CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Sexta-feira, 29 de Outubro de 2004
NOSTALGIA DE UMA SALA VAZIA

Há uns anos atrás aquando de umas férias em Amsterdão tentei arranjar bilhetes para um concerto que ia acontecer nesse mesmo dia. Já estava esgotado. Disseram-me então que era isso normal por aqueles lados, como as pessoas tinham dinheiro iam a tudo o que fosse actividade cultural e como tal era sempre necessário comprar bilhetes com alguma antecedência para o quer que fosse. Essa ideia do “Eu no dia logo vejo se me apetece ir”, o “deixar andar” português, não seria possível naquele país e era substituído por um “Eu daqui a 3 meses vai ter que me apetecer ir”. Pensei para mim que em Portugal isso nunca seria possível. E a verdade é que apesar das coffee shops e das batatas fritas belgas ao fim da tarde dei por mim a ter pena dos organizados holandeses (mas isso, claro, foi muito antes do Santana Lopes). Porque não se podiam render alegremente à preguiça. Porque não podiam deixar para amanhã. Porque tinham que o fazer hoje.


Tudo isto para dizer que já tenho em minha posse os bilhetes para todos os filmes que tenciono ir ver ao DOCLisboa até ao fim do certame. Não me orgulho disso, tentei resistir o mais que pude mas depois de duas sessões falhadas teve que ser.


No DOCLisboa tem-se assistido a verdadeiras enchentes. Sessões esgotadas, filas imensas para comprar bilhetes, o pânico que obriga à compra dos bilhetes com antecedência. E só de pensar que ano passado, na edição anterior deste mesmo festival não éramos mais de 10 as pessoas na sala (e era um documentário sobre a mesma Palestina que hoje tem sessões esgotadas).


Mas a verdade é que os festivais de cinema tornaram-se uma moda. Foi assim no Indie, foi assim na Festa do Cinema Francês (uma sessão esquecida numa segunda feira à noite chuvosa no Instituto Francês e deparei-me com uma sala cheia, está bem que era o Bilal). E está a ser assim (ou ainda pior) no DOCLisboa (e chego a perguntar-me se não terá sido também assim no Festival de Teledramaturgia Científica que decorreu no fim de semana passado no antigo Pavilhão do Futuro).


As saudades do Grande Auditório da Culturgest vazio, os corredores silenciosos, documentários que se esticavam por três sessões e um público que ia diminuindo de sessão para sessão. Só me resta esperar que isto seja mesmo uma moda. Que o sucesso deste certame garanta a sua continuidade mas que para o ano a maioria do pessoal já não esteja para aí virado. E que se possa novamente saborear o prazer daquelas salas vazias.


SÉRGIO TORRES
sergiotrs@sapo.pt

 

 



realizado por Rita às 14:19
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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2004
The Village ***

Realização: M. Night Shyamalan. Elenco: Bryce >Dallas Howard, Joaquin Phoenix, Adrien Brody, William Hurt, Sigourney Weaver, Brendan Gleeson. Nacionalidade: EUA, 2004.





Final do séc.XIX. Uma vila americana vive em tréguas com o bosque que a rodeia. Reza a lenda que ferozes criaturas (“Aqueles de Quem Não Falamos”) o habitam. A cor vermelha é proibida, porque as atrai. A morte de um dos seus jovens faz com que Lucius (Phoenix) se ofereça para ir às cidades, atravessando o bosque, em busca de medicamentos que possam auxiliar os habitantes. O aparecimento de animais mortos e esfolados faz reviver a ameaça que paira em redor de uma comunidade aparentemente equilibrada.


Esta suposta paz, à semelhança de uma guerra fria onde o medo funciona como arma, camufla segredos guardados em cada canto. Escolhe-se manter o seu passado por perto fechado numa caixa, para se ter uma maior consciência do seu peso e do propósito do seu esquecimento. Liderada por um concelho de anciãos, esta vila subsiste sem contacto com o exterior, vivendo o seu quotidiano de calma instituída à força de rígidas regras.


A descontrolada, desmedida e despropositada explosão da paixão, no momento mais cómico do filme, vem, desde logo, sugerir que nem tudo é o que parece. Que os silêncios subentendidos escondem sentimentos calados, mas nem por isso suaves. O “quiet room”, utilizado para acalmar os ímpetos do “louco da vila” (Brody), representa o controlo dos impulsos e a censura da diferença. Um mecanismo que ele só evita através de mais um segredo e um novo comprometimento com a lei social.


O vermelho é, por excelência, associado ao proibido, ao pecado. É paixão, entusiasmo, impulsos. Estimula reacções directas e até agressivas. É ele que desencadeia, na própria história, a força, a valentia, a tenacidade, simbolizando também a aproximação e o encontro entre as pessoas, ainda que aqui seja para o erradicar. Talvez por ser a cor daquilo que temos de mais íntimo e precioso: o sangue.


Ao contrário dos anteriores filmes mais mediáticos de Shyamalan, esta é uma história de amor. Não limitada ao amor romântico, mas alargando-se ao amor por todos aqueles em quem pensamos antes de todos os outros, aqueles a quem damos a mão, os nossos preferidos. Moral da história: as fronteiras que nos protegem do exterior também são aquelas que nos afastam dele, física e emocionalmente.


Shyamalan tinha-me deixado insatisfeita com “Sinais”, e, de novo, saio da sala desapontada. Agradeço dois saltos na cadeira e alguns batimentos cardíacos mais acelerados, agradeço a maravilhosa fotografia de Roger Deakins e a perfeita recriação do ambiente de uma América no ano de 1897, agradeço a música de James Newton Howard, mas, sobretudo, agradeço a presença de Bryce Dallas Howard. Fica a curiosidade de a ver em “Manderlay”, a sequela de “Dogville”, de Lars Von Trier, onde substitui Nicole Kidman no papel de Grace.


Wrap up: a elevada fasquia colocada pelos fabulosos “O Sexto Sentido” e “O Protegido” continua por superar, mas, por ser um bom contador de histórias, ainda dou a Shyamalan o benefício da dúvida.




CITAÇÕES:


I: Let the bad color not be seen. It attracts them.
II: Never enter the woods. That is where they wait.
III: Heed the warning bell. For they are coming.


“Sometimes we don't do things we want to do because we're afraid that other people will know that we want to do them.”
BRYCE DALLAS HOWARD (Ivy Walker)


“Ivy Walker - When we are married, will you dance with me? I find dancing very agreeable... Why can you not say what is in your head?”
Lucius Hunt - Why can you not stop saying what is in yours? Why must you lead, when I want to lead? If I want to dance I will ask you to dance. If I want to speak I will open my mouth and speak. (...) What good is it to tell you you are in my every thought from the time I wake? (...) What gain can rise of my telling you the only time I feel fear as others do is when I think of you in harm? That is why I am on this porch, Ivy Walker. I fear for your safety before all others. And yes, I will dance with you on our wedding night.”
BRYCE DALLAS HOWARD (Ivy Walker) e JOAQUIN PHOENIX (Lucius Hunt)






realizado por Rita às 20:00
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Terça-feira, 26 de Outubro de 2004
Diarios de Motocicleta ****

Realização: Walter Salles. Elenco: Gael García Bernal, Rodrigo de la Serna, Mía Maestro, Mercedes Morán, Jean Pierre Noher. Nacionalidade: Argentina / EUA / RU / Alemanha, 2004.





1952, ERNESTO GUEVARA DE LA SERNA (García Bernal), 23 anos, finalista de medicina e oriundo de uma família burguesa de Buenos Aires decide partir com o seu amigo ALBERTO GRANADO (Rodrigo de la Serna), um bioquímico de 29 anos, numa viagem pela América Latina. Com a mota LA PODEROSA lançam-se numa aventura que os leva da Argentina à Venezuela, por mais de 10.000 kms ao longo de 7 meses.


A par do caminho físico é também percorrido um caminho espiritual, que transforma uma viagem iniciática quase de fuga à responsabilidade adulta numa tomada de consciência da realidade de um continente e de um povo. Uma viagem que viria a transformar um jovem no líder da revolução cubana, e que viria a encontrar a morte na Bolívia, apenas 15 anos após os factos aqui narrados.


Com apoio de Robert Redford e do seu Sundance Institute, Walter Salles assume o risco de filmar um mito fortemente enraizado no imaginário colectivo. Mas teve a vantagem deste se basear de perto nos escritos dos seus directos intervenientes, os livros ‘Notas de Viaje’ de Che Guevara e ‘Con el Che por Latinoamérica’ de Alberto Granado, permitindo-lhe assim evitar a tentação de cair no cliché heróico.


Com um olhar documental, a câmara oscila pelos caminhos e centra-se nos rostos. Instantes cómicos característicos da juventude contrastam com momentos dramáticos de confronto brutal com a pobreza, a doença, a injustiça social, a ignorância e, simultaneamente, com a dignidade e solidariedade de um povo que, segundo o mesmo Guevara “constituye una sola raza mestiza que desde México hasta el Estrecho de Magallanes presenta notables similitudes”. A consciência social de Salles deixa de ser exclusiva do Brasil para se estender a todo o continente sul-americano.


Salles constrói dois personagens consistentes: Granado, impulsionador pragmático; e Guevara, introspectivo e sensível, no romance, no auxílio, na sinceridade. Coloca-os nos belíssimos cenários de Buenos Aires e Bariloche (Argentina); Temuco, o deserto de Atacama, Valparaíso e uma mina (Chile); e Iquitos e Machu Pichu (Peru). Um road movie, episódico por natureza, mas onde todos os momentos se unem com a continuidade e fluidez de uma história bem contada.


O filme traz-nos alguns momentos de revelação: Machu Pichu, a barcaça dos pobres a reboque, a colónia de leprosos; mas o momento de transição, de choque com a realidade, é o encontro com o casal de comunistas perseguidos no deserto de Atacama, onde a validade do progresso económico é posta em causa e onde se começa a definir uma convicção ideológica.


García Bernal confirma-se inequivocamente como um talento, mas a descoberta de Rodrigo de la Serna (curiosamente primo em 2º grau de Guevara) é, no mínimo, uma emoção refrescante. A cumplicidade de ambos transpira da tela. O exemplo mais marcante, que não figura no livro de Guevara, é a travessia do rio a nado, como símbolo de um ritual de passagem.


Este retrato social e antropológico de uma América Latina que gostaríamos tivesse mudado é pintado com a deslumbrante fotografia de Eric Gautier. Salles retoma a técnica do álbum final a preto e branco que já tinha sido usado em “A Cidade de Deus” (do qual foi co-produtor) para construir a memória de uma viagem inesquecível. E Jorge Drexler encerra este filme com o delicioso tema Al Otro Lado del Río, para o qual foi expressamente escrito e composto.


“No sé que voy a hacer, este viaje me ha cambiado muchas cosas”, diz Guevara.
Quanto vale para a humanidade o passo de um homem?




CITAÇÕES:


” La vida es jodida. Hay que luchar por cada boca de aire. Y mandar la muerte al carajo.”
GAEL GARCÍA BERNAL (Ernesto Guevara)


“El personaje que escribió estas notas murió al pisar de nuevo tierra argentina, el que las ordena y pule, yo, no soy yo, por lo menos no soy el mismo yo interior. Ese vagar sin rumbo por nuestra ‘Mayúscula América’ me ha cambiado más de lo que creí.”
ERNESTO GUEVARA, in Notas de Viaje


“Si hay una cosa que puedo decirle sobre esta experiencia – y creo que hablo por todos los que nos "echamos a la carretera" durante dos años para llevar a término este proyecto – es que cuando llegamos al final de nuestro viaje, nosotros también habíamos cambiado.”
WALTER SALLES


“El Che ha tenido una influencia muy fuerte en nuestras vidas, especialmente en las de quienes nacimos después de la revolución cubana... (Mi generación) nació con la idea de un héroe latinoamericano moderno, un hombre que luchó por sus ideas, un argentino que peleó en un país que no era el suyo, que se convirtió en ciudadano de Latinoamérica, del mundo... Creo que esta historia podría animar a la gente a intentar encontrar sus propias creencias...”
GAEL GARCÍA BERNAL






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Sexta-feira, 22 de Outubro de 2004
Collateral ***

Realização: Michael Mann. Elenco: Tom Cruise, Jamie Foxx, Jada Pinkett Smith, Mark Ruffalo, Peter Berg, Bruce McGill, Javier Bardem. Nacionalidade: EUA, 2004.





Sempre gostei de vilões, mas até ontem não tinha percebido exactamente porquê. E não é o simples fascínio pela sua inteligência, ou o seu carácter altamente cerebral. Mas sim o facto de eles representarem aquela parte de nós que raramente admitimos possuir e à qual só por algumas deturpadoras circunstâncias de vida lá poderemos chegar.


Eles são egoístas, frios, insensíveis, ou simplesmente maus. E custa crer que todos temos isso em nós, ainda que em potencial. Mas confesso que me dá um especial prazer espreitar esse meu lado negro, que se regozija com a destruição como forma de arte, com a dedicação a uma missão, com a prossecução de objectivos, com o hedonismo.


Talvez não devesse admitir esta minha inclinação para a violência, mas como explicar o sorriso quando são disparados alguns tiros certeiros e a atracção dos jorros espessos de sangue? Acho que tudo se cinge ao eterno sonho do Homem de se tornar naquele que foi um dia criado à sua imagem. O poder, resumido num gatilho ou na ponta de uma espada, de fazer nada de tudo.


Um taxi, um taxista (Foxx), um cliente (Cruise), uma cliente (Pinkett Smith), cinco destinos, uma noite. Nisto se resume Colateral. Poupa-se no guarda roupa aquilo que se gasta em filmagens aéreas. Poupa-se em cenário aquilo que se gasta em munições. Poupa-se na representação aquilo que se gasta em cachets.


Sim, Cruise surpreende. Mas não exactamente por ter aqui o papel da sua vida (ainda está para vir aquele que destrone o de Magnolia, de P.T.Anderson), mas porque nos habituou, desde cedo, a esperar muito pouco dele. É uma estratégia como qualquer outra, mas admito que ele está no bom caminho. Talvez quando aquele cabelo grisalho for a sério possamos realmente admitir que ele amadureceu. De qualquer forma, esta é uma boa tentativa. O seu assassino é cruel e obsessivo, é implacável e impenetrável, e, no entanto, tem momentos de puro sentimento, quase fugidos da sua própria vontade.


Foxx está bem, num registo entre o medo e a coragem. Depois de Niobe em Matrix, Pinkett Smith é a “damsel in distress” por excelência, sedutora e frágil. Javier Bardem enche um ecrã mesmo que seja a um canto. Quanto a Rufallo, não posso evitar ser parcial, e para o muito que gosto dele sabe sempre a pouco não ser ele o protagonista.


Tendo em conta que Michael Mann nos deu O Último dos Moicanos, Heat-Cidade sobre Pressão e O Informador, Colateral não é definitivamente o seu melhor trabalho, ainda que a noite de L.A. tenha sido eximiamente filmada e a exiguidade do espaço de um carro tenha parecido um palco. Mas vi mais tensão esta manhã nas caras no Metro...





TAGLINE:


“It started like any other night.”


CITAÇÃO:


“You can run but you'll die tired.”






realizado por Rita às 23:57
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2004
2046 ****

Realização: Wong Kar-Wai. Elenco: Tony Chiu Wai Leung, Gong Li, Takuya Kimura, Faye Wong, Ziyi Zhang, Carina Lau, Chen Chang, Maggie Cheung. Nacionalidade: China / França / Alemanha / Hong Kong, 2004.





Quem viu o filme “Disponível Para Amar” não estranhará a estética de “2046”. Em continuação voltamos a ver o escritor Chow Mo Wan (Tony Chiu Wai Leung), saído de Singapura em fuga do seu passado, mas na sua eterna e paradoxal busca. Reencontra uma velha amiga, Lulu (Carina Lau), que não o reconhece e que está alojada num hotel no quarto 2046 (o mesmo número do quarto onde os personagens de “Disponível Para Amar” tinham os seus encontros). Ele aluga o quarto do lado, e começa a escrever o livro 2046, um espaço/tempo futurista onde se vai em busca das memórias perdidas e de onde ninguém regressa.


O escritor é, ao mesmo tempo, o herói da sua história, o único que toma o comboio de regresso. Talvez, tendo encontrado a memória que procurava, queira agora afastar-se dela e romper com o passado que o prende. A história compõe-se das suas recordações, de várias mulheres que passam na sua vida, da sua ânsia de fazer delas a mulher que perdeu.


Bai Ling (Ziyi Zhang) é amor-paixão, Jing Wen (Faye Wong) o amor-romântico, Su Li Zhen (Gong Li) o amor-cerebral. Cada uma delas tem algo do ideal (uma breve aparição de Maggie Cheung, heroína de “Disponível Para Amar”): a primeira ama, a segunda é amada, a terceira carrega o mesmo nome, Su Li Zhen, e todas evidenciam a sua ausência, mas a dura verdade é que “no amor não há substitutos”.


“2046” fala da ausência, da solidão, do tempo, das recordações, de arrependimentos, do “amor como uma questão de oportunidade” onde “de nada vale encontrar a pessoa certa antes ou depois da hora certa”. Wong Kar-Wai cria um espaço mental pleno de sombras, sonhos e esperanças perdidas. O erotismo delicado de “Disponível Para Amar” é aqui substituído por cenas mais explícitas, sensuais mas carregadas de desespero.


Como numa dança, o nosso olhar deixa-se levar pelo movimento de objectos, de luzes e cores. Espelhos, vidros, portas, paredes velhas, vestidos deslumbrantes, batons vermelhos, contrastam com cenários altamente tecnológicos. Tudo se conjuga para uma experiência visual, mais do que para uma história. A música insiste também em desempenhar o seu importante papel emoldurando este quadro, e Nat King Cole volta a marcar o seu momento.


Fica-nos a sensação de que, mais do que dizer algo de novo face ao seu precedente, este filme foi motivado pela mesma ânsia que a do seu personagem, ou seja, Wong Kar-Wai não se conseguiu despedir do seu passado. Teve que ir a “2046”, encontrar a sua memória de “Disponível Para Amar”, e regressar de novo. Talvez este adeus lhe permita um recomeço. Eu, pelo menos, vou exigir ser surpreendida da próxima vez.




CITAÇÕES:


“Todos os que vão a 2046 tâm o mesmo objectivo. Recuperar as suas memórias perdidas. Porque em 2046 nada muda. Ninguém pode ter a certeza de que isto é verdade. Porque de todos os que para lá foram... ninguém regressou. Excepto eu. Porque eu preciso de mudar.”


“Quando não aceitamos uma resposta negativa há sempre uma hipótese de conseguirmos o que queremos.”






realizado por Rita às 21:21
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2004
5x2 ***

T.O.: 5x2 cinq fois deux. Realização: François Ozon. Elenco: Valeria Bruni-Tedeschi, Stéphane Freiss, Géraldine Pailhas, Françoise Fabian, Michael Lonsdale, Antoine Chappey. Nacionalidade: França, 2004.





De regresso ao drama romântico, François Ozon conta-nos, em ordem cronológica inversa, a história de um casal (o 2) em diversos momentos da sua vida conjunta (o 5). De uma originalidade já um tanto questionável e um pouco à semelhança de “Memento”, de Christopher Nolan, e de “Irreversível”, de Gaspar Noé, esta opção narrativa vem sobretudo evidenciar a ilusão do “felizes para sempre”. A tendência do cinema para o conto de fadas (a meu ver, uma das causas da sociedade depressiva), está bastante longe da verdade. Por definição, um final nunca é feliz, porque é ruptura, é desmoronar, é frustrar, é partir.


Aqui somos, desde início, confrontados com o fim do casamento de Marion (Tedeschi) e de Gilles (Freiss). Um final legalmente pacífico, mas emocionalmente violento, onde ambos tentam ainda resgatar algo do que os uniu, mas o vazio do silêncio é agora o único que têm em comum. Somos depois levados a um jantar entre amigos, onde começamos a vislumbrar a amargura das palavras, a indiferença dos gestos. E o julgamento de outras opções de felicidade diferentes da nossa torna-se irónico, sabendo já o desfecho.


No nascimento do filho, Gilles evidencia a sua fraqueza de carácter. Percebemos que um gesto de ternura anterior (ou seja, posterior) mais do que genuíno é quase compensatório. Vemos que Gilles passou toda a vida a pedir desculpas, a tentar voltar atrás. A idêntica deterioração do casamento dos pais de Marion traduz uma outra hipótese: o conflito directo das palavras (em vez do silêncio reprimido) e a aceitação da condição de falha, mantendo a coabitação (em vez do divórcio).


O casamento. A felicidade dolorosa. Não só porque já a sabemos finita, mas porque também ela é pautada por mácula. E, finalmente, o momento do encontro, onde Marion faz o aviso, sem saber, do desfecho da sua própria história.


Ozon deixa-nos adivinhar alguns detalhes, usando a luz/sobra como reflexo da crescente (ou melhor, decrescente) amargura. A música de Philippe Rombi acompanha todo o desvendar da equação, isto é, das equações. A única forma de encontrar uma solução para as duas incógnitas (dois seres individuais) é considerar duas equações distintas, dois conjuntos de especificidades, necessidades, sonhos, vontades. Por isso este filme não se chama 5x1. Porque uma relação não é uma unidade. Mas duas.


Apesar da sensação geral de desencanto, 5x2 é também o retrato de cinco momentos de felicidade: a da descoberta, a do entendimento, a da criação, a da amizade, a da liberdade, por ordem cronológica.






CITAÇÕES:


“Não devíamos nadar nesta parte do mar, é perigoso.”
VALERIA BRUNI-TEDESCHI (Marion)





realizado por Rita às 23:59
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Sexta-feira, 15 de Outubro de 2004
Comme une Image ****

Realização: Agnès Jaoui. Elenco: Marilou Berry, Agnès Jaoui, Jean-Pierre Bacri, Laurent Grévill, Virginie Desarnauts, Keine Bouhiza, Grégoire Oestermann, Serge Riaboukine, Michèle Moretti. Nacionalidade: França / Itália / Reino Unido, 2004.





Ela (Berry) é uma jovem com uns quilos a mais, que tem aulas de canto, e vive preocupada com a imagem que os outros têm dela. Ele (Bacri) é um escritor reconhecido e é seu pai, e não faz qualquer caso do que os outros podem pensar dele. À sua volta existem amigos, conhecidos, família, colegas, namorados. Relações humanas, simples e complicadas.


Este é o sexto argumento que resulta da colaboração do casal Jaoui-Bacri e segunda realização de Jaoui, mostrando-nos que “O Gosto dos Outros” não foi um golpe de sorte, e justificando o merecido prémio de argumento este ano em Cannes.


O poder de observação dos homens e das mulheres e das suas relações é aqui completado com o poder de transcrição dessa observação para o cinema, permitindo reunir um mundo de sentimentos numa mão cheia de pessoas. Os diálogos são elaborados com inteligência e realismo, ainda que ridículos alguns deles, mas a vida também o é, por vezes. E é através de um humor incisivo que, tal como o título do filme, Jaoui-Bacri nos dão uma imagem do mundo, da sua complexidade, mas também da sua riqueza humana. Sob o tom de uma comédia de costumes, a crítica é bem menos ligeira do que aparenta.


A dificuldade de conseguir encontrar o nosso lugar, de o mantermos, de estar atento ao outro ao mesmo tempo que tentamos definir quem somos, a dificuldade de simultaneamente sermos feliz e fazer felizes quem amamos.


Os personagens são-nos mostrados sem julgamentos, sem condescendência, sem concessões, sem optimismo ou pessimismo. Hiper-realistas de humanidade, todos cativantes apesar dos seus defeitos: a baixeza, o oportunismo, a dominação, a submissão, a cobardia, o autismo. Contrastante com o altruísmo dos jovens do grupo de cantores amador, e da extrema dignidade do jovem árabe, cuja única falta é mudar o seu nome de Rachid para Sébastien. Do casting há que salientar Berry, que enche o ecrã com uma representação plena de nuances, de sonhos, de erros, de crescimento.


“Comme une Image” (“Olhem Para Mim”, em português), a imagem como elemento determinante da nossa posição na sociedade, seja em termos profissionais ou particulares. O peso da imagem (positiva ou negativa) que os outros têm de nós como condicionante dos sentimentos que nos dirigem, das palavras ou dos silêncios. E quantas vezes essa imagem é apenas isso: imaginação. Porque ouvir não é escutar e olhar não é ver.




CITAÇÕES:


“When I write, it's already musical. It's instinctive: you have to find the right words, like expressions that suit you. Storytelling and music share a sense of rhythm.”
AGNÈS JAOUI, em Cannes 2004






realizado por Rita às 19:50
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Quinta-feira, 14 de Outubro de 2004
Jeux d'Enfants *****

Realização: Yann Samuell. Elenco: Guillaume Canet, Marion Cotillard, Thibault Verhaeghe, Joséphine Lebas-Joly, Gérard Watkins, Emmanuelle Grönvold. Nacionalidade: França / Bélgica, 2003.





Conto de fadas, tragédia, idealista, deprimente, mas, contudo, revigorante. A primeira longa-metragem de Yann Samuell é um hino à infância, o tesouro mais puro, quando somos capazes de tudo, sobretudo, de sonhar.


Julien (Verhaeghe) e Sophie (Lebas-Joly) têm 8 anos. A mãe de Julien morre de cancro. Sophie é polaca e sofre a pressão dos colegas de escola. Para fugirem à realidade, construindo um mundo semelhante aos seus sonhos, usam um jogo como pretexto: “Cap ou pas cap?”. Quem detém a caixa de música pode lançar um desafio ao outro. Se o desafio for superado, a caixa muda de mãos e quem a recebe pode, por sua vez, propor um novo repto.


Sophie e Julien definiram as regras de um jogo onde são árbitros, vencedores e vencidos, simultaneamente. Sendo capazes do melhor e do pior, desafiam todos os tabus, as autoridades, as regras. Riem-se e magoam-se, numa cumplicidade que só eles entendem. Cada vez que jogam dizem que são capazes de fazer tudo o que o outro pedir, sem duvidar. Cada vez que dizem “Cap” estão a dizer que se amam, sem o saber, ou o conseguir dizer de outra forma. E este jogo prolonga-se pela vida, aumentando de intensidade, e com consequências cada vez mais desmedidas.


“Jeux d’Enfants” estimula o pensamento, agita as emoções, faz-nos entrar num sonho. Questiona as nossas certezas, obrigando-nos a ver a vida segundo um novo ponto de vista. O amor aparece aqui, perante meu constrangimento e negação, como egoísta, cruel, ciumento. O amor de Sophie (Cotillard) e Julien (Canet) é um jogo, que quebra promessas, os põe em perigo dando o controlo ao outro, isola-os da sua família, magoa os que os rodeiam, fá-los odiar. Ajuda-os a desafiar tudo e todos, sem culpa, mas é um mito que os deixa para sempre aquém, insatisfeitos.


Samuell começou a sua carreira na ilustração, o que vem sem dúvida marcar o universo visual deste filme. As cores carregadas e a atmosfera sofisticada lembram o “Amélie Poulain”, de Jean-Pierre Jeunet. Samuell desenhou todo o storyboard e teve de ilustrar quase todos os cenários para mostrar aquilo que pretendia. A energia da sua realização disputa a da paixão dos dois protagonistas (a química entre Canet e Cotillard é inequívoca).


La vie en rose em quatro diferentes versões (Louis Armstrong, Donna Summer, Trio Esperanza e Zazie) empresta ainda mais mística a esta inteligente mistura de poema onírico com dura realidade. Imperdível!




CITAÇÕES:


“Pour gagner ce jeu, il faut une jolie boîte, une jolie copine, et le reste on s’en fout...”
GUILLAUME CANET (Julien)


“Tu te souviens c’est ce jour là oú tu m’as dit que je serai jamais cap de te faire du mal... Cap...”
GUILLAUME CANET (Julien)


“- Va en l’enfer! GUILLAUME CANET (Julien)
- D’accord, mais tu m’y accompagnes. On ne se revoit pas pendant diz ans... Cap!”
MARION COTILLARD (Sophie)


“Os amigos são como os óculos: dão-nos um ar inteligente, mas riscam-se e cansam-nos.”
THIBAULT VERHAEGHE (Julien)


“Ser adulto é isso: ter um conta quilómetros que marca 210 e não andar a mais de 60.”
GUILLAUME CANET (Julien)






realizado por Rita às 08:45
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2004
Agents Secrets ***

Realização: Frédéric Schoendoerffer. Elenco: Vincent Cassel, Monica Bellucci, André Dussollier, Charles Berling, Bruno Todeschini, Sergio Peris-Mencheta, Ludovic Schoendoerffer, Eric Savin, Serge Avedikian, Najwa Nimri. Nacionalidade: França / Itália / Espanha, 2004.





Uma história de espiões. A missão: fazer explodir um barco que faz o transporte ilegal de armas para a guerra em Angola. Os agentes dos serviços secretos franceses: Brisseau (Cassel), Lisa (Bellucci), Raymond (Mencheta), Loïc (Schoendoerffer, irmão do realizador) e Tony (Savin).


O nome de código da missão é “Janus” (ou Jano), o deus romano das portas (janue), princípios e fins, representado por uma cabeça com duas caras, cada uma delas olhando em direcções opostas. Era adorado no início das colheitas, plantações, casamentos, nascimentos, e todos os tipos de começo durante a vida. Daí que o primeiro mês do ano seja em sua honra. Representa igualmente a transição entre a vida primitiva e a civilização, entre campo e cidade, paz e guerra.


O desenrolar da acção vive nesta dualidade de objectivos, intenções, amizades e conluios. O conflito surge quando algo de mais essencial, como a confiança ou o amor são abalados.


O recomeço é aqui visto como um sonho, mas também como uma ameaça. Romper com o estabelecido significa muitas vezes ter que matar o passado, ainda que isso se faça dentro de nós mesmos. É inegavelmente tranquilizador ter um propósito claro, a tal missão, ou uma ordem que nos assegure que os passos que damos são os certos. Quando arriscamos perder essa segurança, e decidimos tactear às escuras o caminho, vem o medo. Mas talvez seja essa a única forma de evoluirmos.


A realização de Schoendoerffer prima por um bom gosto extremo, nos planos, nas cores, na iluminação, na construção de determinadas sequências: a cena de abertura com o barco chegando à costa espanhola, a perseguição que a câmara faz ao carro na sequência inicial, o detalhe dos sons quando o corpo do perseguido é revistado, o plano de entrada da câmara através do vidro fumado, o choque brutal dos carros feito em silêncio sepulcral. E, claro, Monica Bellucci, irritantemente bela.


Este é um filme de acção na verdadeira acepção da palavra, onde os diálogos se limitam, e já é bastante, a dar substância aos personagens. Schoendoerffer conta algumas partes da história, mas não explica tudo. Faltam-nos alguns pormenores, ainda que consigamos estabelecer as ligações essenciais. Talvez seja isso um agente secreto: a quem só é passada alguma informação, a suficiente para que ele cumpra a sua parte. E só se lhe exige que obedeça. Cumpri a minha missão como espectadora, e gostei.






realizado por Rita às 23:46
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2004
Immortel (ad vitam) ***

Realização: Enki Bilal. Elenco: Linda Hardy, Thomas Kretschmann, Charlotte Rampling, Frédéric Pierrot. Nacionalidade: França / Itália / Reino Unido, 2004.





Nikopol (Kretschmann), um revolucionário, encontra-se preso há 30 anos, orbitando a Terra de 2095, mas o seu espírito continua a comunicar com os seres que a habitam, maioritariamente não-humanos, criando um ambiente de conflito ideológico com o poder reinante.


Suspensa sobre Nova Iorque encontra-se uma pirâmide, morada de antigos deuses egípcios, entre os quais Horus, o deus falcão. O seu estatuto de imortal é revogado, o que o conduz a uma última oportunidade de resolver os seus assuntos e salvar o pouco que resta da humanidade. Para isso ele precisa de um corpo humano, e é Nikopol que, contra a sua vontade, vai ser usado como veículo para os seus propósitos.


Jill (Hardy) faz também parte do plano de Horus. A sua condição de mutante desperta o interesse da médica Elma Turner (Rampling). John, o seu único amigo, fornece-lhe as drogas necessárias para a fazer reajustar a um mundo que não é o dela.


Num contexto de intriga política, corrupção empresarial e revolução iminente estes dois personagens vão ser ver obrigados a conviver e a descobrir-se, apesar dos segredos que cada um guarda.


Suponho que se eu tivesse lido alguma das obras de BD de Bilal, entre as quais a Trilogia Nikopol (La Femme piège / La Foire aux immortels / Froid équateur), não me teria surpreendido tanto com este filme do ponto de vista visual. Os cenários são uma verdadeira obra de arte em detalhes, cores frias e imaginação futurista, com destaque para o micro-clima gelado de Central Park. Os efeitos 3-D em perfeita combinação com as três dimensões reais são espantosos, o que contrasta com o trabalho quase minimalista de alguns personagens, nomeadamente os vilões.


O confronto da óptima concepção artística é ainda maior quando pensamos na história básica deste “Immortel (ad vitam)”. O uso de actores reais era dispensável, já que Bilal mal consegue aproveitar as suas capacidades. Depois de “Swimming Pool” é quase chocante ver Charlotte Rampling neste filme. A poesia que este filme poderia / deveria ter é mal consubstanciada nos murmúrios delirantes de Nikopol.


Talvez algumas obras tenham o seu lugar próprio e insistir que elas pertençam a outro mundo seja demasiada arrogância. Mas apesar de tudo, e porque a curiosidade foi despertada, fica a vontade de um destes dias ir à Fnac e sentar-me um pouco com estes livros.




CURIOSIDADE:


Nascido em Belgrado, Bilal aprendeu francês aos 6 anos de idade e descobriu Baudelaire na sua adolescência. Em homenagem ao poeta, os versos de Une Charogne e Poison, dois poemas de Fleurs du mal iniciam e terminam o filme “Immortel (ad vitam)”.





realizado por Rita às 23:41
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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2004
Sex is Comedy ***

Realização: Catherine Breillat. Elenco: Anne Parillaud, Grégoire Colin, Roxane Mesquida, Ashley Wanninger. Nacionalidade: França / Portugal, 2002.





“Sex is Comedy” é uma homenagem aos actores em geral (impessoais aqui, sem nome), feita por uma realizadora real (Breillat) através de uma realizadora ficcional, Jeanne (Parrilaud), que tenta a todo o custo estabelecer uma relação de proximidade com e entre os protagonistas do seu filme (Colin e Mesquida).


A inspiração para este filme foi uma cena de sexo filmada anteriormente por Breillat no filme “A Ma Soeur!” (2001), que Mesquida também interpreta. Aqui Breillat centra o esforço de Jeanne na construção de uma cena semelhante, com dois actores cuja empatia é basicamente nula.


Numa abordagem apologética e autocrítica, Breillat desenha uma realizadora demasiado próxima de si mesma, retratando-a como egoísta, obsessiva e quase vampiresca na forma como tenta sugar a energia dos SEUS actores, exigindo-lhes tudo para além dos seus limites, num perfeccionismo tão exigente consigo como com os outros. No entanto, simultaneamente, o seu amor pelos actores é tremendo e muito superior à história que eles servem, estabelecendo-se uma relação estranhamente íntima, pautada de chantagens emocionais. Porque a confiança mútua, ainda que manipulada, é a única forma de se poder ir mais além, uma na sua criatividade e os outros na sua sensibilidade.


O filme de Breillat é lento, ao ritmo da angústia das indecisões, dos conflitos, da gestão de produção de cada detalhe de luz ou movimento. Este é um filme sobre um filme, onde Breillat utilizou a sua equipa de produção para fazer de equipa de produção. Mas, para além de um documentário que nos mostra os bastidores, aqui é-nos mostrado o que está para lá de cada pessoa: os seus medos, inseguranças, a sua abdicação, dedicação, o compromisso com o seu trabalho.


Mais do que tudo, este filme parece ser uma resposta de Breillat a críticas sobre a crueza com que ela filma o sexo, expressando a agonia (e não o voyeurismo) da concretização das suas ideias. Onde a intimidade de uma cena que a nós, espectadores, nos parece brutalmente invadida não é mais do que um grupo extenso de trabalhadores de uma indústria no seu quotidiano.


Esta obra um tanto narcisista é também uma referência ao cinema como máquina de ilusões, e onde o sexo, tal como quase tudo o resto, não passa de uma farsa. E, por um caminho por vezes extenuante mas com algum humor, Breillat conduz-nos à melhor parte do filme, o clímax final. A analogia com o orgasmo é inevitável...




CITAÇÕES:


“Sex is what people do most and admit least.”
ANNE PARILLAUD (Jeanne)






realizado por Rita às 08:38
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2004
Em ressaca do IndieLISBOA

Começando pelo princípio. A sobreposição de duas peças que pareciam interessantes (“Temporada de Patos” e “Le Monde Vivant”), fez com que, pela Lei de Murphy, eu escolhesse aquela que NÃO ganhou o prémio de longa metragem internacional do primeiro IndieLISBOA, ou seja, “A Temporada de Patos”, de Fernando Eimbcke. Mas confesso que não estou arrependida.


Domingo num apartamento vazio, onde dois adolescentes sobrevivem ao tédio com a ajuda de uma vizinha, um repartidor de pizzas e jogos de vídeo. A adolescência na sua mais confusa forma, entre o divórcio dos pais, a sexualidade, e a dura descoberta de que o mundo não é aquilo que queremos que ele seja. Um preto e branco cheio de tempos silenciosos, onde a angústia e lentidão de um dia se assemelham ao longo caminho que é preciso fazer até à idade adulta. Um humor com pitada de tristeza, e o desespero de encontrar a felicidade na cor de um doce. O papel que me entregaram à entrada da sala entrou na urna com um 4.


No dia seguinte foi a vez de “Niceland”, de Friðrik Þór Friðriksson. Um delírio romântico sobre o sentido da vida, e o amor como força motriz. A única forma de Jet salvar a vida da sua namorada é dizer-lhe qual o sentido da vida. Após ter visto uma reportagem onde Max, um eremita que vive num ferro velho, afirma que conhece esse segredo, Jet parte em busca da verdade. Ironicamente acaba por ser ele mesmo a fazer com que Max enfrente a sua própria realidade. Mais um 4.


Quinta-feira foi “Whisky”, de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll. Um filme sobre a solidão, onde a felicidade é muitas vezes apenas a palavra “whisky” em frente de uma câmara fotográfica. A rotina esmagadoramente agressiva de Jacobo, o dono de uma fábrica de meias, e de Marta, uma das suas empregadas, é repentinamente abalada com a visita do irmão dele, a quem Jacobo pretende impressionar com uma vida construída em família com uma falsa esposa, papel a que Marta se presta sem reservas. As nuances de sentimentos reprimidos como a inveja, o ciúme, o carinho, são filmados com uma subtileza impressionante. As representações contidas mas expressivas fazem-nos ir da gargalhada à angústia da tristeza profunda das suas vidas. O meu único 5 foi assinalado aqui.


O último filme em competição que vi foi “Sansa”, de Siegfried. Uma longa e penosa viagem pelo mundo das viagens. Sansa é um viajante ilegal em todos os países onde vai. Estranhamente, acaba sempre por tudo lhe correr pelo melhor, especialmente devido ao inexplicável fascínio que causa ao sexo feminino. Até que, inexplicavelmente também, decide ir para outro país e mais outro e outro (as coisas tornam-se deveras dolorosas quando chega à Índia e Tóquio). Algumas concepções musicais e cinematográficas são pautadas por alguma originalidade, mas torna-se cansativo acompanhar aquele percurso de um personagem misógino, sem escrúpulos e, basicamente, sem razões. Não é um videoclip, porque a música não vive por si só, não é um filme, porque não basta colar com cuspo algumas imagens. Um 2.


Já fora de competição, a sessão de encerramento (sim, eu arranjei convites e nem me perguntem o que tive de fazer para os conseguir) trouxe um documentário um pouco na linha de Michael Moore: “Super Size Me”, de Morgan Spurlock. Os resultados da experiência de um mês de McDieta só espantam os inadvertidos, os crédulos e os ignorantes, em suma, a grande maioria da população americana. 12 quilos a mais, triglicéridos disparando para o espaço, um fígado à beira da cirrose, sintomas de vício, sinais de depressão. E tudo isto num menu da McDonalds, com três refeições por dia.


Não há dúvida de que ninguém melhor para criticar a América, as suas paranóias, os seus medos e a sua sujidade, do que os americanos que, há que ter pena deles, tiveram o azar de nascer no maior paradoxo dos nossos tempos. É de louvar o esforço de poucos para mudar os pré-conceitos e os pós-conceitos de muitos. É de sorrir perante a sua ingenuidade de que isso irá alguma vez mudar alguma coisa. Temo pelo 2 de Novembro. Por todos eles e por todos nós.

 




realizado por Rita às 21:21
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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(500) Days of Summer
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À Tout de Suite
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Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
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Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
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Be Kind Rewind
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Before the Devil Knows You’re Dead
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Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
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Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
Breakfast on Pluto
Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
Cartouches Gauloises
Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
Copying Beethoven
Corpse Bride
Couperet, Le
Couples Retreat
Crash
Crazy, Stupid, Love.
Crimen Ferpecto
Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
Five Minutes of Heaven
Flags Of Our Fathers
Flores de Otro Mundo
Flushed Away
Fountain, The
Forgotten, The
Fracture
Frágeis
Frank Zappa - A Pioneer of the Future of Music Part I & II
Frankie
Freedomland
Fresh Air
Frost/Nixon
Frozen Land

G
Gabrielle
Gainsbourg (Vie Héroïque)
Garden State
Géminis
Genesis
Gentille
George Harrison: Living in the Material World
Get Smart
Gigantic
Ghost Dog - O Método do Samurai
Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
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Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
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V
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Vacancy
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Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
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W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
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War of the Worlds
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Setembro 2004

Agosto 2004

Festivais e Prémios
- FANTASPORTO
- FESTROIA
- INDIE LISBOA
- FESTIVAL DE CINEMA GAY E LÉSBICO DE LISBOA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS DE VILA DO CONDE
- DOCLISBOA
- CINANIMA
- CineECO
- FamaFEST
- FICA
- FESTIVAL DE CINEMA LUSO-BRASILEIRO DE SANTA MARIA DA FEIRA
- fest | FESTIVAL DE CINEMA E VÍDEO JOVEM DE ESPINHO
- CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS
- FESTIVAL DE CANNES
- LES CÉSAR DU CINEMA
- PREMIOS GOYA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DONOSTIA - SAN SEBASTIAN
- LA BIENNALE DI VENEZIA
- FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL FILM - LOCARNO
- INTERNATIONALE FILMSPIELE BERLIN<
- BAFTA
- LONDON FILM FESTIVAL
- EDINBURGH INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- OSCAR
- SUNDANCE FILM FESTIVAL
- GOLDEN GLOBES
- NEW YORK FILM FESTIVAL
- SAN FRANCISCO FILM FESTIVAL
- TORONTO INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- MONTRÉAL WORLD FILM FESTIVAL
- ROTTERDAM INTERNATIONAL FILM FESTIVAL