while falling down a mountain
TINDERSTICKS @Centro Cultural Olga Cadaval
Realização: Woody Allen. Elenco: Larry David, Evan Rachel Wood, Patricia Clarkson, Ed Begley Jr., Michael McKean, Conleth Hill, Henry Cavill. Nacionalidade: EUA / França, 2009.

“Whatever Works” é um clássico (leia-se ‘reciclado’) Woody Allen: de volta a Manhattan, de volta a si mesmo – com Larry David (“ Curb Your Enthusiasm”) em alterego e uma quase irreconhecível Evan Rachel Wood como musa –, aos diálogos intensos e sarcásticos, e à habitual leveza com que trata os pesados dilemas existenciais.
Neste mundo aleatório, há que aproveitar qualquer rara hipótese de felicidade. E no amor não há regras, nem normas de funcionamento ou receitas para o êxito. Tudo é válido. Desde que funcione.
Realização: Lars Von Trier. Elenco: Willem Dafoe. Charlotte Gainsbourg. Nacionalidade: Dinamarca / Alemanha / França / Suécia / Itália / Polónia, 2009.

Da misoginia.
Da mulher como fonte do mal.
De como a vingança contra “a mulher má”, liberta todas as injustiçadas.
Das metáforas.
Da violência. Da loucura. Do sofrimento. Do desespero. Da dor.
Da razão. Da irracionalidade.
A desconfortável intimidade da câmara de Von Trier e a irrepreensibilidade estética dos seus planos postas ao serviço do opressivo, do bizarro e do perturbador,
Da catarse.
Do paraíso. Do inferno.
... but yes, you can call me anything you want!”
ARCTIC MONKEYS @Coliseu dos Recreios
Realização: Jason Reitman. Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Amy Morton, Melanie Lynskey, J.K. Simmons. Nacionalidade: EUA, 2009.

Parar é morrer. Por isso, Ryan (George Clooney) move-se sem se deter para estabelecer laços pessoais e sem se deixar submeter ao peso das posses materiais.
O terceiro filme de Jason Reitman (“Juno”, “Thank You For Smoking”) é um filme sobre o transitório. O emocional e o profissional. Portanto, um filme de hoje.
O argumento de Reitman e Sheldon Turner balança-se perigosamente na linha do cliché, salvando-se, por pouco e graças às fortes interpretações, de cair.
Ser livre é um desejo e um direito indiscutíveis. Mas impor o princípio da “leveza” é uma contradição em si mesma. O que se leva da vida são as ligações que fazemos – o caminho não o destino, Por isso, viajar “sem bagagem” é, simplesmente, andar à deriva.


Eis os nomeados pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences para a célebre estatueta dourada, cuja 82ª edição terá lugar no próximo dia 7 de Março.
Para as apostas:
MELHOR FILME
Avatar, de James Cameron
The Blind Side de John Lee Hancock
District 9 de Neill Blomkamp
An Education de Lone Scherfig
The Hurt Locker, de Kathryn Bigelow
Inglourious Basterds, de Quentin Tarantino
Precious: Based on the novel ‘Push’ by Sapphire, de Lee Daniels
A Serious Man, de Joel e Ethan Coen
Up, de Pete Docter e Bob Peterson
Up In The Air, de Jason Reitman
MELHOR ACTOR PRINCIPAL
Jeff Bridges por “Crazy Heart”
George Clooney por “Up In The Air“
Colin Firth por “A Single Man”
Morgan Freeman por “Invictus”
Jeremy Renner por “The Hurt Locker”
MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Matt Damon por “Invictus”
Woody Harrelson por “The Messenger”
Christopher Plummer por “The Last Station”
Stanley Tucci por “The Lovely Bones”
Christoph Waltz por “Inglourious Basterds”
MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL
Sandra Bullock por “The Blind Side”
Helen Mirren por “The Last Station”
Carey Mulligan por “An Education”
Gabourey Sidibe por “Precious: Based on the novel ‘Push’ by Sapphire”
Meryl Streep por “Julie & Julia”
MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Penélope Cruz por “Nine”
Vera Farmiga por “Up In The Air”
Maggie Gyllenhaal por “Crazy Heart”
Anna Kendrick por “Up In The Air”
Mo’Nique por “Precious: Based on the novel ‘Push’ by Sapphire”
MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
Coraline, de Henry Selick
Fantastic Mr. Fox, de Byron Howard e Chris Williams
The Princess and the Frog, de Ron Clements e John Musker
The Secret of Kells, de Tomm Moore e Nora Twomey
Up, de Pete Docter e Bob Peterson
MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA
Rick Carter and Robert Stromberg (Art Direction); Kim Sinclair (Set Decoration) por “Avatar”
Dave Warren and Anastasia Masaro (Art Direction); Caroline Smith (Set Decoration) por “The Imaginarium of Doctor Parnassus”
John Myhre (Art Direction); Gordon Sim (Set Decoration) por “Nine”
Sarah Greenwood (Art Direction); Katie Spencer (Set Decoration) por “Sherlock Holmes”
Patrice Vermette (Art Direction); Maggie Gray (Set Decoration) por “The Young Victoris”
MELHOR FOTOGRAFIA
Mauro Fiore por “Avatar”
Bruno Delbonnel por “Harry Potter and the Half Blooded Prince”
Barry Ackroyd por “The Hurt Locker”
Robert Richardson por “Inglourious Basterds”
Christian Berger por “Das Weisse Band”
MELHOR GUARDA-ROUPA
Janet Patterson por “Bright Star”
Catherine Leterrier por “Coco Avant Chanel”
Monique Prudhomme por “The Imaginarium of Doctor Parnassus”
Colleen Atwood por “Nine”
Sandy Powell por “The Young Victoria”
MELHOR REALIZADOR
James Cameron por ”Avatar”
Kathryn Bigelow por ”The Hurt Locker”
Quentin Tarantino por ”Inglourious Basterds”
Lee Daniels por ”Precious: Based on the novel ‘Push’ by Sapphire”
Jason Reitman por ”Up In The Air”
MELHOR DOCUMENTÁRIO
Burma VJ, de Anders Ostergaard e Lise Lense-Moller
The Cove, de Louie Psihoyos
Food, Inc., de Robert Kenner e Elise Pearlstein
The Most Dangerous Man in America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers, de Judith Ehrlich e Rick Goldsmith
Which Way Home, de Rebecca Cammisa
MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTAL
China's Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province, de Jon Alpert e Matthew O'Neill
The Last Campaign of Governor Booth Gardner, de Daniel Junge e Henry Ansbacher
The Last Truck: Closing of a GM Plant, de Steven Bognar e Julia Reichert
Music by Prudence, de Roger Ross Williams e Elinor Burkett
Rabbit à la Berlin, de Bartek Konopka e Anna Wydra
MELHOR MONTAGEM
Stephen Rivkin, John Refoua e James Cameron por “Avatar”
Julian Clarke por “Dictrict 9”
Bob Murawski e Chris Innis por “The Hurt Locker”
Sally Menke por “Inglourious Basterds”
Joe Klotz por “Precious: Based on the novel ‘Push’ by Sapphire”
MELHOR FILME DE LÍNGUA NÃO INGLESA
Ajami, de Scandar Copti e Yaron Shani (Israel)
El Secreto de Sus Ojos, de Juan José Campanella (Argentina)
La Teta Asustada, de Claudia Llosa (Peru)
Un Prophète, de Jacques Audiard (França)
Das Weisse Band, de Ari Folman (Alemanha)
MELHOR CARACTERIZAÇÃO
Aldo Signoretti e Vittorio Sodano por “Il Divo”
Barney Burman, Mindy Hall e Joel Harlow por “Star Trek”
Jon Henry Gordon e Jenny Shircore por “The Young Victoria”
MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL
James Horner – “Avatar”
Alexandre Desplat – “Fantastic Mr. Fox”
Marco Beltrami e Buck Sanders – “The Hurt Locker”
Hans Zimmer – “Sherlock Holmes”
Michael Giacchino – “Up”
MELHOR CANÇÃO
Almost There (Randy Newman) – “The Princess and the Frog”
Down in New Orleans (Randy Newman) – “The Princess and the Frog”
Loin de Paname (Reinhardt Wagner; Frank Thomas) – “Paris 36”
Take It All (Maury Yeston) – “Nine”
The Weary Kind (Theme from Crazy Heart) (Ryan Bingham e T Bone Burnett) – “Crazy Heart”
MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
French Roast, de Fabrice O. Joubert
Granny O'Grimm's Sleeping Beauty, de Nicky Phelan e Darragh O'Connell
La Dama y la Muerte, de Javier Recio Gracia
Logorama, de Nicolas Schmerkin
A Matter of Loaf and Death, de Nick Park
MELHOR CURTA-METRAGEM
The Door, de Juanita Wilson e James Flynn
Instead of Abracadabra, de Patrik Eklund e Mathias Fjellström
Kavi, de Gregg Helvey
Miracle Fish, de Luke Doolan and Drew Bailey
The New Tenants, de Joachim Back e Tivi Magnusson
MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Christopher Boyes e Gwendolyn Yates Whittle por “Avatar”
Paul N.J. Ottosson por “The Hurt Locker”
Wylie Stateman por “Inglourious Basterds”
Mark Stoeckinger e Alan Rankin por “Star Trek”
Michael Silvers e Tom Myers por “Up”
MELHOR SONOPLASTIA
Christopher Boyes, Gary Summers, Andy Nelson e Tony Johnson por “Avatar”
Paul N.J. Ottosson e Ray Beckett por “The Hurt Locker”
Michael Minkler, Tony Lamberti e Mark Ulano por “Inglourious Basterds”
Anna Behlmer, Andy Nelson e Peter J. Devlin por “Star Trek”
Greg P. Russell, Gary Summers e Geoffrey Patterson por “Transformers: Revenge of the Fallen”
MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
Joe Letteri, Stephen Rosenbaum, Richard Baneham e Andrew R. Jones por “Avatar”
Dan Kaufman, Peter Muyzers, Robert Habros e Matt Aitken por “District 9”
Roger Guyett, Russell Earl, Paul Kavanagh e Burt Dalton por “Star Trek”
MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
Neill Blomkamp e Terri Tatchell por “District 9”
Nick Hornby por “An Education”
Jesse Armstrong, Simon Blackwell, Armando Iannucci e Tony Roche por “In The Loop”
Geoffrey Fletcher por “Precious: Based on the Novel 'Push' by Sapphire”
Jason Reitman e Sheldon Turner por “Up In The Air”
MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
Mark Boal por “The Hurt Locker”
Quentin Tarantino por “Inglourious Basterds”
Alessandro Camon e Oren Moverman por “The Messenger”
Joel Coen e Ethan Coen por “A Serious Man”
Bob Peterson, Pete Docter e Tom McCarthy por “Up”
Tudo começou a 22 de Setembro de 2004.
Hoje é o início do fim.


Sundance atribuiu ontem os seus prémios de cinema independente:
GRAND JURY PRIZE: DOCUMENTARY
Restrepo, de Tim Hetherington e Sebastian Junger
GRAND JURY PRIZE: DRAMATIC
Winter’s Bone, de Debra Granik
WORLD CINEMA JURY PRIZE: DOCUMENTARY
The Red Chapel, de Mads Brügger
WORLD CINEMA JURY PRIZE: DRAMATIC
Animal Kingdom, de David Michôd
AUDIENCE AWARD: U.S. DOCUMENTARY, PRESENTED BY HONDA
Waiting for Superman, de Davis Guggenheim
AUDIENCE AWARD: U. S. DRAMATIC, PRESENTED BY HONDA
Happythankyoumoreplease, de Josh Radnor
WORLD CINEMA AUDIENCE AWARD: DOCUMENTARY
Wasteland, de Lucy Walker
WORLD CINEMA AUDIENCE AWARD: DRAMATIC
Contracorriente, de Javier Fuentes-León
Restantes premiados aqui.

No passado dia 23, foi a vez dos actores galardoarem os seus pares na 16ª edição dos Screen Actors Guild Awards.
Foram estes os resultados:
THEATRICAL MOTION PICTURES
Outstanding Performance by a Male Actor in a Leading Role
JEFF BRIDGES por “Crazy Heart”
Outstanding Performance by a Female Actor in a Leading Role
SANDRA BULLOCK por “The Blind Side”
Outstanding Performance by a Male Actor in a Supporting Role
CHRISTOPH WALTZ por “Inglourious Basterds”
Outstanding Performance by a Female Actor in a Supporting Role
MO’NIQUE por “Precious: Based on the novel Push by Sapphire”
Outstanding Performance by the Cast of a Motion Picture
INGLOURIOUS BASTERDS
PRIMETIME TELEVISION
Outstanding Performance by a Male Actor in a Television Movie or Miniseries
KEVIN BACON por “Taking Chance”
Outstanding Performance by a Female Actor in a Television Movie or Miniseries
DREW BARRYMORE por “Grey Gardens”
Outstanding Performance by a Male Actor in a Drama Series
MICHAEL C. HALL por “Dexter”
Outstanding Performance by a Female Actor in a Drama Series
JULIANNA MARGULIES por “The Good Wife”
Outstanding Performance by an Ensemble in a Drama Series
MAD MEN
Outstanding Performance by a Male Actor in a Comedy Series
ALEC BALDWIN por “30 Rock”
Outstanding Performance by a Female Actor in a Comedy Series
TINA FEY por “30 Rock”
Outstanding Performance by an Ensemble in a Comedy Series
GLEE
SAG HONORS FOR STUNT ENSEMBLES
Outstanding Performance by a Stunt Ensemble in a Motion Picture
STAR TREK
Outstanding Performance by a Stunt Ensemble in a Television Series
24
O primeiro concorrente:

Realização: Michael Haneke. Elenco: Christian Friedel, Ernst Jacobi, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Fion Mutert, Michael Kranz, Burghart Klaußner, Steffi Kühnert, Maria-Victoria Dragus, Leonard Proxauf. Nacionalidade: Áustria / Alemanha / França / Itália, 2009.

Se tivesse de destacar o elemento comum na filmografia de Michael Haneke seria a crueldade. De uma forma ou de outra, dirigida a outros ou a si mesmo, as suas personagens são das mais cruéis que o cinema nos tem oferecido. E não deixa de ser desconcertante olhar para este homem com ar de simpático avô e ver aquilo que o estimula para e que resulta na sua criação.
O subtítulo “Eine deutsche Kindergeschichte” parece jogar com o significado “uma história alemã para crianças” e “uma história alemã sobre crianças”. Fiquemo-nos pela segunda opção. Mesmo.
O narrador avisa-nos, desde logo, que a sua memória não consegue assegurar um relato isento de imperfeições. Na Alemanha rural do princípio do séc. XX, a vida arrasta-se num compasso lento, sem felicidades mas também sem tragédias. Até ao dia em que estranhos acontecimentos vêm perturbar a vida dos seus habitantes.
Haneke oferece-nos um mistério quase policial, ao longo do qual vamos recebendo pequenas pistas, para terminar numa ambígua resolução. À semelhança das suas personagens, também ele dissimula, falando de outras coisas através da metáfora do cinema. Conta-nos da liderança despótica (familiar e política), do poder da educação na perpetuação dos comportamentos, conta-nos da nossa memória histórica e dos seus esquecimentos.
Embrulhado na espantosa fotografia a preto e branco de Christian Berger, “Das Weisse Band“ é austero e formal. Mas, com um cuidado quase obsessivo, Haneke consegue condensar as mais fortes emoções (e o diálogo mais violento), apertando-as de tal modo que, a qualquer o momento, esperamos vê-las explodir. E é assim, como uma mola contraída, que saímos da sala de cinema.
Realização: John Hillcoat. Elenco: Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Charlize Theron, Robert Duvall, Guy Pearce, Molly Parker, Michael Kenneth Williams. Nacionalidade: EUA, 2009.

Sem ter lido o livro de Cormac McCarthy posso apenas imaginar que ele seja ainda mais duro que a adaptação de Joe Penhall e John Hillcoat (“The Proposition”).
Na pálida (e cinzenta) amostra de mundo que resta após uma catástrofe não identificada, um homem (Viggo Mortensen) tenta, a todo o custo, salvar a vida do seu filho (Kodi Smit-McPhee). Depois de a mãe (Charlize Theron) ter desistido perante a perspectiva de pilhagens, violações e canibalismo motivados pelo desespero e a fome, os dois homens seguem em direcção a sul e à costa, na esperança de que o mar seja mais do que cinza e pó. Correndo, escondendo-se e passando fome, eles sobrevivem na desolação – o pai motivado pelo filho, o filho pela noção de bem.
“The Road” não tem os exactos elementos de thriller apocalíptico nem os efeitos visuais que Hollywood nos tenta vender pelo menos uma vez por ano, mas é pleno de tensão e de uma envolvência quase dolorosa. Às exigências física e emocional, Viggo Mortensen responde com excelência, e o jovem australiano de 13 anos Kodi Smit-McPhee, com uma intensidade e intuição que não lhe ficam atrás.
O amor é o motor, a força, a saída, o fogo que compete a cada um guardar e carregar dentro de si. E ainda que o mundo possa, de facto, chegar ao limite do possível, o único caminho que vale a pena percorrer é o da a empatia e compaixão – o ser (verbo) humano.
Realização: Jacques Audiard. Elenco: Tahar Rahim, Niels Arestrup, Adel Bencherif, Hichem Yacoubi, Reda Kateb, Jean-Philippe Ricci, Gilles Cohen, Antoine Basler, Leïla Bekhti. Nacionalidade: França / Itália, 2009.

Jacques Audiard (“De Tanto Bater o Meu Coração Parou”) pega na inocência (e ingenuidade) de Malik El Djebena (Tahar Rahim) e corrompe-as brutalmente pelas forças organizadoras (aglutinadoras e isoladoras) do presídio.
Neste processo, Malik observa silencioso e obediente, e aprende a ser previdente e implacável. Desconcertado, assustado, atormentado pelo crime que é obrigado a cometer, ele transforma-se num líder, iluminado pela convicção da sua “missão”, capaz de motivar seguidores.
A realização de Audiard é simultaneamente controlada e enérgica. E as interpretações cativantes, do praticamente estreante (e lindíssimo!) Tahar Rahim, ao veterano Niels Arestrup (como líder da facção corsa), passando por Hichem Yacoubi (o fantasma).
Nunca a prisão pareceu tão longe do conceito de reabilitação como em “Un Prophète”. Nunca 2h30 se passaram tão sem esforço.
Realização: Spike Jonze. Elenco: Max Records, Catherine Keener, Mark Ruffalo, James Gandolfini (voz), Lauren Ambrose (voz), Paul Dano (voz), Catherine O'Hara (voz), Forest Whitaker (voz), Michael Berry Jr. (voz), Chris Cooper (voz). Nacionalidade: EUA, 2009.

A experiência da infância estará já longe para muitos de nós, outros começam agora a vivê-la pelos olhos dos filhos. Os medos e as expectativas, a dor no confronto com a realidade, a fuga, a verdade e, finalmente, a assimilação. O mais recente filme de Spike Jonze (“Being Jonh Malkovich”, “Adaptation”), adaptação do livro infantil de 1963 de Maurice Sendak, leva-nos de volta a esse tempo.
No rescaldo do divórcio dos pais, encontramos Max (Max Records) imerso na profunda tristeza que advém da solidão, de sentirmos que somos únicos (na pior acepção da palavra) e que nunca ninguém nos vai compreender.
A sua raiva e frustração (e todos as outras emoções que as contrariam ou equilibram) encontram uma personificação física no seu mundo imaginário, um mundo onde é possível criar a própria felicidade, ou o que se pensa que ela possa ser. Nesta transposição da realidade, Max faz o caminho de crescimento, à medida que se apercebe do impacto que cada um dos seus sentimentos (e acções deles decorrentes) têm sobre aqueles que estão ao seu redor.
Essa é, e continua a ser, a maior viagem que cada um de nós pode ambicionar fazer: ao mundo que contemos dentro de nós.
Revelados (para grande desilusão minha...) os vencedores da 67ª edição dos Golden Globe Awards.
BEST MOTION PICTURE - DRAMA
Avatar, de James Cameron
BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A MOTION PICTURE - DRAMA
Sandra Bullock por “The Blind Side”
BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A MOTION PICTURE - DRAMA
Jeff Bridges por “Crazy Heart”
BEST MOTION PICTURE - MUSICAL OR COMEDY
The Hangover, de Todd Phillips
BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A MOTION PICTURE - MUSICAL OR COMEDY
Meryl Streep por “Julie & Julia”
BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A MOTION PICTURE - MUSICAL OR COMEDY
Robert Downey Jr. por “Sherlock Holmes”
BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A SUPPORTING ROLE IN A MOTION PICTURE
Mo'nique por “Precious: Based On The Novel Push By Sapphire”
BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A SUPPORTING ROLE IN A MOTION PICTURE
Christoph Waltz por “Inglourious Basterds”
BEST ANIMATED FEATURE FILM
Up, de Pete Docter e Bob Peterson
BEST FOREIGN LANGUAGE FILM
Das Weisse Band - Eine Deutsche Kindergeschichte (Alemanha), de Michael Haneke
BEST DIRECTOR - MOTION PICTURE
James Cameron por “Avatar”
BEST SCREENPLAY - MOTION PICTURE
Jason Reitman e Sheldon Turner por “Up In The Air”
BEST ORIGINAL SCORE - MOTION PICTURE
Michael Giacchino - “Up”
BEST ORIGINAL SONG - MOTION PICTURE
The Weary Kind (Theme From Crazy Heart) – “Crazy Heart”
BEST TELEVISION SERIES - DRAMA
Mad Men
BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A TELEVISION SERIES - DRAMA
Julianna Margulies por “The Good Wife”
BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A TELEVISION SERIES - DRAMA
Michael C. Hall por ”Dexter”
BEST TELEVISION SERIES - MUSICAL OR COMEDY
Glee
BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A TELEVISION SERIES - MUSICAL OR COMEDY
Toni Collette por “United States Of Tara”
BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A TELEVISION SERIES - MUSICAL OR COMEDY
Alec Baldwin por “30 Rock”
BEST MINI-SERIES OR MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION
Grey Gardens
BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A MINI-SERIES OR A MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION
Drew Barrymore por “Grey Gardens”
BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A MINI-SERIES OR A MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION
Kevin Bacon por “Taking Chance”
BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A SUPPORTING ROLE IN A SERIES, MINI-SERIES OR MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION
Chloë Sevigny por “Big Love”
BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A SUPPORTING ROLE IN A SERIES, MINI-SERIES OR MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION
John Lithgow por “Dexter”
CECIL B. DeMILLE AWARD
Martin Scorsese
Restantes nomeados aqui.

LHASA DE SELA
(27.09.1972 - 01.01.2010)

fevereiro
MILK, de Gus Van Sant
THE READER, de Stephen Daldry
março
THE WRESTLER, de Darren Aronofsky
abril
LOUISE-MICHEL, de Benoît Delépine e Gustave de Kervern
setembro
UP, de Pete Docter e Bob Peterson
INGLOURIOUS BASTERDS, de Quentin Tarantino
novembro
(500) DAYS OF SUMMER, de Marc Webb

28 de Abril
DAVID BYRNE @Coliseu dos Recreios
14 de Maio
ANTONY AND THE JONHSONS @Coliseu dos Recreios
25 de Maio
ANDREW BIRD @São Jorge
07 de Outubro
CHRIS GARNEAU @La Maroquinerie, Paris
23 de Outubro
JOHN VANDERSLICE @Santiago Alquimista
14 de Novembro
DEPECHE MODE @Pavilhão Atlântico
02 de Dezembro
FRANZ FERDINAND @Campo Pequeno

O LEITOR, de Bernhard Schlink
THE BOY IN THE STRIPED PYJAMAS, de John Boyne
A POSSIBILIDADE DE UMA ILHA, de Michel Houellebecq
O OUTRO EU, de Daphne du Maurier
CLUBE DE COMBATE, de Chuck Palahniuk
CONFESSIONS OF AN ENGLISH OPIUM-EATER AND OTHER STORIES, de Thomas de Quincey
UMA QUESTÃO DE BELEZA, de Zadie Smith
A SOLIDÃO DOS NÚMEROS PRIMOS, de Paolo Giordano
BELOVED, de Toni Morrison
A CASA DO SONO, de Jonathan Coe
GENTE INDEPENDENTE, de Halldór Laxness
