CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA
Terça-feira, 31 de Agosto de 2004
Shrek 2 *****

Realização: Andrew Adamson, Kelly Asbury, Conrad Vernon. Vozes V.O.: Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Julie Andrews, Antonio Banderas, John Cleese Rupert Everett, Jennifer Saunders. Nacionalidade: EUA, 2003.





Foi o filme Shrek em 2001 que me fez recuperar o prazer de ver desenhos animados no cinema. A surpresa do humor inteligente, a beleza gráfica, a exímia escolha da banda sonora, tudo elementos que me fizeram ansiar durante estes anos pela sequela. E, sabem que mais?, valeu a pena.


A simples existência de uma sequela vem de encontro à própria filosofia Shrek, porque o “E foram felizes para sempre...” costuma ser onde terminam os contos de fadas. Mas Shrek não é um conto de fadas normal, aliás, preza-se disso mesmo. A sua irreverência e audácia são mais uma vez comprovados em Shrek 2, onde a vida feliz dos dois feios protagonistas é perturbada por uma série de novos personagens: um sogro/pai inconformado (John Cleese), uma fada madrinha com um laivo de Don Corleone (Jennifer Sounders, a Edina da britcom Absolutely Fabulous), um príncipe encantado certamente patrocinado pela L’Oreal (Rupert Everett), e um Gato das Botas entre o felino feroz e o doce bichano (Antonio Banderas).


A apresentação aos sogros, a concorrência com outro pretendente, a pressão da sociedade, os sonhos de juventude da sua companheira, Shrek (Mike Myers) tem que enfrentar as dificuldades de qualquer homem, dificuldades que nada têm a ver com contos de fadas. E fá-lo da melhor maneira, ou seja, aceitando a ajuda e sugestões do seu melhor amigo, o Burro (Eddie Murphy). E, como qualquer homem, mete os pés pelas mãos, e mais uma vez é a donzela, ou melhor ex-donzela, Fiona (Cameron Diaz) que tem de resolver a questão. Alguma semelhança com a vida real é pura coincidência? Não me parece.


Tal como o anterior, este filme está também pleno de referências a outros filmes, como é o caso do beijo romântico do Homem-Aranha e da aliança trocada ao sabor do Senhor dos Anéis, e a particularidades dos actores intervenientes, como a eterna ferida de guerra de John Cleese no seu período Monty Python, e o companheiro amoroso de Cameron Diaz, referenciado no poster de Sir Justin.


E o conjunto não ficaria completo se a banda sonora não acrescentasse ainda mais valor a esta preciosa peça. De destacar o Accidentaly in Love (Counting Crows), a versão do tema Changes (Butterfly Boucher com Bowie), o dueto do Burro e do Gato das Botas (Livin’ la Vida Loca) e, para finalizar, I Need a Hero na versão da Fada Madrinha.


Uma obra irrepreensível e imperdível!


P.S.- Esperem pelo final do genérico. Há uma pequena surpresa para terminar.






CITAÇÕES:


“Oh, Shrek. Don't worry. Things just seem bad because it's dark and rainy and Fiona's father hired a sleazy hitman to whack you.”
BURRO


“- You're supposed to say "You have the right to remain silent!". No one said I have the right to remain silent! (BURRO)
- Donkey, you HAVE the right to remain silent. What you lack, is the capacity. (SHREK)”


“SHREK: Quick tell a lie!
PINÓQUIO: What should I say?
BURRO: Say something crazy... like you're wearing ladies underwear.
PINÓQUIO: Um, ok. I'm wearing ladies underwear.
PINÓQUIO: [silêncio]
SHREK: Are you?
PINÓQUIO: I most certainly am not.
PINÓQUIO: [o nariz cresce]
BURRO: It looks like you most certainly am are.
PINÓQUIO: I am not.
PINÓQUIO: [o nariz cresce]
GATO DAS BOTAS: What Kind?
HOMEM DE GENGIBRE: IT'S A THONG!”





realizado por Rita às 22:42
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Segunda-feira, 30 de Agosto de 2004
Levity ****

Realização: Ed Solomon. Elenco: Billy Bob Thornton, Morgan Freeman, Holly Hunter, Kirsten Dunst. Nacionalidade: EUA / França, 2003.






Onde exactamente é que encontramos redenção para os nossos pecados? A dívida que temos com a sociedade é paga numa pena de prisão. A dívida com as pessoas que ferimos é paga num pedido de desculpas. Mas a verdadeira redenção, a verdadeira paz, só a atingimos quando conseguirmos perdoar-nos a nós mesmos. Quando conseguimos provar que podemos construir em vez de destruir, dar a mão em vez de bater, ajudar em vez de criticar, amar em vez de odiar. E para isso temos que querer aprender a ser pessoas melhores, e trabalhar arduamente nesse sentido.


Manual Jordan (Billy Bob Thornton) aprendeu. Depois de 23 anos na prisão a olhar o recorte de jornal com a fotografia do jovem Abner Easley que ele matou quando roubava uma loja de conveniência. Uma morte que ele não consegue justificar, nem esquecer, nem perdoar. Tanto assim é que acredita que o seu lugar é exactamente fora da sociedade que ele traiu e é com incredulidade e medo que acata a liberdade condicional que lhe é concedida.


O regresso leva-o para o ponto de partida. Observa a casa de Abner e vê Adele (Holly Hunter), a sua irmã. Num misto de pena e remorso, o sentimento que o une a ela, acaba por se transformar em amor. Um amor desesperado e culpado, que não consegue resistir à verdade.


Num filme onde a culpa é o tema central, não podia faltar a referência religiosa, na pessoa de Miles Evans (Morgan Freeman), uma espécie de pastor pouco ortodoxo que obriga os jovens a escutar os seus sermões cheios de moralidade como parte do pagamento pelo parque onde estacionam os carros para ir à discoteca, símbolo extensivo da imoralidade. Manual arranja trabalho como seu ajudante, e é aí que conhece Sofia (Kirsten Dunst) uma jovem perdida numa espiral de droga e bebida.


Todos os personagens têm os seus pecados, os seus erros para corrigir, e o tranquilo final de Redenção resulta da esperança de que, de uma ou outra forma, é possível de facto corrigi-los. Por nos darmos conta de que temos algo para dar, de que conseguimos dá-lo, e de que merecemos que alguém receba o que damos.


Uma história simples, que facilmente poderia ter caído no registo de um vulgar telefilme, consegue marcar a sua diferença, não só pelo fantástico naipe de actores difícil de superar, mas também pela forma como Ed Solomon, na sua primeira realização para cinema, optou pelo caminho difícil do entendimento, sem julgamentos, do ser humano na sua complexa condição.





CITAÇÕES:


“I read a book that was written in the 11th century. A man said that there was five steps toward making amends. The first involved acknowledging what you did. The second involved remorse. The third involved making right with your neighbor. Like if you stole his chicken, you'd have to go and bring him another. Only then were you able to go to step four, which was making it right with God. But it wasn't until step five that you could really get redeemed. It had to do with being at the same place and the same situtation. That as it goes, you'd go and do something different.”
BILLY BOB THORNTON (Manual Jordan)






realizado por Rita às 23:30
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Sexta-feira, 27 de Agosto de 2004
Wilbur Wants to Kill Himself ***

Realização: Lone Scherfig. Elenco: Jamie Sives, Adrian Rawlins, Shirley Henderson, Lisa McKinlay, Mads Mikkelsen. Nacionalidade: Dinamarca / Reino Unido / Suécia / França, 2002.






Dois anos antes de Wilbur Quer Matar-se a realizadora dinamarquesa Lone Scherfig brindou-nos com o doce e acutilante Italiano Para Principiantes da escola Dogma. Apesar de ter adoptado neste filme numa linha mais mainstream, com acção desenrolada em Glasgow, Scherfig mantém-se fiel aos personagens perdidos, acompanhando a sua deriva de perto com um olhar de ternura e compreensão.


Wilbur (Jamie Sives) é um suicida compulsivo e, após diversas tentativas, bastante frustrado. Parece que cada técnica que falha lhe mostra que a verdadeira eficácia estará na próxima. Um mecanismo de pensamento que normalmente associamos ao acto de viver. Harbour (Adrian Rawlins), o irmão de Wilbur, vive em constante sobressalto por causa do irmão, ambos partilhando a gestão de uma livraria de usados que lhes foi deixada pelo pai. É aí que Harbour conhece Alice (Shirley Henderson), uma mulher que lhe vende os livros que vão sendo deixados para trás pelos pacientes do hospital onde faz limpezas, e a sua filha Mary (Lisa McKinlay). O amor entre Harbour e Alice nasce de uma partilha de desesperos, acabando por trazer sentido à vida dos dois irmãos.


O momento em que se decidem organizar a colecção de livros por ordem alfabética assume um carácter quase simbólico, porque é nesse instante que cada um deles começa a restruturar a sua vida, uma adaptação motivada e feita em torno de cada um dos elementos adicionais daquela nova família.


Tal como os actos trágicos nos fazem repensar a vida, por amor ao irmão e à mulher com quem o irmão casa, Wilbur acaba por ter de repensar a morte. Surpreendentemente e contra todos os seus instintos, Wilbur vê-se obrigado a viver.


Jamie Sives, num visual Robbie Williams depressivo, é convincente no registo cómico-sarcástico, mas deixa algo a desejar no registo dramático, fazendo com que as tentativas de suicídio pareçam meras brincadeiras. Felizmente, Adrian Rawlins e Shirley Henderson estão lá para aguentar as cenas mais emotivas.


No entanto, as opções argumentativas de Lone Scherfig frustram a expectativa de humor negro do trailer, e é bastante impressionante o praticamente inconsequente desfecho face às tragédias vividas pelos protagonistas. Apesar de quase tudo de bom que nos acontece na vida ser marcado pela improbabilidade, Scherfig, na louvável tentativa de associar comicidade e drama, não nos consegue oferecer uma conclusão credível.






realizado por Rita às 20:04
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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2004
Intermission ***

Realização: John Crowley. Elenco: Colin Farrell, Cillian Murphy, Kelly Mcdonald, Shirley Henderson, Colm Meaney. Nacionalidade: Irlanda / Reino Unido, 2003.





A vida é que nos acontece enquanto estamos ocupados a tentar viver, num intervalo daquilo que pensamos ser o que conta. São grandes medos, pequenas alegrias, tentativas e erros, hesitações e decisões, violência e ternura, fugir de e correr para. É sangue e gargalhadas, lágrimas e sorrisos, é paixão e ódio. A vida é um passo em falso, que às vezes vai de encontro ao destino. É a palavra certa que, de repente, consegue estragar tudo.


É no meio deste caleidoscópio de emoções que se desenrola a acção de Intervalo, distribuída de forma equilibrada por personagens que, não sendo nenhum de nós, poderiam perfeitamente representar-nos em determinado instante da nossa vida. Ou de uma vida que poderia ter sido se a pedra tivesse sido atirada no momento certo.


John (Cillian Murphy, de 28 Dias Depois, de Danny Boyle) decide testar o amor de Deidre (Kelly Mcdonald, do saudoso Trainspotting, também de Danny Boyle) pedindo-lhe para ela lhe dar um tempo, ao que ela acede, para infelicidade de ambos. Como resultado, Deidre refugia-se nos braços de um homem casado, que abandona a mulher para ir viver com a jovem namorada. Lehiff (Colin Farrel em mais um papel carregado de angústia) é um delinquente, já várias vezes ameaçado por Jerry Lynch (Colm Meaney num delicioso registo), um agressivo detective com uma queda especial para a música celta. As vidas de todos eles vão-se cruzar numa série de acontecimentos que envolvem pedras atiradas, um desastre de autocarro, uma noiva abandonada, um buço, uma discoteca de solteiros, um rapto, roubos, molho de chocolate, um produtor de televisão, uma ovelha abatida.


Tudo isto acompanhado com o tempero de uma banda sonora que reforça cada cena, desde “Out of Control” dos U2, passando por Turin Brakes, The Thrils e Fun Lovin’ Criminals, e terminando com o “I Fought the Law” cantada pelo próprio Colin Farrell.


Com o espírito e o sarcástico humor irlandês, a primeira realização de John Crowley coloca-nos em perspectiva com uma realidade que não deverá nunca deixar de ser questionada. Por ser frágil e efémera. E não devemos jamais tomar por certo aquilo que temos, porque a confiança e o compromisso exigem trabalho. No entanto, parece-me que o filme falha na conclusão, caindo numa armadilha criada por ele próprio, onde as consequências dos nossos actos acabam, ironicamente, por ser inconsequentes.



P.S.- A distribuição deste filme em conjunto com a curta portuguesa de Jorge Queiroga, Part-time, uma peça de qualidade bastante duvidosa e de um mau gosto inegável, teria certamente o objectivo de fazer sobressair o filme de John Crowley pela comparação.




CITAÇÕES:


“Well, love's not something you can plan for, is it? You just never know, what's going to happen.”
COLIN FARRELL (Lehiff)






realizado por Rita às 20:34
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Em jeito de apresentação

Nunca na vida escrevi uma linha sobre cinema (embora todos os anos elabore a minha lista pessoal dos 10 mais, que já agora foi liderada em 2003 pelo “O Pântano” da argentina Lucrécia Martel, mas que, convenhamos, se trata de um fraco substituto) e a verdade é que nunca senti grande necessidade de o fazer.


Gosto muito de cinema, vou muito ao cinema (quando por alguma razão passo muito tempo sem lá ir sinto de facto uma necessidade física de me ir meter numa sala de cinema para ver seja lá o quê, o que me leva a colocar-me numa qualquer classificação de junkie), acredito, piamente, que uma das grandes vantagens de se viver neste pais é o facto dos filmes serem legendados e não dobrados. Existem mais coisas é claro, mas nada que tivesse a ver com o facto de escrever sobre cinema. Acontece, no entanto, que esta minha amiga, que também gosta muito de cinema, que vai muito ao cinema (e neste campo ao pé dela não passo de um simples visitante ocasional) e que para além disso gosta de escrever sobre cinema decidiu criar este espaço. E convidou-me a participar nele. E pronto, aqui estou eu.


Em jeito de apresentação, o primeiro filme que eu vi foi um dos Herbies (“Herbie em Montecarlo” talvez?) algures no inicio dos anos 80, o último foi o “Tempo dos Lobos” do Michael Haneke, se tivesse que escolher o filme da minha vida escolhia o “Homens Simples” do Hal Hartley, não tenho actores ou actrizes favoritas (na verdade os actores e as interpretações não me interessam particularmente), escrevo sempre o nome do realizador à frente do titulo do filme e não compreendo como é que há alguém que prefira comprar uma copia pirata em DVD de um filme ainda em cartaz a ir vê-lo ao cinema (ainda que não seja de maneira nenhuma contra a pirataria e reconheça a importância da economia informal como mecanismo de inserção e integração social).


Pronto, e basicamente é isto.



por Sérgio

 

 



realizado por Rita às 13:50
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Quarta-feira, 25 de Agosto de 2004
Triple Agent ****

Realização: Éric Rohmer. Elenco: Serge Renko, Katerina Didaskalou. Nacionalidade: França / Grécia / Itália / Rússia / Espanha, 2004.






"Paris ultrajada, Paris prostrada, Paris martirizada, mas Paris libertada". Foram as palavras do oficial francês Charles De Gaulle no dia 25 de Agosto de 1944. Há precisamente 60 anos a cidade de Paris libertou-se de uma ocupação nazi, que se tinha feito sem contestação e sem luta.


Há precisamente umas horas atrás vi o filme “Agente Triplo”, de Eric Rohmer, que inicia a sua acção na Paris de 1936 e nos transporta para uma história ficcional, baseada livremente em factos reais, sobre espionagem e contra-espionagem. Com um humor deliciosamente elaborado, um texto eximiamente escrito e interpretações soberbas de Serge Renko e Katerina Didaskalou.


Em 1936, após a Revolução bolchevista, Fiodor (Renko), general do exército tsarista, refugia-se em Paris com a sua esposa Arsinoé (Didaskalou), pintora de origem grega. Membro de uma associação de antigos oficiais russos “brancos”, dedica-se igualmente a actividades secretas. Em frequentes viagens a destinos camuflados, deixa a sua mulher abandonada aos seus pincéis e às suas dúvidas e tormentos, tentando preencher as lacunas das meias-verdades que Fiodor lhe dá.


Dada a sua condescendência com algumas atitudes de esquerda, Fiodor é, em dado momento, considerado simpatizante comunista e, em resultado da sua tentativa de angariar fundos para financiamento da sua organização junto dos alemães, faz com que a possibilidade de conluio com os nazis entre também nas conjecturas. As suposições são tanto mais possíveis quanto ridículas, pois o jogo da verdade e da mentira ganha com as improbabilidades. No meio deste cenário de tripla espionagem, e imerso num mar de informação, Fiodor esforça-se por dissimular a verdade, talvez até com a própria verdade.


Rohmer substitui a acção pela palavra, semeando a desordem e o equívoco. Ao espectador é dado saber apenas aquilo que Fiodor entende dar a conhecer da sua vida secreta, e a nossa ignorância é o verdadeiro motor do filme e da intriga. Os silêncios, as duplas interpretações, levam a um conjunto de verdades possíveis que tentamos ajustar numa lógica imposta pela racionalidade. Esta é também uma história de amor, onde o silêncio se torna o que de melhor se tem para oferecer, quando a alternativa é a mentira.


Uma história de espiões, um conto moral sobre a mentira, o olhar sobre uma época, “Agente Triplo” evoca o destino trágico de um casal perturbado pelos revezes da História. Um belo filme, apesar das pontas soltas que, tal como na realidade, não fecham o ciclo. Mas, também tal como a realidade de há 60 anos, nos dão a liberdade de o fazer.




CITAÇÕES:


“Il est plus facile dire la verité que de mentire. Car ne nous crois pas. Tu ne me crois pas?”
SERGE RENKO (Fiodor Alexandrovich)






realizado por Rita às 22:30
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Terça-feira, 24 de Agosto de 2004
Mi Vida Sin Mí ****

Realização: Isabel Coixet. Elenco: Sarah Polley, Scott Speedman, Mark Ruffalo, Deborah Harry, Amanda Plummer, Maria de Medeiros. Nacionalidade: Espanha / Canadá, 2003.





Não sou muito adepta de filmes que apelam para o sentimento com recurso fácil a dramas humanos, e confesso alguma frieza ao deparar-me com despedidas ou reencontros finais de amantes que vivem felizes para sempre (ou até o filme acabar, porque depois todos sabem que vem o desamor, a saturação e as traições).


Por isso, não sei bem o que me levou a ir ver este filme, tendo em conta que a sinopse dizia tudo: uma jovem de 23 anos (Ann - Sarah Poley), mãe de duas filhas, com um marido desempregado (Don - Scott Speedman), e uma relação conflituosa com a mãe (Deborah Harry), descobre que tem apenas dois meses de vida e, sem dizer nada a ninguém, decide fazer uma lista de tudo o que tem ainda de fazer até lá. Dessa lista fazem parte elementos tão mundanos como cortar o cabelo e colocar unhas postiças. Mas também coisas que não deveriam ser transcendentais, mas que o são, como fazer com que alguém se apaixone por ela e dizer todos os dias “amo-te” às filhas.


Era quase certo que iria sair da sala de cinema lavada em lágrimas, mas insisti, como um teste à minha insensibilidade. Confesso umas lágrimas involuntárias, mas no total, este filme deixa-nos a pensar nas coisas boas que temos. Talvez porque as relativizamos em comparação com problemas maiores, ou talvez porque a perspectiva de deixarmos de as ter, de um momento para o outro, faz com que, logo após o filme, queiramos falar com todos os amigos, ir jantar com a família, beijar um desconhecido, pegar no carro e fazer aquela viagem que sempre adiamos para amanhã, plantar a tal árvore, escrever o tal livro, ter o tal filho.


Isabel Coixet, através de uma co-produção onde participa Pedro Almodóvar, dá-nos a oportunidade de reflectir sobre nós mesmos, através da história de Ann, uma Sarah Poley surpreendente e paradoxalmente contida e explosiva, forte e frágil, pragmática e emocional, enigmática e expressiva.


Neste filme é posta em causa a percepção instituída do amor. Aqui o amor esconde a verdade e trai, deixa de ter palavras e refugia-se em silêncios constrangedores na sala de visitas de uma prisão. Mas revela-se na incompreensível esperança de consertar tudo, de controlar ainda um pouco o inevitável desfecho, na procura de uma substituta em vida para ela em morte, na gravação de cassetes para um futuro onde ela já não estará.


Sim, comovi-me, mas no caminho para casa, que decidi fazer a pé, era um sorriso que levava comigo.






realizado por Rita às 19:58
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A minha estreia

Nos meus tempos de Aveiro, as salas de cinema à mão eram duas. Desmesuradamente grandes: no Cine-Teatro Avenida, onde vi a «Heidi» animada, ou no Teatro Aveirense, onde me sobressaltei com o encontro no milheiral com um famoso «ET». Com o estertor daquelas salas viveu-se o tempo das salas mais pequenas encafuadas em galerias e centros comerciais: o Estúdio 2002 e o Cine-Estúdio Oita (hoje, o único sobrevivente, com a exploração entregue ao "independente" Paulo Branco).


À chegada a Lisboa, descobri o mundo dos multiplexes e ecrãs pequenos, dos "kings" e filmes diferentes, da Cinemateca de culto, do Quarteto das noites longas de aniversário. Uma paleta de cores e telas, nunca vista antes. Consumia filmes a grande velocidade. Hoje, o tempo afasta-me mais do que queria do escuro das salas. Nem as pipocas o conseguiram tão eficazmente.


Mas, entre a curta DVDteca pessoal que vai trazendo algumas coisas mais antigas só agora vistas, e a rápida sortida às salas de cinema, quero apresentar aqui o que for descobrindo no mundo da sétima arte. Sem pretensões de crítico encartado. Apenas pelo prazer de ver cinema.



[Actualização: quando se escreve que o Oita é a única sala «sobrevivente», falamos daquelas quatro salas. Hoje, para além do Oita, Aveiro tem mais umas 15 salas, distribuídas entre a Lusomundo e a Warner-Lusomundo, com filmes a duplicar, numa falsa ilusão de variedade.]



por Miguel

 

 



realizado por Rita às 17:00
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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2004
Paixões partilhadas

Felizmente há paixões que não são vividas isoladamente. Por isso, a partir de hoje dois amigos igualmente “doentes” juntam-se a mim para viver esta experiência de partilhar cinema. Estou certa de que o seu contributo será precioso e as suas opiniões farão, no mínimo, levantar uma ou outra sobrancelha.

Bem-vindos ao maravilhoso mundo dos blogs!

RITA

 




realizado por Rita às 21:45
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Sonny ***

Realização: Nicolas Cage. Elenco: James Franco, Brenda Blethyn, Mena Suvari, Harry Dean Stanton. Nacionalidade: EUA, 2002.





Assim que soube que Nicolas Cage estava a realizar o seu primeiro filme, coloquei-o na minha lista “a ver”. Talvez pensasse que a sua vasta e ecléctica experiência como actor pudesse ser uma mais-valia quando colocada do outro lado da câmara. De facto, o ponto forte deste filme reside exactamente nos actores e na sua direcção. Cage fez uma opção inteligente, porque segura, num argumento que depende essencialmente do desempenho de exímios profissionais.


É a história revisitada de um rebelde sem causa (James Franco, que já antes interpretou o próprio James Dean), cujo complexo de Édipo é constantemente usado contra ele por parte de uma mãe subtilmente possessiva (Brenda Blethyn). A causa para romper com o seu instituído modus vivendi, neste caso de prostituto, acaba por ser o amor (não é sempre?) por uma colega de profissão (Mena Suvari).


Curiosamente, o melhor momento do filme é aquele em que aparece o Cage-actor, no personagem de Acid Yellow, um dealer surreal entre o Liberace e o Austin Powers. Uma pequena alucinação que me reportou directamente ao filme “Delírio em Las Vegas”, de Terry Gilliam, um outro actor-feito-realizador (passo a comparação para benefício deste último).


Num acto quase egoísta, Cage fica com este doce para si, deixando o amargo desenrolar da história para os restantes actores. Todos eles, sem excepção, de uma solidez inatacável: Sonny/Franco, nos dilemas de amor dividido entre as necessidades da mãe, de Carol, e si próprio; Jewel/Blethyn, presa a uma vida que tomou todas as decisões por ela, até a do destino do filho; Carol/Suvari, a única que toma decisões, ainda que contra a sua própria felicidade; e Henry/Dean Stanton, o paradigma da generosidade.


No todo, não me senti defraudada por esta primeira experiência do sobrinho de Coppola, mas há ainda um longo caminho a percorrer. Um caminho que tem de implicar riscos. E isso não significa necessariamente usar o cinema para chocar, querendo ser moderno e mostrar sexo com a facilidade com que se lê um jornal. Se quer ganhar espectadores, Cage tem de respeitar a sua/nossa inteligência.


O meu conselho é que aproveite uma próxima reunião de família para conversar e trocar ideias com a prima Sofia. Dando o benefício da dúvida, e porque o Cage-actor ainda exerce algum efeito sobre o meu discernimento, fico à espera do próximo desafio do Cage-realizador.






realizado por Rita às 21:42
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Sexta-feira, 20 de Agosto de 2004
Te Doy Mis Ojos *****

Realização: Icíar Bollaín. Elenco: Laia Marull, Luis Tosar, Candela Peña, Rosa María Sardá. Nacionalidade: Espanha, 2003.





Dou-te Os Meus Olhos é uma prenda: a que Pilar (Laia Marull) dá a António (Luis Tosar) num dos seus jogos românticos, e a que Icíar Bollaín nos oferece. A primeira cena, quando Pilar sai de casa com o filho, em fuga aos maus tratos do marido e se esquece de calçar os sapatos, começa desde logo a justificar o êxito nos Prémios Goya deste ano (Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Actriz, Melhor Actor, Melhor Actriz Secundária–Candela Peña como Ana, Melhor Argumento Original e Melhor Som).


O tema da violência doméstica sobre a mulher pode ter abordagens mais ou menos realistas, mas onde, com frequência, se cai no excesso visual e na fácil culpabilização. Este filme tem o mérito de nos mostrar o pior e mais difícil lado deste processo, o psicológico. A perda da auto-estima, da individualidade e da liberdade (de pensar, de sentir), em que o amor (ou a única forma que se consegue identificar como tal) justifica todos os sacrifícios e tentativas, onde se perde a noção da profundidade do poço em que se caiu e só se ouve o eco que insiste em repetir que aquilo é o melhor que se pode ter. Como diz a personagem de Rosa María Sardá: “Uma mulher nunca está melhor sozinha.”


Mas Icíar Bollain mostra-nos também o lado da consciência masculina de um estado de doença/demência, onde o esforço de cura é constantemente frustrado por inseguranças e medos. Onde a crueldade convive lado a lado com a ternura, onde a sensibilidade e o carinho são sufocados pela obsessão.


Há cenas verdadeiramente marcantes: os olhos trasbordantes de Pilar num crescendo de medo, o corpo agitado em tremores de pavor, a incontinência da vergonha. Um ódio ao carrasco vai crescendo no espectador, mas, felizmente, o realizador não nos deixa ir assim para casa. Durante todo o filme passamos por diversas fases na aprendizagem das personagens, a sua condição humana e, se não a sua aceitação, pelo menos a sua compreensão.


Laia Marull é belíssima: frágil, forte, revoltada, conformada, vulgar, sensual, inteligente, estúpida, sonhadora, lutadora. Da mesma forma, Luis Tosar é agressivo, carinhoso, revoltante, sedutor, lutador, frustrado. Ela e ele são, simultaneamente, todas as mulheres e todos os homens. Porque todos temos em nós o potencial para o melhor e para o pior, só há que escolher. Mas por vezes é a vida que nos impõe o caminho sem nos dar sapatos para o percorrer. E temos que aprender a amar e a amar-nos.






realizado por Rita às 23:58
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Quinta-feira, 19 de Agosto de 2004
Coffee and Cigarettes ****

Realização: Jim Jarmusch. Elenco: Roberto Benigni, Steven Wright, Joie Lee, Cinqué Lee, Steve Buscemi, Iggy Pop, Tom Waits, Joseph Rigano, Vinny Vella, Renée French, E.J.Rodriguez, Alex Descas, Isaach De Bankolé, Cate Blanchet, Jack White, Meg White, Alfred Molina, Steve Coogan, GZA, RZA, Bill Murray, William Rice, Taylor Mead. Nacionalidade: EUA, 2003.





Tudo começou em 1986, com “Strange to Meet You”, em que Steven Wright partilha com Roberto Benigni o seu gosto em beber café à noite para sonhar mais rápido.


Este é o início de uma série de sequências, ligadas entre si pelos elementos comuns dos cigarros e do café (num dos casos, chá). A escolha de filmar a preto (café) e branco (cigarros) não é arbitrária e permite conferir um fio condutor entre os diferentes episódios. Neste filme são retratados diversos momentos de um quotidiano mais ou menos normal, onde as pessoas se encontram propositadamente ou por caso e aproveitam a mesa de um café para partilharem ideias, opiniões e um sem número de divagações.


Jarmush permite deleitarmo-nos com um leque de actores/músicos pleno de referências. Os gémeos Cinqué e Joie Lee no meio dos seus desacordos interrompidos pela surreal teoria do empregado Steve Buscemi sobre o irmão gémeo de Elvis (1989). Iggy Pop e Tom Waits, os mais sarcásticos e também os mais divertidos, falando sobre música e sobre deixar de fumar (1992). Joe Rignano e Vinny Vella discutindo sobre os malefícios do tabaco (1992). O ar ameaçador da doce Renée French enquanto folheia um catálogo de armas. Isaach de Bankolé, protagonista do filme “A Casa de Lava”, de Pedro Costa, e Alex Descas no encontro mais incómodo de amizade sem comunicação. Cate Blanchet, num duplo papel brincando com a sua fama. Meg e Jack White, os dois membros da banda rock The White Stripes que nos trazem o pior momento deste filme, com uma representação/improvisação que, a quem não conheça outros seus talentos, deixa com pouca vontade de os descobrir. Alfred Molina e Steve Coogan numa improvável e hilariante parceria familiar. RZA e GZA, membros do grupo Rap e Hip Hop Wu-Tan Clan num delírio com Bill Murray. E William Rice e Taylor Mead, no último segmento, celebrando a vida com café como se fosse champagne (todos estes em 2003).


Há ideias recorrentes em algumas das situações. Um pouco como as conversas de todos nós que, se fossem filmadas, nos mostrariam todas as parecenças que normalmente nos recusamos a ver. E não são conversas edificantes, esclarecimentos filosóficos ou a resolução dos problemas do mundo, é apenas a troca de palavras, de atenção e de tempo. Esse pequenos momentos de que se compõe a vida.


E apesar de café e cigarros não constituírem um almoço muito saudável, são de facto uma grande combinação, tal como Jarmusch e o cinema.






realizado por Rita às 20:42
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Quarta-feira, 18 de Agosto de 2004
La Mala Educación *****

Argumento e Realização: Pedro Almodóvar. Elenco: Gael García Bernal, Fele Martinez, Daniel Giménez Cacho, Lluís Homar, Javier Cámara. Nacionalidade: Espanha, 2004.





Persiste a dúvida se este é ou não um filme auto-biográfico, mas a verdade é que esse pormenor é irrelevante se nos concentrarmos no talento de Almodóvar como contador de histórias. E esta é uma boa e bem contada história.


Ignacio conheceu Enrique num colégio de padres. Juntos descobriram o seu fascínio pelo cinema, o sexo e o amor. Anos mais tarde, Ignacio (García Bernal), que optou pela representação, procura trabalho junto de Enrique (Fele Martinez), agora realizador. Enrique tenta livrar-se dele, mas Ignacio aproveita para lhe deixar uma história, A Visita, aquele que pode ser o novo argumento que Enrique procura. Uma história que mistura o regresso à sua infância comum com a ficção de Zahara (García Bernal), Paquito (Javier Cámara incomparável) e da sua vingança. Ao lê-la e realizá-la, Enrique é levado ao passado, em que foi separado do seu amigo e primeiro amor pelo Padre Manolo (Giménez Cacho), também ele apaixonado por Ignacio.


Este é talvez o argumento mais complicado de Almodóvar e é surpreendente como chegamos ao fim sem confusões sobre as diversas realidades e ficções que existem dentro do filme. Esta eficácia e consistência só são possíveis com uma grande dose de talento e de qualidade cinematográfica. Mas, pela diferença, é um grande desafio colocado sobretudo aos seus admiradores, os fiéis do início e os convertidos com Tudo Sobre A Minha Mãe e Fala Com Ela.


Depois de Amor Cão, E a Tua Mãe Também e O Crime do Padre Amaro, García Bernal dá-nos mais uma personagem para recordar. É ao mesmo tempo um actor à procura de trabalho e o personagem pelo qual luta. Consegue ir do jovem calculista e ambicioso, à doçura mais que feminina de Zahara. Fica-nos a vontade de o descobrir proximamente como Che Guevara.


A pedofilia é o tema polémico do filme, especialmente pela sua associação a elementos do clero, mas a facilidade é evitada através de uma abordagem que, não deixando de ser condenatória, nos faz o retrato de um homem que ama, sofre e abusa do seu poder para concretizar esse amor.


A abordagem feita à homossexualidade e transsexualidade é, no entanto, limitativa. Há que entender que se trata apenas de uma versão, mas fica-se com a sensação de que o abuso é a justificação de algo que, grande parte das vezes é inato e está para além da escolha de cada um.


Esta é uma história com vários culpados, vários pecados e vários abusos: de poder, de confiança, de amor.






realizado por Rita às 21:11
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Terça-feira, 17 de Agosto de 2004
Butterfly Effect ****

Realização e Argumento: Eric Bress e J.Mackye Gruber. Elenco: Ashton Kutcher, Melora Walters, Amy Smart, Elden Henson, William Lee Scott, Eric Stoltz. Nacionalidade: EUA, 2004.





Ofuscado pela estreia do épico Tróia, poucos (ou pelo menos não tantos como os que mereciam) terão tido a oportunidade de descobrir este filme.


A história gira em torno de Evan (Ashton Kutcher), uma criança que, como mecanismo de defesa, bloqueia algumas memórias da sua infância. Já na universidade, os cadernos que escrevia como diários voltam às suas mãos e Evan começa a recordar o que tinha esquecido, dando-se conta da tremenda violência que acompanhou esses anos.


No processo de redescoberta, Evan apercebe-se que consegue alterar esses momentos do seu passado, “consertando-os”. O que Evan não sabe, mas que acaba por descobrir da pior forma, é que cada alteração provoca consequências imprevisíveis no seu futuro e no daqueles que, como Kayleigh (Amy Smart), Lenny (Elden Henson) e Tommy (William Lee Scott), partilharam a sua infância.


O título deste filme tem origem na Teoria do Caos, segundo a qual pequenas diferenças nas condições iniciais de um sistema podem conduzir a diferenças bastante significativas no resultado final. Em 1961, Edward Lorenz trabalhava num modelo computacional de previsão meteorológica. Num procedimento, em vez de colocar o número inicial 0,506127, arredondou-o para 0,506. A diferença de apenas milésimos provocou resultados finais totalmente distintos e com erros catastróficos. Em 1979 publica um artigo com o título: “Predictabilidade: O bater de asas de uma borboleta no Brasil poderá provocar um tornado no Texas”. É este o Efeito Borboleta.


A elaboração de uma história em feedbacks sucessivos permite ao espectador construir ele próprio o puzzle, preenchendo também ele as “brancas” que o argumento foi deixando em aberto. Uma boa dose de imaginação, um bom casting de caras maioritariamente novas e um bom equilíbrio entre thriller, drama e comédia.


A todos nós já nos passou pela cabeça mudar algo no nosso passado. Mas a impossibilidade de concretizar esse devaneio, evitou sempre que pensássemos nas consequências que tal acontecimento poderia desencadear. Mudar o antes é mudar o depois, ou seja, o agora. E isso pode significar abdicar talvez das melhores metas alcançadas no nosso processo de desenvolvimento. É a inquietação lançada por esta dúvida que fica a retinir naquela parte do nosso cérebro que ainda sonha e que depois de ver este filme continua a pensar “e se...”.




CITAÇÕES:


“You can't change who people are without destroying who they were.”
CALLUM KEITH RENNIE (Jason Treborn)






realizado por Rita às 23:23
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2004
Japanese Story ****

Realização: Sue Brooks. Elenco: Toni Collette, Gotaro Tsunashima, Matthew Dyktynski. Nacionalidade: Austrália, 2003.





Se o amor fosse uma coisa linear e simples, já há muito que nos tínhamos deixado de preocupar com ele. Bastar-nos-ia deixá-lo acontecer a seu tempo, na certeza de que viria para ficar e que nada nem ninguém poderia modificá-lo ou enfraquecê-lo.


Mas e se o amor não se explica, nem por palavras, nem por silêncios, nem por acções, nem por inércias, nem por pontos em comum, nem por culturas opostas?


Neste filme, Sue Brooks leva-nos por uma viagem pelo deserto australiano, pleno das imagens mais marcantes, quer pela sua riqueza, quer pela sua austeridade. Um deserto apenas ocupado por duas pessoas. Talvez como todos os nossos desertos. Duas pessoas que não se compreendem e que recusam até ao extremo encontrar uma plataforma de entendimento que sempre existiu e existe entre os seres humanos: as suas emoções.


Sandy (Toni Collette) e Hiromitsu (Gotaro Tsunashima) são os protagonistas. Ela é reconhecida imediatamente por filmes como O Sexto Sentido ou As Horas, uma actriz com uma maturidade e um talento inegáveis. Ele veio da série televisiva australiana Changi, passada numa prisão em Singapura, para o seu primeiro filme, e começa desde já a lançar o conceito de um sex-symbol fora dos trâmites habituais e emocionalmente complexo. Ela é uma geóloga com a missão de vender um programa de computador ao herdeiro de um império mineiro. Ele é um homem à procura da sua missão e que aproveita a disponibilidade de uma geóloga com ânsia de vender para ter companhia (e motorista) no seu passeio pelo interior da Austrália.


As diferenças culturais e linguísticas servem de desculpa para os atritos e de escape para a atracção que é inevitável. Alguns dos momentos mais divertidos do filme são as conversas telefónicas de Hiromitsu com um amigo seu, em japonês, onde tem oportunidade de insultar Sandy sem que ela se dê conta.


Toni Collette consegue uma vez mais cativar-nos sem remédio, numa doçura e numa força que se realçam pelo seu contraste. Gotaro Tsunashima brinda-nos com uma interpretação serena mas poderosa. Nem uma nem outro serão talvez considerados os arquétipos da beleza dos sexos, mas este filme oferece-nos, sem sombra de dúvida, algumas das imagens mais sensuais dos últimos tempos.


E, no meio de todas as improbabilidades, fica-nos a certeza de que a felicidade e o amor não perdem o seu valor por não serem eternos.






realizado por Rita às 22:32
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Sexta-feira, 13 de Agosto de 2004
Belleville Rendez-Vous *****

T.O.: Les Triplettes de Belleville. Realização: Sylvain Chomet. Nacionalidade: França / Canadá/ Bélgica, 2003.




A missão de Belleville Rendez-Vous é fazer-nos sorrir em cada um dos seus planos, cheios como telas pintadas, onde nenhum canto do ecrã é deixado em branco. Talvez por isso a ausência de legendas, para que disfrutemos toda a imagem. E também porque a história, apesar de decorrer numa cascata de acções, mantém toda a coerência de um argumento consistente. Segundo o realizador, o objectivo é falar através da animação propriamente dita, deixando margem para a interpretação que as palavras limitam.


Ao oferecer ao seu neto Champion um triciclo, Mme.Souza, emigrante portuguesa, despoleta em ambos a paixão pelo ciclismo. O sonho concretiza-se na participação na Volta a França. Mas o rapto de Champion pela máfia de Belleville dá início a uma épica viagem de resgate, onde Mme.Souza é acompanhada pelo seu obeso cão Bruno. Em Belleville, conhece três gémeas idosas que vivem com saudosismo os tempos de fama grangeada com a contagiante canção do título.


Longe da tradição Disney e do 3D puro da Pixar, este filme destaca-se por uma desconcertante originalidade. A animação digital focou-se nos carros, bicicletas, barcos e comboios, permitindo concentrar esforços no desenvolvimento das personagens. E ao contrário de animações que tentam atingir a imagem “real” do cinema, Sylvain Chomet tira o melhor partido da grande vantagem que o desenho tem sobre a imagem filmada: a possibilidade de distorcer a realidade. É através de um traço caricatural que excessos são ampliados e faltas suprimidas.


Este filme é um banquete de pormenores surreais. Champion lembra as figuras esguias e indolentes de Dalí, a sua apatia contrastando com a efusividade e inteligência McGyveresca de Mme.Souza. A própria cidade não escapa à caricatura de uma Nova Iorque em frente a um espelho da feira popular, e a alucinação é ampliada pelo ódio do cão Bruno por comboios e pela impensável dieta das gémeas.


Chomet aproveita para fazer um retrato, parcial, mas indiscutivelmente homenageante, do emigrante português, com as típicas referências, talvez incómodas aos mais susceptíveis, mas negligenciáveis perante a dominante força e ternura da personagem de Mme.Souza.


Este é um filme nostálgico, humano e imaginativo, onde são incontornáveis as referências a Jean Pierre Jeunet (Amélie Poulain) e a Marc Caro (Delicatessen). Já fora da sala, diversos personagens e instantes do filme assaltam a nossa mente, obrigando-nos a um sorriso rasgado. Missão cumprida.




CITAÇÕES:


"Belleville Rendez-vous", música de Benoit Charest, letra de Sylvain Chomet


J'veux pas finir mes jours à Timbuktu
La peau tirée par des machines à clous
Moi je veux etre fripée
Triplement fripée
Fripée comme une Triplette de Belleville

J'veux pas finir ma vie à Acapulco
Danser toute raide avec des gigolos
Moi je veux etre tordue
Triplement tordue
Balancée comme une Triplette de Belleville

Chorus:
Swinging Belleville rendezvous
Marathon dancing doop dee doo
Voudou cancan bal taboo
Au Belleville swinging rendezvous

J'veux pas finir ma vie à Singapour
J'me dis comment manger des petits fours
Moi je veux etre idiote
Triplement idiote
Gondolée comme une Triplette de Belleville

J'veux pas finir ma vie à Honolulu
Chanter comme un oiseau ca n'se fait plus
Je veux ma voix brisée
Triplement brisée
Swinguer comme une Triplette de Belleville

Chorus

J'voudrais finir ma vie à Katmandu
C'est bien plus doux de faire des rimes en route
Mais je veux etre givrée
Triplement givrée
Et swinguer comme les Tripletes de Belleville

Chorus


 



realizado por Rita às 20:52
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Quinta-feira, 12 de Agosto de 2004
Secret Window ***

Realização: David Koepp. Elenco: Johnny Depp, John Turturro, Maria Bello, Timothy Hutton, Charles S. Dutton. Nacionalidade: USA, 2004.





Partindo do princípio que é impossível superar a adaptação que Kubrick fez de um livro de Stephen King (The Shining), podemos dar uma oportunidade a este A Janela Secreta (do livro Secret Window, Secret Garden). A história de um escritor, Mort Rainey (Johnny Depp) a braços com o final do seu casamento e uma profunda crise criativa, que se vê acusado de plágio e acossado pelo autor, John Shooter (John Turturro), disposto a defender a originalidade da sua obra até às últimas consequências. Da mesma forma que recusa entregar os pontos na discussão quanto à legitimidade da sua obra, Rainey escapa-se também à assinatura dos papéis do divórcio, mesmo tendo apanhado a mulher (Maria Bello) em flagrante com o seu novo namorado (Timothy Hutton).


Johnny Depp é, neste momento, o maior camaleão do cinema. Apesar de alguma inconsistência na qualidade dos projectos em que se involve, é inegável que, em todos eles, ele é o melhor actor que se poderia ter, transparecendo o enorme divertimento que ele retira de cada uma das suas interpretações. Mort Rainey não foge à regra, e permite-lhe transfigurar-se entre humor e drama.


John Turturro, em fugazes aparições, enche o ecrã, e o terror do seu silêncio é equiparável ao esgar psicótico de um Jack Nicholson.


Há detalhes de realização que quero destacar, como o pormenor dos nomes dos produtos que Rainey coloca na caixa do supermercado na parte final da história, e da imagem, claramente inspirada no quadro A Reprodução Interdita (1937) de René Magritte, onde, olhando-se no espelho, Rainey vê o reflexo das suas próprias costas. Mas apesar das referências estudadas, do suspense conseguido pela música de Philip Glass e de dois grandes actores, o desenrolar da história torna-se previsível.


A personagem de Depp diz que a parte mais importante de uma história é o final. Mas isso não serve de desculpa para que Koepp nos ofereça esse final antes de tempo. Esse é o grande pecado deste filme. A preocupação com a coerência é talvez a razão para que as pistas se tornem demasiado evidentes. Ou talvez as reviravoltas se tenham tornado tão habituais que ninguém já espera um final tradicional. Ainda virá o dia em que nos surpreenderemos com um “e viveram felizes para sempre...”.






CITAÇÕES:


“The only thing that matters is the ending. It's the most important part of the story. And this one, is very good. This one is perfect.”
JOHNNY DEPP (Mort Rainey)






realizado por Rita às 23:11
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Quarta-feira, 11 de Agosto de 2004
Shattered Glass: Verdade ou Mentira ***

Argumento e Realização: Billy Ray. Elenco: Hayden Christensen, Peter Sarsgaard, Chloë Sevigny, Hank Azaria, Steve Zahn. Nacionalidade: USA / Canadá, 2003.





“Estás zangado comigo?”, pergunta Stephen Glass (Hayden Christensen), um jovem jornalista de 25 anos. Como uma criança que fez um disparate, pede desculpa num olhar inocente. Neste caso, o disparate consiste em pelo menos 27 artigos de um total de 41, que, durante três anos, foram total ou parcialmente fabricados. Em consequência, em 1998, foi despedido do The New Republic, uma reputada revista de opinião que, de um dia para o outro, estava a publicar ficção.


Tal como a fraude cometida por Jayson Blair contra o New York Times, esta história faz-nos questionar como é possível um miúdo enganar uma publicação de qualidade internacional. Glass fê-lo, com histórias originais e contundentes, grangeando a admiração e o respeito dos seus pares. Apelou ao charme e tirou partido do seu poder de observação para cativar o afecto dos colegas. Colocando-se constantemente no papel de vítima, consegue manipular tudo e todos. E não podemos deixar de, em dada altura, esperar que toda a sua ficção acabe por salvá-lo, porque também nós fomos enredados nessa sedutora imagem de menino indefeso.


Tudo começou a ruir quando Adam Penenberg (Steve Zahn), colaborador do jornal electrónico Forbes Digital Tool, tenta seguir os factos relatados numa das suas histórias e só consegue encontrar lacunas e inconsistências. Chuck Lane (Peter Sarsgaard), o editor da revista, começa a desconfiar que aquele não é um caso isolado. Os telhados de vidro estilhaçam-se.


Hayden Christensen, no caminho do amadurecimento, tem aqui o seu primeiro papel de relevo, depois da passagem sofrível pelo Star Wars Episódio II - O Ataque dos Clones, transmitindo o carácter perturbado de Glass, numa linha ténue entre a fragilidade e ternura, e a mitomania compulsiva e maquiavélica. Neste desempenho é auxiliado por um contido Peter Sarsgaard, e uma versátil, mas sub-aproveitada, Chloë Sevigny (colegas em Os Rapazes Não Choram, de Kimberly Peirce).


Com base no artigo de Buzz Bissinger na Vanity Fair, Billy Ray constrói um filme que nos permite ir descobrindo as diversas falhas no rapaz perfeito, tal como se vão descobrindo os erros da reportagem perfeita. É assustador pensar no poder que a informação tem, e nas consequências a que a manipulação da mesma pode levar. Resta-nos esperar que num misto de ética, rectidão e curiosidade, haja sempre alguém que nos salve de desmedidas ambições particulares.





CITAÇÕES:


“- I'm really sorry.
- I wish you would stop saying that!”
HAYDEN CHRISTENSEN (Stephen Glass) e PETER SARSGAARD (Chuck Lane)


“Are you mad at me?”
HAYDEN CHRISTENSEN (Stephen Glass)






realizado por Rita às 21:57
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Terça-feira, 10 de Agosto de 2004
Girl With a Pearl Earring ***

Realização: Peter Webber. Elenco: Scarlett Johansson, Colin Firth, Tom Wilkinson. Nacionalidade: EUA, 2003.





O que há por detrás de um quadro? Tracy Chevalier tentou responder a esta pergunta no seu romance Rapariga Com Brinco de Pérola, sobre o célebre quadro do pintor holandês Johannes Vermeer, que serve de base a este filme. Numa história romanceada, a crise criativa de Johannes Vermeer (Colin Firth) é superada pelo aparecimento de uma musa na pele de uma pobre empregada, Griet (Scarlett Johansson). A sua inocência e o seu intuitivo entendimento da pintura seduzem Vermeer e impulsionam o seu trabalho. Ao contrário das motivações materialistas com que normalmente cria, quer pelas exigências do seu patrono quer para garantir o sustento da sua família.


Em Griet, Vermeer encontra a receptividade da ignorância curiosa, quer para os seus conhecimentos quer para os seus sentimentos. Paradoxalmente, Griet acaba por ficar imortalizada numa pintura onde a sua beleza é realçada pelo elemento que mais destoa da sua condição: uma jóia. Há como que um acto de poluição da pureza e da humildade de Griet através desse brinco.


A fotografia do português Eduardo Serra, justamente nomeado para o Oscar e injustamente afastado dele, é ela própria pintura. A luz estudada, a textura das imagens, tudo nos reporta às pinceladas suaves das tintas espessas que Griet ajuda Vermeer a misturar no seu atelier. A investigação e o trabalho de reconstrução histórica da Delft holandesa do séc. XVII, evidenciado nos cenários e no guarda-roupa, são de um cuidado e detalhe extremos.


Scarlett Johansson, com a sua beleza harmoniosa e fria e um olhar que substitui as palavras mais eloquentes, tem aqui uma vez mais uma representação que nos reporta aos grandes clássicos da Sétima Arte. Colin Firth surge assim abafado pelo talento em explosão desta jovem actriz e a sua presença não é mais do que um apoio para que ela brilhe em cada cena.


A realização é preocupada e atenciosa, os planos estudados e escolhidos com perfeccionismo. Daí que choque tanto a falha de, numa mesma cena, Griet aparecer com duas toucas diferentes sem ter tido obviamente tempo de as trocar entre duas frases. Por sorte a Scarlett Johansson era a mesma: irrepreensível.


Há ainda que referir o aspecto didático sobre a técnica de Vermeer, que é desconstruída passo a passo, evidenciando o processo de criação e execução até à obra final, que surge aqui impregnada da mística de um amor ilícito e sacrificial.






realizado por Rita às 20:32
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Segunda-feira, 9 de Agosto de 2004
Trilogia Lucas Belvaux ****


Un Couple Épatant | Cavale | Aprés la Vie



Realização: Lucas Belvaux. Elenco: Ornella Muti, François Morel, Catherine Frot, Lucas Belvaux, Dominique Blanc, Gilbert Melki. Nacionalidade: França/Bélgica, 2002.





“Nunca prestamos atenção às pessoas com quem nos cruzamos.” Esta é a pedra basilar de uma história que se conta em três partes. Três pontos de vista que acrescentam, cada um deles, novas peças de informação e nos permitem construir a história cruzada de três casais.


Cécile (Ornella Muti) é casada com Alain (François Morel) e desconfia que ele tem outra mulher. Para o investigar contrata Pascal (Gilbert Melki), um detective casado com a sua colega de trabalho Agnès (Domique Blanc). Bruno (Lucas Belvaux), preso por actos de terrorismo, foge da prisão, tentando retomar a colaboração de Jeanne (Catherine Frot), uma antiga companheira, e contando com a ajuda de Agnès na sua fuga às autoridades. Pascal e Agnès vivem uma relação de dependência que é posta à prova quando Pascal se torna vítima de chantagem.


Todas as histórias são paralelas e não sequenciais, o que faz com que cada filme possa ser visto independentemente. Cada um concentra-se nas suas personagens principais. Mas, o que acontece às personagens secundárias com que se cruzam? Quais as suas motivações? O que farão quando saiem de cena? Os outros dois filmes dão-nos essas respostas.


Existe uma ordem sugerida: Um Casal Encantador, Em Fuga, Depois da Vida, que, por experiência própria, parece-me irrelevante. O segundo filme (seja ele qual for) permite-nos entender muitos pormenores do primeiro, e o terceiro acaba por ter o efeito de revelação final. Sugiro que os vejam com poucos dias de diferença. Vê-los todos de seguida pode quebrar a parcialidade que se pretende de cada um, criando uma fusão das histórias. Vê-los muito espaçados pode cortar o efeito de complementaridade, se a memória não estiver bem exercitada.


Lucas Belvaux faz questão de marcar a diferença através do estilo: uma comédia (O Casal Encantador), um thriller (Em Fuga) e um drama (Depois da Vida), cada um filmado com as suas cores e o seu ritmo. É curioso observar como uma mesma frase pode mudar de acepção consoante o contexto onde se insere.


Lucas Belvaux consegue aqui assinar um manifesto de defesa das personagens secundárias, que são sempre mais do que aquilo que nos permite vislumbrar o protagonismo das principais. Este ponto de vista é defendido com três histórias que podiam ser milhares, aquelas cuja história fica sempre por contar. Caberá, uma vez mais, ao espectador preencher os espaços em branco.






realizado por Rita às 21:17
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Cinefools
RITA, MIGUEL, SÉRGIO, NUNO,
VASCO, LUÍS,
efeitos visuais por S.
Citação

“When morals decline and good men do nothing evil flourishes.”
LEONARDO DICAPRIO (J. Edgar Hoover) in J. EDGAR, de Clitn Eastwood
Banda sonora

PILEDRIVER WALTZ – Alex Turner
in “Submarine” de Richard Ayoade (2010)
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Arnacoeur, L’
Arsène Lupin
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Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, The
Assassination of Richard Nixon, The
Astronaut Farmer, The
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Atonement
Ausentes
Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec, Les
Aviator, The
Away We Go
Azuloscurocasinegro

B
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Babel
Babies
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Ballad of Jack and Rose, The
Banquet, The
Barney’s Version
Basic Instinct 2
Batman Begins
Battle in Seattle
Be Kind Rewind
Bee Movie
Before Sunset
Before the Devil Knows You’re Dead
Beginners
Being Julia
Belle Bête, La
Belleville Rendez-Vous
Big Bang Love, Juvenile A
Big Fish
Birth - O Mistério
Black Swan
Blade Runner
Blindness
Blood Diamond
Blue Valentine
Boat That Rocked, The
Bobby
Body of Lies
Bocca del Lupo, Las
Borat
Born Into Brothels
Bourne Ultimatum, The
Box, The
Boxing Day
Boy in the Striped Pyjamas, The
Boys are Back, The
Brave One, The
Breach
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Breaking and Entering
Brick
Brokeback Mountain
Broken Flowers
Brothers Bloom, The
Brothers Grimm, The
Brüna Surfistinha
Brüno
Burn After Reading
Butterfly Effect

C
Caché
Caimano, Il
Camping Sauvage
Candy
Canino - Kynodontas
Capitalism: A Love Story
Capote
Caramel
Carandiru
Carlos
Carnage
Carne Fresca, Procura-se
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Casanova
Casino Jack
Casino Royale
Caos Calmo
Castro
C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’avais Rêvé
Chamada Perdida, Uma
Changeling
Chansons d’Amour
Chaos
Chaos Theory
Charlie and the Chocolate Factory
Charlie Wilson's War
Che: El Argentino
Che: Guerrilla
Chefe Disto Tudo, O - Direktøren for det Hele
Chico & Rita
Children of Men
Chloe
Choke
City of Life and Death
Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer
Climas - Iklimer
Closer - Perto Demais
Cloudy With A Chance Of Meatballs
Coco Avant Chanel
Cœurs
Coffee and Cigarettes
Coisa Ruim
Cold Souls
Collateral
Collector, The
Combien Tu M’Aimes?
Comme une Image
Concert, Le
Condemned, The
Constant Gardener, The
Control
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Couperet, Le
Couples Retreat
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Crazy, Stupid, Love.
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Crimson Gold
Crónicas
Crónicas de Narnia, As
Curious Case of Benjamin Button, The
Curse of the Golden Flower

D
Da Vinci Code, The
Dangerous Method, A
Dans Paris
Darjeeling Limited, The
Dark Knight, The
De Tanto Bater o Meu Coração Parou
Dead Girl, The
Dear Wendy
Death of Mr. Lazarescu, The
Death Proof (S), Death Proof (R)
Debt, The
Deixa-me Entrar
Déjà Vu
Delirious
Departed, The
Descendants, The
Despicable Me
Derailed
Destricted
Dialogue Avec Mon Jardinier
Diarios de Motocicleta
Die Hard 4.0
Disturbia
Do Outro Lado
Don’t Come Knocking
Dorian Gray
Doublure, La
Drama/Mex
Drawing Restraint 9
Dreamgirls
Dreams on Spec
Drive

E
Eamon
Eastern Promises
Easy Rider
Edge of Love, The
Educación de las Hadas, La
Edukadores, Os
Elegy
Elizabeth: The Golden Age
Elizabethtown
En la Cama
Enfant, L’
Ensemble, C’est Tout
Enter The Void
Entre Les Murs
Entre os Dedos
Entre Ses Mains
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Être et Avoir
Eu Servi o Rei de Inglaterra
Evening
Everything is Illuminated
Exit Through the Gift Shop
Extremely Loud & Incredibly Close

F
Factory Girl
Fahrenheit 9-11
Family Stone, The
Fantastic Mr. Fox
Fast Food Nation
Faute à Fidel, La
Ferro 3
Fighter, The
Fille Coupée en Deux, La
Fille du Juge, La
Fils de L’Épicier, Le
Final Cut, The
Find Me Guilty
Finding Neverland
Fish Tank
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Ghost Town
Ghost Writer, The
Girl From Monday, The
Girl With a Pearl Earring
Girlfriend Experience, The
Go Go Tales
Gomorra
Gone Baby Gone
Good German, The
Good Night, And Good Luck
Good Shepherd, The
Good Year, A
Graduate, The
Graine et le Mulet, La
Gran Torino
Grande Silêncio, O
Gravehopping
Green Lantern
Grbavica

H
Habana Blues
Habemus Papam
Habitación de Fermat, La
Half Nelson
Hallam Foe
Hanna
Happening, The
Happy Endings
Happy-Go-Lucky
Hard Candy
Harsh Times
He Was a Quiet Man
Hedwig - A Origem do Amor
Héctor
Hellboy
Hellboy II: The Golden Army
Help, The
Herbes Folles, Les
Hereafter
History of Violence, A
Hoax, The
Holiday, The
Home at the End of the World, A
Host, The
Hostel
Hotel Rwanda
Hottest State, The
House of the Flying Daggers
How To Lose Friends & Alienate People
Howl
Humpday
Hunger
Hurt Locker, The
Hustle & Flow
I
I Am Legend
I Could Never Be Your Woman
I Don’t Want To Sleep Alone
I Heart Huckabees
I Love You Phillip Morris
I’m Not There
I’m Still Here
Ice Age - The Meltdown
Ice Harvest, The
Ides of March, The
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Illusionist, The
Illusioniste, L’
Ils Ne Mouraient Pas Tous Mais Tous Étaient Frappés
Imaginarium of Doctor Parnassus, The
Immortel (ad vitam)
In a Better World - Hævnen
In Bruges
In Good Company
In Her Shoes
In The Loop
In the Valley of Elah
In Time
Inception
Inconvenient Truth, An
Incredible Hulk, The
Incredibles, The
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indigènes - Dias de Glória
Infamous
Informant!, The
Informers, The
Inglourious Basterds
Inland Empire
Inner Life of Martin Frost, The
Inside Man
Intermission
Interpreter, The
Interview
Into the Wild
Introspective
Io Sono L’Amore
Iron Lady, The
Iron Man
Island, The
It Happened Just Before
It Might Get Loud
Ivresse du Pouvoir, L’

J
J. Edgar
Jacket, The
Japanese Story
Jarhead
Je Ne Suis Pas La Pour Être Aimé
Je Préfère Qu’on Reste Amis
Jeux d’Enfants
Jindabyne
Julie & Julia
Juno
Just Like Heaven
Juventude em Marcha

K
Kids Are All Right, The
Kill List
King Kong
King’s Speech, The
Kiss Kiss Bang Bang
Klimt
Knight and DayKovak Box, The

L
Laberinto del Fauno, El
Lady in the Water
Lake House, The
Land of Plenty
Lars and the Real Girl
Last King of Scotland, The
Last Kiss, The
Last Night
Last Station, The
Leatherheads
Letters From Iwo Jima
Levity
Libertine, The
Lie With Me
Life Aquatic with Steve Zissou, The
Life During Wartime
Life is a Miracle
Lions For Lambs
LIP, L’Imagination au Pouvoir, Les
Lisboetas
Little Children
Little Miss Sunshine
Livro Negro - Zwartboek
Left Ear
Lonely Hearts
Long Dimanche de Fiançailles, Un
Lost in Translation
Lou Reed's Berlin
Louise-Michel
Love Conquers All
Love and Other Drugs
Love in the Time of Cholera
Love Song for Bobby Long, A
Lovebirds, The
Lovely Bones, The
Lucky Number Slevin
Luna de Avellaneda
Lust, Caution

M
Machete
Madagascar
Made in Dagenham
Mala Educación, La
Malas Temporadas
Mammuth
Man About Town
Man On Wire
Management
Manuale d’Amore
Maquinista, O
Mar Adentro
Margin Call
Margot at the Wedding
Maria Cheia de Graça
Marie Antoinette
Martha Marcy May Marlene
Mary
Match Point
Me And You And Everyone We Know
Meek's Cutoff
Melancholia
Melinda and Melinda
Memórias de uma Geisha
Men Who Stare at Goats, The
Método, El
Mi Vida Sin Mí
Michael Clayton
Micmacs à Tire Larigot
Midnight in Paris
Milk
Million Dollar Baby
Mio Fratello è Figlio Unico
Moine, Le
Momma’a Man
Moneyball
Monster
Moon
Morning Glory
Mother (Madeo)
Mother, The
Moustache, La
Mozart and the Whale
Mrs Henderson Presents
Mujer Sin Cabeza, La
Munique
Music & Lyrics
My Blueberry Nights
My Week With Marilyn
My Son, My Son, What Have Ye Done
Mysterious Skin

N
Nana, La
Nathalie
Ne Le Dis À Personne
Ne Te Retourne Pas
NEDS
New World, The
Ni pour, ni contre (bien au contraire)
Niña Santa, La
Night Listener, The
Night on Earth
Nightmare Before Christmas, The
Ninguém Sabe
No Country For Old Men
No Reservations
No Sos Vos, Soy Yo
Nombres de Alicia, Los
North Country
Notes on a Scandal
Number 23, The

O
Ocean’s Thirteen
Odore del Sangue L’
Offside
Old Joy
Oldboy
Oliver Twist
Once
Onda, A - Die Welle
Ondine
Orgulho e Preconceito
Orly

P
Pa Negre (Pan Negro)
Painted Veil, The
Palais Royal!
Para Que No Me Olvides
Paradise Now
Paranoid Park
Parapalos
Paris
Paris, Je T’Aime
Passager, Le
Passenger, The (Professione: Reporter)
Patti Smith - Dream of Life
Perder Es Cuestión de Método
Perfume: The Story of a Murderer
Persépolis
Personal Velocity
Petite Lili, La
Piel Que Habito, La
Pink
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest
Planet Terror
Playtime
Please Give
Post Mortem
Poupées Russes, Les
Prairie Home Companion, A
Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire
Prestige, The
Presunto Culpable
Pretty In The Face
Prophète, Un
Promeneur du Champ de Mars, Le
Promotion, The
Proof
Proposition, The
Prud'Hommes
Public Enemies

Q
Quantum of Solace
Quatro Noites Com Anna
Queen, The
Quelques Jours en Septembre
Qui M’Aime Me Suive

R
Rabia
Rachel Getting Married
Raison du Plus Faible, La
Ratatouille
Re-cycle
Reader, The
Red Eye
Red Road
Redacted
Refuge, Le
Religulous
Reservation Road
Reservoir Dogs
Resident, The
Restless
Revenants, Les
Revolutionary Road
Ring Two, The
Road, The
Road To Guantanamo, The
Rois et Reine
Rôle de sa Vie, Le
Romance & Cigarettes
Rubber
Rum Diary, The
S
Sabor da Melancia, O
Safety of Objects, The
Salt
Salvador (Puig Antich)
Samaria
Sauf Le Respect Que Je Vous Dois
Savages, The
Saw
Saw II
Saw III
Scaphandre et le Papillon, Le
Scanner Darkly, A
Science des Rêves, La
Sconosciuta, La
Scoop
Scott Pilgrim vs. The World
Secret Window
Secreto de Sus Ojos, El
Selon Charlie
Sem Ela...
Semana Solos, Una
Señora Beba
Sentinel, The
Separação, Uma - Jodaeiye Nader az Simin
Séptimo Día, El
Séraphine
Seres Queridos
Serious Man, A
Sex is Comedy
Sexualidades - En Soap
S&Man
Shady Grove
Shame
Shattered Glass - Verdade ou Mentira
She Hate Me
Shooting Dogs
Shopgirl
Shortbus
Shrek 2
Shrek The Third
Shrink
Shutter Island
Sicko
Sideways
Silence de Lorna, Le
Silk
Simpsons Movie, The
Sin City
Single Man, A
Sky Captain and the World of Tomorrow
Slumdog Millionaire
Smart People
Social Network, The
Soeurs Fâchées, Les
Soledad, La
Solitudine dei Numeri Primi, La
Somewhere
Son of Rambow
Sonny
Snow
Snow Cake
Spanglish
Spread
Squid and the Whale, The
Star Trek
Still Life
Stop Making Sense
Stranger Than Fiction
Strings
Submarine
Sunshine
Super 8
Sweeney Todd
Syriana

T
Tabloid
Tarnation
Tartarugas Também Voam, As
Taxidermia
Te Doy Mis Ojos
Temps du Loup, Le
Temps Qui Changent, Les
Temps Qui Reste, Le
Temporada de Patos
Teta Asustada, La
Thank You For Smoking
There Will Be Blood
This Is England
This Movie Is Broken
This Must Be The Place
Thirst
Thor
Three Burials of Melquiades Estrada, The
Thumbsucker
Tideland
Tigre e la Neve, La
Time Traveler's Wife, The
Tinker, Tailor, Soldier, Spy
To Take A Wife
Todos os Outros – Alle Anderen
Tonite Let's All Make Love in London
Tournée
Toy Story 3
Transamerica
Transsiberian
Travaux, On Sait Quand Ça Commence
Tree of Life, The
Très Bien, Merci
Três Macacos, Os
Trilogia Lucas Belvaux
Triple Agent
Tristram Shandy: A Cock and Bull Story
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2
Tropic Thunder
Tropical Malady
Trust the Man
Tsotsi
Tueur, Le

U
United States of Leland
Unknown
Untergang, Der - A Queda
Up
Up In The Air

V
V For Vendetta
Vacancy
Valkyrie
Valsa com Bashir
Vanity Fair
Vantage Point
Vera Drake
Vers Le Sud
Vicky Cristina Barcelona
Vida Secreta de las Palabras, La
Vidas dos Outros, As (Das Leben der Anderen)
Vie en Rose, La
Village, The
Vipère au Poing
Visitor, The
Viva
Volver

W
Walk Hard: The Dewey Cox Story
Walk the Line
WALL-E
War, Inc.
War of the Worlds
Wassup Rockers
Waste Land - Lixo Extraordinário
Watchmen
What a Wonderful Place
What the #$*! Do We (K)now!?
Whatever Works
When in Rome
Where the Truth Lies
Where The Wild Things Are
Whip It
Whisky
We don’t care about music anyway…
We Dont’t Live Here Anymore
Weisse Band, Das – O Laço Branco
Wide Awake
Wilbur Wants to Kill Himself
Wind That Shakes The Barley, The
Winter’s Bone
Woman Under The Influence, A
Woodsman, The
World, The
World Trade Center
Wrestler, The

X
X-Files: I Want To Believe, The
X-Men: First Class
X-Men Origins: Wolverine

Y
Yo Soy La Juani
Young Adult
Youth in Revolt
Youth Without Youth

Z
Zack And Miri Make A Porno

Zodiac
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Festivais e Prémios
- FANTASPORTO
- FESTROIA
- INDIE LISBOA
- FESTIVAL DE CINEMA GAY E LÉSBICO DE LISBOA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS DE VILA DO CONDE
- DOCLISBOA
- CINANIMA
- CineECO
- FamaFEST
- FICA
- FESTIVAL DE CINEMA LUSO-BRASILEIRO DE SANTA MARIA DA FEIRA
- fest | FESTIVAL DE CINEMA E VÍDEO JOVEM DE ESPINHO
- CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS
- FESTIVAL DE CANNES
- LES CÉSAR DU CINEMA
- PREMIOS GOYA
- FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DONOSTIA - SAN SEBASTIAN
- LA BIENNALE DI VENEZIA
- FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL FILM - LOCARNO
- INTERNATIONALE FILMSPIELE BERLIN<
- BAFTA
- LONDON FILM FESTIVAL
- EDINBURGH INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- OSCAR
- SUNDANCE FILM FESTIVAL
- GOLDEN GLOBES
- NEW YORK FILM FESTIVAL
- SAN FRANCISCO FILM FESTIVAL
- TORONTO INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
- MONTRÉAL WORLD FILM FESTIVAL
- ROTTERDAM INTERNATIONAL FILM FESTIVAL