CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Terça-feira, 28 de Setembro de 2004
Before Sunset ****

Realização: Richard Linklater. Elenco: Ethan Hawke, Julie Delpy. Nacionalidade: EUA, 2004.





Talvez não seja essencial ter visto “Antes do Amanhecer” (“Before Sunrise”) para entender esta sequela, até porque no início do filme temos alguns flashbacks. Mas é algo que aconselho vivamente se quiserem apreciá-lo em detalhe.


Eu sou dos tais cínicos que acreditava que Jesse (Hawke) e Celine (Delpy) nunca teriam voltado a encontrar-se. Mas Linklater deu-lhes nova oportunidade, depois de um final de dia em Viena há nove anos atrás. Agora é Paris. Jesse escreveu um livro baseado na história de ambos e está a promovê-lo pela Europa. Celine leu-o e soube pelo jornal que ele estaria na sua livraria preferida.


Este filme desenrola-se em tempo real e a única acção a que temos direito é um passeio pelas ruas parisienses e pelo Sena. A abordagem do filme-diálogo é aqui levada ao extremo e com inteligente mestria, plena de humor e sentido do ridículo, ou seja, o cerne das relações humanas.


Talvez por serem co-argumentistas Hawke e Delpy são de uma naturalidade impressionante. O diálogo flui, em sequências por vezes bastante longas. Parece que estamos de facto a assistir à conversa entre dois seres cúmplices e desencontrados que tentam recuperar em poucas horas uma história que apenas teve um começo. Essa urgência nota-se nos olhares, nas perguntas absurdamente íntimas e numa inegável química.


É difícil saber se os textos deste filme são efectivamente melhores ou se foi a reacção aos personagens que se alterou com o tempo. Também nós amadurecemos, e talvez no fundo me identifique tanto com eles agora como antes. Em contraponto ao flirt do primeiro filme, este centra-se sobretudo no arrependimento, na perda de ideais e de esperança. Lentamente vamos dando-nos conta da importância que aquela noite teve para ambos e do caos emocional das suas vidas.


Senti-me a mosca que sobrevoa as mesas do café ouvindo as conversas. Incomodamente, era como se escutasse as minhas conversas. Como se já tivesse ouvido, pelo menos pensado, tudo aquilo. Desta vez, tive ainda mais vontade de continuar com aqueles personagens e ouvir o que tinham para dizer um ao outro. Mas julgo que todos temos, em dada altura, que nos levantar da cadeira e fazer a nossa própria história.


O final abrupto pode ser visto como o despertar de um sonho. Mas desta vez quero acreditar que há a possibilidade, ainda que ínfima, de que a escolha do CD certo no momento certo possa ser decisiva na escolha entre a felicidade e uma viagem para o aeroporto.



CITAÇÕES:


“Memory is a good thing if you don't have to deal with the past.”
JULIE DELPY (Celine)






realizado por Rita às 22:46
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2004
Life is a Miracle *****

T.O.: Zivot je cudo. Realização: Emir Kusturica. Elenco: Slavko Štimac, Nataša Šolak, Vesna Trivalić, Vuk Kostic, Aleksandar Berček, Stribor Kusturica, Nikola Kojo. Nacionalidade: Sérvia e Montenegro / França, 2004.





Bósnia. 1992. Luka (Štimac), um engenheiro sérvio de Belgrado, arrasta a sua mulher Jadranka (Trivalić), uma ex-cantora de ópera e o seu filho Milos (Kostic), aspirante a jogador de futebol, para uma pequena aldeia onde pretende construir uma linha férrea que potencie o turismo.


Num ambiente bucólico reúnem-se personagens surreais e estranhos animais (grandes interpretações do gato e do burro). Ninguém acredita que a guerra chegará até ali, mas nem mesmo o capitão Aleksic (Stribor Kusturica, filho do realizador) consegue fugir à evidência. Milos é recrutado e feito refém. Jadranka foge com um músico húngaro. O exército entrega a Luka uma mulher muçulmana, Sabaha (Šolak), uma refém que deverá ser trocada por Milos. Mas Luka e Sabaha contrariam o mundo, apaixonando-se.


Kusturica faz com que a vida e a música continuem apesar da guerra e uma história de amor emerge do caos. Os conflitos a grande escala nem sempre são válidos a nível individual. E ficamos optimistas de que será esse o sentimento que poderá salvar a humanidade das profundezas das suas tendências auto-destrutivas.


O cómico convive de perto com o trágico, como no jogo de futebol, onde a violência é despoletada por uma motivação fútil que, vista de longe, é simplesmente absurda. Tal como a guerra. Em tudo reside a dualidade. O próprio comboio, elo de comunicação, acaba por ser fonte de ameaças, na guerra e no tráfico.


Numa linha que nos reporta a Gato Preto, Gato Branco, Kusturica mantém as duas horas e meia de filme em constante movimento, enchendo cada cena de informação muito além de texto ou história. São paisagens deslumbrantes de cor e de luz, música fascinante e uma mística especial que os envolve. Ao espectador é pedido que assimile tudo, mas a digestão, sob pena de congestão, tem de ser feita aos poucos.


No Smoking Orchestra, a banda tecno-rock cigana da qual Kusturica é guitarrista tende algumas vezes a sufocar o drama. Quando estamos a entrar na curva da tristeza somos interrompidos por instrumentos a uma velocidade tal que nos é quase impossível ficar sentados a lamuriar qualquer desgraça. Kusturica peca por não nos deixar ir ao fundo dos sentimentos, dos bons e dos maus. A constante oscilação entre alegria frenética e dor aguda é um duro exercício de iô-iô emocional.


Este filme é exuberante, nas imagens, no som, nas personagens. Talvez um pouco ingénuo na sua abordagem, mas tecnicamente irrepreensível, com um trabalho detalhado e exímio de fotografia (Michel Amathieu), de guarda-roupa (Zora Popovic) e de cenários (Milenko Jeremic).


Tendo em conta a ínfima probabilidade genética e temporal de cada um de nós estar neste momento aqui mesmo, e todas as contingências que o Homem cria para dificultar a sua própria existência, a vida é, de facto, um milagre.








realizado por Rita às 22:43
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Terça-feira, 21 de Setembro de 2004
Carne Fresca, Procura-se ****

T.O. : De Grønne Slagtere. Realização: Anders Thomas Jensen. Elenco: Nikolaj Lie Kaas, Mads Mikkelsen, Line Kruse. Nacionalidade: Dinamarca, 2003.





Quem se siga pelo título português (“The Green Butchers” em inglês) e procure a segunda longa-metragem do argumentista Anders Thomas Jensen uma comédia ligeira poderá facilmente desiludir-se. O prémio de Melhor Filme na Semana dos Realizadores da edição do Fantasporto deste ano é tudo menos leve.


Aqui conta-se a história de dois homens: Svend (Mikkelsen), cuja ambição é movida por um profundo complexo de inferioridade (relacionado com um estranho problema de sudação); e Bjarne (Kaas), que perdeu a mulher e os pais num acidente de viação e a quem tudo lhe é indiferente, até conhecer Astrid (Kruse), que trabalha no cemitério da cidade. Para escaparem a um patrão opressor decidem abrir o seu próprio talho. Para isso, Bjarne vê-se obrigado a mandar desligar a máquina de ventilação que mantém o seu irmão gémeo vivo, de forma receber o dinheiro que os pais lhes deixaram. Mas é só depois de um bizarro acidente, e uma ainda mais bizarra atitude de pânico, que a loja começa a ter sucesso.


Quem viu o recente “Wilbur Decide Matar-se”, também escrito por Jensen, terá reparado no seu gosto de fazer humor a partir da miséria humana, mas nunca de uma forma condescendente ou trivial. Jensen preocupa-se sobretudo com a forma como as pessoas se ligam ao seu próprio passado. Svend usa os horrores da sua infância para justificar os do presente, procurando obsessivamente a sua identidade no trabalho e duvidando da sua capacidade até ao último momento. Por sua vez, Bjarne é obrigado a confrontar o seu passado e assumir para si mesmo que a sua indiferença é apenas uma capa.


Estabelece-se uma curiosa correlação entre a câmara frigorífica e a máquina do sanatório. Instrumentos de conservação e de morte. A legitimidade e a motivação das atitudes de Svend são equacionadas com a decisão de Bjarne de desligar a máquina. Um certo laivo de justiça pessoal paira no ar.


Este filme é enganadoramente simples e sadicamente divertido. O duplo sentido de cada frase vai-se desvelando ao longo da história. Na deliciosa fotografia, a paleta de cores é dominada pelo verde, símbolo da ganância, da decrescente humanidade e do passado como tormento. Jensen trabalha equilibradamente a comédia e o macabro, sem nunca ultrapassar a linha que poderia levar-nos à repulsa. Dessa forma, estes personagens, decididamente cruéis, acabam por se tornar estranhamente agradáveis. Talvez porque apenas procurem o amor.




CITAÇÕES:


“É a altura dos churrascos, não é boa altura para terminarmos.”
MADS MIKKELSEN (Svend para Tina)






realizado por Rita às 23:32
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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2004
Descobrir Chaplin



Confesso: até há poucos dias Charlie Chaplin era para mim apenas um conjunto de imagens dispersas, um pastiche de filmes, sem que tivesse visto integralmente qualquer uma das suas obras. Estreei-me com “O Grande Ditador”, a sua primeira cedência ao sonoro, treze anos após o final da era do cinema mudo.


Em 1940, quando este filme saiu, os Estados Unidos ainda não estavam envolvidos na II Guerra Mundial, por isso o tom sarcástico e jocoso denota a distância a que se estava da realidade, no porto seguro da terra das oportunidades. Teria sido improvável a realização na Europa de um filme como este naquela altura, e desde esse momento essa abordagem tornou-se completamente impossível. A capacidade de ridicularizar exige que estejamos a suficiente distância física e temporal do evento, e por isso corporal e emocionalmente longe.


Numa alusão muito pouco disfarçada a Hitler na personagem do ditador de Tomania, Adenoid Hynkel, a Mussollini na de Benzino Napaloni, ditador de Bacteria, e a Goebels na personagem do Director de Propaganda Garbitsch, este filme, sobretudo visto agora à distância dos acontecimentos, é pleno de sentido de tempo e de crítica. Aliás, a crítica em Chaplin será a mais coerente das referências. Aqui, Chaplin aborda o fascismo e o seu duplo papel de ditador e barbeiro judeu marca o seu posicionamento na defesa da igualdade do homem independentemente da sua origem ou das suas crenças.


Conta-se que Chaplin decidiu incluir a cena final do discurso do barbeiro judeu quando soube que a França tinha sido invadida. O mesmo Chaplin afirma que se tivesse tido noção da extensão das atrocidades nazis não teria sido capaz de fazer pouco da sua loucura homicida. Quando o filme foi lançado, Hitler baniu-o de todos os países ocupados, mas acabou ele mesmo por ceder à curiosidade e consegui adquirir uma cópia através de Portugal. Teria sido no mínimo interessante saber a sua reacção.


Este filme está pleno de inteligência, atributo que caracteriza o humor de qualidade. Não só nos textos e brincadeiras com as palavras, mas também no ridículo exagero das situações, na imaginação dos detalhes. A acérrima competitividade entre os dois ditadores é hilariante. Sem dúvida que o riso, como arma de arremesso, como catalisador do pensamento e da reflexão, como instrumento da verdade, tem um poder tremendo.


E Chaplin é exímio nessa inteligência, na expressão, na comunicação, no humor, no trabalho que faz dos sentimentos. Um trabalho sem dúvida marcado pela sua longa experiência nos filmes mudos, em que um actor é todo um corpo. Recrimino-me a mim mesma por ter passado todo este tempo na ignorância. Sobretudo porque uma semana depois vi o “Tempos Modernos” (1936).


Agora não uma crítica política, mas social. À indiferença com que a sociedade trata cada indivíduo na sua ambiciosa escalada pelo poder. Como um simples número, ou uma simples peça na engrenagem, sem necessidades, sem desejos, sem sonhos. E a paradoxalmente constante tentativa do ser humano em acreditar e lutar pela felicidade.


Este era para ter sido o primeiro filme totalmente falado de Chaplin, mas em vez disso, e à excepção das canções no restaurante, o som é usado apenas quando provém de aparelhos mecânicos, reforçando o tema da desumanização da sociedade tecnológica. Esta é também a última aparição do personagem do Vagabundo, e Chaplin deixa-o pela primeira vez falar em frente à câmara, tendo insistido, no entanto, que a sua linguagem fosse universal. Daí que a letra da sua canção fossem apenas sons sem sentido, mas cuja história era facilmente compreensível através dos seus gestos.


Tive também oportunidade de descobrir que Chaplin escreveu a música para este e para todos os seus outros filmes.


Após este MEA CULPA, apenas posso prometer continuar a investigar. Porque manter a mente e o coração abertos é um dos grandes segredos para que possamos ser surpreendidos pela vida.




CITAÇÕES:


“A day without laughter is a day wasted.”


“I remain just one thing, and one thing only, and that is a clown. It places me on a far higher plane than any politician.”


“Life is a tragedy when seen in close-up, but a comedy in long-shot.”




realizado por Rita às 08:04
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2004
A ignorância de Orson Welles


     Espreitei ontem A 2 (suponho que é agora assim que devemos oficialmente chamar o segundo canal da televisão de todos nós). Estava lá o Orson Welles, com aquela sua voz deliciosa. Ainda estou para saber como é que Spielberg e Cruise se pensam desenvencilhar do seu projecto conjunto d'A Guerra dos Mundos sem esta voz.


Um agressivo entrevistador, que mais do que saber queria apenas encaixar as respostas que já tinha previamente na sua cabeça às suas próprias perguntas, ia atirando. Orson Welles, com uma agilidade que a sua possante figura não supunha, esquivava-se com a sua inteligência, e com uma visão do mundo bastante atípica para um americano.


O que me ficou na cabeça, e no coração, foi a sua resposta relativamente ao que o teria levado a inovar a forma de fazer-se cinema com o seu "Citizen Kane" ("O Mundo as Seus Pés", 1941): a IGNORÂNCIA. Com apenas 26 anos e quase tendo apenas dirigido no teatro, Orson Welles desconhecia as limitações do cinema. Ao sugerir determinadas abordagens ele não sabia que elas nunca tinham sido tentadas. Teve a sorte de trabalhar com Gregg Toland, um destemido aventureiro na cinematografia.


Adormeci com esse pensamento: o mérito do desconhecimento é que não sabemos onde devemos parar. A inovação é, assim, uma estranha mistura de conhecimento e ignorância.

 

 



realizado por Rita às 20:43
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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2004
Nathalie... ****

Realização: Anne Fontaine. Elenco: Fanny Ardant, Gérard Depardieu, Emmanuelle Béart. Nacionalidade: França / Espanha, 2003.






O casamento de Catherine (Ardant) e Bernard (Depardieu) é abalado quando esta descobre que ele lhe é infiel. A sua reacção, num misto de vingança, auto-flagelação e tentativa de reconstrução, é a de contratar Marlène (Béart), uma prostituta que, sob o nome de Nathalie, deverá seduzir o seu marido e contar a Catherine todos os detalhes dos seus encontros.


O triângulo amoroso já foi tema de vários filmes, mas a abordagem a que aqui se assiste destaca-se por não se prender à dor da mulher traída, mas antes ao acto de traição com o qual ela se pretende vingar. Porque é assim que a sua relação com Marlène/Nathalie se desenha, como uma traição a Bernard.


Através das palavras de Marlène/Nathalie, Catherine re-descobre a sua identidade sexual, entrando de novo em contacto com os seus desejos e enterrando os seus fantasmas. É essa a sua traição. A cada tentativa de Bernard, ela recusa que seja ele a trazê-la de volta. Simplesmente, porque ela tem de o fazer sozinha. E talvez também porque, pela primeira vez desde há muito tempo, se sente perto dele. É curioso que Catherine não sabe responder a Marlène/Nathalie quando esta lhe pergunta de que é que o marido gosta. Neste processo, Catherine acaba por, de certa forma, re-descobri-lo a ele também.


Marlène/Nathalie tenta chegar até Catherine, hesitando entre o tom chocante e o pedagógico. A fragilidade de uma contrapõe-se ao erotismo da outra, os silêncios contrastam violentamente com a brutalidade e grafismo das descrições, onde nada é mostrado mas tudo é dito. Bernard está praticamente fora das suas conversas, sendo apenas um mote, uma desculpa. É clara a necessidade, talvez mesmo prazer, que ambas começam a ter na partilha secreta destes pedaços de informação, mesmo quando uma e outra acham que tudo já foi longe de mais. Sob um manto de manipulação esta relação vai-se tornando cada vez mais complexa.


Anne Fontaine poderia facilmente ter filmado os encontros de Marlène/Nathalie e Bernard, mas opta por reduzi-los a contos. A palavra é usada magistralmente como elemento dramático, de pulsação erótica, de exaltação das emoções. O sexo é aqui apenas imaginado. E o espectador é conduzido, de uma forma quase hipnótica, à excitação, sendo depois abandonado na dúvida.


Michael Nyman musica este reencontro de Ardant e Béart, após o 8 Mulheres, de François Ozon. Duas magníficas interpretações em conjunto com Depardieu, que partilham um sóbrio jogo de emoções. Mais do que um filme sobre traição, vingança ou amor, esta é uma experiência cinematográfica, que se torna íntima ao questionar-nos acerca da solidão, dos desejos e da sua concretização.






realizado por Rita às 23:33
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Quarta-feira, 8 de Setembro de 2004
Sem Ela... **

Realização: Anna da Palma. Elenco: Aurélien Wiik, Bernadette Peters, Maria Emília Correia, Vítor Norte, Isabel de Castro, Héléna Noguerra, Jocelyn Quivrin. Nacionalidade: Portugal, 2004.






Esta primeira obra da realizadora luso-francesa Anna de Palma, deixou-me um certo amargo de boca. Um pouco na linha do Minha Mãe, de Christophe Honoré, este filme trata igualmente de uma relação familiar atormentada por um misto de dependência e desejo. Desta feita, entre um casal de irmãos gémeos, Johnny (Wiik) e Fanfan (Peters), emigrantes portugueses de segunda geração. Mas, ao contrário do filme de Honoré, cujo desfecho vem claramente responder à pressão moral subjacente ao tema incestuoso, Sem Ela... não nos tranquiliza. E a agitação silenciosa que se fez sentir na sala é disso reflexo.


A ambígua relação de partilha dos dois irmãos começa por ser abalada quando Johnny percebe que a irmã tem uma vida da qual ele não faz parte. A sua insistência constante acaba por afastar a irmã, que, numa sede de individualidade, opta por permanecer em Portugal além do período de férias. A perda de referências por parte de Johnny, de regresso a França, leva-o a iniciar um tortuoso processo de busca da sua própria identidade. Por sua vez, Fanfan, num caminho aparentemente mais suave, admite em dado momento a sua incapacidade de cortar o cordão invisível que os une.


Boas representações de Maria Emília Correia e Vítor Norte, os pais, protagonizando também eles um conflito de identidades, respectivamente entre o emigrante que assume a sua nova vida no país estrangeiro que lhe deu tudo o que tem, e o emigrante que conta os dias para regressar àquela que, no fundo, nunca deixou de ser a sua casa. Talvez seja este o antagonismo mais relevante no filme.


No entanto, Anna da Palma não consegue fugir ao cliché do pai educador e da mãe protectora. E, surpreendentemente, nenhum dos dois parece ter noção da relação simbiótica dos dois filhos (existe uma outra filha, Inês (Noguerra), um personagem tão pouco trabalhado que quase parece nem fazer parte da família), nem da possibilidade dos problemas que surgem após a sua ruptura serem causados por essa dependência.


A este autismo há a acrescentar a inconsequência dos actos, patente em especial no final do filme. E a clara intenção de colocar o espectador face ao conflito de sensibilidade e frieza do personagem neo-nazi é de tal maneira forçada que fiquei na dúvida se havia de rir ou não. Não querendo terminar com o mesmo amargo de boca com que fiquei, há que referir, no lado dos méritos, o incontornável bom trabalho de direcção de actores.






CITAÇÕES:

“Conseguirão eles crescer um sem o outro?”





realizado por Rita às 21:20
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Terça-feira, 7 de Setembro de 2004
La Petite Lili ***

Realização: Claude Miller. Elenco: Nicole Garcia, Bernard Giraudeau, Jean-Pierre Marielle, Ludivine Sagnier, Robinson Stévenin, Julie Depardieu, Yves Jaques, Anne Le Ny. Nacionalidade: França / Canadá, 2003.





Acabei por seguir o meu próprio conselho, para variar, e ontem fui ver o filme “La Petite Lili”, de Claude Miller, uma adaptação livre da peça “A Gaivota”, de Anton Tchékhov. A concretização desta versão não se afasta do objectivo cénico do dramaturgo em relatar o drama da vida comum tal como ela é na realidade, onde a acção é bastante mais reduzida que as palavras.


A projecção da primeira curta metragem de Julien (Stévenin) no início do filme invoca desde logo o cinema como assunto central. A entrada em cena dos personagens tem uma sequência quase teatral, cada um deles representando o seu arquétipo: Brice (Giraudeau), o realizador de sucesso; Mado (Garcia), a actriz célebre; Julien, o filho rebelde; Simon (Marielle) o avô compreensivo; Léone (Le Ny), a governanta e o seu marido; Jeanne-Marie (Depardieu), a sua filha não correspondida no seu amor por Julien; o médico de família (Jaques); e a luminosa presença de Lili (Sagnier), musa e paixão de Julien.


Reacções, antagonismos, rivalidades, ciúmes, frustrações e ambições em duelo: entre mãe e filho, entre diferentes formas de ver o cinema, entre a promessa de talento e o talento confirmado, entre o amor maculado de oportunismo e o amor secreto e incondicional.


São diálogos ásperos os que se desenrolam entre os diversos personagens, que têm em comum a luta de cada um pela sua porção de poder: o poder da experiência, da fama, da inocência, do desejo. E o que observamos são estados de alma que se sucedem numa cadeia de reacções. Onde a inércia desempenha um papel tão importante como a decisão, onde a realidade toma o lugar do sonho, concretizando-o, e o sonho o da realidade, frustrando-a.


Miller envolve a história numa série de pormenores poéticos, entre os quais há a referir a imagem da mão idosa de Simon pousada na sua perna enquanto dorme a sesta, e onde é de destacar o soberbo trabalho de iluminação. Por sua vez, Ludivine Sagnier, depois de “Swimming Pool”, de François Ozon e de “Petites Coupures”, de Pascal Bonitzer, vem mais uma vez reforçar o seu estatuto de mais recente símbolo sexual do cinema francês.


Não foi sem alguma inquietação que, no final do filme, dei por mim a pensar: e se o que vemos no cinema fosse a realidade, e aquilo que vivemos fosse apenas uma alternativa ficcional da nossa própria história? E nós meros actores representando o nosso próprio papel numa versão do que poderia ter sido? O que mudaríamos se decidíssemos filmar a nossa própria vida? Que actor seleccionaríamos para representar o nosso papel? Que personagens da nossa vida escolheríamos para contracenarem com o nosso?... Cheguei a casa sem respostas.



CITAÇÕES:


“Que tudo no palco seja como na vida: as pessoas almoçam e só almoçam e ao mesmo tempo se forma a sua felicidade ou quebra a sua vida.”
ANTON TCHÉKHOV (sobre a sua peça A Gaivota)






realizado por Rita às 20:08
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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2004
Dependências...

Suponho que não deveria confessar as minhas fraquezas num espaço público, um pouco à laia das sessões de auto-crítica durante a Revolução Cultural chinesa, sob o perigo de insuflar a minha culpa e de dar armas aos meus “inimigos”. Mas acredito também que é hora de explicar um pouco, a quem por acaso passe um dia por este espaço, o tipo de relação que eu tenho com o cinema.


A motivação para esta expiação prende-se sobretudo com o momento actual, em que existem onze filmes em cartaz que eu gostaria de ver e o tempo de que disponho espreme-se entre a necessidade de trabalhar para pagar as contas, comer (pouco, claro, para poder ter algum dinheiro para me enfiar numas quantas salas de cinema), estar com os amigos e a família, e aproveitar os últimos raios quentes de um Verão que está prestes a depor as armas.


Sim, sou cinemólica, cinemo-dependente, cinemo-obsessivo-compulsiva, o que lhe quiserem chamar. Não é algo de que me orgulhe particularmente, mas também admito que não me envergonho desta minha característica (estive quase para dizer qualidade, mas não gosto de me gabar, muito). É apenas um facto com o qual aprendi a viver. Mas acreditem que a ginástica que por vezes tenho que fazer com o tempo é digna da prestação da romena Catalina Ponor nos Jogos Olímpicos de Atenas.


Normalmente tenho o cuidado de não impor o meu gosto e o meu hábito aos meus amigos, a maioria dos quais já esboça aquele sorriso condescendente que se costuma fazer aos loucos sempre que lhes digo que vou ou fui ver um filme. Felizmente, o meu gosto ecléctico permite-me ainda ir tendo companhia nos (poucos) bons blockbusters que vão havendo. Mas as minhas idas ao King, Quarteto, Nimas e ciclos “esquisitos” são na sua generalidade feitas a solo.


Não me queixo. Afinal de contas, o acto de ir ao cinema e ver um filme não exige de facto companhia, e eu não sou de muitos comentários no durante. O que me custa por vezes é, no depois, não ter com quem partilhar as minhas opiniões sobre alguns diamantes que me caiem no colo no meio naquelas minas escuras. Ou para me lamentar das raras jóias falsas que compro nos meus extremos alternativos. Mas acho que agora tenho o meio que me permite isso mesmo: confessar os êxitos e os falhanços nesse longo caminho de descoberta.


Eu sou aquela que está no meio da sala num fim de tarde de um dia de semana, que não come pipocas, que manda calar os que estão a falar para ouvir os silêncios projectados, que se levanta só quando termina o genérico final, que já leu e volta a ler o que se escreveu sobre o filme, que revê as fichas técnicas na Internet para tirar dúvidas sobre a cinematografia do realizador e dos actores, que acrescenta cada filme a uma base de dados ordenada alfabeticamente (também essa mania, a das listas...).


A última vez que fui ao cinema foi a 24 de Agosto, ou seja, há treze dias atrás. Fiz uma sessão dupla no cinema Nimas, o que é um feito especialmente doloroso durante a semana. Mas essa dose daria normalmente para me aguentar no máximo seis/sete dias. Por isso, os sintomas de ressaca já se começam a fazer sentir: desconcentração, alienação, ansiedade, insónia, tonturas, falta de apetite. O que, aliado ao stress de excesso de oferta, começa a colocar-me num estado de angústia e apreensão que só com duas horas fechada numa sala escura pode ser curado.


Há pessoas que me aconselham a arranjar uma televisão com ficha scart onde consiga finalmente ligar o aparelho de DVD que um grupo de amigos me ofereceu no meu aniversário e me converta aos home-movies. O meu sofá até é confortável e poderia assim aproveitar e riscar alguns filmes de uma interminável lista de pendentes antigos que me dá vergonha de referir (há umas lacunas imperdoáveis, mas isso fica para outra auto-crítica). Mas há algo no som suave de uma bobina a rodar atrás de nós, no cheiro de vidas passadas deixado na sala, na atenção concentrada dos olhos num ecrã que cobre todo o nosso horizonte visual, que é insuperável. E as inovações tecnológicas têm, sem dúvida, acrescentado valor a essa experiência, captando os nossos sentidos no limite da sua exigência e tele-transportando-nos para um mundo que é o nosso durante um breve espaço de tempo.


Sinto falta disso. De me perder na vida de outras pessoas, mesmo que fictícias, de me colocar na sua pele, de me identificar com umas e de repudiar outras, de trautear bandas sonoras e de ficar até ao fim para saber quem cantava aquela música que me fez pele de galinha, de decidir ir para a casa a pé, mesmo à chuva, para pensar no que acabei de ver e para responder às questões que ficaram no ar.


O cinema já me deu paz, já despertou a minha raiva, arrancou-me lágrimas e ofereceu-me sorrisos, já me fez-me pensar e, curiosamente, também parar de pensar, e continua, a cada dia, a surpreender-me. É de tudo isso que sinto falta.


Por isso, acho que hoje vou ao cinema.

 




realizado por Rita às 22:19
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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2004
Le Temps du Loup ****

Realização: Michael Haneke. Elenco: Isabelle Hupert, Béatrice Dalle, Patrice Chéreau, Olivier Gourmet, Anaïs Demoustier, Lucas Biscombe, Rona Hartner, Maurice Bénichou, Brigitte Roüan, Hakim Taleb. Nacionalidade: França / Áustria / Alemanha, 2003.





Ao chegarem à sua casa de campo, Anne (Hupert) e a sua família deparam com a casa ocupada por estranhos. Este é o início de um drama familiar que rapidamente se estende ao drama colectivo. Num contexto pós-apocalíptico, este filme-catástrofe, bem longe dos efeitos especiais típicos e bem mais perto do que gostaríamos de uma possível realidade, levanta questões perturbantes através de uma alegoria.


As referências bíblicas dos nomes (Ana, Eva, Benjamim), da água e do fogo e dos 36 justos que tomam conta da terra, reforçam a ideia de que o dia do julgamento está perto. Ou talvez tenha já chegado. O tempo em que o Homem é um lobo (predador) para o próprio Homem. Não é sem angústia que consigo encaixar alguns acontecimentos relativamente recentes nesta descrição.


Até onde prevalecem os valores morais? Que princípios resistem à infelicidade e à crueldade que dela nasce? É fácil demais condenar as atitudes dos personagens, julgá-los pela nossa medida. Mas nunca as circunstâncias atenuantes foram tão bem expostas. Nunca o ambiente escuro e soturno expressou tão claramente a nossa mente virada do avesso, e o nevoeiro e a cegueira foram tão simbólicos da falta de discernimento causado pelo desespero.


Poucos terão a noção das suas reacções em situações extremas. E é assustador pensar que todo o tempo que levamos a tentar conhecer-nos a nós mesmos, não chega a ser suficiente. Mas não somos certamente nunca tão bons quanto pensamos. Na luta pela sobrevivência (nossa e dos que amamos) podemos de facto suprimir toda nossa noção de bem e de mal. Porque somos, na nossa essência, animais. E, como tal, é o impulso de vida que nos move: para comer, para trabalhar, para amar. Viver continua a ser a melhor alternativa, a qualquer custo. Mesmo que o preço a pagar seja deixar de ser humano.


Mas depois de nos mostrar o pior da natureza humana, a suja exploração do sofrimento alheio, a miséria da subjugação, o salve-se quem puder da selva que é a vida (e, como parte da vida, também a morte), o silêncio doloroso de quem não pode chorar, as lágrimas escondidas de quem tem de se mostrar forte, Haneke dá-nos alento, um sopro da dignidade que emerge do caos e a leve esperança de que Homem pode ainda redimir-se.


Tirando partido do cenário rural e inóspito, Haneke joga com a luz (do fogo) e a luminosidade natural (ampliada e dispersa pelo nevoeiro) e enche os silêncios com significado de fim, mas alguma da tensão criada perde impacto ao ser quebrada por um compasso demasiado lento de algumas passagens. Mas Haneke tem o mérito de fazer um filme aberto, em que nos deixa livres para formular os nossos próprios julgamentos, e sobretudo para olhar para dentro de nós mesmos e buscar o que cada um tem de humano e de lobo.





realizado por Rita às 08:38
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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2004
Ni pour, ni contre (bien au contraire) ***

Realização: Cédric Klapisch. Elenco: Marie Gillain, Vincent Elbaz, Simon Abkarian, Dimitri Storoge, Zinedine Soualem. Nacionalidade: França, 2003.






Depois da experiência de A Residência Espanhola, Cédric Klapisch debruça-se sobre um novo conjunto de personagens, e apesar de se tratar de um film noir, toca em alguns pontos já abordados anteriormente. O ponto de vista é o do personagem estranho ao grupo, que decide enfrentar uma experiência radicalmente diferente da vida que tem levado até ali, e que encontra finalmente, de uma forma algo insólita e invulgar, uma “família” com a qual desenvolve um sentimento de pertença. Klapisch aborda novamente o romper dos preconceitos, a descoberta dos limites individuais, o crescimento pessoal.


Desta feita, o filme centra-se em Caty (Gillain), uma jovem operadora de câmara free-lancer a quem é oferecida a oportunidade de ganhar bastante dinheiro filmando um assalto. Do improvável grupo de criminosos fazem parte Jean (Elbaz), o carismático chefe por quem Caty não consegue disfarçar uma certa atracção, Lecarpe (Abkarian), casado e dono de um restaurante de kebab, Mouss (Soualem), coreógrafo de bailarinas de cabaret, e Loulou (Storoge), o jovem inconsequente.


Depois de provar o luxo e a facilidade deste modus vivendi com o seu novo grupo de amigos, Caty tenta sobreviver por si própria com pequenos roubos, repetindo os gestos e as palavras que aprendeu. Mas, de uma forma calculista, Jean tem planeado para ela o papel da sua vida no golpe que lhes trará uma soma avultada de dinheiro. Convencidos a esquecer os receios que cada um deles tem face ao plano megalómano, dá-se início a uma lenta espiral de descida aos infernos, onde o humor negro da primeira parte é substituído por um sombrio ambiente de traição e morte.


A questão moral: Caty é a pessoa boa que descobre o seu lado mau. O seu negativo é Jean, a pessoa má que, como ele próprio diz, tem no fundo de si um pouco de branco. De que outro lado poderiam vir as suas lágrimas?

Klapisch é exímio na gestão que faz dos tempos, de humor, de violência. Marie Gillain é surpreendente num caleidoscópio de fragilidade e sedução, no caminho que faz das lágrimas pela inocência perdida no primeiro crime, passando pelo sorriso da ambição criminosa, à frieza do triunfo do seu último golpe. A sua expressividade é tanta, que Klapisch abdica de qualquer palavra na cena final, deixando o rosto de Gillain dizer tudo.


Sem as lições de moral do cinema convencional, mas também sem chegar a subverter (apesar de mais de uma vez ter dado por mim a torcer pelos maus), este é um filme a descobrir.



CITAÇÕES:


“La mauvaise route est souvent la meilleure...”






realizado por Rita às 21:35
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Quarta-feira, 1 de Setembro de 2004
Fahrenheit 9/11 *****

Realização: Michael Moore. Argumento: Michael Moore. Género: Documentário. Nacionalidade: EUA, 2004.





É difícil avaliar este filme de forma distante. Saí da sala num misto de raiva, revolta, tristeza e incredulidade. Até as gargalhadas barulhentas eram ácidas. A realidade supera a ficção. Nenhum argumento poderia ser tão cruel, inconsequente, delirante e hipócrita e, ao mesmo tempo, tão consistente.


Michael Moore preferiu aparecer pouco desta vez, o material recolhido fala por si. Poderá ter havido alguma manipulação que potencie o impacto de “Fahrenheit 9/11”, já que não deixa de ser a defesa de um ponto de vista, mas negar o seu conteúdo geral seria enfiar a cabeça na areia.


Alguns relatos pessoais podem ser vistos como exploração do sofrimento, como o caso de Lila Lipscomb, que perdeu um filho no Iraque, mas são esses casos que nos fazem perceber que não é no abstracto que tudo se passa, e que as consequências de decisões político-económicas se fazem sentir em pessoas reais e não num “eles” impessoal com o qual nos é fácil conviver.


“Fahrenheit 9/11” mostra a incongruência do processo eleitoral que em 2000 colocou Bush na presidência dos EUA, o drama do ataque terrorista de 11 de Setembro e as acções levadas a cabo em consequência. Curiosamente, a única imagem que não temos é a do ataque. O ecrã escuro permite apenas ouvir e reviver as sensações que essa tragédia nos causou e às quais Moore vem adicionar informação.


Retemos a imagem de um presidente que cerca de 10 minutos após saber do ataque ao seu país se mantém impávido, numa sala de aula onde efectua mais um acto cosmético, sem saber o que fazer por não ter quem lhe diga. Um presidente que entre a sua eleição e o ataque terrorista passou 42% do seu tempo de férias, um presidente com laços económicos à família Bin Laden, à qual permitiu sair do país imediatamente após os ataques, quando todos os voos estavam cancelados, um presidente com interesses directos e indirectos no Iraque. Um país invadido e dizimado em nome da defesa de uma liberdade que é violada nessa mesma invasão. E o drama pessoal de quem é usado como peão num jogo de regras viciadas.


Ao contrário do que pode parecer, este é um filme patriótico que defende o americano médio, que ama e se sacrifica pelo seu país. E, por isso, merece a defesa dos seus interesses, que a sua opinião seja ouvida, que o seu voto conte. Sobretudo, que merece respeito. Tal como todos os seres humanos.


Um filme que é importante ver, não pela Palma de Ouro recebida em Cannes, mas porque esta realidade é também a nossa.




CITAÇÕES:


“It's not a matter of whether the war is not real, or if it is, Victory is not possible. The war is not meant to be won, it is meant to be continuous. Hierarchical society is only possible on the basis of poverty and ignorance. This new version is the past and no different past can ever have existed. In principle the war effort is always planned to keep society on the brink of starvation. The war is waged by the ruling group against its own subjects and its object is not the victory over either Eurasia or East Asia but to keep the very structure of society intact.”
NARRADOR (MICHAEL MOORE) citando GEORGE ORWELL


“I've always been amazed that the very people forced to live in the worst parts of town, go to the worst schools, and who have it the hardest are always the first to step up, to defend us. They serve so that we don't have to. They offer to give up their lives so that we can be free. It is remarkably their gift to us. And all they ask for in return is that we never send them into harm's way unless it is absolutely necessary. Will they ever trust us again?”
NARRADOR (MICHAEL MOORE)


 



realizado por Rita às 21:42
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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Imaginarium of Doctor Parnassus, The
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In a Better World - Hævnen
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In Time
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P
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Paris, Je T’Aime
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