Realização: Stephen Belber. Elenco: Jennifer Aniston, Steve Zahn, Margo Martindale, Fred Ward, James Hiroyuki Liao, Woody Harrelson. Nacionalidade: EUA, 2008.

Um filme introspectivo que resvala, por vezes, para uma comédia fácil, como se não soubesse para onde quer ir. Um pouco como as suas personagens, dois seres estranhos e isolados (física ou emocionalmente) do mundo que os rodeia. Para comédia romântica “Management” é demasiado melancólico, para um puro indie chega a momentos demasiado absurdos.
Este filme vem (re)provar que Aniston se revela como actriz de facto no registo mais subtil (“The Good Girl”, de Miguel Arteta continua a ser, para mim, a sua melhor interpretação). Mas é Zahn que nos desarma, com sinceridade, ingenuidade e idealismo. A sua crença no fracasso equiparada à inevitabilidade da sua luta.
Duas solidões que se juntam. Dois muros que desmoronam. Quando se trata de sentimentos, a lógica é de um valor totalmente relativo. E a idade biológica está longe de ser indicador da maturidade emocional. Felizmente, estamos sempre a tempo de aprender a ser felizes.
Realização: Roman Polanski. Elenco: Ewan McGregor, Pierce Brosnan, Kim Cattrall, Olivia Williams, Tom Wilkinson, Timothy Hutton, James Belushi, Jon Bernthal, Tim Preece. Nacionalidade: França / Alemanha / Reino Unido, 2010.

Com o espaço aberto, Polanski cria o isolamento, com o ritmo a tensão. Com metáforas visuais ele ilustra a impunidade, e um fantasma sem nome é, de repente, todos aqueles que buscam a verdade.
Num exercício estilístico, uma intriga a la Hitchcock, de inegável satisfação.
Realização: James Mangold. Elenco: Tom Cruise, Cameron Diaz, Peter Sarsgaard, Jordi Mollà, Viola Davis, Paul Dano. Nacionalidade: EUA, 2010.
Velha e requentada receita, disfarçada de filme, e totalmente descartável.

Calendário cumprido, à excepção de Ms. Jones. Com direito a uma pitada de Prince numa produção de mau gosto, a excelência coube aos [velhos] Pet Shop Boys e aos [novos] Hot Chip.
E fica a constatação de que música não combina com pó, nem com falta de civismo, nem com má organização.
De caminho. a incredulidade perante quem, para experimentar / aproveitar a vida, precisa de encharcá-la em álcool.
Sim, o calor deixa-me [ainda mais] intolerante. Deve ser isso.
I’m back in the ring with my boxing gloves
SHARON JONES & THE DAP KINGS
walk away now and you’re gonna start a war
THE NATIONAL
@Festival Super Bock Super Rock, Meco
How could you be so perfect for me?

JULIAN CASABLANCAS
everything's nothing, and nothing is ours

HOT CHIP
a little bit of condensation means so much

VAMPIRE WEEKEND
@Festival Super Bock Super Rock, Meco
Now I know the only compass that I need is the one that leads back to you.

JAMIE LIDELL
you know the ills of this world they can get you down
but then you get back up

MAYER HAWTHORNE
it’s words that cut me under my armor

ST. VINCENT
sweet disposition

THE TEMPER TRAP
the stars and the sun dance to your drum

PET SHOP BOYS
@Festival Super Bock Super Rock, Meco
I got lost in the sounds

REGINA SPEKTOR @Parque Palmela, Cascais
Realização: Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll. Elenco: Andres Pazos, Mirella Pascual, Jorge Bolani, Ana Katz, Daniel Hendler. Nacionalidade: Uruguai / Argentina / Alemanha / Espanha, 2004.

Visto na primeira edição do IndieLisboa em 2004, “Whisky” chega finalmente às nossas salas de cinema.
Um filme sobre a solidão, onde a felicidade é muitas vezes apenas a palavra “whisky” em frente de uma câmara fotográfica.
A rotina esmagadoramente agressiva de Jacobo, o dono de uma fábrica de meias, e de Marta, uma das suas empregadas, é repentinamente abalada com a visita do irmão dele, a quem Jacobo pretende impressionar com uma vida construída em família com uma falsa esposa, papel a que Marta se presta sem reservas.
As nuances de sentimentos reprimidos como a inveja, o ciúme, o carinho, são filmados com uma subtileza impressionante. As representações, contidas mas expressivas, fazem-nos ir da gargalhada à angústia da tristeza profunda das suas vidas.
Realização: Alejandro Amenábar. Elenco: Rachel Weisz, Max Minghella, Oscar Isaac, Ashraf Barhom, Michael Lonsdale, Rupert Evans, Richard Durden, Sami Samir. Nacionalidade: Espanha, 2009.

Porque o verdadeiro “pecado original” sempre foi, e continua a ser, o conhecimento.
A intolerância, e a violência nela gerada, permanecerá como um dos muitos frutos podres da árvore da ignorância.

Realização: Mark Steven Johnson. Elenco: Kristen Bell, Will Arnett, Josh Duhamel, Danny DeVito, Don Johnson, Jon Heder, Anjelica Huston, Dax Shepard. Nacionalidade: EUA, 2009.

Um filme que é apenas uma tentativa. Uma tentativa de comédia e uma tentativa de romance. Não fosse por Josh Duhamel, e pela descoberta do seu charme natural e despretensioso e do seu instinto cómico, e “When In Rome” teria sido uma pura perda de tempo.
Realização: Glenn Ficarra e John Requa. Elenco: Jim Carrey, Ewan McGregor, Leslie Mann, Rodrigo Santoro. Nacionalidade: França / EUA, 2009.

Uma vida construída sobre mentiras com o objectivo último do amor.
Irreflectido, irracional, estúpido, louco.
A realidade superando a ficção: fascinante.
VISUAL ACOUSTICS: THE MODERNISM OF JULIUS SHCULMAN, de Eric Bricker
Porque a imagem cria a emoção, e vice-versa.

Desta vez, sem intermitências.
Regressando ao chão, de onde se tinha levantado, quando o descobri.

(16.11.1922 - 18.06.2010)
Realização: Juan José Campanella. Elenco: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Pablo Rago, Javier Godino, Guillermo Francella, Mario Alarcón, Carla Quevedo. Nacionalidade: Argentina / Espanha, 2009.

O livro "La Pregunta de Sus Ojos" (2005) de Eduardo Sacheri serve de base ao último filme do realizador de “El Hijo de la Novia” e de “Luna de Avellaneda”, e que lhe valeu o prémio de Melhor Filme de Língua Não Inglesa na última edição Óscar ®.
Com este curriculum, “El Secreto de Sus Ojos” poderia facilmente ter desiludido, mas a hábil mistura de policial, romance e comédia que o argumento conjunto de Sacheri e Campanella conseguiu, produziu uma das surpresas desta Primavera. Dos geniais diálogos, aos planos de tirar a respiração, passando por interpretações infalíveis, sai-se da sala com a fome de cinema totalmente saciada.
As fotografias falam. Verdade e mentira. Escondem um instante ou plantam memórias enganadoras. Se não nos lembrarmos do que vivemos, teremos de facto vivido? Fugir do amor é fugir da vida?
A pensar em todos os “e se…” que podiam ter sido acabaremos com milhões de passados e sem futuro. O que nos sobra são recordações. Cabe-nos a nós escolhermos lembrar as boas.
Realização: Robert Schwentke. Elenco: Rachel McAdams, Eric Bana, Arliss Howard, Ron Livingston, Stephen Tobolowsky, Jane McLean, Brooklynn Proulx. Nacionalidade: EUA, 2009.

Quando um argumento ignora as bases de uma boa história, quando um realizador ignora a consistência interna da sua obra, não resta mais ao espectador que, em retribuição, ignorar o produto do seu “esforço”.
Lá bonitos são eles, mas está-se melhor na praia!