CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2005
Festival de Sundance 2005

Terminou ontem o Festival de Cinema Independente de Sundance. Destaque para o filme de Zézé Gamboa, “O Herói”, uma co-produção angolana, portuguesa e francesa, que arrecadou o grande prémio do júri na categoria internacional de drama. Os curiosos que se mantenham atentos aos seguintes filmes:



AMERICAN DOCUMENTARY COMPETITION

GRANDE PRÉMIO DO JÚRI
“Why We Fight”, de Eugene Jarecki

PRÉMIO DO PÚBLICO
“Murderball”, de Henry-Alex Rubin e Dana Adam Shapiro

MELHOR REALIZAÇÃO
Jeff Feuerzeig por “The Devil and Daniel Johnston”

MELHOR FOTOGRAFIA
Gary Griffin por “The Education of Shelby Knox”

MONTAGEM - PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI
Geoffrey Richman e Conor O’Neill por “Murderball”, de Henry-Alex Rubin e Dana Adam Shapiro

PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI
“After Innocence”, de Jessica Sanders


AMERICAN DRAMATIC COMPETITION

GRANDE PRÉMIO DO JÚRI
“Forty Shades of Blue”, de Ira Sacks

PRÉMIO DO PÚBLICO
“Hustle & Flow”, de Craig Brewer

MELHOR REALIZAÇÃO
Noah Baumbach por “The Squid and the Whale”

MELHOR FOTOGRAFIA
Amelia Vincent por “Hustle & Flow”

MELHOR ARGUMENTO (Waldo Salt Screenwriting Award)
Noah Baumbach por “The Squid and the Whale”

INTERPRETAÇÃO FEMININA - PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI
Amy Adams por “Junebug”, de Phil Morrison

INTERPRETAÇÃO MASCULINA - PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI
Lou Pucci por “Thumbsucker”, de Mike Mills

PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI PELA ORIGINALIDADE DA VISÃO
Miranda July por “Me and You and Everyone We Know” (argumento, realização e interpretação)
Ryan Johnson por “Brick” (realização)


WORLD CINEMA DOCUMENTARY COMPETITION

GRANDE PRÉMIO DO JÚRI
“Shape of the Moon”, de Leonard Retel Helmrich (Holanda)

PRÉMIO DO PÚBLICO
“Shake Hands With the Devil: The Journey of Romeo Dallaire”, de Peter Raymont (Canadá)

PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI
“The Liberace of Baghdad”, de Sean McAllister (Reino Unido)
“Wall”, de Simone Bitton (França / Israel)


WORLD CINEMA DRAMATIC COMPETITION

GRANDE PRÉMIO DO JÚRI
“O Herói”, de Zézé Gamboa (Angola/Portugal/França)

PRÉMIO DO PÚBLICO
“Brothers”, de Susanne Brier (Dinamarca)

PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI
“The Forest for the Trees”, de Maren Ade (Alemanha)
“Live-in Maid”, de Jorge Gaggero (Argentina / Espanha)


SHORT FILMS COMPETITION

MELHOR CURTA-METRAGEM
“Family Portrait”, de Patricia Riggen

MELHOR CURTA-METRAGEM INTERNACIONAL
“Wasp”, de Andrea Arnold (Reino Unido)

RECONHECIMENTO ESPECIAL
“Bullets in the Hood: a Bed-Stuy Story”, de Terrence Fisher e Daniel Howard

MENÇÕES HONROSAS
“One Weekend a Month”, de Erci Escobar
“Ryan”, de Chris Landreth (Canadá)
“Small Town Secrets”, de Katherine Leggett
“Tama Tu”, de Taka Waititi (Nova Zelândia)
“Victoria Para Chino”, de Kari Fukunaga

PRÉMIO ALFRED P. SLOAN (ciência e tecnologia)
“Grizzly Man”, de Werner Herzog

 



realizado por Rita às 19:59
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«E o Goya vai para . . .

...“Mar Adentro!”» Esta frase foi repetida 14 vezes (das 15 possíveis) na noite de ontem na entrega dos XIX prémios Goya pela Academia de las Artes y las Ciencias Cinematograficas de España. O grande perdedor foi “Má Educação”, de Pedro Almodóvar, o rebelde de estimação da academia.



MELHOR FILME
“Mar Adentro”, de Alejandro Amenábar

MELHOR REALIZADOR
Alejandro Amenábar por “Mar Adentro”

MELHOR ACTOR PRINCIPAL
Javier Bardem por “Mar Adentro”

MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL
Lola Dueñas por “Mar Adentro”

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Celso Bugallo por “Mar Adentro”

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Mabel Rivera por “Mar Adentro”

ACTOR REVELAÇÃO
Tamar Novas por “Mar Adentro”

ACTRIZ REVELAÇÃO
Belén Rueda por “Mar Adentro”

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
Alejandro Amenábar e Mateo Gil - “Mar Adentro”

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
José Rivera - “Diarios de motocicleta”, de Walter Salles

MELHOR NOVO REALIZADOR
Pablo Malo por “Frío sol de invierno”

MELHOR DOCUMENTÁRIO
“El milagro de Candeal”, de Fernando Trueba

MELHOR BANDA SONORA
Alejandro Aménabar - “Mar Adentro”

MELHOR CANÇÃO
"Zambie Mameto" de Carlinhos Brown e Mateus - “El milagro de Candeal”

MELHOR MONTAGEM
Guillermo S. Maldonado - “El Lobo”, de Miguel Courtois

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
Reyes Abades, Jesús Pascual e Ramón Lorenzo - “El Lobo”

MELHOR CARACTERIZAÇÃO
Jo Allen, Ana López Puigcerber, Mara Collazo e Manolo García - por “Mar Adentro”

MELHOR GUARDA-ROUPA
Yvonne Blake – “El Puente de San Luis Rey”, de Mary McGuckian

MELHOR SOM
Ricardo Steinberg, Alfonso Raposo, Juan Ferro e María Steinberg - “Mar Adentro”

MELHOR FOTOGRAFIA
Javier Aguirresarobe - “Mar Adentro”

MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA
Gil Parrondo - “Tiovivo c. 1950”, de José Luis Garci

MELHOR DIRECÇÃO DE PRODUÇÃO
Emiliano Otegui por “Mar Adentro”

MELHOR FILME EUROPEU
“Gegen die Wand” (“Contra la Pared”), de Fatih Akin (Alemanha)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO DE LÍNGUA ESPANHOLA
“Whisky”, de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
“P3K: Pinocho 3000”, de Daniel Robichaud

MELHOR CURTA-METRAGEM DE FICÇÃO
“Diez Minutos”, de Alberto Ruiz Rojo

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
“El enigma del chico croqueta”, de Pablo Llorens

MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTAL
“Extras”, de Ana Serret

GOYA DE HONRA
José Luis Lopéz Vasquéz

 



realizado por Rita às 08:28
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Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2005
Vanity Fair ***

Realização: Mira Nair. Elenco: Reese Witherspoon, Gabriel Byrne, Romola Garai, James Purefoy, Jim Broadbent, Rhys Ifans, Jonathan Rhys-Meyers, Bob Hoskins, Douglas Hodge, Eileen Atkins. Nacionalidade: Reino Unido / EUA, 2004.





Baseado no livro Vanity Fair de William Makepeace Thackeray, este filme conta a história de Becky Sharp (Witherspoon), uma jovem que ambiciona subir às mais altas esferas da sociedade, apesar da sua origem humilde de órfã e preceptora. Para isso, casa-se com Rawdon Crawley (Purefoy), um marido dedicado, mas também um jogador inveterado. Apenas a ajuda do Marquês de Steyne (Byrne), que tem as suas próprias motivações, vem evitar que eles percam tudo. A única amiga de Becky, Amelia (Garai) vive semelhantes desaires, mas no campo amoroso. A sua paixão pelo narcisista George (Rhys-Meyers), filho do comerciante John Osborne (Broadbent), torna-a cega à profunda devoção do companheiro de George, William (Ifans).


Nair aproveita Vanity Fair para fazer um eficaz anúncio publicitário ao seu país natal, a Índia, repetidamente referida na história, onde tudo são cores fortes, texturas ricas e felicidade transbordante. Talvez tenha sido esse mesmo o fascínio que o oriente exerceu sobre a Inglaterra do Século XIX. Em contrapartida, a Londres e a Bélgica são mostradas de uma forma mais contida, mais escura e agressiva. Reflexo de uma sociedade hipócrita onde o único valor é a posição social, alcançada pelo berço ou pelo bolso.


Nair poderia ter caído na teatralidade, mas esta versão cinematográfica de Vanity Fair (a 6ª) condensa uma extensa história da melhor forma possível, com um ritmo cadenciado e sem lacunas aparentemente determinantes. Além disso, Nair brinda-nos com um festim visual e uma sumptuosidade sem exageros (aflorando/honrando o tradicional Bollywood). O guarda-roupa, os cenários e a recriação de época estão engrandecidos por um magistral trabalho de cores, de cadência adaptada à força dramática da história.


Quanto às representações, este é o melhor papel de Witherspoon até à data. O que não quer necessariamente dizer que o tenha feito bem. Com efeito, falta-lhe o calculismo, a frieza e o pulso que Becky Sharp deveria ter. Witherspoon é demasiado agradável e boazinha. Esta falha de casting é tanto mais notória quando consideramos o restante elenco. Todo ele de tirar a respiração: de Gabriel Byrne a Jim Broadbent, de Bob Hoskins a Eileen Atkins (os veteranos), de Rhys Ifans (refrescante num registo dramático) a Jonathan Rhys-Meyers (que continua a construir um sólido currículo), de Jim Purefoy a Romola Garai (tornando fácil esquecer que ela foi o equivalente de Jennifer Grey em Dirty Dancing: Havana Nights).


Em suma: duas horas e um quarto de entretenimento que enchem os olhos.





CITAÇÕES:


“Revenge may be wicked, but it's perfectly natural.” REESE WITHERSPOON (Beckie Sharp)






realizado por Rita às 20:54
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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2005
Closer - Perto Demais ****

“If you believe in love at first sight, you never stop looking.”



T.O.: Closer. Realização: Mike Nichols. Elenco: Jude Law, Julia Roberts, Clive Owen, Natalie Portman. Nacionalidade: EUA, 2004.





Longe da comédia romântica, “Closer” traz-nos a tragédia do amor, numa rede apertada de ciúme, desejo e traição.


Dan (Law), um escritor falhado que escreve obituários, cruza-se com Alice (Portman), recém-chegada dos Estados Unidos, no meio de uma rua de Londres. Amor à primeira vista. Mas, como diz o subtítulo, se acreditamos nesse amor instantâneo, nunca iremos parar de olhar. E é isso que acontece. Passado uns meses, Dan conhece Anna (Roberts) numa sessão fotográfica e esse é o início de um trágico desmoronar de valores.


À semelhança do encontro de Dan e Alice, o de Anna e Larry (Owen), motivado por uma confusão de identidades através de um chat de Internet, é também ele metafórico, no que respeita à ignorância e ao engano de que serão alvo, pelos outros e também pelos seus próprios sentimentos.


A verdade é constantemente evocada, e aparece muitas vezes misturada com uma crua honestidade, sem compaixão. Mas nenhum deles é sincero, a não ser na sua infidelidade. Anna procura a verdade, mas adia-a repetidamente (aliás, a inércia do personagem será talvez o ponto mais fraco desta história). Larry joga com os sentimentos dos outros para conseguir o que pretende: Anna. Dan exige a verdade, mas mostra-se ressentido quando a encontra. Alice, habituada à ilusão na sua profissão de stripper, parece ser a única que assume e luta pelo seu compromisso, fiel ao amor que sente.


Como a maioria dos filmes interessantes sobre sexo, a adaptação da peça de Patrick Marber, é sobretudo conversa. Um poderoso diálogo, expressivo em termos sexuais e tão vivo que nos pode esgotar. Mas de uma força dramática que pode bem abster-se de recorrer à montagem fácil de um jogo de lençóis. O sexo verbal que domina o filme é vigoroso, compulsivo, por vezes doloroso e ocasionalmente divertido.


Nichols fecha os planos nas caras dos actores, para que vejamos a dor e o sofrimento de perto. Evidencia o desequilíbrio com cortes cronológicos na narrativa (de meses e até anos), que nos são indicados apenas no diálogo. Com efeito, muita da acção decorre fora do ecrã, nesses espaços de tempo. Vemos as causas e as consequências apenas. Como fotografias coladas.


Por isso os personagens aparecem algo abstractos, sem família, amigos, passado ou futuro. Fica a sensação de que todos vivem num constante tumulto emocional e que só existem em relação a cada um dos outros. Apesar disso, o trabalho de representação é bastante consistente. Mas se tivesse de salientar alguém, seria Owen, talvez por ter o personagem mais denso.


“Closer” fala sobre pele: afinal de contas, existe uma stripper e um dermatologista (Larry). A pele como elemento de contacto com os outros, a pele como protecção e como barreira. Mas uma das cenas mais fortes do filme, que se desenrola no local de trabalho de Alice, é mais memorável pela nudez emocional de Larry do que pela nudez física de Alice. Quanto à pele do espectador, essa fica a cargo da voz de Damien Rice, no belíssimo tema The Blower’s Daughter.


Ao contrário das histórias românticas habituais, “Closer” tem a virtude da imprevisibilidade. Como a vida, como o amor. Nem um nem outro isentos de dificuldades, de dores, de culpa. Quanto mais perto chegamos de alguém, maior a probabilidade de nos magoarmos. Mas valeria a pena viver as coisas de outro modo?






CITAÇÕES:


“- You women don't understand the territory... because you ARE the territory. CLIVE OWEN (Larry)
- It's not a war.” NATALIE PORTMAN (Alice)


“Have you ever seen a human heart? It is like a closed fist wrapped in blood.” CLIVE OWEN (Larry)


“I don’t love you anymore, goodbye.” NATALIE PORTMAN (Alice)


“I know who you are. I love you. I love everything about you that hurts.” CLIVE OWEN (Larry)


“Where is this "love"? I can't see it, I can't touch it. I can't feel it. I can hear it. I can hear some words, but I can't do anything with your easy words.” NATALIE PORTMAN (Alice)


“What's so great about the truth? Try lying for a change - it's the currency of the world.” JUDE LAW (Dan)



DAMIEN RICE

The Blower's Daughter


And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new






realizado por Rita às 22:49
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2005
Maria Cheia de Graça ****

T.O.: Maria Full of Grace. Realização: Joshua Marston. Elenco: Catalina Sandino Moreno, Yenny Paola Vega, Virginia Ariza, Johanna Andrea Mora, Wilson Guerrero, John Álex Toro, Guilied Lopez, Patricia Rae, Orlando Tobon. Nacionalidade: EUA / Colômbia, 2004.





O transporte de droga utilizando “correios” humanos faz-se através da ingestão da mercadoria, para a traficar para outros países e mais dificilmente serem detectados nas alfândegas. É um trabalho arriscado, ilegal e que pode ser letal.


Maria (uma brilhante interpretação de Sandino Moreno) é uma jovem colombiana de 17 anos que deixa o seu trabalho numa plantação de rosas após uma discussão com o seu patrão. Com a sua família (avó, mãe, irmã e sobrinho) a depender do seu salário para viver, o desespero de Maria é agravado pela descoberta de que se encontra grávida. Recusando-se a casar com o pai da criança, que não ama, viaja até Bogotá para procurar trabalho e encontra Franklin (Toro), que lhe apresenta uma oportunidade financeiramente irrecusável: ser “correio”. Acompanhada pela sua melhor amiga Blanca (Vega) e Lucy (Lopez), um outro “correio”, Maria irá transportar no seu estômago 63 invólucros com droga até Nova Iorque.


Numa linha quase documental, “Maria Cheia de Graça” é um filme meticuloso na forma como descreve todo o processo de tráfico: vemos como são feitos os invólucros, como os “correios” treinam para engoli-los sem vomitar, como os ingerem, o que têm de fazer se por acaso os invólucros são expelidos fora de tempo.


Mas o trabalho de Marston (na sua primeira longa-metragem) é também detalhista (e irrepreensível) na clareza com que trabalha os personagens, dando-lhes dimensão e motivações: Maria, desesperadamente infeliz com a sua vida, procura uma oportunidade para si e para o filho que espera; Blanca aceita o trabalho por aborrecimento, teimosia e dinheiro; Lucy faz o seu terceiro transporte e talvez seja agora que arranja coragem para se reunir com a sua irmã em Nova Iorque.


Sem aborrecer, este filme é calmo e toma o seu tempo. Marston preocupa-se em descrever as situações sem falhas, mas também sem sentimentalismo ou manipulação.


O título do filme - retirado da oração Avé Maria - e a imagem do poster - a comunhão, substituindo a óstia por um invólucro de droga - podem fazer esperar um filme carregado de iconografia religiosa. Mas não é o caso. Apesar da crítica implícita à hipocrisia inerente a uma sociedade fortemente religiosa, Marston não insiste neste ponto. Maria, Blanca e Lucy são vítimas, mas não inocentes, escolhendo o caminho errado pelas melhores razões.


Em silêncio, a última cena, poderosa e transcendente, é o culminar desta experiência na tentativa de Maria ganhar controlo sobre a sua própria vida. “Maria Cheia de Graça” é sobretudo um drama emocional. Perturbante.






CITAÇÕES:


“I think it’s very common with all the rhetoric and ideology of the drug war, to pitch drug mules and drug traffickers as criminals and demonize them. Reduce them and flatten them to two-dimensional cut-outs of people who need to be put in prison, and thereby justify a whole politics and machinery that’s geared towards spending more and more money on prisons, and tanks and helicopters in order to fight the drug problem. I think if we’ve seen anything in 40 years of fighting the drug war, it’s that that doesn’t work. And what we need to be doing is spending more money on the other side of the problem, on the human side.
In Colombia that would mean spending more money on schools, and investing in the economy, and in creating more possibilities for somebody to earn a living with dignity. And on the United States side that means spending less money on prisons and police and putting non-violent offenders in prison, and more money on helping people to rehabilitate themselves and treating the drug problem as a public health problem rather than as a criminal problem.”


JOSHUA MARSTON (sobre as razões que o levaram a realizar este filme)





realizado por Rita às 20:32
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Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005
Golden Globes 2005

Questionando a validade que este tipo de prémios possam ter, aqui ficam os resultados da 62ª edição dos Golden Globes:



MELHOR FILME – DRAMA
Vencedor: “The Aviator”, de Martin Scorsese
Outros nomeados:
“Closer”, de Mike Nichols
“Finding Neverland”, de Marc Forster
“Hotel Rwanda”, de Terry George
“Kinsey”, de Bill Condon
“Million Dollar Baby”, de Clint Eastwood

MELHOR FILME - MUSICAL OU COMÉDIA
Vencedor: “Sideways”, de Alexander Payne
Outros nomeados:
“Eternal Sunshine of the Spotless Mind”, de Michel Gondry
“The Incredibles”, de Brad Bird
“The Phantom of the Opera”, de Joel Schumacher
“Ray”, de Taylor Hackford

MELHOR ACTOR - DRAMA
Vencedor: Leonardo DiCaprio por “The Aviator”, de Martin Scorsese
Outros nomeados:
Javier Bardem por “Mar Adentro”, de Alejandro Amenábar
Don Cheadle por “Hotel Rwanda”, de Terry George
Johnny Depp por “Finding Neverland”, de Marc Forster
Liam Neeson por “Kinsey”, de Bill Condon

MELHOR ACTRIZ - DRAMA
Vencedora: Hilary Swank por “Million Dollar Baby”, de Clint Eastwood
Outros nomeados:
Scarlett Johansson por “A Love Song for Bobby Long”, de Shainee Gabel
Nicole Kidman por “Birth”, de Jonathan Glazer
Imelda Staunton por “Vera Drake”, de Mike Leigh
Uma Thurman por “Kill Bill: Vol.2”, de Quentin Tarantino

MELHOR ACTOR - MUSICAL OU COMÉDIA
Vencedor: Jamie Foxx por “Ray”, de Taylor Hackford
Outros nomeados:
Jim Carrey por “Eternal Sunshine of the Spotless Mind”, de Michel Gondry
Paul Giamatti por “Sideways”, de Alexander Payne
Kevin Kline por “De-Lovely”, de Irwin Winkler
Kevin Spacey por “Beyond the Sea”, de Kevin Spacey

MELHOR ACTRIZ - MUSICAL OU COMÉDIA
Vencedora: Annette Bening por “Being Julia”, de István Szabó
Outros nomeados:
Ashley Judd por “De-Lovely, de Irwin Winkler
Emmy Rossum por “The Phantom of the Opera”, de Joel Schumacher
Kate Winslet por “Eternal Sunshine of the Spotless Mind”, de Michel Gondry
Renée Zellwegger por “Bridget Jones: The Edge of Reason”, de Beeban Kidron

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Vencedor: Clive Owen por “Closer”, de Mike Nichols
Outros nomeados:
David Carradine por “Kill Bill: Vol.2”, de Quentin Tarantino
Thomas Haden Church por “Sideways”, de Alexander Payne
Jamie Foxx por “Collateral”, de Michael Mann
Morgan Freeman por “Million Dollar Baby”, de Clint Eastwood

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Vencedora: Natalie Portman por “Closer”, de Mike Nichols
Outros nomeados:
Cate Blanchet por “The Aviator”, de Martin Scorsese
Laura Linney por “Kinsey”, de Bill Condon
Virginia Madsen por “Sideways”, de Alexander Payne
Meryl Streep por “The Manchurian Cadidate”, de Jonathan Demme

MELHOR REALIZADOR
Vencedor: Clint Eastwood por “Million Dollar Baby”
Outros nomeados:
Marc Forster por “Finding Neverland”
Mike Nichols por “Closer”
Alexander Payne por “Sideways”
Martin Scorsese por “The Aviator”

MELHOR ARGUMENTO
Vencedor: “Sideways” – Alexander Payne e Jim Taylor
Outros nomeados:
“The Aviator” – John Logan
“Closer” – Partrick Marber
“Eternal Sunshine of the Spotless Mind” – Charlie Kaufman
“Finding Neverland” – David Magee

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Vencedor: Old Habits Die Hard – “Alfie”
Outros nomeados:
Million Voices – “Hotel Rwanda”
Learn To Be Lonely – “The Phantom of the Opera”
Believe – “The Polar Express”
Accidentally In Love – “Shrek 2”

MELHOR BANDA SONORA
Vencedor: “The Aviator” – Howard Shore
Outros nomeados:
“Finding Neverland” – Jan A.P. Kaczmarek
“Million Dollar Baby” – Clint Eastwood
“Sideways” – Rolfe Kent
“Spanglish” – Hans Zimmer

MELHOR FILME DE LÍNGUA NÃO INGLESA
Vencedor: “Mar Adentro”, de Alejandro Amenábar
Outros nomeados:
“Un Long Dimanche de Fiançailles”, de Jean-Pierre Jeunet
“Shi mian mai fu” (“The House of the Flying Daggers”), de Zhang Yimou
“Diarios de Motocicleta”, de Walter Salles
“Les Choristes”, de Christophe Barratier

 



realizado por Rita às 08:16
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2005
Finding Neverland ***

Realização: Marc Forster. Elenco: Johnny Depp, Kate Winslet, Julie Christie, Rhada Mitchell, Dustin Hoffman, Freddie Highmore, Joe Prospero, Nick Roud, Luke Spill, Ian Hart, Kelly Macdonald. Nacionalidade: EUA / Reino Unido, 2004.





Londres. 1903. O dramaturgo escocês J.M. Barrie (1860-1937) (Johnny Depp) assiste ao falhanço da sua mais recente peça. Na sua procura de inspiração pelos jardins de Kensington conhece a família Llewelyn Davies: quatro jovens rapazes e a sua mãe recentemente viúva, Sylvia (Kate Winslet). Apesar da desaprovação desta amizade por parte da mãe de Sylvia, Emma du Maurier (Julie Christie), e da própria mulher de Barrie, Mary (Radha Mitchell), a amizade com esta família, em especial através das brincadeiras com as crianças, serviu de matéria-prima para a famosa obra Peter Pan.


Um pouco à semelhança do ainda por estrear “Being Julia”, de István Szabó, este é também um filme sobre o teatro, a sua magia, a sua força e a sua capacidade de tocar os espectadores de uma forma que muito raramente o cinema consegue. É também sobre uma amizade que inspirou uma obra que vive até aos dias de hoje. Uma inspiração que nos rodeia, se soubermos vê-la e recebê-la.


“Finding Neverland” fala de acreditar na magia, a magia das ligações entre as pessoas, a liberdade e a verdade que devemos manter connosco próprios. E, acima de tudo, de compreendermos o que realmente significa crescer, sem romper com o passado, mas aceitando-o, sabendo encontrar essa tal Terra do Nunca, um lugar para onde as crianças vão quando o seu ser terreno é obrigado a crescer, um lugar seguro, longe das mentiras do mundo adulto, onde estão sempre protegidos.


Tudo bem, é um pouco lamecha (admito uma lágrima, ou talvez fosse o resfriado), mas, de qualquer forma, é uma bonita viagem. A maravilhosa fotografia de Roberto Schaefer, a bela banda sonora de Jan A.P. Kaczmarek que cumpre eficazmente o seu papel de harmonizar a história sem a dominar. E Forster consegue equilibrar os elementos fantásticos e a tragédia que rodeia alguns dos personagens, de forma a que não se torne demasiado pesado ou sentimental.


Como resultado, os espectadores podem relaxar com o desvelar da imaginação de Barrie, acompanhando as constantes inspirações visuais para os principais papéis de Peter Pan (cheguei a pensar que o personagem de Dustin Hoffman, o promotor de espectáculos Charles Frohman, tivesse sido a inspiração para o Capitão Gancho, que o mesmo Hoffman representou em “Hook” (1991), de Steven Spielberg), e ao mesmo tempo assistir a Barrie enfrentando o desmoronar do seu casamento, os seus crescentes sentimentos por Sylvia e o seu novo papel junto daquelas crianças.


O meu fascínio pelo trabalho de Depp é reforçado por esta representação, entre o educador moldador de carácter e a criança inconsequente. O seu cunho e dedicação pessoal são incomparáveis. A sua química com Winslet, assexuada diga-se, é também notável. Mas a grande surpresa foi, sem dúvida, Freddie Highmore (Peter) que se salienta entre o jovem elenco, num registo grave e doce. Será certamente um deleite vê-lo contracenar de novo com Depp no mais recente filme de Tim Burton, “Charlie and the Chocolate Factory”.


Dada a minha obsessão pelo pormenor, não posso deixar escapar algumas falhas biográficas desta história, como é o caso de que Sylvia não era viúva quando Barrie a conheceu, apesar do seu marido, Arthur, não ver com muito bons olhos aquela “invasão” e de que tinham cinco filhos, e não quatro. Mas suponho que o próprio Barrie não faria questão de ater-se à realidade em prol de uma boa fantasia.


Apesar de um final previsível quase desde o início e dos momentos finais parecerem exageradamente manipuladores, “Finding Neverland” tem o mérito de nos levar ao momento, onde, em 1904, pela primeira vez foi visto Peter Pan, e o impacto que teria sido ver um conto de fadas a nascer.


Há ainda uma parte em muitos de nós que quer permanecer jovem e despreocupada para sempre. E se essa parte ainda estiver viva, este filme irá tocá-la, nem que seja ao de leve.





CITAÇÕES:


“- That "golden" scepter is just an old hunk of wood.” FREDDIE HIGHMORE (Peter Llewelyn Davies)
“- Ah, yes, well... we're dreaming on a budget.” JOHNNY DEPP (J.M. Barrie)


“- This is absurd. It's just a dog.” FREDDIE HIGHMORE (Peter Llewelyn Davies)
“- Just a dog? Rufus dreams of being a bear, and you want to shatter those dreams by saying he's just a dog? What a horrible candle-snuffing word. That's like saying, "He can't climb that mountain, he's just a man," or "That's not a diamond, it's just a rock." Just.” JOHNNY DEPP (J.M. Barrie)


“- And what precisely is Michael's crime?” JOHNNY DEPP (J.M. Barrie)
“- He's my younger brother.” NICK ROUD (George Llewelyn Davies)
“- Ah. Fair enough.” JOHNNY DEPP (J.M. Barrie)


“- Mummy, can we have Uncle Jim for dinner?” LUKE SPILL (Michael Llewelyn Davies)
“- Have him OVER for dinner. We're not cannibals.” KATE WINSLET (Sylvia Llewelyn Davies)


“Young boys should never be sent to bed. They always wake up a day older.”
JOHNNY DEPP (J.M. Barrie)





realizado por Rita às 20:24
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Terça-feira, 11 de Janeiro de 2005
Luna de Avellaneda ****

Realização: Juan José Campanella. Elenco: Ricardo Darín, Eduardo Blanco, Mercedes Morán, Valeria Bertucelli, Silvia Kutika, José Luis López Vázquez. Nacionalidade: Argentina / Espanha, 2004.





Luna de Avellaneda conta a história de um clube desportivo e cultural de um bairro de Buenos Aires que viveu no seu passado uma época de esplendor e cuja existência actualmente se encontra em perigo. A única saída possível parece ser vendê-lo para que se converta num casino, e os descendentes dos seus fundadores terão que debater-se entre a viabilidade do projecto e o reencontro com o sonho idealizado por eles. Róman (Darín) nasceu nesse mesmo clube, no meio de uma noite de festa e foi nomeado sócio vitalício. 45 anos mais tarde, como membro da direcção, ele terá que pesar o papel do clube na sua vida e na vida daqueles que o cercam.


Depois do belíssimo O Filho da Noiva era legítimo ter elevadas expectativas deste Luna de Avellaneda. E nesta história sobre o quotidiano, Campanella dá-nos um filme nada quotidiano, que sendo de entretenimento não abdica da qualidade de realização e interpretação.


O papel de Darín tem algumas semelhanças com o de O Filho da Noiva, especialmente na qualidade da representação de um homem que luta mais facilmente pelos seus valores fora de casa do que dentro dela, dando mais atenção aos estranhos que à sua própria família. Um personagem tão terno e real, na sua imperfeita humanidade, que é impossível não gostarmos dele. A parceria de Darín com Blanco, repetida também neste filme, evidencia uma química pouco comum. Num registo patético e sentimental, Blanco traduz todo o ridículo dos apaixonados numa relação atribulada com uma sonhadora Bertucelli. Morán está deliciosa como mãe divorciada, ressentida e amargurada.


A competência de Campanella revela-se no argumento, na direcção de actores e no desenho da produção, onde planos gerais e de detalhe se alternam, fazendo o contraste entre a conveniência pessoal e o bem comunitário: o eterno dilema.


Um grupo de perdedores que se negam a renunciar à importância das relações humanas no seio de uma comunidade. Apesar da melancolia em que se instalaram, procuram no grupo o consolo de um mundo sem valores, assumindo a culpa do seu fracasso, mas sem perder a esperança de conseguir uma vida melhor.


O clube Luna de Avellaneda, que dá nome ao filme, é aqui a metáfora de uma sociedade que, hoje em dia, apresenta uma saúde muito debilitada. Acredito que os argentinos em particular leiam aqui um relato honesto da sua realidade.


O aviso que este filme nos faz é que a derrota não é provocada pelo passar dos anos, mas pela perda do sonho, essa luz da lua cheia que Don Aquiles (López Vázquez) quer ver antes de morrer. Mas a vida não torna as coisas fáceis, não nos deixando mais remédio que trabalhar, lutar e respeitar as regras de um jogo por vezes perverso.


A exemplo do anterior O Filho da Noiva (2001) e de Nove Rainhas (2000), de Fabián Bielinsky, este Luna de Avellaneda vem confirmar que o cinema argentino está de boa saúde e recomenda-se.






CITAÇÕES:


“Veinte años con la misma persona...” RICARDO DARÍN (Ramón)
- “Ojalá fuera con la misma persona...” SILVIA KUTIKA (Verónica)






realizado por Rita às 08:20
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2005
Os melhores filmes que eu não vi

Posso vir a arrepender-me. Posso nem sequer conseguir espreitar um destes filmes tão cedo quanto desejava. Mas esta (minha) lista foge às convenções: fala de filmes que não vi e que gostava de ter visto. Fala do cinema que se fez e que estreou por cá e sobre o qual alimentei genuínas expectativas - pelo que se escreveu, pelo que vi antes desses realizadores e actores... Se calhar, vou atirar ao lado.


Não me interessa: esta selecção pretende ser uma cábula para futuras passagens no clube de vídeo, espreitadelas à programação da TV ou "reprises" inesperadas em salas com cheiro a bafio. (Cinéfilos que não admitem ver um filme meses depois da estreia, abstenham-se de comentários.)


2046, de Wong Kar-Wai. André Valente, de Catarina Ruivo. Brown Bunny, de Vincent Gallo. Café e Cigarros (Coffee and Cigarettes), de Jim Jarmusch. (O) Despertar da Mente (Eternal Sunshine of the Spotless Mind), de Michel Gondry. (The) Fog of War, de Errol Morris. (Uma) História de Amor Japonesa (Japanese Story), de Sue Brooks. História de Marie e Julien, de Jacques Rivette. Immortel (ad vitam), de Enki Bilal. Má Educação (Mala Educación), de Pedro Almodóvar. Nathalie, de Anne Fontaine. (O) Tempo do Lobo, de Michael Haneke. Terra da Abundância (Land of Plenty), de Wim Wenders. (A) Vila, de M. Night Shyamalan.


[Agradeço aos meus confrades de blogue algumas "lembranças". A lista vai por ordem alfabética. Outro critério seria ainda mais desonesto.]


Dos que vi (sim, também vi cinema), há uns que levam a palma (alguns estão aqui listados pela Rita e pelo Sérgio). Lembro estes: Antes do Anoitecer, O Grande Peixe, Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera e Ser e Ter.


Mas há um de que gostei muito. Um filme da minha vida: Lost in Translation. Gosto de me perder assim.




por Miguel

 

 



realizado por Rita às 20:03
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Melinda and Melinda ****

Realização: Woody Allen. Elenco: Will Ferrell, Radha Mitchell, Chloë Sevigny, Chiwetel Ejiofor, Jonny Lee Miller, Brooke Smith, Amanda Peet, Shalom Harlow. Nacionalidade: USA, 2004.





Em Nova Iorque, num jantar de amigos dois autores de teatro discutem se a existência humana é intrinsecamente trágica ou cómica. O episódio de Melinda (Mitchell), uma jovem que interrompe um jantar mundano, dá origem a que eles desenvolvam duas histórias paralelas, que evoluem de forma distinta consoante o género defendido. A comédia romântica e o drama juntam-se neste filme, onde se explora a fragilidade do amor, a infidelidade, o romance, a erosão dos sentimentos e a incapacidade de comunicar.


“Melinda e Melinda” é um dos mais interessantes filmes de Woody Allen dos últimos anos, talvez o melhor desde “Sweet and Lowdown” (1999). No entanto, e apesar de obras menores como “Anything Else” ou “Hollywood Ending”, Allen tem ainda o mérito de conseguir reunir à sua volta um fantástico elenco.


Rhada Mitchell, normalmente relegada para papéis secundários (pode ser vista como esposa de Johnny Depp em “Finding Neverland”), dá mostras de uma grande capacidade interpretativa ao desempenhar um mesmo personagem de duas formas opostas: uma, depressiva, cínica e temperamental; outra, apaixonada, emotiva e lutadora.


Inquestionáveis, são Chloë Sevigny, Chiwitel Ejiofor e Amanda Peet. Novamente, Allen abdica de representar, mas o seu alter ego continua presente. Em “Anything Else” tinha sido Jason Biggs, agora é Will Ferrell, que mistura equilibradamente um pouco do que Allen teria feito há uns anos atrás como actor com uma bem treinada veia cómica.


Durante o filme, somos levados a saltar de uma narrativa que se supõe mais séria para outra mais divertida, onde o único elemento comum é Melinda. Ou melhor, o nome do personagem e a actriz que o interpreta são os mesmos. Porque, de facto, são duas histórias completamente distintas.


Não vale a pena ter a tentação de fazer paralelismos entre os restantes personagens ou as relações entre eles, como se fosse a mesma história desde dois pontos de vista. Não é disso que se trata, mas de um mesmo ponto de partida e de alguns elementos (amor, traição, conquista) que, sendo comuns, podem ser cómicos ou trágicos, dependendo do lado da barricada em que estamos.


O verdadeiro desafio deste filme é conseguir definir qual de facto é a abordagem cómica ou a trágica. Até porque, no mesmo segmento, misturam-se os dois tipos de elementos. A comédia é mais divertida se tiver uma ponta de desapontamento, e a tragédia tem muitas vezes algo de ridículo. O próprio Allen admite que a possibilidade de tratar o mesmo assunto destas duas formas é uma das questões recorrentes em grande parte dos seus filmes e que normalmente opta por tratá-las de uma forma cómica. Aqui ele tentou dar uma oportunidade à tragédia.


O mecanismo de defesa do ser humano para a dor é, muitas vezes, rir. É uma reacção quase instintiva: nas anedotas rimo-nos da desgraça alheia; com os palhaços, das quedas. Allen oferece-nos aqui uma perspectiva global sobre o tragi-cómico drama da condição humana.



P.S. - Este filme só estreará nos Estados Unidos em Março de 2005. Espanha teve-o em Novembro de 2004, o Reino Unido em Dezembro. A distribuidora Fox Searchlight impediu-o, assim, de ter a possibilidade de alcançar quaisquer nomeações aos Oscar.






CITAÇÕES:


“He's despondent, he's desperate, he's suicidal. All the comic elements are in place.”





realizado por Rita às 09:27
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Os 10 melhores são . . . 14!

Na humilde opinião de Rita estes foram os melhores filmes estreados em Portugal em 2004:



1. - O Amor é um Lugar Estranho (Lost in Translation), de Sofia Coppola
2. - Belleville Rendez-Vous, de Sylvain Chomet
3. - Antes do Anoitecer (Before Sunset), de Richard Linklater
4. - Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera, de Ki-duk Kim
5. - Diários de Che Guevara (Motorcycle Diaries), de Walter Salles
6. - O Grande Peixe (Big Fish), de Tim Burton
7. - A Vida é um Milagre (Life is a Miracle), de Emir Kusturica
8. - O Despertar da Mente (Eternal Sunshine of the Spotless Mind), de Michel Gondry
9. - Olhem Para Mim (Comme Une Image), de Agnès Jaoui
10. - Má Educação (Mala Educación), de Pedro Almodóvar
11. ex aequo - Terra da Abundância (Land of Plenty), de Wim Wenders
11. ex aequo - Fahrenheit 9/11, de Michael Moore
13. - Shrek 2, de Andrew Adamson, Kelly Asbury e Conrad Vernon
14. - 2046, de Wong Kar-Wai



as melhores descobertas tardias em 2004:


Ser e Ter (Être et Avoir), de Nicolas Philibert
Tempos Modernos (Modern Times), de Charlie Chaplin
O Grande Ditador (The Great Dictator), de Charlie Chaplin



os melhores que apenas chegaram cá em formato festival (por enquanto):


Whisky, de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll
Jeux d’Enfants, de Yann Samuell



e os melhores vistos lá fora:


Mar Adentro, de Alejandro Amenábar
Luna de Avellaneda, de Juan José Campanella



E ainda...
uma pequena referência às melhores séries televisivas do ano:


Angels in America, de Mike Nichols
Sete Palmos de Terra (Six Feet Under), de Alan Ball
24, de Joel Surnow e Robert Cochran


 



realizado por Rita às 07:44
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2005
2004 em Poucas Linhas e Uma Lista

Um fim de ano não é fim de ano sem as listas dos melhores do ano. Portanto o meu 2004 aqui não poderia acabar sem a minha lista dos melhores filmes de 2004. Estritamente pessoal e tendo como universo de análise os filmes estreados em 2004 que eu vi.


Mas antes de avançar com ela, apenas uns pequenos apontamentos. 2004 não foi um grande ano no que toca a filmes, e analisando a lista não há de facto nenhum filme que eu possa dizer que vá ficar na minha memória para sempre (bem há um mas esse só para mim é que é de 2004). Houve um que quase lá chegou mas não conseguiu resistir a uma segunda visão (e ao hype criado à volta dele, porque chamar-lhe "a melhor segunda obra do cinema americano" cria expectativas difíceis de atingir). Houve outro ao qual faltou a parte 1 para lá chegar, outro que a momentos únicos no cinema dos dias de hoje juntou demasiados momentos de tédio (narcisismo oblige), e outros aos quais, pronto, faltou alguma coisa.


Não houve também nenhuma grande revelação, mesmo tendo em conta que com um festival dedicado a primeiras obras tivemos acesso a muitas, e para mim se houve uma primeira obra este ano que se destacou, portuguesa por sinal, nem sequer passou por lá.


Mas se não houve um GRANDE filme em 2004, ficarão sempre alguns momentos, daqueles para mais tarde recordar. A cidade de Tóquio de Sofia Coppola e aquele fim ao som de "Taste of Candy"; A longa conversa de Ethan Hawke e Julie Delpy num fim de tarde de Paris; O olho azul de Darryl Hannah antes do seu trágico fim; A estrada americana através do pára-brisas de Vincent Gallo; George Bush a mostrar o seu jogo de golfe aos jornalistas que o acompanham.


E pronto, aqui vai a minha lista. Poder-se-á perguntar a quem é que isto interessa. De facto não estou bem a ver a quem.


MENÇÃO ESPECIAL (porque fica sempre bem haver uma coisa destas) PARA BLOCKBUSTER DO ANO

"O Dia Depois de Amanhã" de Roland Emmerich



10 MAIS de 2004 (versão sergiotrs)

10. "O Tempo do Lobo" de Michael Haneke
9. "Brown Bunny" de Vincent Gallo
8. "A Vila" de M. Night Shyamalan
7. "Kill Bill: Vol. 2" de Quentin Tarantino
6. "André Valente" de Catarina Ruivo
5. "Immortel" de Enki Bilal
4. "Antes do Anoitecer" de Richard Linklater
3. "Lost in Translation" de Sofia Coppola
2. "The Fog of War" de Errol Morris
1. "8 e ½" de Federico Fellini




por Sérgio

 



realizado por Rita às 10:28
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Domingo, 2 de Janeiro de 2005
Quando o Natal foi raptado

 

Era uma vez Jack Skellington, rei do "Halloween", que queria renovar o dia das bruxas. E teve uma brilhante ideia quando, ao acaso, descobre a cidade do Natal, com aquele senhor gorduchinho de barbas brancas, ansiosamente esperado por miúdos de todo o mundo - por causa de embrulhos coloridos que escondiam lindos presentes.


O plano de Jack era simples: raptar o Pai Natal e passear-se ele, rei das trevas, num trenó de renas esqueléticas (são literalmente esqueletos), na noite de 24 de Dezembro, entregando os presentes «made in Halloween» - prolongando a noite de «doces ou travessuras». Mas o resultado é catastrófico: fora de época, o "Halloween" apavora os miúdos, não os diverte. No final, o amor resgata o Natal - e conquista Jack.


O grande divertimento (para adultos e miúdos) é este filme, um sonho do realizador de «Planeta dos Macacos» e «Eduardo Mãos-de-Tesoura», Tim Burton, que apresenta «O Estranho Mundo de Jack», título em português que esconde o mote da história sublinhado pelo título original «The Nightmare Before Christmas». Em 1993, o melhor filme de Natal desenhava-se com as cores negras da noite das Bruxas.



 


«O Estranho Mundo de Jack». T.O.: Tim Burton's Nightmare Before Christmas. Realização: Henry Selick. Argumento: Tim Burton (história), Michael McDowell (adaptação). Vozes: Danny Elfman, Chris Sarandon, Catherine O'Hara, William Hickey, Glenn Shadix, Paul Reubens, Ken Page, Ed Ivory. Nacionalidade: EUA, 1993.


[nota: o filme está disponível em DVD. Vale a pena procurar a edição especial, que inclui alguns extras preciosos, como a "curta" «Vincent», absolutamente encantadora.]

por Miguel



realizado por Rita às 15:09
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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OPINIÕES

Filmes
#
$9.99
(500) Days of Summer
12:08 A Este de Bucareste
127 Hours
13 (Tzameti)
1408
16 Blocks
2 Days in Paris
2046
21
21 Grams
25 Watts
3... Extremos
300
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
4ème Morceau de la Femme Coupée en Trois, Le
50/50
5x2
9 Songs

A
À l’Origine
À Tout de Suite
Aaltra
Abrazos Rotos, Los
Adam
Adeus, Dragon Inn
Ae Fond Kiss
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Afterschool
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Agony and the Ecstasy of Phil Spector, The
Ágora
After.Life
Alatriste
Albert Nobbs
Alex
Alexander
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American, The
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Anche Libero Va Bene
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Answer Man, The
Anthony Zimmer
Antichrist
Apocalypto
Approaching Union Square
Après Vous...
Arnacoeur, L’
Arsène Lupin
Artist, The
Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
Astronaut Farmer, The
Asylum
Atonement
Ausentes
Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec, Les
Aviator, The
Away We Go
Azuloscurocasinegro

B
Baader-Meinhof Komplex, Der
Babel
Babies
Backstage
Ballad of Jack and Rose, The
Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
Battle in Seattle
Be Kind Rewind
Bee Movie
Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
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