CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Quinta-feira, 31 de Março de 2005
House of the Flying Daggers ****

T.O.: Shi mian mai fu. Realização: Zhang Yimou. Elenco: Takeshi Kaneshiro, Andy Lau, Zhang Ziyi, Dandan Song. Nacionalidade: China / Hong Kong, 2004.





859 AD. Final da Dinastia Tang. Os polícias Jin (Kaneshiro) e Leo (Lau) montam um plano para capturar a líder do cada vez mais poderoso grupo de resistência Casa dos Punhais Voadores. Obtêm a informação de que uma das trabalhadoras de um “centro de ócio”, dirigido pela Madame Yee (Song), faz parte do grupo. A suspeita recai sobre Mei (Ziyi), uma bela dançarina cega, de sentidos apurados e excepcionais capacidades marciais. Jin faz-se passar por um cliente e depois de a salvar da prisão, inicia todos os esforços para ganhar a sua confiança, e assim conseguir o seu propósito. Mas durante a fuga, e apesar dos avisos de Leo, os sentimentos de Jin começam a ir para além do dever. Ou talvez não.


“House of the Flying Daggers” é um drama sentimental quase-Shakespeariano que, a cada momento, nos surpreende com uma nova forma de ver os personagens, entre jogos de traições cujos véus se vão levantando com o ritmo certo. A acompanhar os violentos sentimentos de amor e ódio, as cenas de acção são também elas carregadas de coreografias artisticamente irrepreensíveis.


A comparação com “Hero” (2002), o anterior filme de Yimou, é inevitável, mas enquanto o primeiro se baseava essencialmente na estilização para contar a história, este recai bastante mais nos personagens para construir o enredo e os momentos de tensão. Mais do que no anterior, as emoções e as acções são levadas ao extremo, em nome da política e em nome do amor.


O elemento comum reside, sobretudo, no aspecto visual do filme, cujo design de produção e guarda-roupa estiveram a cargo da mesma equipa de “Hero”, Huo Tingxiao e Emi Wada, respectivamente. A fotografia de Christopher Doyle foi substituída, sem qualquer perda de qualidade, pela de Zhao Xiaoding. Adicionando os soberbos efeitos especiais, fica completo este banquete cinematográfico, cheio de belíssimas imagens, de cores intensas e cenários impressionantes.


A falha deste filme, que arrecada a quinta estrela, prende-se com o não cumprimento da sua premissa inicial, ou seja, o confronto das forças governamentais com os dissidentes. Yimou preferiu claramente concentrar-se no conflito amoroso, deixando no ar o desfecho geral. Mais uma vez, a realidade global acaba apenas por ser o cenário dos dramas particulares.






realizado por Rita às 22:45
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OS DIAS DO DOCUMENTÁRIO - O Regresso às Salas Vazias

 

Sessões com 3, 4, 6 pessoas, nunca mais do que meia sala (com talvez uma excepção), foi este o panorama com que me deparei na 3ª edição dos Dias do Documentário, que decorreu na Sala 3 do cinema King entre 17 e 23 de Março. Depois da euforia que foi o DocLX, pergunto-me se terá passado a febre pelo cinema documental ou terá simplesmente faltado a palavra Festival algures no título do certame.

 

por Sérgio

 



realizado por Rita às 15:43
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Quarta-feira, 30 de Março de 2005
The Assassination of Richard Nixon ****

Realização: Niels Mueller. Elenco: Sean Penn, Naomi Watts, Don Cheadle, Jack Thompson, Brad Henke, Michael Wincott. Nacionalidade: EUA / México, 2004.





Com este título, seria de esperar que esta primeira realização de Niels Mueller estivesse carregada de referências políticas, mas Mueller prefere centrar-se no drama pessoal de Samuel Bicke (Penn), que em 1974 tentou sequestrar um avião e fazê-lo despenhar sobre a Casa Branca, matando o presidente em funções, Richard Nixon.


Bicke não era um activista, era um homem desesperado, cuja vida estava numa vertiginosa espiral descendente. Talvez apenas procurasse um culpado para os problemas que não conseguia resolver e Nixon representava o tal “sistema”. Ou talvez a hipocrisia do “sonho americano” e da “terra das oportunidades” tivesse virado um pesadelo para aqueles que não conseguem dormir descansados.


O patrão de Bicke (Thompson) apresenta-o ao vendedor perfeito, Nixon, que vendeu o país duas vezes, com a mesma mentira de que terminaria com a guerra do Vietname. Mas mais do que contra Nixon, Bicke revolta-se contra uma América tão baseada no capitalismo que quem tenha um azar na vida é impedido de voltar a pôr-se de pé sem recurso à desonestidade. Bicke não odeia o dinheiro, apenas odeia ter de mentir para o conseguir, e chega o momento em que decide deixar de sacrificar a sua integridade.


Esse momento conjuga três tragédias pessoais: a sua mulher, Marie (Watts), envia-lhe os papéis do divórcio; o seu irmão Julius (Wincott) abandona-o; e o empréstimo para o seu negócio de pneus é recusado pelo banco. Objectivamente, todos estes acontecimentos têm razão de ser, mas Mueller coloca Penn em cada cena para que não nos desviemos nunca do ponto de vista subjectivo de Bicke. E, dentro da sua cabeça, somos nós mesmos a culpar o “sistema” por todos os seus azares.


Bicke gravou obsessivamente cassetes endereçadas ao compositor Leonard Bernstein, cuja música lhe transmitia toda a verdade e beleza que ele não encontrava no mundo. Nestas, ele confessava todas as suas preocupações morais, recusando-se sempre a compreender a sua própria responsabilidade nos acontecimentos.


Penn está perfeito: socialmente incapaz, incoerente, patético nas suas fixações, na sua raiva e, muito possivelmente, na esquizofrenia de Bicke. Nas belas cenas dramáticas com Watts percebemos, sem que se mostre ou seja dito, tudo o que correu mal entre eles, através das suas expressões alternadamente cheias e vazias de esperança.


Mueller faz-nos testemunhas da crescente agonia e desintegração de Bicke (será coincidência o apelido original Bick ter sido mudado para Bicke, numa aproximação a Bickle, o personagem de Robert De Niro em “Taxi Driver” de Martin Scorsese, 1976?), observando de perto as circunstâncias que podem levar uma pessoa a tomar medidas extremas.

Apesar da coincidência de este filme surgir num momento em que novamente a América se encontra a braços com uma guerra e sob o jugo de um presidente que metade do país apelida de mentiroso, este projecto foi iniciado quando Clinton ainda estava no poder. Ironias...






CITAÇÕES:


“My name is Sam Bicke, and I consider myself a grain of sand.”
SEAN PENN (Samuel Bicke)


“Certainty is the disease of kings.”


“Slavery never really ended in this country. They just gave it another name: Employee.”
SEAN PENN (Samuel Bicke)


“Richard Nixon is the greatest salesman of all time; he managed to sell the country on the same promise twice, without ever once delivering.”
JACK THOMPSON (Jack Jones)


“It's all about the money, Dick! It's all about the money, Dick! It's all about the money, Dick! It's all about the money, Dick! It's all about the money, Dick!”
SEAN PENN (Samuel Bicke)





realizado por Rita às 23:03
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Terça-feira, 29 de Março de 2005
Birth - O Mistério **

Realização: Jonathan Glazer. Elenco: Nicole Kidman, Cameron Bright, Danny Huston, Lauren Bacall, Alison Elliott, Arliss Howard, Michael Desautels, Anne Heche, Peter Stormare. Nacionalidade: EUA, 2004.





O conceito: o marido de Anna (Kidman) morreu enquanto fazia jogging em Central Park. Passados 10 anos, Anna está noiva de Joseph (Huston). Na festa de aniversário da sua mãe, Eleonor (Bacall), um rapaz com o mesmo nome do seu marido, Sean (Bright), entra em sua casa afirmando ser o seu falecido marido e tentando convencê-la a não casar e a acreditar na sua palavra. Anna vê os seus sentimentos pelo marido reavivarem-se à medida que o rapaz produz cada vez mais detalhes pessoais que só ele podia saber.


“Birth” é o exemplo de como uma boa ideia pode ser conduzida da forma errada.


Para começar, baseia-se em muitas cenas sem diálogo, inertes, que se pretendem intensas e cheias de significado, sobretudo os grandes planos de Kidman (consideravelmente prejudicada pelo novo visual). O efeito acaba apenas por ser um longo bocejo. As poucas palavras ditas, repetidas à exaustão, transmitem tanta emoção como um bloco de cimento (e este ainda pode ser visto como arte).


Para terminar, até ao final do filme esperamos um twist no argumento que nos prove que a primeira cena do filme não estragou tudo, ao desvendar o mistério. Pois, não existe nenhum mistério, a não ser o de como se consegue estragar uma boa premissa.


O ponto alto do filme é a cena inicial, com uma magnitude emocional ampliada pela música de Alexandre Desplat (“Girl With a Pearl Earring” de Peter Webber, 2003). A partir daí é um longo arrastar de subtilezas, que mais do que servirem para desafiar o pensamento do espectador, marcam a falta de coragem de um realizador.


O choque de classes é aflorado no contraste entre a família pobre donde vem Sean e a rica de Anna. A questão da maternidade está também subjacente, patente pela sua ausência nos relacionamentos de Anna, no facto da sua irmã só agora ter conseguido engravidar, e na atracção de Anna por este rapaz de 10 anos.


Das interpretações, fica-nos uma Bacall que enche o ecrã, uma Anne Heche subaproveitada e um Cameron Bright com algum potencial.


Da controvérsia da contracena de Kidman com Bright, com alusões sexuais, não há muito a dizer, dada a dormência de toda a história. O desejo não existe, e o amor reclamado, um pouco a exemplo de todo o filme, foi injectado com tanto botox que não tem expressão.





realizado por Rita às 22:26
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Segunda-feira, 28 de Março de 2005
The Ring Two **1/2

Realização: Hideo Nakata. Elenco: Naomi Watts, David Dorfman, Simon Baker, Elizabeth Perkins, Gary Cole, Sissy Spacek. Nacionalidade: EUA, 2005.





A sequela de “The Ring – O Aviso” continua a história do drama de uma mãe que tenta salvar o seu filho de um espírito maligno. Retomando o fio alguns meses depois dos primeiros eventos, Rachel (Watts) mudou-se com o seu filho Aidan (Dorfman) de Seattle para uma pequena cidade em Oregon, tentando afastar-se das terríveis experiências por que ambos passaram às mãos do espírito de Samara e da sua amaldiçoada cassete de vídeo. Mas o passado não ficou para trás e voltou para reclamar a sua paz.


Apesar de Rachel apenas ter feito uma cópia da cassete, ela parece ter conseguido vir ao seu encontro. Como? Isso não importa. E parece que os argumentistas também acharam que não era um detalhe relevante, porque deixaram-nos sem explicação.


Ainda não me tinha sentado bem na cadeira e já estava a dar um salto. O resto do filme, vi-o através dos meus dedos, com as mãos protegendo-me nem sei bem do quê. Calculo que esta seja uma boa medida de avaliação para um filme de terror. A questão é que, no final, fica um conjunto de momentos assustadores sem um fio condutor verdadeiramente relevante. Abusando de todos os clichés de filmes de terror (a casa grande, a noite, a música), “The Ring Two” torna-se previsível.


Sem excessos de hemoglobina, este é um filme que até consegue um bom nível de suspense e alguns momentos genuinamente aterradores. Em grande parte devido à atmosfera criada pela fotografia de Gabriel Baristain. Em termos de história, no entanto, fica consideravelmente aquém do primeiro. O que não deixa de ser irónico, uma vez que este remake do êxito japonês “Ringu” é dirigido pelo seu realizador original, Hideo Nakata.


Quanto às interpretações: Naomi Watts é bem melhor do que isto; enquanto David Dorfman está particularmente natural como criança possuída. Mas os destaques vão para Elizabeth Perkins, numa pequena aparição como Dra. Emma Temple, e para Sissy Spacek, no papel de Evelyn, com a participação mais arrepiante deste filme.


A melhor cena: sem dúvida, o incidente em que a água, num atrevido desafio à gravidade, inunda a casa-de-banho.


Veredicto: aconselhável, para quem quiser um choque de adrenalina, sem grandes consequências.






CITAÇÕES:


“The dead don't dream, and the dead never sleep.”
SISSY SPACEK (Evelyn)





realizado por Rita às 08:20
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Quarta-feira, 23 de Março de 2005
The Life Aquatic With Steve Zissou ****

Realização: Wes Anderson. Elenco: Bill Murray, Owen Wilson, Cate Blanchett, Anjelica Huston, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Michael Gambon, Noah Taylor, Bud Cort, Seu Jorge, Robyn Cohen, Waris Ahluwalia, Niels Koizumi, Pawel Wdowczak, Matthew Gray Gubler. Nacionalidade: EUA, 2004.





“Um Peixe Fora de Água” é uma aventura inspirada no oceanógrafo Jacques Cousteau, que une, com uma linha surreal e imaginativa, drama, comédia, acção e tragédia. Tendo em conta o passado de Anderson, a originalidade flagrante desta história acaba por não ser exactamente uma surpresa, mas uma constatação. O que não é dizer pouco.


Steve Zissou (Murray) e a sua equipa de filmagens subaquáticas têm vindo a desvendar os segredos dos Oceanos em episódios. O último relata a morte do melhor amigo de Zissou pela boca de uma tubarão-jaguar. E o próximo, que Zissou anuncia perante uma audiência estupefacta, irá consistir numa viagem de perseguição e vingança.


Pelo meio há um filho que aparece passados 30 anos (Wilson), uma persistente jornalista inglesa grávida (Blanchet), um observador de uma seguradora (Cort), uma tripulação que filma, canta, faz topless e rouba maquinaria de investigação à concorrência (Goldblum num delicioso arqui-inimigo), e uma crise matrimonial (Huston, intemporalmente bela).


O ‘peixe fora de água’ é o próprio Zissou, que perde a sua referência profissional, ao embarcar numa vingança irracional, pondo em risco o seu trabalho e a sua equipa; e a sua referência emocional, ao negligenciar o casamento com a mulher que ama. Zissou usa o tema “relação familiar” para o enredo do documentário que está a filmar, na tentativa de recuperar o seu protagonismo, e a sua relutante figura paternal, à semelhança de “The Royal Tenenbaums” (Wes Anderson, 2001) faz com que o drama familiar acabe por dominar a vertente Moby Dick da história.

A narrativa usa conceitos elementares de diversas tipologias cinematográficas, do drama familiar aos filmes de aventura, e, nas mãos de outro realizador, seria fácil estarmos perante um aborrecido cliché. Mas através da hipérbole, Anderson cria uma realidade espelho, que mostra as dores épicas e ridículas da vida humana. Através da comédia, camufla as inseguranças das personagens, criando uma fusão de gargalhadas com momentos de contemplação.


O elenco é impressionante, quer em nomes, quer no trabalho efectuado. De salientar Dafoe, como Klaus, o assistente alemão de Zissou, num registo hilariante de ciúme e possessividade. E, claro, Murray, mais uma vez exímio na dor existencial.


A realização fluida surpreende pelos planos eficazes e os ângulos de filmagem. A fantasia de Anderson vai desde as criaturas fantásticas (deliciosas animações de Henry Selick – “The Nightmare Before Christmas”, 1996) ao impressionante cenário construído do corte transversal do Belafonte, o barco de Zissou, um antigo caça submarinos. Com um destaque também para o guarda-roupa, este é um filme de cores fortes.


A música de Bowie cantada em brasileiro por Seu Jorge (“Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, 2002) é algo, no mínimo, deslocado, tal como as próprias personagens. Um grupo de “marginais” deslocados nas suas acções e, muitas vezes, nas suas palavras.


Abusando de num diálogo inteligente, com um humor trabalhado e irónico, Anderson oferece-nos, do fundo do mar, uma pérola.






CITAÇÕES:


“Cientista [referindo-se ao tubarão-jaguar] - What would be the scientific purpose of killing it?
Steve Zissou (BILL MURRAY) - Revenge.”


“Steve Zissou (BILL MURRAY) - You're supposed to be my son, right?
Ned Plimpton (OWEN WILSON) - I don't know. But I did want meet you, just in case.”


“Ned Plimpton (OWEN WILSON) - Why didn't you ever try to contact me?
Steve Zissou (BILL MURRAY) - Because I hate fathers, and I never wanted to be one.”


“Steve Zissou (BILL MURRAY) - We'll split into two groups. I'll take Ned, Ogata, and Wolodarsky.
Klaus Daimler (WILLEM DAFOE) - Thanks. Thanks a lot for not picking me...”





realizado por Rita às 21:52
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Terça-feira, 22 de Março de 2005
IndieLISBOA 2005 - Programação



Foi ontem anunciada a programação para a 2ª edição do Festival de Cinema Independente de Lisboa, o IndieLISBOA, que terá lugar de 21 de Abril a 1 de Maio, no Fórum Lisboa e Cinemas King.



COMPETIÇÃO

Longas Metragens
4 de Ilya Khrzhanovsky (RÚSSIA, 126 min.)
AALTRA de Benoît Delépine e Gustave Kervern (BÉLGICA, 93 min.)
LE CONSEGUENZE DELL’AMORE de Paolo Sorrentino (ITÁLIA, 100 min.)
DIAS DE SANTIAGO de Josué Méndez (PERU, 83 min.)
FOLIE PRIVÉE de Joachim Lafosse (BÉLGICA, 67 min.)
THE FOREST FOR THE TREES de Maren Ade (ALEMANHA, 81 min.)
ONO de Malgosia Szumowska (POLÓNIA, 110 min.)
PARAPALOS de Ana Poliak (ARGENTINA, 93 min.)
PRIVATE de Saverio Constanzo (ITÁLIA, 90 min.)
SUND@Y SEOUL de Oh Myung-hoon (COREIA DO SUL, 72 min.)
TO TAKE A WIFE de Roni e Shlomi Elkabetz (ISRAEL /FRANÇA, 97 min.)

Curtas Metragens - PROGRAMA 1
LUREX de Marinella Setti (REINO UNIDO, 6 min.)
FARE BENE MIKLES de Christian Angeli (ITÁLIA, 17 min.)
FLATLIFE de Jonas Geirnaert (BÉLGICA, 11 min.)
HOME SWEET HOME de Hye-jung Um (COREIA DO SUL, 18 min.)
ALGUÉM OLHARÁ POR TI de Marta Pessoa (PORTUGAL, 14 min.)
THE CARPENTER AND HIS CLUMSY WIFE de Peter Foott (IRLANDA, 14 min.)
UNDRESSING MY MOTHER de Ken Wardrop (IRLANDA, 6 min.)
THE LAST FARM de Runar Runarsson (ISLÂNDIA, 17 min.)

Curtas Metragens - PROGRAMA 2
CHYENNE de Alexander Meier (SUIÇA, 5 min.)
STREETS de Jon Howe (REINO UNIDO, 15 min.)
BEK de Lucette Braune (HOLANDA, 12 min.)
MINA DE FÉ de Luciana Bezerro (BRASIL, 15 min.)
HOME GAME de Martin Lund (NORUEGA, 10 min.)
BOY de Welby Ings (NOVA ZELÂNDIA, 15 min.)
THE QUIET ONE de Danyael Sugawara (HOLANDA, 31 min.)

Curtas Metragens - PROGRAMA 3
FOR YOUR BLOSSOM de Gaku Kinoshita (REINO UNIDO, 6 min.)
BONTEN de Keisaku Sato (JAPÃO, 24 min.)
COLLECTIVE de Ruben Santiago (PORTUGAL, 4 min.)
THE MAN ON THE BACK de Jon Gnarr (ISLÂNDIA, 17 min.)
TIBBAR de Leo Wentink (HOLANDA, 12 min.)
UNTITLED SEQUENCE de Edgar Santinhos e Telmo Ramos (PORTUGAL, 3 min.)
COM UMA SOMBRA NA ALMA de Fernando Galrito e João Ramos (PORTUGAL, 10 min.)
SLUT de Jonathan Sjöberg (SUÉCIA, 13 min.)
WHO DO YOU LOVE? de Jim McRoberts (REINO UNIDO, 10 min.)

Curtas Metragens - PROGRAMA 4
MERCY de Candida Scott Knight (REINO UNIDO, 10 min.)
SOLO de Marina Simões (REINO UNIDO, 11 min.)
EVERYTHING WAS LIFE de Ellie Land (REINO UNIDO, 4 min.)
THE CRAWL de PV Lehtinen (FINLÂNDIA, 6 min.)
A BUCK’S WORTH de Tatia Rosenthal (EUA, 8 min.)
DANS L’OMBRE de Oliver Masset-Depasse (BÉLGICA, 29 min.)


OBSERVATÓRIO

Longas Metragens
A HOLE IN MY HEART de Lukas Moodyson (SUÉCIA, 98 min.)
À TOUT DE SUITE de Benoît Jacquot (FRANÇA, 95 min.)
ADRIANA de Margarida Gil (PORTUGAL, 102 min.)
AE FOND KISS de Ken Loach (REINO UNIDO, 103 min.)
FAMILIA RODANTE de Pablo Trapero (ARGENTINA, 103 min.)
HE GIRL FROM MONDAY de Hal Hartley (EUA, 84 min.)
LE PONT DES ARTS de Eugène Green (FRANÇA, 126 min.)
SUMAS Y RESTAS de Victor Gaviria (COLÔMBIA, 108 min.)
YESTERDAY ONCE MORE de Johnnie To (HONK KONG, 98 min.)

Curtas Metragens - PROGRAMA 1
BROADCAST 23 de Tom Putman (EUA, 8 min.)
METAMORFOSIS de Fran Estevez (ESPANHA, 20 min.)
THROUGH MY THICK GLASSES de Pjotr Sapegin (NORUEGA / CANADÁ, 13 min.)
DIEZ MINUTOS de Alberto Ruiz Rojo (ESPANHA, 15 min.)
USELESS DOG de Ken Wardrop (IRLANDA, 5 min.)
RYAN de Chris Landreth (CANADÁ, 14 min.)
HIMMELFILM de Jiska Rickels, Sanne Kurz (ALEMANHA, 15 min.)

Curtas Metragens - PROGRAMA 2
COMPASSOS DE ESPERA de Pedro Paiva (PORTUGAL, 25 min.)
EL OTRO SUEÑO AMERICANO de Enrique Arroyo (MÉXICO, 10 min.)
JUST A MINUTE MINUTE YOKO de Bea de Visser (HOLANDA, 1 min.)
FABRIKA de Sergej Loznika (RÚSSIA, 30 min.)
BIKINI de Lasse Persson (SUÉCIA, 6 min.)
IL MARE de Salvatore Mereu (ITÁLIA, 23 min.)
L’HOMME SANS L’OMBRE de Georges Schwizgebel (SUIÇA / CANADÁ, 10 min.)

Curtas Metragens - PROGRAMA 3
TATANA de João Ribeiro (PORTUGAL, 18 min.)
FLURE (N.º 2) de Tessa Knapp (ALEMANHA, 4 min.)
HOW I FEEL de Gonçalo Luz (PORTUGAL, 19 min.)
MON PETI’ CONCURS AQUATIQUE de Maurice Huvelin (FRANÇA, 2 min.)
NORTH KOREA, A DAY IN THE LIFE de Pieter Fleury (HOLANDA, 48 min.)

Curtas Metragens - PROGRAMA 4
UM HOMEM de Laurent Simões (PORTUGAL, 26 min.)
RUN de Hady Shuaib (REINO UNIDO, 5 min.)
THE BORDER de Zahavi Sanjavi (IRAQUE, 27 min.)
ON A WEDNESDAY NIGHT IN TOKYO de Jan Verbeek (ALEMANHA / JAPÃO, 5 min.)
PHANTOM LIMB de Jay Rosenblatt (EUA, 28 min.)
FABRICA DE ENAÑOS de Diego Fernandez (URUGUAI, 10 min.)


HERÓI INDEPENDENTE

RETROSPECTIVA JIA ZHANG-KE
PICKPOCKET de Jia Zhangke (CHINA, 105 min.)
PLATFORM de Jia Zhangke (CHINA, 193 min.)
IN PUBLIC de Jia Zhangke (CHINA, 30 min.)
UNKNOWN PLEASURES de Jia Zhangke (CHINA, 112 min.)
THE WORLD de Jia Zhangke (CHINA, 136 min.)

NOVO CINEMA ARGENTINO
Longas Metragens

ANA Y LOS OTROS de Celina Murga (80 min.)
BALNEARIOS de Mariano Llinás (80 min.)
CABEZA DE PALO de Ernesto Baca (60 min.)
CAJA NEGRA de Luis Ortega (81 min.)
EXTRANO de Santiago Loza (85 min.)
LA LIBERTAD de Lisandro Alonso (73 min.)
LA MECHA de Raul Perrone (90 min.)
MODELO 73 de Rodrigo Moscoso (75 min.)
MUNDO GRUA de Pablo Trapero (90 min.)
SÁBADO de Juan Villegas (76 min.)
LOS RUBIOS de Albertina Carri (89 min.)

Curtas Metragens
ABASTO/CANES de Martín Mainoli (10 min.)
BARBIE de Albertina Carri (24 min.)
BLANCA & NEGRO de Martín Mainoli (7 min.)
JR. de Martín Mainoli (5 min.)
KENNY de Martín Mainoli (5 min.)
KENNY II de Martín Mainoli (5 min.)
NEGOCIOS de Pablo Trapero (18 min.)
NOS VAMOS TODOS A CASA de Martín Mainoli (5 min.)
LA PRUEBA de Diego Lerman (17 min.)
REY MUERTO de Lucrecia Martel (13 min.)


SESSÕES ESPECIAIS

Filme de Abertura
BORN INTO BROTHELS de Zana Briski e Ross Kauffman (EUA, 85 min.)

Filme de Encerramento
MY SUMMER OF LOVE de Pawel Pawlikowski (REINO UNIDO, 86 min.)

Director’s Cut
THE BIG RED ONE – THE RECONSTRUCTION de Samuel Fuller (EUA, 157 min.)

Indie Junior - PROGRAMA 1
CONCERT FOR A CARROT PIE de Heiki Ernits e Janno Poldma (ESTÓNIA, 11 min.)
CAPTAIN BLIGHT de Derek Roczen (ALEMANHA, 4 min.)
THE DEPOT de Esben Tønnesen (DINAMARCA, 6 min.)
GIRLS DON’T BELCH de Lina Linde (SUÉCIA, 3 min.)
DREAM THIEF de Gaku Kinoshita (REINO UNIDO, 3 min.)
LUNOLIN de Cecilia Marreiros Marum (BÉLGICA, 8 min.)
TOUMAÏ de Rebecka Llerena (SUÉCIA, 5 min.)
LITTLE PIG IS FLYING de Alicja Jaworksi (SUÉCIA, 9 min.)
FLATLIFE de Jonas Geirnaert (BÉLGICA, 11 min.)

Indie Junior - PROGRAMA 2
LITTLE THINGS de Daniel Greaves (REINO UNIDO, 11 min.)
ANNIE & BOO de Johannes Weiland (ALEMANHA, 15 min.)
COSMIX de Agostinho Marques (PORTUGAL, 10 min.)
GIRL POWER de Per Carleson (SUÉCIA, 3 min.)
GLEN, THE GREAT RUNNER de Anna Erlandsson (SUÉCIA, 3 min.)
AGRICULTURAL REPORT de Sydney Padua (IRLANDA, 3 min.)
PILALA de Theo Papadopoulos (GRÉCIA, 18 min.)
FLATLIFE de Jonas Geirnaert (BÉLGICA, 11 min.)

Ante-estreias
INFERNAL AFFAIRS (I, II, III) de Andrew Lau e Alan Mak (HONG KONG, 101/119/109 min.)
MEAN CREEK de Jacob Aaron Estes (EUA, 87 min.)
LOS MUERTOS de Lisandro Alonso (ARGENTINA, 78 min.)
PALINDROMES de Todd Solondz (EUA, 100 min.)
SOMERSAULT de Cate Shortland (AUSTRÁLIA, 106 min.)
THUMBSUCKER de Mike Mills (EUA, 96 min.)
TROPICAL MALADY de Apichatpong Weerasethakul (TAILÂNDIA / FRANÇA, 118 min.)


Prevê-se uma gestão de agenda com muita ginástica. Encontramo-nos por lá.





realizado por Rita às 22:26
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Segunda-feira, 21 de Março de 2005
Les Temps Qui Changent ***

Realização: André Téchiné. Elenco: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Gilbert Melki, Malik Zidi, Lubna Azabal, Tanya Lopert, Nabila Baraka, Nadem Rachati, Idir Elomri, Jabir Elomri. Nacionalidade: França, 2004.





Neste filme, Téchiné resolveu pegar no amor e sujeitá-lo ao maior teste possível: a passagem do tempo.


Antoine (Depardieu) é um bem sucedido homem de negócios. Há 30 anos atrás, terminou a relação com o amor da sua vida, Cécile (Deneuve), e, desde então, abraçou a solidão como forma de se manter mais perto dela. A sua chegada a Tânger sob pretexto de supervisionar uma obra, mais não é do que a desculpa para procurar Cécile, que vive ali com a sua família: Nathan (Melki), o seu marido; e Sami (Zidi), o filho recém-chegado de Paris, inesperadamente acompanhado pela namorada marroquina Nadia (Azabal) e o seu filho Saïd (Elomri).


Este é um tempo de confronto. Pressionada pelo aparecimento de Antoine e pelo seu constante acosso, Cécile inicia uma espiral descontrolada de emoções, na luta entre a paixão avassaladora que sentiu no passado por Antoine e o casamento rotineiro de 20 anos que a une a Nathan.


Mas também Sami se depara com a sua antiga atracção por Bilal (Rachati), confrontando-se com uma homossexualidade que tem vivido de forma incerta. Para Nadia é o regresso aos tranquilizantes e a tentativa de reencontrar a irmã gémea que se recusa a vê-la.


Cada personagem enfrenta a sua própria história e a perda do seu ideal romântico. Apenas Antoine se mantém coerente com o que sempre sentiu. Mas o que será pior: a perda de um ideal ou o desperdício de uma vida por causa desse ideal?


Com uma realização vibrante, de câmara em riste e uma montagem ritmada, Téchiné traduz o movimento perpétuo que separa e junta as pessoas, que mistura a realidade e a ilusão, o presente e o passado, a vontade de partir e o dever de ficar. A escolha de Tânger funciona também neste sentido, uma cidade entre o Ocidente e o Oriente, que vive entre os tradicionais ideias islâmicos e uma nova tecnocracia sem alma.


Um Depardieu renovado e uma Deneuve descontraída são os líderes de um elenco consistente, protagonizando – com as devidas falhas humanas de indecisão e traição – o combate entre o amor ideal e o amor realista, na tentativa de escapar à inércia da sua existência.


A epifania desta história dá-se com um acidente improvável de um dos personagens. Talvez pelo excesso de romantismo de Téchiné, a história tem aqui o seu ponto fraco, que conduz o filme a um final fácil.


Os tempos mudam. E com eles, as relações, as culturas, as cidades, e o amor. Cabe-nos a nós saber discernir o que merece a pena perpetuar e lutar por aquilo em que acreditamos.





realizado por Rita às 21:02
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Sexta-feira, 18 de Março de 2005
Adeus, Dragon Inn ***

T.O.: Bu San. Realização: Tsai Ming-Liang. Elenco: Lee Kang-sheng, Chen Shiang-chyi, Mitamura Kiyonobu, Chun Shih, Miao Tien, Chen Chao-jung, Yang Kuei-Mei. Nacionalidade: Taiwan, 2003.





No cinema Fu-Ho de Taipei, projecta-se o filme “Dragon Inn” (Hu King, 1966). Ao longo da história percebemos que se trata da última sessão deste cinema em ruínas. Mas os seus poucos espectadores parecem mais interessados em fumar, comer ou passear do que em ver o filme, talvez justificando o lamento que o cinema perdeu, nos dias de hoje, grande parte do seu magnetismo.


Um turista japonês (Kiyonobu) foge da chuva. Como um convite, segura um cigarro por acender, até ser conduzido ao corredor secreto onde passam homossexuais, como sombras anónimas. A jovem que trabalha na bilheteira (Shiang-chyi) coxeia pelas escadas e corredores, procurando o evasivo projeccionista (Kang-sheng).


Apenas um idoso (Tien) e o seu neto, e um homem circunspecto (Shih), vêem com atenção o que se passa na tela. Mais tarde percebemos que ambos são os jovens protagonistas da obra projectada. Num filme marcado pela frieza e pelo desencanto, o reencontro de ambos é o momento mais caloroso, adicionado-se, no entanto, à tristeza geral.


“Adeus, Dragon Inn” é um filme amargo sobre a solidão e o isolamento, o seu silêncio e os seus ecos. O cinema é aqui o espaço onde se cruzam, como fantasmas, vidas desligadas, onde as emoções não se tocam. É também uma história sobre o desejo e a perda.


Ming-Liang filma de uma forma extremamente lenta, arrastando-nos para o desespero dos seus personagens, para a angústia do seu sofrimento, e deixa-nos também a nós no mesmo silêncio. O contraste com a acção que se desenrola na tela é evidente.


O cinema torna-se o personagem mais importante da história, todos os recantos nos são mostrados, os corredoras, as janelas, as goteiras que deixam entrar a chuva. Como as rugas de um velho moribundo, todas as fissuras deste edifício degradado contam a história de quem passou por ali.


Mas é também ao cinema como experiência, como acto de dedicação e de afecto, que Ming-Liang se refere. E se o carácter abstracto deste filme o torna uma peça difícil de absorver, é talvez mais fácil entender o seu objecto: a ligação emocional que se atinge no escuro com a partilha de uma mesma experiência.





realizado por Rita às 08:58
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Sexta-feira, 11 de Março de 2005
Invasão Asiática

Depois de uma semana muito fraca no que a estreias cinematográficas disse respeito (mas às vezes dá jeito uma semana destas para conseguir por a agenda em dia), é com prazer que assinalamos nesta uma série de novidades de boa monta. E em particular a estreia em simultâneo de 3 filmes vindos do continente asiático, e ainda por cima filmes bem distintos, quer quanto às suas temáticas quer quanto ao seu estilo e mesmo quanto à sua origem (mas só mesmo este nosso espirito eurocentrista para criar esta formula do cinema asiático).


Assim, das artes marciais de "O Segredo dos Punhais Voadores" de Zhang Yimou, nome maior da 5ª geração do cinema chinês e realizador de (o para mim muito sobrevalorizado) "Herói", ao fantástico de "Old Boy" do coreano Park Chan-Wook, filme já de culto premiado em Cannes e no Fantasporto, passando pelos silêncios de Tsai Ming-Liang agora com "Adeus Dragon Inn", ficamos esta semana perante uma imagem mais abrangente do cinema que se faz hoje naquele continente.


Em nome da diversidade e do bom cinema, que sejam muito bem vindos.




por Sérgio

 



realizado por Rita às 14:02
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Terça-feira, 8 de Março de 2005
Bergman e pipocas

Numa mui boa reportagem do Y sobre a importância de Ingmar Bergman para a geração cinéfila de 60 e 70, publicada aquando da estreia de "Saraband" o último filme deste realizador, o crítico João Lopes dizia que os espectadores mais jovens teriam que construir a sua própria forma de se relacionar com Bergman, porque os tempos eram outros. Eu, ao ir ver o filme, deparei de facto com uma nova visão de Bergman só possível nos dias de hoje. Bergman ao som de pipocas. Passado o primeiro choque e o momento de nojo que se lhe seguiu, dei comigo a meditar sobre a realidade que se deparava à minha frente.


Bergman e pipocas.


Como seria possível conciliar no mesmo espírito estes dois conceitos tão diferentes como são o de ir ver um filme de Bergman e ir para o cinema comer pipocas? Como é possível associar no mesmo corpo o acto de ir comprar um bilhete para um filme de Bergman com o acto de ir comprar um pacote (ou balde ou o quer que seja) de pipocas? Será possível fazê-lo num momento contínuo ou será necessário um momento de espera, de distracção do cérebro que impeça uma qualquer reacção química que iniba o corpo de agir. Haverá um momento de remorso posterior, uma tomada de consciência do acto que se cometeu, uma dor que ficará para sempre escondida no mais profundo da alma?


Para todas estas questões não consegui arranjar resposta. Ultrapassa-me. Vai para lá de toda a minha sabedoria (que de facto não será assim tanta). Mas sobre Bergman e pipocas tenho uma certeza. Que não combinam. E que não pode ser de maneira nenhuma essa a forma como a nossa geração se deverá relacionar com ele.


Em fecho de escrita gostaria de deixar um pequeno conselho. "Saraband" está a passar nos cinemas Alvaláxia porque Bergman foi muito rigoroso nas condições em que o filme podia ser exibido, só dando autorização para que fosse exibido em cinemas que dispusessem de equipamento digital de projecção topo de gama ("Digital HD") do qual em Portugal só o cinema Alvalaxia é dotado.


Aconselharia o sr. Bergman a talvez incluir uma nova adenda à sua lista de exigências que proibisse a entrada de pipocas nas salas onde o seu filme fosse projectado (que eu acredito não existir já por incapacidade do realizador sueco em conceber, mesmo que no plano teórico, tal acto). E já agora um conselho também ao senhor Paulo Branco, (de quem o autor destas linhas muito aprecia o trabalho quer como exibidor quer como produtor). Que por decisão própria pusesse desde já em prática essa proibição e impedisse a entrada de comida na sala onde o filme está a ser exibido. É fácil, basta um cartaz a dizer "É proibido levar alimentos para dentro desta sala". Se quiser basta ir buscar um ao Monumental. Lá existem bastantes, estão bem visíveis e resultam.


Para finalizar gostaria de anunciar que irão passar este mês dois filmes de Bergman na Cinemateca. Sem pipocas. Conto lá ir.



P.S. - Que fique claro, este artigo não é nenhum manifesto anti-pipocas (bem, de facto até é). Mas acima de tudo tratou-se de uma tentativa de perscrutar o mais profundo da alma humana. Porque se é possível ao Homem conciliar Bergman com pipocas, então tudo é possível.




por Sérgio

 



realizado por Rita às 10:15
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Segunda-feira, 7 de Março de 2005
FANTASPORTO 2005 - OS VENCEDORES


SECÇÃO OFICIAL CINEMA FANTÁSTICO

GRANDE PRÉMIO: “Nothing”, de Vincenzo Natali (Canadá)
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI: "Bubba Ho-tep", de Don Coscarelli (EUA)
MELHOR REALIZAÇÃO: Robin Campillo por “Les Revenants” (França)
MELHOR ACTOR: Bruce Campbell em "Bubba Ho-tep" (EUA)
MELHOR ACTRIZ: Karen Black em “Firecracker” (EUA)
MELHOR ARGUMENTO: “Saw” (EUA)
MELHORES EFEITOS ESPECIAIS: “Natural City”, de Byung-chun Min (Coreia do Sul)
MELHOR CURTA-METRAGEM: “La Dernière Minute”, de Nicolas Salis (França)


SEMANA DOS REALIZADORES

PRÉMIO SEMANA DOS REALIZADORES: “Old Boy”, de Chan-wook Park (Coreia do Sul)
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI: “Sideways”, de Alexander Paine (EUA)
MELHOR REALIZADOR: Naoto Kamazava por “Birthday”, episódio de “Tokyo Noir”
MELHOR ACTOR: Paul Giamatti, em “Sideways” (EUA)
MELHOR ACTRIZ: Kate Elliot, em “Fracture” (Nova Zelândia)
MELHOR ARGUMENTO: “Old Boy” (Coreia do Sul)


SECÇÃO ORIENT EXPRESS

GRANDE PRÉMIO: “My Mother the Mermaid”, de Heung-shih Park (Coreia do Sul)
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI: “Vital”, de Shinya Tsukamoto (Japão)


MÉLIES D’ARGENT

LONGA-METRAGEM: “Les Revenants”, de Robin Campillo (França)
CURTA-METRAGEM: “La Dernière Minute”, de Nicolas Salis (França)


MELHOR CURTA-METRAGEM PORTUGUESA: “Abraço do Vento”, de José Manuel Ribeiro
MENÇÃO HONROSA: “Pastoral”, de José Barahona


PRÉMIO DO JÚRI DA CRITICA: “Vinzent”, de Ayassi (Alemanha)


PRÉMIO DO JÚRI DA AUDIÊNCIA/JN: “Constantine”, de Francis Lawrence (EUA)


PRÉMIOS CARREIRA - FANTAS 25 ANOS
John Hurt
Karen Black
Guillermo del Toro
Dario Argento
Claudio Simonetti
Vicenzo Natali
Doug Bradley
Tino Navarro
Brian Yuzna
GNR


por Sérgio

 



realizado por Rita às 11:46
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Quinta-feira, 3 de Março de 2005
Million Dollar Baby ****

Realização: Clint Eastwood. Elenco: Hilary Swank, Clint Eastwood, Morgan Freeman. Nacionalidade: EUA, 2004.





Maggie (Swank) cresceu na pobreza e o seu maior sonho é tornar-se boxista. Frankie (Eastwood) é um treinador de boxe teimoso e pessimista, que lê W.B.Yeats e que vai à igreja procurando o perdão que lhe foge há 23 anos. Maggie quer que Frankie seja o seu treinador. Frankie não treina raparigas. Mas após ser abandonado pelo seu boxista aspirante ao título e pela perseverante insistência de Maggie, Frankie acaba por aceitar o desafio. A narração desta história é feita por Scrap (Freeman), um amigo de longa data de Frankie que toma conta do ginásio, na mesma voz poética que usou em “The Shawshank Redemption” (Frank Darabont, 1994).


Tanto Maggie como Frankie acreditam que não precisam de ninguém, mas no final acabam por dar-se conta de que têm apenas (pelo menos) a ajuda um do outro. As ausências familiares de ambos são preenchidas nesta relação. E o lema de Frankie, “protege-te sempre”, passa a ser vivido a dois.


Apesar de ser um filme sobre boxe, na linha de “Rocky” (John G. Avildsen, 1976) e “O Touro Enraivecido” (Martin Scorsese, 1980), este é um facto que acaba por tornar-se secundário ao drama vivido pelos personagens.


O argumento de Paul Haggis é bastante elementar. Até o final, que se apresenta como “diferente”, é consideravelmente previsível. Eastwood dá preferência a um “combate” lento e progressivo, em que cada momento nos prepara para o momento seguinte, em detrimento de um “K.O.” rápido e surpreendente. Confesso que tendo a gostar mais do segundo. E apesar da forma sinusoidal da narrativa, que tem a expectativa de nos arrastar, devo confessar que, exceptuando a raiva pelos familiares usurpadores de Maggie, este filme não despertou em mim grandes emoções.


Mas isto não tira mérito ao trabalho de Eastwood. Com efeito aquilo que ele consegue, como actor, realizador, director de actores e até como compositor é bastante valioso, tendo em conta que parte de um texto sem grandes ambições. Eastwood consegue construir uma orgânica que dá credibilidade a todas as palavras e acções. Outro dos seus méritos é nunca deixar que o drama caia no exagero, controlando subtilmente os diversos estados de alma. Adicionalmente, oferece-nos cenas de boxe graficamente violentas, mas incrivelmente bem filmadas.


A ajudar estão Freeman, no seu consistente registo de genial actor secundário, e Swank, mostrando mais uma vez uma portentosa dedicação à personagem. O ponto forte deste filme é, com efeito, a forma sólida como estas estão construídas.


Apesar de “Million Dollar Baby” estar, na minha opinião, uns pontos abaixo de “Mystic River” (2003) é, sem sombra de dúvida, uma bela manifestação de que, aos 74 anos, Eastwood está em óptima forma para aplicar toda a sua experiência ao serviço da arte cinematográfica.






CITAÇÕES:


“Mo cuishle. It means "my darling, my blood".”
CLINT EASTWOOD (Frankie Dunn)





realizado por Rita às 23:05
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Hotel Rwanda ***

Realização: Terry George. Elenco: Don Cheadle, Sophie Okonedo, Nick Nolte, Joaquin Phoenix, Desmond Dube, David O'Hara, Cara Seymour, Fana Mokoena, Hakeem Kae-Kazim, Tony Kgoroge. Nacionalidade: Canadá / Reino Unido / Itália / África do Sul, 2004.





Quando a Bélgica ocupou o território do Ruanda dividiu a população segundo características físicas: os mais altos, de pele mais clara e narizes mais finos eram Tutsi, os restantes Hutu (a classe inferior, porque menos ocidentalizada). Os colonizadores incentivaram o confronto entre as duas etnias, e o ódio intensificou-se após a independência no princípio dos anos 60.


Na Primavera de 1994, o assassinato do presidente do Ruanda, o general Hutu Juvenal Habyarimana, desencadeou uma guerra civil sangrenta. Durante 4 meses, os extremistas Hutu mataram mais de um milhão de Tutsi (a quem chamavam ‘baratas’). Especula-se que o próprio assassinato possa ter sido obra de extremistas Hutu para motivar o conflito. Mas a milícia Interahamwe não perdeu tempo, dando início ao extermínio. Este genocídio assumiu proporções ainda mais graves, porque o mundo o ignorou e se recusou a intervir.


No meio desse horror, emergiu uma figura heróica, um homem que fez tudo ao seu alcance para salvar a vida a mais de mil adultos e crianças, na sua maioria Tutsi: Paul Rusesabagina.


Paul (Cheadle) é gerente do elegante Hotel des Mille Collines, propriedade da empresa belga Sabena, em Kigali e é Hutu. A sua mulher, Tatiana (Okonedo) é Tutsi, tal como os restantes familiares. Quando a violência começa, Paul consegue levar a sua família para o hotel, que se encontrava protegido devido à presença de cidadãos estrangeiros. Com o agravar do conflito, Paul vê-se forçado a transformar o seu hotel num campo de refugiados.


Com o mesmo profissionalismo com que gere o hotel, negoceia com “amigos” e “inimigos”, sabendo que essa pode ser a diferença entre a vida e a morte de muitos. Acompanhamos a luta, o desespero, a frustração e a raiva de um homem que arriscou a sua vida e a da sua família contra a tirania e a opressão. Cheadle, no seu primeiro grande papel de protagonista, é coragem e compaixão, carisma e instinto.


A acompanhá-lo no elenco, Nolte como um coronel, ao princípio meio deslocado, que, com o agravar do conflito, se vê exasperado pelo seu esforço em conter uma situação da qual a maioria do mundo não quer saber. Por sua vez, Phoenix é o jornalista, em representação de todos os que tentaram chamar a atenção do mundo para esta tragédia. Como diz a sua personagem: “Se as pessoas virem isto dirão ‘Oh, meu Deus, é horrível’, e continuarão a jantar.”.


Apesar da Cruz Vermelha estimar centenas de milhares de baixas, a ONU reduziu o seu contingente de 2500 para 270 soldados. Perante este hediondo espectáculo de guerra, os líderes ocidentais decidiram não fazer nada, recusando dar autoridade às forças da ONU, que apenas se preocuparam em evacuar os cidadãos estrangeiros, deixando o Ruanda à sua sorte. Aparentemente, a promessa de “nunca mais” proferida depois do Holocausto esvazia-se de sentido se o genocídio tiver lugar em África.


O momento em que se ouve na rádio a dissecação, por parte de um oficial da ONU, do significado da palavra ‘genocídio’ e das condições de aplicabilidade da mesma, questionando se o limite já teria sido alcançado no caso do Ruanda, é, no mínimo, de dar voltas ao estômago. Enquanto se discute semântica, as forças de intervenção estão impedidas de agir.


Como filme, é inevitável a comparação com “A Lista de Schindler” (Steven Spielberg, 1993), mas reduzi-lo a esse termo relativo seria retirar o valor desta peça, como descritivo único de uma situação de extrema desumanidade. No entanto, George (que escreveu o argumento de “Em Nome do Pai” – Jim Sheridan, 1993) retrai-se na dramatização da violência. As cenas mais brutais são filmadas à distância. George arrisca pouco, perdendo-se em planos românticos entre Paul e a sua mulher. A vergonha do mundo seria maior com um pouco mais de coragem na realização.


Mas independentemente da sua qualidade cinematográfica, este filme tem dois méritos: um é contar o que se passou neste país africano em 1994; outro é personalizar a história, retirando as abstracções onde a nossa consciência humanitária gosta de se refugiar. Esta é uma perturbante recordação da falta de sentido que tem o ódio étnico e/ou religioso (já para não falar de outros ódios). E este não é um exemplo isolado. Conflitos actuais reforçam a ideia de que o Homem é incapaz de aprender com a História. A minha esperança é que este filme sensibilize as pessoas certas.


Para finalizar, quero aproveitar este espaço para pedir desculpa pela minha falta de atenção. Fui daqueles que continuou a jantar mesmo depois das imagens deste genocídio terem passado à frente dos meus olhos.






CITAÇÕES:


“When people ask me, good listeners, why do I hate all the Tutsi, I say: read our history. The Tutsi were collaborators for the belgian colonists, they stole our Hutu land, they whipped us. Now they have come back, these Tutsi rebels. They are cockroaches. They are murderers. Rwanda is our Hutu land. We are the majority. They are a minority of traitors and invaders. We will squash the infestation. We will wipe out the RPF rebels. This is RTLM Hutu power radio. Stay alert. Watch your neighbours.”
RÁDIO VOZ-OFF


“We're here as peace keepers, not peace makers.”
NICK NOLTE (Colonel Oliver)


“If people see this they'll say 'Oh my God, that is horrible,' and then go on eating their dinners.”
JOAQUIN PHOENIX (Jack)





realizado por Rita às 21:59
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Quarta-feira, 2 de Março de 2005
Sideways ***

Realização: Alexander Payne. Elenco: Paul Giamatti, Thomas Haden Church, Virginia Madsen, Sandra Oh. Nacionalidade: EUA / Hungria, 2004.





Miles (Giamatti) é um professor de inglês, apreciador de vinhos, divorciado, que espera a qualquer momento a sua oportunidade de editar um livro. O melhor amigo de Miles, Jack (Haden Church) é um actor reduzido a fazer voz-off em anúncios, e está prestes a casar.


Para celebrar essa última semana de liberdade, Miles leva Jack numa viagem pela região vinícola da Califórnia. Mas Jack está mais interessado nos prazeres da carne que nos da bebida e nesta viagem conhece Stephanie (Oh, mulher do realizador), com quem inicia uma atribulada relação. Miles, por sua vez, ainda emocionalmente preso à sua ex-mulher, vê a possibilidade de retornar à superfície com Maya (Madsen), especialmente seduzido pela forma como ela aprecia e entende o vinho.


“Sideways” é um road movie que marca o ritual de passagem à idade adulta, entendida como a altura em que aprendemos a enfrentar os nossos medos, a aceitarmos os outros e a nós mesmos, e em que descobrimos o que queremos da vida. Como um vinho que atinge a maturidade, é na meia-idade que estamos prontos a ser abertos e bebidos. Ou melhor, a abrirmo-nos e a beber a vida.


Enquanto Jack só se quer divertir, como um adolescente irresponsável que foge o mais que pode ao peso de ser adulto, Miles sente-se impotente para o fazer, controlando pequenas coisas ao seu redor para se sentir seguro. Jack chega ao final desta viagem um pouco mais crescido e Miles um pouco mais livre.


Giamatti é um perito na transposição da dor, seja ela dramática ou cómica, como acontece em “American Splendor” (Shari Springer Berman e Robert Pulcini, 2003). Mais uma lacuna nas nomeações para os Oscar.


Por outro lado, o argumento de Alexander Payne e Jim Taylor tem o mérito de nunca nos fazer desprezar estas personagens cheias de falhas. Conseguimos mesmo alguma empatia por estes dois homens honestos, que, sem se entenderem, se aceitam. E essa aceitação é, com efeito, a base da verdadeira amizade.


“Sideways” flui com os desejos e necessidades das personagens, sem querer provar nada, sem querer confrontá-los com os seus erros ou redimi-los dos mesmos. Este filme tocará quem já se tenha sentido frustrado ou olhado o largo abismo entre a montanha das suas ambições e o fundo vale da sua realidade.


Sem grande acção, a mensagem perde-se algures entre as belíssimas paisagens e a conversa sobre vinhos, tão detalhada que quase os conseguimos cheirar e saborear. Quando saí do cinema a minha mão já desenhava, ansiosa, os contornos de um belo copo de Pinot.






CITAÇÕES:


“I do like to think about the life of wine, how it's a living thing. I like to think about what was going on the year the grapes were growing, how the sun was shining that summer or if it rained... what the weather was like. I think about all those people who tended and picked the grapes, and if it's an old wine, how many of them must be dead by now. I love how wine continues to evolve, how every time I open a bottle its going to taste different than if I had opened it on any other day. Because a bottle of wine is actually alive - it's constantly evolving and gaining complexity. That is, until it peaks - like your '61 - and begins its stead, inevitable decline. And it tastes so fucking good.”
VIRGINIA MADSEN (Maya)





realizado por Rita às 20:29
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Terça-feira, 1 de Março de 2005
Vera Drake ****

Realização: Mike Leigh. Elenco: Imelda Staunton, Richard Graham, Eddie Marsan, Anna Keaveney, Alex Kelly, Daniel Mays, Phil Davis, Heather Craney, Jim Broadbent, Ruth Sheen, Peter Wight. Nacionalidade: Reino Unido, 2004.





A personagem Vera Drake é Imelda Staunton. O filme “Vera Drake” é Imelda Staunton.


Vera Drake é uma mulher das limpezas de média idade, na Londres do pós-segunda guerra mundial. A sua dedicação à família equivale ao seu cuidado com os menos afortunados, nos quais se incluem as jovens que engravidam fora do casamento. Nos seus tempos livres, Vera faz abortos e, apesar da forma fria como o processo se desenrola, as suas motivações são honestas e generosas. Ela genuinamente acredita que alguém as tem de ajudar: ela. Por isso, não cobra dinheiro pelo serviço, e permanece ignorante do lucro que a sua amiga Lily (Sheen) faz ao intermediar o contacto com as “clientes”.

Ao seu redor existe uma família unida, composta por um marido dedicado, Stan (Davis), um filho carismático, Sid (Mays) e uma tímida filha, Ethel (Kelly). Quando parece que a vida desta família começa a entrar nos eixos, com Ethel ficando noiva do reservado vizinho Reg (Marsan), uma das mulheres de quem Vera trata precisa de ser hospitalizada em resultado da sua intervenção, dando início a um processo judicial com consequências irreversíveis.


Mike Leigh não faz deste filme um manifesto a favor do aborto, e a personagem de Staunton não é usado como arauto de uma causa. Leigh não moraliza nem opta for fazer um sermão. Centra-se na dor de uma família que tem de lidar com a ruptura, e a destruição de uma mulher de bom coração às mãos de leis rígidas e cínicas.


Mas Leigh não precisa de dizer muito mais, porque o filme, por si só, descreve um sem número de situações limite, incluindo a de uma família abastada que pode, por meios médicos mais seguros (e procedimentos definitivamente hipócritas), “resolver o problema”. Com a sua câmara, Leigh leva-nos a espaços íntimos, mostrando-nos tudo o que precisamos saber sobre as pessoas que os habitam.


Staunton, imerecidamente preterida nos Óscares, é magistral, num tour de force que vai desde a mãe de família alegre à criminosa aterrorizada, com receio sobretudo do impacto que as revelações terão na sua família, ignorante das suas actividades. A sua expressão ferida corta tanto como o seu sorriso aberto nos tinha antes contagiado.


Davis, como o marido que tenta esconder o seu desapontamento para manter a família unida e apoiar a sua mulher, é uma contracena tocante. Os sentimentos conflituosos surgem personalizados no Inspector Webster (Wight) – dever vs. compaixão – e em Sid – o choque e a raiva vs. amor filial – com igual qualidade.


Um filme sobre compaixão e bondade, tremendamente cru, e surpreendentemente actual (pelo menos em Portugal, uma vez que o aborto foi legalizado em Inglaterra em 1967) quanto à moral e as atitudes em relação ao sexo e ao aborto, evidenciando o pouco que a sociedade evoluiu na sua tolerância e no seu respeito pelo ser humano.






CITAÇÕES:


“I'll just put the kettle on, dear, while you take your knickers off and lie down on the bed. (...) And tomorrow you'll get a pain down there, and you'll go to the toilet, and it will all come out…”
IMELDA STAUNTON (Vera Drake)





realizado por Rita às 09:01
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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Ágora
After.Life
Alatriste
Albert Nobbs
Alex
Alexander
Alfie
Alice In Wonderland
All The Invisible Children
Amants Réguliers, Les
American, The
American Gangster
American Splendor
Amor Idiota
Amours Imaginaires, Les
An Education
An Obsession
Ana Y Los Otros
Anche Libero Va Bene
Angel-A
Anges Exterminateurs, Les
Answer Man, The
Anthony Zimmer
Antichrist
Apocalypto
Approaching Union Square
Après Vous...
Arnacoeur, L’
Arsène Lupin
Artist, The
Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
Astronaut Farmer, The
Asylum
Atonement
Ausentes
Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec, Les
Aviator, The
Away We Go
Azuloscurocasinegro

B
Baader-Meinhof Komplex, Der
Babel
Babies
Backstage
Ballad of Jack and Rose, The
Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
Battle in Seattle
Be Kind Rewind
Bee Movie
Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
World Trade Center
Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
X-Men: First Class
X-Men Origins: Wolverine

Y
Yo Soy La Juani
Young Adult
Youth in Revolt
Youth Without Youth

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Zack And Miri Make A Porno

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Agosto 2004

Festivais e Prémios
- FANTASPORTO
- FESTROIA
- INDIE LISBOA
- FESTIVAL DE CINEMA GAY E LÉSBICO DE LISBOA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS DE VILA DO CONDE
- DOCLISBOA
- CINANIMA
- CineECO
- FamaFEST
- FICA
- FESTIVAL DE CINEMA LUSO-BRASILEIRO DE SANTA MARIA DA FEIRA
- fest | FESTIVAL DE CINEMA E VÍDEO JOVEM DE ESPINHO
- CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS
- FESTIVAL DE CANNES
- LES CÉSAR DU CINEMA
- PREMIOS GOYA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DONOSTIA - SAN SEBASTIAN
- LA BIENNALE DI VENEZIA
- FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL FILM - LOCARNO
- INTERNATIONALE FILMSPIELE BERLIN<
- BAFTA
- LONDON FILM FESTIVAL
- EDINBURGH INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- OSCAR
- SUNDANCE FILM FESTIVAL
- GOLDEN GLOBES
- NEW YORK FILM FESTIVAL
- SAN FRANCISCO FILM FESTIVAL
- TORONTO INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- MONTRÉAL WORLD FILM FESTIVAL
- ROTTERDAM INTERNATIONAL FILM FESTIVAL