CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Sexta-feira, 26 de Novembro de 2004
Être et Avoir ****

Realização: Nicolas Philibert. Elenco: Georges Lopez, Alizé, Axel, Guillaume, Jessie, Johann, JoJo, Jonathan, Julien, Laura, Létitia, Marie, Nathalie, Olivier. Nacionalidade: França, 2002.





Philibert leva-nos a Auvergne, França, numa viagem desde o agreste Inverno, passando pela suave Primavera, até ao sol de Verão, quando termina o ano escolar (em Junho de 2001). O padrão da mudança é acompanhado pelo crescimento e pela aprendizagem de um grupo de jovens entre os 4 e os 12 anos. O professor, Georges Lopez, 55 anos e 30 de ensino, está a um ano e meio da reforma.


Este documentário retrata a relação entre professor e alunos, a sua tentativa de chegar até eles, muitas vezes impenetráveis na sua timidez, na sua desconcentração. Na sua ilimitada paciência, Lopez responde às perguntas dos alunos com outras questões, conduzindo-os às respostas através do caminho da compreensão. Ele é amigo, família, educador, mentor. Apesar de ser evidente a distância (de segurança?) que mantém dos seus alunos, a relação que temos o privilégio de observar é uma relação de amor, de compromisso. Lopez lida com as várias vertentes dos seus alunos com uma extrema sensibilidade e atenção. Respeitando a sua inocência e ingenuidade, mas abrindo-lhes as portas de um mundo complexo.


A proximidade de uns e outros é evidente. Quando o professor fala sobre a sua reforma, o choque e a preocupação dos alunos quase se podem tocar. O mesmo acontece com o respeito que os une, claramente mútuo e sem condescendências.


Philibert escolheu esta escola cuidadosamente de entre 300 e visitou mais de 100 no período de um ano. Um reduzido grupo de alunos permitiria que ficássemos a conhecê-los a todos, e Philibert acertou em cheio, com eles e com Lopez. A sua equipa de filmagens adquiriu uma invisibilidade impressionante, e só muito raramente as crianças se dão conta dela. A sua naturalidade é totalmente desarmante, especialmente tendo em conta o nível de intimidade que temos oportunidade de observar.


Existe algo de básico, de essencial, neste momento esquecido da infância. É com sentida emoção e um fascínio sorridente, quase reverente, que o vemos. Há algo de divino nesta aquisição das ferramentas básicas da aprendizagem e dos dolorosos processos que lhe estão inerentes, seja aprender a desenhar as letras, seja saber qual o número que vem depois do “seis”.


O tom de documentário aparece apenas uma vez, num momento em que Lopez fala da sua vida, do seu compromisso com o ensino, e dos sacrifícios dos seus pais para que ele tivesse uma boa educação. Compromisso esse que ele renova com cada um dos seus alunos.


Na despedida fica a angústia. O vazio dos olhares de descoberta que antes enchiam a sala. O silêncio doloroso que as crianças deixam atrás de si. Tal como Georges, também nós ficamos sem palavras.


No final deste filme, dois nomes vêm-me à memória: Manuela, a minha professora primária e Albertina, a minha professora de inglês do 10º ao 12º. À primeira perdi-lhe o rasto, a segunda é sempre um dos meus postais de Natal. Talvez eu ainda não me tenha dado conta da sua contribuição para a pessoa que sou hoje, mas fica aqui um obrigada. Pelas doces recordações... Por aquilo que sou, por aquilo que tenho.




CITAÇÕES:


“- É de manhã ou de tarde? JOJO
- Já almoçámos? GEORGES LOPEZ
- Não. JOJO
- Então é de manhã. GEORGES LOPEZ”


“- Podemos contar para sempre? GEORGES LOPEZ
- Não. JOJO”






realizado por Rita às 21:53
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Quinta-feira, 25 de Novembro de 2004
Land of Plenty ****

Realização: Wim Wenders. Elenco: John Diehl, Michelle Williams, Shaun Toub, Wendell Pierce, Richard Edson. Nacionalidade: EUA, 2004.





Depois da desilusão dos resultados das eleições presidenciais norte-americanas, a última coisa que me apetecia era ver um filme sobre os Estados Unidos. Especialmente quando me parecia que versava sobre um obcecado patriota no pós-11 Setembro. Deixei-me convencer por um amigo que argumentou que quase de certeza este filme não chegaria a passar na sua cidade, e, claro, pelo nome Wim Wenders. Não me arrependi.


John Diehl é Paul, um veterano do Vietname, atormentado pelos pesadelos da guerra, entupido em comprimidos que atenuam os efeitos dos químicos a que esteve sujeito. O amor que tem ao seu país faz com que, após os ataques do 11 de Setembro, monte um sistema de vigilância áudio e vídeo na sua carrinha a percorra as ruas de Los Angeles (numa visão bem menos glamourosa que o habitual) em busca de todas as pistas que possam servir de ligação aos crimes, concentrando-se obviamente em todos os árabes que encontra.


Michelle Williams é Lana, a sua sobrinha, que cresceu entre África e o Médio Oriente e está de regresso de Tel Aviv, na esperança de poder contribuir para a cura das muitas feridas do seu país natal através do seu trabalho social numa missão cristã. A sua profunda fé em Deus é equiparada à fé de Paul em tudo aquilo que o seu país representa.


Wim Wenders é um alemão que vive nos Estados Unidos e a sua visão apresenta duas vertentes: a distância e a proximidade. A primeira talvez choque os americanos, a segunda os europeus. É inegável que os Estados Unidos conseguem, neste momento, angariar talvez a maior oposição que já tiveram deste lado do Atlântico, mas é preciso entender que quando falamos de um país, falamos de pessoas, de indivíduos que não podemos (devemos) generalizar numa massa compacta e disforme.


Poderia falar dos dois fantásticos protagonistas, da beleza das imagens, da inquestionável qualidade da banda sonora, mas este filme consegue, de facto se muito mais do que a soma das partes. Fala-nos da perda de inocência (e também de algum senso comum), de duas almas que tentam encontrar o seu caminho num mundo que perdeu toda a lógica. Por isso também eles são irracionais. Porque a emoção é tudo o que lhes resta.


O grande poder do terror é fazer com que passemos a olhar por cima do ombro a todo o momento, a julgar os outros preconceituosamente segundo a medida do mal, a viver no medo de sermos vítimas, e na impotência para evitar qualquer tragédia que possa ocorrer.


Mas há que encontrar em nós a réstia de amor pelo ser humano, que nos permita viver a nossa vida com respeito pelo outro, e, consequentemente, por nós próprios. Porque o amor não se mede pela força com que conseguimos defender aquilo que achamos que nos pertence, mas sim pela capacidade de partilhar o que somos.




CITAÇÕES:


“My home is not a place, it is people.”
SHAUN TOUB (Hassan)


“I would like to hear their voices. Because I don’t think they would like that others were killed in their name.”
MICHELLE WILLIAMS (Lana)


“May the lights in The Land of Plenty shine on the thruth some day.”
LEONARD COHEN






realizado por Rita às 22:30
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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2004
A luta suja dos Óscares

Hollywood sempre gostou de uma boa guerra - e das lutas sujas também. Os Óscares são o melhor campo de batalha para uma lista infindável de maledicência, roupa suja e ataques venenosos. Afinal, a estatueta pode dourar a carreira de um filme ou de um actor. Ou matá-la, até uma próxima "première".


Após os atentados de 11 de Setembro, a imprensa americana anunciou o advento de uma nova indústria na meca do cinema: pipocas sem violência, sobriedade nas festas e unanimidade a rodos. Nem uma coisa, nem outra. Logo depois, em Março de 2002, o actor Russell Crowe digladiava-se na arena, apesar do seu combate ser no campo da inteligência, sem ponta do «Gladiador» que lhe tinha dado o Óscar de Melhor Actor em 2001. O filme «Uma Mente Brilhante», biografia filmada do matemático esquizofrénico e prémio Nobel John Nash, foi à época acusado de "apagar" sinais de anti-semitismo e homossexualidade (que existiriam na biografia real de Nash) - para se portar bem nos Óscares e não afastar os votos de judeus e "gays".


Nesse mesmo ano, os apoiantes dos três actores negros nomeados - o maior número de sempre numa só edição de Óscares - sopravam aos quatro ventos que Hollywood provaria que era racista se nenhum deles ganhasse. Ganharam dois dos nomeados (Denzel Washington e Halle Berry, a primeira mulher). É verdade que, à época, e em 74 edições, apenas um actor negro tinha recebido o principal prémio de interpretação - Sidney Poitier.


«As campanhas foram sempre extremamente competitivas, mas não me lembro de uma que tenha sido tão baixa e tão suja como a deste ano [de 2002]», comentava Robert Osborne, colunista do Hollywood Reporter e autor de um livro sobre a história dos Óscares («70 Years of the Oscar: The Official History of the Academy Awards»). Depois disso, os ataques continuaram sujos. E as campanhas mais violentas.


Afinal, nada é deixado ao acaso. Como políticos, os nomeados visitam potenciais votantes. As feiras e os mercados são substituídos por lares de antigos trabalhadores da indústria e os tempos de antena são "banners" e anúncios de páginas inteiras em "sites" e revistas da especialidade (basta ir às páginas "online" da Variety ou do Hollywood Repórter e descobrir a quantidade de filmes anunciados «for your consideration» - e o "for your" não é dirigido ao espectador, mas sim ao membro da Academia). Peritos de "marketing" são contratados para vender o seu produto - ou, pior, para dizer mal, muito mal, das coisas dos outros.


Mas a prática de conquistar os votos dos membros da Academia por métodos menos ortodoxos (que não sejam apenas as qualidades dos próprios filmes) não é de agora. Em 1930, a fundadora da Academia Mary Pickford ganhou o Óscar para melhor actriz depois de sumptuosas festas dadas a membros da instituição. E na década de 30, os grandes estúdios diziam aos seus artistas contratados em quem votar.


No entanto, a guerra aberta que agora antecede o "dia D" começou de facto há coisa de cinco anos: a Miramax produziu o vencedor da noite, «A Paixão de Shakespeare», com uma agressiva campanha publicitária - e «O Resgate do Soldado Ryan», de Steven Spielberg, não foi salvo do desastre. O mais forte na publicidade nem sempre é o melhor na qualidade cinematográfica.


A verdade é que o negócio do cinema não se compadece com insucessos na noite dos Óscares. Todos sorriem, todos batem palmadinhas nas costas uns dos outros, mas a cerimónia pode revitalizar a carreira industrial de um filme (como fez por exemplo com «O Silêncio dos Inocentes»). E se uma maldadezinha ajudar, por que não? «The show must go on».



por Miguel

 



realizado por Rita às 00:41
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2004
The Forgotten **

Realização: Joseph Ruben. Elenco: Julianne Moore, Anthony Edwards, Gary Sinise, Dominic West, Linus Roache. Nacionalidade: EUA, 2004.





“The truth won't fit inside your brain.” É sob esta premissa que este filme assenta, subestimando assim o público que, com o trailer, se viu seduzido para uma história em que se sugeria o perigoso jogo da memória, e dos mecanismos psicológicos do indivíduo para construir a sua felicidade, muitas vezes apesar da realidade.


“The Forgotten” apresenta-nos Telly (Moore), uma mulher que está a tentar superar a morte do seu filho num acidente de avião. Mas o seu choque é ainda maior quando o seu psiquiatra (Sinise), corroborado pelo seu marido (Edwards, o Dr.Mark Greene de “ER”), a informa de que ela nunca teve um filho e que inventou todas as memórias que tem dos seus oito anos de vida. Mas será que isso é verdade? Ou não? Mais tarde, ela consegue convencer Ash (West), ou acordar a sua memória, a respeito de uma filha que ele havia esquecido, arranjando assim um aliado.


A verdade virá ao de cima? E isso interessa? Provavelmente não. Não querendo entrar em muitos detalhes, para quem, ao chegar ao fim desta crítica, ainda queira insistir em perder o seu tempo, resta-me dizer que me senti absolutamente ludibriada.


A MEMÓRIA é um assunto que me interessa e tive alguma esperança de poder acrescentar este a filmes como “Memento”, “Mulholland Drive”, “Abre los Ojos”, ou “Eternal Sunshine of the Spotless Mind”. Esperança que, obviamente, não se concretizou.


Porque é bastante mais simples o susto fácil que a tentativa de olhar para assuntos como a paramnesia (segundo a qual um indivíduo pode inventar aspectos da realidade e, no limite, toda a sua vida), foi escolhido um caminho convencional. “The Forgotten” oferece-nos pouco mais que um motivo para nos rirmos do seu ridículo. Na esperança de que um twist final ponha tudo nos eixos vamo-nos deixando ficar, já que mais não seja para ver a beleza serena de Moore, claramente subestimada num registo que o seu talento poderia facilmente cumprir.


A música de James Horner serve a função de nos fazer saltar no momento certo. Talvez sejam as duas ou três injecções de adrenalina o que nos mantêm acordados. Teria preferido que fosse o argumento.


Apesar do bom casting (já não via Linus Roache desde “O Padre”, 1996), o colapso perante o peso do disparate é inevitável. É de prever que “The Forgotten” seja esquecido muito rapidamente pelo público. E Moore provavelmente espera que o seu psiquiatra lhe diga que ela nunca fez este filme.




CITAÇÕES:


“There are worse things than forgetting.”
LINUS ROACHE (A Friendly Man)






realizado por Rita às 23:57
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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2004
We Don’t Live Here Anymore ***

Realização: Jonh Curran. Elenco: Mark Ruffalo, Laura Dern, Peter Krause, Naomi Watts. Nacionalidade: EUA, 2004.





Vencedor do prémio Waldo Salt Screenwriting Award no festival de cinema de Sundance 2004 pelo argumento de Larry Gross, Desencontros descreve acutilantemente, mas num detalhe quase obsceno, a destruição de dois casamentos.


Jack e Terry Linden (Ruffalo e Dern), e Hank e Edith Evans (Krause-Sete Palmos de Terra e Watts), são opostos na forma como lidam com a sua família e o seu lar. Os primeiros são descontraídos e desleixados, os segundos são limpos e organizados. Partilham o facto comum dos seus casamentos estarem a ruir sem que qualquer um deles possa fazer algo para o evitar. Jack é colega e amigo de Hank, mas a atracção mútua que sente por Edith, e a sua consumação, traça o tom de tragédia que persiste até ao final.


Baseado em dois contos de Andre Dubus, este é um drama psicológico cheio de feridas profundas e ressentimentos recalcados. Curran e Gross distanciam-se dos personagens apenas o suficiente para não os julgar, dando-lhes várias, mas consistentes, dimensões. E com o mérito de não deixar que o melodrama fácil enrede a sua história.


Jack busca algo novo, ressentindo-se contra Terry pelos seus impulsos para a bebida e para o desleixo. Mas, ao mesmo tempo, não está preparado para deixar os seus filhos e a vida confortável que construiu. Por sua vez, Edith sabe que o seu marido já a traiu no passado, mas a sua amizade por Terry coloca uma pesada nuvem no seu arrebatamento por Jack. As suas acções são motivadas não só pelo desejo e pela infelicidade, mas também como uma forma inconsciente de vingança pelos erros dos seus parceiros.


Este filme é um thriller angustiante. Não porque exista a ameaça da verdade, que parece ter estado sempre ali. A tensão existe no confronto entre o que se sabe e o que se faz. E as acções carregam sempre consigo o elemento definitivo de resolução. Em vários momentos deste filme, dei por mim a solucionar os problemas dos personagens através das formas mais drásticas. Inquietei-me. Pelo facto de não saber se li essas intenções neles, ou em mim no seu lugar.


Desencontros presta atenção aos grandes e pequenos detalhes que fazem as relações, sem o receio de mostrar o lado escuro dos seus personagens, nem a sua fragilidade. Os desempenhos são, na generalidade, muito bons (confesso alguma decepção com Naomi Watts), causando-nos empatia apesar de (ou talvez, devido a) todas as suas imperfeições. Cada um tem um carácter particular, e as suas próprias inseguranças, com a quais se vê confrontado e tem de aprender a lidar. Como sempre, esse confronto directo apenas pode torná-los mais fortes.


Independentemente do amor que pode existir entre duas pessoas, existirá um momento em que, depois do mal feito, se torna impossível salvar tudo o que resta?




CITAÇÕES:


“- And your husband making passes at my wife, how do you feel about that?
- Well, everybody deserves to be happy.”
MARK RUFFALO (Jack) e NAOMI WATTS (Edith)






realizado por Rita às 20:44
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Sexta-feira, 12 de Novembro de 2004
DocLisboa 2004: Documentários de sala cheia

Um casal palestiniano que necessita de ir a um hospital, uma ambulância do outro lado à sua espera. Entre eles um jipe israelita totalmente blindado que não lhes permite a passagem. Os palestinianos perguntam porquê. Do interior do jipe uma voz metálica responde-lhe apenas que não podem passar. E há uma câmara que filma tudo isto. E Isto é a curta metragem de documentário “Detail” de Avi Mograbi. E num simples momento muito do que é a questão palestiniana hoje, está ali.


Este foi um dos vários documentários apresentados na edição de 2004 do DOCLisboa que tentaram mostrar os acontecimentos na Palestina que não são noticia de primeira página nos meios de comunicação mundiais, e mais concretamente, o dia-a-dia da ocupação israelita da Palestina. Documentários como “Checkpoint” de Yoah Shamir, documento que acompanha os rituais (de humilhação) a que os palestinianos são obrigados nos postos de controlo israelitas espalhados pelo território palestiniano. Ou “Le Mur” de Simon Bitton, sobre a construção do Muro israelita que separa Israel da Cisjordania (e que pelo caminho vai retalhando ainda mais este território) e “Newstime” de Azza Al-Hassan, sobre o dia-a-dia de jovens palestinianos atiradores de pedras (este acompanhado pela curta-metragem (de ficção) de Elia Suleiman “Cyber Palestine” e que contou com a presença do realizador, que respondeu a algumas questões do público após a sua exibição). Provenientes dos dois territórios em conflito (“Checkpoint”, “Detail” e “Le Mur” são produções israelitas, “Newstime” e “Cyber Palestine” palestinianas) e de qualidade variada, os dois primeiros muito bons, os restantes nem por isso, são coincidentes no entanto a mostrar como o lado mais forte humilha o lado mais fraco, e ao fazê-lo estão a demonstrar como a ocupação israelita só piora tudo, porque fomenta o ódio dos palestinianos em relação a Israel, porque desumaniza os israelitas na sua relação com os palestinianos, porque torna impossível o entendimento entre as duas partes.


Mas o DOCLisboa não se ficou pela Palestina. Passou também por Espanha, através da secção “Foco em Espanha”, dos quais pude ver “La Pelota Vascã” do Julio Medem (realizador alvo de culto pessoal por parte do autor destas linhas) excelente documentário sobre a questão basca, que ouve e expõem as várias faces do conflito basco (ouvindo todos ou quase todos, do lado independentista e espanholista, familiares de etarras presos e familiares de vitimas de terrorismo, políticos, académicos, representantes da sociedade civil, etc...). Assente quase exclusivamente nas declarações dos diferentes entrevistados; num perfeito exercício de montagem e de utilização dramática da banda sonora, consegue mostrar toda a complexidade da questão basca e de como ela não pode ser reduzida a uma situação de bons contra maus (e talvez por isso tenha sido tão atacado pelo governo espanhol da altura, liderado por Aznar e pelo seu PP, aquando da sua estreia); “Asaltar los Cielos” de Lopez-Linares e Royo, biografia do homem que assassinou Trotsky, mas também dos ambientes sociais e políticos por onde passou (desde o movimento operário catalão anterior e durante a guerra civil espanhola, à União Soviética de Estaline e posteriormente de Brejnev, os círculos trotskystas no México, etc...) e “Cravan vs Cravan” de Isaki Lacuesta documentário sobre Arthur Cravan, poeta dadaista, pugilista, personagem “bigger than life” das esferas intelectuais europeias do início do século XX, objecto extremamente interessante que cruza o documental com a ficção, através de um narrador/investigador que se vai assumindo, com o desenrolar do documentário como um alter ego do próprio Cravan.


Também uma verdadeira personagem é Abel Ferrara, realizador nova iorquino que é o foco do documentário “Abel Ferrara: Not Guilty”. Produzido para a série “Cinema de Notre Temps” do canal arte-tv (o tal que a TVCabo decidiu retirar do pacote básico, mas que pelo que parece ninguém, com excepção do Prado Coelho, parece sentir grande falta, mas se se pode ver bons documentários em festivais tão na moda quem é que sente falta de os ver na televisão) este documentário limita-se a acompanhar um Ferrara absolutamente eléctrico (e se ele é assim no seu estado normal, como seria nos seus tempos de junkie) nas suas deambulações pela cidade de Nova Iorque. Simplesmente genial.


O DocLisboa também passou pela América do Sul, através de documentários como o português “Buenos Aires Hora Zero” ou o brasileiro “O Prisioneiro da Grade de Ferro”. O primeiro dá-nos, sob o pretexto macguffiano da procura do último descendente dos primeiros colonos portugueses na América do Sul espanhola, um retrato da cidade de Buenos Aires e das personagens que a compõem. Objecto interessante, especialmente quando se afasta da narração off do realizador e se deixa perder na cidade e nos seus habitantes, e com um ‘final twist’ (embora não propriamente surpreendente) quase à Shyamalan. Quanto ao documentário brasileiro, segue o dia-a-dia da prisão brasileira de Carandiru, que era, até a sua demolição, a maior prisão da América Latina. Feita com base em registos vídeo captados pelos próprios prisioneiros, o melhor que se lhe dizer é que consegue transportar-nos de facto, durante duas horas, para o interior da própria prisão.


E pronto, junta-se-lhes uma dose q.b. de gente e de tempo gasto nas filas para comprar bilhetes e temos o que foi o meu DOCLisboa 2004.



por Sérgio

 

 



realizado por Rita às 14:19
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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2004
HEDWIG - A ORIGEM DO AMOR ****

T.O.: Hedwig and The Angry inch. Realização: John Cameron Mitchell. Elenco: John Cameron Mitchell, Michael Pitt, Miriam Shor, Stephen Trask. Nacionalidade: EUA, 2001.





“An anatomically incorrect rock odyssey”, assim diz o tagline deste filme.


Hedwig foi um projecto que começou em 1994, quando John Cameron Mitchell e Stephen Trask decidiram criar um concerto à volta da história. O formato concerto não vingou e decidiram assim lançar a obra como um espectáculo teatral. Decidiram assim comprar o Hotel Riverview, transformando-o no Jane Street Theatre. Aí se representou a peça durante alguns anos, conseguindo ser um enorme sucesso off-Broadway. A passagem para filme foi o passo seguinte.



Ladies and gentlemen…
Whether you like it or not…
HEDWIG!


É a história de Hansel ‘Hedwig’ Schmidt, uma deusa nascida na Alemanha de Leste, ignorada no mundo do rock, e vítima de uma operação de mudança de sexo que lhe deixou apenas uma “angry inch”.


Num formato de musical cruzado com comédia e algumas cenas de animação, Hedwig faz desfilar a sua odisseia desde o início, quando conhece um soldado americano que lhe promete a saída da sua terra natal para os Estados Unidos, e o/a convence a mudar de sexo. Após a problemática operação, que não retirou por completo o membro e deixou Hedwig a sangrar (“My first day as a woman and already it’s that time of the month…”), o soldado americano abandona-a num parque de roulottes no Kansas.


Aí, ela dedica-se à música e começa a trabalhar como ama numa casa onde conhece Tommy Speck, um jovem de 18 anos, por quem se apaixona. Mais uma vez, Hedwig é abandonada, mas agora o seu companheiro leva consigo um espólio de canções compostas pelos dois, e que o transformam na estrela rock Tommy Gnosis.


Ferida no orgulho e no amor, Hedwig persegue a tournée do seu ex-companheiro, actuando em restaurantes de fast-food nas proximidades dos grandes pavilhões esgotados para ouvir Tommy Gnosis.


A beleza visual, as canções lindíssimas e um argumento repleto de bons momentos de humor são só por si excelentes razões para ver este filme. Mas os desempenhos de John Cameron Mitchell e de Miriam Shor são de facto dignos de nota especial, pela especialmente bem escolhida ambiguidade sexual no que respeita à atribuição dos papéis.


A história de Hedwig é uma luta pela coragem para vencer um amor que o persegue (ou será o inverso?), e no fundo a tentativa de encontrar alguma felicidade. O final em aberto permite as mais diversas interpretações, mas não deixa de ser uma história inspiradora para todos aqueles a quem a vida deu apenas uma polegada quando mereciam realmente uma milha.


O prazer quase masoquista de Hedwig ao tocar junto aos palcos de Tommy Gnosis retrata não só a dor, mas a incapacidade para deixar fugir alguém que ama. Será esta incapacidade uma coisa má? Não me parece; a coragem de Hedwig contrasta claramente com a fraqueza e infantilidade de Tommy Gnosis, e é assim que, na minha opinião, mais forte se torna quem ama e é de facto capaz de exercer esse amor.


Além disso, a beleza do amor perde a sexualidade e adquire uma dimensão quase metafísica. Tudo isto num cenário de glamour e cheio de maquilhagem e rock.


Algumas notas sobre a banda sonora:


Inspirado pelo glam e punk rock, Stephen Trask compôs belíssimas canções, que contam a história de Hedwig de forma brilhante. Para além de “Tear me down”, “Angry Inch” e “Wig in a box” (o momento mais vaudeville), destaco dois momentos no filme:


- Origin of Love, em que se recupera o mito d’O Banquete de Platão sobre a génese do amor, e em que a sequência de animação é brilhante. A letra está muito bem conseguida e a nível de composição, o tema talvez seja o que mais se aproxima da linguagem de Bowie no período 1972-75;


- Midnight Radio, em que Miriam Shor se revela como mulher, surpreendendo todos que não o sabiam. Ups… Espero não vos estragar a surpresa :)




por Luís




CITAÇÕES:


Hansel's Mom : “To be free, one must give up a part of oneself.”


Hedwig: “The road is my home. In reflecting upon the people whom I have come upon in my travels, I cannot help but think of the people who have come upon me. Tommy, can you hear me? From this milkless tit you have sucked the very business we call show!”


Hedwig: “Remember kids, don't buy drugs....become a pop star and they give them to you for free.”









realizado por Rita às 11:49
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Terça-feira, 9 de Novembro de 2004
Sky Captain and the World of Tomorrow ***

Realização: Kerry Conran. Elenco: Jude Law, Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie, Giovanni Ribisi, Michael Gambon. Bai Ling, Omid Djalili, Sir Laurence Olivier. Nacionalidade: EUA / Reino Unido / Itália, 2004.





Houve duas razões que me levaram a ver este filme: primeiro, a paixão descontrolada que nutro por Jude Law desde “Wilde” (1997), de Brian Gilbert; segundo, a paixão descontrolada que nutro por Angelina Jolie desde “Playing by Heart” (1998), de Willard Carrol.


Não esperava um filme que mudasse a minha vida e me fizesse pensar sobre todas as questões metafísicas que movem o ser humano. Queria apenas divertir-me. E, enquanto não chega a próxima comédia de Law, Alfie, de Charles Sayer, esta pareceu-me uma opção refrescante.


Confesso que tenho uma fraqueza por tudo o que é belo. Chamem-me superficial, mas o trabalho de imagem digital deste filme encheu-me as medidas. Tal como o “Immortel (ad vitam)”, de Enki Bilal, todos os cenários de “Sky Captain” são gerados por computador. Além dos actores, apenas os objectos nos quais eles tocam de facto existem.


“Sky Captain” começou a tomar vida há cerca de uma década atrás, no computador de Conran. O resultado foi uma abordagem imaginativa de uma era inexistente: uma mistura de futuro de ficção com o visual retro dos anos 30. Uma homenagem ao cinema, patente desde logo na sequência da projecção do “Feiticeiro de Oz” num Radio City Music Hall virtual, varre todo o filme, com alusões nostálgicas a uma época em que as comédias românticas e os filmes de aventura viviam de um leve humor e ingenuidade.


“Sky Captain” tem um trabalho de argumento bastante fraco e inconsistente. Um ataque surpresa a Nova Iorque perpetrado por máquinas gigantes. Sky Captain (Law) é chamado como último recurso sempre que existem ameaças à segurança. A sua ex-namorada Polly Perkins (Paltrow) descobre o furo do século ao seguir a história do desaparecimento de diversos cientistas. O dissentido casal descobre um plano de domínio mundial desenhado por um louco (representado por Sir Laurence Olivier, “ressuscitado” pela mágica incorporação de imagens de arquivo) e decidem salvar o mundo. Nada de mais.


Somos confrontados com um universo que não nos é explicado, através de personagens muito pouco trabalhados, e levados por uma história básica, cujo desenvolvimento é quase irrelevante, porque estamos demasiado atentos a absorver todos os detalhes visuais de luz e sombras, cores pastel esbatidas como fotografias velhas, e, claro, Law e Jolie.


Paltrow parece uma Veronica Lake, Law oscila entre Errol Flynn e Douglas Fairbanks. Mas Jolie (no papel de Franky Cook) tem uma força que quase ofusca a personagem de Law, ao mesmo tempo que a sua mística feminina obnubila Paltrow. Se lhe tivessem dado mais um pouco de tempo este filme poder-se-ia chamar Franky Cook and the World of Tomorrow.


Tudo bem, não é um grande filme, mas é uma experiência visual no mínimo: (1) assustadora, se pensarmos nas consequências que podem advir para a indústria cinematográfica se este tipo de produção virar moda (esqueçam os figurantes e os astronómicos custos de produção); (2) e bela, se nos deixarmos levar pelos estímulos visuais e admitirmos a grande ilusão que é o cinema.




CITAÇÕES:


“It’s only a movie Mr.Paley. I’ll bring you some popcorn.”
GWYNETH PALTROW (Polly Perkins)


“- Polly... you...
- It's all right. You don't need to say anything.
- Lenscap.”
JUDE LAY (Joe “Sky Captain” Sullivan) e GWYNETH PALTROW (Polly Perkins)






realizado por Rita às 21:38
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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2004
Personal Velocity **

Realização: Rebecca Miller. Elenco: Kyra Sedgwick, Parker Posey, Fairuza Balk. Nacionalidade: EUA, 2002.





“Personal Velocity”, o vencedor do grande prémio do júri de melhor filme na edição de 2002 do Festival de Cinema de Sundance, não é tanto um filme, mas mais um conjunto de três curtas que mergulha no drama da vida de três mulheres: Delia (Sedgwick), Greta (Posey) e Paula (Balk).


Três mulheres em encruzilhadas nas suas relações com os homens optam pela fuga. Após tentarem por demasiado tempo esconder a sua verdadeira essência, de se acomodarem a uma segurança que as protegia de ser quem eram verdadeiramente, acabam por, de uma forma algo tortuosa e sobretudo dura, encontrar o seu caminho. O relato de um acidente de viação une levemente os três capítulos. Mas o elemento verdadeiramente comum é o de revelação, de epifania, três pontos de viragem de três vidas completamente distintas.


Delia usa o sexo como arma, até ao dia em que se apaixona e acaba por perder o controlo da sua própria vida. Ao decidir fugir do marido que a agride dá-se conta de que não tem para onde ir.


Greta debate-se entre a sua ambição recalcada pela influência de um pai bem sucedido e o amor ao marido e à sua simplicidade. Um sentimento que se vai perdendo, à medida que o seu sucesso profissional cresce e que a faz detestar-se a si própria.


Por sua vez, Paula vê a fé na sua relação abalada ao descobrir que está grávida. A sua ligação directa ao acidente acaba por impulsioná-la a uma viagem de descoberta.


Todos os momentos de mudança radical são momentos de dor. Seja por nos darmos conta dos erros, seja por compreendermos que temos um caminho a fazer. Escolher implica sempre abdicar. E muitas vezes, ver à nossa frente a estrada que nos espera pode ser quase tão assustador como caminhar de olhos vendados. Porque ainda que saibamos qual é direcção que devemos seguir, nada nos é assegurado, nem a felicidade nem a ausência de novas dores.


Miller faz uma abordagem muito pessoal e intimista das suas personagens, sem cair numa alegoria, e é evidente que as conhece muito bem. O livro que serve de base ao filme é também da autoria de Miller. Felizmente, para nós, ver um filme não é ler (o que beneficia ambas as actividades). Infelizmente, para Miller, isso também é verdade. O excesso de narração deixa muito pouco à representação de três actrizes com inquestionáveis capacidades, mesmo com o pouco que lhes é dado fazer. Já para não falar no uso abusivo da “theme song” da primeira sequência, que insiste em reforçar ad nauseum o carácter da personagem anteriormente “dissecado” pelo narrador.


“Personal Velocity” é um livro visual em três capítulos, lido por John Ventimiglia. Acho que preferia ter ficado no meu sofá a lê-lo.




CITAÇÕES:


“Everyone has their own personal velocity.”
GRETA’S FATHER


“I used to write. Then I used to paint. I think I'm going to be one of those people with a lot of potential who never really takes off.”
FAIRUZA BALK (Paula)






realizado por Rita às 19:56
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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2004
My First Movie: Twenty Celebrated Directors Talk About Their First Film


de Stephen Lowenstein, Penguin Books (2002)




Este é um dos livros que, desde há já algum tempo, é um habitante assíduo da minha mesa de cabeceira, malas de viagens e mesas de café.


Descobri-o numa pequena referência de uma publicação da especialidade e não descansei até colocar as mãos naquela textura levemente rugosa e o meu nariz no meio daquele odor quente do papel novo.


Depois de calcorrear todos os antros de literados (leia-se livrarias) de Lisboa, cheguei à conclusão que Portugal iria manter-se incógnito a esta edição durante mais algum tempo. Um tempo demasiado longo para que a minha característica impaciência por tudo o que emana boas vibrações me deixasse repousar em paz. Resolvi, pois, enveredar pelo muito adiado caminho da compra cibernética. No entanto, as minhas reticências quanto a largar no ciberespaço um pequeno pedaço da minha identidade (financeira) mantinham-se enraizadas na mentalidade genética do “dinheiro debaixo do colchão”. Felizmente, tenho amigos bem mais inovadores que eu e aproveitei-me da boleia de um deles, ficando a portagem (leia-se portes de envio) a meu cargo.


Porque comprar na Amazon dos Estados Unidos saía mais barato, esta peça de escrita atravessou o imenso Oceano Atlântico e veio parar às minhas mãos, como eu sabia que estava destinado, ainda com o cheiro de casco de navio e uma humidade salgada a pingar das folhas. Eu compararia este livro a uma deliciosa barra de chocolate que se vai saboreando com tempo e dedicação, mas isso seria se, nas minhas mãos, o chocolate conseguisse sobreviver mais de 1 minuto, o que não é o caso. Mas a ideia é mais ou menos essa.

O título do livro é pouco enigmático e não deixa margens para dúvida. Stephen Lowenstein, um jovem realizador, é quem faz as perguntas, e, um pouco à semelhança da sua curta-metragem “The Man Who Held is Breath” (1996), também nós sustemos a respiração, suspensos no ar que é trocado nas diversas entrevistas realizadas a uma mão cheia (e bem) de realizadores.


O elemento comum que une as diversas experiências é o relato detalhado, vivo, revelador e puro da realização do seu primeiro filme. Este é o bastidor dos bastidores: da escrita do guião à recolha de financiamento, do casting dos actores à composição da equipa técnica, da filmagem à edição, da venda do filme ao seu visionamento. Todos os aspectos da indústria cinematográfica são aqui explorados na primeira pessoa, reflectindo a luta por um espaço de criatividade individual, na sua grande maioria feita à custa de consideráveis sacrifícios, sobretudo pessoais.


Um conjunto de realizadores tão diverso como Oliver Stone e Anthony Minghella (o mainstream de Hollywood), os irmãos Coen e Kevin Smith (os independentes americanos), Ken Loach e Stephen Frears, Mike Leigh e Neil Jordan (os ingleses), Ang Lee, Bertrand Tavernier e Pedro Almodóvar (os “estrangeiros”) falam sobre a sua “estreia”. São diferentes personalidades e abordagens cinematográficas, mas o seu entusiasmo é comum. Lowenstein sugere que tal se deve à rara oportunidade de poderem falar sobre um filme que não estão a tentar vender.


Cada capítulo traz a história do nascimento de um filme, que, como um filho, leva o seu progenitor a recuar na memória através de uma viagem emocional, muitas vezes tragicómica. O que se descobre, mais do que a personalidade dos realizadores ou as técnicas subjacentes à concepção de uma primeira obra cinematográfica, é um profundo amor pelo cinema, pela arte de transmitir ideias com imagens, de contar histórias através da combinação de sons e silêncios, de cores e luzes, de planos, película e lentes.


São histórias de triunfo e desastre, de noites em branco e dias de tensão, histórias de homens e mulheres que se empenharam num sonho, que construíram o seu caminho profissional através de descobertas, umas emocionantes outras desoladoras, a par de fugazes momentos de sorte. A inocência, a credulidade, a utopia, a liberdade, chocam aqui com a realidade e as suas contingências, com a usurpação, o cinismo e a arrogância. Erros, inseguranças, ignorância técnica, transformam-se na aprendizagem e esta só é possível através de uma grande dose de humildade e respeito pela experiência de outros.


Apesar do pedaço estanque que é cada capítulo, este livro consegue ser dotado de uma unidade apenas possível pela coerência do entrevistador, pelo seu profundo conhecimento dos entrevistados e das suas obras, pela enorme inteligência das perguntas e pela imensa entrega de quem deixa descobrir as suas memórias mais íntimas.


Rebeldia, inconformidade, atrevimento, originalidade, humor, dedicação, responsabilidade, amor.


Preciso dizer mais?



[ACTUALIZAÇÃO 22 Dezembro 2005]

Já à venda numa FNAC perto de si.







CONTÉUDO:


JOEL and ETHAN COEN: Blood Simple (1984)
TOM DICILLO: Johnny Suede (1991)
ALLISON ANDERS: Gas Food Lodging (1992)
KEVIN SMITH: Clerks (1994)
STEPHEN FREARS: Gumshoe (1971)
KEN LOACH: Poor Cow (1967)
MIKE LEIGH: Bleak Moments (1971)
BERTRAND TAVERNIER: The Watchmaker of Saint-Paul (1974)
BARRY LEVINSON: Diner (1982)
OLIVER STONE: Salvador (1986)
NEIL JORDAN: Angel (1982)
ANTHONY MINGHELLA: Truly, Madly, Deeply (1991)
MIRA NAIR: Salaam Bombay! (1988)
MIKE FIGGIS: Stormy Monday (1988)
PEDRO ALMODÓVAR: Pepi, Luci, Bom (1980)
STEVE BUSCEMI: Trees Lounge (1996)
GARY OLDMAN: Nil by Mouth (1997)
ANG LEE: Pushing Hands (1992)
P. J. HOGAN: Muriel’s Wedding (1994)
JAMES MANGOLD: Heavy (1995)



SUGESTÃO:


Ver o filme respectivo após a leitura de cada entrevista poderá aumentar o prazer de ambas as actividades.




realizado por Rita às 23:50
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2004
Recuperação...

 

 

Para quem, como eu, perdeu algumas boas peças cinematográficas no meio de tanta solicitação, as reposições do Cine-Estúdio 222 permitem-nos recuperar alguns bons momentos de cinema.

 

Já distante dos seus tempos da Zero em Comportamento, mas atento à receptividade do público para os circuitos menos comerciais, neste mês de Novembro, por 3,50€, o Cine-Estúdio 222 oferece uma aliciante programação:

 

01 - 04 Novembro: WONDERLAND, de James Cox


05 - 08 Novembro: GODSEND - O ENVIADO, Nick Hamm


09 - 11 Novembro: INTERVALO, de John Crowley


12 - 15 Novembro: DUPLEX, de Danny de Vito


16 - 19 Novembro: MADAME SATÃ, de Karim Äinouz


20 - 23 Novembro: TOUCHING THE VOID - UMA HISTÓRIA DE SOBREVIVÊNCIA, de Kevin Macdonald


24 - 26 Novembro: ÊTRE ET AVOIR - SER E TER, de Nicolas Philibert


27 - 30 Novembro: ANY WAY THE WIND BLOWS - PARA ONDE O VENTO SOPRA, de Tom Barman

 

É desta que vou conseguir ver o "Madame Satã" e o "Être et Avoir"...!

 


ACTUALIZAÇÃO [novembro 17, 2004]

 

Por motivos técnicos, o filme "Madame Satã", de Karim Äinouz foi substituído pelo filme "Super Size Me", de Morgan Spurlock.

 

 



realizado por Rita às 21:28
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Terça-feira, 2 de Novembro de 2004
And the Oscar goes to . . .

Tenho por costume fazer noitada no dia da cerimónia de atribuição dos prémios Oscar. Os fusos horários, indiferentes ao meu profundo interesse, esticam-se para lá do aceitável e só à custa de cafeína intravenosa, quando falta a companhia para jogos de cartas, me mantém desperta.


A próxima cerimónia é apenas dia 27 de Fevereiro, e aproveito desde já a oportunidade para avisar os amigos do costume que vai haver jantarada lá em casa, com a habitual sessão de apostas (que desta vez vou ganhar!).


A noitada de hoje não se prende com motivos cinematográficos, mas estou certa de que um dia alguém fará um relato tragi-cómico dos eventos. O motivo de toda esta ansiedade, das borboletas no estômago, da garganta apertada, dos suores frios é antes a entrega do prémio do Presidente do Mundo, perdão, dos Estados Unidos da América.


Acho que todos conhecem os candidatos (sabiam que há um tal de Nader???), por isso dispenso as apresentações. Até porque um deles já deu mostras de todas as suas “elevadas” capacidades, inteligência, discernimento, e preocupação pelo povo americano, ao orientar a sua política no sentido do bem-estar (claro que é do seu bem-estar pessoal, do dos seus amigos, dos seus negócios e afins, mas isso também conta, não?). Do outro, sei que é casado com uma portuguesa e que gosta de ketchup. Não me parece difícil a escolha.




Não, este não é o resultado das eleições norte-americanas. Apenas uma previsão, ou melhor, intenção utópica. Se a todos restantes países fosse permitido votar nas eleições do auto-intitulado “polícia do mundo”, talvez tudo fosse diferente. Mas, não sendo assim, teremos que aguardar pela decisão das urnas, ou do colégio eleitoral, que, como já vimos há quatro anos, não é exactamente a mesma coisa.


Porque me preocupo com o mundo em que vivo, porque acho que nenhuma fronteira existe de facto, e porque acho que todos estamos no mesmo barco (ainda que por vezes prefira tomar um copo com os amigos e pensar que Portugal é uma estação espacial onde nos podemos isolar de todos os perigos; claro que só por breves momentos, já que há quem faça questão de todos os dias nos lembrar que este cantinho também tem as suas “guerras”), esta noite vou injectar alguma cafeína para me manter acordada, e tomar um valium para me acalmar.


Não sei qual deles vai ter mais efeito. Tal como não sei quem vai ganhar estas eleições. Desta feita não faço apostas, porque o meu lado racional está em acérrima disputa com o meu lado emocional. Apenas temo por um mundo que parece cada dia mais subjugado ao poder. Por um mundo que apenas olha para o seu bolso sem ver o seu coração, que apenas mede as suas acções de hoje sem pensar no amanhã e que vive a sua vida como se fosse um filme, fiando-se que o final feliz chegará sem trabalho, sem esforço e sem sacrifícios.


Talvez eu não tenha entendido bem o conceito de “liberty and freedom for all” ao pensar que isso significa tolerância, humanidade, respeito e amor.

Boa sorte para todos nós!




ACTUALIZAÇÃO [novembro 03, 2004]


Pensamento do dia: Errar é humano, insistir no erro é estupidez.


Há quatro anos atrás foi raiva... Hoje é apenas desencanto... e uma tristeza profunda. Pelo ser humano que reduz a sua inteligência ao dilema da escolha entre um Big Mac e um McChicken e que abdica do seu livre-arbítrio para se submeter a uma ignorância que se fundamenta num pacote instantâneo de ideias prêt-à-penser.


A esperança desvanece-se uma vez mais e novamente vê-se obrigada a renascer. Porque acordar amanhã tem de fazer algum sentido.


 



realizado por Rita às 23:43
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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NOTÍCIAS

OPINIÕES

Filmes
#
$9.99
(500) Days of Summer
12:08 A Este de Bucareste
127 Hours
13 (Tzameti)
1408
16 Blocks
2 Days in Paris
2046
21
21 Grams
25 Watts
3... Extremos
300
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
4ème Morceau de la Femme Coupée en Trois, Le
50/50
5x2
9 Songs

A
À l’Origine
À Tout de Suite
Aaltra
Abrazos Rotos, Los
Adam
Adeus, Dragon Inn
Ae Fond Kiss
Affaire Farewell, L’
Afterschool
Agents Secrets
Agony and the Ecstasy of Phil Spector, The
Ágora
After.Life
Alatriste
Albert Nobbs
Alex
Alexander
Alfie
Alice In Wonderland
All The Invisible Children
Amants Réguliers, Les
American, The
American Gangster
American Splendor
Amor Idiota
Amours Imaginaires, Les
An Education
An Obsession
Ana Y Los Otros
Anche Libero Va Bene
Angel-A
Anges Exterminateurs, Les
Answer Man, The
Anthony Zimmer
Antichrist
Apocalypto
Approaching Union Square
Après Vous...
Arnacoeur, L’
Arsène Lupin
Artist, The
Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
Astronaut Farmer, The
Asylum
Atonement
Ausentes
Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec, Les
Aviator, The
Away We Go
Azuloscurocasinegro

B
Baader-Meinhof Komplex, Der
Babel
Babies
Backstage
Ballad of Jack and Rose, The
Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
Battle in Seattle
Be Kind Rewind
Bee Movie
Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
World Trade Center
Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
X-Men: First Class
X-Men Origins: Wolverine

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