jack and Rose, The
Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
Battle in Seattle
Be Kind Rewind
Bee Movie
Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
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Flores de Otro Mundo
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Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
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Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
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Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
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Grbavica

H
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Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
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Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
World Trade Center
Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
X-Men: First Class
X-Men Origins: Wolverine

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Yo Soy La Juani
Young Adult
Youth in Revolt
Youth Without Youth

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Zack And Miri Make A Porno

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Agosto 2004

Festivais e Prémios
- FANTASPORTO
- FESTROIA
- INDIE LISBOA
- FESTIVAL DE CINEMA GAY E LÉSBICO DE LISBOA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS DE VILA DO CONDE
- DOCLISBOA
- CINANIMA
- CineECO
- FamaFEST
- FICA
- FESTIVAL DE CINEMA LUSO-BRASILEIRO DE SANTA MARIA DA FEIRA
- fest | FESTIVAL DE CINEMA E VÍDEO JOVEM DE ESPINHO
- CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS
- FESTIVAL DE CANNES
- LES CÉSAR DU CINEMA
- PREMIOS GOYA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DONOSTIA - SAN SEBASTIAN
- LA BIENNALE DI VENEZIA
- FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL FILM - LOCARNO
- INTERNATIONALE FILMSPIELE BERLIN<
- BAFTA
- LONDON FILM FESTIVAL
- EDINBURGH INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- OSCAR
- SUNDANCE FILM FESTIVAL
- GOLDEN GLOBES
- NEW YORK FILM FESTIVAL
- SAN FRANCISCO FILM FESTIVAL
- TORONTO INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- MONTRÉAL WORLD FILM FESTIVAL
- ROTTERDAM INTERNATIONAL FILM FESTIVAL